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21 julho 2026

Das conversas na praia ao telefone

Estou espojado numa espreguiçadeira numa praia algarvia. Fruto de uma decisão que não foi implementada nesta praia, o areal á minha frente tem muito pouca gente: quase todos os banhistas levam chapéu de sol, pelo que vão para outra zona. 

À minha frente, uma rapariga nova fala ao telemóvel. Não sei se já repararam como algumas pessoas adoptam comportamentos estranhos quando falam ao telemóvel em sítios públicos. Parece que se esquecem de onde estão... Com esta rapariga aconteceu o mesmo. Andava três passos e parava; andava mais dois, gesticulava e voltava para trás. Depois seguia em frente durante 3 metros e, subitamente, voltava para trás. E assim sucessivamente. 

A observação desta deambulação não deve prender-se com critérios de comportamento apenas, do tipo pare quieta, rapariga! Há um interesse divinatório que suscita pensamentos científicos de cariz sociológica: o que ouve a rapariga que a faz andar em frente, parar, voltar para trás ou agitar um braço ao vento? Ou ainda, que tipo de informação presta ela ao seu interlocutor que lhe condiciona o azimute, a frequência ou extensão da passada ou mesmo a amplitude de um braço que corta a brisa?

Não tenho uma teoria definitiva sobre o assunto, excepto aquela que está acessível ao comum dos mortais: ri quando ouve algo divertido, comove-se com a bondade ou com a infelicidade, faz movimentos verticais do braço quando quer marcar uma posição ou demonstrar uma indignação. Há, no entanto, algo que, estou certo, a faz parar, porque o movimento nestas circunstâncias é impossível: quando ouve a amiga dizer-lhe, com grande surpresa ou cumplicidade, que o Rúben, casado há muito tempo com a Alberta e a residir em Costas de Cão, tinha ido viver para Cascais com a Pureza, adoptando um casal de Jack Russel chamados Caparica e Estoril. 

Uma pessoa pode falar ao telefone na praia e não parar enquanto fala de política, de notas suspensas, do futebol ou de alopécia. Não consegue é caminhar quando a conversa provoca espanto, ou mesmo indignação misturada de excitamento. Vão por mim, sei do que falo.

JdB    

13 agosto 2021

Das manias

 

Fotografia de Martin Parr

Tomar banho no Clube de Turismo do Funchal, como aconteceu comigo na primeira quinzena de Julho, leva-nos ao reforço de manias (ou preconceitos?) já existentes, e à criação de outras. Gosto muito de praia, apesar de dois aspectos algo desagradáveis inerentes: a areia e as pessoas. Com a minha quinzena funchalense descobri outra coisa: devido ao facto de a minha entrada na água ser feita sempre (e com gosto) através do mergulho de um pontão, descobri outra mania: não gosto da maré vazia. Não na ilha, onde se nota menos, mas na praia, porque por vezes requer uma marcha penosa até que a água suba acima dos artelhos. Manias...

JdB

07 setembro 2019

Duas Últimas

Praia del Rey, 6 de Setembro de 2019, por volta das 16.00h

Estive a banhos esta semana. Na minha velhice e mau feitio, encontro na praia dois defeitos: as pessoas e a areia. Normalmente até vou a praias que não são tão populares assim, onde as pessoas falam de uma certa maneira, se cumprimentam de uma certa maneira, chama os filhos e os cônjuges de uma certa maneira; e, no fundo, me revejo nessas certas maneiras. Mas não gosto de muita gente, de confusão, de encontrões. A areia, por seu lado, não me atrai porque se agarra às pernas e aos pés. Se eu tivesse de escolher uma praia sem areia ou sem pessoas não hesitaria - antes a areia... Perceberão, assim, o meu gosto de ter estado na praia fotografada acima. Areia havia; já gente...

Deixo-vos com um samba bonito e um video bem disposto e bem cantado, próprio destes tempos de verão. 

JdB 





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