15 dezembro 2014

Vai um gin do Peter’s?

Em época de Natal, solidariedade, bondade pura e simples, é o que melhor acorda o espírito natalício, até porque há menos desvios com a corrida aos presentes, mais contida pela crise. Mesmo a falta de espaço nas casas também sugere contenção.

Entrando no espírito da quadra, aqui vão 3 presentes simbólicos, como 3 votos para o Novo Ano que se aproxima:


 Ser mais próximo do próximo, sobretudo dos “diferentes” e sós

O prémio Goya para a Melhor Curta-Metragem de 2014, distinguiu o filme de animação «CORDAS», que conta a história de uma menina amorosa, de um orfanato, que elegeu para seu melhor amigo o novo colega de classe, com paralisia cerebral.
10 minutos deliciosos, onde se torna palpável quanto um olhar amigo faz toda a diferença.

Bem à maneira dos contos clássicos, aposta-se num símbolo forte e expressivo, que serve de fio condutor à narrativa. Aqui, a função é desempenhada por uma corda grossa e flexível, que cumpre em pleno a sua vocação de ligar elementos distantes. Os menos prováveis.

Para os humanos, dotados do dom da memória, a ligação sugerida pela corda sugere a união de tempos diferentes, superando facilmente a barreira temporal… Por isso, 20 anos depois, ainda e sempre se poderá “sentir” a presença que já partiu para o céu. Claro que a fé abre logo esta perspectiva; mas curiosamente, as vias da amizade e do amor profundo inspiram e sustentem a mesmíssima convicção, daquelas que mais desafiam os cépticos por natureza! Nisso, amor e fé convergem em pleno, espontaneamente, se houver espontaneidade nestas matérias…  


Todos iguais no principal, mas tão diferentes no “acessório”, embora frequentemente o acessório possa ter muito maior visibilidade e preponderância a nível epidérmico que a dimensão mais escondido e subtil da identidade humana. Esse é o desafio de «CORDAS», num testemunho tocante de generosidade e humanidade, pela voz dos mais novos.






 Maior criatividade para virar as dificuldades a nosso favor


A propósito da tradição dos presentes para os mais novos, no Natal, que vem da distribuição generosa de surpresas com que S.Nicolau (Santa Klauss na versão disseminada nos EUA) cobria as criancinhas, vem a história da Lego, que é a prova da capacidade humana de ir mais longe, precisamente, por necessidade de superar a crise. Quando um operário dinamarquês se viu no desemprego, no início do século XX, lembrou-se de inventor um brinquedo útil, pedagógico para os mais novos, permitindo-lhes construir a partir de módulos adaptáveis a tipo de construções muito diferentes, segundo a imaginação de cada pequenino. Assim nasceu o lego




 Mais ajuda concreta, porque muita gente precisa

José Mujica não será um dos nomes mais conhecidos entre os portugueses, mas a sua história merece ser contada.

Segundo dá conta o site Europa Press, o presidente uruguaio falava ao jornalista quando foi abordado por um sem-abrigo que, em lágrimas, lhe pediu uma moeda. Conhecido pelos seus atos de generosidade para com os mais desprotegidos, ‘Pepe’, como é conhecido, disse que não tinha, mas que o ajudaria sob uma condição: que o senhor parasse de chorar.

De um momento para o outro, surpreendendo quem lá estava para o entrevistar, Mujica tira a carteira de um bolso, e oferece uma nota de 100 pesos, ao seu interlocutor. O gesto comoveu ainda mais este homem que lhe agradeceu efusivamente gritando “que seja presidente para sempre”.


De referir que, segundo noticiado por diversos órgãos de comunicação social, o presidente uruguaio doa mensalmente 90% da remuneração que aufere a obras de caridade.



Maria Zarco

(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

14 dezembro 2014

III Domingo do Advento

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?». Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?». «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?». Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?». João respondeu-lhes: «Eu baptizo na água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». Tudo isto se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava a baptizar.

***

Dar testemunho da Luz

Cada um de nós, à maneira de João Batista, é chamado a dar testemunho da neste mundo da vinda de Jesus Cristo, a ser Advento. E isso convence mais do que muitos discursos. Um só gesto de caridade em Cristo, um só lampejo da autêntica caridade cristã, realiza o advento, faz acontecer Natal no mundo. Sim, neste sentido, nós podemos dizer aquilo que ouvimos exprimir tantas vezes nestes dias: que seja Natal sempre! E pode ser Natal todos os dias, desde que demos testemunho da Luz como dava João Batista, desde que essa Luz brilhe em nós! “Endireitai os caminhos do Senhor”! Esta frase, que João Batista foi buscar a Isaías, é também para nós. Porque, entre nós e Cristo, o que há? Muito entulho que se juntou; mas, se nós arredarmos isso tudo, tornar-se-á mais visível e mais clara a Verdade do Evangelho. É preciso afastar os obstáculos que nos separam de Cristo, trocar os caminhos tortuosos por estradas largas e abertas, direitas, entre nós e Cristo, e Cristo e nós; para isso, é necessário abrirmos o coração! Por isso o tempo de Advento se veste de roxo, a cor da penitência, a cor da conversão. Se isso acontecesse, se o nosso caminho e a nossa vida se endireitassem, ficassem planos, largos, direitos, então a Luz de Jesus Cristo brilharia com muito mais intensidade.


D. Manuel Clemente (2014), O Evangelho e a Vida. Conversas na rádio no Dia do Senhor. Ano B. Cascais: Lucerna, 21-22

13 dezembro 2014

Pensamentos Impensados

Espirrito...santinho
Roupa suja lava-se em casa; quando não há dinheiro, sequer, para o detergente, lava-se na praça pública.

Culinária
Bacalhau albardado, em inglês, é dress cod.

Escrevinhadores
Quem nunca pensou, que atire o primeiro livro.

Ginásticas
Há um exercício muscular que vai de Herodes a pilates.

Irrequietos
Os hiper-activos têm Código Energético.

Bancos vs. banca
Os bancos foram bem gerados mas mal geridos.

Juízo final
Como será o encontro, no Céu, de um homem que morreu com 20 anos e do seu filho que morreu com 90?

Desculpem qualquer coisinha


À venda na Livraria Férin (mas também por contacto com o dono deste estabelecimento)

No Natal é costume trocarem-se presentes, e muitas vezes não há ideias para o que se oferecer, seja porque não se quer gastar muito dinheiro, porque é só uma amabilidade, porque não há a intenção de subornar, etc. Deixo-vos uma sugestão: ofereçam o livreco PENSAMENTOS IMPENSADOS, que acabou de sair; é barato e, seguramente, mais divertido do que a mensagem de Natal de Cavaco Silva.

SdB (I)

12 dezembro 2014

A dactilógrafa *

* texto publicado originalmente em 26.10.2009

***

Há quem chore de tristeza, há quem chore de alegria. Por vezes é a visão de algo superiormente bonito que nos provoca lágrimas corridas; outras vezes é uma ternura, um encantamento muito próprio, sei lá eu, que nos embacia os olhos. Foi este enternecimento, inexplicável à luz de uma lógica impessoal, que fez Gonçalo chorar, com a boca muito aberta para que lhe entrasse o ar que faltava. Porque Filomena, no quarto ao lado, se despia para ele com um vagar perturbador. 

É normal o desejo carnal perante uma nudez que se revela gradualmente – e pela primeira vez - numa proximidade inquietante. Mas o homem, professor de filosofia num liceu dos arredores, não o sentiu em exclusivo. O amor que devotava a Filomena, administrativa no mesmo estabelecimento de ensino, era de uma intensidade tão própria, que chorou. Muitos não perceberiam esta sensação de exaltação que esmaga um coração que teima em bater a descompasso. 

Filomena sentia-se observada através de espelhos de portas, algo que não a incomodava. Devagar, como se o mundo dependesse disso, desapertou os botões da camisa. A lentidão era devoradora, mas ela acreditava no cerimonial, no tempo próprio, na habituação dos sentidos à transcendência de uma mulher, jovem e bonita, despojada dos artefactos que cobrem o seu corpo nu. 

Gonçalo espiava, sufocado, a mulher por quem se apaixonara. E via mais uma peça de roupa que tombava no chão. E Filomena desnudava-se, rodando o corpo num misto de pudor e provocação para atrasar a revelação total. O professor passara a fase da lágrima de ternura, explodindo por dentro num vulcão de desejos ardentes. Fechou os olhos, no desespero da criança que tem de esperar pela guloseima longínqua. Quando os abriu, Filomena tinha um cabelo longo e ruivo que lhe tapava o peito, e sentara-se de lado numa cadeira, revelando umas costas tentadoras.

Passados alguns minutos, a rapariga levantou-se de forma calculada e ergueu os braços para apanhar o cabelo. Olhou para o namorado, que lhe revelara Platão e Espinosa, e numa voz…

Podemos ficar por aqui, D. Odete? Estou cansado. 

Vítor Guilherme olhou para as mãos, deformadas por artroses que o impediam, há anos, de exercer autonomamente o seu trabalho de escritor, e recostou-se. Ao seu lado, Odete Ramires, que casara como costureira para enviuvar como dactilógrafa, cobriu a máquina de escrever eléctrica com um oleado acinzentado. Arrumou a cadeira com cuidado e silêncio e despediu-se numa voz que revelava educação e ódio: 

Até amanhã, Sr. Guilherme. Estimo as suas melhoras. 

Já na rua, enfrentando um fim de tarde tristemente frio, Odete Ramires, reformada de emoções, sentou-se numa pastelaria para um bolo seco e um galão escuro. A artrose do autor debilitado era-lhe indiferente; os dedos carcomidos pela dor, também; invejou-lhe, com raiva, a imaginação e o facto de o escritor ter outra vida dentro da própria vida. Quando pensou no Gonçalo e na Filomena, em corpos desnudos amando-se no remanso de uma meia-luz, levou a mão ao pescoço, escondendo um camafeu e sufocando um desejo. 

Conheço-a bem. No fundo, no fundo, somos todos do mesmo bairro.

JdB

11 dezembro 2014

Poemas dos dias que correm


A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos



Sophia de Mello Breyner Andresen
Dual (1972)


10 dezembro 2014

Dos olhos sobre o Natal

Fotografia de JMAC, o homem de Azeitão


Imaginemo-nos, gente díspar de sensibilidade e de gosto, de idade e estádio de vida, a olhar em simultâneo para uma grade de madeira, destas que se usam para a separação de espaços ajardinados ou como ajuda ao crescimento vertical das heras. Um olhará para as ripas de madeira que compõem a retícula; outro olhará para os espaços vazios que o material deixou a descoberto; outro ainda olhará para tudo - seja porque tem visão do conjunto, seja porque os olhos atravessam a matéria na procura de uma qualquer lonjura.

***

Passei o fim de semana com gente por quem tenho uma amizade pouco superior a uma década, mas bastante partilhada. Num dos dias, numa conversa composta por um trio totalmente masculino, falámos inevitavelmente do Natal: o que vai ser, como se sente, que desejos. Em todos, talvez, uma mesma vontade pouco consentânea com a alegria, quase obrigatória, da época - que se passasse do dia 23 para o dia 27, sem passar pela partida e sem pagar os dois contos. E reforça-se o dia 27, porque a 26 ainda há papéis coloridos de embrulho a atapetar os sofás. 

O sentimento daquela conversa, sei-o bem, não se confina àquela gente específica. Outros amigos, com idade semelhante à minha, o revelaram também. É um sentimento generalizado, portanto, pelo menos numa classe de pessoas / idades. Gente a rondar os cinquenta e muitos / sessenta, e que ainda não é avô, algo que, estou convicto, faz toda a diferença.

O que aconteceu para nos termos tornado assim? O Natal é sobretudo, ou exclusivamente, uma festa das crianças, uma época de magia que os nossos olhos racionais e adultos mataram? Ou será, também, que o olhar para a grade ou para os interstícios - metáfora com que abri este pensamento - nos condiciona? Isto é, uns olham para as existências enquanto outros atentam nas ausências? Alega-se o cansaço da idade pouco compatível com as gritarias, as saudades dos ausentes, a confusão das refeições contínuas, a evidência das famílias que se afastaram, os afectos periféricos que ainda não se consolidaram, as tensões latentes, as desilusões ou as vidas menos folgadas, a difícil gestão das famílias alargadas. Aquilo com que vivemos relativamente bem quase todo o anos assume, na época natalícia, uma intensidade que nos esmaga.

Conseguimos resolver isto, em nome do nosso sossego interior e da felicidade dos que nos rodeiam? Sim, embora pareça desafiante. Tudo muda, repito, quando surge um neto, porque os nossos olhos reganham essa dimensão de magia e fantasia que potencia a alegria e os olhos sorridentes. Até lá é fazer o melhor possível, assumir a nossa condição de cristãos para quem o lugar geométrico do Amor é o menino Jesus deitado numas palhinhas. Tudo seria mais fácil se a totalidade dos nossos sentidos se focasse no presépio, nessa simplicidade divina que tudo vence e face à qual tudo é ridiculamente acessório e marginal. Mas isso...

JdB 

        

09 dezembro 2014

Convites dos dias que correm


Duas Últimas

Sou católico e tenho uma devoção tardia e errática por Fátima. Ontem, ao jantar, falaram-me neste youtube. Referiram inclusivamente o estilo que é atribuído por graça: sacro-pop. Depois, porque não gosto de postar nada que seja desrespeitoso, indaguei junto dos comensais se poderia divulgar esta música sem ofender sensibilidades. Garantiram-me que sim.

À hora a que escrevo este post não vi nem ouvi a música. Imagino o que é, até porque conheço o estilo das pessoas que cantam. Mas não sei mais nada, e prefiro assim, até porque poderia ter um rebate de consciência. Em condições normais, mesmo atendendo ao respeito que estes cantores me merecem como seres humanos e profissionais, faria um ou outro comentário, quiçá mais jocoso, ou apenas mais analista. Como se trata de Fátima vou coibir-me.

Peço desculpa, se por acaso firo alguma sensibilidade. Aqui vai então.

JdB

08 dezembro 2014

Solenidade da Imaculada Conceição



EVANGELHO – Lc 1, 26-38

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
o Anjo Gabriel foi enviado por Deus
a uma cidade da Galileia chamada Nazaré,
a uma Virgem desposada com um homem chamado José.
O nome da Virgem era Maria.
Tendo entrado onde ela estava, disse o anjo:
«Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo».
Ela ficou perturbada com estas palavras
e pensava que saudação seria aquela.
Disse-lhe o Anjo:
«Não temas, Maria,
porque encontraste graça diante de Deus.
Conceberás e darás à luz um Filho,
a quem porás o nome de Jesus.
Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo.
O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; 
reinará eternamente sobre a casa de Jacob
e o seu reinado não terá fim».
Maria disse ao Anjo:
«Como será isto, se eu não conheço homem?»
O Anjo respondeu-lhe:
«O Espírito Santo virá sobre ti
e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra.
Por isso, o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus.
E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice
e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril;
porque a Deus nada é impossível».
Maria disse então:
«Eis a escrava do Senhor;
faça-se em mim segundo a tua palavra».

07 dezembro 2014

Convites dos dias que correm


II Domingo do Advento

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 

Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». Apareceu João Baptista no deserto, a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados. Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. João vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».  

***

“Viagem até ao deserto”

Se queremos aprender alguma coisa com a passagem do Evangelho deste domingo, teremos de ir ao deserto como João Batista para ouvir a sua pregação. Mas como é que vamos ao deserto? Se estamos aqui, nas nossas terras, em igrejas cheias de gente? Fazendo deserto, ou seja, dando a atenção toda. Porque, no deserto, só pode haver atenção: olhamos para a terra e é terra, olhamos para o céu e é céu… não há distracções no deserto! No deserto há apenas concentração e expectativa. É isso que nós devemos fazer: concentrar-nos na expectativa da vinda do Senhor.
Jesus Cristo ultrapassa-nos sempre como ultrapassava João Batista! Ele é aquele “diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias”. Esta é uma expressão muito sugestiva, para dizer que é tão maior, é tão outro! E nós, se calhar, a pensar que já conhecemos Jesus Cristo, que já sabemos o que há para saber… não sabemos nada! Estamos sempre a aprender, porque Ele é sempre maior e surpreende-nos sempre.


D. Manuel Clemente (2014), O Evangelho e a Vida. Conversas na rádio no Dia do Senhor. Ano B. Cascais: Lucerna, 15-16.

06 dezembro 2014

Pensamentos Impensados

Na tasca
Avias copos?
Leituras
Folhear um livro não é fácil, só se for com ajudas de cuspo.
Normas da UE
Vendia aquários com todas as garantias; até tinha garantia à prova de água.
Low profile
Fotografias do vírus do Ébola não se tornam virais.
Assentos
Bancos? Só se forem nos transporte públicos.
Jogos
O que fazem nos recreios da prisão de Évora? Brincam aos polícias e ladrões?
Dislexia
Às pessoas com dificuldades de relacionamento sugere-se que comprem latas com 2 dedos de conserva.

SdB (I)

05 dezembro 2014

Largo da Boa-Hora (republicado)

Texto publicado originalmente em 4 de Fevereiro de 2009.

***

Imagino cada um de nós como um rio. Começamos em recôndita nascente, como um pequenino e titubeante fio de água, e vamos percorrendo o nosso curso até à foz, onde, já transformados em torrente caudalosa, nos fundiremos com o mar, com o eterno.
Ao longo da viagem acolhemos afluentes que connosco se confundem e se unificam, e geramos efluentes que seguem o seu destino de rios novos.
Todo o curso, da nascente até à foz, é movimento, passagem, caminho. Cada marco da jornada tem a expectativa da chegada, a vivência da estada e a memória da ultrapassagem.
Não há eclusa ou barragem que detenha o rio para sempre; não há planície suficiente que espraie as águas, aquietando-as e fixando-as à terra. Não. Todos os rios correm para o mar e lá chegarão, aconteça que acontecer.
Paisagem após paisagem, iremos desfilando até ao encontro com esse mar imenso, belo e poderoso que nos espera e que, ao colorir-nos de azul, nos fará confundir com o céu quando formos olhados do horizonte.
Ser rio é, pois, ser movimento e vida. É viajar, cumprir um curso, um itinerário.
Sabendo o que então sabemos, o que me parece é que de nada serve, em nada altera fazermos a viagem contrariados, desconfiados, maledicentes. A viagem é para desfrutar, toda ela, é para gozar, apreciar, ir passando com ânimo, optimismo e muita curiosidade e expectativa.
Desde incertezas em que somos regato, até à serenidade de quando formos estuário, iremos percorrer paisagens tão diversas, tão inesperadas. Umas belas, outras nem por isso, umas valiosas, outras vulgares, umas excepcionais, outras comuns, umas alegres e outras tristes, ora luminosas, ora sombrias, calmas ou agitadas, serenas e dóceis ou perigosas e violentas, sob penhascos aterradores ou correndo ao lado de planícies tranquilizadoras, terras e lugares de civilização e companhia. O desfile será variado, pleno e completo.
Nesta viagem, tudo nos vai aparecer, surgir na volta de cada curva, e de nada serve tentar adivinhar ou antever o que vai surgir, porque a natureza dita uma variedade e alternância surpreendentes.
Quando proponho, por atitude, o desfrute, é porque estou convencido de que só quando formos estuário compreenderemos a unidade, o sentido pleno, global, da viagem percorrida. Só no estuário tudo fará o seu sentido definitivo, e se fará luz sobre o desconhecimento, a angústia e o medo, esse espectro que tantas vezes nos acompanha e ensombra.
Acredito que a clarividência é atributo do estuário. Quando olharmos o mar que nos espera, surgirão, natural e tranquilamente, o conhecimento, a verdade.
Vamos, pois, como rio, percorrer o tempo e o espaço, desfrutando, e não nos consumindo a tentar compreender o que é para ser conhecido, revelado, quando formos estuário, e não antes.
Mas, além do desfrute, tenhamos presente, a cada tempo e paisagem, que eles são irrepetíveis: nunca mais voltaremos a passar por cada parcela que passámos.
Esta irrepetibilidade, este facto de o presente se converter em passado (imediata, constante e sistematicamente), do tudo durar nada, exige que não adormeçamos, perdendo nesse sono o que vai passando, deixando de viver com sofreguidão cada milha do trajecto que vai sendo o presente.
Até porque a mãe natureza, quando desenhou sabiamente o nosso leito, criou espaços e tempo que contemplam todas as variantes contidas entre os extremos de sermos águas calmas em doce e suave movimento e sermos enxurradas. Como rio, teremos troços de estada e troços de precipitação e voragem. Todos são para passar com aproveitamento e benefício.
Os de serenidade são os reflexivos, os tranquilos, de descanso, de paz – os perdulários chamam-lhe monotonia e aborrecimento. Os de enxurrada são de emoções, exaltações, paixões, arrebatamentos, coragem, desafio – os perdulários chama-lhe loucura.
Parafraseando, cada jogo tem a sua beleza. Há que jogá-los todos e consumir a beleza de cada um.
Toda esta dinâmica do rio que ficciono sermos, com o seu movimento contínuo, de seguimento para a foz, de ultrapassagem, está sujeita a leis inexoráveis, que nos cumpre interiorizar e viver em conformidade, porque são as leis da nossa ficcionada essência, da qual destaco duas na formulação popular que diz muito e que é sábia: “ águas passadas não movem moinhos”, e “a água do rio não passa duas vezes por debaixo da mesma ponte”.
Ruminar o passado, ou reeditar edições da vida que já foi consumida, são tentações e fraquezas de mau resultado, com custos e perdas várias, de que não é menor a perda da paisagem que passa durante esses exercícios, com o desvio do olhar para essa que jamais se poderá rever.
O passado, no seu bom e mau, forma o caudal do rio que em cada dia somos, é volume, é massa, que influi, acrescenta e se incorpora como a água da chuva e nos faz rios maiores e mais cheios, mas não é mais destrinçável: segue viagem com o todo, diluído, absorvido.
Por outro lado, isto de ser rio tem também as suas vantagens, cuja verificação científica nos conforta e anima nas horas de maior desânimo. Senão vejamos.
Os rios, por muitas que sejam as secas, por muitas barreiras que lhes coloquem, por muito agredidos pela poluição, por muita canga que suportem, passam sempre, sobrevivem sempre, chegam sempre à foz. A força e persistência dos rios são invencíveis. Podem quase sucumbir tornando-se regatos, ribeiros, mas resistem sempre, retomam sempre caudal e vencem sempre, passam qualquer barreira ou dificuldade e cumprem-se, chegando ao mar. Mesmo que, por vicissitudes e desgraças várias de percurso, nos tornemos em fios de água, chegará o momento em que as águas passarão as dificuldades, retomarão e engrossarão o caudal.
A outra vantagem, é que os rios não têm idade, não têm velhice, não descontinuam a vida por se sentirem chegar ao estuário, na iminência da foz. Os rios são-no sempre e orgulhosamente até ao confronto derradeiro com o mar que abraçam e para o qual correm.
Ora, sendo nós rios, que nos importa o curso vencido, as milhas percorridas ou que faltam percorrer? O que importa é, até à derradeira preia-mar que selará a fusão com o mar, correr, viver, banhar, resplandecer, sonhar e encantar.
Sim, encantamento, porque só nos rios existem as tágides que nos iluminam e inspiram, levando-nos para as dimensões poéticas que são as verdadeiras.
Sejamos rios.

ATM

04 dezembro 2014

Das fasquias altas

Imagem tirada da net


Nada fez mais pelos obsessivos do que a expressão fasquia alta. Percebi esta ideia muito depois de ter entendido, com dose igual de fascínio e terror, o que eram obsessões: pela pontualidade, pela limpeza, pela arrumação, pelo controlo das agendas ou das vidas alheias. Falo de trivialidades no que concerne à salvação das almas, não me refiro a taradices ou coisas quejandas, puníveis pela lei ou pelos bons costumes.

Antes de haver a noção de fasquia alta, as pessoas eram obsessivas por isto ou por aquilo. Depois, num dia de particular felicidade para o equilíbrio das sociedades, alguém inventou o conceito e disse: eu, obcecado pela limpeza? De todo, tenho é a fasquia muito alta, sou pessoa para dar muita importância a isso. Quem diz a fasquia alta para a limpeza diz a fasquia alta para a pontualidade: não sou nada obcecado, tenho é um grande respeito pelas pessoas - a fasquia está muito alta.

Uma obsessão é uma obsessão, não é uma fasquia. As nossas manias não são provas de salto em altura ou à vara. Dentro de nós não existe o rolamento ventral versus o fossbury flop. A indignação por três minutos de atraso quando se vai almoçar com alguém, ou um pano esfregado num fórmica onde se descortinam dedadas vagas não são respeito ou higiene - são maluquices que nos invadem o cérebro e as mãos e a boca e o estômago. Estas maluquices são perniciosas ao equilíbrio das vidas? Não. Antes isso do que a droga ou, como me disseram um dia, uma infecção urinária. 

Eu sei quais são as minhas obsessões. São tão doentias como outras com que convivo diariamente, isto é, não fazem uma mossa desmedida. Tudo em mim se atira para dizer que ah, e tal, a fasquia alta. Infelizmente, estou numa fase que se situa no grau acima do excesso ponderal, pelo que a fasquia alta e o editor deste estabelecimento são, no fundo, impossibilidades, incoerências, ajustes impensáveis, casamentos nulos. Fasquia alta, para mim, é uma vara de alumínio ao nível dos artelhos. 

Talvez por isso, e só por isso, eu reconheça as minhas obsessões. Faço tudo, menos saltar para chegar à fasquia.

JdB

03 dezembro 2014

Diário de uma astróloga – [92] – 3 de Dezembro de 2014

Interstellar – A resposta a uma interrogação astrológica



Já me tinham aconselhado o filme Interstellar. Fui, gostei e tive a surpresa de ouvir pela boca de Anne Hathaway a resposta a uma pergunta que aparece persistentemente nas minhas consultas astrológicas.

E o amor, vê-se na minha carta?”

Uma vez que não consigo ver amor, respondo assim:

Vejo compatibilidade entre duas pessoas, épocas de vida em que uma pessoa se sente mais atraente e tem maior possibilidade de se apaixonar. Posso perceber as necessidades sexuais de cada um. Vejo como o estilo de comunicação pode influenciar positiva ou negativamente uma ligação existente.” Enfim, tudo isto são aspectos do domínio dos relacionamentos mas não de AMOR.

A minha explicação sobre porque é que não vejo Amor é sempre pouco precisa, e anda à volta da frase “o amor é demasiado sublime”.  Mas, nos meus momentos de reflexão tenho pensado porque é que o amor escapa aos olhos da astróloga, para além do de existirem vários tipos de amor: o amor incondicional dos pais para com os filhos, o amor terno mas não incondicional dos avós para com os netos, o amor paixão, o amor adolescente mas não menos apaixonado, o amor à pátria, o amor a Deus…  etc.

E depois fui ver o filme Interstellar.  Anne Hathaway interpreta a bióloga Amelia Brand e, a um certo ponto, diz “O amor é a única coisa que nós somos capazes de apreender que transcende tempo e espaço”. (Love is the one thing we are capable of perceiving that transcends time and space.)

Aqui está a resposta à minha interrogação. A nossa representação dos astros é bidimensional; a carta do céu compõe-se dos elementos “espaço” (local de nascimento) e “tempo” (data e hora de nascimento). Apesar de usarmos a carta para interpretar elementos do passado e antever o futuro, estamos limitados na sua representação por algo que ultrapassa, (transcende) estas duas dimensões – O AMOR.  Eu amo mas não consigo representá-lo simbolicamente.   


A próxima vez que um cliente perguntar “vê amor na minha carta?” vou citar Amelia Brand e explicar que, por enquanto não sou capaz de ultrapassar a barreira das duas dimensões… até aprender a desenhar uma carta do céu num tesseracto




e evoluir para conseguir viver num ambiente semelhante à estante multidimensional  que Cooper usava para transcender tempo e espaço e comunicar com a sua filha.

Até lá aconselho que ame, ame muito com o seu coração e com a sua alma (outra coisa que não consigo ver na carta) em vez de fazer perguntas sobre o amor.

Luiza Azancot

02 dezembro 2014

Duas Últimas

Regresso de Burgos por estrada, viagem longa sob condições climatéricas pouco agradáveis, recomendando rápida chegada ao abrigo caseiro.

Mas algo me faz voltar a sair: os ingressos para os Brit Floyd, que comprara com entusiasmo há já uns bons dias, tocando nesse mesmíssima noite no longínquo Pavilhão Atlântico (agora promovido a Arena).

Eles recriam os Pink Floyd, e satisfazem-me nessa missão (quase) impossível, nas vozes ou na instrumentação.  Isto digo eu, que sou um conhecedor sofrível e com um grau de exigência mediano. E sabemos que “quem não tem cão caça com gato”.

Uma coisa vos asseguro: foram mais de 2 horas de olhos semi cerrados, a procurar acompanhar cada detalhe, voltando a curtir um grupo genial.

Escolhi estas 2 músicas, ambas fazendo parte do reportório dessa noite, de 2 álbuns absolutamente incontornáveis do rock, que espero sinceramente vos agradem tanto como a mim.

fq






01 dezembro 2014

Vai um gin do Peter’s?


Em Paris, tem estado a decorrer uma experiência publicitária extraordinária, que permite a qualquer transeunte abrir uma simples portiinhola e ver, em directo, o que se está a passar noutras cidades europeias. Rectângulos grandes, que são uma porta isolada sem parede, estão montados em ruas das imediações do Louvre. Roda-se a maçaneta e descobre-se um ecrã do tamanho de uma pessoa, onde correm, em tempo real, as imagens do dia-a-dia de Bruxelas, Milão, Estugarda, Genebra e Barcelona. Desse outro lado do ecrã, a uns milhares de kms de distância, as pessoas interpelam o incauto de Paris, falando e brincando com aquele desconhecido, como se fosse um novo turista acabado de chegar ao seu país. São portas interactivas que, na publicidade originalíssima chamada EUROPE IS JUST NEXT DOOR, promovem a ligação ferroviária e social entre cidades da UE. Tudo parece ficar mais próximo:



 NATAL SOLIDÁRIO NUM MONUMENTO IMPERDÍVEL DE LISBOA

Até pela visita ao antigo Convento dos Cardaes(1), a 5 minutos do Príncipe Real, vale a pena descer a Rua do Século, até ao número 123. No gin de 7 de Julho, no elenco do património lisboeta menos conhecido e menos acessível, vinha este Convento, que resistiu quase intacto ao terramoto de 1755, mantendo uma capela magnífica forrada a azulejos holandeses, de Jan Van Oort, muita talha dourada, embutidos em mármore e arte sacra variadíssima.
ENTRADA:


PERSPECTIVAS DA CAPELA PRINCIPAL:

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Ao longo da casa, em inúmeros nichos e na parte do Museu descobrimos retábulos, pinturas do século XVII e XVIII, painéis de azulejaria e imagens lindas, como a de Nossa Senhora do Loreto ou a do Menino Jesus Infante.

AZULEJARIA POR TODO O CONVENTO:


ARTE SACRA: 






Fundado em 1681, por D. Luísa de Távora, para as Carmelitas Descalças, em 1878 converteu-se num asilo de cegas, sustentado pela Associação de Nª. Sra. Consoladora dos Aflitos, ainda hoje no activo. Passando a ficar à guarda de uma ordem religiosa vocacionada para a assistência aos doentes pobres, vieram depois a juntar-se outros deficientes profundos. Hoje, abriga 35 acolhidas, totalmente dependentes do cuidado constante das Irmãs e dos inúmeros voluntários que ali colaboram. Com esforço, a obra empenha-se em ser fiel à sua missão filantrópica. A sua história atribulada inclui a prisão das monjas, em 1910, na onda de perseguição religiosa que se seguiu à implantação da República. Mas só ficaram retidas por dois dias, pois as autoridades não conseguiam travar os protestos clamorosos das doentes cegas, que choravam desesperadamente pela perda das suas protectoras. Uma reivindicação espontânea bem persuasiva e justa, que acabou por ter um final feliz…

A Venda de Natal do Convento, já com boa tradição desde há uns anos, é uma altura privilegiada para a angariação de fundos para ajudar ao sustento da casa. Este ano, de 21 de Novembro a 21 de Dezembro, recebem os visitantes para chá e scones nas salas antigas do 1º andar, com tectos de masseira em caixotões e painéis de azulejo decorativos nas paredes. O refeitório principal ainda conserva as mesas de sucupira vermelha, decorado com “albarradas” simples e pinturas seiscentistas, anteriores à própria construção do convento (vindas de um outro mosteiro):


Nos claustros, esbarramos com uma panóplia imensa de presentes, originais e a bom preço, bem alinhados em mesas decorativas, que ajudam a festejar a quadra.

Finalmente, na loja da Casa, junto à entrada, acumulam-se as especialidades confeccionadas no Convento, entre compotas, geleias, chutneys, vinagres, piri piris, biscoitos de limão e outras surpresas óptimas. Tudo delicioso e, sobretudo, utilíssimo. Que o digam as “meninas”, como lhes chama carinhosamente a Irmã Ana Maria, partilhando na net um bocadinho destas vidas tão arredadas do rebuliço das ruas de Lisboa, que mal acreditamos existirem.

No testemunho da Irmã:

Para nós e  para as meninas, muitas delas no Convento desde muito novas, o contríbuto (de gente generosa) tem sido fundamental. Estamos certos que sente(m), como nós, a alegria do papel transformador que tem desempenhado nestas vidas!
A  Assunção, "menina Assunção"  como era chamada,
faleceu este ano depois de viver 80 anos no Convento.
Entrou com 6 anos. Não conheceu outra casa,  nem outra família. Era cega total
e tinha um atraso de desenvolvimento. Contudo, aprendeu Braille,
tarefas da vida diária, fazia muito bem malhas
e crochet e aqui viveu sempre, todos os dias da sua vida.
Esteve 80 anos connosco!
O Convento é um conjunto de histórias de vida às quais queremos dar um fim feliz. Perdemos duas meninas este ano mas gánhamos duas outras - são irmãs, ambas com atraso de desenvolvimento grave, pai esquizofrénico e cuja mãe faleceu em Maio passado. Fazem agora parte da Família do Convento, exigindo um enorme investimento afectivo e de recursos, da parte dos que aqui trabalham e dos voluntários.
A D. e a S.  vêm de uma família de classe média,
mãe professora e pai ex-funcionário da TAP,
reformado compulsivamente em virtude da esquizofrenia.
Já durante a doença da mãe estas meninas
perderam muito dos hábitos de vida quotidiana,
ficaram entregues a elas mesmas. O  nosso desafio foi recebê-las,
criar-lhes confiança, dar-lhes amor e atenção
- fazê-las sentirem-se parte da nossa família e, proporcionar-lhes
- uma nova vida - ir à piscina, dar  passeios, fazer ginástica,
música e teatro...para quem não saía da cama é uma diferença abissal.
Estão há três meses nesta Família!
Estas não são "histórias". São a realidade dura e comovente das vidas das meninas que, graças a si, podem agora ter uma nova vida connosco. A vida no Convento requer muito investimento para tornar possível o acompanhamento e todas as atividades necessárias e aconselháveis ao desenvolvimento de cada uma. Terminamos agradecendo-lhe pelo seu esforço generoso e queremos que sinta a gratidão de quantos aqui trabalham, voluntários e profissionais e, muito especialmente, a gratidão das 35 meninas/mulheres que aqui vivem.

Na contagem decrescente para o Natal, todas as formas de aproximação aos outros vêm ainda mais a propósito. Desde as portas interactivas e divertidas de Paris, às diversas vendas de Natal solidárias, como a dos Cardaes, muitos sítios giros esperam por nós.

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
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 (1)  www.conventodoscardaes.com, www.facebook.com/conventodoscardaeslisboa.
Rua do Século nº123, Lisboa, no quarteirão que faz esquina com a  R. Eduardo Coelho, dando acesso à entrada lateral pelo nº1. 
Tel.: 213 427 525.    Email:  conventodoscardais@net.vodafone.pt

ORATÓRIOS E NICHOS POR TODA A CASA:


MAQUINETAS E IMAGENS COM VALOR ARTÍSTICO:


DOÇARIA CONVENTUAL:

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