As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
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10 março 2023
09 junho 2022
10 maio 2017
Duas Últimas
Retenho especialmente do último fim-de-semana as vitórias de Macron nas eleições presidenciais franceses e do Belenenses no derby lisboeta com o Sporting relativo à 32ª jornada da Liga de futebol. Não fazendo comparações com as importâncias relativas de cada uma delas, para não ferir pessoas mais susceptíveis.
No 1º caso ganhou o favorito, aquele que a opinião publica dominante amparava e queria como vencedor a qualquer preço. Não aprecio especialmente Le Pen, em várias questões fundamentais divirjo mesmo dela frontalmente. No entanto, o facciosismo e desonestidade intelectual, com toques de histeria, que caracterizou a forma como as eleições foram tratadas nos media, as autênticas lavagens ao cérebro com que nos fustigaram, os anjinhos (incluem a extrema esquerda) contra os diabos, contribuíram para que tenha encarado a vitória de Macron sem entusiasmo. Que a sua mulher/mãe o inspire, que bem vai precisar depois dos anos magníficos com que Hollande presenteou os franceses.
O mesmo não se diga da 2ª vitória. Aqui a opinião dominante falhou com estrondo. Mais de 60 anos e 7 derrotas consecutivas depois, o CFB ganhou finalmente em Alvalade. Gostei, é claro, desabituado como ando destas alegrias, os meus (muitos) amigos sportinguistas que me percebam e perdoem este estado transitório e episódico. No dia seguinte, nos jornais, parecia que o SCP tinha jogado sozinho, tinha perdido contra fantasmas. Nada que me espante: em Portugal só há 3 clubes, os 3 supostos grandes (ditos "eucaliptos" ou "do estado").
Trago-vos uma grande música, de um esplendido grupo, de que os mais velhos talvez se lembrem (aqueles que também ainda recordarão Matateu e os tempos em que o CFB pedia meças a qualquer rival).
Espero que apreciem e que me desculpem qualquer melindre clubístico.
fq
26 julho 2016
Duas Últimas
As entradas são sem dúvida importantes no todo a que pertencem, qualquer que ele seja.
Embora por vezes não sejam decisivas, como se viu no último campeonato europeu de futebol, em que Portugal entrou quase sempre mal, mas acabou campeão. É caso para dizer aqui, usando frase usada e abusada, que “isto não é como começa, mas como acaba”.
Em minha defesa, penso nas entradas das refeições, que normalmente atestam a maior ou menor qualidade do que se lhes segue. Acreditem que sei do que falo, pois considero-me sem modéstia quase um catedrático em matéria de sopas. E locais onde elas sejam bem confecionadas não me deixam por norma ficar mal.
Ou então nas entradas em férias, tão próximas para tantos, que se espera sejam a antecâmera de dias diferentes e bem passados.
Ou ainda nas entradas em conversas, reuniões, entrevistas, em que a primeira impressão é tantas vezes decisiva. Muitas vezes fruto de juízos apressados e injustos, mas…
Deixo-vos com três músicas que têm entradas de que gosto. A 2ª deve ser minimizada/atenuada nalguns aspectos, para mais em tempos de veraneio e de optimismo.
Óptimas férias e que sejam muitos os que as podem ter.
fq
04 outubro 2011
Duas ultimas
Alguns dos que me conhecem perguntar-se-ão como me cabe tanta nostalgia na alma. Outros indagarão da normalidade de tanta nostalgia na alma. Para todos tenho uma resposta simples, infantil e assaz vulnerável a contra-argumentação demolidora: olhem para mim e tentem descortinar tristezas profundas, melancolias tendentes ao suicídio, imobilidades perniciosas ao bom fluido dos humores. Não vislumbram? Certo, significa que não sou uma aberração da natureza.
Sou assim, como outros são de temperamento contente, na alegria esfuziante de um girassol que floresce, no rasgar de um sorriso com a proximidade da primavera, no encanto da novidade ou da descoberta. Não sei quando se terá revelado esta tendência em mim, se tem vindo a agravar-se ao ponto de me imaginar, dentro de alguns anos, deitado num divã enquanto um psiquiatra me explica, diligente e vagamente preocupado, as portas que se fecharam ou abriram extemporaneamente na minha infância.
A semana passada, no decurso do desaparecimento de alguém que me era querido, escrevi nostalgicamente, lembrando os quarenta anos de convívio próximo. Ao longo dos dois dias seguintes fui encontrando gente que fez parte da minha infância mais recuada. A satisfação que fui tendo em vê-los e, no sábado, ter almoçado com muitos, está para além de muitas compreensões - talvez mesmo da minha. Mas eu sou assim, e confesso não ver motivos para pedir desculpa...
A nostalgia não me mata o presente nem me elimina o futuro. São apenas recordações - algumas muito distantes no tempo - que me transportam para tempos felizes. Outros tempos felizes, porque apesar das dificuldades que fui enfrentando a vida foi generosa, oferecendo-me gente, projectos e olhares que me enriqueceram e fizeram de mim melhor pessoa. Com (des)honrosas excepções, tenho nostalgia de inúmeras épocas da minha vida, porque em todas tive momentos de irrepetível felicidade.
Escrevi, como disse acima, sobre os quarenta anos que celebrei interiormente este mês, e que me vieram à memória pelos piores motivos. Deixo-vos, resistentes leitores ao discurso de um permanente velho, com duas músicas que terão feito algum furor nesse ano de 1971. O título da primeira música é particularmente sugestivo. De facto, houve sempre alguém, quiçá na forma metafórica de uma borboleta esvoaçante, que me coloriu o mundo quando ele parecia mais negro.
JdB
11 agosto 2009
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