Moustaki diz que vive sozinho com a sua solidão. Gainsbourg fala de um tédio mortal. Talvez sejam as músicas de muitas pessoas nos dias de hoje.
JdB
As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
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17 abril 2020
05 março 2020
Duas Últimas
Desenganem-se os que pressentem no dono e editor do estabelecimento uma centelha de deboche. Sim, confesso que para a maioria das pessoas nascidas até um certa altura esta música tem muito que se lhe diga: era considerada obscena, demasiadamente gráfica (do ponto de vista sonoro...) e, por isso foi proibida na telefonia. Expurgada (ou talvez não) a dimensão erótica da música, era um grande slow, interpretado (também) por uma das mulheres mais bonitas daquele tempo - Jane Birkin. O único facto curioso (não me ocorre outra palavra...) era o título da música, que não fazia sentido: je t'aime... moi non plus.
Acontece que um destes dias vi uma entrevista que Jane Birkin deu a Christiane Amanpour, jornalista da CNN, no final de Fevereiro deste ano. Obviamente que um dos temas tocados foi a sua relação com Serge Gainsbourg, 20 anos mais velho e com quem teve uma filha, mas também a história da gravação de Je t'aime... moi non plus. E a jornalista passou um pequeno clip em que o cantor francês explica o verdadeiro sentido do título. Diz ele (e transcrevo livremente) "que a frase importante da música é L'amour physique est sans issue (que as legendas inglesas traduzem por o amor físico é um beco sem saída) uma frase que eu considero muito moral." E continua: "Je t'aime, diz a rapariga num momento de paixão, e o rapaz, que é muito mais rigoroso, responde, não acreditando nela, moi non plus. Porque o amor físico não é suficiente. Quando falamos de paixão temos de falar noutras coisas. É a canção mais moral que alguma vez escrevi."
Je t'aime... moi non plus [amo-te... eu também não] continua a ser uma canção sensual, cantada (também) por uma mulher lindíssima. Continuaria a ser proibida se voltássemos aos anos 60, apesar de ser a canção mais moral que Serge Gainsbourg alguma vez escreveu. Ironias.
JdB
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