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16 dezembro 2020

Duas Últimas *

 


Trégua

Quando a chuva teima em insistir
Num universo em que a chuva é normal
Se molha o sítio de onde não queres sair
Mudas de espaço mas continua igual

Há qualquer coisa estranha a perfurar
Mas essa pele já não sabe sentir
Já não tem nervo para sair do lugar
Faltam-te forças para parar de dormir

E dormes tu sem chamar à atenção
E durmo eu por te ver a dormir
Talvez por dentro não bata um coração
Talvez a chuva teime em insistir

Mas se o mundo ameaçar o meu chão
Eu sei que não vou querer desistir
Que dentro bate forte o meu coração
E vai bater até eu cair
Enquanto bate não me cega a razão
Não vou descer abaixo de mim
Por isso bate forte o meu coração

Bate, bate dentro de mim
Bate, bate dentro de mim

Se o dia grita mas não sabes ouvir
Porque é no escuro que te sentes melhor
Quase te acorda mas não sabes sentir
Quase te queima mas não sentes calor

Há qualquer coisa que te faz duvidar
E desconfias do que vem a seguir
O mundo voa mas preferes ficar
A luz acorda mas decides dormir

E dormes tu sem chamar à atenção
E durmo eu por te ver a dormir
Talvez por dentro não bata um coração
Talvez a chuva teime em insistir

Mas se o mundo ameaçar o meu chão
Eu sei que não vou querer desistir
Que dentro bate forte o meu coração
E vai bater até eu cair
Enquanto bate não me cega a razão
Não vou descer abaixo de mim
Por isso bate forte o meu coração

Bate, bate dentro de mim

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* enviado por mão amiga

18 março 2014

Duas Últimas

Uma letra dura, como os tempos que vivemos. Mas que abre uma porta à esperança e a um futuro melhor.

Acho que a resposta não pode deixar de passar pela importância que quisermos ou conseguirmos dar nas nossas vidas às virtudes teologais. Ouçamos e reflictamos sem medos nem ideias pré concebidas sobre as interpelações que o Papa Francisco nos tem feito constantemente a esse respeito.

E afastemos manifestos e gritarias mais ou menos mediatizadas. Por mim, valorizo mais a acção anónima e generosa, em que se entrega aquilo que faz falta.

Espero que apreciem a música.

fq





01 janeiro 2013

Duas últimas

Escrevo este pequeno texto quando faltam meia dúzia de horas para 2012 ir à vida. Olho pela janela e vejo um final de tarde cinzento e tristonho, a que uma chuva miudinha de última hora que resolveu comparecer acrescenta uma atmosfera gélida, pouco habitual no clima ameno que Lisboa nos costuma oferecer, mesmo no Inverno.

Talvez para lembrar que este ano que agora finda deixa, infelizmente, marcas e recordações tristes e cinzentas a muita gente, confrontada com situações adversas que muitas não pensariam sequer que pudessem existir. No meu caso particular, a bem da verdade, devo dizer que o ano correu genericamente bem, assim possa o 2013 correr de forma semelhante. Diria que actuámos com algum optimismo (eu, que sou um pessimista!) e que tivemos sorte, remédios indispensáveis em épocas como a que vivemos.

As dificuldades esperadas para 2013 são por demais conhecidas, não vale a pena bater mais no ceguinho. Muitas pessoas continuarão a passar dificuldades, e o rol ainda vai engrossar. É por isso necessário combater a indiferença que há em muitos em relação ao sofrimento alheio, e esse combate começa por nós próprios. E coisas a fazer há muitas, é só preciso estar atento aos que nos estão próximos ou às imensas propostas com que solicitam a nossa ajuda. E querer participar, lutando para melhorar as coisas. Não deixemos é que sejam os “afectos” próprios a dominar as nossas vidas.

Portugal, nação velha de quase nove séculos, já ultrapassou muitos cabos das tormentas na sua longa história, transformando-os em cabos da Boa Esperança. É essa a lição que devemos lembrar e tentar por em prática. Se evitarmos derrotismos fáceis e desculpas mais que gastas, já não é mau. Se cada um fizer bem o que pode fazer, já é muito.

Tiago Bettencourt é um músico que conheci melhor nos últimos tempos. Do seu álbum “Acústico”, de 2012, aqui vão 2 músicas que espero que apreciem.

Bom Ano de 2013 para todos!

fq



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