11 maio 2013

Pensamentos impensados


Publicidade
Gosto daquele anúncio em que uma velhota diz eu conto com a continência.
 
Asilo de 3ª idade
Diz uma enfermeira para a outra: eu conto com a incontinência.
 
Bola
Os 3 grandes do futebol português são o Porto, o Benfica e os outros.
 
Justiça
Isaltino Morais tem muitos recursos mas continua preso.
 
(des) Fiat lux
Os que decidem fazer apagões consideram-se iluminados.
 
Big foot
Calçava 45; era homem com P grande.

SdB (I)

09 maio 2013

Contemplação e ação ontem e hoje


Há cada vez mais pessoas que não estão satisfeitas com o mundo em que vivemos. Raras são, porém, aquelas que fazem alguma coisa para o transformar. Destas, umas procuram torná-lo melhor por meio do seu esforço, individual ou coletivo; outras acham que os defeitos do mundo não estão no próprio mundo, mas no olhar de quem nele vive; por isso procuram transformar-se a si próprias e mudar o olhar com que o veem. As primeiras são partidárias da ação; as segundas confiam nos efeitos da contemplação. Ambas as atitudes são universais. Encontram-se em todas as sociedades civilizadas. Determinam os grandes princípios fundamentais das grandes religiões. O Oriente cultivou mais a contemplação; o Ocidente, sobretudo depois do século XIII, desenvolveu mais a ação. A relação do homem com o mundo deu lugar na opções diferentes. Os programas de intervenção ou de não-intervenção diversificaram-se e evoluíram. Há, portanto, uma história da ação e da contemplação. No Ocidente essa história confunde-se com a história da Igreja, e mais precisamente, com a história das ordens religiosas, ou seja com a história do seu sucesso ou insucesso na tarefa de mudar o mundo para melhor, isto é, para resolver os problemas decorrentes da vida do homem em sociedade. 

A minha tese, se assim lhe posso chamar, é que não basta a ação; é preciso também a contemplação. Talvez mais ainda: sem ela de nada vale a ação. Creio que a História da Humanidade mostra isso mesmo. Não a História factológica, superficial, externa, mas a História da realização das potencialidades do género humano. Ou a História da Humanidade em busca da sua plenitude. Ou a história da revelação de Deus presente na realidade concreta do mundo. 

(…) 

Com efeito, a contemplação mostra-nos a fantástica variedade, complexidade e coerência dos fenómenos da vida, da constituição da matéria, e da prodigiosa dimensão e regularidade do mundo cósmico. A contemplação intensifica a fruição da arte na música, na pintura, na poesia, no teatro e no cinema. A contemplação torna-nos sensíveis ao riso e à frescura das crianças e de tudo o que começa de novo. A contemplação faz-nos descobrir em toda a parte homens e mulheres inesperadamente inventivos, generosos e honestos. A contemplação inspira-nos o respeito e a admiração por quem é capaz de manter a dignidade face ao sadismo dos torcionários nas prisões e campos de concentração. A contemplação abre os nossos ouvidos ao clamor dos famintos e dos oprimidos em todo o mundo e em toda a História, e faz-nos partilhar com eles a compaixão pela humanidade ferida. A contemplação introduz-nos no mistério do sofrimento que se torna passagem para a ressurreição através da morte aceite e vencida, e mostra-o em Jesus Cristo, Filho de Deus, sinal da invencibilidade da vida. A contemplação associa como num único sujeito todos os homens e mulheres que desde o princípio do mundo perscrutaram o mistério do Uno e do Todo. Assim, o homem contemplativo perde o medo do futuro. Vive no presente e descobre, a cada passo, nas coisas grandes e pequenas, nas coisas boas e más, na doença e na saúde, na prosperidade e na pobreza, na paz e na guerra, a espantosa realidade das coisas. 

Mas a contemplação é um exercício exigente. Requer a concentração, o despojamento e a solidão. Exige de quem a busca o descentramento de si mesmo. Por isso não é só um exercício de lucidez; é também uma forma de vida. Por isso há ordens religiosas que se lhe consagram inteiramente. A antiga polémica entre ordens ativas e ordens contemplativas não tem sentido. O olhar abrangente e lúcido sobre o mundo diz-nos que a ação e a contemplação não devem ser exclusivas, e que é inútil estabelecer regras acerca do grau de consagração a uma ou outra. Enquanto houver seres humanos que a ela se entregam, de alma e coração, podemos olhar sem medo para o futuro. 

José Mattoso

Historiador 
Congresso Ordens e Congregações Religiosas em Portugal (Lisboa, 2-4-11-2010) 

Post todo oferecido pelo homem de Azeitão





08 maio 2013

Diário de uma astróloga – [51] – 8 de Maio de 2013


As crianças Touro

Estou a passar alguns dias com três dos meus netos.  Os  gémeos nasceram a 27 de Abril e têm o Sol no signo de Touro. O irmão mais velho nasceu no final de Outubro sob uma lua cheia e, consequentemente, tem a Lua em Touro. Actualmente estão 4 planetas nesse signo e, assim, vem mesmo a propósito reflectir sobre crianças taurinas…

A Lua rege o instinto e, por isso, é o primeiro planeta a manifestar-se nos recém-nascidos. As crianças com a Lua em Touro mostram imediatamente a principal necessidade desse signo, SEGURANÇA. Não é de estranhar que o neto que tem a Lua em Touro tenha exteriorizado esta necessidade chorando quando era despido. Sentia a roupa como estrato protector. A solução foi fácil: despi-lo sob um cobertor, e assim evitar o trauma do bebé. Funcionou bem e, pouco tempo depois, já se despia sem qualquer problema. Mas continuou a mostrar a sua Lua em Touro através de outra faceta do signo - o extremo apego às suas coisas. 

Na astrologia podemos considerar uma alternância entre signos centrífugos e signos centrípetos, os que distribuem e os que concentram energia. O Touro é o primeiro signo centrípeto e, por ser fixo, é o que demonstra maior POSSESSIVIDADE e mais dificuldade em deitar fora seja o que for, mesmo umas sapatilhas rotas que já não lhe servem, como no caso do meu neto. Ver as sapatilhas irem para o lixo é para a sua Lua em Touro como o furto do prazer que elas lhe deram durante as muitas horas em que jogou à bola.

O Sol representa a parte mais consciente da personalidade que só se desenvolve quando as crianças começam a dialogar com o seu ego através de escolhas próprias. Uma das primeiras escolhas das crianças é relativa ao cobertor / brinquedo que precisam para dormir. Outra característica do Touro é a de apreciarem CONFORTO que, a nível físico, se traduz em gostarem de coisas fofas que possam tocar e, a nível emocional, que possam agarrar e segurar. O Linus dos Peanuts com o famoso “security blanket”  é um tourinho com certeza.



O Touro, signo fixo e de terra, não gosta de mudanças, e por isso mesmo aprecia a FAMILIARIDADE. Os meus gémeos evidentemente que gostam de brinquedos, jogos e livros novos, mas também gostam também de voltar aos que já conhecem, pois são os que lhes dão um sentido de constância e permanência e satisfazem a necessidade de estabilidade.

No mundo infantil SEGURANÇA + POSSESSIVIDADE + CONFORTO +FAMILIARIDADE = ANIMAIS DE PELUCHE.  Toda a gente tem Touro no seu tema e, por isso, todas as crianças sentem estas necessidades num grau maior ou menor, consoante os planetas nesse signo. Na casa onde me encontro, o Touro está muito bem representado, tanto a nível infantil como entre os adultos: duas crianças com Sol e Mercúrio, outra criança com Lua, o pai com Sol e Vénus e a mãe com Marte em Touro na casa 2. 

Aos olhos racionais da avó, o mundo animal de peluche ameaça por vezes assumir o controlo da casa.  


Mas verdade seja dita:  estes miúdos são  equilibrados, muito felizes, nada piegas, são desportivos, despachados e independentes. A conclusão que tiro é que, se uma necessidade central da personalidade de uma criança é satisfeita, essa criança torna-se confiante e enfrenta as dificuldades da escola, dos amigos, da vida, com a firmeza dada pela base sólida dos primeiros anos de vida. 

Ao Tourinho (a) na sua vida ofereça peluches!

Luiza Azancot

07 maio 2013

Duas últimas

Sempre tive uma relação incerta com a ópera. Gostava das árias mais bonitas - e seguramente as mais conhecidas - mas, fora isso, maçava-me um pouco. Nunca me ocorreu ouvir um CD nem passar duas horas à frente da televisão a ver o que quer que fosse. Quis o acaso que fosse duas vezes à ópera no espaço de três semanas. Desafiado por uns amigos que tinham um bilhete a mais num camarote em S. Carlos, fui ver O Trovador e o Rigoletto. 

Sempre que me perguntam se gostei, respondo da mesma forma: acima de tudo gostei de ter gostado. Acima de tudo gostei de ter estado duas horas e pouco em cada espectáculo com um ar interessado e nada maçado. Em bom rigor, dei por muito bem empregue o dinheiro que gastei, além de que a companhia e o camarote também ajudavam ao programa. Do Rigoletto gostei tanto que, no dia seguinte à estreia a que assisti, em S. Carlos, sentei-me à frente da televisão para me deliciar com quase 1 hora do mesmo Rigoletto.

Uma das minhas colegas da pós-graduação, que trabalha na cenografia, havia referido o carácter algo ousado (sensual/erótico) da encenação do Rigoletto, pelo que fiquei curioso. Confesso que achei, desse ponto de vista, bastante inócuo. Sobretudo quando comparado com a encenação a que assisti no dia seguinte na televisão (canal Mezzo): no primeiro acto aparecem duas ou três senhoras com os peitos desnudos...

Deixo-vos com ópera, com estilos diferentes: a melancolia imensamente bonita do prelúdio de Tristão e Isolda, de Wagner; uma ária de Gianni Schicchi, de Puccini, ária de que gosto muito.  Por último, duas árias do Rigoletto, de Verdi.

JdB
   





06 maio 2013

Vai um gin do Peter’s?


Se há edifício em Lisboa que vale uma visita é a Fundação Champalimaud(1). Concebido pelo arquitecto indiano Charles Correa, desenvolve-se por um extenso terreno, entre dois edifícios de formas circulares, ligados por pontes aéreas, vidradas, cheias de luz. As aberturas para o mar e os espaços jardinados pontuam aqueles complexos de tom claro, criando uma atmosfera suave e pacificante.



A localização privilegiada, a bordejar o Tejo junto à Torre de Belém, evoca a primeira epopeia portuguesa, protagonizada pelos marinheiros que se lançaram na descoberta dos mares desconhecidos. Hoje, encontra paralelo na busca das ciências biomédicas – uma viagem igualmente épica ao Desconhecido, e da maior relevância para a Humanidade.

No laboratório da Fundação trabalham investigadores das quatro partidas do mundo para contribuir para o avanço dos tratamentos do cancro, da oftalmologia e de outras especialidades clínicas. A língua de trabalho é, obviamente, o inglês, porque naquele recanto de Lisboa reúne-se um bocadinho do mundo. O sucesso dos estudos ali realizados tem-lhe valido prémios internacionais. Uma das áreas de ponta é, precisamente, a sessão única para debelar as células cancerígenas, a substituir as prolongadas (e agressivas) sessões de quimio e de radioterapia, e reduzindo substancialmente os efeitos secundários. 

Além da actividade biomédica, a Fundação tem patrocinado iniciativas de interesse público, como a difusão da ciência entre os mais novos, materializada pelo TIR que, há uns anos, percorreu o país, com um laboratório ambulante a bordo para incutir nos estudantes a paixão pela investigação científica, equiparável à mais empolgante azáfama detective.

Diferentemente do que é costume entre nós, a concretização do sonho de Champalimaud foi rapidíssima. Poucos anos mediaram entre a morte do fundador que dá o nome à Fundação (2004), e a inauguração do Centro, a 5 de Outubro de 2010. A vontade férrea da Presidente, Leonor Beleza, e o reconhecimento do mérito deste empreendimento, favoreceu o passo acelerado dos trabalhos, que se pautou por uma qualidade e eficiência na construção, difíceis de igualar.



Além da notável harmonia e beleza do conjunto, há peças dignas de nota, como a janela oval do auditório, gigantesca, a lembrar a das cabines das embarcações. Pelas dimensões do vidro e pelas suas características tão peculiares, teve de ser feito por medida, no Japão, e montado por uma equipa de especialistas, sendo exibido como a jóia da coroa, em termos arquitectónicos.



Contíguo ao centro de investigação no edifício, a Nascente, está o simpático Darwin’s Café, com uma vista soberba sobre o rio.    

Apenas uma breve referência ao mecenas desta obra portentosa, guardada no segredo dos deuses até à sua morte, como só ele o saberia fazer: António de Sommer Champalimaud (1918-2004). Empresário de sucesso e enorme visão estratégica, levou uma existência envolta em polémicas e reviravoltas radicais. A intensidade dos 86 anos que lhe couberam em sorte, pareceram equivaler a várias vidas... Aos 19 anos, lançou-se nos cimentos, construindo um império sob o proteccionismo industrial que vigorou durante o regime de Salazar. Ao cimento seguiu-se a indústria do aço, o mundo financeiro e as explorações em Angola e Moçambique. De vento em popa, dir-se-ia que nada o poderia deter. No epicentro das famosas contendas relacionadas com a herança Sommer, viu-se obrigado a longas temporadas fora (fugindo à justiça). Com a Revolução de 1974, foi expropriado do seu vasto empório e voltou a fugir.

Implantando-se no Brasil, relançou a sua fortuna, alargando os negócios à agricultura. No início dos anos 90, regressou a Portugal e recuperou parte do que lhe pertencera, nomeadamente na banca. Individualista, acutilante, aguerrido como poucos e conflituoso era um homem solitário.



Já com idade avançada, decidiu doar um terço da sua fortuna em favor de uma Fundação que pudesse acudir aos invisuais (como ele próprio, no último quartel da vida) e curar outros problemas de saúde crónicos. Para o efeito, o valioso recheio do seu palacete na Lapa foi leiloado pela Christie’s, em Julho de 2005. Na altura, editou-se um livro com as principais peças das 170 que constituíam a sua colecção privada. Entre elas encontrava-se o maior Canaletto pintado na vertical pelo artista italiano, com uma das célebres vistas de Veneza. 



Com humor, Champalimaud observava de si próprio que tinha tido tempo para tudo, até mesmo para se portar mal, pois bastavam-lhe um par de horas de sono para ficar fresco e pronto a funcionar. Quando partiu, era o homem mais rico de Portugal e detinha a 153ª fortuna a nível mundial.

Aqui vai a visita virtual à fantástica Fundação doada a Portugal, a antecipar a visita real, quando houver oportunidade:



Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1) Site do Centro: http://www.fchampalimaud.org/newsroom/detail/centro-de-investigacaeo/

05 maio 2013

6º Domingo do Tempo Pascal

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico

Como será, para um adulto, a experiência de um processo de conversão - ou apenas de aproximação à Igreja? Imaginemos o seguinte: tenho 50 anos, uma fé existente mas adormecida, uma ausência completa de vida religiosa, porque foi assim que fui educado. Imaginemos ainda que, por um motivo qualquer, decido aproximar-me da Igreja Católica - ensinamentos, doutrina, história, rituais, bíblia. A decisão é pensada, amadurecida, não é fruto de uma experiência limite, da proximidade com o sofrimento próprio ou alheio, da visão da morte, de uma experiência mística, de uma necessidade imperiosa de encontrar um sentido para a vida. Há uma serenidade na decisão.

Saio do exemplo e olho para o meu percurso, igual ao da esmagadora maioria do meu círculo de amigos. Provavelmente as etapas seriam mais ou menos estas: educação, prática obrigada, discernimento. Segue-se então o abandono ou o aprofundamento, ou ainda a coexistência pacífica e mais ou menos superficial. Nalguns casos, ficar ou sair é a consequência de um episódio marcante que nos força a uma decisão interior. Muitos de nós passaram anos infindos a ouvir as escrituras, a prestar atenção às interpretações, a frequentar retiros ou grupos dentro da igreja, a ler e a pensar sobre as coisas, a educar os filhos na fé. Muitos de nós discerniram o que era o Amor de Deus, tantas e tantas vezes fruto de acasos da vida; muitos de nós zangaram-se com a igreja, saíram discordantes das regras, das práticas, dos exemplos. Houve um caminho feito de um misto de sensações, de emoções, de raciocínios. 

Chegar à igreja na fase adulta é mais difícil? De todo, a história está cheia de exemplos e não há, em mim, um grão de dúvida sobre a possibilidade desse acontecimento, até porque duvidar disso seria um forte atentado ao meu senso mais comum. A mim move-me a curiosidade sobre o processo, não a eficácia do processo. Penso na infinita compaixão de Deus, no poder da oração (e na frase de Kirkgaard que apanhei quando escrevo este texto: a oração não muda Deus, mas muda quem reza), na parábola do filho pródigo ou no episódio do bom ladrão, na intercessão de Nossa Senhora, no amor a uma igreja humana e falível. Tudo isto são emoções ou são decisões? Ou a pergunta é disparatada?

Bom Domingo para todos, em particular para aqueles que um dia quiserem fazer este caminho, porque o caminho é bom.             

JdB

***

EVANGELHO – Jo 14,23-29

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará;
Nós viremos a ele
e faremos nele a nossa morada.
Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha,
mas do Pai que Me enviou.
Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo,
que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas
e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo.
Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes o que Eu vos disse:
Vou partir, mas voltarei para junto de vós.
Se Me amásseis,
ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu.
Disse-vo-lo agora, antes de acontecer,
para que, quando acontecer, acrediteis».

04 maio 2013

Pensamentos impensados


Transportes sem alternativa
O avião é um meio de transporte primitivo; ainda não tem alavanca para paragem de emergência.
 
Ditado popular
Comprou uma passagem de avião, o avião caiu e ele morreu.
Diz o povo, e com razão, que quem paga adiantado fica mal servido.
 
Trabalhos forçados
Estava tuberculosa mas ainda não tinha idade para se reformar.
Fazia strip tísica.
 
Nem tudo é corpo
No Conclave, os Cardeais devem ter sempre presença de Espírito.
 
Seguro (não é o que estão a pensar)
Seguro de saúde é o mesmo que seguro de doença?

SdB (I)

03 maio 2013

Fotografias dos dias que correm

Enviado por mão amiga

O ser humano está sofrendo de "normose" *


Entrevista do professor Hermógenes, na ocasião aos 86 anos, sobre uma palavra inventada por ele.

Ele disse que o ser humano está sofrendo de "NORMOSE", a doença de ser normal.
Todo mundo quer se encaixar em um padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de se alcançar.
O sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável e bem-sucedido.
Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema.
Quem não se “normaliza”, quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo.
A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.
A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós?
Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?
Eles não existem.
Nenhum João, Zé ou Ana bate na porta exigindo que você seja assim ou assado.
Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha “presença” através de modelos de comportamento amplamente divulgados.
Só que não existe lei que exige que você seja do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos.
Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A "normose" não é brincadeira.
Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa.
Você precisa de quantos pares de sapato?
Comparecer em quantas festas por mês?
Pesar quantos quilos até o verão chegar?
Frequentar terapeuta para bater papo?
Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta.
Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida ao seu modo.
Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante.
O normal de cada um tem que ser original. Não adianta tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
É fraude. E uma vida fraudulenta e faz sofrer demais.
Eu me simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera.
Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações.
Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.
Pois divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.

(* enviado por mão amiga)  

02 maio 2013

Fotografias dos dias que correm

So You Want To Be A Writer *


if it doesn't come bursting out of you
in spite of everything,
don't do it.
unless it comes unasked out of your
heart and your mind and your mouth
and your gut,
don't do it.
if you have to sit for hours
staring at your computer screen
or hunched over your
typewriter
searching for words,
don't do it.
if you're doing it for money or
fame,
don't do it.
if you're doing it because you want
women in your bed,
don't do it.
if you have to sit there and
rewrite it again and again,
don't do it.
if it's hard work just thinking about doing it,
don't do it.
if you're trying to write like somebody
else,
forget about it.
if you have to wait for it to roar out of
you,
then wait patiently.
if it never does roar out of you,
do something else.

if you first have to read it to your wife
or your girlfriend or your boyfriend
or your parents or to anybody at all,
you're not ready.

don't be like so many writers,
don't be like so many thousands of
people who call themselves writers,
don't be dull and boring and
pretentious, don't be consumed with self-
love.
the libraries of the world have
yawned themselves to
sleep
over your kind.
don't add to that.
don't do it.
unless it comes out of
your soul like a rocket,
unless being still would
drive you to madness or
suicide or murder,
don't do it.
unless the sun inside you is
burning your gut,
don't do it.

when it is truly time,
and if you have been chosen,
it will do it by
itself and it will keep on doing it
until you die or it dies in you.

there is no other way.

and there never was.

Charles Bukowsky

(* enviado por mão amiga da pós-graduação)

01 maio 2013

Fotografias dos dias que correm

Falando do nada


Sois árvores humanas…

Como são enormes as árvores da floresta!

Um processo lento de força interior fê-las sobrepor o seu tronco aos arbustos que lhes faziam companhia, tentado até, abafar-lhes o sonho de altura que elas traziam em potência, quando os seus galhos frágeis se confundiram na amálgama vegetal, onde não só os arbustos lhes dificultaram o crescimento, mas, também, os cardos, as silvas, os matos e as giestas!

Na vida dos homens, algo semelhante se passa…

Por isso, maravilhado, associo a árvore gigante à vossa vida em graça, porque sois exemplo de alegria espiritual e o vosso crescimento na fé, sacudidos os  atilhos que vos prenderam, foi algo de belo…

Subiram alto…e continuam!

Árvores grandiosas, emergidas dos pântanos da vida mercê do esforço próprio e da confiança que depositaram Nele, sois hoje, na floresta dos homens, um carvalho majestoso, dando sombra aos cansaços de tantos irmãos, que chegam exaustos e, se vão, reconfortados e confiantes.

Decerto, que para vós, que souberam crescer sólidos não haverá maneira de vos abater…
Erguidos ao alto, ganharam raízes profundas e um tronco robusto. Sois fortes e o vosso sonho de ventura derramou-se e insuflou energias, despertando belezas adormecidas nas seivas por elaborar e, que hoje, se espantam das letargias passadas…

Árvores de fé e de esperança:

- Como fico enternecido, olhando os pardalitos a pular e saltar nos vossos ramos, num trinado forte e alegre!

JC  

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