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23 maio 2025

De uma breve estadia em Geneve (II)

Dia de curiosidades: 

  • Estou numa conferência (à margem da World Health Assembly) onde só estão estrangeiros. As duas primeiras pessoas que conheço são brasileiras. Qual a probabilidade de, numa reunião onde estão 60 pessoas, me cruzar com dois brasileiros no espaço de 5 minutos (e nem sequer estavam juntos...) 
  • Recebo uma chamada de um telefone que não conheço. Do lado de lá, um cavalheiro pergunta-me, antes sequer de se ter apresentado: o senhor foi alferes em Abrantes, em 1981? Respondo que sim, ao que me diz o cavalheiro, com um ar que intuo divertido: então está a dever-me dinheiro por tantas vezes que me mandou encher [jargão militar para 'fazer flexões'] na recruta. Perguntei-lhe o nome, por amabilidade, e percebi - o que seria mais do que natural - que não fazia a mais leve ideia de quem ele era, nem de quem seriam os outros recrutas. Já lá vão 44 anos... Percebi que estavam a organizar almoços de encontro de recrutas / aspirantes da altura. Não conhecerei ninguém, nem sei como chegaram ao meu telefone. Prevê-se um almoço para depois do Verão... 
  • Meto-me num Uber e reparo que o motorista - um cavalheiro na casa dos 50 e muitos - usa luvas para guiar, o que me parece fora do vulgar. Paramos num semáforo, e o carro da frente tarda em arrancar quando cai o sinal verde. O "meu" motorista começa a buzinar e eu tenho uma sensação de um déjá vue. Antes de perceber o que quer que seja, o cavalheiro das luvas vocifera entre-dentes mas audível: ‘f@^*#’. Era português de Belas e a mulher é de Viseu, onde têm um apartamento e uma vivenda. Falamos de chanfana e da terra da mulher e ele informa: onde se come bem aqui é na casa do Benfica. Há bacalhau, feijoada e vários outros pratos. Paga-se x francos e é tudo à gô-gô (que, presumo, signifique à discrição). E disse ainda à amiga filipina com quem eu estava no carro: há um português em todos os lugares do mundo; só não há na lua porque não há nada para limpar...
JdB
 

22 maio 2025

De uma breve estadia em Geneve (I)

Estou em Geneve (detesto a tradução Genebra, lembra-me a bebida) durante dois ou três dias para reuniões. Estive na Suiça há muitos anos, não sei se estive em Geneve, mas penso que não. Hoje andei muito a pé pela parte velha da cidade. O que posso dizer? que é uma cida simpática para se andar, com partes bonitas e outras menos interessantes. A minha primeira reacção é: já vi melhor...  


Não é por acaso que o país é de relojoeiros. Não sei se se consegue ler o renque de anúncios no topo dos edifícios acima, mas são só de marcas de relógios. Do outro lado do rio é quase a mesma coisa. 


Estas duas senhoras demoraram-se 10 minutos ao pé de mim, entretidas com selfies. Percebi que eram árabes, pelo que o turbante (uma coisa que as artistas de cinema de antigamente, e algumas senhoras mais chiques, usavam também) poderia substituir o hijab. Ao fim de algum tempo apareceu uma árabe, tapada dos pés à cabeça, mas com a cara destapada - que começou a gritar com elas. Não percebi o que dizia, mas percebi que não se conheciam. Não sei se bramava contra as selfies, se bramava contra um ar excessivamente ocidental das senhoras, que discretamente viraram as costas e seguiram à sua vida.


O meu tempo de viajar sozinho e com gosto acabou. Ando menos do que andava, pelo que os dias se tornam mais comprido. Falta-me a partilha, e a ideia de jantar num restaurante sozinho a olhar para um telemóvel não me agrada. O que vale é que amanhã e 6ªf já trabalho e depois regresso ao solo pátrio.  

JdB

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