As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
Mostrar mensagens com a etiqueta Gilbert O'Sullivan. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gilbert O'Sullivan. Mostrar todas as mensagens
13 maio 2024
07 setembro 2021
09 junho 2015
Duas últimas
Gilbert O´Sullivan é um bom músico irlandês que teve o
seu apogeu nos anos setenta e oitenta do século passado.
Tem uma obra talvez pouco extensa, mas de qualidade. Teve
êxito, embora estando então já bem entrado na carreira. Multifacetado, com uma
voz de timbre agradável e afinado e domínio de vários instrumentos, produziu
uma música suave e propensa à dança.
Vivendo tempos em que o passado me aparece com maior
frequência e uma nitidez por vezes surpreendente, relembro-a com saudade e gosto.
Espero que também apreciem.
fq
29 maio 2013
Duas últimas
Se o mundo fosse perfeito e aos meus amigos fosse pedida a infinita caridade de me caracterizarem, alguém teria de ser verdadeiro e afirmar sem rebuços: sempre foi um nostálgico. O resto, o bom e o mau, poderia ficar para segundas núpcias, que na hora da morte somos beneficiários de uma benevolência que nem sempre conhecemos em vida. Todos terão a liberdade de acrescentar grande, reservando-se para cada um o local onde querem colocar a palavra, que antes ou depois é toda uma diferença.
Seja tempo de ócio ou de negócio, o meu cérebro não carece de estímulos para se atirar saudosamente às coisas do passado. Vem este post - com um atraso de vinte e quatro horas relativamente aos meus compromissos - a propósito de uma frase que li num blogue que frequento: em muitos de nós existe uma estranha nostalgia, a de um mundo destituído de técnica. A palavra nostalgia - talvez mesmo os seus derivados - activa um ponto específico no meu cérebro e o meu apelido torna-se pavlov, o homem cujo cão salivava ao tocar de uma campainha. A minha agenda, companheira fiel dos meus dias organizados, mencionava IRS, mas eu já não estava aí, porque, em boa verdade, quem é o ser humano que prefere ler um diário da república a deglutir uma doçaria conventual?
Sou nostálgico mas, confesso, nunca me ocorrera a nostalgia de um mundo destituído de técnica. Não sinto falta do tempo em que não havia internet, telemóvel, satélites, previsão meteorológica fiável, discos compactos, aquecimentos centrais e frigoríficos que regurgitam cubos de gelo. Nem sempre sinto falta de um tempo mais fácil, menos solicitado, menos ruidoso, substancialmente mais lento. As minhas nostalgias são de um conjunto de sensações, independentemente da técnica - ou que eu, pelo menos, torno independente: é o prazer de receber uma carta, de manuscrever outra, de uma mão que se dá na escuridão de um cinema, de um olhar taquicárdico, de enfrentar junto uma onda de equinócio numa valentia juvenil. A minha nostalgia é de sensações próprias, não de um mundo vasto. O universo das minhas nostalgias é, roubando o título a um livro, o fundo da minha rua.
Sou, e nisso assemelho-me ao resto da humanidade, um viandante, numa peregrinação permanente do caminho certo para o meu corpo e para o meu espírito. Há quem me negue trouxas de ovos com a mesma sapiência com que me identifica as procuras, o que não deixa de causar impressão. Talvez toda esta nostalgia, não representando um ódio ao tempo presente, tenha uma explicação simples e prosaica, retirando encanto a algo que se supunha misterioso. Um dia, ao cair do sol por trás dos pinheiros que desaparecerão, tudo isso me será elucidado, e eu sorrirei, certo de que o tal fascínio morre como um homem bom - em paz e acompanhado.
Deixo-vos com um slow, uma das minhas nostalgias. Dancei muitos, ouvi muitos, estremeci e senti o afastamento em muitos, porque uma pista é a metáfora da vida a dois, e a dança é a conjugalidade em movimento. Não atentei na letra, pelo que não sei de que fala. Em adolescente dançava e sentia um corpo que se juntava, um cabelo que roçava, uma imobilidade de transbordante contentamento, mas não percebia o que se cantava. Em bom rigor, também não queria saber.
JdB
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Acerca de mim
- JdB
- Estoril, Portugal
Arquivo do blogue
-
▼
2026
(268)
-
▼
setembro
(30)
- Outono, outra vez *
- Textos dos dias que correm *
- Para um começo de semana sereno (LXX)
- XXVI Domingo do Tempo Comum
- Pensamentos Impensados
- Poemas dos dias que correm
- Duas Últimas * - em memória de Jorge Palma (1950 -...
- Vai um gin do Peter’s ?
- Moleskine texano
- Para um começo de semana sereno (LXIX)
- XXV Domingo do Tempo Comum
- Pensamentos Impensados
- Poemas dos dias que correm
- Lembranças (1978) dos dias que correm
- Dos congressos de oncologia pediátrica
- Textos dos dias que correm
- Para um começo de semana sereno (LXVIII)
- XXIV Domingo do Tempo Comum
- Pensamentos Impensados
- Poemas dos dias que correm
- Lembranças (1975) dos dias que correm
- Vai um gin do Peter’s ?
- Do espanto e do maravilhamento
- Para um começo de semana sereno (LXVII)
- XXIII Domingo do Tempo Comum
- Pensamentos impensados
- Poemas dos dias que correm
- Lembranças (1977) dos dias que correm
- Moleskine
- Textos dos dias que correm
-
▼
setembro
(30)