16 junho 2010

Vai um gin do Peter’s ?

Dando continuidade ao gin de 2 de Junho, que iniciou o aperitivo à mensagem riquíssima que o Papa legou a Portugal(1), é hora de desfiar as 5 temáticas que perfazem o conjunto dos TOP 10 de grandes momentos da sua Visita de Maio

- neste gin:

Fátima na história dos séculos XX e XXI

A alegria de amar – o dom supremo

O ser humano – características e possibilidades

Sofrimento – mensagem aos doentes

Despedida comovida, abraçando as pessoas de boa vontade

- a 2 de Junho:

Perfil de um defensor da liberdade, ao serviço de todos

Portugal visto por um olhar de Pai

Cultura – um Papa fascinado pela Beleza

Esperança – a chave do futuro

O mal radiografado com invulgar coragem

Em Bento XVI, a sabedoria das palavras vem impregnada de um alcance poético impressionante, que lhes confere um colorido e jovialidade invulgaríssimos. Lembro um par de exemplos, nesta viagem: «A ‘Branca Senhora’ na aparição», «com a vela acesa na mão, lembrais um mar de luz», «Quem aprende o Amor… será pessoa para os outros», «servir Cristo na humanidade que vos espera», «num momento em que se falava de Inverno na Igreja, o Espírito Santo criava uma nova Primavera»…

Como os grandes Homens comungam de óbvias afinidades, vem a propósito citar Mahatma Gandhi, com um lema de vida aplicável, na perfeição, a Bento XVI: «Perderei a minha utilidade no dia em que abafar a voz da minha consciência».

Fátima na história dos séculos XX e XXI

- «Fátima, lugar privilegiado da misericórdia de Deus» (19.Maio – Audiência Geral das Quartas, no Vaticano, referindo a Visita a Portugal)

- «Nossa Senhora ajudou (os Pastorinhos) a abrir o coração à universalidade do amor (13.Maio – Missa em Fátima)

- «Que… há 93 anos (em 1917), o Céu se abrisse precisamente sobre Portugal – como uma janela de esperança que Deus abre quando o homem lhe fecha a porta – para reatar, no seio da família humana, os laços da solidariedade fraterna assente no mútuo reconhecimento de um só e mesmo Pai…» (11.Maio – no Aeroporto)

- «Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive(-se) aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios… o homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo. Na Sagrada Escritura é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima…» (13.Maio – Missa em Fátima)

- «…É precisamente de esperança que está profundamente impregnada a mensagem – exigente e ao mesmo tempo consoladora– que Nossa Senhora deixou em Fátima. É uma mensagem centrada na oração, na penitência e na conversão, que se projecta para além das ameaças, dos perigos e dos horrores da história, para convidar o homem a ter confiança na acção de Deus, a cultivar a grande esperança, a fazer a experiência da graça do Senhor para se enamorar dele, fonte de amor e de paz.» (19.Maio – Audiência no Vaticano)

- «… Maria, aparecendo aos três pastorinhos, abriu no mundo um espaço privilegiado para encontrar a misericórdia divina que cura e salva. Em Fátima, a Virgem Santa convida todos a considerarem a terra como lugar da nossa peregrinação rumo à pátria definitiva, que é o céu. Na realidade, todos somos peregrinos, temos necessidade da Mãe que nos guia.» (19.Maio – Audiência no Vaticano)

- «Em Fátima, rezei pelo mundo inteiro pedindo que o futuro traga maior fraternidade e solidariedade, um maior respeito recíproco…» (14.Maio – Cerimónia de Despedida, no Porto)

O cronista do Fígaro, a poucos metros do Papa, na Capelinha imortalizou, nestes termos, o momento da deposição da Rosa de Ouro aos pés da Imagem: «Isto pode parecer ridículo e infantil, mas foi em Fátima que a mais bela espiritualidade da Igreja apareceu, em plena luz do dia. A espiritualidade da criança que sabe que deve tudo a Deus. Escolhi este exemplo porque tive o privilégio de estar a poucos metros do Papa e fiquei impressionado – tocado até – com a simplicidade da sua meditação. Parecia uma criança que trouxe um presente para a sua mãe. Nada existia à sua volta, nem câmaras de televisão, nem a multidão, nem mesmo o estatuto de Papa. Ali, era um grande cristão, humilde, que parecia falar com ‘alguém’ que estava realmente presente. Estas são coisas que normalmente não descrevemos no nosso trabalho como jornalistas, mas, desta vez, o mistério foi ‘palpável’. Nesse sentido, essa imagem resume toda a viagem: o poder da fé, a força de Fátima e a simplicidade humana que fala mais que palavras, porque a fé fala directamente ao coração. É realmente a mensagem chave, fundamental para a fé cristã


A alegria de amar – o dom supremo

- «Recomenda-nos que façamos nosso o estilo do Bom Samaritano … E qual é esse estilo? É ‘um coração que vê.’ Este coração vê onde há necessidade de amor e actua…» (13.Maio – Encontro com a Pastoral Social, em Fátima)

- « (O) Bom Samaritano é Ele, que se faz próximo de todos os homens e… os conduz à estalagem, que é a Igreja, onde os faz tratar… através da justiça e da caridade, para vivermos com um coração de bom samaritano.» (13.Maio – Encontro com a Pastoral Social, em Fátima)

- «Quem aprende de Deus Amor será inevitavelmente pessoa para os outros. Unidos a Cristo… somos tomados pela sua compaixão pelas multidões que pedem justiça e solidariedade e, como o bom samaritano da parábola, esforçamo-nos por dar respostas concretas e generosas.» (13.Maio – Encontro com a Pastoral Social, em Fátima)

- «Aprendei a ouvir e a conhecer a sua palavra e também a reconhecê-Lo nos pobres.» (11.Maio – Missa no Terreiro do Paço, Lisboa)

- «Vivei a vossa vida com alegria e entusiasmo, certos da sua presença e da sua amizade gratuita, generosa… Com o vosso entusiasmo, mostrai que, entre tantos modos de viver que hoje o mundo parece oferecer-nos – todos aparentemente ao mesmo nível –, só seguindo Jesus é que se encontra o verdadeiro sentido da vida e, consequentemente, a alegria verdadeira e duradoura.» (11.Maio – Missa em Lisboa)


- «Só com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civilização do Amor e da Paz.» (13.Maio – Missa em Fátima)

- «… Aqueles que crêem na caridade divina têm a certeza d’Ele que a estrada da caridade está aberta a todos os homens» (13.Maio – Missa em Fátima, citando o Concílio Vaticano II)

O ser humano – características e possibilidades

A grande personagem concebida por Camus, Calígula, verbaliza com especial acuidade a tensão que inquieta o espírito humano: «Quero o impossível. (…) Eis o que me persegue. Este ir para além», à qual Bento XVI, com a sua extrema lucidez, não se esquiva a responder:

- «A razão, como tal, está aberta à transcendência e só no encontro entre a realidade transcendente, a fé e a razão (é) que o homem se encontra» (11.Maio – Encontro com os jornalistas, no avião)

- «… Só Cristo pode satisfazer plenamente os anseios profundos de cada coração humano e responder às suas questões mais inquietantes acerca do sofrimento, da injustiça e do mal, sobre a morte e a vida do Além.» (11.Maio – Missa em Lisboa)

- «A dinâmica da sociedade absolutiza o presente, isolando-o do património cultural do passado e sem a intenção de delinear um futuro… (O actual) conflito entre a tradição e o presente exprime-se na crise da verdade… De facto, um povo que deixa de saber qual é a sua verdade, fica perdido nos labirintos do tempo e da história, sem valores claramente definidos, sem objectivos grandiosos… A fidelidade à pessoa humana exige a fidelidade à verdade, a única garantia de liberdade…» (12.Maio – Encontro com o Mundo da Cultura, no CCB)

- «A relação com Deus é constitutiva do ser humano: foi criado e ordenado para Deus, procura a verdade… tende ao bem na esfera volitiva, é atraído pela beleza na dimensão estética.» (11.Maio – no Aeroporto)

- «Aquilo que fascina é sobretudo o encontro com pessoas crentes que, pela sua fé, atraem para a graça de Cristo dando testemunho d’Ele. (…) é da santidade que nasce toda a autêntica renovação da Igreja… » (13.Maio – Encontro com os Bispos, em Fátima)

Sofrimento – mensagem aos doentes

- «Meu irmão e minha irmã, tens para Deus um valor tão grande que Ele mesmo Se fez homem para poder padecer com o homem, de modo muito real, na carne e no sangue… a partir de então propaga-se em todo o sofrimento a consolação do amor solidário de Deus, surgindo assim a estrela da esperança.» (13.Maio – Saudação aos doentes, em Fátima)

- «…Poderás superar a sensação de inutilidade do sofrimento que desgasta a pessoa… Como é possível? As fontes da força divina jorram precisamente no meio da fragilidade humana. É o paradoxo do Evangelho. Por isso o divino Mestre, mais do que demorar-se a explicar as razões do sofrimento, preferiu chamar cada um a segui-Lo…» (13.Maio – Saudação aos doentes, em Fátima)

Despedida comovida, abraçando as pessoas de boa vontade

- «Desça sobre Portugal e todos os seus filhos e filhas a minha Bênção Apostólica, portadora de esperança, de paz e de coragem… Continuemos a caminhar na esperança! Adeus!» (14.Maio – Cerimónia de Despedida, no Porto)

- «Para todos os portugueses, fiéis católicos ou não, aos homens e mulheres que aqui vivem, mesmo sem aqui terem nascido, vai a minha saudação na hora da despedida. Não cesse entre vós de crescer a concórdia, essencial para uma sólida coesão, caminho necessário para enfrentar com responsabilidade comum os desafios com que vos debateis.» (14.Maio – Cerimónia de Despedida, no Porto)

Haverá melhor prova do sucesso desta viagem, quando o Papa planeia voltar a Portugal e o cronista do Fígaro, Jean-Marie Guénois (já referido), a descreve como um ponto alto do seu pontificado? Citando-o: «O impacto foi mundial, sem dúvida, precisamente por causa do contexto e da capacidade de resposta do povo português… No fundo, o apelo à missão dos cristãos na sociedade… não surge como uma imposição, mas como uma proposta. Não é uma luta sem inteligência contra as forças da razão, mas uma reconciliação com as forças da razão. É assim o pontificado de Bento XVI

Maria Zarco

(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

______________

(1) Para consultar os textos, na íntegra, aceda ao site: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/travels/2010/index_portogallo_po.htm

13 junho 2010

Dia de Santo António

Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!

Suposto, pois, que ou o sal não salgue ou a terra se não deixe salgar; que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga, Cristo o disse logo: Quod si sal evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras et conculcetur ab hominibus. «Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há-de fazer, é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos.» Quem se atrevera a dizer tal cousa, se o mesmo Cristo a não pronunciara? Assim como não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a cabeça que o pregador que ensina e faz o que deve, assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés, o que com a palavra ou com a vida prega o contrário.

Isto é o que se deve fazer ao sal que não salga. E à terra que se não deixa salgar, que se lhe há-de fazer? Este ponto não resolveu Cristo, Senhor nosso, no Evangelho; mas temos sobre ele a resolução do nosso grande português Santo António, que hoje celebramos, e a mais galharda e gloriosa resolução que nenhum santo tomou.

Sermão de Santo António aos Peixes pelo Pe. António Vieira (versão integral aqui)

11º Domingo do Tempo Comum

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de Católico.

É vulgar ouvir, por parte dos que não vão regularmente à missa, comentários menos elogiosos sobre quem se senta semanalmente nos bancos de uma igreja: que rezam, que rezam, mas que estão sempre a criticar os outros; que levaram uma vida desregrada e agora é só missas; que são incoerentes porque não fazem nada pelos outros apesar do que ouvem todos os domingos.

Dos que vão à missa oiço comentários igualmente críticos sobre os que não vão: porque não têm vida espiritual, porque não são praticantes, porque não acreditam, porque não cumprem.

Leio o evangelho de hoje e reforço a convicção com que respondi, um dia, a uma interpelação menos agradável: a nossa prática religiosa (com tudo o que daí decorre) é um auxílio à nossa santidade, não um certificado da nossa santidade. Nos bancos da religiosidade militante ou no anonimato de uma não prática preguiçosa ou convicta há gente boa, gente menos boa, gente que estende a mão ao próximo ou que se refugia num egocentrismo comodista.

Quero sentar-me numa igreja ou noutro sítio qualquer e acreditar que a forma como olho para os outros reflecte a forma como os outros olham para mim: a tolerância com a tolerância, o sentido crítico com o sentido crítico, a maledicência com a maledicência.

Que a nossa Fé nos salve. E que possamos ir todos em paz.

***

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
um fariseu convidou Jesus para comer com ele.
Jesus entrou em casa do fariseu e tomou lugar à mesa.
Então, uma mulher – uma pecadora que vivia na cidade –
ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu,
trouxe um vaso de alabastro com perfume;
pôs-se atrás de Jesus e, chorando muito,
banhava-Lhe os pés com as lágrimas
e enxugava-lhos com os cabelos,
beijava-os e ungia-os com o perfume.
Ao ver isto, o fariseu que tinha convidado Jesus pensou consigo:
«Se este homem fosse profeta,
saberia que a mulher que O toca é uma pecadora».
Jesus tomou a palavra e disse-lhe:
«Simão, tenho uma coisa a dizer-te».
Ele respondeu: «Fala, Mestre».
Jesus continuou:
«Certo credor tinha dois devedores:
um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta.
Como não tinham com que pagar, perdoou a ambos.
Qual deles ficará mais seu amigo?»
Respondeu Simão:
«Aquele – suponho eu – a quem mais perdoou».
Disse-lhe Jesus: «Julgaste bem».
E voltando-Se para a mulher, disse a Simão:
«Vês esta mulher?
Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés;
mas ela banhou-Me os pés com as lágrimas
e enxugou-os com os cabelos.
Não Me deste o ósculo;
mas ela, desde que entrei, não cessou de beijar-Me os pés.
Não Me derramaste óleo na cabeça;
mas ela ungiu-Me os pés com perfume.
Por isso te digo:
São-lhe perdoados os seus muitos pecados,
porque muito amou;
mas aquele a quem pouco se perdoa,
pouco ama».
Depois disse à mulher:
«Os teus pecados estão perdoados».
Então os convivas começaram a dizer entre si:
«Quem é este homem, que até perdoa os pecados?»
Mas Jesus disse à mulher:
«A tua fé te salvou. Vai em paz».
Depois disso, Jesus ia caminhando por cidades e aldeias,
a pregar e a anunciar a boa nova do reino de Deus.
Acompanhavam-n’O os Doze,
bem como algumas mulheres que tinham sido curadas
de espíritos malignos e de enfermidades.
Eram Maria, chamada Madalena,
de quem tinham saído sete demónios,
Joana, mulher de Cusa, administrador de Herodes,
Susana e muitas outras,
que serviam Jesus com os seus bens.

12 junho 2010

Pensamentos impensados

Joana d'Arc, devido à pena a que foi condenada, pode ser considerada a primeira tosta mística.

Um dia perguntaram-me "o que era" a Lili Caneças; respondi que era especialista em matéria vaga.

Todos os anos acabam em 31 de Dezembro sem direito a prolongamento como alguns desafios de futebol.

Os imortais (da Academia) quando morrem vão imortalhados?

Um dia, um numismata, inpingiu-me uma conversa interminável sobre moedas; acabei por lhe dizer: numismata mas mói.

O Canal do Suez foi uma risca inventada para separar outras riscas: os tigres e as zebras.

SdB (I)

11 junho 2010

cantiga de amigo

disse-te, lembras-te?, um moço:
o teu estilo levemente arcaízante,
de um classicismo sem calendário,

é uma escultura em movimento
que agarra o tempo e faz dele um lenço
para pôres, linda,
ao pescoço.

uns aprendem tabuada financeira.
tu aprendes por outro abecedário.


gi.

10 junho 2010

Deixa-me rir...

"Caros audiophiles, last time I proposed a celebration of a European musical event, but this week we are going global with the start of the football World Cup in South Africa!
A few weeks ago I posted an article about Souad Massi the Algerian singer. I mentioned attending her first concert in London. Well, during the interval there was played some taped "world music" that I really liked and I tried to find out what this music was. I was introduced to the sound engineer for this concert who told me that the music was a compilation he had made of artists and music from his recent trip to South Africa. This was disappointing because I hoped I could buy the cd. So he gave me his copy, saying he could make another copy easily. Then a few days later he wrote to me with the list of all the artists and the song titles. How incredibly kind and generous. From one audiophile to another!
So now to celebrate South Africa and the World Cup, I present two wonderful songs from this cd...

Blk Sonshine (Black Sunshine) - Born in a Taxi:
don't leave me blind
'cause i'm afraid of not seeing
you can't leave behind
a baby born in a taxi
give me all you owe the world
let's pretend i could be spoiled
if it's all in what you say
then won't you change my world today
i could spend my time loving you
if that's what you want me to do
you just have to say "I do"

you say i'm like a dream
planted far from water
you make it out to seem
between there's a border
think of all the games we play
tell me we're both trapped in this clay
because if you're sure it's here to stay
then help me change my world today

i could spend my time loving you...
don't be afraid
i'm not here to take away
it's not a shame
let me show you how to play
take my arm
i'll lead you through this groundlessness.


Khumbula - Sibali:

And finally...a song that all football lovers are going to hear many times during the coming month - the official FIFA World Cup 2010 Anthem. Below I print the football lyrics first, but the video includes the original more political lyrics:



(Ooooooh Wooooooh, Ooooooh Wooooooh
Give me freedom! give me fire! give me reason, take me higher!
See the champions, take the field now, you define us, make us feel proud!
In the streets our heads are lifting, as we lose our inhibition,
Celebration it surrounds us, every nation all around us

Singing forever young, singing songs underneath the sun
Let's rejoice in the beautiful game,
And together at the end of the day
We all say)...
When I get older I will be stronger
They will call me freedom, just like the waving flag.
and then it goes back...

Born to a throne stronger than Rome
Violent prone, poor people zone
but it's my home, all I have known
where I got grown, streets we would roam.
Out of the darkness, I came the farthest
among hardest survival.
Learn from these streets, it can be bleak,
accept no defeat, surrender retreat.
So we struggling, fighting to eat
and we wondering when we'll be free
So we patiently wait
for that fateful day, it's not far away
but for now we say...

So many wars, settling scores,
bringing us promises, leaving us poor
I heard them say "Love is the way"
love is the answer, that's what they say.
But look how they treat us,
make us believers,
we fight their battles, then they deceive us,
try to control us, but they could not hold us,
cause we just move forward
like Buffalo Soldiers.

So let's hope that the World Cup brings more unity and celebration in South Africa itself and in all the world.
Viva Portugal, Viva Inglaterra! But, win or lose, let's not take it all too seriously...



A proxima,
po

08 junho 2010

Ainda ando aqui.

Não percebo o que se passa, Catarina. Ainda ontem, nós os dois, sozinhos no teu par de assoalhadas com vista para o metro de Odivelas, nós os dois no teu sofá verde e velho com buracos nas braçadeiras e cheiro a rebuçado, nós os dois num carrossel de risos e tremores, de cócegas e amores, nós os dois tão felizes e sem tempo contado. Não percebo o que se passa, Catarina. Ainda ontem, nós os dois, e tu tão feliz comigo, a contares a tua tarde enquanto empurravas um macarrão riscado pelo prato, e eu tão feliz contigo, a soprar-te bolas de sabão enquanto lavava os copos. Não percebo o que se passa Catarina. Ainda ontem, nós os dois, a fazer planos para o fim do mês, eu que queira ir para a praia e tu que querias ir ao Gerês, e agora nem me falas, e parece que não me vês. Não percebo o que se passa, Catarina. Ainda ontem era dia cinco, como é que no teu calendário já é vinte e três? Porque é que estás assim de preto, Catarina, que ficas tão linda de flores, ou às bolinhas? Porque é que não me abriste a porta quando chamei e como é que entrei? Não percebo o que se passa, Catarina!

Zdt

07 junho 2010

Bem-aventurados os que choram...

Roberto lembrava-se da primeira vez que consultara a Dra. Inês para tirar do peito o aperto que o consumia:

Sabe Dra. Inês... Não leve a mal o que lhe vou dizer, mas a minha vida sexual lembra-me a frustração da primeira comunhão. Percorri a catequese que desembocava naquela festa tão branca, tão pura, tão promissora da proximidade com Deus. Mas sabe, quando chegou ao domingo seguinte, a minha mãe alegou enxaquecas próprias de uma rotina feminina e o meu pai reclamou um torneio de bilhar às três tabelas; quando dei por mim a minha mãe tinha uma mensalidade de trinta dias difíceis e o torneio de bilhar terminava próximo do infinito. Até me zanguei com o Padre Alberto por ele me ter enganado. Afinal, para alguns meninos, não havia primeira comunhão, mas única comunhão... Percebe-me Dra. Inês?

E a psicóloga, oferecendo as costas a uma carta de curso e à evidência da sua presença em seminários onde não se discutiam doenças, mas oportunidades de estudo, alegava que sim, que entendia, e tomava notas num moleskine encarnado para depois introduzir números e factos num programa informático que trabalhava perfis, comportamentos de risco, antecedentes criminais - e facturação ao trimestre.

A minha vida sexual é assim, doutora. Há uma primeira vez, uma entusiasmante primeira vez...

E Roberto recostava-se no sofá, comprado ao preço de uma ninharia num estabelecimento que fechara para mudança de ramo, e lembrava-se das primeiras noites: a música suave, a luz a morrer de sensualidade por acção de um reóstato eficiente, dois corpos que se juntam, se tocam, se despem, percorrendo um território que se desconhece mas pelo qual se anseia; a Marília, a Tânia, a Susana, a Antónia, a Elisabete; botões que se desapertam, roupa bonita que tomba sem um ruído na alcatifa, a nudez total e ávida que se oferece ao toque, ao beijo, à carícia, ao desejo; bocas e mãos que exploram e devoram, almas que se deixam enredar por uma necessidade carnal onde o limite não encontra terra fértil.

E depois dessa primeira vez doutora? Sabe o que acontece?

E a Dra. Inês a saber tudo, mas a incitar o Roberto à catarse, ao choro, ao reconhecimento que, tal como a comunhão, não havia uma primeira vez, mas uma única vez. Aquando da sua meninice não tinha havido uma segunda oportunidade para ele engolir aquela bolachinha de água e farinha que recompensava quem era bom e não entristecia o bom Jesus; agora, em adulto, as Marílias e as Antónias desapareciam sem quase deixar rasto, não pelo seu desempenho nas artes do sexo – com classificação na ordem do satisfaz bem / satisfaz muito bem – mas porque viam um futuro inconsistente, que é mais dramático do que não ver um futuro...

E Roberto, encostado no sofá comprado nas oportunidades que sempre são a falência vizinha, chorara inconsoladas sessões contínuas frente a uma doutora Inês que, emoldurada por um renque de cursos e encontros profissionais, meditava sobre a desdita dos que choram e da melhor forma de os consolar...

Um dia, Roberto faltou à sua sessão quinzenal; reagendou-a, mas voltou a não comparecer; ainda telefonou, engasgado numa desculpa. Que sim, que marcaria, que apreciava muito o trabalho da Dra. Inês, que se lembrava bem do alívio que recebia e do recibo verde que ficara de recolher, do bem que lhe tinha feito, etc., etc., etc.

Quando soube dele - estava a psicóloga a negociar uns candeeiros de pé de um consultório falido - o paciente tinha aberto uma sex-shop e entrado como sócio para uma empresa de match making que, inovadoramente, desenvolvera um software assente nas incompatibilidades pessoais para detectar as suas inversas. Roberto tinha-se oferecido para case study - e o sucesso tinha sido meteórico.

Obrigado, Dra. Inês. Sinto-me mais consolado. Já lhe tinha falado na Olga? Nunca vi pessoa mais diferente de mim...

JdB

06 junho 2010

Domingo... Se fores à Missa!

EVANGELHO Lc 7, 11-17
Naquele tempo, dirigia-Se Jesus para uma cidade chamada Naim; iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva. Vinha com ela muita gente da cidade. Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: «Não chores». Jesus aproximou-Se e tocou no caixão; e os que o transportavam pararam. Disse Jesus: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te». O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe. Todos se encheram de temor e davam glória a Deus, dizendo: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo». E a fama deste acontecimento espalhou-se por toda a Judeia e pelas regiões vizinhas.


Não sou teóloga e nem sequer sou grande conhecedora da Biblia, confesso, por isso há certos temas, certos evangelhos que, num primeiro impulso, me levam a pensar :" Ah, isto não é para mim" ou "Isto não é dos nossos tempos !". O evangelho de hoje, no qual Lucas nos conta como Jesus ressuscitou um jovem, é um desses evangelhos. A minha primeira reacção, ao lê-lo, foi algo como ... eu não tenho poderes para ressuscitar ninguém; Jesus fazia estes grandes gestos, por intermédio do Pai, para que as pessoas vissem e acreditassem. Isto não é para mim !

Normalmente, não dispensaria um segundo mais a pensar no Evangelho, até chegar à missa e ouvir a homilia; mas porque hoje é Domingo sim, dia do meu post, e não gosto de desiludir os eventuais (será que haverá algum ?) leitores desta crónica, tive mesmo que me dedicar um pouco mais à interiorização desta "ressureição". Em boa hora o fiz. A nossa mente pode ser muito traiçoeira e levar-nos a desculpabilizarmo-nos e a lavarmos as mãos perante situações que não nos tocam, não nos afectam ou não nos dizem respeito. Quando isso acontece, a única saida é usarmos o nosso coração, a nossa alma, pois só ele tem poderes para dominar a mente. Este post é, pois, escrito à revelia da minha mente. São os dedos que teclam, mas é o coração que comanda. É a mente que define as palavras, mas é o coração que as escolhe.

O milagre da ressureição, interdito a qualquer um de nós, na sua verdadeira dimensão de trazer de novo à vida alguém que estava morto, opera-se, no entanto, tantas e tantas vezes na nossa vida, sem muitas vezes darmos por isso, numa outra dimensão que não deixa de ser, também ela, ressureição. Falo da ressureição não à vida física, corporal, mas à vida espiritual, à vida dos bons sentimentos, à vida plena de alegria e de compromisso. Todos nós temos, em nós mesmos, o poder de ressuscitar alguém de uma vida sem sentido para uma vida melhor. Às vezes um simples sorriso, uma palavra certa, um abraço oportuno opera, no outro, o milagre da ressureição; às vezes é preciso ir mais longe, fazer mais, dedicarmo-nos a uma causa, a um movimento de solidariedade, desinstalarmo-nos para conseguirmos que se opere o milagre da ressureição; às vezes, muitas vezes, nem sequer assistimos ao próprio milagre, lançamos a semente, regamos e o milagre opera-se tempos depois, já nós não estamos em cena. O que importa é acreditarmos que existe, em nós, através do Pai, o poder para operarmos esses pequenos milagres da ressureição. O importante é sentirmos que o Pai precisa de nós para operar esses milagres. O importante é pensarmos que conseguimos operar esses milagres. O importante é aceitarmos essa missão. Se toda a humanidade, sem excepção, operasse nem que fosse um único milagre em toda a sua vida, todos os dias estariam a acontecer milhões e milhões de milagres de ressureição.

Domingo Se fores à Missa ....... Opera o teu milagre da ressureição !

Maf

05 junho 2010

Pensamentos impensados

Mistérios da Física

Meti no congelador pão acabado de sair do forno; estava estaladiço. Quando o descongelei, continuava estaladiço. Meti água a ferver no congelador; quando a descongelei não estava a ferver.

A apetência é o apetite da continência.

Histórias impensáveis

Esta história foi-me contada pelo meu Pai que a viu / ouviu.
Nos anos 20 do século passado, estava o meu Pai na Igreja do Sobral de Monte Agraço na Missa de Domingo de Ramos. Nessa época o Evangelho era compridíssimo; demorava mais de 15
minutos. Quando chegou a altura de ler o Evangelho, o oficiante olhou para o crucifixo e disse: tu já o sofreste, eu já o sei de cor, eles não percebem nada, adiante!!!

Outra contada pelo meu Pai e passada na mesma época.
Nesse tempo era costume na Semana Santa, e em localidades próximas de Lisboa, virem padres com grande dom da palavra, falar sobre a Paixão de Cristo, isto com o propósito de puxar as lágrimas da audiência. O pregador de tal maneira convincente falou, que em pouco tempo estavam os fieis lavados em lágrimas, e o padre começou a ficar incomodado com tamanha choradeira. Para amenizar a audiência, não achou melhor que dizer: não chorem meus irmãos, isto já se passou há muito tempo e sabe-se lá se foi verdade!!!!!!

SdB (I)

04 junho 2010

eu-tonto-bebo-as-estrelas-todas

respiramos,
enquanto existimos,

a poeira astral
que mata a sede
e um cosmos inteirinho
que ainda há-de ser

a fome em si própria
e o que a fome há-de comer.

beberemos do que vier.


gi.

03 junho 2010

Deixa-me rir...

Sabes, disse-lhe Sofia olhando para o sol que caía lentamente por detrás de Santa Sofia, estou convencidíssima de que o problema do homem moderno é o seu afastamento da Beleza. Deixamo-nos enredar em problemas, correrias, stress e acabamos por nos centrar no lado negro da vida, esquecendo-nos que somos, em grande parte, o que pensamos. Que, por sua vez, alimentamos através do que vemos, ouvimos, lemos, pelas pessoas de quem nos rodeamos ….. Pensar é, até certo ponto, ainda que não totalmente, uma escolha. E o cultivar uma atitude de esperança não é uma mera abstracção filosófica ou teológica...
Sofia calou-se e António não disse nada. Sabia que Sofia precisava que lhe dessem tempo. As ideias vinham-lhe do fundo e ficava insegura quando ouvia vozes discordantes à sua volta. Passaram-se longos minutos. O céu tinha-se tornado azul escuro e o fumo adocicado dos narguilés e o ar quente do Verão de Istambul convidavam à conversa cheia de espaços. Reparaste - continuou Sofia -, reparaste na beleza dos mosaicos bizantinos que acabámos de ver? Deste conta da delicadeza e das tonalidades dos frescos de San Salvatore in Chora? Lembras-te do que o nosso guia disse, que para além do treino técnico, os artistas da Antiguidade passavam por um longo período de preparação espiritual antes de iniciarem o seu trabalho? E isso VÊ-SE!, exclamou empolgada. E reparaste como Istambul está cheia de pequenos terraços, privados e públicos, e de esplanadas com vistas de sonho que convidam ao descanso e à contemplação? Sofia virou-se para António e este viu os seus olhos brilharem por detrás de uma ténue cortina de fumo. A Beleza liberta, disse serenamente.
O empregado do café aproximou-se e mudou as brasas dos narguilés para que o cachimbo de água fumasse mais facilmente. Sofia enroscou-se ainda mais no sofá côr de camelo, inalou fortemente e deixou que uma enorme nuvem de fumo a envolvesse mais uma vez.
As palavras voltaram a ficar suspensas.
Andamos todos cegos, prosseguiu, continuando a olhar para o horizonte a encher-se de luzes. Bem dizem os místicos e aqueles que sabem pensar: o Homem anda cego. Ou então sofre duma cegueira congénita, primordial! Talvez seja mesmo por aí... Tem tudo à sua disposição, tem toda a beleza do mundo à sua disposição e não consegue deixar de se centrar nos problemas, na melancolia, na tristeza, na doença, na chuvinha irritante, na promoção que não teve. Não foi para isto que fomos criados, não faz sentido viver assim. Para mim, e não sou original no que digo, como bem sabes, o segredo da vida reside na simplicidade e na contemplação da beleza.
Li há pouco tempo um livro que me marcou bastante. O White Tiger, do Aravind Adiga. Conheces? É um retrato cru, uma sátira mordaz ao status quo da Índia actual. A Índia retratada é corrupta, suja, cheia de fraquezas e ânsias por dinheiro, presa numa eterna roda de serviço, no sentido menos nobre da palavra: todos servem alguém e ninguém se liberta dessa roda viciada. Os que nascem para varrer o chão continuam a varrer o chão; milhares de jovens aceitam ainda casamentos arranjados pelas respectivas famílias; a mentalidade feudalista no campo profundo mantém-se quase inalterável; o respeito pelos mais velhos e pelos patrões expressa-se ainda numa obediência incontestada, que dá origem a abusos desumanos. Concluindo: desta roda infernal - uma analogia ao círculo da reincarnação, o Samsara - só se salvam os que têm dinheiro ... que normalmente precisam de transgredir para o obter. É um livro brutal, ainda que temperado por um humor (aparentemente) simples mas muito sarcástico, escrito por um indiano cosmopolita e terrivelmente desapaixonado.
Mas há neste livro uma citação extraordinária de um místico muçulmano, Iqbal, a quem o protagonista, homem miserável e astuto, venera. E que resume o que te disse há pouco:
THEY REMAIN SLAVES BECAUSE THEY CAN'T SEE WHAT IS BEAUTIFUL IN THIS WORLD

Não achas esta frase um espanto, António?

(ao jp, com muita amizade e admiração)

PS: e para quem quiser conhecer o poeta, político, filósofo em questão:

http://en.wikipedia.org/wiki/Muhammad_Iqbal

Ah ía-me esquecendo, o Deixa-me Rir é, sobretudo, música ... tenho de escolher uma canção... Hoje optei por uma música ultra romântica e profundamente triste. Mas tão suave ...



pcp

02 junho 2010

Vai um gin do Peter’s

Hoje gostava de vos fazer chegar um gin especial, dos que se servem no Peter’s, à vista dos muitos veleiros que se abrigam na ilha do Faial, para recuperar forças após as travessias agitadas no Atlântico. Este gin é um TOP 10 de mensagens incrivelmente marcantes, apenas como aperitivo do legado riquíssimo que Bento XVI transmitiu em Portugal(1), onde impressiona a sua confiança no potencial de Bem que vislumbra, apesar de tantas realidades negativas que hoje nos assaltam.

Diz o poeta açoriano, Vitorino Nemésio, a propósito da Cova de Iria que «em Fátima, a Humanidade inteira passou a valer mais». Mas sempre que conseguimos olhar a cidade dos homens com ternura e confiança, apesar das falhas de cada um, a Humanidade passa sempre a valer mais. Ou não será?

Quem acompanhou, minimamente, a visita do Papa terá experimentado momentos desses, como o noticiaram inúmeros jornalistas estrangeiros, nestes termos incisivos: «A peregrinação a Portugal abre uma nova etapa no seu Pontificado (…) haverá um ‘antes’ e um ‘pós’-Portugal (…) é o que ressalta das entrevistas com especialistas de informação»(2) do El Pais, do New York Times, do Figaro, do Il Giornale (para apenas referir um periódico por país), com títulos eloquentes como «Gladiador Solitário», «Uma fortaleza imprevista», «Um Bento XVI até então desconhecido»…

As dez temáticas do TOP 10 incluem:

Perfil de um defensor da liberdade, ao serviço de todos

Portugal visto por um olhar de Pai

Cultura – um Papa fascinado pela Beleza

Esperança – a chave do futuro

O mal radiografado com invulgar coragem

Fátima na história dos séculos XX e XXI

A alegria de amar – o dom supremo

O ser humano – características e possibilidades

Sofrimento – mensagem aos doentes

Despedida comovida, abraçando as pessoas de boa vontade


Perfil de um defensor da liberdade, ao serviço de todos

- Lema da viagem: «Contigo caminhamos na esperança, Sabedoria e Missão»

- «(O Papa não existe para) impor a Fé de cima, pois esta é antes de mais um dom da liberdade.» (Homilia em Abril de 2005, Vaticano)

- «Nada impomos, mas sempre propomos (…) trata-se de renovar a face da terra a partir de Deus…» (14.Maio – Missa no Porto)

- «…Hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos.» (14.Maio – Missa no Porto)

- «Viver na pluralidade de sistemas de valores… exige uma viagem ao centro de si mesmo e ao cerne do cristianismo para reforçar a qualidade do testemunho até à santidade, inventar caminhos de missão…» (11.Maio – Aeroporto da Portela)

- «Esta é a missão… receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que todas as situações de definhamento e morte se transformem, pelo Espírito, em ocasiões de crescimento e vida» (14.Maio – Missa no Porto)

Portugal visto por um olhar de Pai

- «…(Portugal) levou a fé a todas as partes do mundo; uma fé corajosa, inteligente e criativa. Soube criar uma grande cultura… A dialéctica entre secularismo e fé tem uma longa história em Portugal… Hoje vemos que justamente esta dialéctica é uma chance; que devemos encontrar uma síntese e um diálogo profundo e de vanguarda… integrar a fé e a racionalidade moderna numa única visão antropológica, que completa o ser humano e torna, desse modo, também comunicáveis as culturas humanas (11.Maio – Encontro com os jornalistas, no avião)

- «Nos tempos passados, a vossa saída em demanda de outros povos não impediu nem destruiu os vínculos com o que éreis e acreditáveis, mas, com sabedoria cristã, pudestes transplantar exigências e particularidades abrindo-vos ao contributo dos outros para serdes vós próprios, em aparente debilidade que é força (11.Maio – Missa no Terreiro do Paço, Lisboa)


- «O ideal cristão da universalidade e da fraternidade inspiravam esta aventura comum (dos Descobrimentos)… originou aquilo a que podemos chamar uma ‘sabedoria’ isto é, um sentido da vida e da história… um ‘ideal’ a cumprir por Portugal, que sempre procurou relacionar-se com o resto do mundo (12.Maio – Encontro com o Mundo da Cultura, no CCB)

- «Lisboa amiga, porto e abrigo de tantas esperanças…, gostava hoje de usar as chaves que me entregas para alicerçar as tuas esperanças humanas na Esperança divina.» (11.Maio – Missa em Lisboa)

Cultura – um Papa fascinado pela Beleza

Na senda de Dostoievski –«A beleza salvará o mundo»(3)–, que Bento XVI cita frequentemente, o Papa reconhece aos artífices da cultura uma alta vocação:


- «Esta é a hora que reclama o melhor das nossa forças… tendes, graças ao vosso talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade… de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento… E não tenhais medo de vos confrontar com a fonte primeira e última da beleza…» (12.Maio – Encontro no CCB)

- «Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza (12.Maio – Encontro no CCB)

- «Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza… (O) respeito por outras ‘verdades’ ou com a verdade dos outros é uma aprendizagem que a própria Igreja está a fazer. Nesse respeito dialogante, podem abrir-se novas portas para a comunicação da verdade.» (12.Maio – Encontro no CCB)

- «O que é que pode voltar a dar entusiasmo e confiança, o que é que pode encorajar o ânimo humano a reencontrar o seu caminho, a erguer o olhar além do horizonte imediato, a sonhar uma vida digna da sua vocação se não a Beleza?» (Nov.2009, Encontro com os Artistas, na Capela Sistina, parcialmente citado no CCB)

- «(A arte) conduz-nos a colher o Todo no fragmento, o Infinito no finito, Deus na história da humanidade». (Nov.2009, parcialmente citado no CCB)

- «A beleza chama a atenção, mas precisamente assim recorda ao homem o seu destino último… enche-o de nova esperança, dá-lhe a coragem de viver até ao fim o dom único da existência. A busca da beleza da qual falo, evidentemente, não consiste em fuga alguma no irracional ou no mero esteticismo… A autêntica beleza abre o coração humano à nostalgia, ao desejo profundo de conhecer, de amar, de ir para o Alto, para o Além de si.» (Nov.2009, parcialmente citado no CCB)

- «Queridos Artistas,… vós sois guardiães da beleza… A fé nada tira ao vosso génio, à vossa arte, aliás exalta-os e alimenta-os, encoraja-os a cruzar o limiar e a contemplar com olhos fascinados e comovidos a meta última e definitiva, o sol sem ocaso que ilumina e torna belo o presente (Nov.2009, parcialmente citado no CCB)

Esperança – a chave do futuro

- «(A) nossa esperança tem fundamento real, apoia-se num acontecimento que se coloca na história e ao mesmo tempo excede-a: é Jesus de Nazaré. (…) A linhagem do povo de Deus será conhecida… com uma esperança inabalável e que frutifica num amor que se sacrifica pelos outros, mas não sacrifica os outros; antes… ‘tudo acredita, tudo espera’» (13.Maio – Missa em Fátima)

- «Sim! O Senhor é a nossa grande esperança, está connosco; no seu amor misericordioso oferece um futuro ao seu povo: um futuro de comunhão consigo.» (13.Maio – Missa em Fátima)

- «… durante a Missa (11.Maio) falei da necessidade dos cristãos serem semeadores da esperança (…) num mundo marcado pela desconfiança.» (19.Maio – Audiência Geral das Quartas, no Vaticano)

Testemunho de Manoel de Oliveira, porta-voz dos intelectuais portugueses: «E os seres humanos caminham na esperança, apesar de todos os negativismos. Como diz o padre António Vieira: ‘Terrível palavra é o NON… que tira a ESPERANÇA que é a última coisa que a natureza deixou ao homem” (12.Maio – Encontro no CCB)

O mal radiografado com invulgar coragem

- «…hoje vemos (o mal) de um modo realmente terrificante: que a maior perseguição à Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de… aceitar a purificação… o perdão, mas também tem necessidade da justiça.»

(11.Maio – Encontro com os jornalistas, no avião)

- «Assim respondemos que somos realistas ao esperar que o mal ataca sempre; ataca do interior e do exterior, mas que também as forças do bem estão presentes e que, no final, o Senhor é mais forte do que o mal… é sempre a última palavra na história.» (11.Maio – Encontro com os jornalistas, no avião)

No próximo gin, a 16 de Junho, desfilarão as restantes temáticas deste duplo aperitivo: Fátima na história dos séculos XX e XXI; A alegria de amar; O ser humano; Sofrimento; Despedida comovida, abraçando as pessoas de boa vontade.

Maria Zarco

(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

_____________

(1) Para consultar os textos, na íntegra, aceda ao site: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/travels/2010/index_portogallo_po.htm

(2) In Zenit, Roma, 17 de Maio de 2010.

(3) Proferido pela personagem de «O Idiota»: o príncipe Miskin.

01 junho 2010

Barbeiro

Nunca fui daquelas crianças birrentas no barbeiro. Chegava, sentava-me na cadeira, o barbeiro pegava na tesoura e fazia o que tinha a fazer. Corte aqui, corte ali, e pronto. Não tugia nem mugia. Nem eu, nem o barbeiro.

Comecei por ir acompanhado e, eventualmente, no meu processo de emancipação passei a ir sozinho. Mas, de resto, nada mudou. Continuava a entrar mudo e a sair calado. O barbeiro nunca mudou, e o corte de cabelo também não.

No outro dia fui ao barbeiro outra vez. O corte de cabelo era urgente, o capacete que tinha na cabeça já começava a assustar. Entrei, e depois do bom-dia da praxe perguntei pelo barbeiro habitual. Estava de férias e só voltaria duas semanas depois. Eu é que não podia voltar duas semanas depois, pelo que tive de me sentar numa cadeira onde nunca me sentara e ter o cabelo cortado por um senhor que nunca mo cortara.

Depois de me sentar na cadeira o senhor pergunta-me:

E então como é que quer o cabelo?

Arregalei os olhos e fiz um ar profundamente confuso; parecia que me tinham perguntado o sentido da vida. Para qualquer outra pessoa pode ser uma pergunta completamente banal, mas a mim nunca ma tinham feito. E não tinha resposta.

Pensei em responder 'cortado', mas não me parecia que fosse uma resposta adequada para o momento. O senhor não deve ter grande sentido de humor e poderia querer vingar-se deste meu atrevimento. E ninguém quer ser o objecto de vingança de um senhor que manuseia uma tesoura com uma precisão cirúrgica.

Depois de alguns segundos de meditação respondi a seguinte pérola de sabedoria:

Olhe corte-me em cima, dos lados mais ou menos, e depois atrás...

O barbeiro não esboçou reacção, e começou com o zaca-zaca da tesoura. Fechei os olhos em pânico, e só voltei a abrir quinze minutos depois.

O cabelo estava aceitável (tanto quanto o meu mau gosto permite perceber), o que pode ser considerado um milagre. Com a resposta que dei é de admirar que não tenha ficado com um cabelo igual a um futebolista de terceira categoria.

SdB (III)

Acerca de mim

Arquivo do blogue