15 agosto 2011

Assunção da Virgem Santa

A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada 
todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre.



(Do Evangelho de hoje)

Vai um gin do Peter’s ?

O filme «RUMO À LIBERDADE»(1) confirma bem quanto a realidade supera a ficção. O realizador australiano, Peter Weir, que ficou conhecido em 1989 com «O Clube dos Poetas Mortos» e anos depois com «The Truman Show», analisa aqui os limites da resistência humana. Sobretudo anímica e psicológica, diferentemente do que poderíamos supor.


O argumento baseia-se na experiência de um polaco – Slavomir Rawicz – que publicou um livro a relatar a sua fuga memorável de um campo de concentração na Sibéria, em 1940. O título dessa obra, «The Long Walk: The True Story of a Trek to Freedom»(2), foi um sucesso editorial rotundo, embora esteja por apurar a fronteira entre os factos e algum possível exagero. Ainda assim, é notável alguém sair vivo de uma prisão soviética e, a seguir, sobreviver a sete mil kilómetros, entre a Rússia profunda, no Inverno profundo, e a Índia, atravessando cinco países hostis.

A paisagem percorrida, apesar de fascinante, não podia ser mais inóspita. Ali, a beleza estéril, de horizontes gigantescos, tinha a face terrível do reino da morte. Depois da violência dos guardas soviéticos, é o pior inimigo a enfrentar. Weir não faz concessões e o filme corre num registo próximo do documentário, onde nem a fotografia lindíssima alivia a pressão enorme e os perigos infindáveis que espreitam os pobres fugitivos.


A primeira invulgaridade do filme consiste em expor o terror bolchevique e o rasto de destruição deixado pelo comunismo, em todas as latitudes onde se impôs. Sim, estamos habituados a ver diabolizar (aliás, com bons motivos) o nazismo. Mas não o sovietismo. Menos ainda durante a II Guerra, onde o alinhamento com os Aliados e a ferocidade do ataque germânico parecem ter oferecido razões de sobra para branquear todos os excessos sanguinários de Estaline. Equivalentes aos de Hitler. Como se o povo russo não tivesse sido a primeira e a maior vítima dos Bolcheviques (cujas atrocidades não começam nem acabam com Estaline), bem antes das tropas do Führer invadirem o seu país, na célebre Operação Barbarrossa.


Além da ânsia incontível de liberdade, o mentor do grupo de desertores é também instigado pela sua bondade natural: voltar a casa para dizer à mulher que lhe perdoa a sua estranha denúncia, obtida sob tortura. O rol de calúnias que ela assinara, condenara-o a vinte anos de reclusão na Sibéria. É impressionante esse início da película, na escuridão tenebrosa de um gabinete prisional dos novos ocupantes da Polónia, onde se cruzam olhares que dizem tudo: no esgar predador e implacável do militar russo, que nunca perde a compostura, nos olhos marejados de lágrimas de arrependimento e humilhação na delatora manietada, ou no olhar estupefacto e depois enraivecido do acusado num processo fantoche. Impera a mentira, cunho inequívoco do mal à solta. É a hora das trevas.

Um crítico de cinema compara este filme à trilogia do Senhor dos Anéis, quer pela força da natureza, erguendo-se como personagem autónoma, quer pela presença intensa do mal, assumindo contornos de uma personagem a orquestrar na sombra. De modo mais subtil e sóbrio (e humilde), também o bem encontra expressão, sobretudo em momentos de pessoas –gestos, olhares, actos– e em acontecimentos aparentemente menores. Nada, em ninguém, está dado por adquirido, enquanto houver vida. Há, de certo modo, uma imprevisibilidade no bem, inteiramente desconhecida ao mal, muito mecânico no seu trilho devastador, até à morte. Daí a criatividade insuspeita do bem, que precisa de tempo para emergir e vencer. O imediato costuma ser o horizonte de afirmação do mal, sempre que surgem circunstâncias favoráveis. Mas é-lhe difícil resistir à passagem do tempo. Vem isto a propósito do pequeno grupo de fugitivos, onde se reúne o oportunismo de uns, o cinismo de outros, o idealismo de poucos, a insensatez de alguns, a combatividade e a coragem de todos. Também em todos, naturalmente em doses diferenciadas: alguma maldade, muita bondade e um enorme gosto pela vida! A revelar-se nas ocasiões menos expectáveis, nas pessoas menos esperadas… Porque a sobrevivência de cada um passou a depender, ao milímetro, do bando de bravos que se atrevera a escapar da prisão. Sem mais afinidades do que essa corrida conjunta a furar as camadas de arame farpado que murava a sua masmorra. 

É dos segredos do filme esta riqueza de cambiantes incríveis do ser humano, multifacetado. Isso é notório logo no desfile de personalidades marcantes que se acotovelam nos dormitórios infectos do cárcere siberiano. Tudo ali parece negativo, a começar pela temperatura, de -40º C. Nos guardas percebe-se quanto o medo excessivo lhes tolda o raciocínio, transformando o mais manso dos homens numa fera temível. Basta armá-lo. Um dos prisioneiros, de aspecto muito correcto, subsistia espiritualmente (nas palavras dele!) à custa do ânimo revigorante dos prisioneiros mais novos e voluntariosos. Um autêntico parasita psicológico, vendedor de sonhos em que não tinha coragem para acreditar. Outro dos veteranos da prisão, um estrangeiro destemido, desafiava a ordem prisional, apenas pelas suas atitudes atípicas. Deixava os guardas, literalmente, à beira de um ataque de nervos, enquanto ele se mantinha imperturbável, na sua fleuma altiva e intimidante.

A frágil articulação entre os sete foragidos, a procurarem abrigo nas tempestades geladas da Sibéria, explora os paradoxos extraordinários do ser humano, forçados a entender-se e a superar óbvios ressentimentos. A rasar o impossível. Só que o impossível tornou-se um desafio diário, ao longo de um ano e tal de fuga por entre desertos de neve ou de dunas escaldantes. Himalayas incluídos.
  
Quem diria que o mais respeitador da hierarquia seria o ladrão do grupo (o único com cadastro justo), capaz de matar por puro capricho? Inseparável da sua navalha, a que carinhosamente chamava de «loba» (desenho gravado na lâmina), usava-a como extensão natural da mão direita, sem pejos. Quem diria que se revelaria também o mais sentimental, incapaz de abandonar a pátria, apesar de o cadastro o condenar à clandestinidade, igual a um sem-abrigo? Seria ainda dos melhores psicólogos do grupo, especialista em detectar o mal, descortinando os crimes alheios mais remotos. A má vida ensinara-lhe a reconhecer as marcas indeléveis que o erro deixa inscritas na pessoa. Muito curioso.


Quem diria que o mais generoso e idealista seria a escolha unânime para chefe? Que o seu desvelo paternalista seria tão apreciado para comandar uma missão temerária contra as forças da natureza?

Quem diria que o cínico por excelência era, afinal, dos leais e profundos, muito arreigado à realidade (no fundo, à verdade)? Era também o outro grande psicólogo do pequeno grupo: um americano mais velho, de olhar glacial, hiper desconfiado, que se fazia tratar pelo título, sem primeiro nome: «Mister Smith». Fora o tal valente que afrontara a ordem prisional.

Pesavam-lhe desgostos e falhas, que não perdoava a si próprio


Previsível e interessante foi o efeito benigno da chegada de um elemento feminino: uma polaca já com muito passado, apesar da pouca idade, e uma tenacidade invulgar – Irene. Tornou-se o elo de ligação espontâneo entre todos, quebrando o muro de silêncio em que os homens se tinham entrincheirado, por precaução e falta de interesse mútuo. Um puro equívoco, que Irene desfez habilmente, reaproximando-os uns dos outros. Humanizando a relação paupérrima que tinham instaurado, cingindo-se aos actos de subsistência básicos. Tinham-se habituado a funcionar com modos rudes, tensos e dessintonizados. Por qualquer minudência pegavam-se… Valia a autoridade natural que todos reconheciam no polaco, em especial o cadastrado russo que, embora indomável e individualista, percebia como ninguém a importância da liderança num grupo.

À medida que escapam ao frio, depois ao calor tórrido e, pior ainda, à sede horrenda num deserto sem fim, vemos desvendarem-se perfis humanos enriquecidos, capazes de uma amizade mais transparente e leal, com um relacionamento que o tempo ajudou a purificar, em nome da sobrevivência física e da sanidade mental. Os perigos superados em conjunto depuraram o seu olhar e a sua vontade. Tudo se tornou frontal, cristalino, sem subterfúgios nem zonas cinzentas. Porque nada como a proximidade da morte para dissipar dúvidas sobre o rumo da vida, quando é a vida o que se procura. Paradoxal? Só na aparência… 




Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1) FICHA TÉCNICA

Título original:
THE WAY BACK
Título traduzido em Portugal:
RUMO À LIBERDADE  

Realização:
Peter Weir
Argumento:
Peter Weir e Keith Clarke
Produzido por:
Joni Levin, Peter Weir, Duncan Henderson and Nigel Sinclair
Fotografia:
Russell Boyd
Banda Sonora:
Burkhard von Dallwitz
Duração:
133 min.
Ano:      
2010
País:
EUA

        Elenco:

Jim Sturgess  (o polaco, Janusz)
Ed Harris        (o americano)
Collin Farrell  (Valka, o cadastrado russo)
Dragos Bukur  (Zoran, um dos fugitivos)
Saoirse Ronan (Irena)
Sally Edwards (mulher de Janusz),
Zahary Baharov (o terrível inquisidor russo),
etc.
Local das filmagens:
ÍNDIA : Darjeeling, West Bengal.
MARROCOS: Erfoud, Ouarzazate,
BULGÁRIA: Sofia, Vakarel e New Boyana Film Studios.
AUSTRÁLIA: Sydney, New South Wales.

 

Site oficial:

http:// http://www.thewaybackthemovie.com/


 (2)  Editado em Portugal pelas edições ASA, com o título «A Longa Caminhada». 


14 agosto 2011

Domingo ....... Se Fores à Missa!


Às vezes pasmo com os Evangelhos que leio! Este é um deles .... leiam-no (é curto) e digam-me lá se “é da minha vista” ou se este evangelho não vos parece muito pouco cristão!  Então Cristo, quando veio, não veio para salvar todos? O sol, quando nasce, não nasce para todos ? Na leitura, Jesus diz claramente que só veio para salvar os filhos de Israel, a descendência de Abraão e vai mais longe: chama “filhos” aos  descendentes de Abraão e “cachorros” aos outros. Confesso que fiquei indignada.  Ensinamos aos nossos filhos que todos devem ser iguais, todos são filhos de Deus, que devemos lutar pela justiça e pela igualdade de direitos, credos e oportunidades, que o bem deve prevalecer sobre o mal, que Cristo é amor, amor incondicional por cada um de nós indiscriminadamente, etc.. etc... e de repente surge esta leitura para nos trocar as voltas? Não sei, não entendo.  Vou estar com muita atenção na homilia de hoje para tentar ver alguma luz nesta leitura tão cinzenta.

A única explicação plausível seria a de fazer sobressair a fé daquela mulher que continua a insistir e a acreditar no poder de Cristo, mesmo depois de ele recusar a ajuda. Dela, podemos tirar a mensagem de que quanto maior a nossa fé, maior será o nosso conforto nos momentos de aflição.

Domingo, Se Fores à Missa ...... Tem Fé !

MAF


Evangelho segundo S. Mateus 15,21-28.

Naqueles dias, Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon. Então, uma cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio.» Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra.
Os discípulos aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: «Despacha-a, porque ela persegue-nos com os seus gritos.»  Jesus replicou: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.»
Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.» Ele respondeu-lhe: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros.»  Retorquiu ela: «É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.» Então, Jesus respondeu-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas.» E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada.

13 agosto 2011

Pensamento impensado

A simpática colaboradora/comentadora PCP referindo-se aos meus escritos disse que eu era um poço sem fundo, uma verdadeira fonte inesgotável. Saberá o que é a angústia de ver aproximar-se o dia da entrega dos "Pensamentos Impensados" e não ter imaginação?

Já Eça de Queiroz, numa carta a Pinheiro Chagas, e a propósito dos escritos a que se tinha comprometido dizia:eu conheço a situação, é medonha, e mais adiante não podendo arrancar uma só ideia útil do crânio, do peito ou do ventre...Mas se eu quiser comparar-me com os meus "colegas" criadores, vejo que ganho por larga maioria.

Eu escrevi cerca de 500 piadas/patetices; fixem bem: 500. Camilo Castelo Branco escreveu apenas 80 obras; o compositor Haydn "apenas" 104 sinfonias (além de outras coisas). Eu, se me quiser considerar camisola amarela, atiro para o carro vassoura Bizet e Leoncavallo. O 1º, que eu saiba, compôs uma ópera, Carmen, e umas Arleasiennes.

(se alguém se lembrar de mais alguma composição significativa, peço o favor de me informar).

Leoncavallo, compôs uma ópera, os Palhaços, e uma composição menor, a Matinata; também compôs uma ópera a Boémia (ou Boémios) que não deve ter sido apresentada sequer meia dúzia de vezes. (se alguém se lembrar, etc.). A rilhar os dentes, tenho de reconhecer que as óperas citadas são geniais, universais e intemporais.

SdB (I)

PS-Já é tempo de falar a´sério: porque é que dois compositores geniais produziram tão pouco?

12 agosto 2011

Ponto de Vírgula

Um dos momentos mais deliciosos de uma boa refeição é a vinda desses pequenos manjares de sobremesa que costumam servir com o café. Trufas de chocolate, ginjas caramelizadas, pastas com ou sem amêndoas, mil folhas de laranjas cristalizadas...; não existe um final mais apropriado para um menu do que estes deliciosos bocados, que, como a seguir descobriremos, também têm o seu segredo, a sua pequena infâmia.

in Pequenas Infâmias, Carmen Posadas 



Mini - Queijadas de Sintra

Ingredientes:

250g de farinha
1 colher (sopa) de óleo
sal e água qb

Coloque a farinha em cima da pedra, junte o sal e o óleo, vá adicionando a água aos poucos, a quantidade é a que for necessária para que a massa fique macia, mas que se possa manejar sem pegar. Quando pronta, deixe repousar cerca de 10 m

Entretanto, faz-se o recheio:

400g de queijo fresco
350g de açucar
4 ou 5 gemas (depende do tamanho)
2 colheres (sopa) de farinha
1 colher (café) de canela

Peneira-se o queijo, juntam-se o resto dos ingredientes e bate-se tudo muito bem.

Estende-se a massa muito fininha e coloca-se nas formas. Deve dar-se 4 golpes na massa e sobrepor-se os bordos (para formarem uma espécie de caixa). Depois deita-se o recheio e leva-se ao forno bem quente, durante 15 minutos. Quando se retiram do forno desenformam-se em cima do balcão, com o recheio virado para baixo (forra-se com papel vegetal).

MFM

11 agosto 2011

Deixa-me rir...

Caros audiophiles, several Portuguese friends have contacted me this week to check that I am safe amid the street riots happening in London and now in other cities. Well, my little ghetto community so far is unharmed. The news pictures have been shocking, The media have exaggerated the problem, but the areas affected have no doubt been physically and emotionally battered and abused by a senseless ignorant minority. A minority in numbers, and it seems, minority in age involving children as young as eleven years.

I believe this situation will end very quickly. Not only because of a much larger police presence in the streets, not only because of the threat and determination by government to catch and to convict the crminals, but most importantly because of the loud condemnation expressed by all sides within these local multicultural communities.

Whatever the reasons for this unexpected rebellion - and it is interesting to note the power of social media technology such as Facebook and Twitter to incite and unite groups of people - the targets of this violence suggest that it is nothing to do with racism or anti-police hatred or the shooting by police of a drug dealer. Even if these reasons are a catalyst, what is the connection with destroying indiscriminately the homes and cars and shops of innocent people in their own communities? Yes, the police have been attacked but only because they were obliged to be there. But it seems that most people have been more interested in stealing TVs and computers and clothes and alcohol. This surely is opportunistic by a majority of people following the lead of a few instigators. Including many schoolchildren on summer holidays with nothing much to do and thinking it might be fun to join in.

The next few days and weeks should clarify how and why this happened. And of course there will be deeper questions asked. About education, about parents' guidance, about social responsibility and respect.



From an earlier era of great civil and social rebellion in the late 60s/early 70s, a song about how children and parents can learn from eavh other:



A proxima.
PO

10 agosto 2011

sinfonia nº 3, de henryk górecki


esta tarde,
deitei-me sobre a chaise longue,
e escutei um mundo,
inteirinho,
dentro de um búzio.
 
o lamento de uma mãe
e a esperança de uma filha,
escrevendo as suas últimas palavras,
luminosas e exaltantes,
a partir de uma cela da gestapo.
 
as lágrimas que me partiram
são as mesmas que, por alquimia,
me obrigam agora a escrever,
ou melhor, a dar testemunho.
 
nunca se regressa igual de certas coisas.
da beleza dorida e metafísica, seguramente que não.
entre nós e as palavras, o nosso dever falar.*

 
gi.
 
* verso de mário cesariny

09 agosto 2011

Duas Últimas

Volto hoje às minhas lembranças de juventude com esta música do John Denver que fez parte de um filme tristíssimo com o mesmo nome e de que só me lembro exactamente que era tristíssimo e da música.

Como o título indica, a música fala do sol e da sua luz e este é o tema a que eu me queria hoje referir. Talvez pelo facto de as minhas férias terem beneficiado pouco do sol e, regressado a África, o ter vindo encontrar em todo o seu esplendor. A mim nada me dispõe melhor do que um dia de sol e não tenho dúvidas sobre a benéfica influência dos raios solares no comportamento dos seres humanos (e também de todos os outros seres vivos). A regra é que os povos alegres dispõem de sol em abundância e que os povos tristes e macambúzios não. A excepção é o povo português, ensolarado, porém reconhecidamente triste, saudoso e queixoso. Ou seja, temos o benefício do sol e somos tão felizes como qualquer finlandês que o não tem.

Será que algum Governo pode transformar um povo triste, num povo alegre? Não será com certeza com a oferta de melhores condições económicas e sociais, se não os alemães seriam alegríssimos e os africanos tristíssimos, o que não é obviamente o caso. Será sequer o objectivo de qualquer Governo transformar a tristeza na alegria? Se não é, devia ser. Nós, o sol temos, já só nos falta a alegria.


JdC


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