12 dezembro 2015

Pensamentos impensados

À venda na livraria Ferin


Apetites
Ambrósio, apetecia-me beber álcool.
Compreendo, senhora, quer álcool puro ou desnaturado?

Dieta
Os guarda-redes devem abster-se de comer frangos.

Descontos
Nas declarações em que há uma rubrica "pessoas a cargo" posso incluir os deputados?

Justiça
Dose e meia dose são medidas de colação.

Lá vai o Ziê
Na Assembleia da República nada se perde nem nada se cria, tudo se desinforma.

Músicas
Quando era precisa uma violoncelista, a Guilhermina surgia.

Primazias
A mulher de Cavaco Silva, por alcunha primeira dama, nunca foi a Itália para não lhe chamarem prima donna.

Sem fim à vista
O Mundo só acaba quando os políticos cumprirem o prometido. Deus dá sempre oportunidades.

SdB (I)

11 dezembro 2015

Da esperança (post dedicado ao A.)

Apanho do Mia Couto uma frase interessante, que confirma a ideia de que a esperança é (ou pode ser) o mais frágil dos sentimentos. Diz o escritor moçambicano: A esperança não é a última a morrer ainda que possa ser a primeira a matar-nos

Esta semana, mantendo uma tradição que me dá gosto, escrevi aos profissionais e voluntários da Acreditar: agradeço-lhes tudo o que fazem e desejo-lhes um Santo Natal. Todos eles, por esta altura, confrontam-se ainda mais com gente cuja sensibilidade está à flor da pele: famílias que passam o Natal fora de casa à vista de um hospital; famílias que passam um Natal amputado de quem já partiu ou com quem tem um fim anunciado; famílias que transbordam de alegria por um sufoco que desapareceu. Todas elas foram visitadas pela esperança que é a última a morrer, mas também pela esperança que é a primeira a matar-nos. E o Natal, no que parece ser uma crueza do destino, amplia tudo isto. 

Hoje, pessoa de quem sou amigo receberá, espera-se, uma boa notícia. Não sei se já tinha desesperado e se manteve estoicamente (numa referência a Séneca, mais abaixo) no lugar que lhe coube, ou se manteve a esperança de uma folha de papel onde frases formais e sem criatividade transformam um deserto num oásis. Outros, à mesma hora, no mesmo dia, numa simultaneidade metafórica, não recebem nada, ou recebem a confirmação de um fim. A mesma esperança que não morre ou que é a primeira a matar-nos, porque a desesperança é de uma facilidade que incomoda.

Esta semana jantei com um casal de amigos (o itálico é porque ela é uma amizade muito recente e a ele conheci-o naquele dia). São ambos viúvos, tendo juntado na mesma casa crianças pequenas que têm um elo potencialmente mais forte que o sangue: passaram todas pelo desgosto violentamente prematuro da perda de um progenitor. Falámos da dificuldade da vida, das soluções ou das estratégias que amenizam os desencontros e as agruras. Ele falou em gratidão: agradecermos o que temos, o que nos dão, o que recebemos, e também o que somos. A esperança também se alimenta disto, do que já existe e que é combustível para andar, não para queimar, porque tudo o resto é uma interrogação.

Que não nos falte a esperança que se alimenta da gratidão, essa palavra tão luminosa.

JdB

Um destes dias ao fim da tarde, de iPhone na mão

O Temor Combate-se com a Esperança

Não haverá razão para viver, nem termo para as nossas misérias, se fôr mister temer tudo quanto seja temível. Neste ponto, põe em acção a tua prudência; mercê da animosidade de espírito, repele inclusive o temor que te acomete de cara descoberta. Pelo menos, combate uma fraqueza com outra: tempera o receio com a esperança. Por certo que possa ser qualquer um dos riscos que tememos, é ainda mais certo que os nossos temores se apaziguam, quando as nossas esperanças nos enganam. 

Estabelece equilíbrio, pois, entre a esperança e o temor; sempre que houver completa incerteza, inclina a balança em teu favor: crê no que te agrada. Mesmo que o temor reuna maior número de sufrágios, inclina-a sempre para o lado da esperança; deixa de afligir o coração, e figura-te, sem cessar, que a maior parte dos mortais, sem ser afectada, sem se ver seriamente ameaçada por mal algum, vive em permanente e confusa agitação. É que nenhum conserva o governo de si mesmo: deixa-se levar pelos impulsos, e não mantém o seu temor dentro de limites razoáveis. Nenhum diz:

- Autoridade vã, espírito vão: ou inventou, ou lho contaram. 

Flutuamos ao mínimo sopro. De circunstâncias duvidosas, fazemos certezas que nos aterrorizam. Como a justa medida não é do nosso feitio, instantaneamente uma inquietude se converte em medo. 

Séneca, in 'Dos Reveses'


09 dezembro 2015

Das estratégias fabris


No meu post de 2ªf abordei uma técnica relacionada com recursos humanos que aprendi nas minhas actividades de empregado fabril. Estes últimos tempos, por motivos que não vêm ao caso, tenho falado de Qualidade. Curiosamente, numa ronda por relógios velhos que estavam dentro de uma caixa, deparei-me com um exemplar, oferecido pela multinacional que me empregou, a comemorar o sucesso do SIG - Sistema Integrado de Gestão (para o qual dei um contributo de que me orgulho) que juntava as vertentes certificadas da Qualidade, Ambiente e Segurança. Por último, um destes dias encontro referência ao livro acima. Não o li, mas depreendo que estará muito relacionado com uma técnica chamada 5S (criada por japoneses, é claro, e muito utilizada na fábrica onde trabalhei) que ajuda a arrumar espaços de trabalho, desde um simples gabinete até uma zona fabril cheia de máquinas, paletes, pessoas e empilhadores em circulação. Uma técnica identificada por uma frase simples: um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar.  

Sou revisitado ultimamente por temas fabris. Ainda que seja um homem muito dado aos sinais, não encontro nas coincidências referidas no parágrafo anterior nenhuma mensagem subliminar: não é provável que volte a trabalhar em full-time numa fábrica. E no entanto acho curioso encontrar cruzamentos entre técnicas usadas num ambiente fabril - Qualidade, arrumação, recursos humanos - e a vida corriqueira de cada um de nós. Basta pensar na importância que as Normas ISO dão à correcção das não conformidades, à utilização das acções imediatas ou das acções correctivas e perceber que isso se aplica em tantos aspectos do nosso dia-a-dia. Ou imaginar que arrumar uma casa é sinal de arrumar uma vida. E tantos outros que o respeito pelo precioso tempo dos meus ainda fiéis leitores me impede de elencar.

Uma fábrica pode ser, curiosamente, muito mais do que um local onde se transformam matérias primas e materiais de embalagem em produtos acabados prontos para comercialização. Uma fábrica pode ser a replicação de uma vida que se vive sozinha ou em conjunto com pessoas diferentes mas que deveriam trabalhar para o mesmo fim. Uma fábrica é um cosmos próprio onde se assistem a lutas de poder, se criam estratégias de negociação, se estabelecem objectivos ou se definem necessidades de formação para enriquecimento dos seus colaboradores. Muitos relacionamentos de amigos / casais / famílias teriam a aprender com uma visita a uma fábrica e com as estratégias que aí são utilizadas para a tornar mais eficiente - isto é, mais perfeita.  

JdB

08 dezembro 2015

Duas Últimas para a Solenidade da Imaculada Conceição

A Imaculada Conceição dos Veneráveis (~1678, Murillo)

Consagração a Nossa Senhora

Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a Vós, e em prova da minha devoção para convosco, Vos consagro neste dia e para sempre, os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser.

E porque assim sou Vosso, ó incomparável Mãe, guardai-me e defendei-me como propriedade vossa.

Lembrai-Vos que Vos pertenço, terna Mãe, Senhora Nossa.

Ah, guardai-me e defendei-me como coisa própria Vossa 




07 dezembro 2015

Presentes para os tempos que correm



Um bom presente para o tempo do Natal, porque rir continua a ser o melhor remédio. À venda na Ferin.

Das diferenças

Ontem ao fim do dia com um iphone nas mãos


Cruzei-me com o exercício nos meus tempos de funcionário fabril de uma multinacional. Chamava-se, penso eu, Avaliação 360º. Em que consistia? Entregava-se ao chefe de um departamento um questionário para ele fazer uma espécie de auto-análise. Entregava-se um questionário semelhante - ou talvez fosse igual, não sei - aos seus colaboradores e aos seus pares para eles analisarem o seu chefe e colega. Depois comparavam-se as respostas, para avaliar quão diferentes eram. 

Lembro-me de um colega meu, homem maduro, chefe do departamento mais importante da fábrica, totalmente aparvalhado com a diferença brutal entre a opinião que ele tinha de si próprio e a opinião que os colaboradores tinham dele. Para fazer uma graça, era como se à pergunta "como avalia a sua altura?" a resposta dele fosse "acima da média" e a dos colaboradores fosse "pouco mais do que anão". A desilusão era brutal. Ele achava-se merecedor da simpatia / admiração / respeito de quem com ele trabalhava e percebeu que não era bem assim. E percebeu tarde de mais, que estava à beira da reforma. 

O exercício, em havendo total transparência, é interessante, mas potencialmente agreste. Salvam-se os que têm um conhecimento muito bom de si próprios ou aqueles que, por estratégia ou baixa auto-estima, se avaliam por baixo e são surpreendidos (ou não...) pela positiva. Os outros, como este meu colega, ficam como quem leva com um tijolo pelas ventas...

Como funciona isto na vida real, na qual não respondemos nem entregamos questionários aos nossos amigos? A forma como nos vemos corresponde à forma como nos vêem? Se sim, o que contribui para isso? É a nossa transparência? No sentido positivo, é uma certeza absoluta na correcção das nossas acções / palavras que não dá margem a interpretações erradas? E se não, o que contribui também para isso? São aspectos escondidos da nossa vida que só alguns sabem? É o desajuste entre as nossas motivações e a percepção dos outros?

O mundo seria bem mais feliz se a coincidência da auto-análise e a análise dos outros fosse quase absoluta. Mas talvez o mundo fosse menos interessante. Tudo depende do que queremos...

JdB   

06 dezembro 2015

2º Domingo do Tempo do Advento

EVANGELHO – Lc 3,1-6

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério,
quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia,
Herodes tetrarca da Galileia,
seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide
e Lisânias tetrarca de Abilene,
no pontificado de Anás e Caifás,
foi dirigida a palavra de Deus
a João, filho de Zacarias, no deserto.
E ele percorreu toda a zona do rio Jordão,
pregando um baptismo de penitência
para a remissão dos pecados,
como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías:
«Uma voz clama no deserto:
‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.
Sejam alteados todos os vales
e abatidos os montes e as colinas;
endireitem-se os caminhos tortuosos
e aplanem-se as veredas escarpadas;
e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

05 dezembro 2015

Pensamentos impensados

Novos negócios
Chineses preparam-se para vender leques à porta do Inferno.

Actuações
Tiroteio em Massamá - foi preso um presumível suspeito.

Adivinhações
Os astrólogos têm cá uma astro-lábia!

Sopinhas
Caldo entornado será um caldo feito ao torno?

Pazes
Bruxelas já está sossegada graças ao Manneken Peace.

Provações
Coletes à prova de bala, copos à prova de vinhos.

Últimas
Denunciar, boletim informativo da Nunciatura.

Pedreiros, Deus me livre
Ideias à venda numa lógica maçónica.

SdB (I)

04 dezembro 2015

Ensinamentos para os dias que correm

O Profeta

O Profeta nasceu cerca de 570 E.C. [Era Comum] - a tradição islâmica aponta a data de 20 de abril de 571 (12 de abril de Rabi I, o terceiro mês do calendário árabe, no Ano do Elefante), como a efetiva data de nascimento. De seu nome completo Muhammad bin Abdil-lah bin Abdul Muttalib bin Háxime, "Maomé" tornou-se a forma mais corrente de identificação do Profeta.

Seria filho de Abdullah e de Amina. O seu pai terá falecido pouco tempo antes do seu nascimento. Maomé terá conhecido a pobreza durante a sua infância e juventude.

Com a morte do pai, Maomé terá como tutor o seu avô paterno Abdul Muttalib, que ocupava em Meca o importante cargo de "siqáya" (serviço de distribuição pelos peregrinos da água sagrada do poço de Zamzam).

Para o Islão, Muhammad é o mais recente e último profeta do Deus de Abraão. Neste sentido, o Islão integra e identifica numa proximidade muito grande as restantes "religiões do Livro", isto é, as religiões que também se identificam com essa origem comum que é Abraão.

Para os muçulmanos, Muhammad foi precedido, no seu papel de Profeta, especialmente por Jesus, Moisés, David, Jacob, Isaac, Ismael e Abraão.

É totalmente proibida qualquer representação ou figuração de qualquer um dos Profetas do Islão.


Meca

A centralidade de Meca para o Islão é incomparável e pode sistematizar-se em vários tópicos: foi aí que nasceu o Profeta; foi aí que começaram as revelações; foi daí que teve de fugir para Medina, iniciando a Hégira; foi a esta cidade que regressou e onde estabeleceu os ritos principais do Islão.

Esta centralidade reflete-se no facto de, por apenas um curto espaço de tempo, a orientação da oração não ter sido Meca, mas sim Jerusalém. De resto, todo o atual Islão se vira cinco vezes por dia na sua direção, para dirigir a sua voz a Deus.

De Meca, o Profeta teve de fugir, iniciando assim a chamada Era Muçulmana (ou da Hégira), por onde se inicia a contagem do calendário islâmico. De facto, os meios mais abastados de Meca não reagiram de forma positiva à mensagem de Muhammad, que obrigava à dádiva, à compreensão pelo mais fraco, à prática da justiça.

Atualmente, mais de três milhões de peregrinos rumam todos os anos a Meca. Em meados dos anos 60, este número era apenas de cerca de 90 mil, o que mostra o grande e rápido incremento desta viagem espiritual no mundo muçulmano.

Meca é uma cidade totalmente orientada para a peregrinação, que, no seu auge, no 12.º mês, atinge valores nunca vistos em qualquer outro local sagrado do mundo.

As várias levas de obras, de ampliações, na Mesquita Al-Haram são imagens desse aumento de peregrinos, perfeitamente interpretado pelas autoridades da Arábia Saudita, na pessoa do "Guardião das Duas Mesquitas Sagradas", o monarca saudita. A mesquita, que pode abrigar um milhão de crentes, ficou com nove minaretes, o maior número do Islão.


A Caaba

Só aos crentes do Islão é permitido entrar dentro do recinto de Meca onde se encontra a Caaba e a fonte Zamzam. Apenas em estado de pureza se podem fazer os ritos necessários para que a peregrinação a Meca seja cumprida. Sem enfeites, sem nada que os distinga socialmente, os peregrinos percorrem os espaços sagrados de Meca, onde todos são absolutamente iguais.

O centro do mundo muçulmano é a Caaba, à letra "construção quadrada", com cerca de 12 por 10 metros e 15 de altura. Está coberta por um grande brocado preto; a porta está coberta por um pano, uma cortina, com inscrições sagradas.

Num dos cantos da Caaba encontra-se a Pedra, que marca o início da circulação em torno do recinto, "Tawaf"-

Geologicamente, tudo leva a crer que se deve tratar de um pedaço de meteorito, o que está de acordo com a tradição que diz que ela veio do Céu. Segundo essa tradição árabe, ela teria caído no Jardim do Paraíso, oferecida por Deus a Adão.

Posteriormente, foi dada pelo anjo São Gabriel a Abraão. Esta fez a "Casa", a Caaba, e criou os primeiros rituais, entre eles a peregrinação (Alcorão, sura XXII, 27-39):

«[Lembra-te] que indicámos a Abraão o local da Casa [Santa] dizendo-lhe: "Na tua adoração conserva pura a Minha Casa para os que dão as voltas, para os que se levantam para orar, para os que se inclinam e para os que se prostram. Anuncia aos homens a Peregrinação. Que venham ao teu encontro, a pé ou em camelos de carreira rápida, vindos de todas as terras afastadas."»


Medina

Situada na linha imaginária que une Meca a Jerusalém, Medina, para onde fugiu o Profeta, é a segunda cidade santa do Islão.

Foi em Medina que o Islão teve o seu berço. Foi lá que o Profeta foi aceite como membro ativo no tecido social, regulando as práticas sociais e religiosas, iniciando consistentemente uma nova religião.

Nessa época, talvez metade da população de Medina fosse judia, e uma parte considerável da terra, assim como da manufatura, estaria nas suas mãos. Os judeus ocupavam um lugar de grande relevo na vida económica da zona, e a sua prosperidade contrastava de modo flagrante com a relativa pobreza dos árabes. Parte do Alcorão é revelado ao Profeta nesta cidade (22 suras).

E aqui que o Profeta organiza a sua comunidade, o modelo por excelência do Islão, pelos séculos seguintes. Foi de MEdina que partiram os primeiros ex´cercitos para o Egito, para a Pérsia e para a Síria.

Medina tem uma das duas mesquitas que são parte integrante das funções mais importantes do monarca saudita, o "Guardião das Duas Mesquitas Sagradas": a Mesquita do Profeta.

Tal como Meca, também em Medina aumentou o número de peregrinos por ano. Nessa linha, quase contemporaneamente das obras da Mesquita Al-Haram de Meca, começaram as de Medina, que pode receber 430 mil crentes.


Jerusalém

Os muçulmanos consideram Jerusalém como uma das suas principais cidades santas, a terceira, pois foi lá, no local de uma das suas magníficas mesquitas, que o Profeta foi elevado ao Céu.

Sob domínio persa, durante vários séculos, em 638 a cidade rendia-se ao califa Omar, ainda no início do movimento islâmico. Terminava aqui o percurso da cidade antiga, lançando-se agora as primeiras pedras da cidade medieval com que o mundo cristão europeu se irá confrontar.

No virar do primeiro milénio nasceria na cristandade a ideia de cruzada, por sete vezes repetida na prática, que epifenomenicamente levaria o domínio da cidade para o lado cristão, domínio acompanhado por uma das mais longas guerras da humanidade.

Nesta cidade milenar, a Cúpula da Rocha é um dos locais mais sagrados para o Islão. Esta magnífica construção alberga, no seu interior, uma superfície livre do monte Moriá, possivelmente do espaço onde se situava o local mais sagrado do Templo Judaico, o "Santo dos Santos".

Trata-se de um santuário em forma de mausoléu, com planta octogonal, construído entre 687 e 692, pelo califa Abd Al-Malik. Este local está carregado de simbologia para os muçulmanos. O traçado da sua implantação no terreno, da sua forma geométrica, foi conseguido com um conjunto de quadrados rotativos, o que tem inúmeras implicações numerológicas.

Numa simbologia muito mais profunda para os crentes, foi neste espaço que o Profeta Muhammad ascendeu ao Céu na sua célebre "Jornada Noturna" desde Meca, montado no seu "Buraq".

Era, a início, no século VII, um local mais sagrado para os muçulmanos do que Meca ou Medina. Era na sua direção que se orava. A brilhante cúpula desta mesquita é de alumínio, revestida a ouro, e decorada com versículos alcorânicos.

O outro importante edifício para o Islão é a Mesquita de Al-Aksa, local que não pode ser compreendido sem o anterior. Esta mesquita está exatamente na linha Norte-Sul da Mesquita da Rocha. Dentro do mesmo recinto sagrado, esta mesquita é como que um acréscimo à anterior.

Foi erigida entre 707 e 709.pelo califa de Damaco, Al-Walid. Já orientada para a Caaba, esta construção foi vítima de inúmeras batalhas e motins. Trata-se de um edifício de grandes dimensões, considerado, por alguns especialistas, como a basílica originalmente construída por Justiniano, no ano de 536 E.C., em homenagem a Santa Maria, mais tarde convertida em mesquita pelos muçulmanos.


Muçulmano

"Muslim" é o particípio ativo do verbo "aslama", palavra especializada no árabe moderno no sentido de «se tornar muçulmano», «converter-se ao Islão».

É normal atribuir ao verbo "aslama" o sentido etimológico de «submissão», e dizer que "muslim" significa literalmente «submetido (a Deus)». Mas, de facto, a verdadeira etimologia da raiz implica uma diferença subtil: a raiz "slim" tem significado primordial de «ausência de contestação», derivando daqui o sentido bem conhecido da palavra "salâm", «paz», «saúde»; no hebraico, língua próxima, "shalom"; o verbo derivado "aslama" dveria significar «pôr-se de paz com» ou «fazer a paz».

Desta forma, num sentido muito mais abrangente, o muçulmano é aquele que se põe de paz com Deus, que coloca a existência de Deus e o seu poder acima de tudo.



In "Religiões - História, textos, tradições", ed. Paulinas, tirado daqui 

03 dezembro 2015

Das distâncias

René Magritte, La Reproduction interdite, 1937

Já aqui falei um dia sobre a distância com que olhamos para as coisas (sendo que coisas podem ser objectos, pessoas, associações, vidas, rostos): se nos aproximarmos muito só vemos os pormenores. Pode ser um detalhe que encanta ou um pormenor que desfeia. Num rosto é um nariz bonito, uma boca assimétrica, um sinal medonho. Numa vida é uma fotografia, não uma sequência de. Numa pessoa é uma característica, não um plano geral. Se nos afastarmos muito somos um ponto, apenas - sem dimensão, que é o zero da existência. Pode existir tudo e lá no fundo, quase esbatido contra o fio do horizonte, um ponto que não é nada: pode ser uma mosca, um carro eléctrico, uma existência sofrida. O segredo é, portanto, a distância a que observamos o nosso mundo em redor, o universo das coisas que nos importam. Não aproximar muito para não ver só o pormenor; não afastar muito, para não perder a tridimensionalidade do observável.  

Olharmos-nos (e a conjugação verbal tem relevância) é levantar um espelho à altura do rosto, se consideramos que o rosto é o melhor reflexo da alma humana. Se afastarmos muito o espelho, supondo que o nosso braço se estende até ao limite da vontade, não há nariz afilado, boca carnuda, olhos perscrutantes, testa altiva. Vemos um ponto - o que somos é uma parte do espaço sem dimensões definidas. Se aproximarmos muito o espelho só vemos o pormenor: uma criança que morre, um casal que se beija, um avião que voa. Não vemos o caminho antes e o depois: o que se fez com o drama, que causa e consequência do beijo, os pontos A e B de partida e chegada da aeronave. Colocar o espelho na dimensão correcta permite-nos tudo: ver o pormenor que define, a mancha esbatida que faz sonhar (porque uma mancha esbatida é um vestígio, mais importante do que uma prova) o que somos e a nossa circunstância. Colocar o espelho à altura certa permite ainda outra coisa: ver quem está atrás de nós, porque a superfície reflectora tem espaço para tudo. Ver quem está atrás de nós permite-nos ver os inimigos que nos apunhalam pelas costas mas, acima de tudo, discernir quem vai atrás de nós, de braço pronto para aparar a queda. 

Estes inimigos ou apoiantes devem ser lidos numa dimensão metafórica: inimigo pode ser um passado de que queremos fugir, um segredo que nos dilacera, uma borbulha que disfarçamos com creme persistente; apoiante pode ser a assunção da vida, a abertura à intimidade, o discernimento.

JdB 

02 dezembro 2015

Efemérides dos dias que correm


A Acreditar celebra este ano o seu 20º aniversário. E lançou um livro onde, como se pode ver no título, se contam vidas. 20 anos de vidas. O livro é importante - não só porque se contam vidas sofridas, mas também vidas de sucesso em crianças nas quais, como escrevi no texto de abertura, tudo é maiúsculo: a vida antecipada, a luta valente, a fragilidade que não os diminui.  

Grande parte do livro, como não podia deixar de ser, é ocupada com testemunhos. De crianças (que agora são jovens / adultos) que passaram pela Acreditar, de Pais cujos filhos passaram pela Acreditar. Esta é apenas uma parte da nossa história, porque há outra parte, igualmente importante, mas que não pode ser contada na primeira pessoa do singular, porque essas crianças já não estão entre nós. Há uma ou outra contada por um ou outro Pai; as outras imaginamo-las. E imaginá-las já é muito.

São crianças de dois anos, sete, doze, quinze. Das ilhas, do norte, do centro. Miúdos / crianças felizes, com um futuro hipotecado, lutado, vencedor, arrancado ao ambiente que é deles. "Venho por este meio contar-vos a minha história: sou o Hugo, tenho sete anos e já ando no IPO desde os meus nove meses...".

A importância do livro não está só na tomada de consciência de uma realidade que existe. A importância do livro é dupla: a relativização dos nossos problemas face a estas caminhadas tão dramáticas, exercício sempre difícil; e para aqueles que encontram a mão decisiva de Deus nos acontecimentos da sua vida, perceber que o Deus em que acreditamos não salva umas crianças para deixar outras morrer. Ou que leva umas porque gosta delas, ou porque uns Pais têm mais força anímica do que outros e Deus não dá nada que não consigamos aguentar. Acreditar nesse Deus é um contra-senso em que não embarco. E se Deus colocou o Hugo no IPO é dizerem-me, que poupo uma ida à missa no próximo Domingo.

Ler o livro da Acreditar (tal com atentar noutras realidades) é perceber a injustiça da vida. Cabe-nos minorá-la com os meios ao nosso alcance: voluntariado, ajuda financeira, atenção ao próximo, atenção ao nosso mais próximo, dar a justa dimensão aos nossos problemas. E rezar a Deus para que nos dê força para suportar tudo, para encontrarmos um sentido para os dramas e para os sucessos. Porque também para as grandes alegrias se impõe a pergunta: "o que faço eu com isto?" 

JdB


01 dezembro 2015

Duas Últimas

Foram os GNR que deram a conhecer Isabel Silvestre às grandes audiências, quando em 1992 foi convidada a co-interpretar com Rui Reininho a música “Pronúncia do Norte”, do álbum daquele grupo de nome “Rock in Rio Douro”. E como ela valorizou essa música!

Isabel Silvestre é natural de Manhouce, pequena freguesia do concelho de S. Pedro do Sul (distrito de Viseu). Aí foi professora primária e presidente de junta de freguesia. Dinamizou o grupo de cantares local e tem dado por essa via um excelente contributo à música popular portuguesa. Não me admira que se tenha feito notada.

Gosto da sua figura, da sua voz e do seu respeito pelas tradições musicais portuguesas. Ouçam o seu último álbum, saído há bem pouco, “Cânticos da terra e da vida”, e não se arrependerão. 

Espero que apreciem a escolha.


fq


30 novembro 2015

Nos 80 anos da morte de Fernando Pessoa

O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. 
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Vai um gin do Peter’s?

Conhece o Museu Regional de Beja? 

Um link muito feliz oferece uma visita virtual àquele monumento que, no século XIX, passou para o Real Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição. Esse antigo mosteiro, datado do século XV, tinha sido mandado construir pelos primeiros Duques de Beja – D. Fernando e D. Beatriz – junto ao palácio ducal. Os Duque serão talvez mais conhecidos por dois dos seus filhos, que se notabilizaram como soberanos, numa época memorável da história de Portugal: a Rainha D. Leonor  (mulher de D. João II ) e o Rei D. Manuel I. Daí que o Museu mantenha dois nomes:  M. Rainha D. Leonor e M. Regional de Beja. 

Compreensivelmente, o convento onde está instalado inclui uma igreja, que é especialmente bonita. Forrada de lambris de azulejos e pinturas murais a revestir os tectos e a parte superior das paredes, consegue um ambiente acolhedor e festivo, em simultâneo:


A história do monumento vem bem descrita no portal(1), transcrevendo-se apenas a parte que completa a visita guiada às imagens mostradas no link:

Convento da Conceição

Do espaço primitivo fazem parte a Igreja, o Claustro e a Sala do Capítulo. Do seu aspecto geral ainda hoje subsistem algumas influências do tardo-gótico em Portugal, nomeadamente o portal gótico flamejante da igreja, as janelas de duplo arco tipicamente mudejar e a platibanda rendilhada, que revelam uma importante transição para o Manuelino.


Entra-se pela Igreja a partir do Coro Baixo, no qual se salienta um pequeno túmulo, de estilo gótico-flamejante, da primeira abadessa do Convento, D. Uganda.

A Igreja, de uma só nave, encontra-se revestida de  talha dourada dos séculos XVII e XVIII.

Do lado direito podem observar-se dois altares do séc. XVIII dedicados, a S. Cristóvão e a S. Bento, um altar do séc. XVII dedicado a S. João Evangelista e, finalmente, um outro altar, em mármore florentino, dedicado a S. João Baptista, da autoria de José Ramalho  (ano de 1695).

No topo da Nave encontra-se a capela mor, ornamentada a talha dourada dos séculos XVII e XVIII. Desta fazem parte as colunas salomónicas, abóbada de berço e majestoso trono.

Do lado do Evangelho avulta o túmulo em mármore de D. Fernando e seu filho D. Diogo, e observam-se três painéis de azulejos portugueses datados de 1741, representando cenas do nascimento, vida e morte de S. João Baptista. Era pelo lado do Evangelho (em obediência às regras da ordem franciscana), que se fazia a entrada na Igreja, através de um portal gótico flamejante.  (…)

Nas quatro galerias que se situam no claustro, as paredes encontram-se revestidas, até meia altura, por azulejos portugueses do séc. XVII , onde predominam os motivos vegetalistas (maçaroca de milho, etc.), e pequenos painéis encaixilhados, a avulso, ou por azulejos sevilhanos de xadrez do séc. XVI.


Noutras salas predominam os azulejos hispano-árabes quinhentistas do tipo de aresta, com composições geométricas de motivos vegetais (preferência muçulmana), que formam um dos conjuntos cerâmicos mais importantes do país.


Os motivos manuelinos também abundam, nomeadamente nos arcos dos pórticos. 


Com a rede de autoestradas que hoje há, a ida à capital do Baixo Alentejo é um programa muito exequível. Fica a sugestão, para quem queira e possa aproveitar as vantagens de explorar as riquezas de um país com enorme diversidade e distâncias muito confortáveis.

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

***
 (1) http://www.museuregionaldebeja.pt/

http://www.museuregionaldebeja.pt/?page_id=22


O Real Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição foi fundado na segunda metade do século XV pelos Infantes D. Fernando, primeiro duque de Beja, e sua mulher, D. Beatriz, pais da rainha D. Leonor e do futuro rei D. Manuel I.
Construído a partir de um pequeno retiro de freiras contíguo ao palácio dos Infantes, o Convento de Conceição pertencia à ordem de Santa Clara e encontrava-se sob jurisdição franciscana.

Do seu aspecto geral ainda hoje subsistem algumas influências do tardo-gótico em Portugal, nomeadamente o portal gótico flamejante da igreja, as janelas de duplo arco tipicamente mudejar e a platibanda rendilhada, que revelam uma importante transição para o Manuelino.

Do espaço primitivo fazem parte a Igreja, o Claustro e a Sala do Capítulo.

Entra-se pela Igreja a partir do Côro Baixo, no qual se salienta um pequeno túmulo, de estilo gótico-flamejante, da primeira abadessa do Convento, D. Uganda.

A Igreja, de uma só nave, encontra-se revestida de  talha dourada dos séculos XVII e XVIII.

Do lado direito podem observar-se dois altares do séc. XVIII dedicados, a S. Cristovão e a S. Bento, um altar do séc. XVII dedicado a S. João Evangelista e, finalmente, um outro altar, em mármore florentino, dedicado a S. João Baptista, da autoria de José Ramalho  (ano de 1695).


No topo da Nave encontra-se a capela mor, ornamentada a talha dourada dos séculos XVII e XVIII. Desta fazem parte as colunas salomónicas, abóbada de berço e majestoso trono.
Do lado do Evangelho avulta o túmulo em mármore de D. Fernando e seu filho D. Diogo, e observam-se três painéis de azulejos portugueses datados de 1741, representando cenas do nascimento, vida e morte de S. João Baptista. Era pelo lado do Evangelho (em obediência às regras da ordem franciscana), que se fazia a entrada na Igreja, através de um portal gótico flamejante.
O claustro, que conserva a planta original da última metade do séc. XV, testemunha o cruzamento de diferentes manifestações artísticas através dos tempos. É composto por quatro galerias: A quadra de S. João Baptista, a quadra da Portaria, a quadra de S. João Evangelista, e a quadra de Nossa Senhora do Rosário.
Na quadra de  S. João Baptista as paredes encontram-se ornamentadas por azulejos portugueses do século XVII, onde predominam os motivos vegetalistas (maçaroca de milho, etc.), e pequenos painéis encaixilhados, a avulso, dedicados a S. João Baptista. Na quadra pode observar-se a capela de S. João Baptista, de tradição clássico maneirista, datada de 1614. Do lado direito encontram-se as capelas de S. Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Desterro, obra maneirista datada de 1567.



Na quadra da Portaria, através da qual se fazia a antiga entrada para o convento, as paredes encontram-se revestidas, até meia altura, por azulejos portugueses do séc. XVII.
Na quadra de S. João Evangelista as paredes estão totalmente revestidas por azulejos sevilhanos de xadrez do séc. XVI. Num dos topos da quadra encontra-se a capela dedicada a S. João Evangelista, datada de 1601, igualmente de estilo clássico-maneirista. No topo oposto salienta-se o portal manuelino que dava acesso ao antigo refeitório do convento.
Finalmente, na quadra do Rosário, as paredes encontram-se revestidas até meia altura por azulejos portugueses do séc. XVII. Era por esta quadra que se estabelecia o contacto entre o Claustro e a Igreja, como testemunha a roda de comunicação aqui existente. Neste espaço pode observar-se uma colecção de arqueologia romana constituída por aras, cipos, capitéis, estatuária, cerâmica e pintura a fresco.
Entra-se para a Sala do Capítulo através de um pórtico gótico do tempo de  D. João II. Este espaço de planta quadrangular apresenta abóbada de aresta totalmente revestida a pintura a têmpera do séc. XVIII. 


A sala encontra-se, até meia altura e sobre os bancos, forrada de azulejos hispano-árabes quinhentistas do tipo de aresta. Os painéis de azulejos, que formam padrões de desenhos coloridos, de composição geométrica e vegetalista, constituem um dos conjuntos cerâmicos deste género mais importante em Portugal. 
Acima dos painéis de azulejos observam-se pinturas a têmpera semicirculares alusivas à temática religiosa (S. João Baptista, S. João Evangelista, S. Sebastião, Santa Clara, S. Francisco de Assis). 
A sala dos Brasões, antigo espaço do Convento  totalmente remodelado, encerra uma importante colecção de brasões e lajes tumulares. Registe-se ainda  a presença do antigo passadiço (reconstituição a partir de uma parte original), que ligava o Convento ao Palácio dos fundadores (D. Fernando e D. Beatriz). 
Fazem parte do actual edifício, cuja construção data de meados do século XX, as salas de pintura onde actualmente se encontra exposta a colecção do museu, que abarca um período balizado entre os séculos XV e XVIII. De meados do século XX é também a secção do primeiro andar, onde se encontra a exposição arqueológica de Fernando Nunes Ribeiro.

29 novembro 2015

1º Domingo do Tempo do Advento

EVANGELHO – Lc 21,25-28.34-36

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas
e, na terra, angústia entre as nações,
aterradas com o rugido e a agitação do mar.
Os homens morrerão de pavor,
na expectativa do que vai suceder ao universo,
pois as forças celestes serão abaladas.
Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem,
com grande poder e glória.
Quando estas coisas começarem a acontecer,
erguei-vos e levantai a cabeça,
porque a vossa libertação está próxima.
Tende cuidado convosco,
não suceda que os vossos corações se tornem pesados
pela intemperança, a embriaguês e as preocupações da vida,
e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha,
pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra.
Portanto, vigiai e orai em todo o tempo,
para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer
e comparecer diante do Filho do homem».

28 novembro 2015

Pensamentos impensados

Uote-se inaneime
Malaposta - Localidade não propícia ao preenchimento de boletins do Euromilhões.

Funções PR
Os dedos dos pés serão válidos para indigitar?

Partidos e rachados
O Comunismo nunca vingou entre os Esquimós: não sabiam o que era Capital, não sabiam o que eram operários e camponeses, nem sabiam para que serviam a foice e o martelo.

Crescei e multiplicai-vos
Os chineses já podem ter o segundo filho; no entanto, ainda não podem ler a Vida Sexual dos Micróbios.

Edis, ardis
Quem boa Câmara fizer, nela se há-de deleitar.

Dez portos
Haverá desafios  de boxe amigaveis?

Obra póstuma
Descoberto manuscrito de Aquilino Ribeiro: Quando os Lobos Zurram (gostava de saber a opinião do Partido PAN).

Deputadices
Deputados promovem ditado popular: Aldrabe-se o burro à vontade do dono.

SdB (I)

27 novembro 2015

Música para o dia de ontem *




Brilha o sol, Hercules chegou
Passou por aqui e muita gente encantou
Ele é bom, faz parar o show
Ele é o melhor e muitos monstros derrotou
Veio do nada (zero, zero)
P'ra combatê-los
E vencê-los!!
Chegou aqui para conquistar!!
De zero a herói, sem h esitar . 
De zero a herói, já cá está.
E ao passar faz suspirar com dúúzias
E na mão de alguém, vai num vai e ve m ,
(isso nãão se faz)
E moedas faz chover aqui
Nas lutas ganha beem
Tão novo, rico e forte
Não depende não deve a ninguém (uhuh)
Diz ámen, lá vem outra vez
Doce e invencível,
Vai ganhando de dez em dez
Já lançou, um boneco igual
Vai continuar para o bem e para o mal
E lá vem ele (lutar de novo)
Tem a apoiá-lo todo povo
Tem mais coragem que ninguém
De zero a heróói (o maior rei)

De zero a heróói (caiu do céu!)

(*oferecida pela TdB)

26 novembro 2015

Ensinamentos para os dias que correm

Para melhor conhecer o Islão: Os cinco Mandamentos

Neste texto apresentam-se os cinco Mandamentos que todo o muçulmano deve acreditar e praticar.

"Ash-Shahadah"

À letra, o «testemunho»; é a afirmação da sua fé pronunciando o princípio base da religião muçulmana: «Não há nenhum deus senão "Allah", e Maomé é o seu Profeta». A recitação sincera deste credo é a primeira atitude necessária para se abraçar o Islão. É, ainda, a frase presente na bandeira da Arábia Saudita.

Trata-se da seguinte recitação:

- "Ach-Hadu An Lailáha Il Lal Laha" (presto juramento de que não há outra divindade além de "Allah");
- "Wa ach-hadu ana Mohamadane Abduhu wa Raçuluhu" (presto juramento de que Muhammad é servo e mensageiro de "Allah").

"As-Salah"

Todo o muçulmano deve orar cinco vezes por dia. A oração, feita em comunidade, em grupo numa mesquita, ou individualmente, deve ser feita na direção da Caaba.

Oração da Manhã ("Salatul-Fajr"): feita no período entre a aurora ou raiar do dia e, o mais tardar, até ao nascer do sol.

Oração do Meio do Dia ("Salatul-Zohor"): feita a partir do meio-dia solar (quando o sol está no zénite) até à hora da oração seguinte. À sexta-feira, esta oração é feita em congregação na mesquita ou no lugar de culto onde esteja reunido um mínimo de crentes (normalmente fixado em quatro), e liderados por um imã (sacerdote) ou alguém que saiba e possa liderar a oração, que é precedida de um sermão ("khutbah").

Oração do Meio da Tarde ("Salatul-Açar"): feita no meio do percurso solar entre a oração anterior e a hora do pôr do sol.

Oração a Seguir ao Pôr do Sol ("Salatul-Maghrib").

Oração da Noite ("Salatul-Ixá"): normalmente feita cerca de hora e meia depois da oração anterior, podendo realizar-se antes da aurora da manhã seguinte.

Cita-se do Alcorão: «... e glorifica o louvor do teu Senhor antes do nascer do sol e antes do seu ocaso e durante certas horas da noite. Glorifica o teu Senhor nos dois extremos do dia e ficarás satisfeito com a sua recompensa» (20:130).

"As-Siyam"

O jejum que todo o muçulmano, em plena condição física, deve fazer durante o Ramadão. No nono mês do calendário islâmico, todos os muçulmanos devem praticar o jejum, ou seja, abster-se de ingerir alimentos, sólidos ou líquidos (inclusivamente água), abster-se de fumar ou ter relações sexuais, entre a aurora e o pôr do sol, entre as orações de "Fajr" e "Maghrib", e mesmo tomar qualquer tipo de medicação, quer por via oral, quer por via intravenosa.

Estão isentos os muçulmanos doentes, as crianças até aos 12 anos e as mulheres que se encontrem grávidas ou durante o período da menstruação.

Durante o mês de jejum, também considerado o mês do perdão, da oração e da caridade, os muçulmanos devem passar grande parte do seu tempo em oração e recitação do Alcorão e intensificar a prática da caridade e das boas ações.

O jejum é um exercício de autodisciplina e aperfeiçoamento espiritual que permite ao muçulmano uma maior aproximação a Deus.

Citam-se do Alcorão: «Vós que acreditais! O Jejum é-vos preceituado, como foi preceituado aos que vieram antes de vós, para que aprendeis a conter-vos» (2:183); «Jejuareis durante um número fixo de dias...» (2:184).

"Az-Zakat"

Para além da caridade voluntária, que o muçulmano pode e deve praticar durante todo o ano, de acordo com a sua consciência e posses, é obrigado a oferecer 2,5% dos seus rendimentos (após retirar o necessário para o seu sustento e da sua família) para distribuição pelos pobres e necessitados.

Citam-se do Alcorão: «Esse é o Livro que, sem dúvida, contém a orientação para os que são tementes a Deus» (2:2); «Aqueles que creem no Invisível, cumprem com as orações e que distribuem o que Nós lhe concedemos para o seu sustento» (2:3); «E aqueles que permanecem pacientes, procurando agradar ao seu Senhor, cumprem com a oração, distribuem o que Nós lhe concedemos, anónima ou publicamente, e combatem o mal com o bem, esses terão um final feliz» (13:22).

"Al Hajj"

Todo o muçulmano que para o efeito tenha recursos financeiros e saúde física e mental, deverá, obrigatoriamente e pelo menos uma vez na vida, ir em peregrinação a Meca e visitar Medina e os outros lugares santos (Mina e o monte Arafat), no último mês do calendário islâmico, "Zil Hajj".

Durante cinco dias, dois a três milhões de muçulmanos de todo o mundo encontram-se em Meca para se dedicarem inteiramente às orações diárias em louvor de Deus, que, para os muçulmanos, o Profeta Abraão reconhecendo como sendo Um só, Uno e Indivisível, Invisível, Omnisciente, Omnipotente, Omniouvinte e Omnipresente, e numa súplica conjunta pedir a Deus que aceite o seu arrependimento e lhes conceda o Seu Misericordioso Perdão, no Dia do Juízo Final.

Basicamente, a peregrinação a Meca celebra o Sacrifício do Patriarca Abraão, que, em sinal de obediência e total submissão à vontade de Deus, se dispôs a sacrificar o que mais amava, o seu único filho, Ismael, que Deus lhe concedeu na velhice. Pai e filho resistiram a todas as tentações que lhes foram impostas pelo demónio, demonstrando que, para eles, nada era mais importante que o seu AMOR A DEUS, sem o qual não seriam capazes de viver.

Cita-se do Alcorão: «E proclamai a Peregrinação aos Homens...» (22:27).


In "Religiões - História, textos, tradições", ed. Paulinas, tirado daqui

25 novembro 2015

Pensamentos impensados

Dedos
Não se percebe o tempo que Cavaco Silva demorou a indigitar António Costa. 
Que se saiba, teve sempre 20 dedos à disposição.

Guerras
 Terror no Mali? Honny soit qui MALI pense.

SdB (I)

Das emoções

Já fui um espectador relativamente assíduo do Masterchef Australia, que para os outros já não tenho paciência. Gosto de programas de culinária / gastronomia, que sempre tiro ideias ou aprendo alguma coisa. Esta semana, na minha actividade regular de zapping, vi mais dois ou três minutos e observei o que já era habitual: e frémito de emoção que perpassa os olhos de todos os candidatos numa dada altura.

A páginas tantas, porque faz parte da mecânica do concurso, há visitas. Durante alguns segundos há um verdadeiro teaser: um dos jurados começa a falar da visita que vai chegar: levanta uma ponta do véu, depois mais um bocadinho, faz uma referência velada. Nos candidatos, gente intuitiva e perspicaz, observa-se um olhar de satisfação, surpresa quase infantil, anseio febril: será ele? Ela? Não, não pode ser, seria muito bom... A câmara de filmar varre os rostos daqueles que ambicionam ser o melhor chef australiano. Há olhos abertos, bocas escancaradas, mãos no peito, suspensão da respiração. Finalmente chega o convidado mistério: um chef de cozinha. Há pequeninos saltos de contentamento, vislumbres de lágrimas de comoção. É um chef famoso!

Não sei que aura têm os chefs de cozinha na Austrália. É seguramente algo de muito impactante, porque só assim se compreende a emoção tão visível. Replicando para Portugal, quem disfarçaria a verdadeira perturbação pelo facto de conviver tão de perto, sem que o soubesse antecipadamente, a Justa Nobre ou Hélio Loureiro? 

Gosto do programa. E gosto mais ainda, porque nem sempre consigo fixar os ensinamentos ou as ideias criativas, de ver o entusiasmo que suscita quem se atirou aos tachos com pundonor, criatividade e saber. Ser-se chef na Austrália? Vai lá vai...

JdB 

24 novembro 2015

Duas Últimas

Recuo até 1974, data em que o filme A Golpada estreou em Portugal. E recuo até esse ano para me lembrar da primeira vez que tive contacto com o estilo musical chamado ragtime, cujo compositor mais célebre terá sido Scott Joplin, autor de The Entertainer, que acompanhava o dito filme.

Durante uma fase da minha vida, fruto da amizade com um pianista, ouvi muito ragtime. É talvez um tempo de frequência do pub Pickwick (já desaparecido), no Estoril, que acompanhava a cerveja que bebíamos com favas torradas salgadas, que eu comia como se não houvesse amanhã.

Scott Joplin compôs muito mais do que apenas essa obra, que acaba por ser a mais conhecida. Deixo-vos com 3-obras-3 do cavalheiro em questão. Um género musica, creio eu, totalmente desaparecido dos nossos ouvidos.

JdB






23 novembro 2015

Poemas dos dias que correm

John Atkinson Grimshaw (British, 1836-1893), Reflexões sobre o rio Tâmisa, Westminster, 1880


Por Estas Noites

Por estas noites frias e brumosas
É que melhor se pode amar, querida!
Nem uma estrela pálida, perdida
Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas
Mas um perfume cálido de rosas
Corre a face da terra adormecida ...
E a névoa cresce, e, em grupos repartida,
Enche os ares de sombras vaporosas:
Sombras errantes, corpos nus, ardentes
Carnes lascivas ... um rumor vibrante
De atritos longos e de beijos quentes ...
E os céus se estendem, palpitando, cheios
Da tépida brancura fulgurante
De um turbilhão de braços e de seios.

Olavo Bilac, in "Poesias"

***

Noutes de Chuva

Eu não sei, ó meu bem, cheio de graças!
Se tu amas no Outomno - já sem rosas! -
A longa e lenta chuva nas vidraças,
E as noutes glaciaes e pluviosas!

N'essas noutes sem luz, que - visionarios-
Temos chymeras misticas, celestes,
E scismamos nos pobres solitarios
Que tiritam debaixo dos cyprestes!

Que evocamos os liricos passados,
As chymeras, e as horas infelizes,
Os velhos casos tristes olvidados,-
E os mortos corações sob as raizes!

N'essas noutes, meu bem! em que desfeito
Cae o frio granizo nas estradas,
E tanto apraz, sonhando, sobre o leito,
Ouvir a longa chuva nas calçadas!

N'essas noutes, electricas, nervosas,
Todas cheias d'aromas outonaes,
Que a tristeza tem formas monstruosas
Como n'um sonho os porticos claustraes.

Noutes só em que o sabio acha prazeres,
- Tão ignorados dos crueis profanos! -
E em que as nervosas, mysticas mulheres,
Desfallecem chorando nos pianos.

N'essas noutes, meu bem! é que os poetas
Tem ás vezes seus sonhos mais brilhantes,
Folheam suas obras predilectas...
- E evocam rostos... e visões distantes!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'

22 novembro 2015

Solenidade de Cristo, Rei do Universo

EVANGELHO – Jo 18,33b-37

Naquele tempo,
disse Pilatos a Jesus:
«Tu és o Rei dos judeus?» Jesus respondeu-lhe:
«É por ti que o dizes,
ou foram outros que to disseram de Mim?» Disseram-Lhe Pilatos:
«Porventura eu sou judeu?
O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?»
Jesus respondeu:
«O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam
para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui».
Disse-Lhe Pilatos:
«Então, Tu és Rei?» Jesus respondeu-lhe:
«É como dizes: sou Rei.
Para isso nasci e vim ao mundo,
a fim de dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

21 novembro 2015

Pensamentos impensados

Tristezas
Desiludido com a vida, foi acolher-se no seio dos despeitados.

Tombo
Vivia em Berlim, espalhou-se ao comprido e ficou sem falar.
Foi a queda do mudo de Berlim.

Mortandades
O Instituto de Proteção da Natureza anda e destruir ninhos de vespas.
Talvez em parceria com a Sociedade Protetora dos Animais.

Bem comportado
O Sol está muito pacato, já não sai à noite.

Máximo
Deus não come e tudo vê
Deus tem mais olhos que barriga.

Estatísticas
A taxa de divórcio entre os solteiros mantém-se dentro dos mesmos valores.

Nem só o riso é o melhor remédio
Energias renováveis? Uma boa sesta.

Proibições
Ficou com a voz embargada. Terá sido a ASAE?

SdB (I)

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