Mário Moniz Pereira (11 de Fevereiro de 1921 - 31 de Julho de 2016
Morreu Mário Moniz Pereira. Para além de grande sportinguista e de ser o "pai" do atletismo moderno português, foi um grande compositor e letrista. Seguem algumas evidências:
Leio em teus olhos: Letra e música de Mário Moniz Pereira
Não me conformo: Letra e Música de Mário Moniz Pereira (embora com dúvidas quanto à letra)
Penso sempre em ti: Letra e música de Mário Moniz Pereira
Dizem-me que se sabe pouco de Henrique Rego
(1893 – 1963). Terá sido funcionário subalterno do Ministério da Guerra e um
dos mais férteis poetas populares do fado. A junção destas duas linhas do seu curriculum
– a secura profissional e a produção artística - não é por acaso. Nada leva a
crer que fosse homem de grandes estudos e, mesmo assim, compôs alguns dos
versos mais bonitos do fado, quando Pedro Homem de Mello, David Mourão Ferreira
e Camões ainda não tinham sido divulgados à exaustão ao som do Mouraria, ou do
Menor, ou das criações de Alain Oulman. Foi amplamente cantado por Alfredo
Marceneiro, que o considerava um dos seus poetas preferidos.
Em Colchetes
de Oiro, o poeta que preferia a densidade dos enredos ao marialvismo glosa o mote em quatro décimas. Podia tê-lo feito em duas, poupando nas linhas. Mas preferiu a versão comprida, exibindo um donaire criativo que apraz realçar. São versos de “puro
lirismo, celebrando toda a ternura de um amor convencional, sem os pecados que
fizeram condenar, pelos moralistas, os primeiros fados” (in Poetas Populares do Fado Tradicional,
Daniel Gouveia e Francisco Mendes, 2014).
Abaixo, um confronto onde ninguém se digladia para
que todos ganhem. Há nuances na utilização da letra: por pudor, tradição ou
noção das coisas, Pedro Moutinho não canta a última décima. Ela não lhe
pertence, de facto. Alfredo Marceneiro canta-a, porque foi escrita para si. Ou
talvez para o filho, que é o terceiro elemento na doçura daquele ninho. Gosto
de fixar a atenção na expressividade com que Marceneiro entoa os versosmas
dados por minha mão e minha boneca de
encanto. Bem marcados, como se fossem esses - acima de tudo esses - que lhe exigissem a diferença e lhe definissem a virtude num certo estilar.
Para aqueles, como eu, que detectam um encanto especial na palavra "desdoiro", informo que o dicionário diz "deslustre, vergonha, mancha".
Regressei ontem de manhã do Funchal. Não me lembro de alguma vez ter estado numa localidade sob alerta vermelho, meteorologicamente falando. O facto é que a ilha permaneceu, desde sábado até ontem, parece-me, debaixo de olho da Protecção Civil. Várias pessoas se interessaram, se preocuparam, me recomendaram que não saísse de casa. Sábado à hora de almoço o Pingo Doce estava a abarrotar de gente - talvez estivessem a fazer stock para a tempestade...
No Funchal - ou pelo menos no local onde estive - o alerta vermelho foi um exagero. Talvez apenas uma precaução. No domingo, em resposta à pergunta "e o tempo?", respondi que o clima estava outonal para os nossos standards. Na véspera choveu ininterruptamente durante muito tempo, o que é algo que enerva os madeirenses, talvez lembrados das últimas trágicas cheias. Para nós, continentais sem os riscos dos ilhéus, nada daquilo era muito grave.
A fotografia que postei ontem dá a dimensão do alerta vermelho. Na Fajã dos Padres, próximo do Cabo Girão, não se via vivalma - mas apenas porque chovia. O mar estava cavado, grosso, mas já vi pior na baía de Cascais. Enfim... Não estou a desvalorizar as preocupações, apenas a pensar que o que é vermelho lá não é necessariamente vermelho cá...
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Arredado desde há algum tempo das minhas obrigações de parceiro no Duas Últimas, regresso com fado, desta vez com os irmãos Moutinho. O Camané é presença regular neste blogue, não como visitante, mas como pessoa que se deixa visitar. Os irmãos nunca por cá passaram.
Não sei se as opiniões se dividem quanto a quem é melhor, passe a subjectividade da expressão. Sem desprimor por ninguém, o Camané é o meu fadista (homem) preferido da actualidade. Mas, confesso, não conheço suficientemente bem a discografia dos irmãos para ter uma opinião definida.
Disponibilizo três fados, para quem os quiser ouvir. Dois deles - o do Pedro e o do Camané - foram escolhidos por causa das letras, embora sejam estilos totalmente diferentes. Do Hélder encontrei pouco, pelo que vai o que me pareceu mais interessante.