As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
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05 maio 2025
19 julho 2013
Um blogue? Tu?
| Fotografia de JMAC |
Todos os anos é isto, com excepção do primeiro, claro: ponho-me a divagar, entregue a ninharias que finjo serem coisas importantes, e esqueço-me do dia 16 de Julho de 2008, data em que este modesto estabelecimento viu a luz do dia, qual nascituro de indiferença dada e recebida. O Adeus até ao meu regresso cumpre cinco anos de existência, tendo aberto ao público com um frontispício que não é este, porque há as tendências, os desejos dóceis (ou doces?) de terceiros, e trailailai por aí a fora.
O que escrever do que foi este tempo, para além do agradecimento a todos os que por aqui passaram e passam, na condição de leitores ou colaboradores? Pois não sei... Vou ouvindo coisas díspares que me apoquentam o sossego mental de que me sinto merecedor. Dizem-me para fechar o estabelecimento; pedem-me que não o faça; sugerem-me que o substitua por outro, menos datado e com outro título; por fim, há quem ria e indague porque não deixo ficar tudo como estou, se a clientela que por aqui pára se conta em pouco mais de centena e meia de pessoas entre o sol nascer e o sol se pôr? Até há, para que a cereja enfeite bem o bolo, os que me intimam para programas em dias certos e impactantes de meses que vêm longínquos, com hora e local onde se lavre a sentença de encerramento deste estabelecimento, que é tempo do proprietário mudar de ramo.
Fecho ou não fecho? Decido com base no coração, na mente, no andolitácaradamendoá? Há cinco anos, quando surgiu, o blogue cumpria uma missão principal - a de relatar a minha estadia no Zimbabwe, para onde partira para um degredo de dois meses. Haveria seguramente outros motivos que se esbatem hoje contra uma parede cujos graffitti tiveram o seu tempo. O que é o blogue hoje? Será tudo isto: um prazer, uma teimosia, um banco de experiências, uma vaidade, um espaço onde alguns, por gosto e vontade próprias, encontram uma mesa e uma folha de papel...
Tenho pouco mais de três meses para decidir o que faço do estabelecimento. Há um jantar aprazado, em local de excelência e companhia que não dispenso, e até lá tenho de organizar as ideias. Talvez feche os olhos e cante, fingindo que há a opção de tudo passar e alguém decidir por mim.
JdB
04 junho 2009
Músicas dos dias que correm
Nota: sem filme, apenas uma fotografia
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