As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
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03 outubro 2023
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Fotografias e músicas dos dias que correm
17 maio 2022
05 novembro 2019
18 junho 2013
Duas últimas
Graças à generosidade de mão amiga, fomos sábado à noite ouvir Gershwin. O concerto, no anfiteatro ao ar livre da Gulbenkian, já nos tinha sido fortemente gabado. Um atraso na decisão atirou-nos para a frase detestável quando queremos muito uma coisa: os bilhetes estão esgotados...
A noite não estava fantástica, mas, mesmo assim, francamente boa. "Sala" à cunha, com muitas crianças à mistura, sempre bem comportadas. O maestro, Jorge Matta, que nos dá o gosto da sua amizade, esteve à altura, como sempre. Interagiu com o público, pôs toda a gente a levantar-se como uma mola numa cenografia boa para os músculos. Acompanhei sem deslustrar... Também pôs a audiência a cantar mais do que uma vez. Eu também cantei, ainda que baixinho, porque nunca se sabe o impacto da minha desafinação.
O coro da Gulbenkian - ou pelo menos aquela fracção de coro - está soberbo. Entusiastas, competentes, animados. Os solistas idem idem. Ouvimos obras diversas, do repertório surpreendentemente vasto de um compositor que morreu aos 37 anos apenas. Deixo-vos com obras diversas, cantadas por cantores diversos.
Cantem. E se tiverem um pouco de inveja da nossa ida não faz mal. Nem sempre é pecado...
JdB
22 março 2012
Deixa-me rir...
Caros Audiophiles, yesterday I went to see Sting in concert for the first time. Fantastic performance. There was something quite intimate and revealing about the evening because he played only a few of his best-known hits and concentrated on less familiar songs which he introduced by talking about his experiences and ideas behind writing them.
I have admired his songwriting since his days in The Police when he wrote such brilliant intelligent pop songs as Message in a Bottle, Roxanne, Every Breath You Take and Every Little Thing She Does Is Magic.
Since then I have followed his solo career with interest, exploring different music genres and surrounding himself with great musicians from the worlds of jazz, African rhythms, American country, classical, and English baroque music.
He has continued to write great songs: Fields of Gold, Shape of My Heart, Desert Rose, and I Hung My Head which was definitively covered by Johnny Cash.
Here are a few other highlights to enjoy:
A proxima.
PO
13 setembro 2011
Duas últimas
Olho para o meu iPod e sei que tenho algumas versões do My Funny Valentine. É uma música de que gosto muito - talvez por ter uma toada melancólica -, apesar de não lhe encontrar cruzamentos especiais com épocas ou momentos da minha vida. Não a dancei, não a ouvi em épocas ou dias marcantes, foi demasiado cantada (enfim, cantar o My Funny Valentine nunca é fazê-lo de mais) para que me tivesse fixado num intérprete. Socorro-me da estatística, porque sempre me compõe o argumento: a música surge em 1300 álbuns, cantada / tocada por mais de 600 artistas. Apresento-vos três - versões - três. Talvez tenha sido gravada em ritmo de mambo, ou por uma destas orquestras que abrilhantam as corridas de toiros, mas não encontrei evidências.
Na peça original (Babes in Arms), a personagem feminina goza com algumas características do personagem masculino mas, por fim, diz-lhe que ele a faz rir, e que não quer que ele mude. Venho de uma família com uma paciência diminuta para maçadores - o enfado era quase sempre recebido com um bocejo menos educado -, pelo que achei a alusão curiosa.
Fiéis - surpreendentes fiéis: atentem na letra do My Funny Valentine e na história que está por trás. Se um dia voltar ao Zimbabwe e me aventurar, numa dessas sextas-feiras nocturnas, no karaoke, talvez escolha esta música. Enquanto isso não acontecer - o que é o mais provável - pensarei na peça e na forma como Billie Smith (ela) diz a Valentine (ele): you make me smile. Já não se perdeu tudo, num mundo e num tempo em que o contentamento é uma actividade difícil.
Na liberdade criativa de editor e dono do estabelecimento, imagino o que ele (Valentine) lhe diria (a ela, Billie): se te perguntarem o que vês em mim, podes sempre dizer: olha, faz-me rir...
JdB
Na peça original (Babes in Arms), a personagem feminina goza com algumas características do personagem masculino mas, por fim, diz-lhe que ele a faz rir, e que não quer que ele mude. Venho de uma família com uma paciência diminuta para maçadores - o enfado era quase sempre recebido com um bocejo menos educado -, pelo que achei a alusão curiosa.
Fiéis - surpreendentes fiéis: atentem na letra do My Funny Valentine e na história que está por trás. Se um dia voltar ao Zimbabwe e me aventurar, numa dessas sextas-feiras nocturnas, no karaoke, talvez escolha esta música. Enquanto isso não acontecer - o que é o mais provável - pensarei na peça e na forma como Billie Smith (ela) diz a Valentine (ele): you make me smile. Já não se perdeu tudo, num mundo e num tempo em que o contentamento é uma actividade difícil.
Na liberdade criativa de editor e dono do estabelecimento, imagino o que ele (Valentine) lhe diria (a ela, Billie): se te perguntarem o que vês em mim, podes sempre dizer: olha, faz-me rir...
JdB
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