23 maio 2012

Diário de uma astróloga – [26] – 23 de Maio de 2012


VÉNUS
1. Vénus retrógrada

No dia 15 de Maio passado foi a vez do planeta Vénus iniciar o seu movimento retrógrado. Visto da Terra parece que anda para trás até ao dia 27 de Junho, data em que retoma o movimento normal, em linguagem astrológica, volta a directo. Por razoes de mecânica celeste, este fenómeno acontece de dezoito em dezoito meses.

Quando Mercúrio está retrógrado verificam-se imensas falhas de comunicação e do hardware que hoje em dia suporta a comunicação. Recentemente falei sobre Marte, o planeta da agressão, e aconselhei a não iniciar guerras durante os períodos em que está retrógrado. Vénus tem uma energia mais suave do que Mercúrio e Marte e por isso os seus efeitos, nas poucas semanas em que percorre pela segunda vez uma órbita já percorrida, são mais subtis e causam menos transtornos.

Vénus simboliza a beleza, rege todo o tipo de relacionamentos, diplomacia, está ligada ao valor do que nos rodeia, incluindo bens materiais e, evidentemente, ao amor. Aqui vão algumas sugestões de como aproveitar esta época:

Na área dos recursos financeiros não fazer grandes projectos de investimento, mas convém rever a situação financeira, pagar dividas ou livrar-se de alguns encargos. A compra de casa própria é uma excepção porque normalmente é muito pensada e negociada. A ideia do “justo valor” enquadra-se bem com a energia de Vénus retrógrada.

Muito cuidado nas compras, sobretudo de artigos de luxo e de artigos que não possam ser devolvidos. Por outro lado, compras de antiguidades e objectos em segunda mão estão favorecidas, porque são reutilizações.

Em termos políticos, não me espantou nada que na reunião do G8 tenham sido tomadas decisões que representam a renegociação das medidas tomadas na última reunião. Provavelmente o excesso de austeridade imposto pela Merkel não tinha um “justo valor”. A permanência ou saída da Grécia da zona euro, com implicações financeiras, também está a ser renegociado.

Em termos relacionais ficamos um bocadinho mais discernentes em relação aos outros. Acontecem coisas que nos fazem passar amigos a conhecidos, e vice-versa. Também podem surgir pessoas do passado que voltam a entrar na nossa vida, e não são fatalmente ex-apaixonados. Desta vez, os efeitos fazem-se sentir um pouco antes do dia 15: duas primas que não vejo há anos voltaram a entrar na minha vida com muita alegria da minha parte, pois reencontros neste período são positivos para todos.

Se tiveram acontecimentos passados em que a reconciliação é possível, aproveitem esta época, porque normalmente um pedido de desculpas é bem recebido.

E, sobretudo, aconselho a não fazer cirurgias plásticas ou grandes projectos de decoração. Esperem 5 semanas, garanto que os resultados serão melhores.

2. O trânsito de Vénus
Vénus estará muito presente nas noticias, porque nos dias 5 - 6 de Junho verifica-se um fenómeno astronómico raríssimo pela ultima vez na vida de todos nós. É conhecido pelo trânsito de Vénus, e é quando este planeta passa em frente do Sol de uma forma visível. Acontece duas vezes por século, com um intervalo de 8 anos. A última foi em 2004, e aqui está a imagem. 


Depois de 2012 só em 2117. Infelizmente em Portugal não poderá ser visto, porque o período de 6 horas em que Vénus atravessa o Sol coincide com a nossa noite. 
Em termos científicos a historia dos trânsitos de Vénus é muito interessante, porque tem permitido calcular a escala do sistema solar. Em 1619, Kepler estuda os movimentos planetários e tem a certeza de que este fenómeno acontecerá em 1631 e 1639. Morre em 1630, e a guerra do 30 Anos na Europa impede os astrónomos do continente de ver o fenómeno. Foi um inglês, Jeremiah Horrocks, que em 1639 o observou e o registou pela primeira vez. Em 1761 e 1769, os grandes países europeus mandaram expedições para todo o mundo para observarem o trânsito de Vénus de diversos pontos do globo. A mais famosa foi a de Cook e a do astrónomo Charles Green ao Taiti. No século XIX fizeram-se medições muito correctas, e o público em geral participou de tal forma no acontecimento que o compositor americano John Philip de Sousa compôs a Marcha do Transito de Vénus. Em 2004 as observações foram feitas também a partir do espaço.  Para mais imagens ver: 



Está por ai uma enorme histeria tipo New Age, falando no milagre de abrir consciência e do significado da coincidência com o ano Maia. Não acredito em nada disso, mas este fenómeno celeste faz-se reflectir na imensidão do Universo e do seu Criador. Também gosto de pensar que, por umas breves horas, o princípio do Amor (Vénus) se sobrepõe ao ego, à vontade, à identidade individual (Sol).

Todos estes fenómenos de Vénus acontecem no signo de gémeos, a que dedicarei os próximos posts.

Luiza Azancot

22 maio 2012

Duas últimas

Após algumas semanas de ausência volto ao vosso convívio com uma nova música dos “Crosby, Stills and Nash”. É uma música da segunda fase do grupo. Uma fase menos rebelde e mais conformada. Passados 20 anos as calvícies acentuaram-se, as barrigas cresceram e as vozes perderam o fulgor que tinham nos anos 60. Em contrapartida o grupo ganhou maturidade e as músicas atingiram um novo patamar de qualidade, talvez menos comercial, mas mais a meu gosto. É o exemplo desta “Might as well have a good time”.

Não vou falar da terceira fase do grupo novos 20 anos passados: uma autêntica desgraça. Há gente que não sabe quando parar.

JdC


21 maio 2012

Vai um gin do Peter’s?

Há uns anos, correu nas salas de cinema do Brasil, e depois na Internet, o chamado anúncio branco, com um fundo imaculado e apenas um texto (em filme, apenas com voz off) a declarar que se trata de publicidade, mas sem nenhum dos ingredientes atractivos, como o bebé rechunchudo ou a top model fantástica, uma paisagem de sonho ou um sketch cómico. Isto, porque o produto nem precisa de promoção, pois já é desejado universalmente, gratuito, inesgotável, parcialmente acessível a todos e indispensável à vida. Aliás, é condição sine qua non da  qualidade-de-vida. Apenas uma particularidade: depende de cada um, começa em /por cada um. Surpreendidos?
Então sigam o caminho sugerido por um dos maiores publicitários brasileiros, que também calha a ser o mais premiado do mundo – Washington Olivetto(1), que recomenda aos comunicadores focados na persuasão para apanharem as oportunidades oferecidas pela realidade, sem cedências oportunistas. No fundo, basta deixar os factos rolar, pois a sua profissão exige andar antenado com o  meio ambiente:                                   



Claro que ajudará bastante dispor de um produto capaz, embora tudo volte a complicar-se se o produto for demasiado extraordinário ou hiper conhecido, ameaçando anular qualquer efeito externo de promoção, frustrando qualquer tentativa de diferenciação e de identidade. Nada menos do que isso enfrentou Olivetto, recorrendo a uma solução hábil. O sucesso mediático não se fez esperar. O spot é maximamente expressivo, original e cativante. Mas terá mudado atitudes? Uma questão praticamente impossível de responder. Ainda assim, aqui vai o conteúdo do anúncio branco, o filme e depois o texto:



·       Neste anúncio não figura nenhuma mulher de biquíni
·       não figura nenhum cachorro,
·       não figura nenhuma criança,
·       e não figura nenhum bébézinho.
·       Este anúncio não tem qualquer casal,
·       não há beijos,
·       e não há famílias a tomar café da manhã.
·       Este anúncio não tem música de sucesso,
·       não tem efeitos especiais,
·       e não tem nenhuma tartaruga a jogar à bola.
·       Este anúncio não tem gente famosa,
·       nem garotos propaganda.
·       Porque este anúncio é para vender um produto
·       que ninguém precisa ser convencido a comprar...
·       que todos adoram consumir
·       e que, por sinal,
·       ...todos já comprámos,
·       só que não estão a proceder a entregas
·       É um produto sem marca,
·       não tem slogans,
·       não tem embalagem,
·       nem faz promoção do tipo “leve 3, pague 2”.
·       Este anúncio é todo branco,
·       e por esse motivo...
·       pode ser compreendido em todo o mundo.
·       Aliás, seria fantástico se este anúncio...
·       pudesse passar no mundo inteiro.
·       Porque o produto que este anúncio quer vender é a...
·       ...PAZ!
·       ...e enquanto quem precisa comprar a PAZ não compra,
·       faça assim:
·       Pegue no “stock” de PAZ que ainda tem em casa
·       e...use no trânsito,
·       use nas filas do seu dia a dia,
·       use no elevador,
·       e use no futebol.
·       PAZ ...é um produto interessante!
·       Porque quanto mais usar,
·       mais vai ter.
·       E se toda a gente usar
·       quem sabe...talvez chegue um dia
·       em que ninguém mais
·       precise fazer um anúncio...
·       para vender a PAZ


Bem realistas os conselhos, actuais e pragmáticos. Gira, a recomendação de pegar no stock que ainda haja… Era difícil pedir maior expressividade a uma mensagem concebida para um público tão amplo. Apetece fixá-la, sair de casa com ela, logo pela manhã, até porque nos é obviamente favorável, além de se auto-alimentar. Género ovo de Colombo, estranhamente desperdiçada e ignorada, a mais das vezes.
A própria vida de Olivetto dava um filme, que aliás vai ser realizado a partir de uma incrível experiência vivida no final de 2001, ao ser raptado num estádio de futebol e ficar sequestrado durante um par de meses, enclausurado entre quatro paredes. 
Seguem alguns exemplos de imagens da publicidade impactante de Olivetto, com evidente efeito de rastilho, a conseguir reabilitar ideias gastas. De facto, porque não há-de ser deslumbrante aquela dupla muito antiga e austera de a «Ordem e o Progresso», se permitir melhorar substancialmente um país gigantesco?

ALERTA – não é certo que esta publicidade seja de Olivetto, embora tenha afinidades com o seu tipo de abordagem positiva.

Porque não hão-de ser relaxantes e, sobretudo, dispor bem aqueles assuntos que associamos a papelada chata e perigosamente encriptada? Mas se desencantarmos uma boa solução, não será um sossego? 


É também curioso observar quanto a publicidade está imergida na sua época, i.e., quanto os publicitários adoptam a máxima de Olivetto e acabam antenados na sua contemporaneidade. O risco deste excesso de actualidade é que poucos marketeers resistirão ao teste do tempo e conseguirão falar às gerações vindouros. Ou seja,  estarão condenados ao efeito efémero, completamente imediatista. Um caso paradigmático é o anúncio publicado nos EUA, no primeiro quartel do século XX, para combater o alcoolismo. As mentalidades (e os critérios estéticos) alteraram-se a ponto de hoje aquela campanha oferecer uma leitura oposta à pretendida, apenas conseguindo fazer-nos rir. Hoje seria um rotundo fracasso:

Conhece alguém que deixasse de beber por causa do aviso dado por este grupo?

Em última instância, o maior desafio para um comunicador de marketing será adoptar uma linguagem capaz de alcançar o futuro, com traços de universalidade que sempre encontrem eco nos homens de todos os tempos… Acredito que seja o caso do comercial em favor da paz. Ou até do fabuloso e divertido spot da Johnnie Walker, com o Rio de Janeiro por cenário:



Concluindo com o principal no interpelativo anúncio branco: quem sabe até onde nos poderá levar o empenho de cada um pela Paz?

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

_____________
(1) Galardoado com mais de 50 Leões no Festival de Cannes, é Presidente da WMcCann do Brasil e CEO da McCann Worldgroup América Latina e Caraíbas.   

20 maio 2012

Solenidade da Ascensão

Mais do que comentar o evangelho do dia, lanço-me a uma partilha sobre a qual não sei se serei clarividente. Uma coisa é termos a noção interior de que a questão é esta, outra é saber explicá-la. Por último, falta-me sempre a convicção de que estou certo na minha análise.

Em bom rigor, nunca saí da igreja católica. Fui cumpridor por obrigação de educação e, quando chegou a altura da liberdade de escolha, nada me fez sair, quaisquer que fossem os motivos que me mantivessem lá dentro. A partir de 2001, por motivos sabidos da maioria dos que me lêem, olhei para o mundo com os olhos da fé, tentei relacionar-me com os outros à luz do que ia ouvindo e interiorizando. Isto é, a minha ideia é que a vida de igreja (mais do que a fé, que o tema pertence a outro campeonato) foi um ponto de partida. Talvez ao contrário de outros que, por motivos diversos, encontraram a igreja depois de uma qualquer procura. Faz sentido ou estou a ler mal o enunciado?

Há tempos, por cauda deste artigo, falava com quem me é próximo sobre o tema da paz interior e da relação com os outros. Vinha isto a propósito, também, do meu post sobre a metáfora da ilha do corvo e a explicação dada pela Luiza Azancot, que foi completada posteriormente com uma conversa a três. Diziam-me mais ou menos isto, numa tarde de Primavera enquanto fumava um charuto oferecido pelo meu querido amigo ATM: há quem procure a paz dentro de si próprio para depois a encontrar na sua relação com os outros, há quem a procure na relação com os outros para depois a descobrir dentro de si próprio.   

Seja qual for a fórmula escolhida (não sei, sequer, se há uma fórmula certa...) o importante para cada um de nós, católicos, é sentir-se enviado, ir para todo o mundo e pregar os valores em que acreditamos - a paz, o amor, a caridade, a ausência de orgulho, a temperança. E tantos outros. 

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.

JdB
   

EVANGELHO - Me 16,15-20
Naquele tempo,
Jesus apareceu aos Doze e disse-lhes: «Ide por todo o mundo
e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado.
Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome;
falarão novas línguas;
se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal;
e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados».
E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus.
Eles partiram a pregar por toda a parte
e o Senhor cooperava com eles,
confirmando a sua palavra
com os milagres que a acompanhavam.


19 maio 2012

Pensamentos impensados


Poesia (?)
O tempo passa num instante
'Inda ontem era antes de ontem
E já hoje é amanhã
E não sendo em si bastante
Não é provável que contem
Com inusitado afã.
 
NA - Isto saiu-me de rajada, não sei é o que quer dizer.
 
Escrita em dia
Na escrita semítica escreve-se de Paulo Portas para Jerónimo de Sousa.
Na escrita latina escreve-se de Francisco Louçã para Passos Coelho.
Eu explico: na primeira escreve-se da direita para a esquerda, e na outra da esquerda para a direita.
 
Paraíso não fiscal mas fiscalizado
No princípio o Paraíso era só Adão e erva; mais tarde Deus deu-lhe uma companheira e uma macieira mas, incompreensivelmente, proibiu Adão de comer maçãs. Mesmo assim, Deus não foi muito severo, pois podia ter obrigado Adão a fazer voto de castidade.
Pensando bem no assunto, acho que como ainda não se tinha dado a cena da Torre de Babel, Deus não sabia falar inglês e não conhecia a frase an apple a day keeps the doctor away.
Já agora, que língua falaria Deus? Esperanto?

SdB (I)

18 maio 2012

Friday is a great day to fall in love







"Era uma vez um passado e talvez
Fosse então fruto da recordação
Sol e avidez, areais, ombros nus,
Em cada chão sementes de Verão

Au revoir lividez, tristes tigres da tez
Tenra idade, o fruto da vontade
À esperança que vês, não lhe chames prenhez
Na verdade são sementes da saudade"


TdB

17 maio 2012

pequena reflexão sobre a insensatez da sensatez




é vero que a poesia lixa-nos a cabeça e o coração,
diz-me junto ao ouvido uma querida amiga querida,
não de todo desprovida de uma considerável razão.
(mas falta-lhe responder: e fazemos o quê da vida?)


gi

16 maio 2012

Ponto de Vírgula

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...

(...)


Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.



"Dobrada à moda do Porto", Álvaro de Campos


Dobrada à moda do Porto

Ingredientes:
1 kg de feijão branco
1 orelheira
2 kg de dobrada
1 mão de vaca grande, chouriço de colorau
1 salpicão, tira média de toucinho fresco
4 pés de porco
1/2 frango
250 gramas de carne de vaca
1 chouriço de sangue
1 tira de bacon, linguiça, presunto
1 toco de porco fumado
2 tomates maduros, salsa, cebola média, 3 alhos
colorau, pimenta, sal, azeite

Preparação:
Coza o feijão e aproveite a água. Coza a orelheira, os pés de porco e a dobrada e o toco em águas diferentes. Faça um refogado com a cebola, os alhos, os tomates, o colorau e a salsa.
Refugue aqui o chouriço de colorau, o presunto e o frango. Parta as carnes que cozeu e a dobrada aos bocados e acrescente ao refugado.
Junte e feijão branco já cozido e coloque o chouriço de sangue por cima para não se desfazer. Deixe refogar lentamente para engrossar o môlho.
Veja os temperos e ponha a pimenta. Quando pronto sirva com arroz seco.

Nota: receita tirada daqui

MFM

15 maio 2012

Duas últimas


Estando a terminar os campeonatos nacionais de futebol, vulgo ligas, da maior parte dos países europeus, aproveito o momento propício e as possibilidades de escrita que este blogue me vem dando para aqui prestar a minha singela homenagem ao português José Mourinho, treinador de futebol de profissão.

Escuso de frisar, pois é do conhecimento quase universal, que se trata de personagem controverso e dado à polémica, que se adora ou se detesta. Com ele não há meio-termo, no remoque irritante e provocatório, na ambição desmedida ou na ânsia ganhadora que tem como reverso um mau perder que lhe tem custado muitos amargos de boca. Confesso que nunca fui um indefectível do homem, muito pelo contrário, apesar da sua afirmação de que “ foi criado entre Setúbal e Belém” (por causa do pai, guarda redes no V. Setúbal e no Belenenses) me dever levar a ter por ele uma certa simpatia, pois sou e serei sempre adepto deste último clube, pelo menos enquanto existir (!).

Mas não, fui tendo para com ele uma irritação crescente, que se agravou quando entrou no Real Madrid, porque no país vizinho sempre preferi o Barcelona. Sentimento em que alguns, muito poucos, dos meus amigos me acompanharam. Já a família, pelo contrário, segue o sentimento dominante, vendo nele um pequeno herói vitorioso em terras estrangeiras.

Agora, que se tornou campeão no 4º país diferente – neste caso de Espanha batendo uma equipa que os sábios deste desporto consideravam pouco menos que imbatível – está na hora de, para lá das antipatias, reconhecer mais este feito notável, bem como a tenacidade, competência e espírito ganhador de que voltou a dar sobejas provas. Bem ajudado, no campo, por alguns jogadores portugueses, sobretudo Ronaldo, e fora dele por uma equipa de adjuntos toda ela portuguesa.

Trabalho bastante com espanhóis. Tirando os adeptos do RM, não gostam dele, porque o invejam e porque não gostam de ver um português ganhar na terra deles. Tal como sucedeu com os ingleses há uns anos. Mais uma razão para escrever este texto. Sem patriotismos ridículos, até porque me conheço e sei que, por estranho que pareça, para o ano lá estarei a torcer para que seja o Barça a ganhar o campeonato espanhol!

Porque o tema foi à volta do futebol, escolhi esta interpretação do Rod Stewart, fanático adepto do Celtic, clube dos católicos de Glasgow.    

Espero que gostem.

fq


14 maio 2012

Concertos dos dias que correm


Fórmula para o caos

A Premier League pode não ter equipas ao nível de Real Madrid e Barcelona, que desde há 3/4 anos ocupam os lugares cimeiros dos rankings internacionais, a uma larga distância da concorrência. Contudo, apenas a Premier Legaue pode proporcionar momentos como os de hoje, na cidade de Manchester, em que Man. City estava afastado do titulo aos 91 min de jogo. Vejam o vídeo, vale a pena!


Pedro Castelo Branco 

13 maio 2012

Domingo ... se fores à Missa!


O Evangelho de hoje fala-nos de Amor;  de todos os sentimentos, este é sem dúvida o mais cobiçado, o mais falado, o mais “googlado” nos dias de hoje (886.000.000 resultados para a palavra amor, no google).

Deus não é senão amor. Ele revelou-Se como tal, principalmente ao dar-nos o seu Filho, Jesus, como nosso Salvador. A Igreja, que é o corpo de Jesus e a sua presença sobre a terra, tem como lei fundamental a lei do amor; tendo amor uns aos outros, os cristãos manifestam em si a própria mensagem de Jesus, ao mesmo tempo que a comunicam.

Quando vivemos em amor e por amor, parece que tudo tem outra cor; o medo desaparece, a alegria permanece, a coragem fortalece. Quem, como nós cristãos, tem a graça de conhecer e experimentar o Amor de Deus vivo nas suas vidas, sabe bem do que estou a falar. Não há porta que se feche e não se abra logo uma janela. Não há queda que não seja seguida de crescimento. O amor dá-nos alento para continuar, para ir mais além, para não temer e ousar. O amor de Deus é incondicional e total, enquanto que o nosso amor é cheio de “ses” e “mas”, é cheio condicionantes e negociações mas, mesmo assim, é ele a base de sustentação das nossas vidas. Não há maior tristeza no mundo, do que aqueles que vivem em desamor; amor é harmonia, é dádiva, é aceitação, é a mais sublime forma de entrega.

Porque será que temos tanto medo em dizer aos outros: amo-te!  Será porque pensamos que amar significa perder liberdade? Significa espirito de sacrificio, tal como Jesus fez por nós? Ou será porque o nosso coração, estando tão cheio de outros sentimentos inúteis e destruidores, verdadeiramente, não consegue sentir esse amor?

Esta semana, desafio-os a fazer um pouco de introspecção no vosso coração e tentar perceber em que “prateleira da vossa despensa guardam a caixa do amor”.

Domingo, Se Fores à Missa ...........  Ama, sem medos!

Maf

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor.
Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor.
 Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa.
É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei.
Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando.
Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça.
E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá.
O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».

Palavra da salvação.

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