13 outubro 2013

28º Domingo do Tempo Comum


EVANGELHO – Lc 17,11-19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
indo Jesus a caminho de Jerusalém,
passava entre a Samaria e a Galileia.
Ao entrar numa povoação,
vieram ao seu encontro dez leprosos.
Conservando-se a distância, disseram em alta voz:
«Jesus, Mestre, tem compaixão de nós».
Ao vê-los, Jesus disse-lhes:
«Ide mostrar-vos aos sacerdotes».
E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra.
Um deles, ao ver-se curado,
voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz,
e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus
para Lhe agradecer.
Era um samaritano.
Jesus, tomando a palavra, disse:
«Não foram dez que ficaram curados?
Onde estão os outros nove?
Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus
senão este estrangeiro?»
E disse ao homem:
«Levanta-te e segue o teu caminho;
a tua fé te salvou».

12 outubro 2013

Pensamentos impensados


Cantorias
Mais vale a solo do que mal acompanhado.
 
Buscas
Sempre que oiço falar da Procuradoria Geral da República lembro-me, não sei porquê, de um fado cantado por Tony de Matos: procuro e não te encontro.
 
É só saúde
Saramago era grande apologista de mens sana in corpore sano.
Daí ter feito saneamentos no Diário de Notícias,
 
Eras
Quando Jesus Cristo nasceu não havia antes de Cristo nem depois de Cristo
Quando Jesus Cristo morreu, morreu depois de Cristo.
 
Grafismos
O dr. Medina Carreira faz uma análise Portugal com um aspecto foto...gráfico, quiçá cinemato...gráfico; ou será porno...gráfico?
 
Comiseração
Que terá acontecido ao Talião que toda a gente o lamenta?
Só se ouve dizer que pena de Talião!

SdB (I)

11 outubro 2013

Largo da Boa-Hora*


Sob o sol primaveril que ilumina o largo e dá ares de talha dourada a este meu banco, pergunto-me qual o maior tesouro da nossa vida, qual o valor mais precioso que nos é concedido.
Considero e pondero, detalhada e cuidadosamente, as várias fortunas de que dispomos, e, depois de muito examinar e peneirar, consigo eleger aquela que é a riqueza superior às demais, a rainha das nossas venturas.
A primeira surpresa deste meu exercício é que não suspeitava que o elencar sistemático e exaustivo dos “activos” originasse um rol tão extenso. Fiquei surpreso com a multiplicidade de “bens” que compõem a nossa vida, assim como com a suficiência formada pelo conjunto: “tanto mar têm os nossos barcos para navegar”.
Também me impressionou quanto a riqueza material se desvaloriza no “ranking”, quando em concurso com as riquezas espirituais. A matéria é pó quando comparada com a essência, com a alma, com os sentimentos.
A rainha das venturas, é haver quem precise de nós. Não me refiro a alguém indeterminado da comunidade, mas a alguém em concreto, a que estejamos ligados por laços de amor. De igual modo, não me refiro apenas a uma pessoa, mas às pessoas que, por causa desses específicos e particulares laços de amor, formam o nosso núcleo existencial.
A grande riqueza é esta certeza, este saber convicto, de que para alguém somos contributo decisivo para o seu bem, para a viabilidade da sua felicidade, para a realização dos seus sonhos, ambições, projectos, e tudo o mais de construção de uma vida.
Do mesmo modo que para esse alguém somos bálsamo, refúgio, ajuda nas tristezas, desalentos, dores e infortúnios, acompanhando derrotas e medos, testemunhando inquietudes e angústias, suavizando remorsos e erros.
Para esse alguém somos espelho que não consente máscaras, dispensa maquilhagens e disfarces, somos procurados para reflexo da verdade, e não camarim de actor.
Para esse alguém somos parte e condição da vivência, da alegria e da tristeza.
Olhar e ver, ouvir e escutar, falar e dizer, tocar e sentir, consumam-se na partilha com esse alguém que nos precisa.
Para esse alguém somos, afinal e sempre, bordão de peregrino na romagem da vida.
Essa utilidade, necessidade, enche-nos de felicidade e encantamento, dá-nos sentido à vida, é estrela polar que marca o nosso norte e empalidece as tantas constelações celestiais que brilham, apontando outras direcções e rumos.
Servir esse alguém é vocação bastante, é missão suficiente para todo o “eu” fazer sentido, para o “eu”acontecer por uma causa e não por mera casualidade.
Sem esse alguém seriámos, provavelmente, seres erráticos, desnorteados, por não ter de quem ser bordão.
E este ser bordão é condição inesgotável, porque a cada nascer do sol se renova a oportunidade de continuar a caminhada. Há sempre um amanhã e há sempre mais caminho, até ao fim da longa jornada.
Nunca a missão está completa, nunca a vocação está saciada, regenera-se no dia-a-dia e essa continuidade é, por natureza, a fonte da tranquilidade.
Trata-se de uma dependência desejada e consentida, fruto de uma reciprocidade de eleição do bem mais precioso, com a assunção de que amar é querer ser o bordão do outro, e desejar que o outro precise que nós sejamos o seu bordão.
Muitas formas existem para definir o amor, para o demonstrar e para o viver quotidianamente.
Este texto é sobre o amor, tendo seguido uma dedução que me conduz à definição que o amor é, metaforicamente, ser eleito o bordão do outro, que é, reciprocamente, o nosso bordão.
Focando-nos agora e exclusivamente no amor entre pares (deixemos, pois, o filial, parental, fraternal, em que somos bordões por tempos ou ocasiões) três notas finais completam o quadro que quis esboçar.
A primeira, é no sentido de que, enquanto cada um se revir e sentir como bordão do outro, a relação se manterá forte, leal e segura, apesar das vicissitudes surgidas no caminho. Enquanto a mão amada me segurar como seu bordão (e vice-versa) os sulcos e obstáculos do caminho serão ultrapassados e vencidos, desaparecendo na curva do caminho.
A segunda é que a mão e o bordão vão envelhecendo e desgastando-se juntos. O que ambos perdem em qualidades de juventude ganham em conhecimento, ajeitamento e confiança, cada dia mais moldados, cada dia mais calhados; os nós das mãos conhecem os nós do bordão e sabem senti-los.
A terceira é que a jornada a dois termina, definitivamente, quando por razões que a razão desconhece, o bordão, antes amparo indispensável, se transforma em objecto inútil, empecilho de caminhadas ou estradas diferentes que se querem calcorrear ou percorrer.
Para mim basta-me esta metáfora.

ATM

(publicado originalmente em 18.03.09)

10 outubro 2013

Crónicas de um mestrando tardio


Pessoa próxima, cuja inteligência invejo e cuja amizade prezo, escreveu-me no seguimento de um post da semana passada ao abrigo das crónicas de um mestrando tardio. Cito o mais relevante:

Estupefacto com a fantasia das vossas viagens.
O jardim secreto está bem guardado pelo hermetismo. A vedação do ocultismo assegura o recreio dos eleitos. O cultivo do esotérico garante a sombra para a casta. Que seita no seu Éden.
Todavia, e "malgré tout", esforçadamente, lá fui seguindo o teu discursar, e a verdade é que julgo perceber o que pensas e dizes. Pelo menos faz-me sentido e é eficaz, pois chega a parecer que é importante, até indispensável para um quotidiano lúcido.

É lógico que as pessoas se questionem, face ao conteúdo hermético do pobre ensaio que redigi, o que ando a fazer na faculdade de letras, para que serve algo de que não se entende o teor, quanto mais a utilidade para a vida prática. Eu tento explicar, não conceptualmente, mas no que me diz respeito: tenho aprendido a pensar. Isto é, tenho-me confrontado com áreas diversas, como a filosofia da linguagem ou a filosofia da ciência, ou ainda as relações whitmanianas. Em termos de quotidiano, não me serve para nada, mas ajuda-me a desenvolver um raciocínio, para além de ouvir falar e ter de discernir sobre temas que me eram totalmente desconhecidos - mas que me acrescentam valor intelectual. Só isso, só esse desafio, seria o suficiente para justificar a minha inscrição.

Por outro lado, há sete ou oito anos que tenho a ideia para um livro a bailar-me na cabeça. Partilhei a trama com duas ou três pessoas mas, se tivesse de escrevê-la, não me ocuparia mais do que meia dúzia de linhas, que não havia conteúdo para mais. Este mestrado - e as pouquíssimas semanas desde o início - deram-me ideias importantes que eu espero ter engenho e arte para desenvolver. Tem sido, confesso, um manancial de inspiração. 

***

Ontem foi dia de Chaos and Order, o seminário ministrado pelo Prof. John Jean, convidado de uma universidade americana. Falámos da Divina Comédia e, sobretudo, do Inferno. Não nos importou a alegoria teológica, mas a concepção aristotélica do universo (finito), os conhecimentos de matemática de Dante, os estudos e as dissertações de Galileu sobre o tema, sobre a (im)possibilidade física do Inferno, apenas porque a estrutura seria inviável do ponto de vista da escala...

    

JdB


09 outubro 2013

Diário de uma astróloga – [62] – 9 de Outubro de 2013


Francisco Lufinha / Diana Nyad – coincidências astrológicas

Durante o mês de Setembro foram batidos dois recordes mundiais em modalidades muito diferentes, mas com alguma coisa em comum – o MAR.

Um jovem de 30 anos, português, Francisco Lufinha, bateu a marca existente de 199 milhas em kitesurf ao fazer o percurso Foz do Douro – Lagos, num total de 307,5 milhas marítimas, isto é, 569 km. Passou cerca de 29 horas em cima da prancha nas ondas da costa portuguesa. A sua primeira tentativa foi logo coroada de êxito.

No princípio do mês, do outro lado do Atlântico, uma senhora de 64 anos, Diana Nyad, bateu o record da travessia a nado de Havana, Cuba a Key West na Florida sem gaiola anti-tubarão. Uma distância de aproximadamente 110 milhas (177 Km) coberta em 53 horas. Foi só à sua 5ª tentativa que conseguiu bater o record.

O que têm estes dois atletas em comum para além de se sentirem no mar como peixe na água?

A mãe de Francisco Lufinha forneceu-me gentilmente a sua hora de nascimento. A carta de Diana Nyad foi estabelecida para o meio-dia do dia e local de nascimento indicados na sua biografia.
      

Apesar dos anos que os separam, têm muitas coisas em comum.  O primeiro elemento que me saltou aos olhos é relativo ao mar.  O planeta Neptuno,  com nome do deus romano que reinava sobre os mares, está em ambos conjunto ao Nodo Lunar Sul. Este ponto da carta está ligado a uma herança karmica, a uma memória de vidas passadas ou para quem não acredita na reencarnação, a uma memória ancestral no âmbito de colectivo inconsciente. Esta memória é semelhante para ambos. É junto a Neptuno, é  no mar onde ambos vão buscar forças para prosseguirem a sua evolução. 

Não pude deixar de sorrir quando li no livro de uma suposta especialista em astrologia dos Nodos Lunares, Judith Hill, uma advertência para as pessoas que têm na sua carta a combinação Neptuno /Nodo Lunar Sul “Nadar no oceano é perigoso…. Nunca devem estar no mar sozinhos”.   O meu desprezo por livros de astrologia tipo livro de receitas só fica confirmado por estas generalizações.  Francisco e Diana sentiram no mais profundo da sua alma a voz do mar e, cada um à sua maneira, responderam.

Mais elementos em comum:
·       Sol e Lua em Leão – o signo do herói e heroína
·       Mercúrio em Virgem – capacidade mental de planear detalhes tão importante em aventuras como estas
·       Marte em Caranguejo – o planeta da força e da coragem num signo de água

Os estudos de fisiologia do desporto mostram que, nas actividades “tipo maratona”, a determinação mental é um factor mais importante do que a energia física da juventude. Em astrologia, os planetas e os ângulos em signos fixos indicam esta dimensão da personalidade. O Francisco tem o Sol e Lua em Leão, o Ascendente em Touro e o Meio do Céu em Aquário, isto é, os pontos mais importantes da sua carta em signos fixos. Diana tem o Sol, Lua e Plutão em Leão; não posso ter a certeza dos ângulos (pois desconheço a hora de nascimento) mas, dado a determinação que tem demonstrado ao longo da sua vida, tudo me leva a crer que têm o Ascendente e o MC também em signos fixos.

E sobre as datas escolhidas?  Lufinha trabalhou com o Instituto Hidrográfico para identificaram a janela de tempo que reunisse as previsões meteo-oceanográficas mais favoráveis, e com certeza que Diana Nyad fez o mesmo. Se não consultaram um astrólogo não sabiam que por trânsito Marte estava no princípio de Setembro a aproximar-se da Lua natal de Diana e no dia 19 de Setembro o mesmo Marte esta pertíssimo do Sol e Lua de Francisco Lufinha. Num ciclo de 2 anos as datas escolhidas foram aquelas em que estes fantásticos atletas se sentiam mais capazes de enfrentar e vencer um desafio físico.  Foi a forma do Universo dizer  “estou de acordo com as vossas aventuras, vou dar uma forçinha”.

Ainda há por aí pessoas que não acreditam em astrologia????

Para os que acreditam, quero lembrar o novo período de mercúrio retrógrado de 21 de Outubro a 10 de Novembro entre 18 e 2 graus de Escorpião. Releiam o que escrevi aqui e tomem as devidas precauções:


Luiza Azancot

08 outubro 2013

Duas Últimas

Ontem, por motivos que não vêm ao caso, tive muito pouco tempo para escrever o meu post de hoje. A jornada foi todo preenchida com aulas de manhã (mais de duas horas a falar sobre metáforas na filosofia), almoço de favas e partilha de vida com o meu querido amigo fq, resolução de minudências nos correios onde nos confrontamos com a maior ineficiência, e outras actividades de urgência imprevista. O tempo de escrita foi, por isso, francamente escasso - diria mesmo quase nulo.

Deixo-vos com um fado de que gosto muito e que tenho ouvido na Rádio Amália. Oiçam a letra (nostálgica, como compete) e a música, que não darão o tempo por perdido.

Jdb


07 outubro 2013

Vai um gin do Peter’s?


Com bom humor e bastante simplicidade (que é como quem diz simplismo puro e duro) há umas dicas divertidas para um leigo, que esteja a milhas da pintura, passar a reconhecer alguns dos pintores mais emblemáticos da arte ocidental.

O início da tal mensagem não deixa dúvidas de que vamos mergulhar numa explicação hiper condensada, de ignorantes despachados para público equivalente, confirmando à letra o dito popular de que a ignorância costuma ser atrevida. Parece até favorecer maximamente o atrevimento… Não por acaso, os pintores merecem tratamento familiar, como se fossem do nosso círculo de conhecidos, num afã titânico para nos tornar peritos no património do Louvre, Hermitage, Capela Sixtina e lugares semelhantes. Tudo muito acessível, como calhava bem.

A suposta aula, que condensa 5 séculos de arte em dois minutos, tem saídas tão bem apanhadas, que vale a pena partilhá-la. O mais não seja pelas telas lindas que a ilustram, com legendas no tom festivo e informal dos brasileiros.

Quer aprender a reconhecer os pintores pelos quadros? Então, vamos ao que interessa.

 1) Se o fundo for escuro e toda gente estiver com ar de tortura, é do Ticiano:


 2) Se todo o mundo é rechonchudo, é do Rubens:


 3) Se os homens têm olhos de vaca e parecem donas-de-casa, é do Caravaggio:


 4) Se o quadro está apinhado de gente, que parece normal, é do Pieter Bruegel:


 5) Se todo o mundo parece um mendigo iluminado por um poste de rua, é do Rembrandt


6) Se o quadro tem (ou podia ter) cupidos e ovelhas, é do François Boucher: 


7) Se todos forem lindos, estiverem semi-nus e empilhados ou bem apertados, é do Michelangelo: 


8) Se tem bailarina, é do Degas: 


9) Se tudo é alongado, com muitos claros-escuros e homens barbudos de cara magra, é do El Greco: 


 10) Se todo o mundo parece o Vladimir Putin, é do Van Eyck: 


Nesta lógica infalível, bastantes mais pintores e museus caberiam: narizes e tudo o mais fora do sítio seria de Picasso, os sorrisos enigmáticos de Leonardo, as taitianas de Gauguin, o mundo aos quadradinhos de Vieira da Silva, as catedrais e os nenúfares de Monet, os monstros psicadélicos de Bosch, Paris com nevoeiro e chuva de Cézanne, o Moulin Rouge e toda a agitação da noite parisiense de Toulouse-Lautrec, a mania das frutas e dos legumes de Arcimboldo, gente entretida em pequenos hobbies em salas à meia-luz de Vermeer, etc. Não faltariam bons truques para preparar as pessoas mais incautas para uma visita-relâmpago às colecções de arte da Europa e dos Estados Unidos. Naturalmente que se contaria com um mínimo de boa vontade.

O final da tal lição acaba por ser a cereja no bolo, assumindo o objectivo (pueril e anedótico) de tentar impressionar o próximo, porque é disso que se trata: «Agora, qualquer um está preparado para arrasar num Museu». Leia-se arrasar no sentido mais literal do termo, e mesmo assim...

Entretanto, se houver folga para ver telas boas, mas menos conhecidas e sem truques, recomenda-se a dupla exposição (até 20 de Outubro) sobre a arte do reinado de D.João V, o rei do Convento de Mafra, que se desdobra entre o MNAA e S.Roque (1), com o título sugestivo «A Encomenda prodigiosa», aludindo à Capela Real de S.João Baptista, na Igreja  de S.Roque.

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
 (1) Links: 

06 outubro 2013

27º Domingo do Tempo Comum


“Quando nós cristãos nos fechamos no nosso mundo, no nosso movimento, na nossa paróquia, no nosso ambiente, permanecemos fechados e sucede o que acontece a tudo o que está fechado: quando um quarto fica fechado começam cheiros da humidade. E se uma pessoa se fecha naquele quarto, adoece.[…] Prefiro mil vezes uma Igreja acidentada a uma Igreja adoentada! Uma Igreja, um catequista que tenha coragem de correr o risco para sair a um catequista que estudo, que saiba tudo, mas permanece fechado: isto é doentio. E por vezes é doente da cabeça. […]Para ser fiel, para ser criativo, é preciso saber mudar. Saber mudar. E porque é necessário mudar? Para me adequar às circunstâncias onde devo anunciar o Evangelho. Para permanecer em Deus é preciso sair, não ter medo de sair. E se um catequista se deixa tomar pelo medo, é um covarde; se um catequista permanece quieto, acaba por se transformar numa estátua de museu: e nós temos tantos!"

(Papa Francisco, no encontro com os catequistas, há cerca de uma semana.)


EVANGEHO – LUCAS 17,5-10

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naquele tempo,
os Apóstolos disseram ao Senhor:
«Aumenta a nossa fé».
O Senhor respondeu:
«Se tivésseis fé como um grão de mostarda,
diríeis a esta amoreira:
‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’,
e ela obedecer-vos-ia.
Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado,
lhe dirá quando ele volta do campo:
‘Vem depressa sentar-te à mesa’?
Não lhe dirá antes:
‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires,
até que eu tenha comido e bebido.
Depois comerás e beberás tu.
Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou?
Assim também vós,
quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei:
‘Somos inúteis servos:
fizemos o que devíamos fazer’».

05 outubro 2013

Pensamentos impensados


Serviços secretos
Obama é o maior amigo do Brasil; a espionagem foi só para saber o que lhe fazia falta.
 
Doçaria
Quero fazer um bolo que leva chocolate em pó.
Já só me falta o chocolate.
 
Habitação
Vivia numa casa condigna.
A sua mulher chamava-se Digna.
 
Punição
Ser condenado à forca é uma pena suspensa.
 
Novas tecnologias
A propósito de telemóveis, fala-se muito de android.
Não sei o que é; será o José Castelo Branco?
 
Temores na Terra
Ainda não é possível prever-se os terramotos, mas pode aprender-se a fazê-los na Escola de Richter.
 
Doenças
Silicose ataca o peito; silicone ataca os peitos.

SdB (I)

04 outubro 2013

Músicas dos dias que correm

Crónicas de um mestrando tardio

Entreguei no início desta semana o meu primeiro ensaio. Lido assim a seco perde o pouco interesse que poderia ter, porque não se conhece, nem o texto de M S Lourenço, nem a teoria de Frege. Não obstante, partilho-o convosco, só para que se perceba um pouco da linguagem e dos temas que vou ouvindo e sobre os quais vou escrevendo. Tive ontem o feedback e fiquei agradavelmente surpreendido. Fui "criticado" por algumas incorrecções formais, por um ou outro raciocínio menos claro. Fui "elogiado", e cito, desta forma: o seu ensaio foi um esforço de clareza notório - e isso ajuda-o. 
Uma informação última: respondi que sim à pergunta, e a resposta mais certa (se é que se pode dizer assim) seria "não".

***

É a teoria da literatura de M. S. Lourenço em “Metaliteratura” uma teoria fregeana?
***
Esta interrogação pode, de alguma forma, ser formulada de outro modo: enquadra-se a poesia, tal como dela fala M. S. Lourenço no ensaio mencionado, na teoria de Frege?
Citemos o filósofo português: como em poesia as palavras são objectos, as palavras poéticas deixam de ter referência.
Para nele enquadramos o de M. S. Lourenço, retomemos agora o pensamento de Frege. Para este, as frases dividem-se entre dois tipos diferentes:
-     -  aquelas em que interessa o valor da verdade, isto é, frases que transmitem conhecimento, e às quais Frege chama juízos; e
-     -  aquelas que não transmitem conhecimento, e às quais Frege não chama nada.
Complementando o raciocínio, Frege argumenta ainda que:
-      - as frases com referência transmitem conhecimento; e
-     -  as frases sem referência não transmitem conhecimento.
Portanto, podemos deduzir que para Frege as frases que não transmitem conhecimento,  para as quais não interessa o valor de verdade, são frases sem referência. E diz ainda o matemático e filósofo alemão que todas as frases que contêm uma palavra sem referente não têm referente.
Socorramo-nos agora de uma definição de poesia: carácter daquilo que, por ser considerado belo ou ideal, desperta uma emoção ou sentimento estético. Assumindo a veracidade desta definição – ou de outras, mais ou menos extensas -  daqui não decorre que a poesia transmite conhecimento. À poesia não interessa o valor da verdade mas apenas – ou sobretudo - o despertar de uma emoção.
A poesia socorre-se de figuras de estilo, de uma organização ritmada das palavras, do recurso a imagens próprias. Vive da imaginação e da sensibilidade mais ou menos férteis do poeta que, criando personagens, emoções, estados de espírito, verte a sua alma para o papel. Ao poeta não interessa, repete-se, transmitir conhecimento. Para o poeta, a expressão 7  + 5 = 12 não é a explicação de uma operação matemática verdadeira aceitável universalmente, mas a distribuição ordenada (poeticamente ordenada) de símbolos numéricos e gráficos. E mesmo quando alguém profere, num poema, esta verdade matemática, a frase é desprovida de referente, pelo que não pode ser considerada – nem isso seria importante – verdade ou falsa.  
Na poesia, como diz M. S. Lourenço, as palavras são objectos. E, assim sendo, são usadas como conjuntos de letras ordeiramente colocadas que servem um propósito estético, emocional, sensorial. Não servem, seguramente, para transmitir conhecimento. Ainda que o pudessem fazer, em circunstâncias muito específicas, não é essa a sua natureza.

cantando o veio em lado me meu e espia

e cruel me anjo redor combate leito, dia

sentar-se nesse passa peito ao e do meu 

embalou-me que no seu.

A poesia acima, da autoria de Sophia de Mello Breyner, não está como ela a redigiu. Escrita desta forma não tem, sequer, sentido. Mas, numa hipótese meramente académica, nada impediria que fosse esta a versão definitiva e derivada da vontade de quem a criou. Reproduzamo-la, mesmo assim, da forma correcta:

O Anjo que em meu redor passa e me espia

E cruel me combate, nesse dia

Veio sentar-se ao lado do meu leito

E embalou-me, cantando, no seu peito.

A quadra assim escrita já tem sentido, porque as palavras estão organizadas de uma forma coerente, sintacticamente correcta. E, não obstante, não tem referente, porque em bom rigor o anjo não existe.  E não tendo referente não transmite conhecimento, o que vai na linha do que tem vindo a referir-se, na senda do pensamento de Frege.
Traduzamos livremente o filósofo alemão: se fosse uma questão apenas da frase, do pensamento, seria desnecessária a preocupação com o referente de uma parte da frase; apenas o sentido, não o referente, da parte, é relevante para o sentido de toda a frase.
E diz ainda Frege, numa tradução livre: assim, é-nos indiferente que o nome Ulisses, por exemplo, tenha um referente, desde que aceitemos o poema como uma obra de arte.
Perceber o sentido da quadra independe, por isso, de determinar o referente de qualquer uma das linhas que constituem a quadra. E perceber o sentido do poema não é mais, em cada um dos leitores, do que encontrar uma interpretação, tantas vezes própria, individual e, quiçá única, para o poema.
Citemos agora M. S. Lourenço que diz a este respeito: mas o facto sobre todos notável é que um texto é tanto mais poético quanto maior for o número de interpretações divergentes que suscita. Assim, a verdade absoluta do texto poético, que repousa apenas sobre a observância de uma formalismo vazio de conteúdo, fica dependendo de uma interpretação que transforme essa verdade absoluta na verdade relativa dos modelos mais conformes com a nossa intuição dos objectos reais.
Se entendermos a quadra de Sophia de Mello Breyner, da infinidade de exemplos semelhantes, e seguramente mais veementes, como uma obra de arte, percebemos que o referente, que de facto não existe, não é necessário, porque nos basta a interpretação.   
Parece-nos por isso evidente que há uma sintonia nos pensamentos de ambos os filósofos.
Como em poesia as palavras são objectos, as palavras poéticas deixam de ter uma referencia.
À pergunta: é a teoria da literatura de M. S. Lourenço em “Metaliteratura” uma teoria fregeana?, a resposta tem de ser, obviamente, sim.

03 outubro 2013

Vindimada




Copo de vinho
Lábios com mosto
Meu copo lindo
Na boca posto
Era de vinho
Feito de mosto
Quem faz o vinho
Fá-lo por gosto
É vinho, sei
Vinho vermelho
Fonte de azia
Bago da uva
Filho da cepa
Risco sem rede
Volta a jorrar
Quando há sede

(Música da desfolhada)

SdB (I) 

02 outubro 2013

Tanegashima e Nagasaki (Portugal no Mundo)


As exóticas Ilhas Japonesas no Oceano Pacífico a que Marco Polo chamou  Cipangu  sempre fascinaram os  portugueses,  primeiros europeus a visitar o Japão.
Ilhas de origem vulcânica, onde furacões, sismos e tsunamis são uma constante, moldaram um povo único, de carácter e personalidade  fortes, de rituais rígidos em que a honra supera a morte! Mal  entendidos pela Civilização Ocidental, que por vezes os apelidou de bárbaros, nome com que curiosamente os portugueses foram crismados quando chegaram ao Japão (Namban-jin/bárbaros do sul), as qualidades e defeitos do povo  japonês mais não são de que "balsamos consoladores das duras misérias deste mundo"!   
Para melhor entender o "espirito" do povo japonês, povo que tem o culto da flor, onde a flor da Cerejeira (Sakura) tem valor simbólico igual ao da  Bandeira,  devemos ler  "Relance da Alma Japonesa" de  Wenceslau de Moraes, escritor nascido em 1854 em Lisboa, oficial da Marinha de Guerra, professor do Liceu em Macau, Cônsul em Kobe e Osaka no Japão em 1899, País pelo qual se apaixonou e aonde ficou a viver . Dai-Nippon (O Grande Japão) e o  "O Culto do Chá" escritos por Wenceslau, são autênticos monumentos dedicados à Civilização Japonesa.


Em 1954, a comemorar os cem anos do nascimento de Wenceslau de Moraes que viveu e morreu  (1929)  em  Tokushima , foi  inaugurado um Memorial em que no altar foram depositados ramos verdes de Sakaki, árvore sagrada do Xintoísmo/Caminho dos deuses. 
Na festa dos mortos, que Wenceslau tão bem descreveu no seu livro "Bon-Odori em Tokushima",  a juventude japonesa  alegremente dança e canta á volta do seu Monumento!    
 Armando Martins Janeira (1914-1988), diplomata, especialista em Wenceslau de Moraes, igualmente apaixonado pelo Japão onde foi Embaixador,  escreveu  várias obras  como "O Impacte Português sobre a Civilização Japonesa" e "NÔ", editado em 1954  em Tóquio,  onde o autor reúne as mais belas poesias da  Literatura e Teatro Japonês.
Em 1543, portugueses vindos de Malaca, António  Mota, Francisco Zeimoto e António Peixoto, aventureiros em comércio por conta própria, fora do  "serviço da Coroa", por sorte do acaso chegam à Ilha de Tanegashima. Fernão Mendes Pinto (1510-1583) ali chega em 1544.
A sua empolgante obra  "Peregrinação", editada em 1614, obra  que a americana Rebecca Catz classifica como "Sátira (verdade deformada) e anti-cruzada",  é um escrito de profunda filosofia  moral e religiosa.
A "Peregrinação" é "Acto de Contrição" de um aventureiro, que  perante o  corpo  incorrupto de S. Francisco Xavier na chegada a Goa, de quem era amigo e admirador, de algum modo impressionado,  entrega a sua fortuna e o tempo que lhe resta  de vida  à Companhia de Jesus.   Será  mais um  Milagre de S. Francisco Xavier??
A "Peregrinação", como livro de Viagens e Aventura,  só  com as  "Viagens de Marco Polo" (1254-1324) pode ser comparada.  Fernão Mendes Pinto, figura querida no Japão, tem estátua de António Duarte no Pragal (Almada), onde viveu os últimos anos da sua vida.


A comemorar a chegada dos portugueses e da introdução das "Armas de Fogo", os japoneses realizam em Tanegashima a "Festa da Espingarda". Um cortejo com milhares de participantes  vestidos com trajes de aventureiros portugueses, Caravela, bandeiras e símbolos portugueses e uma réplica de Fernão Mendes Pinto, desfilam pelas ruas da Cidade.                    


Com o corte de relações ente a China e o Japão em 1549, o comércio entre os dois Países passa a ser feito por intermédio dos portugueses, que após o acordo luso-chinês do Comandante Leonel de Sousa em 1554,  se estabelecem em Macau em 1557.
A "Nau do Trato ou Barco Negro" vinda de Macau, ao trocar no Japão seda e cerâmica chinesas por prata japonesa, deu origem ao que chamamos: "Negócio da China"!
A viver em Nagasaki, S. Francisco Xavier, Titulado Apóstolo das Índias pelo Papa Urbano VIII em 1623,  desembarca  em Kagoshima na  Ilha de Kyushu em 1549.  A Cidade de Nagasaki  fundada por navegadores portugueses na segunda metade do século XVI junto a vila piscatória na Baía de Nagasaki, foi em 1580 doada  aos Jesuítas pelo  Daimyo Omura  Sumitada, que se converteu ao cristianismo com o nome de D. Bartolomeu.
Ao inverso de Hiroshima  que foi totalmente arrasada no bombardeamento nuclear no fim da 2ª Guerra Mundial, Nagasaki, Cidade Simbólica do Cristianismo no Japão, construída á maneira portuguesa em colinas de terreno acidentado, sofreu menos estragos, quando escusadamente foi  bombardeada por gente,  cujo a ignorância é de "bradar aos céus"!!   
Em 1552, Luís de Almeida (1525-1583) medico jesuíta  a viver em Funai (actual  Oita), funda no Japão  o primeiro Hospital e uma Casa de recolhimento para crianças abandonadas.
Luís de Almeida, com estátua em Oita, é no Japão considerado um Santo.  
Em 1582, pela mão dos Jesuítas, a 1ª Embaixada japonesa composta por quatro jovens Daimyos, sai de Nagasaki a caminho da Europa, desembarca em Lisboa e  segue para Roma  onde é recebida pelo Papa Gregório XIII (1572-1585).



Nagasaki esteve em poder dos Jesuítas até 1587, ano em que a religião cristã foi proibido  no Japão. Em 5 de Fevereiro de 1597  vindos de Kyoto 26 cristãos foram crucificados em Nagasaki, sendo os primeiros mártires cristãos do Japão. Beatificados  pelo Papa Urbano VIII em 1627, foram canonizados em 1862 pelo Papa Pio IX.
Em atitude de tolerância e talvez de arrependimento, os japoneses  em sua Memória  construíram em 1962 um imponente Monumento em Nagasaki.     



Em 1639 os portugueses com a ajuda da intriga holandesa são expulsos do Japão.  Nagasaki, refugio de cristãos, continua no entanto a ser o Centro  Cripto-Católico do Japão!  
A influencia portuguesa no Japão faz-se notar no inúmero vocabulário  introduzido na língua japonesa (arigatô/obrigada), no cristianismo, na astronomia,  medicina, arte de navegar, cartografia, na Arte Namban (apreciada em todo o Mundo), culinária (doçaria), costumes, etc.
Além das Armas de Fogo, os portugueses introduziram no Japão a Imprensa.
Em 1604, o jesuíta João Rodrigues, conhecido no Japão como Tçuzu, que significa o intérprete, escreveu em Nagasaki a "Arte da Lingoa de Japam".  A primeira gramática em língua japonesa foi  igualmente escrita em Nagasaki  por um jesuíta português.    




Os portugueses continuam fascinados pela Civilização Japonesa.
Os japoneses  respeitam e guardam  com orgulho a velha  Herança Lusitana.   


FMCN

01 outubro 2013

Duas Últimas


Alcobaça tem o extraordinário Mosteiro cisterciense do mesmo nome, com construção iniciada no século XII sob o domínio do gótico, que quem nunca visitou está obrigado a visitar, pois que se trata, seguramente, de uma das obras mais interessantes e bonitas existentes em Portugal, isto adjectivando pobremente.

Mas Alcobaça viu também nascer os The Gift, que quem nunca ouviu (não) está obrigado a ouvir. Gosto deles, sobretudo quando cantam em português, como é o caso desta música que hoje aqui trago, do último álbum do grupo. Gosto da voz poderosa de Sónia Tavares, irreverente, com alma. Do visual nem tanto, mas é irrelevante.

Casei nas Caldas da Rainha, terra vizinha e rival de Alcobaça. Sábado passado casou um dos meus filhos, também na zona oeste, mas mais perto de Lisboa. Não que esta música tenha tocado, mas lembrei-me dela: “Sábado à noite não sou tão só….” Nesta Primavera que agora começam, que Deus os ajude e a sorte dê uma mãozinha.

Espero que também gostem!

fq

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