numas águas furtadas perdidas,
a cidade branca lá fora,
e nós, poetas e poema 'in motion',
entretidos a ser felizes.
disse um poeta russo
que nada do que excluía a alegria lhe interessava.
dias houve, minha querida,
em que tudo o que te excluía me dizia nada vezes nada.
como disse outro poeta, daqueles a sério,
um mundo que te inclui não pode ser um mau mundo.
mas agora, em que restamos já só de memória,
isso vale um avo de mel coado - moeda fraca e incolor.
sobeja-nos o mistério - e a 'feérie' -
de um dia, num vão de escada, termos sido capazes
de reinventar (sujeito, complemento e predicado)
essa coisa do amor.
(e tudo isso e o seu contrário:
o que a vida tem de pior e de melhor)
incluo aqui os beatles, kafka, ruy belo,
mais os cinco violinos do sporting,
toda a música sacra,
nova iorque e a matemática,
o dia mais perfeito,
daqueles que fazem rimar agosto e calor.
nada, minha menina, nada de nada,
chega ao sabor da tua pele,
essa ideia desvairada e luzidia
de matar fome e sede e mágoa
com as migalhas do teu amor.
gi.
As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
22 janeiro 2010
21 janeiro 2010
Deixa-me rir...
Caros audiophiles, I thought it would be a good idea to begin this new year, this new decade, with a new group.
They are called Mumford & Sons and they come from my area of south-west London. Even so, musically their sound reflects a love of Irish-American country folk, with a little bit of bluegrass, and even a bit of Coldplay piano. Their vocal harmonies make me think of Fleet Foxes. their impassioned and joyfully exuberant playing reminds me very much of the Canadian group Arcade Fire who. I should not have been surprised to learn, share the same studio producer.
Mumford already have in their short history a fast growing band of admirers and I am certain that in 2010 these gentlemen of the road will become the darlings of summer festivals everywhere. Excitement in your limbs, romance in your heart, some fire in your belly. What more can you wish for? Maybe a beer in your hand.
It is a hard choice which song to introduce, a task made easier because there are not yet many good sound quality videos available to accompany them. And so, because the weather has been so awful here, and in Portugal too, I choose a song with an appropriate title, Winter Winds, which happens also to reference my home city.
But I urge you to check also other songs such as Little Lion Man (official video), The Cave, White Blank Page and Dustbowl Dance (from the Bookshop Sessions) and Gentlemen Of The Road which is a charming short self-introduction by the band.
Please tell me what you think!
May your lives soon swap snow and wind and rain for leaves of green.
A proxima,
po
20 janeiro 2010
A corrida
O ser humano é poderoso, exerce um domínio quase pleno sobre o seu mundo. No entanto, há algo que o transcende: o tempo. foge-lhe pelas entranhas dos dedos e, por mais firme que seja o cerrar da mão, desaparece, numa corrida exaustiva, onde a meta é a morte. Somos, portanto, atletas que corremos ao ritmo acelerado da vida, ofegantes, com a mente no próximo passo, no próximo obstáculo, no próximo triunfo. Depressa pisamos o passado, tamanha é a obsessão pelo futuro. Corremos velozmente, de cabeça erguida, olhos focados, esforços empregues no próximo passo. E os anteriores, aqueles que nos gastaram a sola do sapato, aqueles que construíram o nosso caminho até ao presente, aqueles que nos edificaram? Ficaram para trás, deixando apenas a sua marca na terra que o tempo acabará por apagar.
A corrida continua e, à medida que o tempo vai passando, o atleta amadurece, começa a reduzir o ritmo, a fugir da meta. Todavia, a vida é uma estrada de sentido obrigatória e ele tem de continuar, começando, no entanto, a baixar o olhar e a arquear as costas. O desânimo invade-o, perdeu as forças para correr e agora é apenas um atleta em marcha. Pressente que a meta está perto e tem uma vontade repentina de reviver toda a sua corrida. Porém, quando pela primeira vez olha para trás, vê um caminho de terra sem qualquer marca pessoal. O tempo apagou tudo.
Agora, com a meta ao alcance do olhar, o atleta percebe que a vida é constituída por passado, presente e futuro. Arrepende-se tremendamente de ter posto para trás das costas cada passo que deu e, já de joelhos no chão, numa tentativa de deixar uma marca eterna, apela aos outros atletas que registem a sua vida, no desespero de não ter feito o seu diário.
MTM
19 janeiro 2010
O Encontro
Caramba, que me dói a barriga. Sinto-me preso dentro de uma marioneta bizarra que vai atirando os pés para a frente num andar afectado de quem tem por hábito passar o dia sentado. O meu corpo é um lugar estranho, desconcertante, assustador. Sinto-me vítima duma jigajoga de contornos perversos. Agora estou a suar das mãos. Quero parar de suar das mãos, ela vai reparar quando agarrar nas flores, vai notar que o jornal que as envolve está ensopado, vai ter nojo de mim, de certeza. Agora da testa, sinto as gotas todas, todas únicas, sei contá-las e ordena-las por tamanho, consigo adivinhar qual vai escorrer a seguir em direcção às sobrancelhas. Porra, à sobrancelha, que é só uma.
Queria saber andar como os heróis dos filmes, quando estão de costas para as explosões, com toda a confiança do mundo, ao ritmo de uma música composta a pensar naqueles passos. Queria ter as mãos firmes como as de um cirurgião, experimentadas como as de um pescador e esbeltas como as de um pianista, queria sobretudo que não ensopassem o jornal que envolve as flores.
Os meus óculos embaciaram, lá fora estava demasiado frio e aqui dentro está demasiado calor, nem vou conseguir vê-la dobrar a esquina do corredor. Ela vai achar que eu sou só parvo, vai chamar-me à atenção e eu nem vou reparar como ela disfarça mal a impaciência, e nem sequer vai ser porque vou estar a tentar escutá-la por cima das reclamações do meu estômago, mas sim porque a concentração exigida para não deixar descair o queixo me vai dar pano que chegue para muitas mangas.
Caramba que me dói a barriga. Sinto-me preso dentro de um sonho mau, daqueles em que queremos correr, para fugir de alguém ou para chegar mais depressa a algum lugar, mas as nossas pernas vão ficando cada vez mais lentas, cada vez mais pesadas, como se não fossem nossas, como se fossem desconhecidas e indiferentes.
Sossega, eu estive mais de cinco minutos para conseguir vir ter contigo, parece que tenho um cavalo a galope no peito, segredou-me ela. Se o meu corpo fosse obediente à minha vontade, eu tinha dado um pulo de surpresa. Fiquei-me pelo sorriso. Trouxe flores para ti.
São lindas.
ZdT
18 janeiro 2010
Pensamentos impensados
A língua portuguesa é muito traiçoeira; ouvido na televisão:
-A mãe pediu o poder paternal...
-No âmbito do processo Casa Pia, foi ouvido um surdo-mudo...
As "pequenas" que praticam "strip tease" devem ter alguma carne para não serem apelidadas de "strip" tísicas.
Os afro-asiáticos são parentes afastados dos afrodisíacos.
Os coevos eram um povo que viveu no tempo dos contemporâneos.
Os peixes podem ter apetites carnais?
Poderá dizer-se o "dia-a-dia" do guarda-nocturno?
O quilómetro será uma medida de peso? não me parece embora tenha visto um letreiro a dizer Peso da Régua ,5 quilómetros.
SdB (I)
-A mãe pediu o poder paternal...
-No âmbito do processo Casa Pia, foi ouvido um surdo-mudo...
As "pequenas" que praticam "strip tease" devem ter alguma carne para não serem apelidadas de "strip" tísicas.
Os afro-asiáticos são parentes afastados dos afrodisíacos.
Os coevos eram um povo que viveu no tempo dos contemporâneos.
Os peixes podem ter apetites carnais?
Poderá dizer-se o "dia-a-dia" do guarda-nocturno?
O quilómetro será uma medida de peso? não me parece embora tenha visto um letreiro a dizer Peso da Régua ,5 quilómetros.
SdB (I)
17 janeiro 2010
Fotografias dos dias que correm...
2º Domingo do Tempo Comum
EVANGELHO – Jo 2,1-11
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo,
realizou-se um casamento em Caná da Galileia
e estava lá a Mãe de Jesus.
Jesus e os seus discípulos
foram também convidados para o casamento.
A certa altura faltou o vinho.
Então a Mãe de Jesus disse-Lhe:
«Não têm vinho».
Jesus respondeu-Lhe:
«Mulher, que temos nós com isso?
Ainda não chegou a minha hora».
Sua Mãe disse aos serventes:
«Fazei tudo o que Ele vos disser».
Havia ali seis talhas de pedra,
destinadas à purificação dos judeus,
levando cada uma de duas a três medidas.
Disse-lhes Jesus:
«Enchei essas talhas de água».
Eles encheram-nas até acima.
Depois disse-lhes:
«Tirai agora e levai ao chefe de mesa».
E eles levaram.
Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho,
– ele não sabia de onde viera,
pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam –
chamou o noivo e disse-lhe:
«Toda a gente serve primeiro o vinho bom
e, depois de os convidados terem bebido bem,
serve o inferior.
Mas tu guardaste o vinho bom até agora».
Foi assim que, em Caná da Galileia,
Jesus deu início aos seus milagres.
Manifestou a sua glória
e os discípulos acreditaram n’Ele.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo,
realizou-se um casamento em Caná da Galileia
e estava lá a Mãe de Jesus.
Jesus e os seus discípulos
foram também convidados para o casamento.
A certa altura faltou o vinho.
Então a Mãe de Jesus disse-Lhe:
«Não têm vinho».
Jesus respondeu-Lhe:
«Mulher, que temos nós com isso?
Ainda não chegou a minha hora».
Sua Mãe disse aos serventes:
«Fazei tudo o que Ele vos disser».
Havia ali seis talhas de pedra,
destinadas à purificação dos judeus,
levando cada uma de duas a três medidas.
Disse-lhes Jesus:
«Enchei essas talhas de água».
Eles encheram-nas até acima.
Depois disse-lhes:
«Tirai agora e levai ao chefe de mesa».
E eles levaram.
Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho,
– ele não sabia de onde viera,
pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam –
chamou o noivo e disse-lhe:
«Toda a gente serve primeiro o vinho bom
e, depois de os convidados terem bebido bem,
serve o inferior.
Mas tu guardaste o vinho bom até agora».
Foi assim que, em Caná da Galileia,
Jesus deu início aos seus milagres.
Manifestou a sua glória
e os discípulos acreditaram n’Ele.
15 janeiro 2010
baixa gastronomia
ousei provar um coração em picadinho,
à maneira lá de minas gerais,
num qualquer boteco de ocasião.
ao boteco não voltei mais,
e juro que não é mero choradinho,
antes o gosto amargo de coração
vagamente trucidado.
como todo o coração-avião,
nenhum é feito
para voar baixinho.
(nem para acabar esturricado.)
gi.
à maneira lá de minas gerais,
num qualquer boteco de ocasião.
ao boteco não voltei mais,
e juro que não é mero choradinho,
antes o gosto amargo de coração
vagamente trucidado.
como todo o coração-avião,
nenhum é feito
para voar baixinho.
(nem para acabar esturricado.)
gi.
14 janeiro 2010
Deixa-me rir...
Desculpem-me os fãs do PO, mas desta vez sou eu outra vez … o PO está super ocupado esta semana…
Duas versões da mesma canção: Pretty Woman. Uma, a clássica, cantada pelo Roy Orbison. Performance sóbria, voz inconfundível. Confesso que não sou apreciadora. O timbre de voz dele irrita-me. Ou seja, o que me fez escolher esta canção foi precisamente a segunda versão que aqui apresento: a mesma música cantada no contexto de um filme indiano.
Já há uns tempos que me apetecia postar qualquer coisa que tivesse a ver com a Índia. Mas a música indiana é muito diferente da nossa e tenho tido algum receio de não agradar aos ilustres visitadores do Adeus … Mas desta vez não resisti. O Youtube presenteou-me com este vídeo que é o retrato vivo de algumas das infinitas facetas do meu país preferido.
Começa por ser um vídeo que tem a ver com a diversão mais popular na Índia: o cinema. Bollywood e a sua produção de filmes a metro são sobejamente conhecidos. Quem souber um bocadinho sobre esta Meca do cinema indiano sabe que os actores têm de saber cantar e que a música e a dança são elementos essenciais em todos os filmes. As coreografias são invulgarmente precisas (talvez não particularmente criativas!) e dão cartas, a meu ver, a ballets ocidentais (ainda recentemente vi um na Royal Opera House, em Londres, que deixava muito a desejar do ponto de vista de coordenação do corpo de baile). A linguagem gestual, que só pode vir na linha da antiga tradição teatral indiana, é toda ela extremamente expressiva (e excessiva), e muito baseada na articulação de braços, mãos, olhos, pescoço, coluna, ancas … o corpo move-se com uma imensa flexibilidade, numa linguagem rica de significados, que vai muito para além dos diálogos (que não são o forte de Bollywood).
São filmes com finais felizes na sua esmagadora maioria. Há sempre vilões e damas inocentes, sudras e brâmanes, lutas fratricidas e demónios à solta em templos dedicados a serpentes… mas acaba sempre tudo em bem. Acho graça a este aspecto muito romantizado do cinema indiano. Tenho-me perguntado a razão de ser deste romantismo, deste lirismo tão em desuso no mundo ocidental. A meu ver, é capaz de ter a ver com uma espécie de sublimação da realidade vivida no dia-a-dia. Toda a gente sabe que a Índia é constituída por uma massa humana de milhões e milhões de seres que vivem abaixo do limiar da pobreza, e que todos os dias vendem a sua saúde e a sua longevidade a troco de umas míseras rupias. Esquecer, durante 2 horas, esta miséria, o trânsito caótico, a poluição, a doença crónica, o fantasma da pobreza, o ostracismo, a semana 7/7, a quase ruína que significa dar um dote às filhas casadoiras, é o que se pretende. Para tragédias, já basta a vida … no dizer popular português…
O personagem central deste vídeo é Shahrukh Khan, um dos sex symbols do cinema mainstream indiano. Não é grande actor, não tem grande versatilidade, mas é bonitão, canta, dança, é expressivo, tornou-se muito popular (o que na Índia raia a “divinização”) e está multi-milionário.
Tudo isto é kitsch para o nosso gosto. Mas é tão divertido, alegre e elucidativo do género de filmes que Bollywood também faz (porque, na sua esmagadora maioria, são dedicados ao consumo “interno” e das suas comunidades no exterior – e consequentemente muito impenetráveis), que resolvi incluí-lo nesta rubrica.
Ah, esqueci-me de dizer que qualquer filme de Bollywood que aspire a uma certa “sofisticação” (ou talvez internacionalização?) tem obrigatoriamente de conter elementos ocidentais... é o caso. Uma exuberante mistura de cultura indiana com fortíssimas pinceladas da América. Have fun.
Duas versões da mesma canção: Pretty Woman. Uma, a clássica, cantada pelo Roy Orbison. Performance sóbria, voz inconfundível. Confesso que não sou apreciadora. O timbre de voz dele irrita-me. Ou seja, o que me fez escolher esta canção foi precisamente a segunda versão que aqui apresento: a mesma música cantada no contexto de um filme indiano.
Já há uns tempos que me apetecia postar qualquer coisa que tivesse a ver com a Índia. Mas a música indiana é muito diferente da nossa e tenho tido algum receio de não agradar aos ilustres visitadores do Adeus … Mas desta vez não resisti. O Youtube presenteou-me com este vídeo que é o retrato vivo de algumas das infinitas facetas do meu país preferido.
Começa por ser um vídeo que tem a ver com a diversão mais popular na Índia: o cinema. Bollywood e a sua produção de filmes a metro são sobejamente conhecidos. Quem souber um bocadinho sobre esta Meca do cinema indiano sabe que os actores têm de saber cantar e que a música e a dança são elementos essenciais em todos os filmes. As coreografias são invulgarmente precisas (talvez não particularmente criativas!) e dão cartas, a meu ver, a ballets ocidentais (ainda recentemente vi um na Royal Opera House, em Londres, que deixava muito a desejar do ponto de vista de coordenação do corpo de baile). A linguagem gestual, que só pode vir na linha da antiga tradição teatral indiana, é toda ela extremamente expressiva (e excessiva), e muito baseada na articulação de braços, mãos, olhos, pescoço, coluna, ancas … o corpo move-se com uma imensa flexibilidade, numa linguagem rica de significados, que vai muito para além dos diálogos (que não são o forte de Bollywood).
São filmes com finais felizes na sua esmagadora maioria. Há sempre vilões e damas inocentes, sudras e brâmanes, lutas fratricidas e demónios à solta em templos dedicados a serpentes… mas acaba sempre tudo em bem. Acho graça a este aspecto muito romantizado do cinema indiano. Tenho-me perguntado a razão de ser deste romantismo, deste lirismo tão em desuso no mundo ocidental. A meu ver, é capaz de ter a ver com uma espécie de sublimação da realidade vivida no dia-a-dia. Toda a gente sabe que a Índia é constituída por uma massa humana de milhões e milhões de seres que vivem abaixo do limiar da pobreza, e que todos os dias vendem a sua saúde e a sua longevidade a troco de umas míseras rupias. Esquecer, durante 2 horas, esta miséria, o trânsito caótico, a poluição, a doença crónica, o fantasma da pobreza, o ostracismo, a semana 7/7, a quase ruína que significa dar um dote às filhas casadoiras, é o que se pretende. Para tragédias, já basta a vida … no dizer popular português…
O personagem central deste vídeo é Shahrukh Khan, um dos sex symbols do cinema mainstream indiano. Não é grande actor, não tem grande versatilidade, mas é bonitão, canta, dança, é expressivo, tornou-se muito popular (o que na Índia raia a “divinização”) e está multi-milionário.
Tudo isto é kitsch para o nosso gosto. Mas é tão divertido, alegre e elucidativo do género de filmes que Bollywood também faz (porque, na sua esmagadora maioria, são dedicados ao consumo “interno” e das suas comunidades no exterior – e consequentemente muito impenetráveis), que resolvi incluí-lo nesta rubrica.
Ah, esqueci-me de dizer que qualquer filme de Bollywood que aspire a uma certa “sofisticação” (ou talvez internacionalização?) tem obrigatoriamente de conter elementos ocidentais... é o caso. Uma exuberante mistura de cultura indiana com fortíssimas pinceladas da América. Have fun.
pcp
12 janeiro 2010
Inspirações
Os lobos uivam para ela. Os lobisomens atacam quando está cheia. E são muitos os homens que, com a sua arte e engenho, demonstraram o fascínio e a atracção pelo ponto maior do céu. Pintaram o brilho e o reflexo sobre o mar, escreveram-lhe mil linhas de amor, filmaram-na em grandes planos que enchem o ecrã. Para além de tudo isto, foram muitos os que transformaram em música este fascínio.
Em 1973 quatro rapazes que, não satisfeitos com o que ela mostrava á primeira vista, tentaram descobrir o seu lado mais obscuro. Partiram numa viagem de 43 minutos que havia de passar por perguntas sobre o tempo, o dinheiro, a morte e a loucura. Quando chegaram ao fim concluíram que não havia um lado escuro... era completamente escura, na realidade.
E alguns séculos antes reza a lenda que uma cega de nascença, triste e infeliz por desde sempre ter sido privada das cores do mundo, pediu a um célebre compositor que lhe descrevesse o brilho da noite. Este, célebre pelo seu temperamento, sentou-se a um piano. E da descrição que ele fez saiu uma das mais bonitas sonatas que o mundo conhece.
Umas dezenas de anos mais tarde outro compositor, depois de ler um poema sobre a sorte e as paisagens que a noite esconde, decidiu escrever a sua versão com sustenidos e colcheias, criando assim o seu clair de lune.
Já por cá, um famoso poeta do Norte disse, depois de alguns copos, que a lua é a mulher que hoje vou abraçar.
Para mim, a lua é a minha companhia enquanto escrevo este texto. Apoiada nos cotovelos, vai espreitando e entrando devagarinho pela janela do quarto.
Em 1973 quatro rapazes que, não satisfeitos com o que ela mostrava á primeira vista, tentaram descobrir o seu lado mais obscuro. Partiram numa viagem de 43 minutos que havia de passar por perguntas sobre o tempo, o dinheiro, a morte e a loucura. Quando chegaram ao fim concluíram que não havia um lado escuro... era completamente escura, na realidade.
E alguns séculos antes reza a lenda que uma cega de nascença, triste e infeliz por desde sempre ter sido privada das cores do mundo, pediu a um célebre compositor que lhe descrevesse o brilho da noite. Este, célebre pelo seu temperamento, sentou-se a um piano. E da descrição que ele fez saiu uma das mais bonitas sonatas que o mundo conhece.
Umas dezenas de anos mais tarde outro compositor, depois de ler um poema sobre a sorte e as paisagens que a noite esconde, decidiu escrever a sua versão com sustenidos e colcheias, criando assim o seu clair de lune.
Já por cá, um famoso poeta do Norte disse, depois de alguns copos, que a lua é a mulher que hoje vou abraçar.
Para mim, a lua é a minha companhia enquanto escrevo este texto. Apoiada nos cotovelos, vai espreitando e entrando devagarinho pela janela do quarto.
SdB (III)
11 janeiro 2010
Pensamentos impensados
Antigamente era costume pôr a roupa lavada, ao Sol a corar, isto é, para ficar mais branca; daí...a brancura dos nossos costumes.
O milho rôxo é um cereal killer?
O Kama Sutra, se estiver em formato de "livre de poche" passa a ser livro deboche?
De uma pessoa que caia 10 vezes, diz-se que está em decadência.
Qual a diferença entre Luis XV e Noé? O primeiro disse "après moi le déluge"; Noé disse "après le déluge moi".
Parece que o vidro não pode ser considerado um sólido pois ao fim de séculos deforma-se; assim sendo, pode formular-se o seguinte postulado: afirmar-se que o vidro é um sólido, não é líquido.
Uma paisagem com vacas é sempre bucólica; é dessas vacas que se faz o osso buco.
SdB (I)
O milho rôxo é um cereal killer?
O Kama Sutra, se estiver em formato de "livre de poche" passa a ser livro deboche?
De uma pessoa que caia 10 vezes, diz-se que está em decadência.
Qual a diferença entre Luis XV e Noé? O primeiro disse "après moi le déluge"; Noé disse "après le déluge moi".
Parece que o vidro não pode ser considerado um sólido pois ao fim de séculos deforma-se; assim sendo, pode formular-se o seguinte postulado: afirmar-se que o vidro é um sólido, não é líquido.
Uma paisagem com vacas é sempre bucólica; é dessas vacas que se faz o osso buco.
SdB (I)
10 janeiro 2010
Festa do Baptismo do Senhor
EVANGELHO – Lc 3,15-16.21-22
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
o povo estava na expectativa
e todos pensavam em seus corações
se João não seria o Messias.
João tomou a palavra e disse-lhes:
«Eu baptizo-vos com água,
mas vai chegar quem é mais forte do que eu,
do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias.
Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo».
Quando todo o povo recebeu o baptismo,
Jesus também foi baptizado;
e, enquanto orava, o céu abriu-se
e o Espírito Santo desceu sobre Ele
em forma corporal, como uma pomba.
E do céu fez-se ouvir uma voz:
«Tu és o meu Filho muito amado:
em Ti pus toda a minha complacência».
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
o povo estava na expectativa
e todos pensavam em seus corações
se João não seria o Messias.
João tomou a palavra e disse-lhes:
«Eu baptizo-vos com água,
mas vai chegar quem é mais forte do que eu,
do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias.
Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo».
Quando todo o povo recebeu o baptismo,
Jesus também foi baptizado;
e, enquanto orava, o céu abriu-se
e o Espírito Santo desceu sobre Ele
em forma corporal, como uma pomba.
E do céu fez-se ouvir uma voz:
«Tu és o meu Filho muito amado:
em Ti pus toda a minha complacência».
09 janeiro 2010
Só vale escolher um!
Que brilho é que queres ter? O da silhueta, de uma pele fresca, de uns olhos sem rugas, de uma boca tenra, ou o brilho de dentro, do riso sincero, da lágrima sentida, da idéia diferente, do teu génio, do teu género, do tom da tua voz, das tuas palavras... Dás-te conta destas coisas? Pensas nelas? Que brilho é que queres ter?
DaLheGas
DaLheGas
08 janeiro 2010
the ghost and mr. blake
penso, vezes sem conta,
como a tua ausência líquida,
pode ser assim aniquilada,
pela presença sólida, em mim,
dessa tua mesma ausência.
penso, e perco-me nas contas,
desalinho-me e avario,
como a eternidade equivale afinal
ao seu mais simétrico inverso:
nunca, nada, ninguém
(muito menos tu).
de mim próprio ausente,
corro a cantar-te vida fora,
como são tomé, a teus pés:
minha senhora e minha deusa!
é tarde, choves nos meus olhos.
felizes os que te souberam
antes da sua própria consciência.
(eu sei:)
rapaz de pouca fé.
gi.
como a tua ausência líquida,
pode ser assim aniquilada,
pela presença sólida, em mim,
dessa tua mesma ausência.
penso, e perco-me nas contas,
desalinho-me e avario,
como a eternidade equivale afinal
ao seu mais simétrico inverso:
nunca, nada, ninguém
(muito menos tu).
de mim próprio ausente,
corro a cantar-te vida fora,
como são tomé, a teus pés:
minha senhora e minha deusa!
é tarde, choves nos meus olhos.
felizes os que te souberam
antes da sua própria consciência.
(eu sei:)
rapaz de pouca fé.
gi.
07 janeiro 2010
Deixa-me rir...
Voltando à música portuguesa (que tem sido muito relegada para segundo plano….). Hesito entre esta Senhora e a Amália. Não me consigo decidir sobre qual prefiro… mas hoje preferi esta Senhora.
Ficha técnica:
Fadista: Maria Teresa de Noronha
Título: Fado das Horas
Poema: D. António de Bragança
Video: Sem história
Interpretação: 10/10
Sensibilidade: 10/10
Graça, encanto, categoria: 10/10
Simplicidade: 10/10
Capacidade de tocar a alma: 10/10 (embora haja muitos que sejam 10/10)
Ranking dentro dos fadistas: 10/10 (meu ranking, claro) – ex-aequo com o António Mello Correia
Nota: fiquei hesitante entre este fado e o Rosa Enjeitada (talvez ainda melhor pelas extraordinárias, maravilhosas, perturbadoras inflexões de voz). Mas tenho um fraquinho por este fado…
Ficha técnica:
Fadista: Maria Teresa de Noronha
Título: Fado das Horas
Poema: D. António de Bragança
Video: Sem história
Interpretação: 10/10
Sensibilidade: 10/10
Graça, encanto, categoria: 10/10
Simplicidade: 10/10
Capacidade de tocar a alma: 10/10 (embora haja muitos que sejam 10/10)
Ranking dentro dos fadistas: 10/10 (meu ranking, claro) – ex-aequo com o António Mello Correia
Nota: fiquei hesitante entre este fado e o Rosa Enjeitada (talvez ainda melhor pelas extraordinárias, maravilhosas, perturbadoras inflexões de voz). Mas tenho um fraquinho por este fado…
pcp
06 janeiro 2010
É hoje
É hoje. Hoje é o dia, hoje é o dia em que te deixo no ano passado, e que sigo em frente na minha vida que tem andado tão parada que parece em modo "marcha atrás".
Hoje esqueci-te. Usando a minha cabeça estranhamente matemática, se tu não gostas de mim eu também não posso gostar de ti ,ou não vá isso contrariar a imagem que tenho na minha ideia de amor perfeito. O amor existe. Oh, então eu não sei!? Mas, para cada pessoa, existe outra respectiva para ser amor perfeito. Tu não és a minha outra parte, és a parte de alguém. Não a minha e por isso hoje, no início do ano digo: esqueci-te.
Não te desejo mal. Acredita. Mesmo depois de me teres feito sofrer tanto que a pele parece que vai saltar do corpo e correr muito depressa para longe de um coração transformado em mil pedaços. E sabes que, no caso dos corações, a cola não serve de nada! Aqui para nós que ninguém nos ouve, só desejo que um dia proves um bocado do que é sofrer por alguém e, quando isso acontecer, que percebas o que eu passei. Não, não sofras só um bocadinho! Sofre o suficiente para sentires o teu coração partido a um ponto que aches que nunca mais o vais colar de volta. Quando isso acontecer, saberás o que é o amor!
Não te odeio. Sabes que o ódio não está. nem nunca esteve. no meu código genético. Também não me és indiferente. És só um estado qualquer que ainda não consegui definir. Quando souber como estás na minha vida talvez tenha a noção de que tudo acabou e que realmente segui em frente. Sei que te esqueci. Sei que a minha cabeça te esqueceu.
Se soubesses os erros que eu cometi, admiravas-te. Vou dizer-te baixinho, porque não quero que ninguém ouça: sabes que acreditei mesmo que eras o grande amor da minha vida? Percebes o ridículo da situação? Sabes a sensação de acordar um dia de manhã e, para o grande amor da tua vida, não seres o grande amor da outra vida?! Não sabes. Sabes só que me deixaste. E porquê? Meia dúzia de copos e viagens a outros lados?
Foi hoje. Foi hoje o dia em que percebi que levantei a minha cabeça tão alto que vi mais do que tristeza e angústia. Hoje vi o meu futuro brilhante. Não sei como te sentes e também não me vai adiantar saber. Espero que um dia consigas remendar uma peça que esteja rachada no teu coração; espero sinceramente.
Já dizia alguém, este ano, que vais ser o fardo que deixo para trás. Mais do que não roer as unhas, deixar de fumar ou arrumar o pijama, vais ser a minha melhor resolução!
TdB
05 janeiro 2010
Equívocos globais dos dias que correm...
I was so depressed last night thinking about the economy, government, healthcare, real estate prices, the stock market, the federal deficit, Iraq, Afghanistan, global warming, my savings, Social Security, credit card debt........I called the Suicide Hotline.. ... I reached a call center in Pakistan .....told them I was suicidal. They got all excited and asked if I could drive a truck!!!!!
(com uma palavra de agradecimento à maf, autora do envio matinal)
04 janeiro 2010
Pensamentos impensados
Em toda a sua vida nunca se tinha atrasado um minuto sequer; era um maníaco das "horas". Um dia chegou atrasado 5 minutos: foi considerado um caso pontual.
O primeiro homem a pôr a "boca no trombone" foi o Calígula; deu "calígula nos dentes".
Camões teria tido alguma premonição acerca de Taiwan quando escreveu "vai formosa e não segura"?
Os kamikases são pessoas em vias de extinção.
Diz um amigo para o outro: sabes, participei num concerto com o Barenboim.
Diz o outro: ah sim? E que instrumento tocaste?
Não toquei nada, era eu que virava as folhas da partitura.
Os sapatos de senhora, de salto alto, têm uma peça chamada alma; daí a frase "caiu-lhe a alma aos pés."
As cariátides são doenças que atacam os dentes das estátuas gregas.
E já que falamos em dentes, que tal um jogo para dentistas que se chamasse "ou cárie ou coroa"?
SdB (I)
O primeiro homem a pôr a "boca no trombone" foi o Calígula; deu "calígula nos dentes".
Camões teria tido alguma premonição acerca de Taiwan quando escreveu "vai formosa e não segura"?
Os kamikases são pessoas em vias de extinção.
Diz um amigo para o outro: sabes, participei num concerto com o Barenboim.
Diz o outro: ah sim? E que instrumento tocaste?
Não toquei nada, era eu que virava as folhas da partitura.
Os sapatos de senhora, de salto alto, têm uma peça chamada alma; daí a frase "caiu-lhe a alma aos pés."
As cariátides são doenças que atacam os dentes das estátuas gregas.
E já que falamos em dentes, que tal um jogo para dentistas que se chamasse "ou cárie ou coroa"?
SdB (I)
03 janeiro 2010
Solenidade da Epifania do Senhor
EVANGELHO – Mt 2,1-12
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia,
nos dias do rei Herodes,
quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente.
«Onde está – perguntaram eles –
o rei dos judeus que acaba de nascer?
Nós vimos a sua estrela no Oriente
e viemos adorá-l’O».
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado
e, com ele, toda a cidade de Jerusalém.
Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo
e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.
Eles responderam: «Em Belém da Judeia,
porque assim está escrito pelo Profeta:
‘Tu, Belém, terra de Judá,
não és de modo nenhum a menor
entre as principais cidades de Judá,
pois de ti sairá um chefe,
que será o Pastor de Israel, meu povo’».
Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos
e pediu-lhes informações precisas
sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.
Depois enviou-os a Belém e disse-lhes:
«Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino;
e, quando O encontrardes, avisai-me,
para que também eu vá adorá-l’O».
Ouvido o rei, puseram-se a caminho.
E eis que a estrela que tinham visto no Oriente
seguia à sua frente
e parou sobre o lugar onde estava o Menino.
Ao ver a estrela, sentiram grande alegria.
Entraram na casa,
viram o Menino com Maria, sua Mãe,
e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O.
Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes:
ouro, incenso e mirra.
E, avisados em sonhos
para não voltarem à presença de Herodes,
regressaram à sua terra por outro caminho.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia,
nos dias do rei Herodes,
quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente.
«Onde está – perguntaram eles –
o rei dos judeus que acaba de nascer?
Nós vimos a sua estrela no Oriente
e viemos adorá-l’O».
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado
e, com ele, toda a cidade de Jerusalém.
Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo
e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.
Eles responderam: «Em Belém da Judeia,
porque assim está escrito pelo Profeta:
‘Tu, Belém, terra de Judá,
não és de modo nenhum a menor
entre as principais cidades de Judá,
pois de ti sairá um chefe,
que será o Pastor de Israel, meu povo’».
Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos
e pediu-lhes informações precisas
sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.
Depois enviou-os a Belém e disse-lhes:
«Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino;
e, quando O encontrardes, avisai-me,
para que também eu vá adorá-l’O».
Ouvido o rei, puseram-se a caminho.
E eis que a estrela que tinham visto no Oriente
seguia à sua frente
e parou sobre o lugar onde estava o Menino.
Ao ver a estrela, sentiram grande alegria.
Entraram na casa,
viram o Menino com Maria, sua Mãe,
e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O.
Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes:
ouro, incenso e mirra.
E, avisados em sonhos
para não voltarem à presença de Herodes,
regressaram à sua terra por outro caminho.
01 janeiro 2010
lisboa, 2009.
chegados aqui, arriscamos o provisório tornado definitivo:
mais um balanço do ano que agora finda.
a palavra 'provisório' aponta ao futuro
e é um farol apagado, impotente, ridículo,
ao passo que a palavra 'definitivo' aponta ao passado
e é uma cruz indelével, uma derrota que pesa, coisa séria.
chegados aqui, à curva do tempo que nos diz que 2010 está a chegar,
apetece resignar a qualquer caminho futuro,
aceitar a troca óbvia de tempos e possibilidades.
o futuro deveria pertencer ao futuro, farol incendiário,
e o passado devia ficar-se pelo passado, mero registo burocrático.
mas não é assim, como bem sabemos, tu e eu.
por isso, por essa mesmíssima razão,
todos os anos,
há gente que morre de sede no inverno
e outros que se afogam em pleno verão.
ontem, foste a coisa mais bela.
hoje, és maré vazante, já só memória.
mas 'amanhã' tem mais uma sílaba
que 'ontem' e 'hoje',
e deixa-me dizer-te um segredo:
rima contigo.
gi.
mais um balanço do ano que agora finda.
a palavra 'provisório' aponta ao futuro
e é um farol apagado, impotente, ridículo,
ao passo que a palavra 'definitivo' aponta ao passado
e é uma cruz indelével, uma derrota que pesa, coisa séria.
chegados aqui, à curva do tempo que nos diz que 2010 está a chegar,
apetece resignar a qualquer caminho futuro,
aceitar a troca óbvia de tempos e possibilidades.
o futuro deveria pertencer ao futuro, farol incendiário,
e o passado devia ficar-se pelo passado, mero registo burocrático.
mas não é assim, como bem sabemos, tu e eu.
por isso, por essa mesmíssima razão,
todos os anos,
há gente que morre de sede no inverno
e outros que se afogam em pleno verão.
ontem, foste a coisa mais bela.
hoje, és maré vazante, já só memória.
mas 'amanhã' tem mais uma sílaba
que 'ontem' e 'hoje',
e deixa-me dizer-te um segredo:
rima contigo.
gi.
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