13 fevereiro 2010

A Esperança de Margarida

Porto, 1965 - Londres, 2007. Um homem dificilmente definível, tantos os contrates e contradições que faziam parte dele. Um ser superior em coragem, sensibilidade e inteligência. Um homem excessivo. Ter-lhe acesso tanto foi um privilégio como um desafio (nalguns casos, uma provação). Curso de Direito pela metade, pensamento rasgado e límpido, foi autor de “Porto A'Abrir”, juntamente com Rita Burmester, no âmbito do Porto Capital da Cultura 2001, bem como de “Uma família do Porto”, uma viagem pela genealogia familiar. O conto em questão foi publicado postumamente e insere-se num livro, iniciativa de Rita Burmester, intitulado "Splendid Garage". Uma vida invulgarmente rica, verdadeiramente experimental, marcou todos aqueles que com ele se cruzaram. Morreu como viveu: com a cabeça erguida e a dignidade intacta.

***

A velha Condessa de Vivalma, naquele dia de Abril dentro, estava especialmente nervosa. No seu quarto, onde vivia sempre com uma sensação de desperdício de espaço, entre cadeiras Chippendale de pau-santo, espelhos de talha dourada e maples forrados com pássaros exóticos, flores e luas dispostos simetricamente como Poirot gostaria, procurava impaciente os brincos, a carteira, as chaves, o lenço e os óculos. O cabelo estava muito fino, caramba! Irritava-se com as bainhas do saia-casaco que não estavam bem, mas a Maria Costureira já andava nos oitenta, coitada! Hoje era dia de conferência vicentina em casa do Senhor Abade, como todas as terças, e os bolinhos de areia ainda estavam quentes para levar. Era uma receita secreta de família muito apreciada, e era-lhe mais grato ouvir elogios a eles do que aos feitos épicos dos seus antepassados, reais ou não. Estava tão nervosa que nem conseguia espetar bem o alfinete que segurava o chapéu. 

O mundo estava louco e os homens queriam ir à lua, onde só Nossa Senhora podia por os pés! A prima Piedade tinha deixado o marido e os filhos e tinha ido para Las Vegas com um artista de variedades que parece que cantava com um casaco de lantejoulas azuis ou prateadas, tipo corista mas em homem; havia outros homens assim em Inglaterra que não cortavam o cabelo; e as netas do caseiro usavam saias acima do joelho e queriam ir estudar para o Porto, para quê, meu Deus, para quê, se iriam para o campo a vida toda, iriam costurar, servir, ou qualquer coisa do género? O Senhor Abade estava raladíssimo com tudo isto, não entendia nada, achava que o fim do mundo estava para chegar. Todos estes problemas preocupavam em excesso a Condessa.

Enquanto endireitava as costas e lançava um olhar terno à fotografia do marido, como que a pedir-lhe protecção do céu, viu o venho Senhor Regaleira no jardim, de chapéu de palha e de avental vincado, entre o buxo e as rosas, as margaridas aos molhos e os amores-perfeitos perto do tanque, como se conhecesse cada flor pelo nome próprio. Regaleira, porque era a perdição das criadas velhas, um regalo para os olhos, diziam elas inocentes, perante a Senhora. Bateu então na janela e pediu-lhe com gestos já conhecidos de ambos que tirasse o carro da garagem. 

Ah, aquele carro novo que o seu procurador de Lisboa a tinha aconselhado a comprar, porque lhe acompanhava a dignidade e era material sólido, americano; era um pesadelo que tinha de enfrentar sempre que era preciso ir à vila, como hoje! Saiu do quarto e atabalhoadamente ia pondo as luvas enquanto arranjava os punhos pelo corredor, com o som austero dos tacões no soalho, amaciados de vez em quando por arraiolos e sempre sob os olhares austeros dos avós e bisavós nos quadros a óleo, cheios de brasões. A Rosa, a criada desde sempre que tinha sido criada consigo em casa dos seus pais, esperava à porta com um sorriso e com os bolinhos dentro de um avental com uma gola engomada, exactamente igual ao que tinha vestido há quarenta anos atrás. 

Agora a Condessa tinha uma empreitada: abrir aquela porta com uma mão de espessura e sentar a sua silhueta pequenina naquele imenso banco corrido. Abrir talvez um bocado o vidro e mais uma vez estamos na mão de Deus. Com o nariz colado ao pára-brisas da frente, acenou ao Regaleira e à Rosa que foi logo a correr para junto do lume escuro com brasas, rezar o terço para partilhar a aflição da Senhora, por causa do volante, das mudanças e essas coisas! E enquanto isso o Pontiac descia a estrada e serpenteava toda a Serra da Cabreira, sereno e solene por entre campos amarelos e roxos e árvores fortemente verdes até entrar na vila e parar exactamente em frente à porta vermelha do Abade Afonso Bento que às terças-feiras era especialmente mimado pelas senhoras respeitáveis da vila que lhe levavam sempre especialidades de novas experiências, absolutamente suculentas, obrigatório. A mulher do Doutor Marques desta vez com enroladinhos de chouriço; a Dona Adelaide Novais com barrigas de freira com mais amêndoa do que manda a receita; a Dona Deolinda Freitas com bolos de gengibre e de chocolate; a Dona Beatriz da Quinta das Camélias com tigelas e tigelas de marmelada algumas ainda com caroços dos dias em que se esqueceu de tomar o cadilium, o remédio da memória, que acabava por ser o que a tornava respeitável entre as suas pares! Os bolinhos de areia da Condessa eram indispensáveis, porque vinham do céu completamente e davam sempre um ar aristocrático ao lanche semanal. Eram herdados de alguém com sangue forte! 


Nota: Continua na próxima semana

12 fevereiro 2010

pastiche

já não frequento o invernal jardim
nem de noite, nem de dia - fui-me.
ninguém mais quer saber de mim,
azar meu e do que deixei ao lume.

perdi o meu gosto pela jardinagem,
por garimpar estrelas, pérolas novas.
antes: minério delicado; agora: vadiagem,
frequento os dias, não mais as covas.

a escrita que resta é só solavanco,
não mais ternura, espada, pregação.
deixei o génio sentado num banco,
e a mágoa numa qualquer canção.

onde luzia verso, prosa, às vezes fulgor,
há agora paz, mansidão, puro recato,
fui flor ébria, o mais fulminante amor,
sou só memória baça e ao desbarato.


gi.

11 fevereiro 2010

Deixa-me rir...

Freddie Mercury. o maior cantor de rock de sempre? muito provavelmente;

adorava tê-lo visto ao vivo. sobretudo neste concerto: Wembley, 1986; (o po esteve lá);

um estádio fabuloso (já lá passei uma maratona de 9 horas ininterruptas de música pop e rock - com o po);

um mar de ouvintes comungando do mesmo gosto (amor?) pela música dos Queen;

uma voz e uma força do outro mundo;

uma guitarra cheia de sensibilidade (Brian May); o registo certo por detrás de palavras fortíssimas entoadas por esse “monstro” que foi Freddie Mercury;

o equilíbrio perfeito entre sons e silêncio;

uma prece em formato rock;

o acústico mais bonito que já ouvi!


10 fevereiro 2010

Vai um gin do Peter's?

Vi, há dias, o imperdível "INVICTUS" (Invencível), do talentoso realizador, Clint Eastwood, cujo epicentro é a figura maior de Nelson Mandela -- e só isso vale o filme!

Clint esquiva-se, habilmente, à tentação de biografar, tout court, uma personalidade ímpar, concentrando-se antes no maior legado que Mandela quis deixar ao seu país, desde o minuto zero do seu mandato como Presidente da África do Sul (1994): desfazer as quase intransponíveis barreiras do apartheid, sulcadas em zonas remotas do coração, superar os inúmeros traumas étnicos para unir, pacificar a «rain-bow nation», na expressão muito positiva do Nobel da Paz (em 1993, com Frederik de Klerk)!

De INVICTUS -- título do poema (*) que sustentou Mandela durante os longos 27 anos de cativeiro, escrito 100 anos antes por outro resistente -- mantenho a surpresa do enredo, para quem não tenha ainda visto o filme, apenas partilhando convosco impressões fantásticas, que a obra de Clint nos transmite...

Antes de mais, lembro os excertos significativos do poema, declamado pela voz poderosa do protagonista, com a autoridade da própria vida, como gostava de reivindicar Evita Perón. E fica-nos bem claro que lhe assiste a autoridade de quem perdoou, do fundo da alma, aos seus cruéis algozes, convertendo-se em testemunho vivo de que o caminho da reconciliação é possível, apesar de tudo, e é a única via que abre para a vida, para o futuro: «Out of the night that covers me, / (...) I thank whatever gods may be / For my unconquerable soul. / (...) I am the master of my fate: / I am the captain of my soul.»! Isto dito, ou antes, isto rezado por um condenado incrivelmente aberto aos outros, nada individualista, permitiu-lhe rasgar um horizonte de magnanimidade, sem limites, que o aproximou de todos os homens, a começar pelos carcereiros!

Impressionou-me também -- aliás, impressionou a maioria dos que privaram com ele -- a atenção personalizada, muito humana, dedicada a cada pessoa com quem se cruzava, fixando-lhe o nome, interessando-se pela sua vida, solidarizando-se com os seus problemas. Os pequenos equívocos criados pela invulgaridade desta atitude, que colhia quase todos de surpresa, resultam na melhor marca de autenticidade dos seus gestos, muito populares, mas nada populistas!

E talvez de tudo o que mais me tenha tocado seja a confirmação da criatividade imparável do Bem, que jorra no dia-a-dia de Mandela com a pujança luminosa da gigantesca queda de água Victoria Falls ! E tanto mais espantosa quanto os factos históricos o certificam! Foi giríssimo (não, não vou quebrar o suspense...) Mandela ter estudado, ao pormenor, a forma de convocar o seu povo para a era pós-apartheid, inundando-o, autenticamente, com uma cascata de boas acções, das pequenas às grandes, de impacto incalculável!

Disse que Clint não se tinha detido na biografia de Mandela... mas tenho de explicar que nem precisou, porque os 2 anos de vida fixados na tela denunciam, explicitam mesmo, um passado de heroísmo e sabedoria, conquistados a pulso! Nunca um Homem daquela estatura poderia ter emergido do nada! De facto, o filme é apenas, ao de leve, pontuado por pequenos sinais do passado, eloquentes e sóbrios, como é apanágio de um realizador que não cede a sentimentalismos.

A acabar esta crónica inaugural, passo a palavra ao poeta, repetindo com Mandela: «I thank whatever Gods may be / For my unconquerable soul. /... It matters not how strait the gate, /... I am the master of my fate / I am the captain of my soul».

Maria Zarco
_______________________

(*) Composto em 1875 pelo vitoriano William Ernest Henley (1849-1903), no seu quarto de hospital, a recuperar de uma tuberculose óssea bem feroz, que se saldou na amputação de uma perna. O poema celebrizou-se quando, no final do séc. XIX, foi incluído na colectânea: "The Oxford Book of English Verse". Versão integral do poema:

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

09 fevereiro 2010

Tragicomédia mediocre

É o meu dia-a-dia, alucinante, alucinado, destravado. Partilho a casa, não só com os que pagam a renda como com quem vai aparecendo, personagens mais ou menos difusas, mais ou menos engraçadas, algumas peculiares o suficiente para figurarem num texto insónio. A casa e a vida, que se não somos todos partilha, devíamos ser. Para mim a vida é uma singularidade plural. Não sou muito de me afligir, mas quando penso nisso, na descontracção com que a pontapeamos de um lado para o outro, a vida, nossa e dos outros, revolto-me todo por dentro. Vezes há em que me apanham desprevenido, desfocado das coisas e todo aflito com a curriqueirice do trato que dão ao que temos de mais precioso, e eu acabo por dizer alguma estupidez pouco oportuna, das que caem nas conversas como copos de água gelada na digestão do almoço. Nada a que as personagens principais do meu filme não se tenham já habituado a dar pouca importância.

Somos três, quatro, cinco, de cada vez. Cinco e um chinês. Quase seis, portanto, que o rapaz não tem peso para ser pessoa inteira. Eu apostava uns tostões como ele só paga meio bilhete lá nos transportes orientais. Não se apressem no julgamento, que eu não estou a ser mau só porque ele é amarelo e tem um cheiro estranho, aliás, afianço já que não sou nada má pessoa, e longe de mim ficar apoquentado com a diferença. Até ia a dizer que ele é muito boa meia-pessoa, apesar do vocabulário limitado e da surrealidade das conversas que tenta manter com quem não fala a língua dele, que é como quem diz, toda a gente ca de casa. O choque de culturas é flagrante e hilariante, um relato detalhado dava uma pequena obra, que escrita com cuidado, poderia ser publicada como comédia levezinha para se ir lendo nos lavabos. Resumindo depressa e bem, viver com ele é como ter um cãozinho. O afecto é inegável, porque ele é de facto, adorável, mas tirando isso, é um pesadelo, incluindo a porcaria no chão e os fios elétricos roídos.

Agora estou de férias, uma ilusão temporária que gosto de festejar, como se tudo fossem passarinhos e nuvenzinhas e florzinhas. A verdade é que ando no rescaldo de mais uma época de exames que foi demasiado má para ser sequer credível. A melhor metáfora que me ocorre é a do castelo de areia. O exercício é fácil, imaginem um miúdo entusiasmado, munido da ferramenta plástica do costume e de uma vontade inabalável de fazer a diferença, de joelhos na areia dá início a um empreendimento ambicioso. O brilho nos olhos dele denuncia o planeamento exaustivo, a análise cuidada de todas as variáveis, a confiança que o muro de areia, desta vez, vai ser suficientemente alto e largo para segurar a maré, vai levar pauzinhos espetados, vai levar todas as pedras que houverem na praia, vai aguentar. Vem a maré e alaga tudo, aparentemente com a mesma facilidade que tinha alagado o último muro que ele se lembrava ter construído, muito mais pequeno e fraco. O meu semestre é o castelo, a maré são as épocas de exames. No fim da batalha, afoga-se o desgosto com o lanche que a mãe trouxe de casa e volta-se a atenção para outra coisa qualquer, tentando iludir o orgulho ferido e o desgosto do insucesso com distracções menores.

Não sei o quão semelhantes têm de ser os dias para que nos seja permitido adjctiva-los de rotina, na acepção negativamente repetitiva da palavra. A minha vontade é adjectivar-lhes o estado de espirito, que é sempre o mesmo.

Falei de partilha no início, sublinhei-a como essencial. Não costumo gabar-me das coisas realmente importantes, só das que não interessam para nada, das que puxam umas gargalhadas, mas a verdade é que tenho orgulho no meu sentido de justiça, ou coisa que o valha, e ia estar a ser injusto se me fosse deitar sem partilhar com estas linhas quem partilha tudo o resto comigo. Não há aflição que não se apazigúe com um esfregar de nariz e um abraço apertado, e o amor é isso mesmo, um esfregar de nariz mágico. Os meus dias caóticos são como uma bola presa a um elástico seguro a uma mão firme. Resvalam por todo o lado, vão e vêm, pulam e batem, rodopiam, mas sempre seguros num ponto, numa certeza. E vale-me isso, mais do que tudo.

ZdT

08 fevereiro 2010

Moleskine


Bernardo Maria despedira-se do último convidado. Cinco minutos depois, encostado à ombreira da porta de sua casa do Restelo, olhara com uma ternura indisfarçada para a sua filha Carmo, vendo-a a afastar-se de braço dado com Tiago, o seu marido. A festa do 10º aniversário do casamento de ambos fora um sucesso.
No quarto do primeiro andar, Carlota, a sua mulher de há mais de 30 anos, sentara-se ao toucador, frente a um espelho, a uma fotografia emoldurada do Pai com o Prof. Marcello Caetano e a uma saudade de um tempo fagueiro que não voltaria. Quedou-se com um boião de creme na mão, enquanto a mente deambulava pelo dia em que recebera a notícia do casamento da filha.
Oh minha querida! Fico tão satisfeita.
Enquanto isso, no seu escritório, Bernardo Maria escutava o ruído decrescente de uma casa que se vai arrumando aos poucos. A empatia pelo genro nascera com o primeiro aperto de mão entre ambos, talvez há 20 anos.
Olá Tia, olá Tio. Entrem, se faz favor, que os pais estão lá dentro.
As relações entre as pessoas nem sempre são classificáveis por palavras certas, disponíveis nos manuais da especialidade. Bernardo Maria tinha-se-lhe afeiçoado, se bem que não soubesse caracterizar como. Afinal, enquanto Tiago saía com a sua própria filha, ele alimentava uma clandestinidade com a mãe do rapaz, que fora votada a um abandono, sexualmente injusto e financeiramente confortável, por um marido empresário e passageiro frequente.
Um dia, escrevera no seu livrinho de capa preta que o acompanhava há alguns anos:
Ana Sofia, 15 de Janeiro. Casa bonita, cama larga, música suave. Sexo óptimo; mulher experiente e ágil; criativa e com iniciativa. A repetir e a manter.
Bernardo Maria sorrira ao deambular pelo livro, um verdadeiro who’s who da sua vida paralela.
Irene, 18 de Agosto. Mulher poderosa e esgotante. Pouco versátil, agarrada a fórmulas certas. A espaçar devido à exaustão física que me provoca.
Anabela, 1 de Novembro, dia de Todos os Santos. Mulher pequena mas proporcionada, obediente. Sugeri-lhe operação estética aos seios. Dava-lhe outro impacto. Casa pequena, com um cheiro permanente e adocicado que é estranho mas agradável.
Dulce, véspera de Natal…
Andreia, 1 de Fevereiro, dia do regicídio…
Ana Sofia, 2ªfeira de Carnaval. Tiago muito simpático, enternecido pela companhia quinzenal que faço à mãe na ausência do pai. Sexo extraordinário de arrojo, resistência e inovação. Este dia, então, foi de ir às nuvens. Pateta do António, que deixa aquela mulher sem dono.

Bernardo Maria voltou a sorrir, cheio de um encantamento por uma vida secreta e estimulante, repleta de aromas, de posições, de certezas, ausente de remorsos. O sorriso ainda não se desvanecera quando viu, a um canto do escritório, um caderno igual ao seu, mas onde vislumbrou a caligrafia do genro.
Miss X. 15 de Janeiro. Indescritível de ternura, sofreguidão e desejo. Terminou a chorar.
Irene, 20 de Agosto. Já vi mais criatividade, mas é um género. Se não fosse a minha preparação física, talvez não aguentasse.
Anabela, 3 de Novembro. Gosto daqueles seios pequenos . Quer ser operada e discordei. Casa com cheiro enjoativo.
Dulce, 26 de Dezembro…
Andreia, 3 de Fevereiro…
Miss X. 2ªfeira de Carnaval. Como se descrevem duas horas de pleno gozo? O riso final foi o de um sorriso que findara. Chorou.
Bernardo Maria sentiu que ficava sem sangue. Olhou em frente, para uma árvore genealógica onde os seus antepassados se cruzavam com as elites merecidas ou nascidas e não viu orgulho de gente antiga, presunção de mais valor, sangue medieval. Só conseguiu ver uma filha atraiçoada vezes sem conta, um genro que o seguia nas capelinhas do desejo, parando com uma exactidão de complô nas mesmas estações e apeadeiros. Antes de se deixar cair num sofá ainda teve forças para uma última pergunta, gritada para o andar de cima:
Carlota! Lembras-te do que fizeste na 2ªfeira de Carnaval?

JdB

07 fevereiro 2010

5º Domingo do Tempo Comum

Fui ver, no outro dia, o filme Invictus, de Clint Eastwood. Não me alongo em comentários, para já, porque nos próximos dias talvez saia aqui no Adeus... um texto interessante sobre o assunto. Mas lembro a passagem em que Morgan Freeman, encarnando o papel de Nelson Mandela (um dos homens genuína e completamente bons do nosso tempo) fala do perdão como algo verdadeiramente libertador. O seu percurso de vida afinça-nos que ele sabe do que fala.
Vou ouvindo, aqui e ali, histórias de desavenças, de relações mal acabadas, de zangas que se perpetuam, de raivas e rancores, de orgulhos mal feridos, de desejos de vingança. Talvez devessemos todos ver o filme, para não descurar o p0der incrível do perdão.

EVANGELHO – Lc 5,1-11

Evangelho de Nosso senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
estava a multidão aglomerada em volta de Jesus,
para ouvir a palavra de Deus.
Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré
e viu dois barcos estacionados no lago.
Os pescadores tinham deixado os barcos
e estavam a lavar as redes.
Jesus subiu para um barco, que era de Simão,
e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra.
Depois sentou-Se
e do barco pôs-Se a ensinar a multidão.
Quando acabou de falar, disse a Simão:
«Faz-te ao largo
e lançai as redes para a pesca».
Respondeu-Lhe Simão:
«Mestre, andámos na faina toda a noite
e não apanhámos nada.
Mas, já que o dizes, lançarei as redes».
Eles assim fizeram
e apanharam tão grande quantidade de peixes
que as redes começavam a romper-se.
Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco
para os virem ajudar;
eles vieram e encheram ambos os barcos
de tal modo que quase se afundavam.
Ao ver o sucedido,
Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe:
«Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador».
Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele
e de todos os seus companheiros,
por causa da pesca realizada.
Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu,
que eram companheiros de Simão.
Jesus disse a Simão:
«Não temas.
Daqui em diante serás pescador de homens».
Tendo conduzido os barcos para terra,
eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

05 fevereiro 2010

raquel e jacob

(sete anos serviu jacob, no encalço de raquel)

que não há cura para o amor já o sabíamos,
muitos antes de lermos velhos e novos filósofos,
nessas tardes de lua vaga e sol rasteiro.

que não há cura para nós próprios também,
antes mesmo de nos enfiarmos bancos adentro,
em lúgubres cinemas de final de tarde.

(sete anos raquel serviu, à espera de jacob)

que não há cura para a vida senão a derradeira
era tudo o que concluíramos,
depois, tanto depois,
de pestanas queimadas,
de viagens em desvario,
de um tropel de emoções baratas,
da pirotecnia moderna,
de uma souplesse fingida, digamos assim.

(setenta vezes sete anos serviria jacob
setenta vezes sete anos esperaria raquel,
sem filósofos à cabeceira,
sem o cheiro acre dos cinemas de bairro,
sem viagens low cost,
sem baços cursos universitários,
sem ciência ou belas-artes)

dizei-me raquel,
dizei-me jacob:

em que lugar procurar-vos em mim?

escutai-me jacob,
escutai-me raquel:

como salvar o coração em chamas?


gi.

04 fevereiro 2010

Deixa-me rir...

Caros audiophiles, 2 weeks ago I chose a new song by a new group for a new year/decade.
This week it's one of my all-time favourite songs by one of my favourite non-English artists.
Françoise Hardy has been since 1962 an icon of French music, chic fashion, beauty and sensibility.
Probably the first foreign song I ever heard was her first 45rpm Tous les Garçons et les Filles (if you don't count Frère Jacques!) but the song I offer here is from 1965 when she visited London to record an LP in English - after all, this was the early days of Swinging London, the place to be, the land of The Beatles and The Rolling Stones!
Everyone apparently fell in love with the charming girl with a guitar, including the Beatles and the Stones, and Bob Dylan, and a young David Bowie, she epitomised the perceived ideal of a French girlfriend.
She mostly wrote her own songs, personal, but universally appealing to young lovers, and shy romantics. Instinctive, sincere, ingenue, melancholic, fragile, but also independent and proud, classy, quite sophisticated and knowing. I love the beautiful timbre of her voice.
Impossible of course to do justice through just one of her songs,there are so many: Tous les Garcons et les Filles, Voilà, Comme, Je Changerais d'Avis, Message Personnel, Revenge of the Flowers...
This particular song is Dans le Monde Entier, but I prefer the musical arrangement of the English version, All Over The World.
I still own and treasure the original 45rpm disc, with its stylish Vogue logo. And the b-side, Another Place, is equally fantastic, in the days when the b-side was not just a lazy remix.
The video is not the best visual quality but it is quite fun to see what was happening in London's Piccadilly in 1965.




All over the world
people must meet and part
there's someone like me
feeling a pain in their heart
some may meet again
under that same bright star
if maybe some night you come back from afar
who cares if tonight i don't know where you are

Are you thinking of me now
missing having me around?
if you have forgotten me
my world will come tumbling down.

All over the world
others are sad tonight
there's someone like me watching the sun's fading light
all over the sky there is the same warm glow
here under that star i'm wanting you to know
wherever you are that i still
love you so.

A proxima,

po

03 fevereiro 2010

Pensamentos impensados

Se um comerciante aumentar um produto 200%, será que pode fazer um desconto de 100%?

Um sem-abrigo foi preso e julgado por não ter bilhete de identidade. Como o crime não era grave foi-lhe dada o pena mínima: termo de identidade e residência.

Antigamente dizia-se mãe há só uma. Hoje em dia já existe a mãe biológica, mãe afectiva, mãe de acolhimento; isto sem contar com a Mãe Rússia, mãe natureza, a mãe de água e Mem Martins.

A igreja estava muito longe; podia dizer-se que ficava em casa do Diabo.

Se se destilar o carapuço de um frade capuchinho sai um líquido que se chama cappuccino.

Os fabricantes de automoveis só querem o nosso bem; até aconselham jante comida leve.

SdB (I)

02 fevereiro 2010

Fado da vida

Sou a corrida dos meninos
Todos tão pequeninos
Descalços pela calçada
Sou o caminho que salta
E que leva a malta
P’las curvas da estrada

Sou o sopro do vento
Que nascido ao relento
Lava a cara molhada
Sou o poema salgado
Que é o bailado
Das ondas da madrugada

Sou a flor estrangeira
Que nasceu trigueira
No meio do nada
Sou o escorrer dos sonhos
Mais ou menos risonhos
Nos olhos da criançada

Sou a gaveta que tem
O mal e o bem
Desta vida cansada
Sou o amor que estremece
Num acorde maior
Gemido da guitarrada

Sou o fado da vida
Sempre de fugida
Cantado à desgarrada
Sou o cheiro da festa
Que quando começa
Já está acabada.


ZdT.

01 fevereiro 2010

Moleskine


Blogue. Para além de dois ou três textos dispersos, talvez, por alturas do Advento, não me lembro de ter escrito nada desde o dia 4 de Novembro. Fruto de uma vida profissional que tem as suas desvantagens, sucumbi aos exageros diários do teclado, e deixei o Adeus... (muito bem) entregue aos bloguistas residentes. É altura de (tentar) regressar, para não perder a mão da escrita.

Filme. Fui ver o Nas Núvens. Não sendo um filme extraordinário, gostei. Para além de outros aspectos, que serão food for thoughts (nomeadamente a fuga permanente do Clooney a uma casa e a uma relação) lembrei-me do meu próprio dia 16 de Abril de 2006. O Director-geral da empresa onde trabalhava há 20 anos sentou-se à minha frente com uma primeira frase (esperada e inesquecível): Olha João, o teu posto de trabalho acaba no fim do ano. Deram-me oito meses para me reorientar, ao contrário daqueles desgraçados que tiveram de encaixotar os agrafes e os calendários temáticos no próprio dia. No conforto do cinema e à distância de quatro anos olhei para aqueles (des)empregados destroçados e suspirei queirosianamente: eu conheço a situação. É medonha.

Casamentos
. Ceei esta semana com um grupo onde estavam amigos e gente conhecida no momento. Desta última categoria, um senhor educado e "casado" (vejam como simulo possidoniamente as aspas agitando os dedos à palavra casado), pouco além dos 60, que afirmou ter cadastradas (sic) 104 mulheres (a caminho das 105, referiu com ar guloso) com quem tinha tido relações íntimas. Era tarde e o meu bioritmo atirava-me para o leito onde a morte é natural . Assaltaram-me dois pensamentos fugidios: o de que um cavalheiro não se gaba das suas conquistas (um homem pode, mas um cavalheiro não), e de que há, seguramente, gente que merecia um enfeite fora da época exclusivamente natalícia. Havia outros pensamentos possíveis e desejáveis, mas eram três da manhã e o meu cérebro já tinha fechado. Felizmente.

Efemérides. Para além de lembranças pessoais que cada um de nós possa ter, passam hoje 102 anos sobre o regicídio. O editor e dono deste estabelecimento é notoriamente católico e discretamente (embora convictamente) monárquico. Num país que ainda dá muita importância aos nomes (repare-se que é raro o político actual que só tem um apelido) gosto de lembrar que a defesa pública mais consistente do ideal monárquico foi feita por alguém sem título nobiliárquico, sem consoantes dobradas e sem grafias medievais. Fait-divers, porque hoje, 1 de Fevereiro, é dia, repito, de lembrar as mortes do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe. Na época das siglas, RIP dá jeito...

Livro da semana
. Pudor e Dignidade, de Dag Solstad (Ed. Ahab), oferta personalizada de um amigo. Da badana: Thomas Mann não se teria interessado pela minha alma, ou pela escuridão da minha alma, e por que raio havia de se interessar? Mas imagino que teria obtido um certo prazer em descrever as minhas deambulações pela sala esta noite [...], onde, como já se viu, não faço outra coisa a não ser andar de um lado para o outro, atormentado pela minha condição de ser socialmente consciente que já não tem nada a dizer, pensou Elias Rukla.

JdB

31 janeiro 2010

4º Domingo do Tempo Comum

Ao contrário do que é habitual, não reproduzo, hoje, o Evangelho do dia. Optei pela segunda leitura, uma carta inspiradora que pedia para ser lida em voz alta quando participava nos cursos de preparação para o matrimónio.
As empresas têm políticas de qualidade, as organizações códigos de conduta, as sociedades regras. Para nós, Homens, tudo seria melhor se adoptássemos este texto como um conjunto de princípios base. só por si (quase) suficientes para uma paz duradoura nas relações.
Nota final: a palavra caridade não significa mais do que amor.

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos:
Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados.
Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo:
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver caridade,
sou como bronze que ressoa ou como címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom da profecia
e conheça todos os mistérios e toda a ciência,
ainda que eu possua a plenitude da fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tiver caridade, nada sou.
Ainda que distribua todos os meus bens aos famintos
e entregue o meu corpo para ser queimado,
se não tiver caridade, de nada me aproveita.
A caridade é paciente, a caridade é benigna;
não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa;
não é inconveniente, não procura o próprio interesse;
não se irrita, não guarda ressentimento;
não se alegra com a injustiça,
mas alegra-se com a verdade;
tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O dom da profecia acabará,
o dom das línguas há-de cessar,
a ciência desaparecerá;
mas a caridade não acaba nunca.
De maneira imperfeita conhecemos,
de maneira imperfeita profetizamos.
Mas quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança, falava como criança,
sentia como criança e pensava como criança.
Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil.
Agora vemos como num espelho e de maneira confusa,
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de maneira imperfeita,
depois, conhecerei como sou conhecido.
Agora permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e a caridade;
mas a maior de todas é a caridade.


29 janeiro 2010

the boy with the thorn in his side

lembrar o rapaz com o espinho cravado,
como na canção dos smiths lá de manchester,
cidade de futebol industrial e de rugoso sotaque.

lembrar o rapaz com o espinho cravado,
com naquele quadro de são sebastião em sangue,
no museuzito da terra onde nascemos.

anos depois, um senhor infiel e iconoclasta,
crismou uma canção partida, como só ele sabe,
chamando-lhe "lucky like saint sebastian".

fel e ironia sobre um manto de electrónicos blips,
música pop estilhaçada, ironia e heresia,
misturadas com a mais negra cicuta.

lembrar o rapaz com o espinho cravado
e perguntar-lhe:
tu, sim tu, escolheste o teu caminho?

lembrar o santo ensaguentado a setas e pontas de lança
e perguntar-lhe:
tu, sim tu, escolheste o teu destino?

mas é sempre possível outra leitura,
desenhada a esquadro e ternura,
desvelando o enigma maior:

acreditar que o rapaz,
como são sebastião outrora,
sabe exactamente onde reside

o exacto compasso do amor.

gi.

28 janeiro 2010

Deixa-me rir...

Rolling Stones. O meu grupo preferido de sempre.

Hoje deixo-vos pedaços de um filme que me fez vibrar. Vi-o 3 vezes no cinema, na companhia de 3 amigos diferentes, no espaço de 2 semanas. E só não vi uma quarta vez porque o amigo com quem era suposto ir não estava muito prái virado (e se eu insisti!!!).

Trata-se do Shine a Light, um filme de Martin Scorcese, de 2006, baseado num concerto dado pelos Rolling Stones no Beacon Theater, uma pequena sala de espectáculos nova-iorquina (que deve ser equivalente aos coliseus de Lisboa ou Porto). Um belo exemplo de um trailer extraordinariamente bem construído.

E também uma das baladas que o mítico Keith Richards canta nesta ocasião. Tornei-me fã do Keith Richards recentemente. Acho-lhe pilhas de graça e aprecio imensamente a “liberdade” do seu estilo: totalmente descontraído, (aparentemente) de bem com a vida, hiper cool, um humor desarmante, umas roupas que só nele têm graça ... As suas frases sucintas, blasé, numa linguagem quase “simplista”, revelam, para quem quiser ver, um pensamento profundíssimo … ainda que escondido sob uma capa que alterna a ironia, a distracção, a leviandade, a brincadeira … o eterno rebelde que não leva nada a sério …

A meu ver ele representa os brains e o wit dos Rolling Stones. Já o Mick Jagger é a personificação (o body) do grupo, o carismático e extraordinariamente atractivo símbolo de uma banda que fez parecer os Beatles uns meninos do coro (passo a “subjectividade” da afirmação!).
Mas ainda o aprecio mais (ao KR) porque, em entrevista alternada a ele e ao Ronnie Wood, ainda no âmbito deste filme, ele é referido como sendo um “very moral and generous guy”. É casado há anos com a mesma mulher, do que sei …. adoro estas incongruências, estes cocktails improváveis (ou não...) dentro do mesmo ser humano!

Have fun.

PS: agradeço desde já ao dono deste estabelecimento a generosidade em me deixar postar este texto. É que o JdB ODEIA os Rolling Stones e TEM HORROR ao Mick Jagger!






pcp

27 janeiro 2010

Olhos de cebolada

Ai os teus olhos,
Ai rapaz…

Cor indefinida, com sorte cor do mar,
Onde eu quero nadar,
Ai rapaz.

Tens olhos infinitos,
Os maiores e mais bonitos,
Que eu consegui amar.

Os teus olhos,
Uma cebola malvada,
Com uma força descarada,
De me fazer chorar.
Até é engraçado…

Junguei-te tentado, mudado e até encantado,
Num rodopio desenfreado,
De me fazeres sonhar!
Lágrimas, essas já chegam,
Muito mais de cebolada,
De ficar com uma barrigada,
De tanto me fazeres chorar.

São os teus olhos azuis,
Que me fizeram ser tola,
Cada um diferente do outro,
Mas fortes que nem uma cebola.

Sabes, julguei-te tentado, encantado e até desenfreado,
Em me fazeres rodopiar,
Fecha os olhos meu amor,
Mas, por favor, não me faças mais chorar!

26 janeiro 2010

Impressionistas

'Characteristics of Impressionist paintings include visible brush strokes, open composition, emphasis on light in its changing qualities (often accentuating the effects of the passage of time), ordinary subject matter, the inclusion of movement as a crucial element of human perception and experience, and unusual visual angles' Impressionism, in Wikipedia

Quem diz que não se pode ouvir com os olhos?
Ou ver com os ouvidos?

Pobres uns,
Por usarem os sentidos para o que faz sentido.
Loucos outros,
Por pintarem o mundo com cores que ninguém ouve.

Nenhum dos dois gostava da categoria. Mas também ninguém gosta que lhe chamem nomes. Mesmo que assentem como uma luva.

SdB (III)

25 janeiro 2010

Pensamentos impensados

Para combater a indisciplina nos estabelecimentos de ensino, sugere-se que no curso para professor se crie uma disciplina chamada indisciplina.

Agora, em Portugal, tudo tem garantia de 2 anos; no entanto, há uma excepção, cuja garantia só é válida por 15 dias: a depilação.

Quando falamos de gémeos, queremos dizer 2 pessoas; se dissermos um par de gémeos será que nos referimos a 4 pessoas?

Nestes tempos em que a homosexualidade quase se tornou corriqueira, quem não fôr maricas não é homem não é nada.

Não sei se Soror Mariana Alcoforado jogava à bisca; pelo menos era viciada em cartas.

Mancebo é o que põe cebo com as mãos.

SdB (I)

24 janeiro 2010

3º Domingo do Tempo Comum

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Já que muitos empreenderam narrar os factos
que se realizaram entre nós,
como no-los transmitiram os que, desde o início,
foram testemunhas oculares e ministros da palavra,
também eu resolvi,
depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens,
escrevê-las para ti, ilustre Teófilo,
para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado.
Naquele tempo,
Jesus voltou da Galileia, com a força do Espírito,
e a sua fama propagou-se por toda a região.
Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos.
Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado.
Segundo o seu costume,
entrou na sinagoga a um sábado
e levantou-Se para fazer a leitura.
Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías
e, ao abrir o livro,
encontrou a passagem em que estava escrito:
«O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque Ele me ungiu
para anunciar a boa nova aos pobres.
Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos
e a vista aos cegos,
a restituir a liberdade aos oprimidos
e a proclamar o ano da graça do Senhor».
Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se.
Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga.
Começou então a dizer-lhes:
«Cumpriu-se hoje mesmo
esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».

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