As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
16 setembro 2010
Deixa-me rir...
15 setembro 2010
Moleskine
Livros. Leio O Hipopótamo de Deus e Outros Textos (José Tolentino Mendonça, Ed. Assírio e Alvim). Uma escrita poética, clara, cheia de musicalidade espiritual. Reproduzo um parágrafo: “Olha de frente tudo o que é grande” – é o desafio que Deus lança a Job. E, perante isto, Job responde ao Senhor: “os meus ouvidos tinham ouvido falar de ti, mas agora viram-te os meus próprios olhos, por isso retracto-me e faço penitência no pó e na cinza.” Ele tinha apenas ouvido, mas agora viu, fixou-se na grandeza, reparou de frente na imensidão. Job queria desvendar a dobra do Mal e esquecia que é o Bem o gigantesco segredo, o inesperado desígnio que mais nos visita.
Mineiros chilenos. O plano B (parece-me) que permitiria resgatá-los mais cedo revelou-se inviável por uma questão de segurança. A este desânimo juntam-se algumas complicações ao nível da moral das tropas, com consequências desconhecidas. A nós, à distancia, resta-nos rezar, por eles e pelas famílias. E esperar que a mina não seja um terrível corredor da morte, filmado em tempo real.
Filme. Assisti, 2ªfeira, à antestreia do filme Assalto ao Santa Maria, aparentemente (?) histórico. Duas informações prévias: não sou entendido em cinema e não sei o suficiente sobre a acção do Capitão Henrique Galvão. Mas posso dizer, numa apreciação genérica, que não gostei. Não temos (acho eu, e perdoe-se a potencial injustiça) uma escola de cinema. Destacam-se alguns actores – e não a maioria –, achei as cenas pobres, inverosímeis, fantasiadas. O romance entre a Ilda (filha de um coronel situacionista) e o Zé (revoltoso), baseado em factos reais, enternece, se bem que seja improvável, assim como grande parte do filme. Liberdade criativa, talvez... No fim, um pequeno cocktail no foyer do S. Jorge. Sinto, por vezes, o impulso de cumprimentar pessoas que julgo conhecer, mas que se limitam a ser figuras públicas. O sentimento invadu-me de novo, algumas semanas depois de quase ter saudado o Paulo Bento num centro comercial. Anteontem, quando dei por mim, avançava de mão estendida e sorriso aberto para o Major Tomé e para a Isabel do Carmo.
Processo Casa Pia. Já se fala em erros processuais. Estou certo – e dedico este raciocínio ao meu querido amigo fq, belenense convicto – que a defesa de Carlos Cruz foi buscar alguém ao Restelo, clube que se habituou a ganhar na secretaria o que não vence no relvado. Alguém me disse que o advogado Sá Fernandes acredita piamente (curiosa expressão...) na inocência do seu cliente. Ingenuidade, manipulação ou visão?
Educação. Cada vez mais tenho esta certeza: só muito tarde vemos o verdadeiro impacto dos valores que transmitimos aos nossos descendentes directos. Até lá é um discurso inter-geracional, tantas vezes incompreendido, sobre temas que fazem sentido para alguns Pais, sobretudo para aqueles a quem a vida nem sempre sorriu. Os filhos que nos percebem são a regra ou a excepção?
Silêncio. À semelhança, provavelmente, da generalidade das pessoas, não gosto de ruído quando ele se define como som indesejado: crianças aos gritos num espaço público, música demasiado alta num transporte colectivo, gente que conversa num volume despropositado. O problema surge, talvez, quando passamos a gostar muito de silêncio, caracterizado como ausência de som. O silêncio pode ser viciante, e é por isso que deve ser combatido com gosto, alegria e convicção.
Missas. Dois casamentos católicos em dois sábados seguidos. Mesmo assim cumpri o meu ritual da missa dominical. A minha espiritualidade não é estática, e é por isso que oiço sempre qualquer coisa – uma leitura, uma atitude diferente dos noivos, uma homilia - que acrescenta valor à minha vida interior, ao momento que atravesso, à minha circunstância. Um destes dias, numa discussão mais acesa, dizia que o homem que eu sou - naquilo que tenho de bom - à fé o devo. A minha vontade de caminhar pelo lado luminoso da vida - que obviamente nem sempre consigo - alicerça-se numa fé sólida e reconfortante. Afigura-se-me isto tão claro como a água.
JdB
13 setembro 2010
Vai um gin do Peter’s ?

Entre os críticos de cinema norte-americanos o filme fez furor, até pela densidade e diversidade de elementos reunidos: da psicologia e sociologia ao thriller de espionagem internacional, sem descurar a insubstituível love-story com toques de tragédia (mas mensagem positiva, apesar de tudo) e ainda as incursões filosóficas e metafísicas. Uma fórmula tão original quanto arrojada, a compactar Ian Fleming, Freud, o stress violento dos manos Coen (tudo armadilhado e armado até aos dentes), além dos efeitos especiais de Spielberg! A profusão de virtuosismo visual e sonoro, pontuado por diálogos interessantes, prestava-se para pecar por excesso, pulverizando a atenção do espectador por milhares de momentos demasiado intensos. Até diria que foi providencial o projecto de realização em 3D ter sido chumbado. Mas seja pela presença regular das rajadas de metralhadora a manterem-nos de sobreaviso, seja pelo desenrolar cativante e algo imprevisto da acção, seja pelos cenários em feérica transfiguração, ao jeito do sonho, parece-me difícil alguém despegar do ecrã.

Mas vai mais longe, mostrando-nos a impossibilidade de o mundo pessoal e intransmissível do sonho ser capaz de acolher, verdadeiramente, os outros. O ego do sonhador, inconscientemente – in stricto sensu– impõe-se desmesuradamente, sugando toda a realidade com a força arrebatadora e destrutiva de um furacão. As pessoas são meras projecções do tal ego, incrivelmente frágeis e sublevando-se com uma rapidez assustadora. São, afinal, fruto de mentes (as nossas…) muito mais vulneráveis e paradoxais do que o desejável. Até mesmo para efeitos de sobrevivência, sempre posta à prova.
Naquele universo fantasiado, o tempo nunca joga a favor. Ao invés, adopta a lógica da bomba-relógio. Assim, a missão desenrola-se em total adversidade, atrevendo-se a tentar domar realidades, pessoas e lugares de aparência inexpugnável, em luta contra tudo, sendo o inimigo mais implacável o cronómetro. Cada centésimo de segundo faz a diferença. Daí o desafio. E o frisson. É um bom exemplo disto a quantidade de façanhas sacadas, com grande arrojo e despacho, no brevíssimo tempo entre o monovolume se despenhar da ponte e embater na água!
Interessantíssimo, também, na difícil lavagem ao cérebro para inculcar uma nova ideia, observar que a motivação humana mais profunda é de ordem afectiva e o estímulo positivo prevalece sobre o negativo. Exemplificando: na ordem afectiva, o amor acaba por se sobrepor ao ódio; e na hierarquia dos estímulos, a alegria/o entusiasmo e a esperança superam o medo e o desespero. Transpondo para a realidade individual: uma pessoa feliz tem um potencial de sucesso muito superior às outras. Há uma antiga máxima do Império romano com ecos desta consideração, embora colocando a tónica no voluntarismo: A sorte favorece os audazes.
É invulgar, numa sociedade tão artificializada como a ocidental, o mundo ficcionado acabar por se revelar pobre, inadequado (imagine-se), para realizar, plenamente, os sonhos humanos. Que resultam autodestrutivos. Uma perigosa miragem. Porque tudo ali tende para a canibalização.

Assim, a prova de fogo no confronto entre sonho e realidade joga-se aí, tendo por palco de guerra a mente e o coração humanos! No final do filme, assistimos a uma autêntica explosão da realidade, sugerindo que só no presente, ainda que desprovido do aparato apetecível e ilimitado do fascínio onírico, a natureza humana atinge a plenitude. Apesar de tudo…
É verdade que o protagonista (Cobb) acabou por acumular duas vivências amorosas que, a dada altura, já só podiam co-habitar em planos incompatíveis, entre o sonho e o dia-a-dia. Mas a escolha derradeira é bem significativa (por aqui me fico, para não quebrar o suspense), privilegiando o horizonte onde a felicidade de cada um é conciliável com a dos demais. Onde as pessoas reais existem. Por isso, os pequenos truques inventados pela equipa que viajava nos sonhos – mandatados para missões impossíveis – para aferir o regresso ao mundo real elevaram-se, espontaneamente, a talismãs sacrossantos. Daí que a recusa de um dos talismã (cena repetida ao longo do filme), encerrado num cofre inviolável, constituísse a prova cabal de se ter cruzado a fronteira irreversível da loucura, que prefere a irrealidade forjada, o puro ilusionismo.
Termino com uma pergunta: será que a realidade não procede também do sonho de alguém com mais capacidade que a imaginação humana para a preencher de substância e lhe insuflar vida? Convenhamos que a natureza não enferma de falta de criatividade. Nem os sonhos são uma invenção humana. Aliás, ninguém se inventou a si próprio nem se conhece totalmente…
Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas, passando a publicar às Segundas)
_______________________________
(1) FICHA TÉCNICA
Título original: Inception Tradução portuguesa: A Origem
Duração: 148 minutos (2 horas e 28 minutos)
Género: Acção / Ficção Científica
Realizador e argumentista (de origem britânica): Christopher Nolan
Ano: 2010
País de origem: EUA / REINO UNIDO
Produção: Warner Bros. Pictures, Legendary Pictures, Syncopy
ELENCO:
| Leonardo DiCaprio (Cobb) | Ken Watanabe (Saito) |
| Joseph Gordon-Levitt (Arthur) | Marion Cotillard (Mal) |
| Ellen Page (Ariadne) | Tom Hardy (Eames) |
| Cillian Murphy (Fischer) | Tom Berenger (Browning) |
| Michael Caine (Professor) | Lukas Haas (Nash) |
| Tohoru Masamune (Security Guard) | Talulah Riley (Blonde) |
| Dileep Rao (Yusef) | Carl Gilliard (Hotel Guest |
12 setembro 2010
24º Domingo do Tempo Comum
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem.
11 setembro 2010
Pensamentos impensados
10 setembro 2010
d-e-c-a-n-t-a-ç-ã-o
que 'vão cães acesos pela noite'
- um verso terrível.
mas a culpa, sabes tão bem quanto eu,
não é dos cães, fiéis amigos do seu fiel amigo.
a culpa é nossa (repete comigo: n-o-s-s-a).
n-o-s-s-a e dos nossos olhos (repete: n-o-s-s-o-s)
tingidos por imperfeição, medo, usura.
quando restar só açúcar e cinza,
talvez os teus olhos (repete: m-e-u-s)
tenham recuperado o H de umanidade.
o mesmo equivale para o t-e-u coração
- sideral constelação que homem algum
dia algum compreenderá (não eu, seguramente).
até lá, os dias são pequenos ciclos de vida e de morte,
peles que nos nascem e que deixamos para trás
numa reinvenção permanente
feita do instinto mais puro.
quando nada restar senão poeira cósmica,
haverá ainda assim estrelas para alguns de nós
e o t-e-u nome para sempre gravado no m-e-u céu,
como esse amor inteiro que t-r-a-z-e-m-o-s ao peito.
o resto é uma espécie de paisagem lunar,
abstracção que nunca alcançará a essência do sol.
esse sol - ou uma ideia de sol -
que Deus - ou uma ideia de Deus -
bordou na t-u-a cartografia mais íntima.
gi.
09 setembro 2010
Nota do editor e dono do estabelecimento
Deixa-me rir...
Vivaldi - Orlando Furioso "Nel Profundo Cieco Mondo" (In This Profoundly Blind World)
Enjoy!
A proxima,
PO
08 setembro 2010
Informação
LEMBRAR
Exposição com as míticas Tapeçarias de Pastrana,
até 12 de Set. (Domingo) no MNAA-Museu Nacional de Arte Antiga
http://www.mnarteantiga-ipmuseus.pt/pt-PT/destaques/PrintVersionContentDetail.aspx?id=400
Morada: Rua das Janelas Verdes, Lisboa. Telefone: (351) 21 391 2800.
Moleskine
Mineiros chilenos. A saga continua mas, estou certo, daqui a meia dúzia de semanas ninguém falará deles, esfumando-se o tema na voragem das coisas mais mediáticas. Parece que continuam bem e, segundo li, já há alguma divisão de tarefas, o que permite uma ocupação, tão saudável quanto possível, do tempo. Demorará até que cheguem à superfície, se bem que se fale numa possível antecipação. Até lá é a ausência de sol, o relógio que marcha com uma lentidão de desespero, e as vídeo-conferências com familiares, disciplinados para um optimismo que se pretende contagiante.
Livros. Mais um excerto do Diário dos Vencidos – o 5 de Outubro visto pelos monárquicos em 1910 (Joaquim Leitão, Ed. Aletheia):
(...) Nessa ocasião, um sargento da Estrela falava pelo telefone ao Coronel Malaquias de Lemos, dizendo que lhe haviam comunicado que estava proclamada a República, e que se rendesse, mas que ele não queria render-se porque ainda podia combater.
- E o coronel Malaquias que respondeu?
- Respondeu o seguinte: “Entreguem-se também, que eu já me entreguei”. “Mas nós ainda podemos resistir!...”, dizia o sargento. “Entregue-se, já lhe disse!”, insistiu o coronel Malaquias. E voltando-se para quem estava: “Ora vejam a que estado de indisciplina chegou o exército! Um sargento a discutir comigo a oportunidade de se render. Que me dizem a este sargento, hã? Que me dizem ao sargento!?...”
Beatices (I). Casamento, Sábado, em Vila Viçosa. É de lamentar a canícula calipolense (37ºC às 14.00h, deglutia eu umas migas antes de me atirar à gravata...) mas tudo o resto esteve no domínio do perfeito. Faço parte daquela gente que, num casamento, distingue o verdadeiramente essencial – a cerimónia religiosa – do que é genuinamente importante – o copo-de-água. Fixei os contornos gerais da homilia – muito inspirada – e o fim da 2ª leitura, da famosa carta aos Coríntios: (a caridade) tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade não acaba nunca. Sentado na Igreja, olhei à volta e pensei que é nesta fé que eu quero continuar a viver.
Beatices (II). Missa, Domingo, no Estoril. No fim da homilia falam dois seminaristas, prestes a entrar no 2º ano, e dois rapazes que entrariam 2ªfeira para frequentar o 1º ano. Conheço um de cada grupo, amigos dos meus filhos. Em todos se nota a confiança e a exaltação. No fundo, não é isso, também, o que define a nossa espiritualidade? De facto, Deus não escolhe os capacitados, dá forças aos escolhidos. A fé pode ser contagiante?
Beatices (III). Mão próxima envia-me, 2ªfeira, o link para uma entrevista da LQ, minha amiga de juventude, que agora tem um lugar de responsabilidade nas Irmãs da Caridade. 25 minutos, quase, a falar do amor de Cristo, de serviço, dos mais pobres, da fome espiritual e da fome física. Retenho, no tom de voz que me é familiar, o sentido geral da conversa. Fixo uma das últimas frases, talvez: tenho a certeza de que nunca seria feliz em mais sítio nenhum”. Fé é isto.
Futebol. Segundo desaire no espaço de menos de uma semana, desta vez com a Noruega, com quem nunca tínhamos perdido. Vale-nos o hóquei em patins e a alegria de termos cilindrado, por 14-1, os nossos aliados ingleses. Somos melhores no stick - o que me faz lembrar que poderíamos oferecer um par de patins ao Madaíl e ao Queiroz.
Processo Casa Pia. Há muito tempo que embirro com o Carlos Cruz (antes, ainda, do processo) e alimento um convencimento (injusto, talvez, porque sem bases) da sua culpa. Mas, numa onda que por vezes me invade de fixar o acessório, dei por mim a olhar para o advogado Sá Fernandes, por quem não nutro simpatia alguma. E imaginei esta cena – hipotética, mas possível: a equipa de defesa de Carlos Cruz sabe da sua culpabilidade mas este, por deficiências processuais, acaba não condenado (falta de provas, erros, prescrição). Sá Fernandes tira o panamá (ou era um palhinha?), elogia a justiça que já não vive no mundo das trevas e abraça o apresentador, gritando, entre duas fortes palmadas nas costas transpiradas, porreiro, pá! Nesse dia, no remanso da sua vida familiar, beija a Sofia com um sorriso (desconheço se tem filhos da idade das vítimas) e pergunta-lhe: não queres abrir uma boa garrafa de vinho? Ganhámos o processo casa pia. Eu, agoniado e burguês na minha vida confortável, socorro-me de uma água das pedras e do sossego de não ser advogado, de ter tirado, apenas, um curso menor de engenharia.
07 setembro 2010
Dia de Finados
06 setembro 2010
Fórmula para o caos
05 setembro 2010
Domingo …… Se fores à Missa !
O Evangelho de hoje fala-nos de confiança, de confiança cega e total, Mais uma vez Cristo nos pede que confiemos em Si, que confiemos no Seu amor, ao ponto de largarmos pai, mãe e familia, ou seja, largarmos tudo aquilo que nos dá segurança. Claro que não podemos levar este desafio à letra. Não nos é pedido, literalmente, que deixemos a nossa família física, para nos entregarmos a Cristo (embora essa seja a realidade dos que optaram pelo sacerdócio ou pela clausura). Não! Mas mais uma vez nos deparamos com o facto de que os critérios de Deus não são os nossos critérios. A renúncia de que Jesus nos fala refere-se aos bens materiais, aos nossos hábitos mundanos, às posições sociais, aos cargos políticos, às funções profissionais, enfim, um sem-número de coisas nas quais e com as quais nos sentimos seguros, nos sentimos confiantes, nos sentamos comodamente e das quais não nos desinstalamos. Ora, embora tudo isso seja necessário no mundo de hoje, em quantidade q.b., o certo é que muitos de nós acreditamos que a felicidade e a segurança estão directamente relacionadas com a quantidade e qualidade das mesmas e gera-se um circulo vicioso que nos cega, nos impede de ver mais além, de ir mais além, de ousar, de saltar para o desconhecido, de arriscar. Quanto mais temos, mais queremos, porque acreditamos que, assim, vamos atingir a felicidade. E porque a felicidade não chega, empenhamo-nos em ter mais, e assim sucessivamente. O que Jesus nos diz neste Evangelho é muito simples: “Larga tudo isso que tens (a mais), pois, largando, torna-se leve a tua mochila, libertas-te desse peso extra que te prende e então, já solto, será mais fácil seguires-me”. Aliás, Jesus é mesmo peremptório nesta certeza de que só quem se despoja do excedente poderá ser seu discípulo. Não é que não nos salvemos na mesma; não é isso! Jesus não diz que quem não tomar a cruz não será salvo! O que Ele diz é que quem não se despojar, não conseguirá ser seu discípulo mesmo que queira. Enfim, resta-nos saber se queremos ser seus discípulos nesta vida terrena, privar com Ele, contar com Ele, comprometermo-nos com Ele, senti-Lo próximo todos os dias ou se, pelo contrário, optamos por deixar que a vida passe por nós aleatoriamente, esperando o dia em que nos encontraremos com Ele face a face. Se é sua a primeira opção, comece a esvaziar a mochila já hoje. Se é sua a segunda opção, não se acanhe em continuar a enchê-la.
Domingo, Se Fores à Missa ……. Decide se queres encher ou esvaziar a mochila.
Maf
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: ‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo
04 setembro 2010
Pensamentos impensados
03 setembro 2010
teu rosto, metafisica
e era ainda e para sempre esse agosto
que de areia esculpia flores vestidas
de claridade salgada, acre como mosto.
era no tempo das suaves raparigas
andorinhas anunciando a alvorada
semeando palavras como espigas
preparando a colheita mais desejada.
era no tempo das suaves raparigas
forma poética e, bem sei, algo brutal
de declinar no plural a que me obrigas
aquilo que só pode existir no singular.
era no tempo das suaves raparigas
e novecentos era ainda tempo presente
tudo trocaria: agosto, espigas, mosto
por esse, de mim ausente, teu rosto
(e contudo em mim tão presente).
gi.
02 setembro 2010
Deixa-me rir...
01 setembro 2010
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