15 julho 2012

Domingo, ….. Se Fores à Missa!


Gosto particularmente deste  Evangelho …  a mensagem é clara e directa. Ao contrário de muitas outras leituras que me parecem inadequadas e longínquas relativamente aos nossos tempos, esta  encaixa em mim perfeitamente. Talvez,  porque sou uma pessoa mais de acção do que de oração. Gosto desta ideia do ir …. ir, sem carga, sem alforge, despojada de bens materiais, sem dependências ou interferências, ou seja,  numa só palavra, ir em liberdade.

Todos nós somos chamados por Deus a testemunhar a sua palavra. Podemos aceitar ou não essa missão. Podemos desempenhá-la melhor ou pior. A única coisa que precisamos para essa jornada  é a certeza do Seu Amor e um companheiro de viagem. O primeiro preenche-nos, o segundo completa-nos.  Mas Deus também nos adverte que essa viagem não será fácil. Vamos encontrar obstáculos pelo caminho, vamo-nos cruzar com pessoas que não nos querem ouvir, que não nos querem receber e quando isso acontecer, diz-nos Jesus, não percam tempo com essas pessoas e sigam o vosso caminho.  Mensagem mais pragmática, não há!

Deus veio para nos amar e para nos salvar, a TODOS, mas também deu a TODOS a liberdade de aceitar, ou não, esse amor e essa salvação.

Ao lermos este Evangelho, cada um de nós pode optar por ser (i) um dos doze ou (ii) um dos habitantes.

Domingo, Se Fores à Missa ……..  Faz a tua Opção !

Maf

Evangelho de Nº Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
Jesus chamou os doze Apóstolos
e começou a enviá-los dois a dois.
Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros
e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho,
a não ser o bastão:
nem pão, nem alforge, nem dinheiro;
que fossem calçados com sandálias,
e não levassem duas túnicas.
Disse-lhes também:
«Quando entrardes em alguma casa,
ficai nela até partirdes dali.
E se não fordes recebidos em alguma localidade,
se os habitantes não vos ouvirem,
ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés
como testemunho contra eles».
Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento,
expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos.


14 julho 2012

Pensamentos impensados


Coceiras
Fez tudo para ser homem estátua mas nunca conseguiu; tinha bicho-carpinteiro.
 
Fisiologias
Vi um professor fazendo as suas "necessidades"; considerei o acto um master piss,
 
Filmes
Há anos houve um filme que fez grande sucesso e que se chamava Esplendor na Relva; mas porque raio é que eu me lembrei desta "fita"?
 
Modas
Já na antiga Roma havia guerras entre os costureiros; daí as guerras túnicas.
 
Línguas
Há uns anos havia umas piadas baseadas no facto de quase todas as palavras começadas por AL eram de origem árabe; por exemplo, cara em árabe seria al...face, auto estrada seri  al...pista.
Aqui vão duas originais:
França em árabe: al...gália
Dignitário da Igreja: al...deão.

SdB (I)

13 julho 2012

Moleskine


Dia do Anjo. Várias pessoas, na caixa de comentários do blogue, por mail, sms ou telefone, evidenciaram a sua presença na passada 6ªfeira, fosse porque se lembravam da data, fosse porque leram o texto. Fiquei sensibilizado e agradeço a todos. Talvez pudesse ter escrito sobre o que é atingir-se a maioridade no Céu, como referiu a Arit Netoj, mas aquilo foi o que me saiu. Há muito que repito uma frase com que me cruzei: todos os dramas são suportáveis se fizermos deles uma história.  Este tom sério, cheio de uma fé quase obsessiva na eternidade, na bondade permanente de Deus, no colo imenso de Nossa Senhora tem sido, de facto a minha narrativa – e é com ela que me tenho sentido confortado. Talvez mude ligeiramente o tom um dia destes, mas os alicerces do meu bem-estar são para manter.

O tempo. Sempre que me esqueço um pouco desta sabedoria milenar, o destino acaba por me recordar o fundamental: há um tempo para tudo na vida.  Durante alguns anos fez parte do meu espólio uma pasta verde em plástico onde guardei exames, correspondência com médicos, digitalizações disto e daquilo, marcações de tratamentos, etc. Fruto de uma mente que tem os seus mistérios, teimei em conservar esta inutilíssima pasta que me recordava um 2001 de triste memória. No passado 6 de Julho, sozinho em casa a fazer arrumações (que vinha preguiçosamente a adiar) deitei tudo fora, com a mesma tranquilidade com que jogaria para o caixote o folheto promocional do lidl. Não olhei para trás, não tive presságios de arrependimento, não hesitei. Naquele próprio dia? Coincidência ou uma espécie de maioridade? A coincidência é a forma que Deus tem de permanecer anónimo, diria Einstein. 

Filme. Num destes dias um cachorro, fruto de um qualquer desconforto, ganiu e ladrou a noite toda. Custou-me a adormecer, acordei antes de tempo, dormi desconfortado. Ainda de madrugada, e a fazer minutos para o meu paredão matinal, decido socorrer-me do zapping. Num dos canais, Colin Firth (o galã premiado pelo seu desempenho em O Discurso do Rei) entra num restaurante na província francesa. É Natal e atrás dele vem um grupo de portugueses emigrantes. Um cavalheiro pergunta ao empregado por uma rapariga. A resposta veio pronta:
Quero lá saber (o original em inglês é how should I know?)!
Colin olha para cima, para o mezanino, e encontra a cara bonita e doce de Lúcia Moniz, a rapariga que sorri, apesar de estar a servir à mesa na véspera de Natal. No seu melhor português o cavalheiro diz-lhe:
Bonita Aurélia... e pede-a em casamento. Ela – a bonita Aurélia – gagueja timidamente que tudo aquilo pode ser uma boa ideia... Depois beijam-se, num amor abençoado pelas badaladas da meia noite. A irmã de Lúcia (a quem, independentemente do nome, ele não chamaria bonita...) aflora-lhe os lábios num misto de inveja e lascívia pouco cristãs e, porque é Natal e ninguém leva a mal, também o futuro sogro o beija na boca, perante o espanto – mas não indignação, do inglês. Entre o bonita aurélia e os beijos em profusão se constrói a imagem dos portugueses...

Livros. 30 anos depois, talvez, de ter tentado ler, na língua original, o Ulisses de James Joyce – e ter desistido na página 2 – leio o Retrato do Artista quando Jovem (Relógio D’Água, tradução de Paulo Faria). Estou a gostar muito, sendo que tem de ser lido em pedaços parcimoniosos, porque a escrita é densa. Terminado em 1914, a novela descreve a infância em Dublin de Stephen Dedalus e a sua busca de identidade (da contracapa). Muito se passa num colégio interno de  jesuítas, e percebe-se que durante séculos o Céu dos católicos foi ganho, não à custa da procura do Bem, mas porque as pessoas tinham o pavor do Inferno e do castigo de Deus. Atente-se numa pequeníssima parte da pregação do orientador de um retiro para jovens de dezasseis anos: Sim, um Deus justo! Os homens, raciocinando sempre como homens, ficam estupefactos por Deus aplicar um castigo eterno e infinito no fogo do inferno como pena por um único pecado grave. Raciocinam assim porque, cegados pela grosseira ilusão da carne e das trevas do entendimento humano, são incapazes de apreender a infâmia hedionda do pecado mortal. Raciocinam assim porque são incapazes de perceber que mesmo o pecado venial tem uma natureza tão sórdida e tão hedionda que, ainda que o Criador omnipotente pudesse pôr fim a toda a maldade e infelicidade no mundo, as guerras, as doenças, os roubos, os crimes, as mortes, os assassínio, na condição de permitir que um só pecado venial ficasse impune, um único pecado venial, uma mentira, um olhar irado, um momento de preguiça deliberada, Ele, o grande Deus omnipotente, não o poderia fazer, porque o pecado, seja por pensamentos, seja por actos, é uma transgressão da lei d’Ele, e Deus não seria Deus se não punisse o infractor.

JdB 

12 julho 2012

Deixa-me rir...


Caros Audiophiles, let me continue the food theme started yesterday by MFM. First, we need a lime cheesecake. You have not yet had time to try yesterday's recipe, I hear you cry?!?  Luckily for you, I have prepared one for you.  So we have our party soul food.
But every party needs to swing. And so next, inspired by JdB's small but discerning ancient vinyl record collection which has been marinating in our hearts since two days ago, we add a healthy measure of 1930s picante jumping jive.
And the culinary result? Everybody eats when they come to my house! Permit Cab Calloway to explain:





Here in England of course I should invite you for a tea party. With a slice of remaining cheesecake? Because, as you probably have heard, no matter how busy our day, at 4pm, Everything stops for tea:

Every nation in creation has its favourite drink:
France is famous for its wine, it's beer in Germany
Turkey has its coffee and they serve it blacker than ink
Russians go for vodka
and England loves its tea.
Oh, the factories may be roaring with a boom-a-lacka zoom-a-lacka wee
But there isn't any roar when the clock strikes four
Everything stops for tea.
Oh, a lawyer in the courtroom in the middle of an alimony plea
Has to stop and help them pour when the clock strikes four
Everything stops for tea.
It's a very good English custom
Though the weather be cold or hot
When you need a little pick-up, you'll find a little tea cup will always hit the spot.
You remember Cleopatra had a date to meet Mark Anthony at three
When he came an hour late she said "You'll have to wait"
For everything stops for tea.
Oh, they may be playing football and the crowd is yelling "Kill the referee!"
But no matter what the score, when the clock strikes four
Everything stops for tea.
Oh, the golfer may be golfing and is just about to make a hole-in-three
But it always gets them sore when the clock yells "four!"
Everything stops for tea.
It's a very good English custom, and a stimulant for the brain
When you feel a little weary, a cup will make you cheery
And it's cheaper than champagne.
Now I know just why Franz Schubert didn't finish his Unfinished Symphony
He might have written more but the clock struck four
And everything stops for tea.





But in case you are reading this at breakfast time, let us return to MFM's original post and reflect on Jane Austen's dilemma:

"How do you like your eggs in the morning?":




I wonder if Jane Austen would have approved!
  
A proxima.
 
PO

11 julho 2012

Ponto de Vírgula

“Mrs. Bates, let me propose your venturing on one of these eggs. An egg boiled very soft is not unwholesome. Serle understands boiling an egg better than anybody. I would not recommend an egg boiled by anyone else – but you need not be afraid, they are very small, you see – one of our small eggs will not hurt you. Miss Bates, let Emma help you to alittle bit of tart – a very little bit. Ours are all apple-tarts. You need not be afraid of unwholesome preserves here. I do not advise the custard. Mrs. Goddard, what say you to half a glass of wine? A small half-glass, put into a tumbler of water? I do not think it could disagree with you.”


in  Emma, Jane Austen



Lime Cheesecake

500g mascarpone cheese (much smoother than ricotta);
40g icing sugar;
50g butter;

The juice and grated zest (skin) of 4 limes, all mixed together, on a base of a packet of crushed ginger biscuits; add sliced kiwi fruit on top for decoration. 

Nota: receita simpaticamente fornecida por PO (recipe kindly provided by PO)

MFM

10 julho 2012

Duas últimas

Esta rubrica nasceu de uma ideia simples: três amigos que se tinham juntado à mesa das cartas durante uma série de anos manteriam um post semanal sobre música. O título é óbvio para quem foi jogador, nomeadamente de King. 

Pela parte que me toca, adulterei o esquema. Muitas vezes, por falta de inspiração, ou fruto de uma confusão mental que me assalta furiosamente, esqueci o objectivo inicial. Pura e simplesmente escrevia sobre o que me apetecia e depois pregava com um youtube... Prerrogativas do editor e dono do estabelecimento.

Tento agora repor as condições iniciais. Apresento-vos os Ink Spots, um conjunto que encontrei há muitos anos, não sei porquê, e ao qual me afeiçoei - e também não sei porquê. Na minha vasta discografia, que em termos de vinyl compreende meia dúzia, se tanto, eles estão presentes. 

Já conhecia Whispering Grass cantada pela Sandy Denny (aqui postado há uma semanas pelo fq). Shanty Town tem um ritmo mais alegre, o que constituirá uma atenuante para a acusação de menoridade mental do blogueiro de serviço. Fica a apresentação de um grupo que nasceu e se celebrizou nos anos 30 e 40, cujas músicas começam sempre com a mesma toada, mas que criou um estilo musical.

Ink Spots, pelo editor e dono do estabelecimento. Haja respeito e consideração, porque é isso que nos merecem as deambulações mentais - por mais estranhas que pareçam - do nosso próximo.

JdB



08 julho 2012

14º Domingo do Tempo Comum


Às vezes o que está mais próximo é o que mais nos surpreende. Quantas pessoas não nasceram e cresceram junto de maravilhas como o Mosteiro dos Jerónimos ou a Torre dos Clérigos, não esquecendo tantas outras obras e lugares belíssimos do nosso país, e ficam admirados com os que vêm de longe para os visitar. Como se fosse necessária uma certa distância para melhor reconhecer os milagres! É o que sucede com as pessoas: habituamo-nos a estar ao lado, sem viver cada momento como único, e depois, acontece a distância de uma doença ou da morte que traz um vazio imenso.  

Deve ter sido tão humano e natural o crescimento de Jesus em Belém! Ou talvez habituados ao costume de só valorizar o que “vem de fora”, os conterrâneos de Jesus não tivessem olhos e ouvidos para o milagre daquele homem que era também Deus. O Deus connosco a amar muito esta vida. E ainda que se admirassem com a sua sabedoria e com as suas mãos milagrosas, olharam-no como uma aberração e cheios de desconfiança. Podemos ser tão duros assim diante de um Deus que se aproxima e da salvação que muda a vida de tantos? José Maria Mardones, um religioso escritor espanhol tem um livro com um título “duro”: “Matar os nossos deuses: Um Deus para um crente adulto” e diz na introdução: “Deus nem sempre é um elemento que eleva, potenciador, libertador da pessoa. Pelo contrário, à volta da sua imagem acumulam-se medos, terrores, cargas morais, repressões ou encolhimentos vitais. Não, Deus nem sempre é uma força que desate os nós, liberte das cadeias, faça mais leve o peso da vida ou eleve as pessoas acima das miserias existenciais e quotidianas. Às vezes Deus é uma carga pesada, muito pesada.”.

Não podemos mudar os olhos mas sim o olhar, nem trocar de ouvidos mas ouvir melhor. E será verdade que os preconceitos e rótulos que colocamos nas pessoas também, talvez, os coloquemos em Deus? Que imagens de Deus enchem o pensamento e o coração mais do que a maravilha da proximidade de Deus em Jesus Cristo? O hábito e o acomodamento atrofiam a capacidade de acolher a radicalidade de Deus vir até nós. Na sua profunda humanidade e na sua próxima divindade. Descrentes da gratuidade e da bondade, desconfiados de uma dádiva total, como podemos acolher Jesus que quer dar-se totalmente a cada pessoa? Como acreditar na possibilidade de milagres que nos transformam em filhos de Deus e em irmãos? Sem abertura à surpresa, às surpresas amorosas do nosso Deus, não ficaremos como os de Nazaré, fechados e convencidos de que tudo tem de ser assim, calculado e medido, sem rasgos de um amor maior?   

​P. Vítor Gonçalves
in VOZ DA VERDADE 08.07.2012        



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
Jesus dirigiu-Se à sua terra
e os discípulos acompanharam-n’O.
Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga.
Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam:
«De onde Lhe vem tudo isto?
Que sabedoria é esta que Lhe foi dada
e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos?
Não é ele o carpinteiro, Filho de Maria,
e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão?
E não estão as suas irmãs aqui entre nós?»
E ficavam perplexos a seu respeito.
Jesus disse-lhes:
«Um profeta só é desprezado na sua terra,
entre os seus parentes e em sua casa».
E não podia ali fazer qualquer milagre;
apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos.
Estava admirado com a falta de fé daquela gente.
E percorria as aldeias dos arredores, ensinando.

07 julho 2012

Pensamentos impensados


Ralhete
Ralharam-forte e feio; ficou perturbado.
Foi a emoção da censura.

Droga
Estar à coca, será estar à espera do "dealer"?

Escorregar e cair
Os patins foram inventados por Deus ao dar uma macieira a Adão.
Pôs-lhe um par de patins.

Oh Relvas, oh Relvas dificuldade à vista
O Relvas tem mesmo curso?
E qual é o seu percurso?
Tem um ótimo discurso
Sem fazer figura de urso
E não admite recurso
E nunca fica "piurso"

Fruto estragado
As doenças do fígado podem ser fruto de hepatite.
A obesidade é fruto do apetite.

SdB(I)

06 julho 2012

Carta a um anjo


Nasceste hoje mas há dezoito anos, segundo o calendário pelo qual nos regemos cá em baixo. Pelos nossos critérios atingirias a maioridade, com tudo o que isso traz de normal e saudável para a vida – carta de condução, direito a voto, olhar universitário, casamento e turismo à vontade, festa alargada a celebrar uma idade que já se conquistou antes.

Não te imagino com dezoito anos, porque não tens dezoito anos. Mesmo quando olho para quem foi teu amigo mais próximo – a Inês L, a Inês C, o Lourenço A – ou para quem, do teu ano, se lembra bem de ti, como a Mariana TM ou a Vera C, não te vejo lá, porque tens sempre os sete anos que connosco passaste. Não quero saber, por isso, se serias alta ou baixa, magra ou gorda, se herdarias o jeito de mãos para pintar, para tocar ou para escrever.  És uma criança, serás sempre uma criança, a alinhar com rigor precoce os sapatos num quarto, a escrever histórias premonitórias com perfeição caligráfica, a encostar uma porta num pudor de adulto.

Celebramos pela décima oitava vez o presente que Deus nos deu – esse Deus que não é senão amor – e que nunca nos tirou, porque nunca nos pertenceste verdadeiramente. Perceber isso, perceber que só somos donos das coisas quando delas nos sabemos libertar é conseguir sorrir à perda, dar o braço à saudade, entrar num quarto escuro cheio de lembranças e saber enchê-lo de luz, escrever nas paredes a história que torna o drama suportável.

Este ano a Inês, a Mariana, o Lourenço – e tantos outros de cujo nome já não me lembro – celebram a idade da carta, da universidade, do voto, de uma liberdade que já se conquistou cedo de mais. Tu não, porque cristalizaste eternamente nos sete breves anos e porque tudo isto são detalhes de uma vida certa, natural, saudável – mas terrena. A tua realidade é diferente, porque não tens dias, anos, semanas. Como se divide a eternidade e o tempo do Céu em fracções de minuto?

Hoje é dia de festa, mesmo que a festa seja toda vivida dentro do coração de quem te amou desde o primeiro minuto, num amor crescente que só é possível porque foi abençoado. Hoje é dia de festa, mesmo que a festa seja toda vivida dentro do coração de quem te recorda, te reza, te pede discernimento e força, te lembra a comer doces com uma minúcia de ourives, a falar nos perfumes da frança num desconhecimento infantil, a caminhar de braços abertos para uma Nossa Senhora que todos abriga.

Hoje é dia de festa. Sobre nós cai o pó do anjo, o pó do amor. E escreve-se mais um capítulo no livro da nossa vida.

JdB

04 julho 2012

Diário de uma astróloga – [29] – 4 de Julho de 2012


A independência dos Estados Unidos da América e a sua carta do céu

Cá estou em casa, em Cape Cod, um pouco ao sul de Boston, cidade onde começou a revolta que levou à independência dos Estados Unidos. Hoje é o dia nacional, comemorado com barbecues, paradas, grandes demonstrações de patriotismo e bandeiras por todos lados.

As nações têm temas astrais e, da mesma forma que um tema pessoal revela aspectos psicológicos do individuo, assim o espirito dos USA pode ser compreendido através das energias presentes no momento em que foi assinada a Declaração de Independência. Mas qual foi exactamente esse momento? Qual é a carta do céu dos USA?

Dia 4 de Julho de 1776. Mas será? John Adams, um dos signatários e 2º presidente dos Estados Unidos, escreve à sua mulher a 3 de Julho, “… o dia 2 de Julho será para sempre celebrado como dia nacional”.  O historiador contemporâneo David McCullough partilha da mesma opinião.

O que aconteceu? Ninguém sabe ao certo, mas quando vivi em Washington fiz investigações na Biblioteca do Congresso e, baseada em provas circunstanciais, acho que Benjamin Franklin, um dos signatários, interveio para mudar a data do nascimento do novo pais…. por motivos puramente astrológicos.  

Franklin era um homem extraordinariamente versátil: politico, inventor, escritor, diplomata que durante 25 anos publicou “Poor Richards Almanac”, equivalente ao nosso Borda d’Água. Tinha profundos conhecimentos de astrologia, uma vez que o almanaque descrevia as fases da Lua, eclipses e a influência dos ciclos e aspectos planetários no clima e na agricultura. Quando ele calculou a carta do seu novo País verificou que a 2 de Julho a Lua se encontrava em Capricórnio, o que para ele queria dizer que o povo americano estaria condenado a encontrar dificuldades, obstáculos, restrições, visto a Lua representar a população e estar em detrimento. O dia 4 de Julho produzia uma carta muito melhor para o futuro da nação e com uma simbologia mais apropriada. A Lua já tinha passado para Aquário, signo progressivo, libertador, idealista, e o Sol ocupava no 13º grau de Caranguejo conjunto à estrela Sírios, a mais brilhante do firmamento. Além disso, o número 13 reflectia as 13 colónias signatárias da declaração de independência.

Imagino o dinâmico e persuasivo Franklin, seguro das suas convicções astrológicas, a influenciar John Handcock, o presidente do Congresso Continental (órgão que declarou a independência) a assinar a Declaração de Independência, isto é o nascimentos dos USA, num momento mais auspicioso – 4 de Julho de 1776 às 17:10 da tarde. 

Entre astrólogos há grandes discussões sobre a hora. A carta das 17:10 é conhecida por Sibly porque foi um astrólogo inglês, Ebenezer Sibly, que a tornou pública em 1787. Acontece que este senhor era membro da mesma Loja Maçonica de Ben Franklin. Foi aí que ele soube a hora com tanta precisão? 

Uma vez que os historiadores não são capazes de concordar sobre a hora da assinatura, agrada-me que a confirmação mais provável seja de origem astrológica. A carta Sibly apresenta o ascendente em Sagitário. O ascendente muda todas as duas horas e exprime a personalidade colectiva de uma nação, os mitos e imagens associados com ela, a forma como os outros povos a vêem. 

A representação de Sagitário é a de um centauro (meio homem, meio cavalo) munido de arco e flecha, sempre a galopar à procura de aventura, muito parecida com a do mítico cowboy a dirigir-se para o sol poente, incapaz de assentar raízes. É o signo regido por Júpiter, o planeta da expansão. A frase “Go west young man” marcou a conquista territorial feita a partir das 13 colónias originais. Tudo é maior na América: os carros, as casas, as doses nos restaurantes. Também é o signo dos convencidos, dos que sabem mais do que toda a gente. Sorri ao ouvir Obama a pregar sobre a divida dos países europeus quando a divida governamental per capita dos USA é mais alta do que a da Grécia, Itália, Portugal, etc… A religião organizada também se enquadrada no arquétipo Sagitário e os americanos, além de terem inventado uma religião no séc. XIX,  os Mormons, à qual pertence o candidato à presidência Romney, adoptaram o mote oficial “In God we trust”, e imprimiram-no nas notas. Não conheço mais nenhum país que mencione Deus na sua moeda!


Não duvido que o ascendente dos USA seja Sagitário por isso no meu jardim astrológico pintei a bandeira americana na flecha do centauro.


Provavelmente Franklin não pensou nestas características ao escolher as 17:10 mas sabia que a estrela Regulus, símbolo do poder da monarquia inglesa, estava no poente, prestes a desaparecer no horizonte. Este simbolismo agradou-lhe com certeza.

Luiza Azancot

03 julho 2012

Duas últimas

(...)

Eles são mais inteligentes, vividos, charmosos, eloquentes.
Sabem o que falam, e sabem falar na hora certa.
São cativantes, sabem fazer-se presentes, sem incomodar.
Sabem conquistar uma boa amizade. 
Em termos de relacionamentos, trocam a quantidade pela qualidade,
visão aguçada sobre os valores da vida, sabem tratar uma mulher com respeito e carinho.
São Homens especiais, românticos, interessantes e atraentes pelo que possuem na sua forma de ser,
de pensar, e de viver.
Na forma de encarar a vida, são mais poéticos, mais sentimentais, mais emocionais
e mais emocionantes.
Homens mais amadurecidos têm maior desenvoltura no trato com as mulheres,
sabem reconhecer as suas qualidades, são mais espirituosos, discretos,
compreensivos e mais educados.
A razão pela qual muitos Homens maduros possuem estas qualidades maravilhosas
deve-se a vários fatores:
a opção de ser e de viver de cada um, suas personalidades, formação própria e familiar,
suas raízes, sabedoria, gostos individuais, etc... mas eu creio que em parte, há uma  boa parcela de
influência nos modos de viver de uma época, filmes e músicas ouvidas e curtidas deixaram boas recordações da sua juventude, um tempo não tão remoto,
mas que com certeza, não volta mais.
Viveram a sua mocidade (época que marca a vida de todos nós)
em um dos melhores períodos do nosso tempo:
Os anos 60/70. 
Considerados as "décadas de ouro" da juventude, quando o romantismo foi vivido e cantado em verso e prosa
A saudável influência de uma época, provocada por tantos acontecimentos importantes, que hoje permanecem na memória,  e que mudaram a vida de muitos.
Uma época em que o melhor da festa era dançar agarradinho e namorar ao ritmo suave
das baladas românticas.
O luar era inspirador, os domingos de sol eram só alegrias.
(...) 
Foram e ainda são os Homens que mais souberam namorar:
Namoro no portão, aperto de mão, abraços apertadinhos, com respeito e com carinho,
olhos nos olhos tinham mais valor...
A moda era amar ou sofrer de amor.
Muitos viveram de amor... outros morreram de amor...
Estes Homens maduros de hoje, nunca foram Homens de "FICAR"
Ou eles estavam a namorar pela certa, ou estavam na "fossa", ou estavam sozinhos.
Se eles "ficassem", ficariam para sempre... ao trocar alianças com suas amadas.
 (...)
A juventude passou, mas deixou "gravado" neles, a forma mais sublime e romântica de viver.
Hoje eles possuem uma "bagagem" de conhecimentos, experiências, maturidade e inteligência
que foram acumulando com o passar dos anos.
O tempo se encarregou de distingui-los dos demais:
Deixando os seus cabelos cor-de-prata, os movimentos mais suaves, a voz pausada,
porém mais sonora, hoje eles são Homens que marcaram uma época.
Eu tenho a felicidade de ter alguns deles como amigos virtuais,
mesmo não os vendo pessoalmente, percebo estas características através de suas palavras e gestos.
Muitos deles hoje "dominam" com habilidade e destreza essas máquinas virtuais,
comprovando que nem o avanço da tecnologia lhes esfriou os sentimentos pois ainda se encantam com versos, rimas, músicas e palavras de amor.
Nem lhes diminuiu a grande capacidade de amar, sentir e expressar seus sentimentos.
Muitos tornaram-se poetas, outros amam a poesia.
Por que o mais importante não é a idade denunciada nos detalhes de suas fisionomias e sim os raros valores de suas personalidades.
O importante é perceber que os seus corações permanecem jovens...
São Homens maduros, e que nós, mulheres de hoje, temos o privilégio de
PODER ADMIRÁ-LOS !

***

Enviaram-me ontem o texto acima, atribuído a Zelia Gattai, escritora e mulher de Jorge Amado. Fala dos quarentões, cinquentões e sessentões. Enfim, fala também da minha geração, dos meus amigos mais próximos, hoje (quase) todos na casa dos cinquenta. Revi-me nalguns aspectos, gostaria de me ter revisto noutros, sobressaiu algo da minha nostalgia crónica. O ficheiro (um daqueles inacreditáveis powerpoints cheios de letras que se enrolam e caem em cascata, em serpentina, como chuva alfabética) vinha acompanhada de uma música de que gosto muito e que partilho convosco em duas versões distintas.


Nota: sábado passado fui aos anos do meu amigo JS, que completou 40 anos de vida - e sobre o qual já aqui escrevi. Temos uma amizade recente, mas, estou certo, forte e leal. A festa foi tudo o que poderia ser - e mais não se quereria: qualidade, simpatia, simplicidade, riso e comoção nos olhos do aniversariante, vista deslumbrante, vitualhas magníficas, fados pelo Camané, lembranças de quem já partiu, lembranças de quem está longe, educação a rodos, amabilidade beirã, um bolo de anos pecaminoso... 
O post de hoje é-lhe dedicado: não só porque lhe devo muitas e boas finezas de amizade, mas porque o texto acima também é para ele, mesmo que só seja quarentão desde domingo...

JdB
    

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