29 agosto 2012

Diário de uma astróloga – [33] – 29 de Agosto de 2012


Eixo Virgem - Casa 6/ Peixes - Casa 12

Nesta última semana a minha vida tem sido um permanente seesaw entre a energia de Virgem e tarefas de Casa 6, e a energia de Peixes e assuntos de casa 12. 

A venda da casa de Cape Cod marca o fim de um capítulo do meu percurso. Com uma vida cheia de mudanças como a minha devia estar habituada, mas desta vez estou cheia de pena e desgosto. Muitas vezes têm-me vindo lágrimas aos olhos porque dizer adeus é difícil, sobretudo para uma pessoa, como eu, nascida sob a Lua Nova que está, consequentemente, mais à vontade com inícios e não com fins. Mas tenho que me render à força da corrente que mudou as nossas vidas e largar esta amarra. Ao mesmo tempo dou graças pelos momentos sublimes que aqui vivi, como o último dia na praia ao fim tarde com os meus seis netos …

Zach, Tomas, Isabel, Alice, Oliver e Teddy em Hardings Beach, Chatham, Cape Cod ao fim da tarde


Dentro do caos dos meus sentimentos actuais, mesmo antes de partir já sinto saudade. 

Tudo o que descrevi se enquadra dentro do arquétipo Peixes/ Casa 12. No lado oposto do zodíaco está a energia de Virgem e a casa 6. Aqui contrabalanço com pragmatismo, ordem, tratar de reparar todas as pequenas coisas que se estragam numa casa, organizar o envio para Londres e para Seattle, dar o que não preciso, deitar fora o que está estragado. Este exercício de tomar uma decisão sobre cada móvel, lençol, moldura ou panela é um escape à tristeza. Quero deixar o meu jardim o mais saudável possível, numa preocupação de eficiência talvez idiota, mas o meu jardim, onde não há arbusto, erva, flor que não tenha sido plantada por mim, é quase um sétimo neto.

Como diz o Eclesiastes: "Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu". Hoje é, sem dúvida, tempo de dizer adeus ao sonho de Cape Cod (Peixes) e de, eficiente e eficazmente, cumprir a minha to do list (Virgem). 

Por essa razão este post é mais breve do que o habitual … A criatividade (Leão) ficará para quando a lista dos afazeres tiver sido cumprida e as lágrimas tiverem secado.

Luiza Azancot

28 agosto 2012

Duas Últimas

Tenho estado a passar uns dias de férias numa praia a sul de Lisboa, numa casa agradável de que a minha mulher gosta, condição indispensável para que as coisas corram sem sobressaltos de maior. Acresce que a praia é boa, o tempo tem estado de feição e os amigos pródigos em atenções, encontrando-se pois reunidas condições favoráveis a uns dias de remanso bem passados. 

Esta é uma boa altura para rebobinar o ano que passou e perspectivar o que se segue, em termos pessoais e profissionais, sabendo de antemão quão falíveis são as previsões (ou não víssemos nós o que vai por aí nessa matéria!). Lembrar sobretudo o que correu mal, e porquê, onde é que falhei e voltei a falhar, e quais as razões. Passar em revista as relações com os mais próximos. Redefinir as regras de vida e procurar cumpri-las. Desde logo aqui, cultivando o discernimento e a tolerância, como bem nos ensina o dono deste estabelecimento. 

A música que escolhi é alegre e boa para curtir. Como estas férias, que agradeço ter gozado em tempos difíceis como estes. E que espero contribuam para que o novo ano que agora começa possa ser melhor.  

Espero que gostem!

fq   

27 agosto 2012

Vai um gin do Peter's?


Para quem gosta de viajar, i.e., de conhecer os recantos mais ínfimos e misteriosos do planeta, as incursões na natureza profunda, até às paisagens menos acessíveis e de maior autenticidade, são o sonho de um viajante.

Não por acaso, há quem associe uma nova exploração a uma música específica. Como se houvesse uma banda sonora para cada viagem. Talvez porque sempre me tenha acontecido isso, me pareça quase uma evidência que o mini-documentário sobre alguns dos maiores horizontes do planeta tenha em fundo a música contemplativa do compositor japonês Kitaro, vencedor de um Grammy, em 2001.

As suas composições muito suaves acompanham a curta-metragem sugerida no final deste gin – «SILK ROAD» – a evocar a célebre rota por onde as riquezas orientais chegavam ao Ocidente. Como no relato mais poético da criação do mundo (no Génesis), as primeira imagens focam a imensidão dos oceanos, com blocos de gelo flutuantes, na perspectiva de uma gaivota a planar sobre as ondas e bordejando a terra, a mostrar uma extensa orla marítima, onde se começa a desenhar uma muralha de rochas esguias, a delimitar o curso dos mares.
 
Depois, a câmara inicia uma escalada por uma cordilheira, até aos pináculos das montanhas de neves eternas, em paisagens inalcançáveis para os humanos. Ali, sobressaem os cumes negros, afiados pelas rajadas cortantes das grandes altitudes (aos 6:13). Curiosamente, a partir dos 4.500m de altitude fala-se de «zona de morte», para aludir a um patamar de sobrevivência de alto risco, em regiões quase intocadas pela humanidade. Junto às cristas rochosas do topo da cordilheira, desvenda-se a linha invisível onde a terra dá lugar ao céu e o universo mergulha no horizonte mais infinito. Verdadeiramente, mais próximo do céu…

Tudo de uma beleza comovente e sagrada!

Das águas frisadas pelo vento, de onde se eleva uma poalha húmida, a câmara esgueira-se para uma tempestade de neve nas montanhas geladas, contagiando-nos de um frio agreste, que acalma quando se avista um coelho branco e fofo, a saltitar pela planura nevada. Surge, em seguida, uma manada de iaques de aspecto prehistórico a ocupar todo o ecrã. O brilho níveo da superfície glaciar amplia as dimensões de um espaço incrivelmente imponente no seu monocromatismo.

Interceptamos, depois, a caminhada de um urso polar, que avança pesadamente rumo às montanhas. Num ponto preciso, algures a meio da vertente, o mamífero, bem protegido por uma camada densa de pêlo macio, escava um buraco para se entranhar nas profundezas da terra e, provavelmente, ali pernoitar. Talvez esteja a recuperar um abrigo já conhecido, naquelas paragens.

De facto, toda a fauna está no seu habitat natural, numa região inóspita mas magnífica. Autenticamente, de uma beleza para lá das possibilidades de vida… pelo menos, humana.    

Esta é uma viagem onde mal se distingue o Verão do Inverno, em territórios fustigados por rajadas de ventosidade livres e extremas, por um sol abrasador e sem filtros atenuantes, ou pelas temperaturas gélidas das máximas altitudes. O esplendor da natureza revela-se em estado virgem. Por isso é tão imperdível! Lembrou-me a frase espantosa de Dostoieski – «A beleza salvará o mundo»(1), ideal (creio) para desejar a todos  a continuação de um tempo de férias (ou já de volta ao trabalho) maravilhoso. 



Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
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(1) Proferido pela personagem de «O Idiota»: o príncipe Miskin.

26 agosto 2012

Domingo, Se Fores à Missa!

A persistência é uma qualidade que se tem vindo a perder. Os nossos jovens – a geração “descartável”, como lhes chamo – pouco sabe de persistência. A velocidade supersónica com que descartam um objecto, uma ideia ou uma namorada é assustador.  Estragou-se? Deita fora.  Não serve? Deita fora. Não satisfaz? Deita fora …  venha outra.

Ainda sou do tempo em que tudo se mandava arranjar: um colar que se partia; as malhas nas meias de vidro; os bocadinhos de um prato partido que se colavam com uma paciência infinita; as cabeças e os braços das bonecas que se soltavam; o vestido que ficava curto; a lâmina das facas e as varetas dos guarda-chuvas, etc… etc…

Hoje em dia, deita-se tudo fora e compra-se novo.  Sinais dos tempos modernos, do consumismo, do poder económico. Mas, também, sinais de que o ser humano está a perder valores.  Esta facilidade com que substitui um objecto estragado ou obsoleto, foi subtilmente transposta para as relações humanas. Antigamente, tínhamos 2 ou 3 (boas) amigas com quem persistíamos na amizade, um par de jeans que persistiam no nosso armário, um namorado que persistia em aparecer lá por casa. Hoje em dia, têm 20 ou 30 amigas, um armário repleto de jeans, vários namorados que nunca aparecem lá em casa.

Que é feito da persistência? Foi destronada pela desistência? Ao que parece, já não lutamos para salvar um casamento, para manter viva uma relação, para realizar um sonho de infância, para conservar um telemóvel em bom estado. Desistimos ao primeiro contratempo! E achamos isso normal...

Na leitura de hoje, muitos foram os que desistiram e deixaram de seguir Jesus.  Sejamos, nós, um dos Doze que, apesar de tudo, acreditaram e persistiram no seu caminho de fé.

Domingo, Se Fores à Missa ……  Sê Persistente !

Maf

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, muitos discípulos, ao ouvirem Jesus, disseram: «Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?».
Jesus, conhecendo interiormente que os discípulos murmuravam por causa disso, perguntou-lhes:
«Isto escandaliza-vos?
E se virdes o Filho do homem subir para onde estava anteriormente?
O espírito é que dá vida, a carne não serve de nada.
As palavras que Eu vos disse são espírito e vida.
Mas, entre vós, há alguns que não acreditam».
Na verdade, Jesus bem sabia, desde o início, quais eram os que não acreditavam e quem era aquele que O havia de entregar.
E acrescentou: «Por isso é que vos disse: Ninguém pode vir a Mim, se não lhe for concedido por meu Pai».
A partir de então, muitos dos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele.
Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?».
Respondeu-Lhe Simão Pedro: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus».

25 agosto 2012

Pensamentos impensados


JOGOS OLÍMPICOS
 
100METROS
Tudo espantado porque o Bolt fez os 100 metros com 60 passadas; para o campeão do salto em comprimento bastavam 11 passadas.
 
AINDA BOLT
O campeão Bolt quando acaba de correr não está suado; isso deve-se a que o vento passa por ele a quase 40 km/h, o que o refresca.
 
NATAÇÃO
Phelps, quando sai da água, parece estar molhado; está apenas suado pois a fricção da água ao passar por ele provoca calor.
 
RIFÃO
Diz o povo depressa e bem não há quem; se o povo visse mais Jogos Olímpicos e menos telenovelas veria quanto está errado.
 
FUTEBOL
Já aqui afirmei que não gosto e não percebo nada de futebol, pelo que não sei o que são golos de bola parada.
Só posso imaginar a bola quietinha e a baliza sair do seu lugar, vir direita à bola, e envolvê-la.

SdB (I)

23 agosto 2012

Deixa-me rir

"Caros audiophiles, it is perhaps appropriate, during your summer heatwave and my Olympics feel-good vibe, that we should honour the recent death of Scott Mackenzie who recorded the iconic pop anthem of the 'Summer Of Love' 1967: San Francisco (Be Sure To Wear Flowers in Your Hair). Written by his friend John Phillips, chief papa of the Mamas & Papas, it was Scott's only success, but his place in pop history is assured:



Tony Scott, the fllm director, also died this week. His style-over-substance 'blockbuster' genre of films are not perhaps the first choice of the sophisticated readers of this Blog, but his films provided great box office appeal and soundtracks with great songs.
From his hugely popular and entertaining Top Gun in 1986, which made Tom Cruise a star, came the power pop ballad Take My Breath Away by the band Berlin:



Tony Scott attempted to repeat the "we have a need for speed" formula with fast racing cars in Days Of Thunder in 1990. The film, with Tom Cruise again and Nicole Kidman, was awful but it did feature the more memorable and rather wonderful Show Me Heaven by one of my favourite singers Maria McKee:

To both Scotts: RIP.

A proxima.

PO 

22 agosto 2012

Ponto de Vírgula

Mas era também pela na mesa que se tinham arruinado. Com montanhas de panados e de bolinhos de bacalhau. Com opíparos assados e travessas de leite-creme cujo açúcar queimado perfumava toda a casa. A canela, o açafrão gastavam-se às mãos cheias. Os cabritos, os presuntos, as galinhas poedeiras, que se derretiam nas canjas como manteiga, iam à mesa aos domingos. Não era preciso ser dia de festa para que houvesse gasto de cavacas, de pão-de-ló, de bola da Teixeira, de passa de Alicante, de que eram gulosas as velhas desdentadas e que, com as gulodices, mastigavam orações.

in Jóia de Família, Agustina Bessa-Luís


Leite Creme

Ingredientes:

- 1 casca de limão;
- 1 colher de sopa de farinha de trigo;
- 120 g de açúcar;
- 4 a 6 gemas;
- 5 dl de leite;
- Açúcar para queimar a superfície.

Preparação:

Ferver o leite com a casca de limão.

Bater bem as gemas com o açúcar e a farinha, juntar ao leite quente e levar ao lume, mexendo sempre. Quando engrossar deita-se o leite creme numa taça para arrefecer.

Na altura de servir polvilha-se com açúcar e queima-se com um ferro em brasa.

Nota: receita tirada daqui

MFM

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