13 fevereiro 2011

IRS

Notas soltas

Notas dispersas à margem do evangelho de hoje:

* Ontem preguicei-me no gozo de fim de semana e descurei o comentário ao evangelho de hoje. Ainda bem, dirão alguns. Ohhhhhh, que pena, acharão outros. Paciência, respondo eu, se bem que ninguém me tenha perguntado nada.

* 6ªfeira conversei com um amigo sobre temas importantes da minha espiritualidade. Falámos de regras, do comprimento do braço da justiça face ao da compaixão, do mal menor (ou seria do bem maior?), de serviço, de coerência, de percepção, de consciência, de caminho, da escuta fundamental da nossa voz interior. Conversas boas, que geram mais discernimento do que soluções.

* Homilía da missa das 13 horas de hoje, em Santo António. Fala-se de lei - mas fala-se de ir além da lei; fala-se de radicalismo, no que a expressão tem de melhor, fala-se de relativismo, no que a expressão tem de pior. Fala-se num dos mandamentos: não matarás. O sacerdote, refere algo em que eu só intuíra, nunca materializara numa acção. Viver de relações cortadas com alguém é matar esse alguém no nosso coração. Zás! Mais radical e menos relativo não se poderia ser. O raciocínio, é claro, aplica-se a outros mandamentos. De repente, uma pequenina zanga que gera uma incompatibilidade reveste-se de um mandamento infringido...

Bom Domingo para quem me lê.

JdB

6º Domingo do Tempo Comum

EVANGELHO – Mt 5,17-37

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas;
não vim revogar, mas completar.
Em verdade vos digo:
Antes que passem o céu e a terra,
não passará da Lei a mais pequena letra
ou o mais pequeno sinal,
sem que tudo se cumpra.
Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos,
por mais pequenos que sejam,
e ensinar assim aos homens,
será o menor no reino dos Céus.
Mas aquele que os praticar e ensinar
será grande no reino dos Céus.
Porque Eu vos digo:
Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus,
não entrareis no reino dos Céus.
Ouvistes que foi dito aos antigos:
‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’.
Eu, porém, digo-vos:
Todo aquele que se irar contra o seu irmão
será submetido a julgamento.
Quem chamar imbecil a seu irmão
será submetido ao Sinédrio,
e quem lhe chamar louco
será submetido à geena de fogo.
Portanto, se fores apresentar a tua oferta sobre o altar
e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti,
deixa lá a tua oferta diante do altar,
vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão
e vem depois apresentar a tua oferta.
Reconcilia-te com o teu adversário,
enquanto vais com ele a caminho,
não seja caso que te entregue ao juiz,
o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão.
Em verdade te digo:
Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo.
Ouvistes que foi dito:
‘Não cometerás adultério’.
Eu, porém, digo-vos:
Todo aquele que olhar para uma mulher desejando-a,
já cometeu adultério com ela no seu coração.
Se o teu olho é para ti ocasião de pecado,
arranca-o e lança-o para longe de ti,
pois é melhor perder-se um dos teus membros
do que todo o corpo ser lançado na geena.
E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado,
corta-a e lança-a para longe de ti,
porque é melhor que se perca um dos teus membros,
do que todo o corpo ser lançado na geena.
Também foi dito:
‘Quem repudiar sua mulher dê-lhe certidão de repúdio’.
Eu, porém, digo-vos:
Todo aquele que repudiar sua mulher,
salvo em caso de união ilegal,
fá-la cometer adultério.
Ouvistes que foi dito aos antigos:
‘Não faltarás ao que tiveres jurado,
mas cumprirás os teus juramentos para com o Senhor’.
Eu, porém, digo-vos que não jureis em caso algum:
nem pelo Céu, que é o trono de Deus;
nem pela terra, que é o escabelo dos seus pés;
nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei.
Também não jures pela tua cabeça,
porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo.
A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’.
O que passa disto vem do Maligno».

12 fevereiro 2011

Pensamentos impensados

Aos homens-estátua dá-se dinheiro para não fazerem nada: o mesmo se passa com alguns políticos.
´
A mim é-me indiferente que o petróleo suba; o meu carro anda a gasolina.

Não vale a pena perguntar a quanto está a gasolina; quando a resposta vier, já subiu.

De qualquer maneira não quero saber se a gasolina subiu; ponho sempre 5 euros.

No tempo do Salazar não havia "derrapagens". Seria porque ele não tinha carta de condução?

Não se sabe quem inventou a vestimenta fraque; dos fraques não reza a história.

Quando Lázaro ressuscitou alguém disse: não há duas sem três. Lázaro só disse: livra!

Praga é a capital da República Checa. Lisboa é a capital da República choca.

SdB (I)

11 fevereiro 2011

uma rapariga

aquela rapariga amanhecia
com o olhar apontando sempre
ao núcleo mais íntimo
da claridade.
gi.

10 fevereiro 2011

Deixa-me rir...



Sempre gostei do meu artista convidado de hoje. O nome talvez não diga muito (digo eu) … mas algumas das suas canções são seguramente conhecidas dos leitores deste blogue. Acho graça à sua voz anasalada, às suas letras satíricas ou, ao revés, muito humanas, à clareza com que as canta, ao seu ar descontraído, à leveza com que toca o piano, ao ritmo e cadência das músicas, às suas influências sulistas claríssimas … sei lá eu porque gosto dele? Gosto. Ponto. E por isso o trago hoje.



Randy Newman nasceu em New Orleans a 28 de Novembro de 1943. A sua grande referência e influência musical foi Ray Charles mas não só (Jerry Butler, pai de Jeff Buckley, já aqui referido, também o foi). Para além de cantor e compositor de música pop de carácter generalista, so to say, tem tido um enorme sucesso enquanto compositor para bandas sonoras de filmes. Uma área muito interessante, pensando bem. Lembro-me, aliás, de ter ouvido o maestro António Vitorino de Almeida, certa noite fria de Agosto, numa espécie de tertúlia/espectáculo no Clube de Moledo, debitar sobre a sua experiência e o seu gosto por compor música para filmes. Que interessante deve ser: olhar para imagens e em vez de nos ocorrerem palavras, lembrarmo-nos de associações de sons…




Randy Newman compõe para filmes (sobretudo) desde os anos 80: Ragtime (pelo qual recebeu um Óscar),Awakenings, The Natural, James and the Giant Peach, Meet the Parents, Meet the Fockers, Seabiscuit, Princess and the Frog e vários filmes da Disney (Toy Story, Toy Story 2, Monsters, Cars) são apenas alguns dos muitos filmes nos quais participou e pelos quais já foi nomeado para o Óscar de melhor banda sonora por 20 vezes! Por junto, ganhou um Óscar, 3 Emmys, 4 Grammys, pertence ao Songwriters Hall of Fame desde 2002 e foi considerado um Disney Legend no ano de 2007. Um curriculum impressionante, revelador duma criatividade, muito aplicada aos filmes, invulgar. Curiosamente, à semelhança de John Barry, artista convidado do PO na semana passada.

Espero que gostem.




pcp

09 fevereiro 2011

Moleskine

Inspecção. Decidi finalmente mudar o nome do titular do contrato do gás de minha casa. Depois de algumas peripécias (o meu "M" de Maria passou a ser "M" de Mendes...) lá tive a vistoria (o povo gosta de dizer véstoria...). Perfilam-se à porta dois cavalheiros que justificarão um pagamento que pode ir até 75 euros - tudo isto para que apareça o meu nome na facturazinha electrónica. Após 15 minutos, o técnico do ISQ diz que as emissões do meus esquentador estão estupendas. Não obstante, despede-se de mim desejando felicidades. Olho à volta e questiono-me se devo reformular a cozinha. Ou a casa toda, vá... Ou devo investir num lifting? Felicidades? Para si também, foi o que me ocorreu, mas talvez ele fosse mau profissional. Ou batesse na mulher, sei lá eu...

Livro que li. Luz do Mundo (conversas com Bento XVI). Volto a aconselhar - um primor de clareza e concisão sobre temas tão vastos como o celibato dos padres, a ordenação de mulheres, a pedofilia, o ecumenismo, sexualidade. Se me pedissem para fazer uma crítica diria sem grande convicção: talvez, aqui e ali, perguntas excessivamente longas.

Livro que leio. Disse-me um adivinho (Tiziano Terzani, Tinta da China 2010). Da contracapa:"Disse-me Um Adivinho" foi o livro com que Tiziano Terzani se reinventou. Depois de décadas a cobrir inúmeras guerras, tragédias e desgraças a Oriente, o escritor tomou o lugar do repórter. Terzani, voluntariamente impedido de viajar de avião durante um ano, restitui-nos um mundo infinitamente mais complexo do que o de uma modernidade em que nos deslocamos a grande velocidade, pensamos com enorme rapidez e morremos velozmente. Durante um ano percorreu o Extremo Oriente por terra, lentamente, em busca de um tempo perdido, numa viagem de sentido duplo: aquele que correspondia ao trajecto geográfico, ligando os pontos de um mapa, e o que o fez levar a cabo um percurso íntimo e de autodescoberta. Numa viagem assim, quem chega nunca é quem partiu.

Filmes. Fui ver ontem O Turista, com Johnny Depp e Angelina Jolie. Filme ideal para um fim de tarde que pede descanso da mente. A sessão foi particular, digamos, porque não havia mais ninguém na sala. Pipocas com sal, sans peur et sans reproche. Hora e meia de um thriller que também poderia ser comédia romântica, arrisco eu. O que se aproveita? Sobretudo a elegância dela, e as imagens bonitas de Veneza, se bem que não se pudesse aplicar o imortal de Aznavour: que c'est triste Venise / aux temp des amours mortes.

JdB

Duas últimas

Para início da minha colaboração no blogue do meu amigo JdB – tarefa espinhosa de que me espero sair airosamente! – escolhi esta musica interpretada por Simon & Garfunkel, em homenagem a uma inesquecível viagem que fiz a NY em Setembro de 1981, em boa companhia que se recomenda. Éramos 3, poderíamos ter sido 4, faltou um dos naipes.


Gosto imenso das músicas e letras de Paul Simon, e também da voz, um nome marcante e central da minha adolescência e iniciação musical. E das interpretações conjuntas com Garfunkel, como é o caso. Esta música é uma das poucas tocadas neste memorável concerto que não é da autoria de P Simon.


Estivémos em NY 18 dias, entre Agosto e Setembro desse mesmo ano, regressámos a Lisboa aí uns 15 dias antes do evento. Financeiramente arrasados, mas compensados em (quase) tudo o resto. Faltou, de facto, termos assistido ao vivo ao concerto, falha que não teria sucedido nos dias de hoje, com a quantidade de informação disponível sobre tudo e todos que por aí prolifera, aliás em doses que os nossos cérebros dificilmente processam. Embora, como se vê, com episódicas vantagens.


Sugiro que oiçam Simon & Garfunkel, mesmo sem ser ao vivo, que não se arrependerão.


fq


08 fevereiro 2011

Alguém tem soluções para o futuro do país?

O jornal Expresso, em parceria com o Millennium bcp, lançou o Movimento Milénio e o desafio a todos os portugueses para divulgarem as suas ideias e projectos futuristas em quatro grandes áreas - Democracia, Negócios, Cidades e Consumo. E as melhores ideias ainda vão ser premiadas.

Está tudo explicado aqui, em www.movimentomilenio.com. O Regulamento, os Prémios, as respostas a Dúvidas, os prazos de submissão e como Participar.

No site, além disso, ainda pode encontrar uma série de conteúdos editoriais. Espreite aqui, por exemplo, como a British Telecom via o futuro das telecomunicações nos anos de 1950:



Mónica Bello

Gente que vou conhecendo

Carlos era um homem reconhecidamente calmo, cordato, fugitivo de todas as discórdias estéreis, procurador incessante de consensos sorridentes e propiciadores de vitórias para ambas as partes. No emprego conheciam-lhe convicções - mas ignoravam-lhe teimosias. Sabiam que podiam contar com ele para resolver forma diligente e pacífica uma disputa, mesmo que alheia.

Todos se lembravam de uma semana terrível em que o carro do Carlos tinha sido roubado e vandalizado, a ponto de se questionar a sua utilidade futura. O arquitecto manteve uma atitude admiravelmente serena, alegando - naquele lugar-comum que pode ser desarmante - que há coisas piores na vida. Antes isso que partir uma perna... A resposta não exige o esforço da memória, mas deve ter sido semelhante quando se viu preterido numa promoção, ou quando deram um cliente importante a um profissional menos experiente. Tudo era encarado com uma aceitação e uma bonança de fazer inveja.

Tinha casado há 14 anos com a Verónica, sua colega de faculdade. Apesar do feitio caprichoso e conflituoso da mulher, Carlos levava-a bem, sem palavreado inútil - em termos de quantidade ou de volume. Era uma relação calma na vida pública, como o era também no remanso de uma noite de semana. Era-o, ainda, na intimidade do quarto, onde ele convertia a quietude numa lentidão extasiante de gestos e movimentos. Havia uma sensualidade toda feita de sossego na forma como ele se movia, percorria o corpo da mulher, a beijava, lhe atrasava os desejos de fim. Verónica acabava derreada, a suar, umas vezes a chorar de tensão libertada, outras vezes abraçada ao marido, como se ele fosse a único elo que a ligava à dimensão mansa que lhe anulava as tensões. Carlos sorria, e retribuía o abraço com outro mais forte.

Decidiram ambos que festejariam os 15 anos de casados no recato do lar, fora do bulício impessoal de um restaurante da moda. Um jantar simpático a dois, prenunciando uma noite escaldante ao som de velas aromáticas, óleos inebriantes e experiências novas. Verónica foi encontrá-lo no chão da cozinha, esgazeado e a tremer. O cenário era dantesco: pratos partidos e espalhados numa sementeira de cerâmica, uma peça de carne esfaqueada numa raiva assassina, copos atirados contra os armários, legumes desfeitos num destroçamento selvático, panos de cozinha furiosamente rasgados. À pergunta fomos assaltados? o arquitecto, que sempre procurava os consensos sorridentes, respondeu ofegante, perturbado, nuns olhos vidrados que fitavam o vazio: não puseste o champanhe no frigorífico...

JdB

07 fevereiro 2011

Fórmula para o caos

O mundo tem os olhos posto no Egipto. De facto, é histórico poder assistir a uma gigantesca manifestação (que ainda não é revolução, visto que as elites do poder se mantêm) quase minuto a minuto através dos diversos meios de comunicação. No entanto, é confrangedor observar a destilação de hipocrisia lançada pelos ocidentais. Uns por ignorância, outros por pura demagogia e oportunismo. Muitos dos que acusam os lideres ocidentais de estarem há 30 anos a suportar e apoiar a ditadura de Mubarak, desconhecem profundamente as possíveis consequências de uma tomada de poder por parte de extremistas. Pessoalmente, como já o tenho afirmado, não nutro qualquer simpatia por ditaduras. Creio que a realização de eleições livres e justas, em que todos os partidos possam concorrer, será a forma mais adequada de legitimar o poder. Contudo, é necessário explicar ao povo do ocidente que uma eventual crise petrolífera, um bloqueio do canal do Suez ou uma crescente instabilidade no médio oriente, terão importantes implicações nas suas vidas. Quando o “Zé“ segue no seu carro de manhã para o emprego e ouve, nas noticias, que “ Mubarak nunca teria imposto esta cleptocracia sem o apoio dos EUA“, o “Zé“, de forma imediata, roga pragas aos malvados americanos. Uns dias depois, quando o “Zé“ já não pode seguir no seu carro para o trabalho porque não há gasolina, devido a uma crise que teve origem nos tumultos da terra dos Faraós, o “Zé“ realiza que, afinal o poder ser detido por Mubarak não era tão mau assim, pelos menos, para todos os “Zés“ que se habituaram a um estilo de vida que apenas é possível importando produtos de zonas instáveis. Não quero, com isto, fazer a apologia da manutenção de ditadores amigos, mas apenas trazer à tona os vários cenários pós-revolução. A história ensina-nos que, entre a segurança económico-financeira e a liberdade, as populações optam pela primeira. Tanto no Egipto, como nos EUA e em todo o globo. Recorde-se que aquilo que o povo egípcio reivindica são melhores condições de vida, sendo que a liberdade política é um aspecto secundário. Mas também se sabe que ambos os factores só são atingíveis quando caminham juntos.

Pedro Castelo Branco

06 fevereiro 2011

Domingo …… Se Fores à Missa !

Por manifesta falta de tempo de comentar o Evangelho, deixo comentário feito por Beata Teresa de Calcutá, há muitos anos atrás.

Os cristãos são para os outros (para os homens do mundo inteiro) como a luz. Se somos cristãos, devemos ser parecidos com Cristo.

Se quereis aprender a ser assim, a arte da atenção far-vos-á ser cada vez mais como Cristo, que tinha o coração humilde e estava sempre atento às necessidades dos homens. Nesta atenção para com os outros dá-se início a uma grande santidade, e, para ser bela, a nossa vocação deve estar cheia dessa atenção. Por onde Jesus passou, só fez o bem. E em Caná a Virgem Maria só pensou nas necessidades dos outros e no modo de o dizer a Jesus.

O cristão é um tabernáculo do Deus vivo. Ele criou-me, escolheu-me e veio morar em mim porque de mim teve necessidade. E, agora que já aprenderam quanto Deus vos ama, o que haverá de mais natural do que passar o resto da vossa vida a resplandecer com esse amor? Ser verdadeiramente cristão é acolher Cristo de verdade e assim vir a ser outro Cristo; é amar como somos amados, como Cristo nos amou na Cruz.

Domingo se fores à Missa ……….. Acende a tua Luz

Maf


Evangelho segundo S. Mateus 5,13-16.

«Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa.
Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu.»

05 fevereiro 2011

Agradecimento

Almoçamos juntos volta e meia. Sentamo-nos sempre na cave do mesmo restaurante, e ele faz-me a fineza de me deixar voltado para a sala, porque a simpatia e a educação se vêem nestes detalhes. Falamos de tudo e de nada, deixando que, apesar da negritude de algumas fases da vida, brilhe sempre uma luzinha que nos mostra o caminho: pode ser a bondade, a fé, a ética, a não cedência.

Juntámo-nos por alturas do Natal, num dia gelado e ventoso. A mesma cave, a mesma conversa fluida, a mesma luzinha a subsistir malgré tout. Dei-lhe a Luz do Mundo (conversas com Bento XVI) e ele ofertou-me um envelope com um logotipo que me foi familiar. Afinal não era uma proposta de admissão de pessoal, mas dois bilhetes para o primeiro de uma série de espectáculos do Camané no S. Luís. Caramba! Como se agradece isto?

Lá fui, 5ªfeira. Um espectáculo bom, sóbrio, bonito, superiormente bem acompanhado, com um jogo de luzes equilibrado, tudo isto a suportar - sem desprimor por ninguém - o meu fadista de eleição nos tempos que correm. Casa cheia e vários bis.

Deixo-vos com o magnífico Fado Livre, uma letra curiosíssima cujo autor não fui pesquisar. E agora silêncio, que canta o Camané.




JdB

Pensamentos impensados

Todos os nomes têm plural: António, Antónios; Joaquim, Joaquins, etc. Qual é o plural de Carlos? Se calhar já é plural e o singular é Carlo. Lembro-me de uma cena com o Vasco Santana, já bêbado, a ver a dobrar e a falar para não sei quem: Ó Carlos, tu és dois? Pois é, Carlos é plural.

Nas Missas, por alturas do Ofertório, recolhem-se os donativos dos fieis; não é considerado recolher obrigatório.

Quando se fala das despesas dos políticos aparece sempre "topo da gama". Para mim, topo da gama é o Vasco.

Traduções MY WAY
- Ten kings of strained honey (dez reis de mel coado)
- As good as corn (boa como o milho)
-To close him self in hearts (fechar-se em copas)
-Another rooster masonery (outro galo cantaria)

SdB (I)

04 fevereiro 2011

do teu imaculado amor

- avô, diz-me,
como vai ser o futuro?

esta fria manhã,
estive para escrever um poema
que dizia assim:

em 1984,
ainda estávamos todos vivos, avô.

agora, enquanto lá fora
a hora de almoço lentamente se instala,
vejo o erro que evitei mesmo à justa..

- avô, diz-me,
como vai ser o futuro?

- vais lembrar-te de mim
e quando te perderes,
no mundo dos homens,
encontrar-te-às ao escreveres
o meu nome:
álvaro.

e foi assim
que tanto tempo depois
voltei finalmente
a saber de mim.

gi.

03 fevereiro 2011

Deixa-me rir...

"Caros audiophiles, I must commemorate my favourite film music composer, the great John Barry, the Man With The Midas Touch (to paraphrase one of the Bond film titles), who died this week.
Instantly recognisable for his signature orchestrations - romantic soaring strings with punchy brass and jazzy rhythms - he composed some of the most evocative instrumental and song melodies to compliment some of the most memorable and captivating moving images to grace the big screen.
His triumphs are many. The popular James Bond themes: my favourite You Only Live Twice with its gorgeous intertwining melodies; the dramatic brassy Goldfinger and syncopated sassy Diamonds Are Forever, and the exciting opening instrumental skiing sequence of OHMSS; the romantic From Russia With Love, and the love song We Have All The Time In The World (from OHMSS) sung by Louis Armstrong.
Then there is the beautiful haunting Somewhere In Time; the sexy seductive sultry sweaty Body Heat; the melancholic but hopeful harmonica theme of Midnight Cowboy.
And three films which shared huge open panoramic landscapes - the wild desolate North American prairies in Dances With Wolves; and the stunning majestic African plains in Out Of Africa and Born Free, the inspirational true story of Elsa the lion - perfect canvases on which to paint his rich impressionistic palette of musical colours.
So let's remember just a few of his best moments...

A compilation mix



Out Of Africa



Midnight Cowboy


We Have All The Time In The World (OHMSS) - sung by Louis Armstrong


Born Free - sung by Matt Monro


Born free, as free as the wind blows
As free as the grass grows
Born free to follow your heart

Live free, and beauty surrounds you
The world still astounds you
Each time you look at a star

Stay free, where no walls divide you
You're free as a roaring tide
So there's no need to hide

Born free, and life is worth living
But only worth living
Cause you're born free.

A proxima.
PO

02 fevereiro 2011

Duas últimas

Na minha primeira colaboração assumida com este blogue apresento a que é, para mim, seguramente uma das músicas mais bonitas que alguma vez foi composta. A versão é, parece-me, a original, e a gravação, em estúdio. Ne me quitte pas, traduzido por um locutor do saudoso Rádio Clube Português como Não me deixes, pá, contém, quanto a mim, todos os ingredientes indispensáveis a uma grande canção: uma melodia fantástica; um poema lindíssimo e uma interpretação de arrepiar. A música já teve milhares de versões e outros tantos intérpretes, mas nada que se compare a esta.
Jacques Brel é o autor, compositor e intérprete, e esta a sua obra-prima. É uma cantiga tristíssima que nem sequer tem o humor com que Brel normalmente tempera as suas angústias quase obsessivas. Deixa que eu me torne a sombra do teu cão, mas não me abandones, é como acaba a música. Irra! Pode no entanto haver beleza na tristeza, e esta música é exemplar a esse respeito.
Oiçam Jacques Brel e desenjoem por um momento do monopólio musical anglo-saxónico. Pois é, já me esquecia: se calhar a maioria das pessoas já não consegue perceber a letra.

João da Camara

Gente que vou conhecendo

Chamava-se Hortense e era famosa no casino, onde servia tostas mistas e outras iguarias, pelos seus atributos físicos. Quando dava a volta numa fiada de máquinas surgia, em primeiro lugar, um peito generoso e arrogante; segundos depois surgia ela, com um nariz ligeiramente assimétrico e uns olhos pestanudos; quando o rosto desaparecia noutra esquina, só instantes depois se dava pela sua falta, porque a parte traseira do seu corpo respondia que sim à mesma inquirição elogiosa: generoso e arrogante? A sua vida era esta, cinco dias por semana, com dois de folga para compras parcas e serviço de manicura ao domicílio, porque a vida é difícil e os débitos excedem os créditos. Ao fim de um ano conhecia todos os jogadores das slot-machines pelo nome e, mais do que isso, identificava-lhes as rotinas: as chaves entaladas na ranhura das moedas, o início do jogo a uma hora certa, a fuga horrorizada aos calistos.

Foi numa 3ª feira invernosa que travou conhecimento com o senhor Rodolfo, um homem pequeno e proporcionado, com dificuldades em se fixar. Entre uma sandes de carne assada em pão aparado e uma Sprite natural, o cavalheiro vagueou pelo recinto, escutando os ruídos próprios, pesquisando técnicas, farejando uma sorte em versão tilintante. Hortense deu-lhe uma ou duas sugestões, que foram acatadas com um sorriso. O senhor Rodolfo perdeu tudo e, às três da manhã, perscrutava os bolsos, imaginando que o cotão que lá vivia se transformaria em fichas metálicas. Voltou a perder na semana seguinte, na outra que se seguiu e noutras ainda. Ao fim de seis meses enroscou-se com a menina Hortense, gabando-lhe por igual a generosidade e a arrogância do físico. Devorou-a de beijos como quem se delicia com um triângulo de pão macio.

Não tinham passado ainda três meses quando o senhor Rodolfo descobriu o que lhe dava tanto azar: um calisto (indivíduo cuja presença, no jogo, é de mau agouro, segundo os dicionários) que fungava em permanência, lhe espreitava as rotinas com sugestões de eficácia e largava placas de caspa para o alcatifado do casino. Mudou de máquina e, não eram decorridos vinte minutos, a máquina soltou os apitos estridentes com que sempre identifica os grandes vencedores. Sorriu para a Hortense, mas, com tantas palmadas nos costados franzinos, faltou-lhe lucidez para ver a sombra que toldou o rosto da rapariga. Hortense estremeceu e recusou o convite para sexo sensual ao som de boleros e de um champanhe que escorreria pelas costas desnudas. Acabou-se, Rodolfo, já não és o mesmo homem.

No dia seguinte foram encontrá-la morta no apartamento, com um tiro direito ao coração que a levou sem sofrimento - para além daquele que sempre provoca uma pistola que nos é apontada. Estava vestida, decente, deitada de lado para que os agentes da Judiciária também lhe admirassem a generosidade e a arrogância perfiladas num sossego de morte. Fora coberta com moedas e, aquando da contagem, perceberam que aquele vil metal correspondia com exactidão aos ganhos do senhor Rodolfo. Acabou-se Hortense, já não és a mesma mulher.

JdB

01 fevereiro 2011

Duas últimas

Há muitos, muitos anos, quatro amigos juntavam-se para dar início a uma sessão semanal de cartas que se prolongaria durante muitos meses e que terminaria num jantar no Tavares - nessa altura o melhor restaurante em Lisboa, perfeitamente inatingível para bolsos de quem ainda era estudante. Custou, a cada um de nós, 750$00 - mas estávamos no final da década de 70.

À mesa de um King adolescente éramos bastante diferentes: havia quem gostasse do jogo pelo jogo, havia quem tivesse um bom equilíbrio entre o risco e o passo certo, havia quem fosse mais desprendido, havia quem fosse mais seguro, gostando de conhecer o caminho das pedras... A vida que cada um levou revelou, curiosamente, que na vida real seríamos assim: jogadores, equilibrados, soltos, seguros.

Na senda desta tradição de manter o blogue aberto para efeitos, sobretudo, de divertimento, desafiei dois dos meus colegas de jogo para manter um post sobre música. Não competirá com o Deixa-me rir... porque será algo mais na área da melomania for fun. Chamar-se-á Duas Últimas - e sairá à 4ª feira, num blogue perto de si.

JdB

Memmo Baleeira - Made By Originals

Enviado ontem por mão amiga - e que já me deu o gosto de participar neste estabelecimento que edito e do qual sou dono - é com muita satisfação que publicito o magnífico filme. O texto que segue abaixo é elucidativo:

Já não estamos na industria do sono mas na industria do sonho! É esta a grande mudança que está a acontecer na hotelaria e no turismo. Os clientes deixaram de comprar noites de hotel e começaram a procurar emoções. O desafio é saber dar-lhes o que procuram e, mais do que isso, saber comunicar da forma certa essas emoções.
Este foi o mote para o filme do Memmo Baleeira que vão ver.
Um filme onde se pretende mostrar a potenciais e a actuais clientes do Memmo as emoções do destino Sagres.


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