19 outubro 2014

Dia mundial das missões

À hora a que escrevo ainda é Domingo, pois estou em em Toronto, no Canadá. Hoje fomos à missa à Igreja de Santa Helena, em Little Portugal. Missa rezada em português. Como se celebra o Dia Mundial das Missões, lembrei-me de um texto que publiquei há pouco mais de seis anos, quando estive em Lusaka. Aqui fica, porque faz todo o sentido.

JdB

  ***

Largamos um dos centros de Lusaca – neste caso o hoteleiro, onde se situam as unidades de maior qualidade. O trânsito, como referi, é caótico, não só em termos de intensidade, como de condução.

Ao fim de 15 minutos chegamos aos chamados compounds, o equivalente em português dos nossos bairros sociais. O que nos rodeia é difícil de descrever: estradas de terra batida e em pior estado do que as de qualquer monte alentejano que se preze; mini-buses como enxames de insectos tontos, parando em qualquer lado para largar ou recolher passageiros, retomando a marcha sem preocupação por quem circula; de ambos os lados da estrada, um renque de bancadas onde se vende tudo – cebolas, batatas, limões, peixe seco, pedaços de carne colocados em cima de folhas de papel, tudo exposto às moscas e à poeira que se cola com uma camada fina; centenas de pessoas circulando num vaivém ininterrupto, sentadas à beira da estrada, respirando este ar que se entranha nas gargantas.

Continuamos a circular por estes carreiros, alguns dos quais ficarão intransitáveis quando chegarem as chuvas, transformando-se em rios sem utilidade – não circulam barcos, não circulam carros. O automóvel, que não está preparado para estes percursos, geme, esforça a suspensão, exige mais do automatismo das mudanças. Ao fim de vinte minutos chegamos ao Lyland Compound.

Desaguamos num recinto que se poderia assemelhar ao pátio de uma casa agrícola. No centro ressalta um edifício parecido com os nossos celeiros, de onde saem sons ritmados, perfeitos de afinação e simultaneidade, essencialmente femininos. Entramos a meio de uma missa católica, rezada num dos dialectos, assistida por algumas dezenas de locais – homens mulheres, crianças, jovens – celebrada por dois padres acolitados por quatro rapazes, trajados totalmente a rigor na sua função. Passa pouco das cinco da tarde de um dia de semana.

Uma coisa é saber da labuta dos missionários (neste caso combonianos), outra é ver o que fazem e onde fazem o seu trabalho. Olhar para um missionário é ter uma visão dupla: o que deixam e o que encontram. Sabemos todos o que fica para trás: o conforto, o acesso às lojas, ao cinema, às esplanadas, ao convívio com a família ou amigos, a disponibilidade permanente dos livros, discos, cultura; a possibilidade (quase sempre) de uma boa refeição a tempo e horas.

Calculo o que deixaram, vi um pouco do que encontraram: não vislumbrei (ou não imaginei) cinemas, livrarias, restaurantes, estradas em condições, interlocutores à altura para discutir uma obra publicada, uma tendência política, um caminho da Igreja; não descortinei uma mesa numa praça onde se vira a cara ao sol e se enfrenta os dias que se avizinham. Ali, pela pequena visita que fiz, não há nada daquilo que para nós é um mínimo indispensável, e não me refiro a luxos, vidas ricas e excessivas, benesses que só o muito dinheiro pode oferecer. Falo do trivial, do simples, do quotidiano.

Estou certo de que a minha mente estava formatada para achar que um missionário largava tudo para se entregar à inexistência da maioria das coisas. Não sei exactamente o que fazem aqui em Lusaca, porque a nossa conversa com o Padre Horácio, de Lamego, foi curta. Mas sei que vão ao encontro da miséria, da pobreza, da exclusão, da ignorância tal como nós a entendemos, da descrença ou da desesperança, da doença e do desconforto.

Com a convicção que me vem da alma e não da evidência, com a certeza que se gera mais na percepção do que no facto, estou agora convencido que o missionário deixa atrás de si um nada para se entregar a uma plenitude. E isso talvez lhe dê uma felicidade cuja dimensão temos dificuldade ainda em imaginar. 

Que interessa ao Homem perder o mundo inteiro, se com isso ganhar a sua Vida?

XXIX Domingo do Tempo Comum


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 22, 15-21)

Naquele tempo, os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse. Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?». Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário e Jesus perguntou: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Eles responderam: «De César». Disse-Lhes Jesus: «Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». 

***

O cristão e a política

“Dar a Deus o que é de Deus e dar a César o que é de César” é estar diante de Deus e diante do mundo com uma responsabilidade total, como uma resposta activa àquilo que Deus pede e que me cabe dar a Deus, ao mundo e concretamente à sociedade política. Por isso, este texto pode ser considerado um trecho político, mas no sentido mais nobre da palavra, porque remete para aquilo que eu devo à sociedade e aos meus concidadãos, como aplicação pessoal, como responsabilidade. Para não deixar sem resposta uma pergunta que era um enredo, Jesus Cristo responde aos fariseus com uma afirmação que é desafio para nós e que nunca acabaremos de cumprir. Por isso mesmo, neste domingo como em todos os da nossa vida, impõe-se perguntar: será que nós, cristãos, somos tão responsáveis diante de Deus como somos diante do mundo e vice-versa? Porque Jesus, na afirmação que faz, exige-nos exactamente isso. Ser cristão e viver segundo o espírito de Jesus Cristo é ser tão responsável diante de Deus como diante do mundo…e vice-versa!

D. Manuel Clemente, O Evangelho e a vida. Conversas na rádio no Dia do Senhor. Cascais: Lucerna, 277-278

18 outubro 2014

Pensamentos impensados

Contra "fatos", nem o aborto ortográfico tem argumentos
 Aviso à entrada num campo de nudistas: aqui só pode entrar quem, de fato, seja nudista.
 
Bola...de Berlim
No futebol de praia, pode falar-se do melhor jogador em campo?
E no polo aquático?
 
Natal, é quando um homem quiser
Não há a certeza que Jesus Cristo tenha nascido no dia 25 de Dezembro.
A ser assim, o Menino Jesus não nasceu no dia de Natal.
 
Dança dos bancos
Se Fernando Santos pôde mudar de banco, por que é que Ricardo Salgado não pode ir para o Banco Novo?
 
Antes da Torre de Babel
Os políticos e os futebolistas têm um linguajar comum: bla, bla, bla...
 
Moda
O primeiro metro-sexual foi Adão; começou a preocupar-se com o que vestir.
 
Peúgas?
Duas pessoas, com uma só perna, podem comprar um par de meias, a meias.

SdB (I)

16 outubro 2014

Das mudanças

a luz especial das tempestades, fotografia de JMAC, o homem de Azeitão


A noção de aperfeiçoamento, o auto-conhecimento, a ambição do Céu como recompensa máxima, o sentido de sobrevivência ou o desejo de agradar atiram-nos para a mudança. A mudança é, paradoxalmente, a única constante da vida, e devemos mudar - ou pelo menos estar dispostos a. Não falo da mudança de emprego, de casa, de mulher ou de cão. Falo da mudança do que somos.

No livro Lo Specifico del Dottor Menghi (Italo Svevo) este cria um remédio que lhe anularia todas as emoções e lhe permitiria, por isso, criar melhor, pois as emoções só atrapalham o trabalho do artista. Esta pílula milagrosa (e o itálico reflecte alguma ironia...) provoca, obviamente, uma mudança profunda em quem a tomasse. Deixemos este caso mais radical e no domínio de uma certa ficção e baixemos ao terreno comezinho que é a nossa existência corriqueira: pode haver curas que matem um homem? Pode haver mudanças que nos descaracterizem de tal forma que possamos dizer que determinada cura matou determinada pessoa?

Somos egoístas, vaidosos, directivos, forretas, adictos, rancorosos, orgulhosos, preguiçosos. Apaixonamo-nos pelos outros apesar dos defeitos ou por causa dos defeitos? Até que ponto uma mudança pode ser de tal forma intensa que a pessoa já não é a mesma, foi despida do que a caracteriza para manter apenas uma pele? No fundo, como se fossemos uma roupagem que permanece sobre um interior que se altera em função das circunstâncias. E então, o manuel é um número de contribuinte perene, porque aquilo que ele é dentro de si é caduco. Quem é, então, o manuel?

Podemos replicar o raciocínio a uma potência infinitamente ridícula: o tratamento que elimina a agitação à maria e lhe dá, por isso, uma certa indiferença que ela nunca teve, curou ou matou? As cirurgias plásticas (por questões estéticas apenas) curam pessoas ou matam pessoas? Vou mais longe, usando um termo sensível: o prolongamento artificial da vida. O que significa, na realidade, prolongamento artificial? Significa que a vida tem um tempo definido? Alguém que se habituou a estar à cabeceira de moribundos afirmava que fica sempre algo de belo, quanto mais não seja a cor de uns olhos. Talvez matemos as pessoas - apesar de as mantermos vivas - quando já não as conhecemos, já não lhes revemos os beijos, o cheiro da pele, a tristeza dos outonos, os risos límpidos. 

Podemos curar e com isso curar, mas podemos curar e com isso matar. A diferença é tudo, e talvez não tenha importância, afinal...

JdB

15 outubro 2014

Santa Catarina

Fotografia de JMAC, o homem de Azeitão


vi que a tua casa estava à venda, num destes baços domingos,
ao passar pela remax das avenidas do meu descontentamento.

vistas soberbas, bom gosto em todos os detalhes, nobreza
para quem aprecia as coisas boas da vida e um certo - muito - estilo.

por um momento, senti-me levemente tonto, sem perceber bem
se o anúncio de ocasião falava da tua casa ou de ti própria, rapariga.

de uma maneira ou de outra, posso afiançar que o léxico estava
bastante bem escolhido, como se essa tua casa agora à venda

fosse um exacto prolongamento do que és, com o desfile de elegantes
detalhes, mas com um rol de imperfeições que um olho mais atento

rapidamente descobrirá. não, não me queixo de ti nem da tua casa,
por despeito. eu, pessoalmente, aprecio muito a arquitectura minimalista.

já com corações em dó menor tenho mais problemas, admito. 
afinal, de que vale ter vistas largas se se é feito de estuque barato?

segui viagem, à procura de casas de outro género e de mulheres
do mesmo género mas de outro tipo, mulheres cujos alicerces sirvam 

para rematar poemas, sem este amargo fel que me arde na boca.


gi.

14 outubro 2014

Crónicas de um mestrando tardio (e também Duas Últimas, vá...)

Mostrei as perguntas que postei na 6ªfeira. E mostrei as respostas, que não havia postado. O comentário mais imediato foi: não percebo as perguntas nem as respostas. Aconteceu o mesmo ao anónimo que, num rasgo de franqueza, comentou o post: o quê?! Houve ainda quem, sabedor profundo de fado, me tivesse dito: a algumas perguntas responderia 'pois está certo...' que é sempre uma forma curiosa de reconhecer incapacidade intelectual.

Aparentemente, todo aquele arrazoado interrogativo parece feito por, e para, extra-terrestres. Ou, numa visão mais azeda, por quem gosta de se armar em pensador usando raciocínios de clareza inexistente. Os mais espantados falam numa certa inteligência inacessível, praticada por iniciados - ou por doidos varridos. Nada disso, nada disso. Eu esmagaria os meus colegas se aos poemas de Ezra Pound ou Elliott ou Yeats que dominam eu lhes dissertasse sobre a beleza das eficiências fabris, os tempos produtivos ou operacionais, as técnicas nipónicas de gestão de equipamentos, as siglas que alimentam qualquer jargão. Cada um sabe da sua poda.

A pergunta sobre se há salas específicas para Camões ou para o poeta chofer é importante; a questão da sinceridade no canto de palavras alheias, ou a (in)existência de citação, é pertinente. Explico brevemente. Quando Amália canta Com que voz / chorarei meu triste fado num concerto intimista está a confessar-se? E se cantar o mesmo fado no teatro Sankei, em Tóquio, para uma multidão de japoneses que não percebe o que diz a fadista? Ora, se acharmos que a confessionalidade não independe do receptor, podemos concordar (e não estou a dizer que o devamos fazer) que em Tóquio o soneto não é uma demonstração de escrita confessional, pelo que podemos afirmar que ela papagueia o poema. E ser a Amália a cantar, ou uma esquimó inuít a fazê-lo (expurgando a qualidade) é a mesma coisa. E isso faz diferença...

Repito um exercício interessante, que abre portas de pensamento. Até há alguns anos, a esmagadora maioria das confissões (no sentido religioso do termo) era feita no confessionário, uma peça de mobiliário específica para o efeito. O facto do sacramento ter mudado de nome (para Reconciliação) e a confissão ser hoje praticada num gabinete, num sofá, num passeio por um jardim, muda a sua natureza? 

Deixo-vos com um fado cantado por Gisela João. Numa sala pequena, sem microfone, num ambiente de fado, ou numa sala de espectáculos para dois mil japoneses, a letra significa exactamente o mesmo? A confissão da alegria sofrida mantém-se? À confessionalidade basta o emissor?

JdB  





Voltaste, ainda bem que voltaste
As saudades que eu sentia
não podes avaliar
Voltaste, e à minha vida vazia
Voltou aquela alegria
que só tu lhe podes dar

Voltaste, ainda bem que voltaste
Embora saiba que vou
sofrer o que já sofri
Cansei, cansei de chorar sozinha
Antes mentiras contigo 

do que verdades sem ti

Voltaste, que coisa mais singular,
Eu quase não sei cantar
se tu não estás a meu lado
Voltaste, já não me queixo não grito
És o verso mais bonito
deste meu fado acabado

Voltaste, ainda bem que voltaste
O passado é passado,
para quê lembrar agora
Voltaste, quero lá saber da vida
Quando dormes a meu lado,
a vida dorme lá fora

13 outubro 2014

Dos espelhos

Arcos de Valdevez, Setembro de 2014

Moments of Vision

That mirror
Which makes of men a transparency,
Who holds that mirror
And bids us such a breast-bare spectacle see
Of you and me?

That mirror
Whose magic penetrates like a dart,
Who lifts that mirror
And throws our mind back on us, and our heart,
until we start?

That mirror
Works well in these night hours of ache;
Why in that mirror
Are tincts we never see ourselves once take
When the world is awake?

That mirror
Can test each mortal when unaware;
Yea, that strange mirror
May catch his last thoughts, whole life foul or fair,
Glassing it -- where?

(Thomas Hardy)

***

Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Mas, quando me tornei homem,
deixei o que era próprio de criança.  

Agora, vemos como num espelho de maneira confusa;
depois veremos face a face.
Agora, conheço de modo imperfeito
depois conhecerei como sou conhecido.

(1 Cor 13, 11-12)

***

Entre o espelho de S. Paulo e o de Thomas Hardy há dezanove séculos de ciência e de aperfeiçoamento do equipamento, se nos ativermos apenas à sua materialidade. No séc. I a nitidez seria reduzida, dezanove séculos depois a nitidez seria assinalável. E no entanto, não é de artigos domésticos que falam o santo e o poeta.
É curioso pensarmos no que são estes espelhos. Em S. Paulo, o espelho reflecte uma imagem confusa do que somos; em Thomas Hardy, a mesma expressão espelho é uma ferramenta que permite que nos desnudemos, nos tornemos transparentes. O que é o espelho do poeta inglês e, mistério dos mistérios, para onde espelha ele a visão que temos de uma vida, falhada ou justa? Já não falo do enigma que é saber quem segura o espelho.
A transparência é o resultado de um jogo de espelhos, retenho eu num caderno onde escrevo tudo o que oiço e que fica na memória, consiga eu entendê-lo ou não. E fixo também Pessanha, que diria: Imagens que passais pela retina / Dos meus olhos, porque não vos fixais?
Se eu ganhasse um euro por cada pensamento incompreendido – ou que não consigo desenvolver - teria já a atenção dedicada da máquina fiscal...
JdB

12 outubro 2014

XXVIII Domingo do Tempo Comum

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’. Mas ele ficou calado. O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na ver­dade, muitos são os chamados, mas poucos os esco­lhidos».

Palavra da Salvação

***

Ficar fora da festa

Porque temos tanta dificuldade em aceitar Jesus? Porque resistimos tanto a ir a estas núpcias, a participar neste casamento perfeito entre Cristo e a Igreja?
Ele é ao mesmo tempo o Esposo da humanidade e o manjar que Deus nos oferece, Palavra e Sacramento, é Cristo-irmãos... porque Cristo está presente também no seu corpo vivo que é o conjunto dos crentes! Se não é Cristo que procuramos quando “vamos à Igreja”, então não vamos com a veste própria do casamento. Por isso, ficamos fora da festa, como salienta esta parábola.
O que aconteceu com os príncipes dos sacerdotes e com os anciãos do povo pode suceder também connosco: eles, que tinham conhecimentos, a preparação, não interpretaram ou não quiseram interpretar os sinais…porque, às vezes, não é que “não saibamos”: é que “não queremos saber”, porque “o coração não está para aí virado”.


D. Manuel Clemente (2013), O Evangelho e a vida. Conversas na rádio no Dia do Senhor. Cascais: Lucerna, 272-273.

11 outubro 2014

Música para o dia de hoje, como se fosse a mesma de há 25 anos para cá

Pensamentos impensados

Ditados
Em França, sê francês; em Portugal, sê político.
 
Teste os seus conhecimentos
Quantas rotundas há em Portugal?
a) Menos de 17
b) Mais de 37437?
 
Esfinge
Aos costumes disse nada. Frase premonitória que se aplica às declarações de Cavaco Silva.
 
Frases célebres
Alberto João: eu não conto com o Continente.
 
Fim
Teve morte imediata; foi tiro e quedo.
 
Insularidades
Um turista, na Ilha do Corvo, pergunta onde fica determinada rua.
Dizem-lhe: fica para o lado do mar.
 
Votos de boa morte
Por que é que se vota em urnas e não em caixões? Estes sempre são mais baratos.

Ortografias
Com o novo Aborto Ortográfico, não sei se se deve escrever erro crassoerro craço ou erro Crato.

SdB (I)

10 outubro 2014

Crónicas de um mestrando tardio

Paredão, um destes dias, por volta das 7.30 da manhã (iphone)

Conclui-se hoje a 2ª etapa (embora haja actividades paralelas importantes) desta caminhada até à elaboração da tese de mestrado. Todos os mestrandos e doutorandos que frequentam este seminário de orientação tiveram de fazer perguntas sobre os trabalhos dos outros. Assim, recebi dos meus colegas perguntas sobre a escrita confessional numa certa poesia de fado, cujo texto publiquei há alguns dias. Para os que têm alguma curiosidade, eis aquilo a que tive de responder:

Interessa-lhe a distinção entre o que é um fado em si e o que é a interpretação desse mesmo fado (estou a pensar sobretudo se será tão clara como no caso de um Lied de Schubert)?
***
O Confessio Amoris de “Nem às paredes confesso” é vítima de um peculiar boicote, ou seja, é sujeito ao anonimato, ao não-dito. Será essa a especial diferença entre poemas/poetas menores ou populares e maiores, isto é, a recusa da confissão explícita e de índole mais castiça e, por isso, menos elegível para as Balis deste mundo (e isto apesar de o seu autor, Maximiano, poder ser arrumado na gaveta dos populares)? Por curiosidade, e pegando em outro “Confesso”, será Frederico Valério um poeta fadista menor? 
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Frequentemente, intérpretes musicais identificam como elemento fundamental da performance algo que se descreve (variavelmente) como “sentir a obra interpretada”, ou “interpretar com alma”, por exemplo. Até que ponto podemos considerar que esta forma de identificação ou de sinceridade com que se encara a obra constitui um momento de “expressão da intimidade de um indivíduo” (p.1)?
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'O estilo confessional refere-se, na literatura, a textos cujo centro é a expressão da intimidade de um indivíduo'. É  preciso verificar a autenticidade da intimidade de um indivíduo? Porque às vezes encontra-se a circunstância como Fernando Pessoa refere na Autopsicografia: E os que lêem o que escreve/Na dor lida sentem bem/Não as duas que ele teve/ Mas só a que eles não têm
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O João diz que a Amália Rodrigues 'matou' um tipo de fado mais popular e confessional ao cantar poetas mais 'eruditos'. Diz, também, que a Amália começou a levar o fado às "salas de espectáculo do mundo". O que lhe pergunto é se acha que há uma relação entre o que se canta e os lugares onde se canta; no fundo, pergunto-lhe se há salas próprias para o poeta chofer e salas próprias para Camões.
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É possível ser-se sincero através das palavras dos outros? Se sim, é este uso das palavras dos outros uma citação?
***
Da leitura do ensaio resulta a ideia de que a natureza genuína do fado seria mais facilmente encontrada no fado praticado antes de Amália. Queria tentar compreender se, nesta argumentação, o estilo confessional é invocado como marca distintiva dessa genuinidade. Sobretudo porque me parece que esse mesmo estilo é facilmente detetável em muitos fados de Amália, nomeadamente em fados cujas letras são de poetas conhecidos (estou a pensar concretamente em Primavera de David Mourão Ferreira).
***
JdB 

09 outubro 2014

Ubi Sunt?

Hora mágica, fotografia de JMAC, o homem de Azeitão

para o Manuel de Freitas


nunca pensei chegar aqui, aos quarentas, agarrado
a venenos editados por associações obscuras, em
séries de duzentos e cinquenta e cinco exemplares.

há drogas pesadas, leves - todos as conhecemos bem -.
o álcool, uma certa maneira de olhar as mulheres, jogos
vários, até essa última droga pós-moderna, o sucesso,

com todo o seu cortejo de tenebrosos efeitos colaterais,
de vidas devotadas a um deus faz-de-conta, a miséria
moral, indigências várias - mas quem quer moralismos?

a minha desgraça é de outra raça: escritos clandestinos,
palavras que competem entre si pela bizarra honraria
de se acharem "o livro mais triste do mundo e arredores".

todos falam do mesmo: da ferrugem do tempo, numa
espécie de diálogo dilacerante e dilacerado, entre os que
vão morrer (nós) e os que já morreram (nós, outra vez).

ubi sunt? rio-me.. e sai mais um candidato ao título 
de mais triste entre os tristes, categoria de pesos-pluma.

o sangue corre já num torvelinho de quem sabe ter agora
mais do que a maldita dose diária recomendada nas veias.

uma forma, concedo, de nos afogarmos, na vã esperança 
de levarmos connosco todas as mágoas do mundo.


gi.

08 outubro 2014

Diário de uma astróloga – [88] – 8 de Outubro de 2014

Relacionamentos a dois – uma cábula astrológica

Esta cábula destina-se a todos que querem luz nos seus relacionamentos, que querem viver a vida a dois com mais satisfação sabendo que, sem relacionamentos, o caminho para o auto-conhecimento fica incompleto.


As questões relacionais ocupam grande parte das consultas astrológicas e, como neste momento o Sol e Vénus estão em Balança, chegou a altura de enfrentar o tema. Sendo Vénus o planeta mais associado a atracção e relacionamentos, e Balança o signo das relações a dois e do casamento, temos agora uma overdose do arquétipo relacional.


Muitas pessoas, quando ouvem falar do planeta Vénus, confundem-no com a Vénus mitológica, a versão romana de Afrodite, a deusa do amor. Não vou falar de amor, porque amor é demasiado sublime para ser analisado astrologicamente. Ainda por cima, existem vários tipos de amor: o amor à pátria ou o amor incondicional de uma mãe pelo seu filho, que são diferentes do amor-paixão que inspirou Camões quando escreve “Amor é fogo que arde sem se ver…”

O que preocupa a maioria das pessoas é o funcionamento da sua principal relação – marido, companheiro, namorado, amante. É assunto de casa 7, o terceiro componente do arquétipo relacional, por representar a área de vida dos relacionamentos a dois e do casamento. Mas é também a casa espelho, regida por Vénus, cujo símbolo parece um espelho. É a casa do “outro” por estar oposta à casa 1 e ao Ascendente que simbolizam a personalidade que mostramos, a nossa janela aberta para o mundo.

O homem não conhece a sua imagem até se ver reflectido num espelho, e esta simples verdade não se aplica apenas à realidade física, mas também à  realidade psíquica. Liz Greene, astróloga e analista Jungiana.

O que procuramos nos outros (casa 7) contribui para mais tarde encontrarmos essas qualidades em nós próprios e nos tornarmos mais inteiros. O grande problema é que o que procuramos nos outros, portanto muito do que se passa num relacionamento, vem do material inconsciente. Em linguagem psicológica chama-se projecção - o mecanismo inconsciente pelo qual atribuímos ao outro qualidades e defeitos que não possuímos ou não queremos aceitar em nós próprios. 

A coisa não se fica por aqui! Jung disse: “Todas as projecções provocam uma contra-projecção quando o destinatário está inconsciente da qualidade projectada sobre ele pelo projector”.  Na vida real, manifesta-se normalmente numa discussão violenta, onde todos os 6 personagens (contando com as projecções e contra-projecções) gritam e ninguém tem razão.



Tenho experiência pessoal do assunto. Em pleno desmoronar do meu primeiro casamento li um pequeno poema de Jacques Prévert  “Os amantes traídos” com o qual me identifiquei:

Moi j’avais une lampe                  Eu tinha uma lamparina
et toi la lumière                                                     e tu a luz
Qui a vendu la mèche ? »               Quem vendeu o pavio ?

Partindo do princípio de que há amor, como é que astrologia pode ajudar num relacionamento?

Fazer uma sinastria entre Sol, Lua e Ascendente do casal – A sinastria é a  técnica habitual para analisar o relacionamento entre duas pessoas que produz um nível de compatibilidade baseado em factores de personalidade, e indica onde é mais provável que haja entendimentos e desentendimentos. Se num casal há alguma compatibilidade entre elementos destes pontos, temos uma plataforma de entendimento.

Paul Newman e Joanne Woodward estiveram casados 50 anos – só a morte os separou. No mundo do espectáculo um perfeito recorde. Ambos tinham o mesmo ascendente com os regentes em sextil, Paul Newman tinha o Sol em Aquário, a Lua em Peixe e Joanne Woodward o Sol em Peixe e a Lua em Aquário. Compatibilidade como esta é raro. Mais comum é, por exemplo, o ascendente de A ser do mesmo signo da Lua de B e/ou os sois de ambos serem de signos do mesmo elemento. 

Estudar a sinastria entre Vénus e Marte – explica a atracção inicial e questões relativas a sexo, um componente importante de qualquer relação amorosa.  

Mas mais importante do que as sinastrias é analisar a casa 7 de cada um, os planetas que aí habitam e o signo e regente do descendente. É na descoberta das nossas projecções, do nosso material inconsciente, do que julgamos ser possível subcontratar ao outro em vez de assumir essa característica em nós próprios, que reside a resposta a Jacques Prévert. Foi o inconsciente deixado inexplorado que vendeu o pavio.

É claro que carregamos mais complexos e “material-sombra” para além da casa 7  que vão afectar a nossa vida em geral, incluindo os aspectos relacionais. Por isso chamei a este post uma cábula e não um guia. E é astrológica porque muitos outros métodos de auto-conhecimento são úteis em questões relacionais, mas só a astrologia dá uma visão imediata das zonas psíquicas onde se vendem pavios.

Luiza Azancot

07 outubro 2014

Duas Últimas

Não sei, confesso, o que está por trás da música intitulada Misty. Não tive tempo para ir investigar na internet e ainda bem - talvez fosse uma história prosaica e desinteressante, retirando à bonita música uma certa aura derivado do nome que, traduzido, significa enevoado.

Lembro-me, a propósito, de uma história que me contaram e cuja veracidade não sei garantir. Talvez tenha um laivo de verdade, talvez seja completamente falsa, ou o seu oposto. Todos estarão lembrados de Povo Que Lavas no Rio, o poema de Pedro Homem de Mello imortalizado por Amália Rodrigues: Povo que lavas no rio / que talhas com o teu machado / as tábuas do meu caixão / Pode haver quem te defenda / quem compre o teu chão sagrado / mas a tua vida não. E etc. Ao que parece, o poeta ia de viagem em Trás-os-Montes. Por causa de uma tempestade, avaria de carro ou coisa quejanda, teve de se hospedar desconfortavelmente em casa de gente muito humilde, destas que mantêm os animais na parte debaixo da casa, onde os aromas são mais de lama do que de urze. Terá sido aí que nasceu o Povo que lavas no rio. A inspiração chega-nos por vias imperscrutáveis... 

Regresso a Misty, cuja história não sei, cuja letra não traduzi. Mas sei que gosto do Outono, dos dias que encurtam, das noites mais frias, de um certo enevoado das manhãs que, sei bem do que falo, desgraçam os ânimos de gente mais solarenga. Deixo-vos com duas versões de Misty. E não digam que vão daqui, não vá haver gente a querer bater-me.

I get misty, just holding your hand...

JdB

06 outubro 2014

Vai um gin do Peter’s?

No post de Segunda-feira passada, o JdB (dono deste estabelecimento) terminava com uma dupla citação dos filósofos Montaigne e Cícero, ambos concordando: «que filosofar não é outra coisa senão preparar-se para a morte, (…) aprender a morrer para saber viver...».(1)

Vêm os filósofos francês e romano a propósito da interligação misteriosa e indissociável entre vida e morte, que muitos encaram como uma passagem para outra Vida, essa definitiva e plena. Era assim que o entendia o meu pai, que hoje cito na sua reflexão sobre o que podemos deduzir acerca dessa realidade post mortem. No seu estilo sempre entusiasmado pela perspectiva científica, que lhe ficou da formação em engenharia e da longa carreira de professor no Técnico e na Católica, abordou a questão com enorme empenho, aplicando-lhe todo o rigor que pôde. Por isso, no Domingo 28 de Setembro, em que foi rezada a Missa de Corpo Presente em sufrágio pela sua alma, veio especialmente a propósito retomar o tema, tendo sido lido um excerto dos escritos(2) que nos deixou. Neles refere as inúmeras intercepções da ciência com as grandes temáticas da vida, como Deus, o sentido da existência, a realização humana, a ressurreição, etc. No seu entender, não há nenhuma incompatibilidade entre ciência (e toda a abordagem científica) e Deus. Antes se evocam e certificam mutuamente.

Aqui vão as suas palavras cheias de Esperança sobre o que vem depois, esperando que possam contagiar-nos com a notável Confiança que experimentou ao longo dos seus 90 anos:
       

Qual a palavra da ciência sobre o que é a ressurreição? Porquê acreditar?
Obviamente, a ciência nada nos pode dizer sobre a vida após a morte, porque ela lhe é inacessível. Mas diz-nos algo que é muito importante sobre as duas formas de vida que a antecedem: em ambas, tudo é compreensível e racional. Conclui-se, assim, que a ciência aponta como critério de verdade para decidir entre ressurreição e aniquilação (morte absoluta), a maior ou menor coerência e racionalidade da opção.

Note-se que esta questão é fundamental, porque, se não há vida para além da morte, nada faz sentido. Atrevo-me mesmo a dizer que, tendo cada um de nós o poder para antecipar a sua própria morte, a esperança (ou o temor) da ressurreição é a razão determinante que nos prende à vida.

Exponho, a seguir, além destas, as razões que tive em consideração para acreditar na ressurreição:

a) Era-me evidente que Deus Se quer revelar, e que efectivamente Se revelou, não só a mim mas a muitos mais, e em todos os tempos; e que quer estabelecer relações pessoais com todos os homens. Quem, como eu, aceite esta afirmação não pode admitir que, a seguir, Deus aniquilasse as pessoas com quem estabeleceu as relações que pretendia. Seria um absurdo. A morte não é, pois, o fim de tudo, é só uma porta que se atravessa, quando Deus dá por atingida a finalidade desta vida passageira.

b) Se não há vida para além da morte, o bem e o mal perdem o seu carácter absoluto. É certo que os anarquistas, por exemplo, negam este carácter absoluto – “não há bem nem mal” – mas a realidade é que todos, incluindo os anarquistas, vivem sempre referidos a algo que, criado por eles próprios, consideram bem ou mal. Com efeito, não só defendem o que se deve fazer (seja isso o que for), como perseguem os que se recusam a segui-los ou os contrariam.

c) Jesus Cristo, aos judeus que O questionaram sobre a ressurreição, lembrou-lhes que “o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob não é um Deus de mortos, mas de vivos”.

d) O preceito de Jesus Cristo, de “ser perfeito como Deus é perfeito”, caminho sem fim a prosseguir até ao fim desta vida, nunca atingível pelo homem, só faz sentido se for um objectivo possível de atingir, o que remete para além do fim desta vida.

e) Como meio para atingir o objectivo da alínea anterior, Jesus Cristo indica a mansidão e a humildade. Mas, para quê escolher viver assim, se não há consequências? Porquê não usar todos os meios, sem limitações, se até se adequam melhor aos nossos gostos nesta vida?

f) Jesus Cristo veio realizar a remissão do pecado. Mas a remissão foi feita para esta vida? Se não há outra vida, para quê a remissão dos pecados?

g) As razões indicadas nas alíneas d), e) e f) justificam que se considere esta vida de relação como um período intermédio, de transição, para cada um de nós aceitar Deus, como o Senhor, e atingir um objectivo – a perfeição do amor mútuo. Isto dá sentido a que Jesus tenha indicado meios para o atingir, e justifica, até, que esta provação ou merecimento se processe numa vida de relação, vida simultaneamente individual e colectiva.

h) Na ocasião das bodas de Caná, Jesus Cristo, ao fazer notar, antes de atender o pedido da mãe, que “ainda não tinha chegado a sua hora”, deu a entender, implicitamente, que a ocasião oportuna para a mãe fazer os seus pedidos seria depois da sua hora. Mas a sua hora foi a da crucifixão. Por isso, se não houvesse vida para além da morte, seria uma hipocrisia prometer à sua mãe que a atenderia após a sua hora, o que é inadmissível dada a consideração que tinha pela mãe.

i) Finalmente, Jesus Cristo pré-anunciou a sua própria ressurreição e, de facto, segundo todos os testemunhos, ressuscitou ao terceiro dia.
  (...)

Peço a Maria, mãe de Jesus, e minha mãe (“mulher, eis o teu filho”), que se lembre de mim na hora da minha morte.


Não é pouca coisa estes considerandos e a conclusão de capítulo terem sido escritos quando transbordava de saúde e se mantinha activíssimo, há poucos meses atrás. Confirma-nos que a forma incrivelmente rápida com que partiu não o terá apanhado desprevenido nem impreparado… De facto, o mistério que nos envolve a todos é indizível, embora 100% benigno, desde o nosso primeiro sopro de vida. E inspiradora a forma como Santo Agostinho O nomeia: «ó Beleza tão antiga e tão nova», reconhecendo que, no seu caso específico: «Estavas dentro de mim e eu estava fora, e aí te procurava... Estavas comigo e eu não estava contigo... Mas Tu me chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste e curaste a minha cegueira

Haveria tanto para agradecer, nesta hora (naquele rol infindo, típico da noite dos Óscares), mas fico-me por desejar a cada um o melhor que testemunhei no meu pai: viver em crescendo, até à plenitude a que somos chamados. Afinal, ninguém merece menos do que o melhor do mundo, como quer que Lhe chame!
 
Maria Zarco
NOTA DE AGRADECIMENTO ao JdB pela delicadeza e eficiência com que resolveu o adiamento do “gin”, por impossibilidade minha de o postar na Segunda passada, conforme estava programado.
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 (1)  Postado a 29 de Setembro.

 (2)  Livro que tem tido circulação privada, intitulado: «A CIÊNCIA, DEUS E O HOMEM», datando a última edição de Março de 2014.






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