11 setembro 2011

Domingo, Se Fores à Missa!


Foi  hoje, mas há 10 anos, em Nova Iorque, quem não se lembra????  Aquelas imagens chocaram o mundo inteiro, revoltaram corações, indignaram almas, destruíram vidas.  Logo hoje, o Evangelho fala-nos de perdão e compaixão. Parece um contra-senso. Como é possível alguém perdoar um acto horrendo como aquele?  Que compaixão se poderá ter por um assassino da pior espécie, que mata impiedosamente? 
Perdoar é relevar, é esquecer, é aceitar o outro, apesar dos seus actos. Mas não deveria o acto de perdoar estar associado ao acto do arrependimento?  Ou seja, de que serve o meu perdão se o outro não mostrar arrependimento?  Será que o perdão, como acto unilateral, contribui para a consciência colectiva, para o bem universal, independentemente do outro querer, ou não, esse perdão?
Ou será que o perdão só tem o seu sentido pleno quando o “perdoado” toma consciência do acto?  A maioria das passagens do Evangelho que relatam cenas de Jesus a perdoar, salvo erro, quase todas elas descrevem alguém que se aproxima de Jesus, com humildade ou com grande fé, pedindo-lhe perdão. 
Então, como é possível perdoarmos este tipo de pessoas, como as que estiveram envolvidas no “Nine Eleven” e em outros actos semelhantes? O perdão de que Jesus nos fala acontece no nosso coração;  é um acto de amor voluntário; é a nossa própria predisposição, como católicos, para  não condenar, não julgar e não virar as costas.  A sociedade encarrega-se de punir o acto, em si,  aplicando uma pena proporcional à gravidade do mesmo e essa punição deve existir; mas o perdão, o verdadeiro perdão, está para lá da pena. O verdadeiro  perdão acontece quando conseguimos rezar por e pedir a salvação de todos esses “pecadores” (coloco aspas para que a palavra se leia em sentido figurado... não gosto nada da palavra pecador, tal como ela é usada no catecismo !) O verdadeiro perdão é quando Jesus diz ”Pai, perdoai-os porque não sabem o que fazem”

Domingo, Se Fores à Missa ……  Perdoa !

Maf

Evangelho segundo S. Mateus 18,21-35. 
Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes?»  Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.  Por isso, o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos.  Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.  Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida.  O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: 'Concede-me um prazo e tudo te pagarei.’  Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida.  Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: 'Paga o que me deves!’  O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: 'Concede-me um prazo que eu te pagarei.’  Mas ele não concordou e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto lhe devia.  Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros, contristados, foram contá-lo ao seu senhor.  O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: 'Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste;  não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?’  E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia.  Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração.»

10 setembro 2011

Pensamentos impensados


Visitas guiadas
Há cerca de 50 anos visitei o Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães; nesse tempo não havia Guias nem Cicerones e as visitas eram "guiadas" por contínuos ou porteiros. A pessoa que guiou o grupo lá foi debitando umas patacudas até que a certa altura, e para acabar, encolheu os ombros e disse: coisas dos tempos dos Condes e dos Marqueses.

Madeira
Alberto João queixa-se de falta de liquidez: será vinho?

Mais Madeira
Diz-se: se não há dinheiro não há palhaços. A Madeira é excepção, não há dinheiro e há palhaços.

Disseram-lhe para estar socegado e...ele cegou.

Ouvido na TV
O Governo  quer fazer...bla, bla, bla, mas a oposição está contra. Gostava de saber o que é uma oposição a favor.

Traduções My Way

Um inglês aparentava um chilique. Alguém quis ser simpático e perguntou: sit down well? (sente-se bem?).

SdB (I)

09 setembro 2011

Ponto de Vírgula

- T-O-M!
Ouviu um pequeno barulho atrás dela e voltou-se precisamente a tempo de agarrar o rapaz por uma ponta do fato e prendê-lo.
- Anda cá! Eu bem podia ter-me lembrado daquele armário. O que estiveste ali a fazer?
- Nada.
- Nada? Olha para as tuas mãos. Olha para a tua boca. O que é isso?
- Não sei, tia.
- Pois eu sei. É compota, é o que é! Já te disse quarenta vezes que, se não deixasses de mexer na compota, te tirava a pele. Dá cá essa vara.
A vara fez um movimento no ar, e o pequeno, vendo o caso mal parado, disse:
- Olhe para trás de si, tia.
A senhora deu uma reviravolta e apanhou as saias, que estavam em perigo. No mesmo instante o rapaz fugiu, saltou por cima da vedação de madeira e desapareceu.
A tia Polly ficou um momento surpreendida e por fim deu uma gargalhada.

in As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain


Geleia de Maçã com Hortelã

Ingredientes:

2 kg de maçãs vermelhas
2 lt de água
sumo de 1 limão
800 g de açúcar
2 colheres de sopa de folhas de hortelã picadas
 
Preparação:

Corte as maçãs, retirando as sementes e as eventuais partes escuras. Ponha numa panela com a água e a hortelã bem picada. Cozinhe até a fruta ficar bem macia, mexendo de vez em quando. Passe as maçãs numa peneira.
Leve a fruta temperada de volta ao lume, misturando o açúcar aos poucos, até que se dissolva. Ferva, mexendo, até atingir a consistência de geleia.

Nota: Receita tirada da internet

MFM

08 setembro 2011

Alma pelo Tempo




Nos ponteiros que regulam as horas da minha vida, existe um traço


descontínuo, desafiando a matemática do “tic-tac” e desgovernando

demoras.
                                                                                                                                                                                     
Mudo de direcção, ziguezagueando entre cansaços e harmonias de sentires.

E como um ágil caçador de borboletas, extraio com o meu

                 
camaroeiro de memórias, bocados da vida e do seu lixo.





VNC

Deixa-me rir...


Caros audiophiles, this week I am highlighting one of the great voices of English folk music. Sandy Denny began performing solo in small folk clubs in the late 1960s before joining the soon-to-be-legendary folk group Fairport Convention. Reflecting later on Sandy's audition for them, the group noted: "It was a one-horse race...she stood out like a clean glass in a sink of dirty dishes."
In the space of only two years there followed three still classic albums which deeply influenced and evolved traditional English folk music towards electric folk rock, thanks to the combination of the group's multi-talented rock musicianship and her folk roots.
With their innovative reputations cemented, Sandy Denny decided to pursue a solo career again and develop her songwriting during the 1970s. During this period, she was invited to become the only guest singer ever to record with Led Zeppelin. Sadly, like so many, she also pursued drink and drugs, and in 1978 she fell down some stairs and suffered a fatal brain haemorrhage, aged only 31 years.
However, her artistic status was already secured, most notably by one of her very earliest compositions, which recently has been voted the greatest English folk song ever.
This song exemplifies her constant songwriting preoccupations with love and loss, the passage of time and the changing seasons, and highlights her timeless evocative voice, matched perfectly by Fairport Convention's understated instrumental accompaniment and, in particular, the legendary Richard Thompson's sympathetic guitar.

Who knows where the time goes?
Across the evening sky, all the birds are leaving
But how can they know it's time for them to go?
Before the winter fire, I will still be dreaming
I have no thought of time

For who knows where the time goes?
Who knows where the time goes?

Sad, deserted shore, your fickle friends are leaving
Ah, but then you know it's time for them to go
But I will still be here, I have no thought of leaving
I do not count the time

For who knows where the time goes?
Who knows where the time goes?

And I am not alone while my love is near me
I know it will be so until it's time to go
So come the storms of winter and then the birds in spring again
I have no fear of time

For who knows how my love grows?
And who knows where the time goes?





A proxima.
PO

07 setembro 2011

Novidades

O Adeus, até ao meu regresso... sempre se assumiu como um albergue espanhol: são todos bem-vindos desde que tragam farnel.

Para comprovar a teoria, amanhã teremos mais uma bloguista - VNC - que me foi apresentada (virtualmente, como tudo agora) pelo PO, o homem que em Londres dá um carácter internacional ao estabelecimento.

Apareçam, leiam, oiçam, apreciem, comentem. É com muito gosto que a recebo cá. Espero que se dê bem e que decida ficar. 

JdB

our own private nine eleven


nessa terça-feira de setembro,   
não foram só as torres que caíram,


arrastando 


( 
u
m
h
o
m
e
m
c
a
i
)

o estadunidense e marmóreo orgulho,
feito de betão, aço e vidro,
esmagados como o mais frágil papelão.

nesse dia de setembro,
caíram outras duas torres,
ou talvez um rei e uma raínha,
metáfora ainda mais óbvia - paciência..

hoje, quando o skyline de manhattan
chora, em silêncio, os seus dois braços decepados,
lembro-me de nós os dois,
nessa já tão longínqua barcelona,
e das cinzas em que, sem nos darmos conta,
tão brutalmente nos transformámos.

(mas, a bem dizer, entre tantos e tantas, quem ligaria
a mais duas ou menos duas casualties of war?)

gi.

06 setembro 2011

Duas últimas


Hoje faço uma pausa na música portuguesa com que vos tenho fustigado nos últimos tempos e proponho que ouçam My Back Pages, de Bob Dylan, aqui numa versão ao vivo que juntou no palco do Madison Square Garden, em 1992, alguns dos maiores génios dos tempos já longínquos da minha mocidade, do próprio Dylan a Clapton, passando por Young ou Harrison. Nomes a quem estarei sempre eternamente grato pelos grandes momentos que me proporcionaram e continuam a proporcionar, nos discos que gravaram ou nos espectáculos ao vivo a que tive o privilégio de assistir, neste caso poucos, é certo, que Portugal não é destino de passagem habitual de génios que não sejam os da bola!

Esta musica está inserida num álbum de Dylan de 1964 chamado Another Side of Bob Dylan, que representou uma viragem, uma mudança (usando um cliché tão em voga nestes tempos nublados, terá sido uma mudança “estratégica”?) no percurso do grande compositor, então muito criticado pelos “puristas” de Woodstock, da folk e da contracultura, por ter aderido à guitarra eléctrica e talvez mesmo à vil fama! Mas o certo é que mudou e não se deu mal, produziu depois deste outros álbuns absolutamente fantásticos – poderia enumerar vários – e “construiu” uma longuíssima carreira que ainda hoje dura, mesmo que actualmente de forma algo penosa, suponho que para ele mas sobretudo para os muitos admiradores, que os 70 anos já vão pesando!

A letra, difícil como grande parte das que Dylan escreveu, ainda mais para quem, como eu, lida mal com esta língua dominante, fala da desilusão de tempos passados, que antecipam a tal necessidade de mudança. Uma sequência lógica que nem toda a gente segue, infelizmente…

Nesta versão, aprecio sobretudo os solos de Clapton, um guitarrista excepcional, e a entrada em cena da voz nasalada de Dylan. E, já agora, há uma outra versão desta música que recomendo, interpretada pelos The Birds, que foram certamente, a par de Joan Baez, dos que mais aproveitaram o génio criador de Dylan.

Espero que gostem!

fq



Dylan, Harrison, Neil Young... por tigwenn

05 setembro 2011

Imagens dos dias que correm

Egipto, Dezembro de 2006

Alerta

Decididamente não consigo acertar com o agendamento dos posts com esta versão moderna do blogger. Assim sendo - e ao contrário do que tem vindo a ser habitual - os textos sairão à hora possível e imprevista... Vão aparecendo, que nunca se sabe.


JdB

Moleskine


Casamento, ou o desafio das memórias. Bebericam-se bebidas diversas, enquanto empregados diligentes passam travessas com iguarias várias. Seguro no copo um belíssimo sorbet de limão com vodka e encontro um amigo de infância com quem não falava há mais de 40 anos, para além de um rápido estás bom? nas areias por vezes ventosas do Guincho. Cumprimentamo-nos com alguma efusividade, até que ele indaga sorridente: então o que tens feito?  Desmaia-se-me o sorriso e hesito se devo perguntar por que década queres que comece?  Não me ocorre mais do que um hesitante olha, ando por aí... (logo eu, que trabalho em casa e que não ando por lado nenhum).
Blogue, ou os mistérios da técnica. Aderi a uma versão moderno do blogger (só saber o que isto significa dá direito a uma bolsa de estudo). Acontece que não atino com a programação automática dos posts. Programa para as 7 da manhã do dia x e o post sai na véspera às 11 da noite. Vou supor questões de fuso horário. Alguém sabe ajudar?
Raciocínios, ou a diferença na atitude. Há quem prefira ser feliz a ter razão, há quem prefira ter razão a ser feliz. Há quem perceba que um abraço é como o primeiro passo  - é com ele que se (re)começam grandes caminhadas.
Roma, Maio de 2011
Livros, ou o encanto das frases. Despachei há semanas um opúsculo anónimo que falava de crise e de possíveis soluções para se sair dela. Retenho uma das três que o autor (ainda que anónimo, há um autor) entende serem fundamentais para darmos a volta: o culto da sobriedade.  Olha...

JdB

03 setembro 2011

23º Domingo do Tempo Comum



Erros fecundos
Crescemos numa saudável convivência com os nossos erros. Dos mais simples aos mais notáveis dos homens e mulheres não há quem não erre, sucedendo até, como dizia o P. António Vieira, que “nos grandes são mais avultados os erros, porque erram com grandeza e ignoram com presunção”. Educar para o perfeccionismo cultivando o medo de falhar é criar almas escrupulosas e mentes atrofiadas. Aquelas capazes de ver “o argueiro no olho do irmão” e não a “trave” no seu próprio olho, especializadas na letra da lei e não no seu espírito. Mas o contrário também é pernicioso: a desresponsabilização pessoal e social, o erro instituído em costume, o deixar de viver como se pensa passando a pensar como se vive.

Não estou aqui a fazer um elogio do erro mas, como dizia alguém, brincando, “a vida ficou bem mais interessante com aquela falta de Adão e Eva no paraíso”. Claro que não estava a referir-se à profundidade teológica do pecado original nem a querer ofender Santo Agostinho e logo juntou: “não se canta na noite de Páscoa, “ó ditosa culpa que nos mereceu tão grande Redentor”? A possibilidade de errar e de reconhecer o erro não nos diminui; é a persistência no erro, a pretensão de sermos deuses, de viver autosuficientes que impedem a comunhão com Deus e com os outros, e esse é o maior erro da vida!

Jesus não andou à procura dos pecadores para os acusar. Era conhecido por comer com eles e sentia-se bem com a sua autenticidade. Acolhia e libertava valorizando mais o futuro do que o passado. Custava-lhe o fingimento e a sobranceria dos que se julgavam justos e impecáveis. O amor não lida bem com a aparência, prefere a transparência, ainda que seja como uma janela a precisar de limpeza. Assim não desiste de salvar e de oferecer um amor incondicional. Porque acredita nas extraordinárias capacidades de cada um de nós. Não andaremos longe de Jesus quando nos habituamos a excluir, a querer perfeito sem oferecer e fazer caminho, a congelar o que existe sem arriscar o novo por medo de errar?

É comprometedora a proposta que hoje nos é feita no evangelho para lidar com os erros dos irmãos. Do diálogo a sós, passando por pelo encontro com dois ou três amigos, confiando na comunidade, nunca se propõe desistir do outro. Curiosamente, mesmo depois de tentar tudo, a ideia de tratar o irmão como um pagão ou um publicano não significa excomunhão: não são eles os grandes destinatários do amor de Deus, aqueles que, surpreendentemente, acolhem Jesus com alegria? Felizes os que descobrem nos erros ocasiões para viver um amor maior, sementes de uma verdade que só encontra quem está disposto a caminhar!

P. Vítor Gonçalves

in VOZ DA VERDADE 04.09.2011


***


EVANGELHO – Mt 18,15-20
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Se o teu irmão te ofender,
vai ter com ele e repreende-o a sós.
Se te escutar, terás ganho o teu irmão.
Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas,
para que toda a questão fique resolvida
pela palavra de duas ou três testemunhas.
Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja;
e se também não der ouvidos à Igreja,
considera-o como um pagão ou um publicano.
Em verdade vos digo:
Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu;
e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu.
Digo-vos ainda:
Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa,
ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus.
Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome,
Eu estou no meio deles».

02 setembro 2011

Pensamentos impensados


Coisas impensáveis
O Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas fica a meio caminho entre Sintra e Ericeira. Foi construído em 1995 pela Câmara Municipal de Sintra e consta, principalmente, de "pedras" romanas, tais como lápides, sarcófagos etc.
Há cerca de 50 anos visitei-o pela primeira vez, e não passava de um amontoado de pedras que estavam ao ar livre num terreno murado. 
(Se não era assim era parecido; já lá vão 50 anos).
Quando quis entrar deparei-me com a porta fechada; indaguei quem tomava conta e informaram-me que era a "Sra. Maria", que estaria no campo a trabalhar; fui ter com a conservadora e pedi-lhe para me franquear a entrada; acedeu contrariada, pois estava a trabalhar.
Durante a visita vi vários sarcófagos, em pedra, que continham esqueletos do tempo dos romanos; também vi que por ali passeavam cães. Mostrei estranheza à guia / conservadora, que só me disse: É, às vezes abalam com os ossos.

Atendendo a que Portugal é um dos melhores fabricantes de calçado, são de acarinhar os turistas de pé descalço, pois são potenciais compradores de sapatos.

Há uma luta japonesa, sumo, que por vezes não dura mais do que um segundo ou dois. Seria divertido ver um gago a fazer o relato; ainda balbuciava o nome de um dos lutadores e já eles estavam no balneário.

Tenho um gelado no congelador há mais de 6 meses; será que ele ainda está fresquinho ou já estará cediço?


SdB (I)

Músicas dos dias que correm (ou a graça da contradição com a imagem abaixo)

Imagens dos dias que correm

Ponte Vecchio, Florença (Maio 2011)

01 setembro 2011

horas mortas

escapelizo a cinzel frio
paradigma e paradoxo,

só para melhor voltar a fundir

o meu corpo e a tua alma,
a tua pele e o meu osso.



gi

Moleskine

Citações. A senhora tem entre as pernas um instrumento capaz de dar prazer a milhões - e não consegue fazer mais do que arranhá-lo (Sir Thomas Beecham, maestro, alegadamente a uma violoncelista).




Sporting. Como li no outro dia num blogue, sou do tempo em que os treinadores do clube aguentavam até ao nascimento do Menino Jesus. Agora já não se sabe se chegam à mudança da hora, altura em que surge o Pai Natal (quando Nossa Senhora ainda não sabe de nada). A vida de um sportinguista é um calvário - e já encanitam os trocadilhos com o apelido do mister. Haja criatividade, porque a paciência já lá está... 
Livros. Leio A Viagem dos Inocentes, de Mark Twain (Tinta da China, 2010). Da internet: Mark Twain, «pai da literatura americana», parte num navio em direcção à Europa, passando pelos Açores, cuja descrição será irresistível para os leitores lusófonos. Respingo, do capítulo referente ao Faial, frases soltas: A comunidade é principalmente portuguesa - ou seja, pobre, apática, modorrenta e preguiçosa.  E outra, ainda: E têm um bando de apóstolos bolorentos, dilapidados, empoeirados, à volta da filigrana, alguns só com um olho, mas com um olhar lascivo no que lhes sobra, e alguns com menos dois ou três dedos, e outros sem nariz que chegue para se assoarem - todos eles aleijados e coitadinhos, mais condicentes com um hospital do que com uma catedral. 
Tempo. À hora a que vos escrevo, leitores de uma estranha fidelidade, vejo, através da vidraça, uma bátega de água incessante e inclemente. Nunca se viu um Agosto assim, reclamam os vendedores de bolas de berlim e de cornettos da praia de Carcavelos, que há anos apregoam os seus produtos. Trabalhei numa indústria de gelados e conheço a situação - é medonha. O que não se vende hoje não se recupera amanhã. Talvez os centros comerciais vivam felizes: anteontem, pelas cinco e pouco da tarde, o Cascais Shopping estava pejado de gente que se passeava em trajes de Verão, apesar da humidade que encaracola as melenas, porque é férias e a naftalina deita cheiro em não havendo arejamento atempado. Cá em casa - que é o último reduto onde ainda exerço algum vestígio de poder - há divisão de opiniões: a roupa não seca, o que é uma maçada mas, em compensação, não há calor para atormentar quem trabalha. 
Ando ao contrário. Há muito que o digo: quando nasci já era velho (houve quem achasse um bom título de livro...). Agora, que caminho para o ocaso da vida (um cliché...), apetece-me voltar atrás, à minha adolescência, às sensações de quem achava que o ano 2000 era uma miragem e que chegar lá seria um feito de longevidade digno de um matusalém. Talvez seja o desejo de uma certa simplicidade das relações, a ausência de grandes preocupações ou, como diria um amigo no ano de todas as tragédias, a vontade de regressar a um tempo em que a maior inquietação era o desconhecimento do programa da noite.  
Facebook. Amiga próxima, com créditos firmados na escrita qualitativa e abundante de livros, instiga-me a aderir à rede social. Nada no meu corpo se move nessa direcção e explico porquê: sentado diariamente durante algumas horas ao computador, posso alhear-me perigosamente com a simples existência de um mosquito que ronda, com o abanar ligeiro de uma cortina comprada a preços modestos, com o pensamento fugaz sobre a misteriosa vida dos ricos e famosos. Não preciso, por isso de mais distracções, para além de que vejo pouco interesse naquela mecânica. Tentam entusiasmar-me, alegando que encontras gente que não vês há quarenta anos... Deus meu! que medo, encontrar colegas da escola alemã que me diriam eh, pá, não sabia que eras tão gordo...   
Madeira. O descalabro financeiro aperta o cerco ao soba do Funchal (segundo cliché num único post...). Não nutro qualquer simpatia pelo cavalheiro em questão, a não ser aquela que sempre temos por quem é apalhaçado, com uma bonomia própria dos gordos (eu sou uma excepção). A população local - e os turistas - têm muito a agradecer-lhe (há 40 anos o arquipélago seria uma espécie de pardieiro) mas aquela ausência ridícula de sentido de estado roça o vulgar. Ironias da democracia, porque quem elege nem sempre sabe e quem é eleito nem sempre merece... 
Impostos. O ministro Vitor Gaspar anuncia mais impostos. Estou certo de que falarão um dia destes sobre o emagrecimento significativo do Estado, porque se esse tema já foi versado eu estava distraído com o abanar da cortina. Talvez para o Advento, altura em que o Sporting muda de treinador e a visão da rabanada é incompatível com a penúria generalizada. 
Imagens. Do Google de ontem, a celebrar o 110º aniversário da primeira linha de carros eléctricos entre o Cais do Sodré e Algés.

JdB 

31 agosto 2011

Faz hoje 62 anos e está uma flor, benza-o Deus


Este mocinho está para as senhoras assim como o futebol está para os cavalheiros: 
aplaca as diferenças sociais e gera consenso. (post de Rita Ferro)

Diário de uma (avó) astróloga [7] - 31 Agosto de 2011


Acabou o Verão. Foi óptimo ter todos os netos cá em casa. Vivemos longe uns dos outros e. por isso. dou enorme valor a estas semanas em que estamos todos juntos. Gosto imenso de os ver crescer, perceber quais são os seus gostos e as suas actividades preferidas; enfim vê-los desenvolver as suas personalidades Para a avó astróloga, os netos gémeos são os mais fascinantes, porque levantam questões de ordem psicológica, filosófica e espiritual.

Em Abril de 2007 a minha filha deu à luz gémeos, um rapaz e uma rapariga. São gémeos fraternos com códigos genéticos diferentes, mas com cartas do céu praticamente iguais, uma vez que a Alice e o Oliver nasceram com 1 minuto de diferença.

Em termos de tamanho eram parecidos, mas desde muito pequeninos começaram a mostrar diferenças. Sendo gémeos fraternos e de sexos diferentes têm, obviamente, características físicas diferentes. A mais marcante: o Oliver ficou rapidamente cabeludo e à Alice não havia meio de lhe nascer o cabelo.

Nas primeiras férias que passaram comigo - com três meses - já mostravam feitios diferentes. A Alice parecia gostar de experiências novas – tocar com os pés na areia, riu no primeiro banho de piscina, e o Oliver gostava de adormecer a olhar para as árvores e sorria para as folhas agitadas pelo vento antes da sesta na rede.

Quando ambos tinham 6 meses comecei a notar que, tanto a minha filha como a baby-sitter, usavam palavras diferentes para os descrever. O Oliver era doce como um “caramelo” e Alice uma “fera”. O Oliver choramingava e a Alice gritava. Comentavam a estranheza da Alice ser careca e referiam-se à juba do Oliver.

Nestas férias, passados quatro anos, as diferenças de personalidade mantêm-se. A Alice não pára quieta, nem em frente da televisão, preferindo brincadeiras que envolvam actividade física, e o Oliver gosta de ver televisão, preferindo ser árbitro a competir com os irmãos e primos. A atitude deles perante o mar também é muito diferente, como se pode ver pelas fotografias.


Oliver privilegiando a segurança

  e a Alice recusando qualquer tipo de bóia tentando surfar

A avó astróloga pergunta: como é que dois entes, com as cartas do céu praticamente idênticas e, consequentemente, com padrões básicos de personalidade iguais podem ser tão diferentes? A astrologia não é válida para gémeos? Os símbolos com que trabalho todos os dias não se aplicam?

Em certos meios astrológicos fala-se duma teoria em que os gémeos, na sua infância, dividem a carta ao longo do meridiano (linha quase vertical que termina numa seta), exteriorizando aspectos diferentes da sua personalidade. Esta premissa pressupõe uma procura de individualidade com a definição do seu território psicológico. Pensa-se que, uma vez que vivem e crescem juntos, não querem ter o mesmo papel. O gémeo alfa escolhe qual é a parte da sua carta / personalidade que quer exteriorizar, e deixa a outra parte ao outro gémeo. Isto não quer dizer que perca completamente as outras características - simplesmente são menos visíveis.

As minhas observações confirmam esta teoria, e convido os leitores com gémeos nas vossas vidas a partilhar as vossas experiências. Foi a palavra “juba” que me alertou. Juba é uma palavra que evoca Leão, que é o ascendente da carta. As características físicas são representadas, sobretudo, pelo ascendente. Se a teoria da divisão da carta é correcta, isto quereria dizer que a Alice, fisicamente, teria aspectos aquarianos (signo oposto a Leão). A careca inicial da Alice pode ser interpretada arquetipalmente como original, estranha, consistente com a simbologia de Aquário.

A confirmar esta teoria, Vénus, Lua e planetas em Touro são energias doces, calmas, atentas a aspectos de segurança que, neste caso, estão do lado esquerdo da carta, juntamente com o ascendente em Leão, manifestadas pelo Oliver. Alice ficou, ou escolheu (será o gémeo alfa?) as energias do lado direito, mostrar ao mundo a originalidade aquariana, assim como Marte, o planeta da independência e agressividade que, com a conjunção com Urano, resulta num total desdém pelo perigo. No lado direito da carta também tem Júpiter e Plutão em Sagitário, o que lhe dá uma propensão para a aventura.

Donde vem essa necessidade de individualizar, de ser único, de ser diferente de qualquer outro? Será que a divisão vai durar para sempre? Intuitivamente sinto que cada um tem direito à expressão de todos os seus planetas, e pergunto a mim própria se mais tarde trocarão de características ou se sentirão tão seguros da sua individualidade que podem manifestar a totalidade das suas personalidades.

A vida de uma avó astróloga é cheia de interrogações, mistérios mas muito interessante.


Luiza Azancot
www.astrocape.com

30 agosto 2011

Duas últimas


Hoje blogo David Bowie e a música "Five Years", do mítico álbum (ainda se diz álbum?) Ziggy Stardust. Dancei muito esta música. Principalmente com paixões nunca consumadas. Atenção, com 14 ou 15 anos a consumação da paixão não é nada do que possam estar a pensar. E veio-me à memória um post recente do JdB sobre o destino. Interrogava-se ele se a sua história de vida não teria sido diferente se, numa dada ocasião, não se tivesse deixado dormir. Imaginar o que poderia ter sido é, para mim, um exercício divertidíssimo. Inconsequente, mas divertido. E pode aplicar-se, tanto à nossa vida e aos seus momentos decisivos, como à história do mundo. Já imaginaram o que poderia ter sido Portugal sem o 5 de Outubro? E sem o 28 de Maio? E sem o 25 de Abril? E sem o 25 de Novembro? E o que poderia ter acontecido à Europa se os alemães tivessem ganho alguma das duas guerras mundiais. E o que seria ainda da Europa se o muro de Berlim não tem caído? E o que seria diferente se o Al Gore tem ganho as eleições ao Bush? Enfim, as possibilidades sãoinfinitas e constituem um manancial estupendo para quem gosta de exercícios de imaginação. 

Contaram-me, no outro dia, uma história aparentemente verdadeira e que tem a ver com isto. Ter-se-á passado com o casal Obama numa saída a dois para jantar fora. Ao que parece, o dono do restaurante era um antigo apaixonado da senhora Obama, e esta tê-lo-á dito ao marido. Comentário do Presidente: quer dizer, se tivesses casado com ele eras agora dona deste restaurante? Resposta da mulher: nem pouco mais ou menos, o dono do restaurante é que seria actualmente o Presidente dos Estados Unidos. É o que se chama confiança no controlo do nosso próprio destino. 

Será que eu seria hoje uma pessoa totalmente diferente se tivesse consumado as paixões com as meninas com quem dancei o "Five Years" do David Bowie? Eu divirto-me com pouco, sabem?

JdC



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