11 abril 2012

Diário de uma astróloga – [23] – 11 de Abril de 2012

Marte retrógrado

No próximo dia 14, o planeta Marte retoma a seu movimento directo. Pelo menos parece que desta vez nenhum pais começou uma guerra! Passo a explicar a razão do meu alívio.
O planeta Marte completa a sua órbita à volta do Sol em 688 dias, mas uma vez cada dois anos, visto a partir da Terra, “parece” que diminui de velocidade até ficar parado (na gíria astrológica usamos o termo estacionário) e depois “parece” que anda para trás (movimento retrógrado). Ao fim de dois meses e meio, fica novamente quase parado e depois retoma a sua órbita habitual dirigindo-se para Este. Marte este ano tem estado a “andar” no sentido contrário desde 24 de Janeiro. 
O planeta foi baptizado com o nome do deus romano da guerra, possivelmente porque tem uma aparência vermelha, a cor do sangue. O Marte mitológico era valente e corajoso e tinha como companheiros Hons (honra) e Virtu (virtude). Os romanos consideravam-no tão importante que deram o seu nome ao mês de Março, mês em que o Sol entra em Carneiro, signo regido por Marte. 

Marte e as suas luas

Os deuses romanos têm a sua origem na mitologia grega, onde Marte se chamava Ares e tinha uma narrativa muito mais brutal. Andava sempre acompanhado de Deimos (medo) e Phobos (pânico), aliás os nomes que os astrónomos do séc. XIX escolheram para as suas duas luas. A irmã gémea de Ares chamava-se Eris (discórdia). Tinha outra irmã, mais civilizada mas também guerreira, Athena, que o descreve como uma coisa raivosa, vinda do mal.  Não sei explicar porque é que Marte teve um “upgrade” na transição da Grécia para Roma, mas para perceber a sua energia acho que é necessário incorporar o aspecto nobre e o aspecto feroz. A guerra tem, com certeza, estas duas facetas.
Em termos da consciência humana, Marte ficou relacionado com os militares e a guerra. Por exemplo, o “Champ de Mars” em Paris é ao lado da Ecole Militaire e “Campo Marzio” em Roma era a zona onde se faziam exercícios militares.
Em termos históricos, tem-se verificado que as guerras que começam quando Marte está retrógrado ou estacionário, têm péssimos resultados para o agressor. Quem começa perde!
Conhecem o episódio em que Páris de Tróia raptou Helena, a mulher do rei de Esparta? Esta agressão instigada por Eris deu origem a uma guerra mítica descrita por Homero. O deus Marte estava do lado dos troianos, a sua irmã Atena do lado dos Gregos e a coisa não correu bem para os troianos, o que me leva a pensar que o planeta Marte estava retrógrado. Infelizmente temos outros exemplos mais recentes:


“Ares e Athena”   Jacques-Louis David  (1748-1825)                   “Paris e Helena” (detalhe)  

MARTE RETRÓGRADO
                                  

22 Junho – 24 Agosto de 1939: Hitler tinha marcado a invasão da Polónia para 26 de Agosto. Acabou por se realizar a 1 de Setembro, com Marte praticamente estacionário. 
28 Janeiro – 19 Abril de 1965: o Vietname já era teatro de guerra há muito tempo, mas o início oficial do envolvimento americano no terreno foi a a 8 de Março, quando Lyndon Johnson envia 3.500 “marines”. 
16 Janeiro – 6 Abril de 1980: a Rússia já tinha uma presença no Afeganistão a pedido do governo local em 1978, mas decide passar para uma luta armada activa nos princípios de 1980. 
20 Fevereiro – 11 de Maio de 1982: a Argentina invade as Ilhas Maldivas / Falkland no dia 2 de Abril.
2 Janeiro – 24 Março  de 1995: a Rússia invade a Chechénia em Dezembro de 1994 com Marte estacionário. A guerrilha local reage, os Russos vão-se embora e Yeltsin declara que a Chechénia poderia tornar-se num segundo Vietname. E tinha razão! 


A actual guerra no Afeganistão começou em Outubro de 2001 com Marte directo, mas Obama oficializa a política de intensificação da presença militar e reforço das hostilidades no discurso anual “State of the Union”, a 27 de Janeiro de 2010. E Marte estava retrógrado desde o dia 9 de Janeiro. A única questão é quando é que os americanos percebem o que Yeltsin percebeu.
Em termos pessoais, Marte não só explica como gerimos situações de conflito, mas também como criamos o nosso espaço próprio, de quanta autonomia precisamos, como iniciamos projectos e como sentimos a nossa sexualidade. Tem um âmbito mais lato do que a guerra. Dependendo do nosso Marte natal e em que parte da carta transita Marte retrógrado, podemos, neste período, sentir a sua energia intensificada, como que sob pressão. Lutamos connosco próprios e pessoalizamos as nossas quezílias. Velhos rancores tornam à superfície. A regra para aproveitar os períodos de Marte retrógrado é: rever, redefinir os projectos em curso, reexaminar a nossa vida sexual, reconsiderar donde vem a raiva e também de onde vem a coragem. E sobretudo não entrar em guerra!

           
Luiza Azancot


10 abril 2012

Duas últimas

Hoje o post talvez saia ligeiramente kitsch. Ele há dias em que a imaginação é menor e eu andei por aqui, por alturas da hora de almoço, estrelando dois-ovos-dois e pensando comigo próprio no que havia de por que surpreendesse positivamente os meus leitores fiéis e, por isso mesmo, surpreendentes - quando não surpreendidos. Nada me saiu, até porque terei de escrever um texto para a próxima 5ªfeira e os meus já de si escassos neurónios (imaginativos e outros) estão em estágio. Há dúvidas quanto à convocatória de qualquer um deles...

Fui buscar uma música muito bonita (ao que parece criada para efeitos de prática da técnica) e superiormente interpretada à guitarra por Pepe Romero. Depois, agarrei numa versão cantada pela Nana Moskouri que tinha ouvido há muitos anos e incluí-a também, para dar o ar que me esforcei muito para este post... Ou para que o primeiro vídeo saia mais reforçado, pois então. Digamos que os vídeos convidam a sentidos diferentes: o primeiro pode ouvir-se de olhos fechados, o segundo pode ver-se com os ouvidos tapados. Neste esplendor de imaginação que por vezes me assalta, até vou admitir que a versão da Nana Moskouri seja virtualmente inaudível. O que diria o señor Francisco Tárrega se a ouvisse?   

Recuerdos de Alhambra, no meu caso particular com referência apenas ao compositor de Vila-Real. Há muito tempo que ando para visitar o local mas o tempo ainda não chegou, provavelmente por inércia e desorganização próprias. A ver vamos se ainda é este ano. Só depois poderei ter recuerdos...

O texto está fraquito, não está? Mas pode ser interessante ver-se o que a criatividade pode fazer de uma obra bonita. Só este último argumento pode justificar o tempo que aqui perderão...

JdB




09 abril 2012

Vai um gin do Peter’s?

A sugestão de hoje é um filme de três minutos, que segue no final do gin. Vencedor em Cannes, na categoria das curtas-metragens, «PORCELAIN UNICORN»(1) explora uma metáfora linda, das intemporais, que percorre intacta toda uma vida, da infância até ao alvor dos cabelos brancos.
Decorre num período intencionalmente hostil, a Segunda Guerra Mundial, na situação mais extrema – o ápice da perseguição nazi aos judeus. Torna-se especialmente tocante por decorrer no aconchego de casa de família, simples e acolhedora. Ainda por cima com crianças amorosas, expoentes da inocência. Porém, simbolicamente, exibem as marcas de pertença a pólos opostos: ela com a cruz de David bordada na braçadeira, ele a imitar as milícias do Reich replicando o mundo adulto que lhe era próximo…
Cinge-se a poucas personagens. Recorrendo a actos por demais conhecidos, como a crueldade selvática das SS, oscila entre dois tempos q.b. distantes em termos cronológicos, mas cruciais enquanto ciclos da vida humana. E centra-se num símbolo forte: um unicórnio de uma beleza nívea e frágil, a caber na palma de uma mão.  


Enquanto brincava aos soldados, o rapazinho descobriu uma

refugiada a brincar na clandestinidade. Mas, ao invés dos

soldados, a sua era uma missão de paz... 

O galardão assinala-o como o Vencedor de uma Competição muito sugestiva para cinema, promovida pela Philips, chamada Conte à sua Maneira («Tell It Your Way»). De facto, os três minutos voam nas mãos do realizador Keegan Wilcox, expondo sugestivamente a semente de bem que, anos mais tarde, cresceu e pôde vir em desforra de um tempo que fora prisioneiro do mal total. Mas nem isso é completamente exacto, pois mesmo durante esse período de trevas tinha havido espaço para uma intervenção pessoal, minúscula, embora muito eficiente, à medida da pequena grande-criança que a protagonizou! Demonstrou como há sempre uma aberta mínima para o exercício da liberdade pessoal, mesmo em face das piores situações, permitindo mitigar (ainda que ligeiramente) a fúria do ódio em acção.
O gesto heróico da criança é expressivo da importância de cada opção, incluindo a mais ínfima, para definir ou consolidar um carácter. Porque a identidade humana permanece em devir, desde o nascimento até à morte. Aquele menino imberbe é a personificação da pessoa que escolhe, todos os dias, ser movida pela bondade e pela coragem, apesar da coragem que isso implica.




Ora, a memória de um bom homem ajuda a que o tempo lhe seja favorável, enquanto guardiã da percentagem de bem que se preserva, ao longo da vida. Nessa arca de registos passados, o menino já crescido conseguiu reter o melhor daquele episódio tremendo da infância. Assim, de um mal horrendo foi possível extrair algum bem. Porque o seu tempo vivido na atenção aos outros, levou-o a querer repor os estragos (possíveis) do tal outro tempo de bestialidade. A ponto de pouco ou nada se ter perdido, naquela voragem devoradora de um antigamente sangrento e desvairado.
Sem me deter em pormenor sobre a simbologia do unicórnio, vale a pena sublinhar, em traços gerais, a riqueza mitológica deste cavalo branco de chifre proeminente, com poderes mágicos. Na tradição ancestral, este ser feroz e indomável significava o poder da alma e a junção de opostos, pelas diferentes partes de animal que reunia (corpo de cavalo, patas de gazela, rabo de leão, chifre de antílope). A sua captura envolvia um ritual especialíssimo, em que uma jovem seria a única presença capaz de o atrair e domar. Sob o efeito da sedução feminina, o unicórnio ficaria então à mercê dos caçadores. Não por acaso, foi o símbolo exibido no final do grande filme «Blade Runner» (de Ridley Scott, 1982), quando as dúvidas sobre quem era ou não replicant estavam ao rubro e faltaria ainda capturar um… Na tradição cristã converteu-se em símbolo de pureza, representação de Maria e expressão da vida eremita e monacal.   


Na curta-metragem, o sentido original do unicórnio reinventa-se e passa das mãos da menina judia para o rapaz alemão, sendo depois sacrificado ao serviço de uma manobra de diversão salvadora. Mas ressuscitará, oportunamente, para celebrar a nova era de paz, na reconciliação posterior de dois mundos que pareciam irreconciliáveis.
Comparável à delicadeza da amizade –impotente perante a força bruta das armas– a porcelana quebradiça reflecte aqui a vitalidade intemporal dos valores maiores, cuja beleza insiste em ser indefesa, demasiado acessível, maximamente generosa. E se a vida está repleta destas riquezas subtis que, sob um aspecto precário, escondem um poder infinito, eterno! Das que só o coração reconhece! Que passam, subtilmente, de geração em geração, de coração a coração… acredito que até ao fim dos tempos. Por isso tem tanto a ver com este tempo – BOA PÁSCOA a todos.



Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1) FICHA TÉCNICA

Título original:
THE PORCELAIN UNICORN
Realização:
Keegan Wilcox
Argumento:
Keegan Wilcox
Duração:
3 min.
Ano:      
2010
País:
EUA
        Elenco:

Clayton Brown (um dos miúdos)
Ron Carlson      (soldado nazi)
John C. Crow     (soldado nazi)
Fiona Perry        (miúda judia)

Local das filmagens:
Los Angeles - Califórnia
Prémios:
CANNES: Vencedor da Competição da Philips Tell It Your Way, na categora das  curta-metragens.

08 abril 2012

Domingo de Páscoa

Hoje é Domingo (de Páscoa) e eu não esqueço a minha condição de Católico. 

O meu comentário poderia resumir-se a uma palavra exclamada, ressuscitou!, que para quem é crente nada mais haveria a dizer. Nesta expressão resumir-se-ia a vitória da vida sobre a morte, o sentido pleno de um amor derramado por nós - por cada um de nós. 

Nos últimos dias acompanhei as cerimónias pascais - missa de 5ª feira Santa, Paixão na 6ª feira, convidando ao recato. É a primeira Páscoa que passo com o novo prior e gostei muito - verdadeiramente muito - das homilias de ambas as cerimónias. Food for thoughts, numa expressão inglesa. Basta que uma simples frase ouvida permaneça no cérebro e no coração para sentirmos que valeu a pena ir, estar, viver e rezar.

Na 5ª feira não pude assistir à missa completa, mas no dia seguinte mantive-me firme, sem sacrifício, durante duas horas na Igreja da Boa Nova. Sou um cristão igual a tanto outros: oiço, olho para o lado, penso nas coisas, medito, rezo por este e por aquele, rezo por mim e por mim e por mim, escuto a Palavra, oiço os versos das músicas, vejo os rituais, observo o movimento das pessoas no altar, sinto o cheiro do incenso. Imagino e sei das dedicações, das disponibilidades, das maledicências, das vontades de protagonismo, do espírito de serviço, dos sorrisos permanentes, dos corações gigantes, das línguas soltas, dos braços que nem sempre se abrem, dos braços que estão sempre abertos, da luta pela santidade, da consciência imperfeita da perfeição, da consciência perfeita da imperfeição.

Olho para o Cristo crucificado na cruz - porque nós o quisemos assim - e vejo a ilimitação do Amor. Olho à volta e sei que é nesta igreja que quero estar, que quero ficar, que quero servir com a dimensão da minha limitação humana. Sei que é aqui que ficarei, talvez porque já tenha atingido o ponto de não retorno. O meu desafio é agora o do discernimento do serviço. O meu desafio é o de saber o que faço. Não é a primeira vez que sinto isto - Deus vai-me dando roupa para que o frio vindouro seja menos doloroso. Ou para que o frio tenha um sentido, sei lá eu...

Boa Páscoa para todos.

JdB  


EVANGELHO – Jo 20,1-9

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro
e viu a pedra retirada do sepulcro.
Correu então e foi ter com Simão Pedro
e com o discípulo predilecto de Jesus
e disse-lhes:
«Levaram o Senhor do sepulcro
e não sabemos onde O puseram».
Pedro partiu com o outro discípulo
e foram ambos ao sepulcro.
Corriam os dois juntos,
mas o outro discípulo antecipou-se,
correndo mais depressa do que Pedro,
e chegou primeiro ao sepulcro.
Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira.
Entrou no sepulcro
e viu as ligaduras no chão
e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não com as ligaduras, mas enrolado à parte.
Entrou também o outro discípulo
que chegara primeiro ao sepulcro:
viu e acreditou.
Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura,
segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

07 abril 2012

Pensamentos impensados


Dada a quadra que se atravessa, hoje não há Pensamentos Impensados. Os meus pensamentos vão para os colaboradores e leitores deste blogue, a quem desejo uma Santa Páscoa.

SdB (I)

06 abril 2012

6ª feira Santa


Scenes from the passion of Christ (Hans Memling, 1430 - 1494) tirado daqui

Ó TRISTE E SANTA FACE 

 

"Ó triste e Santa Face macerada
Velada pelo martírio da Paixão
Pisada como as pedras da calçada
Sem forma, sem beleza, sem ter nada
Que atraia o nosso olhar, nossa afeição.

Se o Teu Amor profundo obriga a tanto
Se o Teu suave pranto é redentor
Eu hei-de recolher enquanto canto
 As gotas do Teu Sangue e do Teu pranto
Resgate deste mundo pecador.

Ah seja a minha face como a Tua
Velada pelo pranto e pela dor
Pisada como as pedras dessa rua
E onde nem por sombras se insinua
A sombra de um sorriso ou de uma flor."

(Frei Hermano da Camara)



 

05 abril 2012

Deixa-me rir...

Caros Audiophiles, thoughts of Easter/Pascoa leads to thoughts of family reunion and of children, or in my case of nieces and nephews.
We have a tradition here on Easter Sunday, to celebrate the end of Lent/Quaresma, of giving gifts of Easter eggs, which can be either decoratively painted real eggs or eggs made of chocolate wrapped in brightly coloured paper. After the family lunch the adults organise a "treasure hunt" in the garden (or around the house if it is raining) and hide lots of miniature chocolate eggs which the children must then try to find.
Well, my friend and I were chatting about family and kids and thinking "how cool" it would be to be able to play guitar and teach songs to our children or nieces and nephews.
This first song is one of my very first musical memories, and we both agreed, my friend and I, that this song should be learnt on the guitar and passed down, like an oral history, from generation to generation, as a shared experience, bridging the steps from young childhood to loss of innocence and adulthood:



And then I thought of bedtime, when a parent might sing a lullaby to their children just before they (the children!) fall asleep.
This second song remains for me a cherished musical memory of my childhood. Sadly my parents did not sing it to me, and I have no children to sing it to. It comes from a favourite childhood fantasy film called Chitty Chitty Bang Bang, a story written surprisingly by James Bond's creator Ian Fleming, about a flying car built by an inventor Professor Potts for his two children. And this is the lullaby song that the Professor sings to his children:



To all of us who remain young in heart and like to recall more innocent days... e Boa Pascoa.


A proxima.


PO

04 abril 2012

Ponto de Vírgula

   O mal todo do romantismo é a confusão entre o que nos é preciso e o que desejamos. Todos nós precisamos das coisas indispensáveis à vida, à sua conservação e ao seu continuamento; todos nós desejamos uma vida mais perfeita, uma felicidade completa, a realidade dos nossos sonhos e (…)
   É humano querer o que nos é preciso, e é humano desejar o que não nos é preciso, mas é para nós desejável. O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter.

    «Não se pode comer um bolo sem o perder.»

in O livro do Desassossego, Bernardo Soares


Folar de Páscoa

 Ingredientes:

800 g de farinha
100 g de margarina
35 g de fermento de padeiro
250 g de açúcar
3 ovos
2 dl de leite morno
sal, canela e erva-doce
3 ou 4 ovos cozidos

Preparação:

Dissolva o fermento num pouco de leite morno e junte alguma farinha. Faça uma bola bem húmida e deixe levedar 20 minutos.
Amasse a restante farinha com o açúcar, o leite e os ovos e junte a bola de fermento. Bata bem. Acrescente a manteiga, o sal e as especiarias.
Bata até a massa se soltar da tigela. Deixe levedar numa tigela tapada com 1 cobertor, em local protegido e ameno, durante + ou - 3 horas.
Faça então uma bola ligeiramente abolachada, onde coloca os ovos previamente cozidos e frios. Com um pouco de massa faça uns cordões que coloca a rodear os ovos.
Pincele com gema de ovo, deixe levedar mais um pouco e leve a forno quente (200ºC) até ficar bem corado e cozido.

Nota: receita tirada da internet

MFM

03 abril 2012

Duas últimas


Regresso à música portuguesa e à margem esquerda do Tejo. Foi aqui que me criei, e largos anos depois aqui retornei, primeiro para nela voltar a viver e depois para trabalhar. Estando pois ligada aos anos da minha formação, é por isso uma terra que ainda hoje exerce sobre mim um apelo forte que não se explica nem se antecipa, mas que vou continuando a sentir em diversas situações.

Na música, há vários grupos da “outra banda” que aprecio. Lembro-me sobretudo dos UHF, que um dia ainda hei-de postar, se o dono do estabelecimento estiver pelos ajustes, e do Grupo de Baile. De realçar também que Variações esteve muito ligado à zona, tendo sido durante algum tempo sacristão na Charneca (a da Caparica).

Esta banda que hoje escolhi, OqueStrada, também é de Almada. As informações de que disponho sobre ela são escassas, sei que estiveram há uns meses num programa televisivo do Herman José, em que este se lembrou de comparar o busto da vocalista ao da republica, e que, honrando o bizarro nome, fazem das estradas nacionais e internacionais o seu ganha pão. Comecei por ouvi-los na telefonia, pesquisei um pouco e francamente gostei, quer do tipo e ritmo musicais quer da interpretação e instrumentos. Espero confirmar estas impressões ao vivo, em próxima oportunidade.

Por fim, há no vídeo da 1ª música três aspectos com que me permito maçar-vos: os pombais de pombos correios mostrados no principio e no fim – fui columbófilo durante largos anos, actividade muito comum nos bairros operários da margem sul e de que falo com prazer à minha mulher sempre que a quero assustar (lá diz o povo “casa com pombos, casa aos tombos”) -, um dos figurantes,  que todas as noites canta desalmadamente o fado na rua Garrett, com quem me cruzo quando me disponho a sair para umas rápidas passeatas destinadas a melhorar as digestões e, finalmente (!), o macacão do operário da Lisnave, empresa a que me ligam estreitas ligações profissionais.

Espero que gostem, senão de tudo, pelo menos de alguma coisa!


fq



02 abril 2012

Fórmula para o caos

Numa semana pouco rica em acontecimentos politicos, houve riqueza em Pamplona. Mais concretamente, na ala direita da grande área do Osasuna. Quase 24 anos depois, Karim Benzema fez o mesmo que havia feito Marco Van Basten em Munique no Euro 88. Aconselho o visionamento dos vídeos.





Pedro Castelo Branco

01 abril 2012

Domingo …. Se Fores à Missa


O Evangelho de hoje é longo, pesado e triste e, no entanto, é um dos mais importantes da liturgia cristã. 

O Evangelho da Paixão de Cristo relata-nos, passo a passo, a forma como Jesus viveu os seus últimos dias de vida enquanto Homem.  Não espero que vocês o leiam, até porque só o tamanho assusta, mas certamente já o ouviram em outras ocasiões e conhecem-no.  Ao lê-lo, quatro palavras ressaltaram na minha mente:  confiança, coragem, entrega e amor.  

Só uma confiança cega em alguém, permitiria que algum de nós saltasse de uma ponte ou se atirasse de uma janela, ao encontro da morte.  Uma criança, de tenra idade, talvez o pudesse fazer se instigada pelo pai ou pela mãe. Cristo avança para o Calvário, sabendo de antemão o tormento que o espera e fá-lo porque tem uma confiança cega no Pai; fá-lo por amor a todos nós; fá-lo porque sabe que o Pai só se pode revelar através da sua própria morte ..... e confia, entrega-se. “Faça-se em mim a tua vontade”.  É o derradeiro acto que alguém pode fazer por amor: morrer para que o outro viva.

E o engraçado é que dei por mim a pensar que, numa escala diferente, também nós podemos fazer morrer partes em nós, partes do nosso carácter, partes do nosso conforto, partes do nosso património, para que outros vivam. Posso matar o egoísmo que há em mim, ficando de imediato mais centrada nos outros; posso matar a preguiça que há em mim, ficando mais activa para os outros; posso matar a intolerância, ficando mais receptiva a aceitar os outros; posso matar o comodismo, ficando com mais tempo para os outros. E assim sucessivamente.... cada um de nós sabe o que deve matar em si. A morte não é o fim, mas sim a transformação para algo melhor. Até a morte física, a que de longe mais nos assusta, mais não é do que uma passagem para outro estado, para outro nível. Quem tem a sorte de ter fé, como eu, acredita que o outro estado será melhor, mais puro, mais pacífico. Cada vez mais acredito que, na morte, poderemos encontrar paz. Apesar de os sentimentos, de quem fica, serem normalmente de dor, desespero, revolta, incompreensão, acredito que quem parte encontra finalmente a paz. E isso ajuda-nos, a nós que cá ficamos, a encarar a morte com outros olhos. Sem dúvida que Cristo assim o fez.

Domingo, Se Fores à Missa ......  Transforma-te !

Maf

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos

Naquele tempo, os príncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho, logo de manhã, com os anciãos e os escribas, isto é, todo o Sinédrio. Depois de terem manietado Jesus, foram entregá-l’O a Pilatos. Pilatos perguntou-Lhe:  «Tu és o Rei dos judeus?». Jesus respondeu:  «É como dizes».  E os príncipes dos sacerdotes faziam muitas acusações contra Ele. Pilatos interrogou-O de novo:  «Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam». Mas Jesus nada respondeu, de modo que Pilatos estava admirado. Pela festa da Páscoa, Pilatos costumava soltar-lhes um preso à sua escolha. Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos, que numa revolta tinham cometido um assassínio. A multidão, subindo, começou a pedir o que era costume conceder-lhes.
Pilatos respondeu:  «Quereis que vos solte o Rei dos judeus?». Ele sabia que os príncipes dos sacerdotes  O tinham entregado por inveja. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão a pedir que lhes soltasse antes Barrabás. Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes:  «Então, que hei-de fazer d’Aquele que chamais o Rei dos judeus?». Eles gritaram de novo:  «Crucifica-O!».  Pilatos insistiu:  «Que mal fez Ele?».  Mas eles gritaram ainda mais: «Crucifica-O!». Então Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado.
Os soldados levaram-n’O para dentro do palácio que era o pretório, e convocaram toda a corte. Revestiram-n’O com um manto de púrpura e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos que haviam tecido. Depois começaram a saudá-l’O: «Salve, Rei dos judeus!».  Batiam-Lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d’Ele. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto de púrpura e vestiram-Lhe as suas roupas. Em seguida levaram-n’O dali para O crucificarem. Requisitaram, para Lhe levar a cruz, um homem que passava, vindo do campo, imão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo. E levaram Jesus ao lugar do Gólgota, quer dizer, lugar do Calvário. Queriam dar-Lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não o quis beber. Depois crucificaram-n’O. E repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um. Eram nove horas da manhã quando O crucificaram. O letreiro que indicava a causa da condenação tinha escrito: «Rei dos Judeus».
Crucificaram com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo: «Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz». Os príncipes dos sacerdotes e os escribas troçavam uns com os outros, dizendo: «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo!
Esse Messias, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para nós vermos e acreditarmos». Até os que estavam crucificados com Ele O injuriavam. Quando chegou o meio-dia, as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde. E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: J «Eloí, Eloí, lemá sabactáni?». Que quer dizer:  Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?». Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram: «Está a chamar por Elias».  Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta duma cana, deu-Lhe a beber e disse: «Deixa ver se Elias vem tirá-l’O dali». Então Jesus, soltando um grande brado, expirou. O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo. O centurião que estava em frente de Jesus, ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou: «Na verdade, este homem era Filho de Deus».

Palavra da salvação.

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