10 junho 2012

Domingo …….. Se fores à Missa!


O Evangelho de hoje passa-se numa “casa” (que casa é essa ?) para onde muita gente aflui, mas uns ficam de fora e outros ficam dentro. Imagem actualíssima para nós, hoje.
Podemos andar por fora, arredios, ou podemos ficar à porta a espreitar… muitas vezes até nos auto-intitulamos “católicos não praticantes”. Que significa isso? Faz sentido? Ou se é ou não se é. Ser católico não é meramente um título que se inscreve no BI, tal como Cas. ou Div. Ser católico significa adoptar um determinado modo de vida. O facto de eu me chamar MAF ou Antónia ou Leopoldina, só por si, não altera a minha personalidade nem determina o meu modo de vida (embora, confesso, se me chamasse Leopoldina, acho que iria ser infeliz a vida toda!); mas ser católico/a, nos dias de hoje, só faz sentido se formos indivíduos de acção, de exemplo, de apostolado, de interpelação. Ser “católico não praticante” é como ser médico e não exercer. Um médico obtém a experiência, o know-how e o renome através da prática da medicina e não pela obtenção do Diploma. Assim, também nós, católicos só o seremos verdadeiramente praticando os ensinamentos de Jesus, praticando o bem e o serviço à comunidade e não pela obtenção do Baptismo.

Voltando à “casa” do Evangelho de hoje, aí está:  ou entramos na porta da casa e seguimos o caminho da Fé, ou ficamos à porta ou a espreitar pelas janelas e deixamos que outros ventos, outras intempéries nos arrastem para longe de Jesus.

Na caminhada da fé, cada um é livre de optar.

Domingo, Se Fores à Missa ……. Faz a Tua Opção !

MAF

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus chegou a casa com os seus discípulos.
E de novo acorreu tanta gente, de modo que nem sequer podiam comer.
Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para O deter,
pois diziam: «está fora de Si».
Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam:
«Está possesso de Belzebu, e ainda:
«É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios».
Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas:
«Como pode Satanás expulsar Satanás?»
Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se.
E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode aguentar-se.
Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido.
Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar:
só então poderá saquear a casa.
Em verdade vos digo:
Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido;
mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado eterno».
Referia-Se aos que diziam:
«Está possesso dum espírito impuro».
Entretanto, chegaram sua Mãe e seus irmãos, que, ficando fora, mandaram-n’O chamar.
A multidão estava sentada em volta d’Ele, quando Lhe disseram:
«Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura».
Mas Jesus respondeu-lhes:
«Quem é minha Mãe e meus irmãos?»
E, olhando para aqueles que estavam à sua vota, disse:
«Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus
esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe».

09 junho 2012

Pensamentos impensados


Limitações
A Rainha Isabel, do Reino Unido, tanto quanto sei, é o único Chefe de Estado que não pode cantar o hino do seu país.
 
Frases
Fui à farmácia comprar um medicamento e, à saída, o farmacêutico disse: estimo as melhoras.
Achei hipocrisia.
 
Enigmas
O caso das secretas está em vias de solução; vi, na rua, um tipo com um boné que dizia POLÍCIA SECRETA.
 
Traduções MY WAY
Je me suis dans les encres.
Estou-me nas tintas.
 
Ministério?
As offshores são uma espécie de mistério dos negócios no estrangeiro.

Novo Acordo, esse aborto
Lido num jornal, acerca da Selecção de futebol:...treino na Luz e receção em Belém. Razão tinha Cavaco Silva quando disse que não ganhava nem para uma "sande" de coirato.

SdB (I)

08 junho 2012

Moleskine


Junto segue parte de uma carta que recebi ontem. Curiosamente, manuscrita e em papel, o que é uma raridade nos dias que correm em que caligrafia é apenas uma palavra no dicionário, as abreviaturas tomaram foros de domínio, as cartas que se devolvem vão todas num pen que anuncia uma oficina de automóveis...

(...) e acabámos por almoçar em casa deles. Há muito tempo que não os via, talvez há quase cinco ou seis anos. Mas deixa-me contar-te como foi reencontrá-los, relembrar que fizemos a adolescência juntos, que vivemos uma época em que o apuro físico - na sua componente estética - era um tema masculinamente inexistente, o dinheiro contava pouco e não era factor de discriminação. Tínhamos todos a mesma mesada, mesmo que soubéssemos que a de alguns era maior do que a de outros. Andávamos muito a pé porque os carros eram um luxo para a nossa idade, não porque fizesse bem ao aparelho circulatório. Tínhamos pormenores de educação que são já recordação de velhos caducos. Eles ainda fizeram parte dessa vida. E a nostalgia, sabes...

Habitam agora uma casa fantástica, com uma vista deslumbrante e desafogada, rodeada de uma vegetação que os protege dos olhares vizinhos. Vivem sozinhos, porque os filhos saíram de casa, ou nesta diáspora profissional a que são condenados, ou porque encetaram uma conjugalidade moderna pré-casamento. Pelas paredes têm quadros modernos, taças de torneios de ténis, bibelôs bonitos. Uma casa simpática e elegante, sem ser pretensiosa.

Percebeu-se, pela conversa e por todo o enquadramento, que se tornaram numa gente muito dada a actividade física, a um estilo de vida que a modernidade considera saudável, sem sedentarismos perigosos nem alimentação excessiva. Enquanto almoçávamos uma salada frugal – de facto, muito frugal – acompanhada por sumos naturais, um casal de Azawakh rondava por ali, sossegados e elegantes. Não sei se sabes, mas são cães muito magros, esbeltos, altos, provenientes, dizem, do Mali, e que há milhares de anos acompanham as tribos nómadas. Até na raça dos animais - ou melhor, na sua compleição física - se percebem as opções...

Confesso que cheguei a sentir-me quase mal, no incómodo de um excesso ponderal que, não me envergonhando ao ponto da clausura, destoa de um casal que fala muito de magreza, de desporto, de exercício, de calorias e de toxinas, da gordura inestética das pessoas. De facto, estão ambos muito bem, mas tudo me parecia um exagero, como se os gordos fossem os judeus do século XXI, e só não precisassem de uma estrela no peito porque a condição de proscritos se vê a olho nu.

Acabado o almoço ficámos por ali na relva, a conversar, a lembrar o passado, a percorrer um sem-fim de temas inócuos e ligeiros. Os cães rondavam-nos, pedindo festas, socializando, naquela magreza elegante de quem está habituado ao sossego do deserto e ao afecto do tuaregue. Os donos da casa, visivelmente satisfeitos, sorriam um para o outro, miravam-se nos olhos ou através das imagens reflectidas nos vidros das janelas, passando um mão pelo estômago para garantir, pelo tacto, a ausência de proeminências feias e danosas da saúde. Até te digo isto: entre eles e os Azawakh quase se pressentia uma competição pelo corpo mais esguio, mais gracioso, com menor percentagem de gordura.

A meio da tarde quiz despedir-me e fui à procura da dona da casa. Confesso-te que, no meu íntimo mais perverso, queria encontrá-la na cozinha, escondida na penumbra de uma despensa a devorar um éclair de chocolate pecaminoso, plenamente consciente de uma falha que mereceria apedrejamento. Tenho de reconhecer que não estava... Tudo na cozinha tinha um ar de zero calorias – até a mobília, digo-te...

Ouvi um ruído longínquo nas traseiras da casa e acabei por ir procurá-la, percorrendo uma espécie de labirinto elegante de cedros. Descortinei-a junto a um canil que me pareceu quase secreto de tão escondido, onde estava um São Bernardo enorme, volumoso, na sua gordura afável e bonacheirona. Ela, a nossa amiga, dava-lhe ração: quantidades generosas, às mãos cheias, para delícia do animal. Depois abraçou-o e balbuciou-lhe frases ternurentas. Recolhi-me por pudor, mas estou certo de a ter visto chorar mansamente. Ou talvez fosse apenas a água a crescer-lhe na boca...

JdB 

07 junho 2012

Palavras dos dias que correm


(...)
Os talentos concedidos aos responsáveis empresariais são, eles próprios, a melhor evidência de que o plano de Deus passa pelas nossas empresas e do amor de Deus pela nossa vocação empresarial. Deus deu aos líderes empresariais o dom do risco, o dom da liderança, o dom do negócio, o dom da visão, o dom da organização, o dom de não quebrar. O dom da energia, o dom de empreender, o dom da insatisfação, o dom de exigir. O dom da estratégia, o dom da autoridade, o dom de decidir, o dom de criar a partir do nada.
Cruzem todos estes dons com o amor e imaginem quanto Deus espera de cada um de nós.

(Parte final do discurso de António Pinto Leite, na sessão de abertura do 5ª Congresso Nacional da ACEGE, sobre o tema Amor ao próximo como critério de gestão. Foi-me enviado pelo meu querido amigo FQ e pode ser lido na íntegra aqui.)  

Alegrias dos dias que correm



Na Casa da Acreditar, em Coimbra, recebemos crianças que receberam implantes cocleares. Vendo este vídeo, imagino a alegria delas... Há momentos particularmente felizes - e por isso mesmo comoventes -, pelo que vale a pena tomar atenção ao filme. 

JdB

Solenidade do Corpo de Deus

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos


No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram a Jesus: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?». 
Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes: 
«Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: «O Mestre pergunta: Onde está a sala, em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?». Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso». 
Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. 
Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse:
«Tomai: isto é o meu Corpo». 
Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. 
Disse Jesus: «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens. Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus». 
Cantaram os salmos e saíram para o monte das Oliveiras.

06 junho 2012

Diário de uma astróloga – [27] – 6 de Junho de 2012

O Signo de Gémeos

Nestes últimos dias tenho tido mais clientes do que o costume nascidos com o Sol em Gémeos! Não me admira, porque calculo que sentem o desassossego fora de vulgar de que está a ser alvo este signo.  Previsivelmente o Sol entrou em Gémeos dia 20 de Maio e aí ficará até 20 de Junho.  Mas há mais factores astrológicos que tornam a energia geminiana muito activa durante este período.

·      Eclipse do Sol – 20 de Maio
·      Mercúrio entra em Gémeos – 24 de Maio
·      Eclipse da Lua no eixo Gémeos - Sagitário – 4 de Junho
·      Duas Luas Novas – 21 de Maio e 19 de Junho
·      Vénus retrograda em Gémeos – durante todo mês
·      Raríssimo trânsito de Vénus (explicado no post anterior) – 5/6 de Junho
·      Júpiter entra em Gémeos onde permanecerá um ano – 11 de Junho

Sobretudo as pessoas que têm o Sol, a Lua ou a Ascendente em Gémeos, e mesmo aquelas que têm Mercúrio, Vénus ou Marte nesse signo estão mais agitadas, com mais ideias, enfim… num frenesim!
A constelação de Gémeos compõe-se de dois personagens míticos, Castor e Pólux, filhos de Leda, a rainha de Esparta. O deus Zeus mascarado de ganso seduziu-a, e ela deu à luz um filho imortal, Pólux. Com o seu marido teve outro filho, Castor, um mortal. Foram irmãos inseparáveis, tiveram imensas aventuras mas, infelizmente, Castor morreu ainda jovem. Pólux, cheio de desgosto, pediu ao seu todo-poderoso pai que lhe retirasse a condição de imortal para estar perto do irmão. Zeus acedeu e colocou-os no céu lado a lado. 


Constelação                                      Símbolo

Além de dualidade - dois personagens, dois pilares - temos também a noção de juventude e de irmãos ligados a este arquétipo. É pela casa 3 (Gémeos) que vemos assuntos referentes aos irmãos.  Quem tem o Ascendente (a face que mostramos ao mundo) em Gémeos parece mais novo do que sua idade. Em termos psicológicos a juventude de Gémeos pode-se manifestar com o complexo de Peter Pan, ou Puer Aeternus, sempre jovem, sem querer responsabilidades. Não é por acaso que as duas cançoes com o título “Forever Young” foram escritas por Bob Dylan (24 de Maio) e por Marian Gold dos Alphaville (26 de Maio). 
Os símbolos também mostram conexão – as mãos dadas, os elementos horizontais que ligam os pilares – e movimento – Castor e Pollux estão a andar, ou a correr. Assim, Gémeos é a energia de comunicação por excelência: estabelecer ligações, networking, conversar, informar, escrever, contar histórias. 
Sempre em movimento, as pessoas com muita energia geminiana não conseguem estar quietos, perpétuamente curiosos, o que lhes dá uma reputação de instabilidade e inconstância mas também uma enorme capacidade para multitasking, para serem versáteis. É o malabarista do zodíaco, capaz de manter várias bolas no ar, de lidar com pessoas muito diferentes, de se sentir à vontade em qualquer sítio. 
O planeta Mercúrio governa o signo de Gémeos cujo elemento é Ar (função mental) e modo de actuar é Mutável (distribuidor de energia). A necessidade arquetipal de Gémeos é reunir informação e disseminá-la – ao telefone, pelo Facebook, como jornalista, como escritor. E depressa, porque processa informação a uma velocidade impressionante. Virgem, o outro signo governado por Mercúrio, decide se a informação é útil ou não, e Sagitário, o signo oposto ao de Gémeos, filosofa sobre o significado da informação. Gémeos não estão preocupados com valores morais, mantêm uma atitude aberta. Como mercúrio (o metal) são fluidos, flexíveis e não se deixam apanhar facilmente. 
No mundo animal associo o beija–flor e o papagaio a Gémeos. O ténis, desporto onde a bola passa no ar de um jogador para o outro, está cheio de Gémeos; perguntem ao Nadal, Djokovic, Agassi e sobretudo à sua mulher, Steffi Graaf, a mais premiada jogadora da era moderna. 
Dêem puzzles às crianças Gémeos, joguem Scrabble e cartas com elas, comprem-lhes livros, ensinem-lhes línguas. Como o Peter Pan que tem sempre vontade de voar pela janela à procura de novos mundos, deixem-lhes as portas do conhecimento abertas, livrem-nas dos grandes medos deste signo – ignorância e aborrecimento. 
Não percam tempo a cozinhar para Gémeos – preferem falar e comer umas coisas à mão. Aliás mãos, braços, ombros e o sistema respiratório são regidos a este signo. E sobretudo nunca perguntem a um Gémeos “Porque é que vais fazer isso?”.  A sua atitude experiencial relativamente à vida impede-os de responder a não ser com “E porque não?”
Como tenho o Sol, Lua e Mercúrio em Gémeos e vivo num dualismo permanente, vou dedicar dois posts a este signo. Neste expliquei as características principais do signo e no próximo falarei sobre dois nativos de Gémeos, artista gráfico M.C. Escher (17 de Junho) e Fernando Pessoa (13 de Junho), que sabia umas coisas sobre desassossego.



Luiza Azancot

05 junho 2012

Duas últimas


Hoje compenso alguma economia com que vos poupo no texto com 3-músicas-3 de Sandy Denny, cantora e compositora que foi nome maior da folk britânica e mundial. Uma voz de estarrecer (e comover!), que não se ouve sem um estremeção. Música quase obrigatória em minha casa, sempre ouvida com boas e renovadas sensações.

Terá atingido o seu apogeu com os Fairport Convention, em finais dos anos 60 e, como vários outros grandes músicos desse tempo, a vida que levava, de excessos e desequilíbrios, amores e desamores, fez-se pagar muito cedo, tendo Sandy desaparecido em 1978, com 31 anos, na sequência de uma violenta queda numas escadas de que nunca recuperou. Voltara aos Fairport e gravara, nos anos imediatamente anteriores, alguns dos seus álbuns mais conhecidos.

Como li na internet, “ falar do folk inglês sem falar de Sandy Denny ou Fairport Convention, é como ir a Roma e não ver o Papa”!

Espero que gostem das músicas, desejando que as ditas não tenham sido já postadas neste blogue. Se estiver errado acho, em todo o caso, que qualquer uma delas vale uma nova audição!


fq






04 junho 2012

Vai um gin do Peter’s?

Em países tão distintos como os EUA ou a Bélgica têm sido ventiladas mensagens, através da publicidade, a alertar para as vantagens do trabalho de equipa que, bem sintonizado, permite atingir efeitos surpreendentes.

Sabemos quanto esta mensagem acaba por ser recorrente, ao longo da história, embora com tónicas distintas. A novidade, na nossa época, reside na relevância reconhecida ao grupo, quando antes se tendia a atribuir o mérito maior à chefia, considerada decisiva para a convocação individual e subsequente orquestração dos contributos pessoais. Seria, por isso, a grande força geradora de um colectivo devidamente articulado e capaz dos maiores feitos. Aliás, é dos talentos mais exaltados no Santo Condestável ou no grande Vice-Rei da Índia – D.Afonso de Albuquerque, ou no Príncipe Perfeito – D.João II, tudo figuras ímpares. Ninguém duvida de que fizeram a diferença.

Ainda assim, em quantos episódios do passado não ficou ofuscado o papel crucial dos chefiados? A Segunda Guerra, situada num passado mais recente e muitíssimo documentado, é pródiga em exemplos destes, logo a começar pela resistência intrépida do povo russo, assim como na combatividade dos japoneses, na eficiência bélica dos alemães, ou na coragem e no ânimo da Grã-Bretanha, de que Churchill e a Rainha Mãe(1) foram apenas as faces visíveis.


Aproximando-se da mentalidade actual, a Microsoft lançou um spot sugestivo, a mostrar enorme respeito pelos seus colaboradores e oferecendo-lhes um ambiente de fácil entendimento e complementariedade, numa ousada proposta de felicidade: «Happy is a finely tuned business». Sim, há um líder, sob a forma de maestro, porque tudo é musical e incrivelmente agradável. Mas cabe-lhe, acima de tudo, gerir os talentos insubstituíveis dos trabalhadores. Significativamente, são os utensílios do coffee-break os instrumentos da banda Microsoft, que se diverte num open space paradisíaco. Dão-nos a ideia de que profissionalismo e realização pessoal são duas faces da mesma moeda, muito para lá da mera satisfação do chefe. A empregada, que passa no corredor, confirma a qualidade de uma actuação maravilhosamente sincronizada. Percebe-se que todos saboreiam o gozo de funcionarem primorosamente, em conjunto:



Num sentido diverso, sem apelos indirectos à produtividade laboral (seja no mundo empresarial, seja para fins militares), um par de curta-metragens belgas pretende convencer os cidadãos a preferir os transportes públicos. A persuasão baseia-se nos benefícios do grupo, em detrimento de quem actua isoladamente, ainda que parta de uma situação de vantagem explícita. Uma reflexão muito útil para contrapor a onda de individualismo que grassa no ocidente rico. A expressividade e o humor destes desenhos animados falam por si, sob o slogan: «It’s smarter to travel in groups».

3 Trailers diferentes:



Curiosamente, nem sempre o que é smarter é o mais apetecível. Além disso, há fases e circunstâncias bem díspares, ao longo da vida, havendo uma hora para privilegiar o grupo, outra para seguir um trilho pessoal, a sós. Importa, assim, discernir os diferentes tempos e, na hora de sermos muitos, garantir a boa sincronia. Nada óbvio, embora o resultado parece compensar o esforço, sobretudo se for a opção que nos leva mais longe.
  
Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1) Significativamente, Hitler considerava-a a mulher mais perigosa da Europa, pela sua imperturbável bravura nas visitas aos escombros deixados pelas bombas da Luftwaffe, no acompanhamento regular às vítimas da guerra, no apoio ao Primeiro-Ministro em todas as mensagens de ânimo dirigidas aos militares nas frentes de batalha, além da recusa liminar para deixar Londres, apesar dos ataques contínuos com as temíveis “bombas voadoras” (V- flying bombs) alemãs.

03 junho 2012

Santíssima Trindade


À maneira da Trindade

Haver um domingo chamado “da Santíssima Trindade” quase parece uma contradição, como se os outros não o fossem também. Mas é fundamental não esquecermos que acreditamos em Deus que é Um e Trino, que é comunhão de Pessoas, e é na sua intimidade que queremos viver. Assinalar neste domingo a Igreja Diocesana, como fazemos em Lisboa e em outras dioceses, é fazer da comunhão a opção fundamental de viver a fé e de estar no mundo como fermento e luz. E também como sal, pois a grande sensação é que vivemos sem sabor e sem descobrir o sabor daquilo que é importante.
Maravilho-me com a simplicidade das últimas palavras de Jesus quando enviou os discípulos pelo mundo. Mais do que um plano, um mandato: “Ide”; mais do que uma organização, um tesouro a comunicar: “a Boa Nova”; mais do que regras e leis, uma vida em transformação:; mais do a garantia de sucesso, a promessa da sua presença. Na espantosa criatividade de levar Jesus e ser levado por Ele, de “a propósito e a despropósito” deixar a boca falar da abundância do coração, a Igreja aprende na escola do Espírito Santo como chegar aos corações e à vida das pessoas. É a pastoral da proximidade, do gosto dos outros e de tudo o que lhes diz respeito, do encanto em descobrir como Deus habita o íntimo de cada um. Ultrapassando a atitude de quem se julga acima, mais puro ou mais santo, mais íntimo do sagrado ou mais dono da verdade, e descobrindo que Deus se fez próximo também para nos humanizar, para não aprisionarmos o pensamento nem o coração, para que as nossas palavras sejam vivas e não repetições vazias de fórmulas. Não precisam de andar juntas a fé e o amor?



P. Vítor Gonçalves, tirado daqui


EVANGELHO - Mt 28,16-20


Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara.
Quando O viram, adoraram-n'O;
mas alguns ainda duvidaram.
Jesus aproximou-Se e disse-lhes:
«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todas as nações,
baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei.
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

02 junho 2012

Pensamentos impensados


Este é a sério
Não percebo muito bem a saudação o Senhor esteja convosco. Ele está sempre connosco, nós é que nem sempre estamos com Ele.
 
Más contas
Credor penso que virá do latim credo que deu em português creio. A ser assim, credor é aquele que acreditou que o outro pagava.
 
Sotaques
à vezes oiço na TV qualquer coisa como despacho de pronúncia, que não faço ideia do que seja. A única coisa que me vem à cabeça é o Mário Soares a dizer mon ami Miterã.
 
Etimologia
O dono deste estabelecimento escreveu qualquer coisa a explicar o que queria dizer exuberante; permito-me discordar. Para mim exuberante é o leite como se pode ver dissecando a palavra em questão. Ex quer dizer fora de, e úbere significa teta.
Repito: exuberante é o leite.
 
Calorias
Chocolate de leite em italiano diz-se choco-latte.

SdB (I)

Acerca de mim

Arquivo do blogue