Há
alguns Domingos, o meu caro colega dominical e ilustre Dono deste
Estabelecimento falava-nos de serviço e de voluntariado e da importância de
dedicarmos parte do nosso tempo aos outros e à sociedade. Posso dizer que tive a sorte de me terem sido
transmitidos esses valores, quer em casa quer na escola, desde muito cedo e,
até hoje, eles fazem parte integrante da minha vida.
Na
escola, teria eu uns 12 ou 13 anos, faziamos visitas quinzenais aos meninos
internados no Hospital da Estefânia.
Desses tempos, mantém-se viva a
lembrança de duas sensações particulares: uma física e outra de carácter mais
emocional. A hora da nossa visita
coincidia com o lanche das crianças, uma caneca de leite com chocolate e pão
com doce ou bolachas. Há coisas que nos
marcam sem sabermos bem porquê e também, confesso, não costumo perder muito
tempo a procurar razões que jazem para além do consciente e do óbvio, mas o
facto é que o cheiro daquele leite com chocolate (talvez fosse Ovomaltine) me
acompanha até hoje, sempre que entro num hospital. A outra sensação, mais
profunda e emocional, era uma sensação de “perda”, quando na quinzena seguinte
já não encontrávamos o menino A ou a menina B, a quem nos tinhamos afeiçoado
nos últimos meses.
Em
casa, lembro-me que por altura do Natal, o meu Pai metia-nos a todos, ou quase
todos, porque todos não cabíamos, no seu carro com um saco cheio de batatas,
cebolas, leite, pacotes de bolachas, azeite, roupa, brinquedos, etc... e íamos
levar todos esses bens a uma familia carenciada. Ele fazia questão que fossemos
nós a dar, em mão, os brinquedos às crianças. Sinceramente não me lembro se era
sempre a mesma familia, nem quantos Natais o fizémos, mas lembro-me que nós
achávamos tudo aquilo“uma seca”, para utilizar uma expressão de hoje em dia.
Nos
dias de hoje, faço parte das Equipas da Noite que visitam os Sem Abrigos de
Lisboa, colaboro no Banco Alimentar sempre que posso e mais algumas coisas que
vão surgindo, embora o tempo seja escasso.
É
certo que a máxima “quando dou, recebo” é uma realidade e, de facto, quando me
dou sinto total satisfação, mas acredito que o que deve estar subjacente ao
voluntariado, ou seja, a razão principal que nos impela a praticar o
voluntariado deverá ser porque realmente acreditamos que o nosso tempo e o
nosso empenho vai fazer alguma diferença naquela pessoa ou naquela associação
que estamos a ajudar. Se nos baseamos somente na nossa própria satisfação, vai
acontecer que um dia isso já não nos satisfaz, e facilmente largamos.
É
como as esmolas. Quantos de nós damos
esmola só por descargo de consciência ou para satisfação própria, em vez
de nos darmos ao trabalho de fazer uma
distinção real entre quem realmente precisa e quem se aproveita? Ou então
caímos na situação oposta e não damos a ninguém! É verdade ou não? A verdadeira esmola, a verdadeira caridade, o
verdadeiro serviço e voluntariado só funciona com uma única matéria prima: o
nosso tempo.
Domingo
Se Fores à Missa ....... Partilha o Teu Tempo!
Maf
EVANGELHO
Mt 25, 31-46
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier
na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas
as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o
pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os
cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita:
‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está
preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive
sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me
vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes
ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e
Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos
peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos
doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos
digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o
fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim,
malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. Porque
tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era
peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive
doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de
perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou
sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’. E Ele lhes
responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos
meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão
para o suplício eterno e os justos para a vida eterna».
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