21 agosto 2012

Moleskine

Regressei de três dias soberbamente passados no Castelo do Bode, em casa do MMP. Já tinha estado algumas vezes na barragem, mas não com este vagar. O sítio é fantástico de largueza de vistas, silêncio, mar chão, vegetação envolvente. É, de facto, um lugar quase paradisíaco.


Embora houvesse alguma juventude envolvida neste grupo excursionista, uma das tardes ficou reservada para os cotas. Subimos até Dornes, numa viagem de quase uma hora a uma velocidade que permite a conversa e o conforto. Já me tinham falado neste percurso e, na realidade, vale a pena, porque se apanha a barragem na sua quase totalidade, com as inúmeras enseadas, os pinheiros a caírem quase no mar, os penhascos, as casas escondidas no arvoredo, o silêncio vencido pelo som esparso dos barcos, uma água mansa e transparente cuja profundidade chega a ultrapassar os 90 metros!

No regresso, o comandante da embarcação reduziu a velocidade e, durante um bom bocado de tempo, cinco adultos cantaram e agitaram-se ao som de Simon e Garfunkel, no memorável concerto que deram no Central Park, a 19 de Setembro de 1981. (Estive com os meus amigos fq e JdC em NY nesse mesmo ano, um mês antes, talvez. Soubéssemos nós do concerto - a internet estava então ao nível do Nautilus, de Julio Verne - e talvez tivéssemos assistido.) Aquele troço foi verdadeiramente avassalador. Nada da quietude ambiente foi perturbada mas, pelo contrário, desfrutou-se de tudo - e a música assumiu foros de catarse. The Sound of Silence parece-me uma escolha adequada...



De noite a animação turística foi bem diferente. Barreiras, uma localidade do concelho de Tomar, vivia as suas festas anuais em honra de Santa Luzia. Há quem tenha fetiches com sado-masoquismo, gente vestida de cabedal, lingerie sensual ou kilts colegiais. Eu é mais rifas... Onde há rifas eu estou, a esbanjar as minhas parcas economias na demanda de um alguidar cor de rosa, de uma bandolete para o cabelo, de uma inutilidade em plástico ou de um terço a cheirar a rosas enjoativas. Gastei 5 euros 5, e tudo me saiu branco...

Pela meia-noite o palco principal da localidade encheu-se de uma gente entusiasmada para ouvir a actuação dos HF5 (parece-me). Num instante havia gente a dançar. Rapazes com raparigas, homens com mulheres, avós com netas, mulheres com mulheres. Estava ali o esplendor da genuína festa popular, onde uma dança ritmada executada por dois elementos do sexo feminino não dá azo a coscuvilhices sobre a orientação sexual das ditas. Vi gente jovem, gente bonita, gente muito feia. Questiono-me sempre, quando me deparo de forma pouco cristã com pessoas esteticamente mais preguiçosas, o que é o dia a dia delas: do que gostam, o que as comove, de que riem, o que vêem na televisão, como fazem amor, como manifestam a ternura...


A banda começou com um tema de rock pesado que não conhecia. À frente do palco um enorme e surpreendente espaço vazio. Seguiu-se um tema do Saturday Night Fever. A ocupação não se alterou até que o vocalista se atirou àquilo que eu chamaria rock pimba. Aí foi um furor de dança (eu incluído, para compensar a frustração da rifa...) que não mais parou até nos virmos embora. Parece que o espectáculo terminou pelas 6 da manhã.

Deixo-vos com um momento alto da noite, aqui imortalizado por Quim Barreiros. Quem não gosta do brioche da Sofia? 



JdB

PS: e vai daqui um abraço de agradecimento ao MMP pela simpatia e amabilidade com que nos recebeu e acrescentou alguns centímetros à minha cintura que já foi industrial. 

20 agosto 2012

Fórmula para o caos


Karl Marx

O Maior representante do Socialismo científico foi Karl Marx. Alemão com ascendência judaica, por parte do Pai, nasceu na cidade germânica de Trier em 1918, e morreu em Londres em 1883. Iniciou o percurso académico na Universidade de Bona, onde se licenciou em Filosofia e História, tendo feito o doutoramento em Filosofia na Universidade de Iena. Apesar de não ter frequentado qualquer especialidade académica na área, era também um profundo conhecedor de Economia, e um dos primeiros grandes críticos da Economia política vigente até à sua época. 

A deriva revolucionária que, desde cedo, foi empregue por Karl Marx, causou-lhe inúmero problemas e contratempos durante a o período em que viveu na sua pátria Alemanha. Desde logo, e face à sociedade profundamente conservadora e de cariz reaccionária, a carreira como professor universitário foi impedida pelas altas esferas do poder alemão. Obviamente que um revolucionário, ou radical de esquerda, não teria qualquer hipótese de ocupar alguma cargo que, de certo modo, poderia influenciar um número significativo de massas no império, se bem que vastamente divido e desarticulado, que se situava no centro e norte do continente europeu.

Falhada a tentativa de ser docente, envergou pela carreira de jornalista, mas o radicalismo dos seus textos e artigos provocou, em 1843, a expulsão da Alemanha. Teve curtas passagens por Bruxelas e Parias, contudo, e vagamente pelos mesmos motivos, também a presença de Marx era indesejada pelos governos Franceses e Belga, acabou por fixar a sua residência em Londres a partir de 1948 onde, aliás, acabou por desenvolver e materializar toda a sua doutrina até ao fim dos seus dias.
Toda a retórica que influenciou a vida e obra de Karl Marx pode ser colocado em dois pontos. No plano dos factos e no plano das ideias.

No plano dos factos: a reacção contra a condição social miserável em que vivia a classe proletária no século XIX, e o valente impacto da ascensão política devido à conquista do direito de votar, livre e universalmente.

No plano das ideias: a influência do cientismo e do evolucionismo, com Darwin, do positivismo com Augusto Comte, da escola clássica inglesa de economistas com Malthus e Ricardo, do Socialismo idealista com Saint-Simon e Sismondi, do historicismo com Hegel, da conjugação do materialismo com a dialéctica (talvez a mais relevante de todos o pensamento de Marx), com Feuerbach, e do estatismo tradicional alemão com Fichte e Hegel.

Pedro Castelo Branco

19 agosto 2012

20º Domingo do Tempo Comum

Hoje é Domingo e eu não esqueço a minha condição de católico.

O "ato gratuito" é um gesto que nos salva. Uma das mais belas orações que conheço foi aquela encontrada entre os pertences pessoais de um judeu, morto num campo de concentração. Diz o seguinte: «Senhor, quando vieres na Tua glória, não Te lembres somente dos homens de boa vontade; lembra-Te também dos homens de má vontade. E, no dia do Julgamento, não Te lembres apenas das crueldades e violências que eles praticaram: lembra-Te também dos frutos que produzimos por causa daquilo que eles nos fizeram. Lembra-Te da paciência, da coragem, da confraternização, da humildade, da grandeza de alma e da fidelidade que os nossos carrascos acabaram por despertar em cada um de nós. Permite então, Senhor, que os frutos em nós despertados  possam servir também para salvar esses homens».

Recebi este texto do Padre Tolentino Mendonça (que vale a pena ser lido na totalidade aqui) no remanso do Castelo de Bode, com uma vista deslumbrante sobre a vastidão da barragem e com um silêncio entrecortado, apenas, pelas conversas e pelo ruído longínquo de um ou outro barco a motor. Há muito que acho o silêncio reconfortante e propício, não a neuroses, mas a introspecções ou laboração de ideias.

A oração de que fala o Padre Tolentino é particularmente bonita e tocante. Fala de perdão - que força interior tem de ter quem quer perdoar o carrasco! - e revela a capacidade do autor em olhar além do desfocado, das coisas óbvias e imediatas. Somos o que somos e a nossa circunstância. Mas também somos o que os outros fazem da nossa pessoa. O bem que há dentro de nós e que fazem ressaltar, mas também o desafio de sermos bons perante a maldade. 

Temos todos muito (vou eu presumir) para agradecer aos outros. Às vezes é bom lembrarmo-nos disto, mesmo que não consigamos verbalizar o agradecimento. Eu, pessoalmente, teria um ror de gente a quem dizer obrigado: gente que permitiu ou lutou para que viessem ao de cima as qualidades que tenho; gente que me ouviu pacientemente nos tempos difíceis e que nunca faltou com uma palavra de sossego ou de confiança; gente que leu, tantas e tantas vezes, aquilo que eu tinha a dizer a mim próprio; gente que me fez perceber que somos mais, mas muito mais, do que a evidência mais básica dos nossos comportamentos; gente que me disse o que eu não queria, mas que precisava de ouvir; gente que me disse não, mas ofereceu um abraço de compaixão; gente que...

Bom Domingo para todos.

JdB


***

EVANGELHO – Jo 6,51-58

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo,
disse Jesus à multidão:
«Eu sou o pão vivo que desceu do Céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente.
E o pão que Eu hei-de dar é minha carne,
que Eu darei pela vida do mundo».
Os judeus discutiam entre si:
«Como pode ele dar-nos a sua carne a comer?»
E Jesus disse-lhes:
«Em verdade, em verdade vos digo:
Se não comerdes a carne do Filho do homem
e não beberdes o seu sangue,
não tereis a vida em vós.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
tem a vida eterna;
e Eu o ressuscitarei no último dia.
A minha carne é verdadeira comida
e o meu sangue é verdadeira bebida.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
permanece em Mim e eu nele.
Assim como o Pai, que vive, Me enviou
e eu vivo pelo Pai,
também aquele que Me come viverá por Mim.
Este é o pão que desceu do Céu;
não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram:
quem comer deste pão viverá eternamente».

18 agosto 2012

Pensamentos impensados


Este blogue vai candidatar-se a entrar para o Guinness, pois tem uma edição quadrilingue, facto que é inédito na imprensa mundial.
 
PORTUGUÊS
 
Já aqui citei uma frase de autor desconhecido que dizia até prova em contrário o futuro não existe, pelo que pode pedir-se um bife mal passado e não um bife mal futuro.
 
Ouvi, na televisão, que os atletas portugueses que foram aos Jogos Olímpicos e tiveram prestações abaixo do esperado, iriam ficar sem bolsa. Já os cangurus mantêm a bolsa devido às suas capacidades tipo 2 em 1:
juntam o salto em altura ao salto em comprimento.
 
Dez...agradavel foi o que disse Moisés quando Deus lhe deu os dez mandamentos.
 
JAPONÊS
 
Dores de garganta em japonês diz-se anginomoto
Talk show diz-se tókóshó
Aqui há gato é arigatô
 
ÁRABE
 
Em árabe carinhoso diz-se alterno, durona é alteza, jovem é almoço, partido é alquebrado, miradouro diz-se almirante, risota é almofada e rede diz-se alteia.
 
INGLÊS
 
A um inglês a quem morreu o Pai disse-lhe belt many (sinto muito).
Tempo bem passado em inglês é weather well done.
Expensive or crown é cara ou coroa.

SdB (I)

17 agosto 2012

about a girl


como aquele marinheiro que perdeu as graças do mar, 
dedicava-se a garimpar estrelas esquecidas, baús remotos, cristais empoeirados
que enviava pelo correio, para as suas amigas mais queridas.

do cimento brotavam flores incandescentes
(ou eram seus olhos?)

e todas as manhãs eram agora manhã de santo antónio,
movidas a neblina e álcool, comprimidos, sonhos queimados, 
rostos difusos, debruados a negro.

‘absinto muito’, dizia ao espelho, de si para si,
mas não falava da fatal bebida,
antes dessa forma absoluta de sentir
e das saudades que sentia já
(vidros rasgando pulsos?)
das horas perdidas entre pernas e braços juvenis e feminis, 
quando jurava que o mundo era, outra vez, um lugar encantado.

(people they ain't no good - em fundo baço).

e um poema saíu-lhe das esventradas veias,
mostrando que a poesia - como o amor das raparigas -
é coisa com vida própria e que não raro o deixa à porta,

mesmo quando é do lado de dentro que ele está.

gi.

16 agosto 2012

Moleskine

Férias. Passei/passámos uma semana de férias em Soltróia, na companhia de amigos antigos e mais recentes. Tivemos sorte com o tempo, o que nos permitiu sair da praia todos os dias por volta das 20.00h. Um pôr do sol luxuoso! Numa das noites desafiaram-me para um evento: ir à Comporta ver/ouvir o tributo aos Rolling Stones. Se por vezes dou a opinião sem ma pedirem, porque não a daria quando o pedem? Vou pagar caro (e de facto era...) para ver uns tipos imitarem uma música que eu detesto. A parte da frase que menciona o detesto é menos bem aceite, porque os Rolling Stones são um ícone, também, da gente da minha idade. Logo aparece uma rapaziada sabedora que me fala nesta e naquela música, nesta e naquela interpretação. Eu, a bem dizer, lembro-me do Angie e do Ruby Tuesday - mas cantado pela Melanie... 



Acabei por ir ao tributo - e sem grande sacrifício. Afinal, a generalidade dos homens foram relativamente contrafeitos, o que significa que estão mais lúcidos ou mais maçadores do que as mulheres. O espectáculo foi uma experiência sociológica interessante. Como diz, inteligentemente, o meu querido amigo ATM, faz alguma confusão ver duas gerações em agitação frenética com a mesma música. Havia gente de 18 anos, havia gente de 68. Há um frenesim comum para uma diferença de 50 anos? Ou há, apenas, uma necessidade da gente mais idosa se mexer para revelar uma juventude que já não tem, para exibir uma felicidade que a vida matou? Sou um estranho: dançar é, para mim, uma manifestação de afecto, não uma necessidade de movimento.

Encontros. Quinze minutos antes do telejornal das 13 horas (3ª feira) sento-me a ver a TVI. Goucha entrevista uma rapariga abaixo dos 40 anos, que não vê o pai há 30. Fala-se em abandono,  em não querer saber, na infelicidade da mãe que morreu por essa altura. Uma câmara, fugitiva, filma o pai - o tal que não quis saber - sentado numa cadeira com um fatinho de ver a Deus. Uma cunhada do dito, na plateia, é crítica, dizendo que ele era do Porto... Goucha ameniza tudo. Por fim, com muito menos impacto do que o saudoso programa do Henrique Mendes, o pai que abandonou três filhos há 30 anos aparece e beija a filha que decidiu procurá-lo. Não há lágrimas, não há abraços - há apenas um beijo, como quem beija uma colega de programa. Como é que se volta a ser filha de um pai que nos abandona? E que raio de sítio é este para se reatar uma relação? E será que conseguem, desta forma, só à custa de 15 minutos de fama e com uma capacidade de perdão que desconhecemos? Sabendo-se que o homem era do Porto...

Fotografias dos dias que correm. É isto que o meu iphone vê por volta das 7 da manhã, no paredão do Estoril.



JdB        

15 agosto 2012

Assunção da Virgem Santa Maria

Magnificat (do evangelho de hoje):

A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada 
todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre

Diário de uma astróloga – [32] – 15 de Agosto de 2012


Sina, karma, predestinação familiar

Decidimos por à venda a nossa casa de Cape Cod. O meu marido e eu comprámos esta casa para podermos estar com filhos e netos em férias, gozar a praia e todos os desportos náuticos que praticamos. Nove Verões depois a situação mudou: agora todos nós vivemos longe da costa leste dos Estados Unidos e não faz sentido ter aí uma casa. Mas eu estou cheia de pena porque me dediquei muito a esta casa…  mais do que a qualquer outra: tanto às obras como ao jardim, mas sobretudo à ideia de acolher a família, de ver meus netos voltarem todos os anos, de construir recordações comuns.

A astrologia ensina que na maior parte das famílias há um tema recorrente, quase sempre vivido como conflito, que se propaga de geração em geração até estar resolvido. Na nossa família esse conflito é simbolizado por um aspecto entre a Lua (mundo emocional, raízes, casa, necessidade de estar próximo de quem nos quer bem, ser maternal) e Urano (libertação, ruptura, mudança e a perspectiva que vem com o abalar do status quo). A Lua representa a energia com a maior necessidade de ligações afectivas e Urano a que tem maior desapego emocional. Os aspectos entre estes dois planetas são difíceis de gerir a nível psicológico, sobretudo a conjunção (ângulo 0º), a quadratura (ângulo 90º) e a oposição (ângulo 180º). Na nossa família temos:

·    O meu marido e eu, a Lua conjunta com Urano. Fazendo a nossa carta como casal – carta composta – a ligação entre eles mantém-se, mas agora com um ângulo de 180º. Por isso não admira que na nossa vida de casados tenhamos mudado de país, ou de cidade, ou de casa, mais de doze vezes. 
·       Os meus filhos têm a quadratura entre a Lua e Urano. Efectivamente, foram desenraizados em criança quando nos mudámos de Lisboa para Rhode Island. Agora, adultos, estão também a seguir uma vida de mudança de cidade e de casa.
·       Três dos meus seis netos têm a oposição entre a Lua e Urano. E mesmo um que não tem, mas é sensível, perguntava ontem de lágrimas nos olhos: Avó, para o ano voltamos, não é?

Sabendo isto tudo, por que carga d’agua me convenci de que podíamos ter uma casa familiar com algum grau de permanência? A resposta é simples: Quando fiquei avó, perdi toda a racionalidade, e a vontade de estar próximo dos meus netos, de lhes proporcionar férias agradáveis debaixo do nosso tecto foi tal (Lua) que fingi que Urano não nos afectava. A energia de Urano não pode ser ignorada por muito tempo. Quem a tem muito presente na carta (em relação ao Sol, Lua ou Ascendente) vive-a de uma forma mais ou menos constante e tem de arranjar forma de a integrar, e nunca de a ignorar.

Retomando uma perspectiva astrológica, e para confirmar a decisão de venda, olhei para carta do céu do momento da compra da casa. Esta carta representa a entrada da casa na nossa vida. O ascendente em Caranguejo, signo regido pela Lua e relacionado com a família, tem Saturno muito próximo. Simbolismo perfeito: ao comprar a casa nós estávamos a actuar como “pater familias” (Saturno) relativamente à nossa descendência (Caranguejo). Agora a posição dos astros mudou e Urano em trânsito está a fazer uma quadratura ao Saturno e Ascendente, simbolizando a necessidade de alterar a estrutura (Saturno) que criamos à volta desta casa. Uma quadratura representa um conflito, e por isso esta decisão está a custar-me bastante. 

Mas não há nada a fazer, porque além da quadratura de Urano, Plutão (a energia mais forte do zodíaco) está, ao mesmo tempo, a fazer uma oposição ao dito Saturno e Ascendente. O que o Universo nos indica para esta época é, não só uma mudança, como também uma transformação total desta casa, isto é, vender. Em termos de família temos de encontrar novas maneiras de estar juntos, de reinventar o nosso papel de progenitores, esperando que o que fizemos até agora tenha sido um bom exemplo.

O que vale é Júpiter, símbolo da facilidade e da abundância, que está em trânsito sobre Vénus da carta da compra da casa. Vénus significa dinheiro, por isso financeiramente pode não ser um desastre total, apesar da crise imobiliária. Como dizia a minha avó (ela também possuidora de um ângulo incómodo entre a Lua e Urano de 150º) mais vale chorar sentada num bom sofá do que chorar sentada numa cadeira de pau.

Mais sobre o “choro” no próximo post.


Luiza Azancot

14 agosto 2012

Duas últimas

Nostalgia strikes again...

Há algumas semanas, por ocasião da presença em Portugal do JdC, um dos irmãos recebeu para jantar. Estava a família de sangue mais próxima e os quatro maiores amigos (presumo), acompanhados. Num instante se juntaram 30 pessoas à volta de um churrasco e de uma sangria. O post poderia ficar por aqui. Afinal, diriam, sempre estamos na silly season, e o editor e dono do estabelecimento segue a corrente. A bem dizer, para quem está de fora, um jantar pode não ser mais do que um jantar. 

À noite os sobrinhos cantaram e tocaram, sem mais pretensões do que o divertimento próprio e alheio: músicas religiosas, gospel, temas de filmes ou da moda, cantilenas infantis. Acontece - e é aqui que surge a nostalgia - que recuei mais de trinta anos, talvez. Recuei seguramente uma geração e vi-me com 16, 17, 20 anos. Ali, naquela hora de cantoria, voltei aos meses de Setembro que farão sempre parte das minhas memórias felizes. Também cantávamos (eu, enfim...), jogávamos às cartas ou ao matas, íamos a Badajoz com um entusiasmo infinitamente maior do que aquele com que se vai hoje ao Vietname. Todo aquele jantar era, para mim, tão parecido com os outros que me questionei porque não recitaria alguém o Passeio de Santo António (Augusto Gil, encontra-se na net...), uns versos que eu conhecia de cor porque se fazia deles fazia um teatro anual.

Quem esteve no jantar e conhece o ambiente sabe do que falo. Quem já me lê bem compreende-me e um dia explicará as minhas nostalgias. Aos outros peço desculpa por um post involuntariamente - mas fatalmente - críptico. Há amizades tão fundas que devem ser lembradas volta e meia - mesmo que seja para poucos.

Deixo-vos com Maria Dolores Pradera, em homenagem a uma das pessoas presentes no jantar e que a cantava deliciosamente, já lá vão alguns anos. Nostalgia e música sul-americana (embora a Pradera fosse espanhola, viveu e actuou na América do Sul) toldam-me o raciocínio. Vou ali tomar um comprimido e volto já...

JdB   




13 agosto 2012

Vai um gin do Peter’s?


A propósito de uma composição do romântico francês Victor Hugo (1802-1885), sobre o Homem e a Mulher nas suas múltiplas diferenças e complementaridades, percorri a evolução dos arquétipos feminino e masculino na pintura, ao longo dos últimos séculos.
Curiosamente, as semelhanças entre as representações de tempos distantes sobrepõem-se às modas e convenções de época. Há, de facto, denominadores evidentes nas várias expressões artísticas: nelas a elegância e a graciosidade, neles a fogosidade e a força. Nelas a suavidade sedutora ou meiga, neles a frontalidade  protectora ou possessiva. Acima de tudo, nelas a beleza e neles o poder (instituído). As maiores distinções encontram-se nas tonalidades, na luz e nas poses mais ou menos ousadas, a diferir entre os artistas do Norte e do Sul da Europa.
Ao longo do século XX, vislumbra-se nelas alguma emancipação, maior independência e autonomia. Neles a imagem de marca parece ter menos variações. 


De Michelangelo – na Capela Sistina, 1508-1512

 De VERMEER -- «Man and woman drinking wine», c. 1660

De MAGRITTE – «Paris, a rainy day», final do século XIX 

PICASSO – «The Lovers», 1923 


De Edward HOPPER –  pormenor de «Nighthawks», 1942

Para o poeta, a imagem que distingue o Homem da Mulher respeita ao universo de pertença: ele bem inculcado na terra, enquanto ela ascende às alturas mais sublimes. Claro que as palavras são sempre curtas para desvendar o mistério profundo do ser humano, na expressão dual, entre o feminino e o masculino. Além de que a visão transmitida por Victor Hugo dá voz aos símbolos clássicos, por vezes excessivamente simplificados, apesar da grandeza da peça literária. 



Os céus turquesas e muito lavados do estio em Portugal parecem fazer jus ao retrato que o romântico gaulês desenhou da mulher, situando-a «onde começa o céu»:

O HOMEM E A MULHER                                                


O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher é o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono;
Para a mulher um altar.

O trono exalta; o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher o coração, o amor.
A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o génio; a mulher o anjo.

O génio é imensurável; o anjo indefinível.
A aspiração do homem é a suprema glória;
A aspiração da mulher, a virtude extrema.
A glória traduz grandeza; a virtude traduz divindade.

O homem tem a supremacia; a mulher a preferência.
A supremacia representa força.
A preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher invencível pelas lágrimas.

A razão convence; a lágrima comove.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher de todos os martírios.
O heroísmo enobrece; o martírio sublima.

O homem é o código; a mulher o evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é o templo; a mulher, um sacrário.
Ante o templo, nos descobrimos;

Ante o sacrário ajoelhamo-nos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter cérebro;
Sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um oceano; a mulher um lago.
O oceano tem a pérola que embeleza;
O lago tem a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa; a mulher o rouxinol que canta.

Voar é dominar o espaço; cantar é conquistar a alma.
O homem tem uma luz: a consciência;
A mulher tem uma estrela: a esperança.
A luz guia, a esperança salva.

Enfim...
O homem está colocado onde termina a terra;
A mulher onde começa o céu...
VOLVOLTANDO À TERRA,VALE A PENA OUVIR E VER «A MAN’S WORLD»
VOLTANDO À TERRA,VALE A PENA OUVIR E VER «A MAN’S WORLD»
O À TERRA,VALE A PENA OUVIR E VER «A MAN’S WORLD» VOLTANDO À 
Na espantosa interpretação de Pavarotti e de James Brown, penso que dos anos 90, a célebre ária torna-se ainda mais tocante: 



Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

12 agosto 2012

Domingo …. Se Fores à Missa!



Partindo do princípio que ainda me restam alguns leitores (sem dúvida, heróis de paciência infinita), à hora a que lerem este texto espero poder estar de férias, descansadinha ao sol, sem grandes preocupações nem decisões maiores do que a cor do bikini ou o sabor da caipiroska. Infelizmente e como bem dizia o meu ilustre colega e dono deste estabelecimento há 3 semanas, o tempo de férias já não tem a conotação positiva que tinha há uns anos.
Nem sempre “estar de férias” significa estar melhor.
Estar de férias e não estar é bastante pior do que, simplesmente, não estar de férias. Quando não se está de férias é porque se está a trabalhar e toda a gente entende isso.  Mas quando estamos de férias e não estamos em lado nenhum, nem alugámos casa na praia, nem estamos a viajar, nem estamos em casa de amigos, tudo parece muito estranho. Já para não falar da “depressão” que isso nos causa. Mas a verdade é essa. Questionando o meu círculo de amigos mais chegados, cada vez encontro mais pessoas que dizem: “estamos de férias, mas não fomos de férias!” 
Para todos esses, vai o meu pensamento neste momento e sincero desejo de que, brevemente, possam de novo retomar esse hábito tão desejado e necessário que é “ir de férias”.
Considero-me uma privilegiada por ainda poder ir de férias. Considero-me privilegiada, até, por ter trabalho, ordenado fixo no fim do mês, casa e roupa lavada. Tenho o estômago saciado, por isso posso dar-me ao luxo de procurar o ‘pão vivo que desceu do céu’, de que nos fala o Evangelho de hoje; mas …. e aqueles que não têm pão vivo à mesa?
Como podem esses preocupar-se com o alimento que vem de Deus, se não têm alimento na sua mesa?
E, no entanto, Jesus diz que só o alimento que vem de Deus é que não nos deixa morre!!!! Complicado de entender e mais complicado, ainda, de explicar a alguém que tenha o estômago vazio...
O post de hoje é de agradecimento... pelas férias, pelas graças recebidas, pela fé, pela força que nos vem do alto (o tal alimento), pelo emprego, pela família, pelo dom da vida.

Domingo, Se Fores à Missa …….   Agradece

MAF


EVANGELHO Jo 6, 41-51
«Eu sou o pão vivo que desceu do Céu»

Naquele tempo, os judeus murmuravam de Jesus, por Ele ter dito: «Eu sou o pão que desceu do Céu».
E diziam: «Não é Ele Jesus, o filho de José?   Não conhecemos o seu pai e a sua mãe?
Como é que Ele diz agora: ‘Eu desci do Céu’?».
Jesus respondeu-lhes: «Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o trouxer; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia.
Está escrito no livro dos Profetas: ‘Serão todos instruídos por Deus’.
Todo aquele que ouve o Pai e recebe o seu ensino vem a Mim.
Não porque alguém tenha visto o Pai; só Aquele que vem de junto de Deus viu o Pai.
Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida.
No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. Mas este pão é o que desce do Céu, para que não morra quem dele comer.
Eu sou o pão vivo que desceu do Céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo».

11 agosto 2012

Pensamentos impensados


Equídeos
Hipotermia é umas termas para cavalos, tipo Caldas de Monchique: esta situa-se em Vale de Cavalos.

Etiqueta
A uma inglesa, solteira, pode dizer-se I miss you.
Se for casada, é de bom tom dizer-se I Mrs. you.

Mais etiqueta (nunca é demais)
Esteve a passar uns dias em minha casa, um amigo inglês. Dias depois de se ter ido embora, escrevi-lhe para dizer quanto tinha gostado da visita. A carta começava assim: my expensive friend.
Ficou ofendido não sei porquê.

Oftalmologia
Visionário é o que vê tudo às cegas.

Parecenças
Em que se parece a Gioconda com o Almirante Rosa Coutinho?
Ambos têm a mona lisa.


SdB (I)

10 agosto 2012

Friday is a great day to fall in love (e as férias também)






Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

W.Shakespeare

09 agosto 2012

Deixa-me rir

Caros Audiophiles,

London is buzzing these days with the Olympics. London always buzzes, but there is an extra feeling of excitement, a spirit of shared community. Forget the negative aspects of Olympic commercialism and politics. This "greatest show on earth" seems to bring out some of the best characteristics in people.

The London Olympics 2012 motto is "Citius, Altius, Fortius", meaning "Faster, Higher, Stronger", but the greater theme is our future through young people. This idea was exemplified at the Opening Ceremony when the Olympic Flame was lit by seven young athletes, instead of the usual iconic sporting hero.

London, and Britain, is very multi-cultural. Sometimes I feel like a foreigner in my own city. So this is a natural location for a global event which welcomes competitors and spectators from around the world. The spectacular Olympic Flame was created by 204 torches representing each of the competing sporting nations.

Yes, of course, we are patriotic for Team GB sporting successes, and fortunately we have had many already. But we are fair to celebrate the successes and endeavours of every nation. And we love to support the underdogs also. Yesterday there were, for the first time ever, two female athletes competing for Palestine and Saudi Arabia. Both of them were very slow runners and finished a long long way behind the other competitors, but the whole stadium cheered when they finished their races. There is an inherent understanding that winning is not everything, that taking part and trying to achieve your best is what matters. And imagine also the greater social and political significance in their own countries of these women competing on a global stage...

I am lucky to be going this Saturday to the final evening of the athletics in the Olympic Stadium. It will be an unforgettable experience.

The ticket cost me a small fortune, an arm and a leg as we say, but at least now I will be eligible to compete in the Paralympics.

It is all very inspiring. Like many people, I am wondering how I could become an Olympian. At my age I don't think I can be faster or higher or stronger. But maybe I could learn shooting or archery. Why not?! One of our gold medal rowers had never been in a boat until four years ago when she was inspired by the Beijing Olympics. And Rio de Janeiro is apparently a fun place to visit...

This video was created as part of the original bidding process for London to host these Games. It stars many famous British sportsmen and actors but is intended to show how everybody, young and old, can become inspired.   



I found a quotation recently: "So many timid people tiptoe through life, so carefully, to arrive, safely, at death." 

But, as the video's song asks: "What have you done today to make you feel proud?" 

 A proxima. 

PO

08 agosto 2012

Ponto de Vírgula


   Num lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia, não há muito, um fidalgo, dos de lança em cabido, adarga antiga, rocim fraco, e galgo corredor.
   Passadio olha seu tanto mais de vaca do que de carneiro, as mais das ceias restos da carne picados com sua cebola e vinagre, aos sábados outros sobejos ainda somenos, lentilhas às sextas-feiras, algum pombito de crescença aos domingos, consumiam três quartos do seu haver. O remanescente levavam-no saio de belarte, calças de veludo para as festas, com seus pantufos do mesmo; e para os dias de semana o seu bellori do mais fino.
  Tinha em casa uma ama que passava dos quarenta, uma sobrinha que não chegava aos vinte, e um moço da poisada e de porta a fora, tanto para o trato do rocim, como para o da fazenda.
   Orçava na idade o nosso fidalgo pelos cinquenta anos. Era rijo de compleição, seco de carnes, enxuto de rosto, madrugador, e amigo da caça.

in D. Quixote de La Mancha, Miguel Cervantes


Sanduíche tripla de legumes com queijo brie e pasta de azeitona

Ingredientes:

fatias de pão saloio: 12
Courgettes: 1
Beringela: 1
Queijo Brie: 200 g
Azeitonas galegas descaroçadas: 80 g
Dentes de Alho: ½
Azeite: 0,5 dl
Flor de Sal: q.b.

Preparação

1. Fatie o pão saloio e tempere com azeite, leve ao forno para torrar durante uns minutos a 180ºC. Corte a beringela e a courgette em rodelas bem finas, assim como o queijo brie, reserve.
2. Num copo misturador triture as azeitonas já descaroçadas, o alho descascado e picado, azeite e uma pitada de flor de sal, até ficar uma pasta homogénea, reserve. 
3. Numa frigideira antiaderente, salteie num fio de azeite bem quente, as rodelas de courgette e beringela de ambos os lados até que ganhem cor. 
4. Retire o pão do forno e preencha intercaladamente com a courgette e a beringela e termine com as fatias de queijo para gratinar no forno pré aquecido a 170Cº. Tempere com um fio de azeite e uma pitada de flor de sal. 
5. Quando o queijo estiver derretido retire o pão do forno finalize com a pasta de azeitona por cima do mesmo e sobreponha as fatias de pão. Corte e está pronta a servir.

Nota: receita tirada daqui

MFM



07 agosto 2012

Duas últimas


No final de 2011, a TV Globo juntou Ivete Sangalo, Gilberto Gil e Caetano Veloso (todos baianos!) para um “ especial de fim de ano” que, face à qualidade e nível dos três, só poderia resultar num magnífico espectáculo. E, em minha opinião, resultou mesmo.

Na expressão de Ivete, ao comentar e agradecer a oportunidade de estar ali naquela noite, tratou-se de um “sanduíche musical” entre ela e aqueles dois grandes/enormes nomes da musica popular brasileira, ambos 30 anos mais velhos do que ela mas ainda numa forma apreciável….

As músicas que integram o concerto são na generalidade bastante conhecidas e dispensam comentários. Escolhi estas 3 mas poderia ter escolhido outras, porque francamente também mereciam. O Gilberto Gil que me perdoe por ter ficado momentaneamente de fora. Grandes vozes (ai Ivete, Ivete…), interpretações e orquestrações soberbas, música brasileira no seu melhor.     

Espero que gostem. E boas férias, se for esse o caso.


fq

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