06 junho 2012

Diário de uma astróloga – [27] – 6 de Junho de 2012

O Signo de Gémeos

Nestes últimos dias tenho tido mais clientes do que o costume nascidos com o Sol em Gémeos! Não me admira, porque calculo que sentem o desassossego fora de vulgar de que está a ser alvo este signo.  Previsivelmente o Sol entrou em Gémeos dia 20 de Maio e aí ficará até 20 de Junho.  Mas há mais factores astrológicos que tornam a energia geminiana muito activa durante este período.

·      Eclipse do Sol – 20 de Maio
·      Mercúrio entra em Gémeos – 24 de Maio
·      Eclipse da Lua no eixo Gémeos - Sagitário – 4 de Junho
·      Duas Luas Novas – 21 de Maio e 19 de Junho
·      Vénus retrograda em Gémeos – durante todo mês
·      Raríssimo trânsito de Vénus (explicado no post anterior) – 5/6 de Junho
·      Júpiter entra em Gémeos onde permanecerá um ano – 11 de Junho

Sobretudo as pessoas que têm o Sol, a Lua ou a Ascendente em Gémeos, e mesmo aquelas que têm Mercúrio, Vénus ou Marte nesse signo estão mais agitadas, com mais ideias, enfim… num frenesim!
A constelação de Gémeos compõe-se de dois personagens míticos, Castor e Pólux, filhos de Leda, a rainha de Esparta. O deus Zeus mascarado de ganso seduziu-a, e ela deu à luz um filho imortal, Pólux. Com o seu marido teve outro filho, Castor, um mortal. Foram irmãos inseparáveis, tiveram imensas aventuras mas, infelizmente, Castor morreu ainda jovem. Pólux, cheio de desgosto, pediu ao seu todo-poderoso pai que lhe retirasse a condição de imortal para estar perto do irmão. Zeus acedeu e colocou-os no céu lado a lado. 


Constelação                                      Símbolo

Além de dualidade - dois personagens, dois pilares - temos também a noção de juventude e de irmãos ligados a este arquétipo. É pela casa 3 (Gémeos) que vemos assuntos referentes aos irmãos.  Quem tem o Ascendente (a face que mostramos ao mundo) em Gémeos parece mais novo do que sua idade. Em termos psicológicos a juventude de Gémeos pode-se manifestar com o complexo de Peter Pan, ou Puer Aeternus, sempre jovem, sem querer responsabilidades. Não é por acaso que as duas cançoes com o título “Forever Young” foram escritas por Bob Dylan (24 de Maio) e por Marian Gold dos Alphaville (26 de Maio). 
Os símbolos também mostram conexão – as mãos dadas, os elementos horizontais que ligam os pilares – e movimento – Castor e Pollux estão a andar, ou a correr. Assim, Gémeos é a energia de comunicação por excelência: estabelecer ligações, networking, conversar, informar, escrever, contar histórias. 
Sempre em movimento, as pessoas com muita energia geminiana não conseguem estar quietos, perpétuamente curiosos, o que lhes dá uma reputação de instabilidade e inconstância mas também uma enorme capacidade para multitasking, para serem versáteis. É o malabarista do zodíaco, capaz de manter várias bolas no ar, de lidar com pessoas muito diferentes, de se sentir à vontade em qualquer sítio. 
O planeta Mercúrio governa o signo de Gémeos cujo elemento é Ar (função mental) e modo de actuar é Mutável (distribuidor de energia). A necessidade arquetipal de Gémeos é reunir informação e disseminá-la – ao telefone, pelo Facebook, como jornalista, como escritor. E depressa, porque processa informação a uma velocidade impressionante. Virgem, o outro signo governado por Mercúrio, decide se a informação é útil ou não, e Sagitário, o signo oposto ao de Gémeos, filosofa sobre o significado da informação. Gémeos não estão preocupados com valores morais, mantêm uma atitude aberta. Como mercúrio (o metal) são fluidos, flexíveis e não se deixam apanhar facilmente. 
No mundo animal associo o beija–flor e o papagaio a Gémeos. O ténis, desporto onde a bola passa no ar de um jogador para o outro, está cheio de Gémeos; perguntem ao Nadal, Djokovic, Agassi e sobretudo à sua mulher, Steffi Graaf, a mais premiada jogadora da era moderna. 
Dêem puzzles às crianças Gémeos, joguem Scrabble e cartas com elas, comprem-lhes livros, ensinem-lhes línguas. Como o Peter Pan que tem sempre vontade de voar pela janela à procura de novos mundos, deixem-lhes as portas do conhecimento abertas, livrem-nas dos grandes medos deste signo – ignorância e aborrecimento. 
Não percam tempo a cozinhar para Gémeos – preferem falar e comer umas coisas à mão. Aliás mãos, braços, ombros e o sistema respiratório são regidos a este signo. E sobretudo nunca perguntem a um Gémeos “Porque é que vais fazer isso?”.  A sua atitude experiencial relativamente à vida impede-os de responder a não ser com “E porque não?”. 
Como tenho o Sol, Lua e Mercúrio em Gémeos e vivo num dualismo permanente, vou dedicar dois posts a este signo. Neste expliquei as características principais do signo e no próximo falarei sobre dois nativos de Gémeos, artista gráfico M.C. Escher (17 de Junho) e Fernando Pessoa (13 de Junho), que sabia umas coisas sobre desassossego.



Luiza Azancot

05 junho 2012

Duas últimas


Hoje compenso alguma economia com que vos poupo no texto com 3-músicas-3 de Sandy Denny, cantora e compositora que foi nome maior da folk britânica e mundial. Uma voz de estarrecer (e comover!), que não se ouve sem um estremeção. Música quase obrigatória em minha casa, sempre ouvida com boas e renovadas sensações.

Terá atingido o seu apogeu com os Fairport Convention, em finais dos anos 60 e, como vários outros grandes músicos desse tempo, a vida que levava, de excessos e desequilíbrios, amores e desamores, fez-se pagar muito cedo, tendo Sandy desaparecido em 1978, com 31 anos, na sequência de uma violenta queda numas escadas de que nunca recuperou. Voltara aos Fairport e gravara, nos anos imediatamente anteriores, alguns dos seus álbuns mais conhecidos.

Como li na internet, “ falar do folk inglês sem falar de Sandy Denny ou Fairport Convention, é como ir a Roma e não ver o Papa”!

Espero que gostem das músicas, desejando que as ditas não tenham sido já postadas neste blogue. Se estiver errado acho, em todo o caso, que qualquer uma delas vale uma nova audição!


fq






04 junho 2012

Vai um gin do Peter’s?

Em países tão distintos como os EUA ou a Bélgica têm sido ventiladas mensagens, através da publicidade, a alertar para as vantagens do trabalho de equipa que, bem sintonizado, permite atingir efeitos surpreendentes.

Sabemos quanto esta mensagem acaba por ser recorrente, ao longo da história, embora com tónicas distintas. A novidade, na nossa época, reside na relevância reconhecida ao grupo, quando antes se tendia a atribuir o mérito maior à chefia, considerada decisiva para a convocação individual e subsequente orquestração dos contributos pessoais. Seria, por isso, a grande força geradora de um colectivo devidamente articulado e capaz dos maiores feitos. Aliás, é dos talentos mais exaltados no Santo Condestável ou no grande Vice-Rei da Índia – D.Afonso de Albuquerque, ou no Príncipe Perfeito – D.João II, tudo figuras ímpares. Ninguém duvida de que fizeram a diferença.

Ainda assim, em quantos episódios do passado não ficou ofuscado o papel crucial dos chefiados? A Segunda Guerra, situada num passado mais recente e muitíssimo documentado, é pródiga em exemplos destes, logo a começar pela resistência intrépida do povo russo, assim como na combatividade dos japoneses, na eficiência bélica dos alemães, ou na coragem e no ânimo da Grã-Bretanha, de que Churchill e a Rainha Mãe(1) foram apenas as faces visíveis.


Aproximando-se da mentalidade actual, a Microsoft lançou um spot sugestivo, a mostrar enorme respeito pelos seus colaboradores e oferecendo-lhes um ambiente de fácil entendimento e complementariedade, numa ousada proposta de felicidade: «Happy is a finely tuned business». Sim, há um líder, sob a forma de maestro, porque tudo é musical e incrivelmente agradável. Mas cabe-lhe, acima de tudo, gerir os talentos insubstituíveis dos trabalhadores. Significativamente, são os utensílios do coffee-break os instrumentos da banda Microsoft, que se diverte num open space paradisíaco. Dão-nos a ideia de que profissionalismo e realização pessoal são duas faces da mesma moeda, muito para lá da mera satisfação do chefe. A empregada, que passa no corredor, confirma a qualidade de uma actuação maravilhosamente sincronizada. Percebe-se que todos saboreiam o gozo de funcionarem primorosamente, em conjunto:



Num sentido diverso, sem apelos indirectos à produtividade laboral (seja no mundo empresarial, seja para fins militares), um par de curta-metragens belgas pretende convencer os cidadãos a preferir os transportes públicos. A persuasão baseia-se nos benefícios do grupo, em detrimento de quem actua isoladamente, ainda que parta de uma situação de vantagem explícita. Uma reflexão muito útil para contrapor a onda de individualismo que grassa no ocidente rico. A expressividade e o humor destes desenhos animados falam por si, sob o slogan: «It’s smarter to travel in groups».

3 Trailers diferentes:



Curiosamente, nem sempre o que é smarter é o mais apetecível. Além disso, há fases e circunstâncias bem díspares, ao longo da vida, havendo uma hora para privilegiar o grupo, outra para seguir um trilho pessoal, a sós. Importa, assim, discernir os diferentes tempos e, na hora de sermos muitos, garantir a boa sincronia. Nada óbvio, embora o resultado parece compensar o esforço, sobretudo se for a opção que nos leva mais longe.
  
Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1) Significativamente, Hitler considerava-a a mulher mais perigosa da Europa, pela sua imperturbável bravura nas visitas aos escombros deixados pelas bombas da Luftwaffe, no acompanhamento regular às vítimas da guerra, no apoio ao Primeiro-Ministro em todas as mensagens de ânimo dirigidas aos militares nas frentes de batalha, além da recusa liminar para deixar Londres, apesar dos ataques contínuos com as temíveis “bombas voadoras” (V- flying bombs) alemãs.

03 junho 2012

Santíssima Trindade


À maneira da Trindade

Haver um domingo chamado “da Santíssima Trindade” quase parece uma contradição, como se os outros não o fossem também. Mas é fundamental não esquecermos que acreditamos em Deus que é Um e Trino, que é comunhão de Pessoas, e é na sua intimidade que queremos viver. Assinalar neste domingo a Igreja Diocesana, como fazemos em Lisboa e em outras dioceses, é fazer da comunhão a opção fundamental de viver a fé e de estar no mundo como fermento e luz. E também como sal, pois a grande sensação é que vivemos sem sabor e sem descobrir o sabor daquilo que é importante.
Maravilho-me com a simplicidade das últimas palavras de Jesus quando enviou os discípulos pelo mundo. Mais do que um plano, um mandato: “Ide”; mais do que uma organização, um tesouro a comunicar: “a Boa Nova”; mais do que regras e leis, uma vida em transformação:; mais do a garantia de sucesso, a promessa da sua presença. Na espantosa criatividade de levar Jesus e ser levado por Ele, de “a propósito e a despropósito” deixar a boca falar da abundância do coração, a Igreja aprende na escola do Espírito Santo como chegar aos corações e à vida das pessoas. É a pastoral da proximidade, do gosto dos outros e de tudo o que lhes diz respeito, do encanto em descobrir como Deus habita o íntimo de cada um. Ultrapassando a atitude de quem se julga acima, mais puro ou mais santo, mais íntimo do sagrado ou mais dono da verdade, e descobrindo que Deus se fez próximo também para nos humanizar, para não aprisionarmos o pensamento nem o coração, para que as nossas palavras sejam vivas e não repetições vazias de fórmulas. Não precisam de andar juntas a fé e o amor?



P. Vítor Gonçalves, tirado daqui


EVANGELHO - Mt 28,16-20


Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara.
Quando O viram, adoraram-n'O;
mas alguns ainda duvidaram.
Jesus aproximou-Se e disse-lhes:
«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todas as nações,
baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei.
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

02 junho 2012

Pensamentos impensados


Este é a sério
Não percebo muito bem a saudação o Senhor esteja convosco. Ele está sempre connosco, nós é que nem sempre estamos com Ele.
 
Más contas
Credor penso que virá do latim credo que deu em português creio. A ser assim, credor é aquele que acreditou que o outro pagava.
 
Sotaques
à vezes oiço na TV qualquer coisa como despacho de pronúncia, que não faço ideia do que seja. A única coisa que me vem à cabeça é o Mário Soares a dizer mon ami Miterã.
 
Etimologia
O dono deste estabelecimento escreveu qualquer coisa a explicar o que queria dizer exuberante; permito-me discordar. Para mim exuberante é o leite como se pode ver dissecando a palavra em questão. Ex quer dizer fora de, e úbere significa teta.
Repito: exuberante é o leite.
 
Calorias
Chocolate de leite em italiano diz-se choco-latte.

SdB (I)

31 maio 2012

Deixa-me rir...

Caros Audiophiles, so many musical R.I.P.s since my last post - Davy Jones of the Monkees, Levon Helm of The Band, Bernardo Sassetti, Donna Summer, Robin Gibb.
What more needs to be said about Robin Gibb and the Bee Gees? Phenomenal success as singers, and as songwriters for other artists, during six decades of changing styles. As composers in the rock era they are second only behind Lennon & McCartney.
Here is a medley of some of their early hit songs, my favourite period of their career, exemplifying their wonderfully catchy melodies, and their vocal harmonies featuring in particular Robin's distinctive quivering emotive voice:



In recent months Robin Gibb was interviewed several times. Although he still looked terribly emaciated, he was ecstatic because he thought he had conquered cancer, and he stated that his goal throughout his illness was to be healthy enough to attend and perform at the world premiere of Titanic Requiem which he composed with his son for Titanic's centenary commemoration. He was a determined fighter and an optimist. Sadly he did not achieve this ambition, but here is one of the songs from his first classical, but final, composition:



Levon Helm was the drummer and co-vocalist of The Band, who first achieved fame as Bob Dylan's touring group in the late 60s/early 70s before finding their own critical success with two classic albums which defined a new sensibility in Americana folk traditions.
I first discovered them in 1978 through Martin Scorsese's The Last Waltz, the film of The Band's final concert. They were so captivating that I remember feeling a strange sense of 'deja vu' that I already was familiar with their personalities and their music. All five musicians were multi-instrumentalists, four of them shared lead vocals, and all of them composed. Super-talented. And so respected that their concert featured many former collaborators and inspirations such as Bob Dylan, Neil Young, Joni Mitchell, Van Morrison, Neil Diamond, Eric Clapton, Emmylou Harris, the list goes on...and it is, in my opinion, the best concert film ever.
So here is Levon Helm singing one of their best-known songs, about the American Civil War and the dignity and suffering of the defeated 'dixieland' Southern confederate states.



A proxima.
PO

30 maio 2012

Ponto de Vírgula

No que toca aos hábitos alimentares, os meninos bem comem sempre em casa. Como as famílias são geralmente muito grandes (de resto, como sucede com o populacho), a comida é quase sempre do tipo rancho, ou sempre servida com muito puré de batata.
Os queques estão sempre a almoçar e a jantar fora, em grupos grandes com muitos rapazes e raparigas a exclamar: “Ai, já não há pachorra para o quiche lorraine!” Aqui se denunciam as suas verdadeiras origens sociais. Para um menino bem, comer fora é uma espécie de solução de emergência, quando não dá jeito comer em casa. Para um queque é um prazer.
Nas casas bem, a qualquer hora do dia, há sempre uma refeição a ser servida a um número altamente variável de crianças, primos, criadas, motoristas, tias, etc.
Nas casas queques as refeições variam conforme os convidados. Nas bem são sempre rigorosamente iguais. Os queques têm a mania dos restaurantes – conhecem-nos tão bem como os meninos bem conhecem (e odeiam) as cozinheiras. E os betinhos? Os betinhos tentam evitar as refeições o mais possível. Comem sozinhos em casa (os betinhos tendem a ser filhos únicos) ou levam betinhas a jantar. Porquê? Porque têm a paranóia de serem “descobertos” através dos modos de estar à mesa. Mas, na verdade, só são descobertos pelo seu excesso de boas maneiras. Um betinho à mesa está sempre “rijo”, atento, receoso de tirar uma azeitona por causa do terror de não saber lidar com o caroço.



Quiche Lorraine

Ingredientes:

250 grs de farinha
125 grs de manteiga ou de margarina
1 ovo
1 colher de sopa de água
150 grs de toucinho fumado (bacon)
1 colher de sopa de manteiga
3 ovos
3 dl de natas
sal, pimenta, noz-moscada

Preparação:

Prepare uma massa quebrada com os ingredientes. Depois de descansar, estenda a massa, forre com ela uma forma de tarte, pique o fundo com um garfo e leve a cozer em forno quente (200ºC) durante 15 minutos. Deixe arrefecer.
Entretanto, corte o bacon em tirinhas e leve-as a ferver num pouco de água durante 5 minutos. Escorra bem e depois frite as tirinhas de bacon com a manteiga. Obtém-se aquilo que é designado por lardons. Espalhe o bacon no fundo da tarte.
À parte, bata os ovos com as natas e tempere com sal, pimenta e noz-moscada. Deite sobre os lardons e leve a forno médio (180ºC) durante cerca de 25 a 30 minutos.
Sirva a quiche lorraine morna ou fria.
Pode juntar à quiche um pouco de queijo gruyère cortado em falhinhas ou ralado.

Nota: receita retirada daqui

MFM

29 maio 2012

Duas últimas


1978, como tantos outros ano, foi marcado por inúmeros acontecimentos.

No domínio da religião, a Igreja Católica viu morrerem dois papas – Paulo VI e João Paulo I – e ser eleito um, João Paulo II, que tanta importância teria para Portugal e para o resto do mundo.

Em Portugal, Nobre da Costa substituía Mário Soares como primeiro-ministro de Portugal. Quase três meses antes nascia Laetitia Casta, a francesa que, inquirida quanto à sensação de ter sido escolhida para modelo de Marianne, o símbolo da república de seios desnudos e barrete frígio, diria do alto do seu corpo magnífico de cidadã: chouette, quoi...

Ainda nesse ano tornavam-se independentes as Ilhas Salomão, a República Dominican e Tuvalu - sendo que este estado da Polinésia poderá desaparecer devido ao aquecimento global.

No campo das artes, a Bienal de Cerveira, em Vila Nova de Cerveira, abria as portas pela primeira vez, e faleciam Vitorino Nemésio e Ruy Belo, o poeta que escreveu E tudo se passava numa outra vida / 
e havia para as coisas sempre uma saída / 
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer
 / 
Só sei que tinha o poder duma criança / 
entre as coisas e mim havia vizinhança /
 e tudo era possível era só querer. Isaac Bashevis Singer – um nome de que ignorantemente nunca ouvira falar - era nomeado Prémio Nobel da literatura.

Dallas, uma séria norte-americana sobre dinheiro, vingança, sexo, paixão, sede de poder e intrigas familiares surgia na televisão pela primeira vez, apresentando JR, o temível, e Pamela, a exuberante (do latim exuberante, particípio presente de exuberare - abundar, transbordar).

Louise Brown, o primeiro bebé proveta, nascia a 25 de Julho, no mesmo ano em que surgia a primeira drive de disquetes.

No campo da sétima arte, entre as dezenas de filmes que surgiram num cinema perto de nós, destaque-se O Caçador, vencedor de cinco Óscares.

Ainda neste ano, Gabriel Schaaf grava Põe os Teus Braços à Volta de Mim, cantado com um ligeiro sotaque portista que lhe dava um encanto especial. Não descurem quem lhes fizer um pedido semelhante. 

JdB


28 maio 2012

Músicas dos dias que correm



Amigo aprendiz (Fernando Pessoa, Tiago Bettencourt), um dos temas de Fados de Amor, o novo disco de Rodrigo Costa Félix.

Fórmula para o caos


O país não podia viver eternamente sem efectuar este ajustamento entre receitas e despesas. Durante vários anos, fomos vivendo a crédito. Vivíamos do que não produzíamos. O financiamento, graças à moeda única, foi conseguido a custos relativamente baixos face à fraca solidez da nossa actividade económica. Foram muitos os que disseram que isso duraria para sempre. Garantiram que, com a adesão ao Euro, o desequilíbrio externo nunca mais seria um problema. Porém, esse facto não se veio a confirmar e a fonte (leia-se mercados) secou. Os investidores deixaram de acreditar na nossa capacidade de reembolsar as verbas investidas nos títulos soberanos.

Como consequência, Portugal vive mergulhado numa crise cada vez mais preocupante, em que a luz ao fundo do túnel parece cada vez mais distante e difícil de alcançar. Por isso, o programa do governo é um mal necessário. Necessário, mas insuficiente. São cada vez mais as famílias que não conseguem cumprir as obrigações financeiras. Há cada vez mais denominados novos pobres. Visto que o Estado, fruto das irresponsabilidades cometidas em sucessivas legislaturas, não dispõe de recursos para chegar a todos os que necessitam, emerge a Sociedade Civil. Vem à tona a solidariedade nacional. Esta semana foram duas as instituições a destacarem-se: Banco Alimentar Contra a Fome e Associação Ajudar Uma Família. Bem hajam! 

Pedro Castelo Branco

27 maio 2012

Domingo ....... Se Fores à Missa!

Hoje, o Evangelho fala-nos do Espírito Santo.  Para mim, o Espírito Santo reveste-se de duas vertentes importantes: inspiração/sabedoria e envio/acção.

Relativamente à primeira vertente, confesso que invoco muitas vezes o Espírito Santo, quando preciso de tomar uma decisão mais difícil ou quando preciso de inspiração para qualquer trabalho ou conversa.  Acredito, totalmente, no seu poder de sabedoria, discernimento e envio.  Não o vejo como uma coisa etérea, inatingível; muito pelo contrário, sinto-o muito presente e concreto quando o invoco.  Basta sentar-me, de olhos fechados e fazer uma pequena oração, tipo “vem, Espírito Santo, inunda-me de tranquilidade ... ou sabedoria ...... ou inspiração .... ou discernimento” ..... ou qualquer outra virtude que eu necessite, na altura e, de facto, ele actua.  Não sei se é acção directa dele ou se é efeito psicológico, ou se é acção de Deus, através dele; não sei dizer, mas o mais importante é que nos disponhamos a recebê-lo nos nossos corações e ele arranjará maneira de lá entrar.

Relativamente à segunda vertente, o envio, sinto que é nossa obrigação, como cristãos, não nos fecharmos em nos próprios, não nos fecharmos numa relação exclusiva com Deus. Muitos católicos que conheço, dizem ter a sua “própria” relação com Deus e esse tipo de relação, muitas vezes, serve de desculpa para não ir à Missa, ou não fazer direcção espiritual ou não ir à confissão. Cada um de nós, pode e deve ter a sua própria relação com Deus, é certo, mas o que não podemos de forma alguma fazer é guardar para nós próprios os frutos dessa relação.  Nenhuma relação de amor consegue sobreviver muito tempo, se não for aberta e partilhada com a família, com os amigos e com a comunidade.  “Amor e uma cabana” não resulta com o amor de Deus. Sendo recipientes desse amor, temos de o levar aos outros e quanto mais damos, mais recebemos. A fonte é inesgotável.

O Pai cria-nos, o Filho ama-nos, o Espírito envia-nos.

Domingo, Se Fores à Missa ............... Deixa entrar o Espírito Santo!

Maf

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

26 maio 2012

Pensamentos impensados


Recenseamento
Como é que se chamam os habitantes das  Ilhas Desertas?
 
Os extremos tocam
Com as extremidades dos meus dedos toco piano e guitarra.
 
O zero...
Por vezes diz-se: não vales nada, és um zero. Nada mais errado.
O zero é poderoso: se o colocarem à direita de um número, este fica logo multiplicado por dez. (Eu, se comprar acções na bolsa, acabo logo dividido por dez).
Agarrem no maior número que conheçam e ponham-lhe um zero à esquerda e um pontinho, esse número acaba reduzido a menos que a unidade. É obra!
O zero também é misterioso: qualquer número elevado a zero, é igual a 1.
Para mim é um mistério maior do que o caso Freeport.
 
....e o infinito
O infinito é representado por um 8 deitado; dir-se-á que é preguiçoso; nada mais errado.
O infinito é poderoso; experimentem subtrair-lhe 8; continua infinito. Vamos mais longe e vamos subtrair-lhe 887336673398; continua infinito.
Qualquer número dividido por si mesmo é igual a 1; experimentem o mesmo com o infinito e o resultado é uma coisa que se chama símbolo de indeterminação, ou seja, um mistério maior que o caso Face Oculta.
Enquanto qualquer número dividido por si mesmo é igual a 1 (vidé explicação anterior) com o infinito já não se passa o mesmo, pois fica uma trapalhada maior do que os casos Isaltino Morais. 

SdB (I)

25 maio 2012

sim, lembro-me-te




nunca acumulou fotografias, polaroids, retratos, photomatons.

tinha a secreta esperança de que assim espantaria os espíritos
de tudo o que o despertava alta noite dentro, esse berbequim
obsceno e dilacerante (ocorrem-lhe palavras: cenotáfio, memento,

dor).

rectângulos de papel, cheios de ferrugem e de esquinas dobradas
pelo tempo; quadrados de película, fixando para sempre o que não
existirá outra vez. o que, se calhar, não terá nunca existido, senão
bem dentro da sua delirante cabeça (ocorrem-lhe palavras: estalar,

dor).

dois ódios de estimação o acompanhavam vida fora, desde menino:
estatuetas, daquelas bem vivas; e arquivos, daqueles bem mortos.

(pudesse ao menos apagar as palavras que lhe rebentam os dedos.
e as memórias.)

gi

Moleskine

Acções dos dias que correm


Livros. Leio O Teu Rosto Será o Último (João Ricardo Pedro, Prémio Leya 2011). Da contracapa: Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí. Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes, quando lho levaram ao consultório muito ferido. Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África e conheceu a madrinha de guerra numa livraria. Ou mesmo do neto, Duarte, que um dia andou de bicicleta todo nu. Se me perguntarem se recomendo digo que sim. Mas cada um sabe de si...

Efeméride. Morreu esta semana um dos irmãos Gibb. Os Bee Gees fazem parte do meu imaginário e atravessam várias épocas, das piores, materializadas no Saturday Night Fever, a outras melhores, que deixam recordações imorredouras. De entre as muitas músicas que poderia escolher decidi-me por uma que já aqui postei. Remete-me para os princípio dos anos 70, para uma nostalgia de felicidade juvenil. 



Exposições dos dias que correm.
a venda de três quadros reverte a favor da Fundação Agir Hoje, que apoia famílias em situação de sobreendividamento (www.agirhoje.org)


JdB

24 maio 2012

Falando do nada


Confesso que nunca morri de amores pela arte de escrever de Miguel Esteves Cardoso… assim como vos confesso que tive uma tremenda e incómoda resistência para conseguir terminar de ler uma única obra do nosso antigo Nobel da literatura Saramago…bem como mantenho uma tremenda dificuldade em entender o  porquê de tanta insistência/apoio no eterno/futuro candidato ao mesmo prémio Lobo Antunes. Falta de formação literária dirão uns… pobreza de sensibilidade dirão outros… presbiopia galopante,  diagnosticarão aqueles que pretenderem ser mais afectivos.

Apresentada que está perante vós a minha penitência cinjo-me ao que conduz à minha partilha de hoje: refiro-me aos acontecimentos que têm brindado a vida do casal (convido-vos a ler os textos incluídos no final)  Miguel Esteves Cardoso (MEC) e Maria João (sua esposa que padece de cancro). Depois da devida e necessária subtracção da esperada mediatização que o assunto mereceu (e ainda merece) não consegui evitar, num determinado momento,  que uma profunda onda de alegria e satisfação me invadisse. Como naturalmente  muitos de vós tive a oportunidade de ler o artigo de MEC antes de sua mulher ser sujeita  a uma cirurgia. Li e reli…mastiguei e cuspi.

Mas quão depressa também me arrependi. Estremeci ao recordar o quanto frágil também sou e que,  como  ser de emoções reajo também frequentemente de forma compulsiva e bruta…e quantas vezes a roçar a blasfémia pergunto eu?  Invadiu-me então a necessidade de me sentir novamente um ser de paz e resolvi reler o texto mas agora com a “capa de cordeiro”, com o meu outro eu. E pasmem-se: gostei do que li!!! Descobri naquele “ bilhete” a partilha de um turbilhão de sensações, emoções e sentimentos capazes de tocar a mais “alma danada”. Desde uma raiva surda a um quase  desespero criado pela súbita tomada de consciência da impotência humana para alterar o normal  desenrolar dos acontecimentos…ao misto de medo e quase terror da possível perca de algo precioso na sua vida…o quase conseguir-se “ouvir” o grito que clama:  ajudem-me…e no final  essa coisa maravilhosa que deus depositou nas nossas mãos e que MEC fez questão de partilhar com quem quis ler a sua crónica: o seu amor por Maria João e o papel do mesmo na sua vida: sem tabus, sem medos ou vergonhas, despido de preconceitos, sem a necessidade de qualquer tipo de adorno ou “maquilhagem”…apenas ele….o ser…que partilha o seu amor por alguém, o significado e importância desse alguém nas mais singelas e simples decisões do seu quotidiano. O homem que se apercebeu que mais não é que um simples e mero espectador e que neste momento precisa de aplaudir a actriz que o acompanha na  peça que é a sua vida clamando para que não abandone o palco. Mas o ser vai mais longe: por muito que lhe  possa custar por tornar público esse acto reconhece a sua fragilidade e vira os olhos e o coração bem para o alto clamando por justiça e compaixão divina… para onde eventualmente não esperaria ter de interceder…o ser, o homem reconhece a sua insignificância e procura em desespero uma resposta ou  saída onde na realidade tudo começa e tudo se define: nas mãos do criador!  Respiro profundamente e penso compreender a sua dor. E respeito-o.

Li a crónica onde descubro que Maria João já voltou para casa. Eu próprio consigo sentir algum conforto com a notícia, confesso. Degusto a  suave narrativa de MEC que acompanho  com um sorriso de quase cumplicidade e vou absorvendo um pouco da sua alegria, quase felicidade,  de quem volta a ter nas suas mãos o seu brinquedo preferido fazendo renascer em si as mais bonitas e saborosas sensações. E desde a primeira palavra até ao final da sua narrativa é um verdadeiro escorrer de emoções, de declaração de amor em declaração, um verdadeiro hino a uma  comunhão de vida feliz e que se pretende reforçar e perpetuar. Quase que é, às tantas, possível cheirar o perfume de rosas que todo o seu romantismo carrega. E como homem congratulo-me e fico feliz também. E também não deixo de parar para pensar na importância do papel de uma verdadeira mulher na vida de um homem. E penso: quantas vezes as valorizamos como o merecem?...quantas vezes somos verdadeiramente merecedores do seu afecto e amor?...quantas vezes lhes recordamos e agradecemos o facto de serem um dos principais pilares e suporte da nossa existência?...de quanto em quanto tempo pensamos e sentimos  verdadeiramente na falta que nos fazem? Lembro-me muito bem de um dia me terem dito algo parecido com isto: “queres saber a importância de uma pessoa na tua vida? Pensa então que ela vai desaparecer e descobrirás”.

Acho preferível não tomar este rumo e reconhecer atempadamente o que Deus me coloca nas mãos. E ao tomar esta decisão lembro-me que estou em falha para com Ele. Já lhe agradeci o que me deu ontem? E o que deu hoje? E mesmo tendo-me esquecido dele, ao menos valorizo o que tenho? Perdoa-me, Senhor pela minha ingratidão! Quero dizer-Te humildemente obrigado por tudo aquilo que me ofereces e peço por todos aqueles que se cruzam na minha vida e que me dês a especial bênção de os saber acarinhar e valorizar devidamente!

E de repente uma pequena tristeza assombra o meu pensamento: reparo que na sua segunda crónica MEC já não faz referência ao divino…e que não faz o devido agradecimento por ter o seu “brinquedo” de volta . Tem no entanto a capacidade de comunicar e partilhar o seu amor com os outros. Acredito que seja a mão dele a guiar a sua pena neste momento. E acredito que um dia MEC vai saber e querer agradecer.

JC



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