O evangelho de hoje fala-nos de esperança, de não desanimar, fala-nos da importância da oração. Quando li esta passagem, a tendência imediata foi a de (des)identificar-me com aquele juiz; homem austero, prepotente, desrespeitador e que, pelos vistos, não sentia qualquer tipo de compaixão pela pobre viúva. Graças a Deus não sou assim, pensei ! Adiante, este evangelho não é para mim. Outros que o oiçam e encaixem a carapuça. Mas, depois, numa análise mais atenta (é no que dá, quando aceitamos comentar evangelhos em blogues de amigos J ) e de uma forma totalmente natural e crescente foi surgindo na minha mente a importância da personagem da viúva. E percebi que a mensagem principal deste evangelho reside na atitude da viúva e não no juiz. Ora não se esqueçam que uma viúva, naqueles tempos, não valia nada. Pertencia à mais baixa das classes. E um juiz era alguém de muita importância. Além disso era um juiz que não tinha medo de nada nem de ninguém; e mesmo assim, o que fez a viúva ? Uma e outra e outra vez, sem desanimar, ia à presença do juiz e pedia-lhe justiça. Aquela mulher foi muito corajosa, demonstrou uma fé enorme e no final teve a sua recompensa.
O evangelista vai mais além e, por outras palavras, diz-nos o seguinte: se até um juiz mal encarado atende as preces duma viúva, quanto mais Deus não há-de ouvir as nossas ! A mensagem é clara: não desanimemos, não percamos a fé mesmo se acharmos que não estamos a ser ouvidos. Cristo pede-nos que oremos sem cessar e sem desanimar.
Na minha vida do dia a dia, nos meus ambientes, nos meus grupos de oração, tenho sentido muito em concreto o poder da oração. Não há dúvida de que somos ouvidos. E não tenho dúvidas de que somos atendidos. Podemos não o ser no tempo e na forma que esperávamos; mas, mais cedo ou mais tarde, acabamos por ver a resposta. Paciência é a palavra de ordem de hoje.
Domingo, Se Fores à Missa ……… Não Desanimes !
Maf
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?».
Palavra da salvação.

