20 julho 2011

Diário de uma astróloga - 20 de Julho de 2011

Amor e a Astrologia

Já passei uns dias de férias com três dos meus netos. São evidentemente  giríssimos, lindos,  mesmo os mais bonitos do mundo, desejo protegê-los, sou-lhes dedicada, enfim adoro-os.  No ultimo post perguntei a mim própria se o amor de uma avó é tão incondicional como o de uma mãe.  Definição de amor incondicional: aquele que não depende das acções nem das qualidades do outro.

Tenho a certeza de que o meu amor pelo pelo pai deles, meu filho, é incondicional, uma vez que ele já testou essa minha capacidade.  Os meus netos são pequenos e ainda não se apresentaram situações que me esclarecessem.

Que me diz a astrologia, o prisma através do qual olho o mundo, sobre o amor? 

O amor é um sentimento, uma energia, uma força que qualquer pessoa no mundo reconhece independentemente da cultura, idade e educação. Mas é tão difícil de definir,  tão etéreo, tão sublime que não consigo vê-lo numa carta astral.

Porém, a astrologia ajuda a perceber as diferentes facetas do amor. Para uma melhor  compreensão de energias, situações, personagens, nós, astrólogos, usamos uma combinação de símbolos representados por planetas, signos e casas.

Amor protector que aceita e ouve, que defini como incondicional, e do qual falei no ultimo post, é representado por Caranguejo, Lua e casa 4. Muito diferente do amor romântico e dramático da adolescência. Quem não se lembra  dessa época e das emoções fortíssimas:  “Estou apaixonadissima/o… não consigo viver sem ele/a... não respiro, não como, se ele/a não gostar de mim não sou ninguém” que é representado por Leão, Sol e casa 5. 

Crescemos mais um pouco e nas nossas relações de casal procuramos um amor baseado em intimidade, harmonia, companhia, totalmente representado por Balança, Vénus e casa 7.  Para complicar mais as coisas, tenho duas amigas que conheço há mais de 45 anos com as quais tenho uma grande intimidade, ajudamo-nos mutuamente e temos sido testemunhas dos nossos sucessos, falhanços.  Apesar de nunca termos sido um “casal” tenho que classificar aqui a nossa relação de profunda amizade.

Porém, as relações de casal só são completas com amor paixão, sexo, vidas conjuntas, unidos até a morte.  Este tipo de amor vê-se através de Escorpião, Marte, Plutão, casa 8.

E não me fico por aqui: o amor fraternal que é representado por Aquário, Urano e casa 11.  Não se limita aos irmãos, estende-se aos amigos, aos membros dos nossos grupos ou, até, ao que sentimos pela humanidade em geral.  Os gregos referiam-se a este tipo de amor com a palavra Philia.  A cidade nos Estados Unidos conhecida como a cidade de “brotherly love” é Philadelphia.[1] 

E finalmente temos o amor infinito, união total com o Divino simbolizado pelo signo de Peixe, o planeta Neptuno e a casa 12. 

Não é por esta via que vou encontrar resposta  à minha pergunta inicial, mas sim dentro de mim e da minha capacidade de amar. Os netos na carta do céu situam-se na casa 9, sendo o planeta e o signo menos fiáveis como elementos interpretativos. Na casa 9 tenho o planeta Neptuno que, tal como os oceanos do qual é rei, não tem limites, não tem fronteiras. Parece-me que tenho boas hipóteses de gostar dos meus netos incondicionalmente, mas talvez não tão absolutamente como dos meus filhos.

Gostaria de saber a opinião dos meus leitores, sobretudo os que são avós, sobre a questão do amor pelos netos ser ou não incondicional. Uma das minhas leitoras, com um coração de oiro,  já se pronunciou na afirmativa.

Em qualquer relacionamento a comunicação é importantíssima.  Mercúrio, fica para Agosto
  
Luiza Azancot,


[1] Este  aparte não tem nada a ver com o resto do texto, mas eu sou Gémeos e por isso colecciono e partilho informações irrevelantes.

19 julho 2011

Duas últimas

Escrevo sob o signo da nostalgia. Quoi de neuf?, perguntariam os franceses (aplaudidos pelo meu amigo ATM)...

Este estabelecimento festejou, sábado passado, três anos de vida. No meu modesto apartamento ao Monte do Estoril, o nosso embaixador no Zimbabwe mata saudades do solo pátrio enquanto a troika não limita as férias. Hoje, mas há três anos, faltavam dezasseis dias para eu embarcar com destino ao país de Mugabe, numa viagem que me marcaria para sempre.

É difícil - e talvez desinteressante, digamos mesmo - descrever o gosto que tive naqueles dois meses. Não foi só, obviamente, a simpatia e amizade inexcedíveis com que fui recebido. Foi conhecer uma parte significativa da África profunda, menos turística, menos devassada, menos invadida por hordas de turistas que passam por tudo sem se deterem em nada; foi sentir a fragilidade mais confrangedora na ala das crianças com cancro de um grande hospital em Harare; foi encontrar as paisagens mais deslumbrantes, os ocasos mais inesquecíveis, as cores e os cheiros que me acompanharão para sempre; foi conhecer o encanto dos jacarandás em flor e a ternura das crianças fardadas em bandos;  foi dessedentar-me com um gin tónico ao pôr-do-sol, quando a poucos metros um rinoceronte fazia o mesmo num charco; foi subir ao monte Ngomakurira e perceber onde está o infinito.

Escrevo hoje, tendo na memória esse tempo que ficou cá dentro como mais nenhum ficou. Dessa época guardo também o Mia Couto e uma frase com que me cruzei e que, como tantas coincidências significativas, não pode ser vista à luz de um tempo que é, mas de um tempo que vai sendo. Como se as coisas verdadeiramente importantes fossem um percurso, mais do que um destino, ou  o mistério dos encontros e desencontros fosse algo resplandecente e tivesse, só por si, um brilho que perdura e que ilumina a bacidez dos dias.

A vida é uma casa com duas portas. Há uns que entram e que têm medo de abrir a segunda porta. Ficam girando, dançando com o tempo, demorando-se na casa. Outros se decidem abrir, por vontade de sua mão, a porta traseira. Foi o que eu fiz, naquele momento. A minha mão volteou o fecho do armário, a minha vida rodeou o abismo.

Passado este momento de nostalgia críptica tendo o Zimbabwe como pano de fundo, fechem os olhos e imaginem a sensualidade africana, que foi sempre um misto de tentação e libertação.

JdB

18 julho 2011

Vai um gin do Peter’s ?

É discutível se entra na categoria de cinema puro uma narrativa onde a imagem não esgota o que o filme pretende mostrar, assemelhando-se a um aperitivo do universo invocado pela voz-off, que verbaliza o pensamento do protagonista. O implícito sobrepor-se ao explícito foi a opção pouco convencial de Terrence Malick, consolidando o estilo malickiano.

Licenciado em filosofia, tradutor de Heiddeger, tendo deixado o doutoramento incompleto, em Oxford, por desentendimento com o orientador da tese, Malick exibe um currículo nada hollywoodiano, realizando filmes a um ritmo anti-comercial, com intervalos de 10 a 15 anos! Todos estes desvios ao padrão podem ajudar a enquadrar «A ÁRVORE DA VIDA»(1), que  cruza a biografia de um ser humano com a evolução do planeta.

Convoca-se nada menos do que a história da criação para enriquecer e propor uma leitura mais ampla da história da humanidade, ali representada por um cidadão da América profunda (Texas), nascido nos pacatos anos 50, numa família trivial da pequena burguesia. Uma explosão de banalidade que, sob o pano de fundo dos grandes ciclos de progressão do planeta, se eleva a uma sacralidade única. Porque recuando para o momento zero do planeta, ninguém duvida da importância de cada passo até à habitabilidade da terra. A partir daí, tendemos a banalizar a criação, valorizando-a apenas ao sabor dos subjectivismos. Assim, a introdução da escala cósmica rasga uma nova dimensão (agigantada) na pequena vida de um yuppie, sem outras referências para lá das memórias de infância.


Ao percorrer o passado, o yuppie acaba por afinar o olhar sobre o mundo e sobre a forma de interpretar o que viveu. De certo modo, a história do universo modifica-se ligeiramente nele e com ele, como se a mudança operada no seu interior se repercutisse no pulsar do cosmos! Malick arrisca justapor o infinitamente grande ao infinitamente pequeno, o maximamente insignificante ao aparentemente crucial, que é uma associação q.b. espontânea num crente. Talvez até seja das diferenças significativas entre quem tem fé e quem não tem.

Não é por acaso que os cognomes de Malick se focam na sua espiritualidade muito própria, parecendo ignorar os atributos de cineasta: «ermita», «monge», «impressionista», «experimental», etc. Os desabafos de Brad Pitt e do Director de Fotografia, Emmanuel Lubezki, são bem expressivos de uma atitude incomum, para dizer o mínimo, num realizador: «So the actors are performing the dialogue, but Terry (Malick) isn’t interested in dialogue. So they’re talking, and we’re shooting a reflection or we’re shooting the wind… Photography is not used to illustrate dialogue or a performance. We’re using it to capture emotion so that the movie is very experiential. It’s meant to trigger tons of memories, like a scent or a perfume.»

A fotografia é dos pontos fortes do filme, premiado com a Palma de Ouro em Cannes. Superabundam as vistas aéreas a uma intensa actividade vulcânica ou ao demais esplendor da natureza, sobrevoando paisagens magníficas dos EUA, de Itália (cf locais na nota-de-rodapé) e da abóbada celeste.


Ao desfiar a memória, Jack (Sean Penn) entrega-se a deambulações pessoais, totalmente alheadas do presente yuppie, para mergulhar interiormente nos passos decisivos do seu crescimento, parecendo reajustar o que guarda dessa memória. Como se houvesse responsabilidade no olhar com que cada um encara e recria o passado. Os primeiros momentos são recordados gloriosamente, numa inocente celebração da vida. Saboreia-se o espanto perante o mistério da pequenez, da fragilidade, perdida num universo imenso… não fora a protecção paternal.   


Há uma tonalidade levemente onírica neste longo flash back, que nos remete para o espaço de subjectividade do protagonista, para lá dos factos em si. Aliás (conforme me alertou um amigo investigador), a câmara situa-se ao nível dos olhos da criança, mostrando um universo desfigurado pela escala infantil.

À infância segue-se o olhar crítico do adolescente, a distanciar-se dos antigos tutores – em primeira instância, dos pais– e dos seus ensinamentos, nem sempre condizentes com a prática. Aqui introduz-se a primeira perturbação, que se agrava com os reveses da própria família (agora encarada com reservas e objecções, sem a confiança pueril dos pequeninos), até ao momento de ruptura, causado pela morte prematura do irmão querido, aos 19 anos de idade! Curiosamente, nem o ciclo de vida do planeta, sobejamente mostrado no filme – onde há lugar à morte e ao despontar das sucessivas gerações– atenua minimamente aquela perda. Porque a história individualizada –i.e., na perspectiva de quem ama– torna o protagonista único e insubstituível. Aliás, amar é só reconhecer isso. Gabriel Garcia Marquez exprime-o lapidarmente: «Podes ser apenas uma pessoa para o mundo, mas para alguém tu és o mundo». 

Não por acaso, o filme abre com a notícia da perda do tal irmão, na perspectiva dos pais, dilacerados por uma dor indizível. É a partir desta incompreensão e até revolta contida que a película se lança na exploração incessante do sentido da vida, desde o alvor dos tempos.

Depois de Jack revisitar o passado, percorrendo esse património pessoal da história guardada num arquivo de escolha (e de responsabilidade) afectiva –tendo presente que a memória humana envolve dramaticamente a afectividade e a liberdade– o final desvenda uma resposta possível, ou melhor, uma atitude possível face à tragédia da morte. A resposta generosa da mãe liberta-a e contagia toda a família na mesma onda regeneradora, reunindo os vivos e os que já partiram, numa prefiguração da chamada «comunhão dos santos». A ponto de ser o momento de reconciliação de Jack com todo o passado, em especial com a aspereza e austeridade incompreensíveis (para ele) do pai. A dor vivida ganha algum sentido ou, ao menos, aceitação. E o imenso bem da infância e adolescência adquire uma limpidez, que nunca tivera olhos para reconhecer nem apreciar. É nessa viragem da idade adulta, despoletada pelo perdão e por um despojamento libertador, que recupera, com maior realismo, a paz que se extraviara na tenra idade.


Parecendo vaguear entre erupções vulcânicas e longos desabafos de um adulto com uma vivência familiar afinal rica, embora crivada de estilhaços dolorosos, a película abarca tanta memória, que se torna difícil digerir a pluralidade de estratos acumulados nessas duas horas (em boa verdade, a versão original dura oito, fortemente condensadas para ser comercializável). Ainda assim, focando-nos na voz-off, percebe-se como um passado bem revivido pode purificar a memória e reanimar o presente, reacordando o significado da vida, ainda que em flashes. Sobretudo, se o dia-a-dia for vivido em diálogo aberto com o Ser (não ficam dúvidas sobre a formação filosófica do realizador), ampliando a consciência a todo o universo de modo a não se deter no pequeno ego individual, mas antes recolocá-lo num horizonte sem limites, à medida do desejo de infinito. Fora essa a opção de vida transmitida pela mãe como bússola para o bom uso da liberdade, incutindo-lhe a noção clara das consequências: «There are two ways through life (podia ser o subtítulo do filme): the way of nature, and the way of Grace. You have to choose which one you'll follow. Grace doesn't try to please itself…No one who loves the way of grace ever comes to a bad end… Nature only wants to please itself… To have its own way. It finds reasons to be unhappy when all the world is shining around it.»

Adoptando um título evocador dos Génesis, «A Árvore da Vida» parece desfiar no ecrã um moleskine com os pensamentos de Malick, numa reflexão em que a história da humanidade decorre menos de um paraíso perdido e bem mais de um jardim do Éden em devir. A contar connosco para desabrochar algo ainda em potência na criação. A nota de esperança do fim, pontuada ao longo do filme por múltiplas indicações para a caminhada na terra, merecem ser gravadas num moleskine.     
No filme: 
- (Conselho da mãe) «The only way to be happy is to love. Unless you love, your life will flash by.[…] Do good to them. Wonder. Hope.»
- (Outro conselho da mãe) «Help each other. Love everyone. Every leaf. Every ray of light. Forgive.»
- (pequeno Jack, em tom de oração) «Help me not answer my dad... Help me not to get dogs in fights... Help me to be thankful for everything I've got...»
- (pequeno Jack, dirigindo-se a Deus para formular um pedido espantoso) «Are You watching me? I want to know what You are. I want to see what You see.»

De Malick, em entrevista recente:
- «This story is that of adult Jack, a lost soul in a modern world, seeking to discover amid the changing scenes of time that which does not change: the eternal scheme of which we are a part.  When he sees all that has gone into our world’s preparation, each thing appears a miracle—precious, incomparable.  Jack, with his new understanding, is able to forgive his father and take his first steps on the path of life. The story ends in hope, acknowledging the beauty and joy in all things, in the everyday and above all in the family—our first school—the only place (where) most of us learn the truth about the world and ourselves, or discover life’s single most important lesson, of unselfish love.»

Aplica-se à letra a expressão espectacular, que todos nos habituámos a ouvir na toada rouca e quente do grande Louis Armstrong: What a wonderful world. Teremos olhos para o ver?...

http://cinecartaz.publico.pt/Filme/282153_a-arvore-da-vida




Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1)   FICHA TÉCNICA

Título original:
THE TREE OF LIFE
Título traduzido em Portugal:
A ÁRVORE DA VIDA

Realização:
Terrence Malick (que já foi premiado com Óscares)
Argumento:
Terrence Malick
Produzido por:
Dede Gardner, Sarah Green, Grant Hill, Brad Pitt e
Bill Pohlad
Director de Fotografia: 
Emmanuel Lubezki
Banda sonora:
Alexandre Desplat

Duração:
138 min.
Ano:      
2011
País:
EUA

        Elenco:

Brad Pitt (o pai, Mr. O’Brien),
Sean Penn (o filho em adulto, Jack),
Hunter McCracken (o filho em adolescente, Jack)
Jessica Chastain (a mãe, Mrs. O’Brien),
 Tye Sheridan (um dos irmãos, Steve)
Locais das filmagens:

No Texas (EUA): Austin, Bastrop, Dallas, Houston, Goblin Valley State Park - Highway 24 (Green River, Utah), La Grange, Matagorda, Smithville e Waco

Na Califórnia (EUA): Death Valley National Park.

No Lazio (Itália): San Marcos -Parco dei Mostri, Bomarzo, Villa Lante.

Site oficial:

http://www.foxsearchlight.com/thetreeoflife/


Premiado em 2011 com a Palma de Ouro em Cannes.

17 julho 2011

Domingo, Se Fores à Missa!


O trigo e o joio crescem juntos, mas na altura da ceifa o trigo será preservado e o joio será queimado. Também nós, homens bons e homens maus, crescemos juntos, suportamo-nos uns aos outros, guerreamos uns contra os outros, mas no final do dia, uns serão recompensados e outros não. 
Não acredito, propriamente, no Inferno; um sitio físico cheio de fogo onde são lançadas as almas pecadoras !!!! Mas acredito, sim, que o “inferno” pode ser vivido nesta vida de muitas formas.  Aquele que vive sem alegria e sem esperança; o que vive virado para si próprio; aquele que vive dependente do dinheiro e dos bens materiais;  os que estão sempre  zangados; os que gritam, ameaçam, provocam os outros; os intolerantes e os prepotentes; os revoltados  …..  não vivem todos estes um inferno diário ? E não convivem esses com todos os outros que se manifestam através da alegria, da tolerância, da caridade, do trabalho digno, da ajuda ao próximo, do despojamento, da aceitação ……?  Não serão uns trigo e os outros joio?  E à noite, ao deitar, não terão uns um sono descansado e a recompensa da alegria do novo dia, enquanto que  outros adormecem no temor do dia seguinte, que se prevê novamente triste e cinzento ?
O “céu” e o “inferno” da vida depende só de nós; da forma como encaramos essa mesma vida com tudo o que ela nos traz. O bom e o mau. Os altos e baixos.  A alegria com que recebo o bom e a sabedoria com que aceito o mau, ditará o céu ou o inferno na minha vida.
Domingo, Se Fores à Missa ………. Sê Trigo !

Maf


Evangelho segundo S. Mateus 13,24-43. 
Naquele tempo, Jesus propôs à multidão mais esta parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. 
Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se.   Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?’  'Foi algum inimigo meu que fez isto’ respondeu ele. Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancá-lo?’ 
Ele respondeu: 'Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. 
Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.’» 
Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. 
É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.» 
Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.» 
Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas. 
Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo. 
Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» 
Ele, respondendo, disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem;  o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno;  o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos.  Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo:  o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. 
Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!»

16 julho 2011

Parabéns a todos nós, no fundo

Este estabelecimento cumpre hoje três - anos - três - de existência. Obviamente que foi sendo pensado dentro de mim antes disso, como se de um filho desejado se tratasse. Diga-se, em abono da verdade, que a gravidez, não sendo de risco, surgiu em condições menos favoráveis da minha vida. Mas olhem, sempre fui contra a interrupção voluntária...

Várias vezes me perguntaram se o blogue era para continuar. A resposta foi sempre a mesma: sim, enquanto me divertir. Alberguei aqui, como bloguistas, amigos, família, gente que me é desconhecida mas com quem estabeleci relações virtuais de amizade. Aqui se comentou, se discordou, se aprendeu. Aqui nos rimos, nos comovemos, deitámos um olhar diferente sobre a vida.

Sou, de todos os que por aqui passaram, atento venerador e obrigado. O estabelecimento deve-lhes a existência.

Façam o favor de ser felizes - e de se manterem por aí. 


JdB

PS: para os que estranham a fotografia, relembro que o blogue nasceu por causa de uma viagem... 

Pensamentos impensados

Hoje vou dedicar-me a desancar o acordo ortográfico, esse aborto que nem merece maiúsculas.

Há anos, a RTP importou uma telenovela brasileira que teve um merecido sucesso: Gabriela Cravo e Canela; a telenovela era uma adaptação de um livro de um enorme escritor, Jorge Amado, e tinha um elenco fabuloso. A partir daí (Sinatra diria ever since that night) não mais pararam as importações linguísticas brasileiras: chuteiras em vez de botas, eventos em lugar de acontecimentos, fila em vez de bicha (os bichas de lá não gostam, comam menos) ingressos em lugar de bilhetes ou entradas, tchau em vez de adeus, etc.

As mesas do pequeno almoço das telenovelas portuguesas encheram-se de frutas e sumos, substituindo o casqueiro e o café de cevada. Passaram a tratar-se as pessoas pelo nome próprio, independentemente do grau de intimidade. Todos são senhor José, senhor Joaquim, tendo-se chegado à ordinarice de o 1º Ministro (RIP) ser conhecido por "Engº" José Sócrates.

Algumas palavras viram-se privadas de letras só porque estas eram mudas; (a grande maioria dos deputados são mudos e não são suprimidos nem ninguém os faz desaparecer). Com este suprimir perde-se a origem, a etimologia, como se se quisesse que os antepassados desaparecessem. Se as letras mudas podem desaparecer, por que não "capar" os H iniciais? Qual a diferença entre habitar e abitar? As palavras com 2 "s" passariam a grafar-se com "ç". 

Os ingleses têm a sua língua, independentemente dos americanos serem muito mais; o facto de o Brasil ter uma população 20 vezes superior à de Portugal não é razão. Gente que não sabe conjugar, que diz "tu sabe" mistura o você com o tu e com o vós é que deveria aprender o português de Portugal.

Há tempos vi na TV um ministro de Portugal a dizer "presidenta". Embora a seguir se tenha rido, não deixou de dizer uma patetice. Só me falta ver Santo António grafado Antônio.

Portugal está a agachar-se, e quem muito se agacha... O que me falta em conhecimentos linguísticos, sobra-me em patriotismo.

SdB (I)

15 julho 2011

pequena epistemoloGIa

(perguntas-me o que é escrever,
respondo-te como posso:)

pegar em todas as palavras jamais inventadas
em todas as línguas desde o início habitadas
e delas retirar 
tudo o que está a mais 

até ficar só osso - meu - 
e pele - tua.

(escrever é algo assim.)

gi

14 julho 2011

Deixa-me rir...

"Caros audiophiles, I hope you have missed being able to compose your comments as much as I have missed presenting musicians and songs!
I have now recovered from my appendix operation. Three days before, thinking I was suffering only from a kidney stone, but not wishing to disappoint my friends and sponsors, I took part in a charity "bikeathon", a 42km marathon by bicycle, through the streets of London, for the benefit of leukaemia and lymphoma blood cancer research.
By coincidence, the day after leaving hospital I heard that Andrew Gold had died from renal kidney cancer. Probably his name is not familiar to you but he was a respected American musician and singer-songwriter in the 1970s/80s. He produced albums for and performed with many famous artists before he began a solo career beginning with a big hit Lonely Boy. He later created the band Wax with Graham Gouldman of 10CC, successful with another big hit Bridge To Your Heart.
But my favourite memories are the two songs I have chosen. Never Let Her Slip Away has a wonderful easy rhythm and enchanting lyrics and remains one of my cherished all-time songs. 
Thank You For Being A Friend says everything in the title and became popular as the theme song for the tv comedy The Golden Girls.






Rest in Peace, Andrew Gold.
 
A proxima.
 
PO

13 julho 2011

Ponto de Vírgula

Two or three more of the chosen only were to be admitted to join them, and it was to be done in a quiet, unpretending, elegant way, infinitely superior to the bustle and preparation, the regular eating and drinking, and picnic parade of the Eltons and the Sucklings.


… and Mrs. Elton, in all her apparatus of happiness, her large bonnet and her basket, was very ready to lead the way in gathering, accepting, or talking -- strawberries, and only strawberries, could now be thought or spoken of. -- "The best fruit in England -- every body's favourite -- always wholesome. These the finest beds and finest sorts. -- Delightful to gather for one's self -- the only way of really enjoying them. Morning decidedly the best time -- never tired -- every sort good -- hautboy infinitely superior -- no comparison -- the others hardly eatable -- hautboys very scarce -- Chili preferred -- white wood finest flavour of all -- price of strawberries in London -- abundance about Bristol -- Maple Grove -- cultivation -- beds when to be renewed -- gardeners thinking exactly different -- no general rule -- gardeners never to be put out of their way -- delicious fruit -- only too rich to be eaten much of -- inferior to cherries -- currants more refreshing -- only objection to gathering strawberries the stooping -- glaring sun -- tired to death -- could bear it no longer -- must go and sit in the shade.

in Emma, Jane Austen
Ficam algumas ideias para um picnic em tempo de Verão e férias…

Tortilha espanhola:

Ingredientes:

- 3 batatas médias
- 1 cebola
- 4 ovos
- 2 chávenas de chá de azeite
- Sal e a gosto

Modo de preparação:

Descasque as batatas e corte-as em meias-rodelas. Corte também a cebola em meias-rodelas e reserve. Aqueça o azeite numa frigideira e frite as batatas em lume médio, para que encharquem e amoleçam, dando a consistência ideal ao prato. Depois, quando as batatas estiverem macias, junte as cebolas. Retire tudo da frigideira com a ajuda de uma escumadeira e reserve.

Bata os ovos numa tigela, acrescente as batatas e as cebolas fritas e tempere com sal e pimenta. Misture bem. Retire o excesso de azeite da frigideira e junte a mistura. Cozinhe em lume médio até que a parte inferior fique cozida, mas não dourada. Depois, vire a massa e cozinhe do outro lado. Pode ser servida quente ou fria.


Gaspacho

Ingredientes:

- 6 tomates maduros
- 1 dente de alho
- 5 colheres (sopa) de azeite
- 1 xícara (chá) de água
- 1/2 cebola
- 1/2 pepino grande e sem casca
- 1/2 pimentão verde, amarelo e/ou vermelho
- Sal e pimenta a gosto

Modo de preparação:

Bata todos os ingredientes no liquidificador. Deixe o gaspacho, no mínimo, duas horas no frigorífico.

Nota: Receita tirada da Internet

MFM

12 julho 2011

Duas últimas

Hoje deu-me para a largueza e resolvi apresentar não uma, mas duas músicas. Pertencem ao filme "Country Strong" que vi o outro dia a bordo de um avião e que me parece ter passado bastante despercebido em Portugal, pelo menos entre os meus amigos.

O filme não é uma obra-prima, mas vê-se muito bem, principalmente devido à música (e, já agora, às actrizes). Claro que para gostar do filme, ajuda gostar de música "country" e da simplicidade que lhe é inerente. A simplicidade é aliás para mim um dos grandes segredos do sucesso musical e a razão pela qual músicas étnicas extravasaram fronteiras e são hoje conhecidas no mundo inteiro.

Deixem-se pois contagiar pela simplicidade, pela genuinidade e pelas boas interpretações dos cantores. Eu confesso que me deixei.
JdC




11 julho 2011

Fórmula para o caos

A apologia do Desporto Rei

Há umas semanas Henrique Raposo, historiador e investigador universitário, escreveu na sua coluna semanal no Expresso que "desde os seis meses de idade que cultiva o hábito de ler o jornal A Bola diariamente ". No meu caso, não irei tão longe no que ao espaço temporal diz respeito. Contudo, o hábito de ler o mais famoso jornal desportivo português é uma actividade que cultivo com um razoável gosto e orgulho. Porém, desde há um ou dois anos, o entusiasmo pelo Defeso (a pré-época dos clubes) foi-se desvanecendo. Muitos foram os Verões em que a possível contratação de um qualquer jogador me fazia estar agarrado à televisão o dia o todo ou, de uma forma mais chocantemente apaixonada, dispensar umas quantas horas da madrugada em permanente conexão com os sites desportivos da Internet. Essa foi uma fase que já passou. Actualmente, apenas as competições oficiais (e os futebolistas reais) despertam a minha total atenção. Desde que a Liga Sagres 2010/2011 chegou ao seu termo, foram raras as vezes que larguei os 0,85€ no quiosque mais próximo para comprar A Bola. No entanto, ontem, antes de chegar ao areal da Praia Verde no Algarve, atrevi-me adquirir a "Bíblia do Desporto". Como já seria de prever, as notícias carecem de interesse, os desafios da pré-temporada são jogados de forma lenta, sem esforço e competitividade. Todas as páginas impressas foram profundo desperdício. Todas, excepto duas. 

Fiquei a saber, através de uma reportagem no terreno, que no Quénia foi formada uma equipa chamada Kibera Celtic. Equipa essa que foi fundada por um realizador de cinema escocês que, sendo fanático do Celtic de Glasgow, era detentor de diversos contactos da formação escocesa. O realizador chama-se Jamie Doran e havia-se deslocado ao Quénia com o propósito de realizar um documentário sobre a vida de criminalidade que paira nos bairros mais pobres de Nairobi. Chegado ao bairro Kibera, Doran tomou conhecimento que, devido à corrupção política que assola este país africano, nada mais resta aos jovens favelados se não abraçar uma vida feita de criminalidade, violência, tráfico de droga e luta entre tribos rivais. Os dois principais líderes de gangues eram John Oyoo e Bernard Ngira. Dada a sua conduta violenta, os dois temidos por grande parte da população residente nas favelas. Mas o aparecimento de Jamie Doran alterou por completo o rumo desses jovens quenianos. Hoje, graças à boa vontade do realizador de cinema e à generosidade do Celtic de Glasgow (fornece todo o tipo de equipamento necessário à subsistência do clube) Oyoo e Ngira são dirigentes do Kibera Celtic. O clube da Nairobi ficou como filial do Celtic e dedica-se à captação de jovens craques que, por infortúnio da sua origem, sem o futebol seguiriam o caminho da pobreza e do crime. Todas as tribos são bem acolhidas no Kibera Celtic.

Nota: tivesse sido Jamie Doran a dirigir os trabalhos na Conferência de Berlim em 1884/85 e talvez os destinos de África pudessem ter sido outros.


Pedro Castelo Branco

10 julho 2011

Imagens dos dias que correm

Igreja de Sto. António dos Portugueses, Roma

15º Domingo do Tempo Comum

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.


Numa das cartas a um anjo escrevi um pensamento simples: sabes, cada vez mais tenho a certeza de que não invento nada, não crio nada, não deslindo nada. Uso as palavras que outros inventaram, tenho as sensações que outros já definiram. E, no entanto, sinto muitas coisas como se fosse o pioneiro delas no mundo.


Ao longo dos últimos dez anos meditei e escrevi, com ligeireza e obscuridade, sobre a morte, o silêncio, o tempo, o despojamento. Nenhum destes temas nasceu voluntariamente dentro de mim, como se me deitasse a filosofar pretensiosamente sobre os destinos do mundo. Não obstante a minha possível responsabilidade, todos eles me invadiram pelos piores motivos, sem eu pedir, desejar, ou estar à espera, pelo que só me restava dar-lhes uso. Também escrevi, quiçá ad nauseam, sobre a importância da espiritualidade na manutenção de um esqueleto que ameaçou, aqui e ali, desengonçar-se sem regresso. 


Por razões várias, a minha vida do dia-a-dia tornou-se imensamente simples, e eu habituei-me a apreciar esta frugalidade. Trabalhando sozinho a maior parte do tempo, aprendi a gozar o valor do silêncio e a dar razão à sabedoria popular: se temos dois ouvidos e uma boca por alguma razão é; estando arredado, para já, de qualquer carreira profissional, descortino benefícios na não necessidade de arriscar uma qualidade de vida pelo gozo (saudável, seguramente) de uma promoção; tendo reajustado a minha lista de amizades militantes, percebo que já não preciso de um sem-fim de nomes anónimos que pouco acrescentam à minha existência. Na mesma linha de raciocínio vêm o dinheiro, o exercício do poder, a manutenção de uma imagem, etc.    


De há dez anos para cá a minha vida tem vindo a mudar abruptamente. Dentro de mim convivem a fé, uma mudança na forma de pensar e de agir ou, na opinião de alguns, um retorno a um eu genuíno que viveu submerso por motivos vários. Quem sou eu, na realidade? O homem velho que sempre existiu, ou o homem novo que nasceu fruto das circunstâncias? Sinto prazer neste modelo de singeleza porque me é inato, sou um felizardo que dá em estimar o (aparente) pouco que vai recebendo, ou sou apenas um preguiçoso que desistiu de se fazer à vida?   


Perguntarão os meus poucos e fiéis leitores sobre a relação destes pensamentos com o evangelho abaixo. Duas justificações: uma, a de que todos temos direito ao devaneio e, por maioria de razão eu, editor e dono do estabelecimento; a segunda, porque o texto de S. Mateus fala, ainda que por parábolas, do cultivo da terra que, como se sabe, tem um tempo, um vagar e um olhar ao longe, que são incompatíveis com a correria da vida moderna que pode trucidar a simplicidade que cada um de nós almeja. 


Que eu saiba ser um boa terra onde a palavra de Deus é acolhida e frutifica. Bom Domingo para todos.


JdB    




EVANGELHO – Mt 13,1-23

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele dia,
Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar.
Reuniu-se à sua volta tão grande multidão
que teve de subir para um barco e sentar-Se,
enquanto a multidão ficava na margem.
Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos:
“Saiu o semeador a semear.
Quando semeava,
caíram algumas sementes ao longo do caminho:
vieram as aves e comeram-nas.
Outras caíram em sítios pedregosos,
onde não havia muita terra,
e logo nasceram porque a terra era pouco profunda;
mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram,
por não terem raiz.
Outras caíram entre espinhos
e os espinhos cresceram e afogaram-nas.
Outras caíram em boa terra e deram fruto:
umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.
Quem tem ouvidos, oiça”.

Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe:
“Porque lhes falas em parábolas?”
Jesus respondeu-lhes:
“Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus,
mas a eles não.
Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância;
mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado.
É por isso que lhes falo em parábolas,
porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender.
Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz:
‘Ouvindo ouvireis, mas sem compreender;
olhando olhareis, mas não vereis.
Porque o coração deste povo tornou-se duro:
endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos,
para não acontecer
que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos
e compreendendo com o coração,
se convertam e Eu os cure’.
Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem
e os vossos ouvidos porque ouvem!
Em verdade vos digo: muitos profetas e justos
desejaram ver o que vós vedes e não viram
e ouvir o que vós ouvis e não ouviram.
Vós, portanto, escutai o que significa a parábola do semeador:
Quando um homem ouve a palavra do reino
e não a compreende,
vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração.
Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho.
Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos
é o que ouve a palavra e a acolhe de momento,
mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante,
e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra,
sucumbe logo.
Aquele que recebeu a semente entre espinhos
é o que ouve a palavra,
mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza
sufocam a palavra, que assim não dá fruto.
E aquele que recebeu a palavra em boa terra
é o que ouve a palavra e a compreende.
Esse dá fruto,
produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um”.

09 julho 2011

Pensamentos impensados

Coincidência
Faço anos no mesmo dia em que nasci.
 
Desporto
Qualquer acontecimento desportivo pede atleta.
 
História de Portugal
A fundação de Guimarães sempre foi muito nebulosa até que descobriram Vimara Peres. Decidi fazer buscas por minha conta e cheguei à conclusão que que se tratava de uma mulher: Vimara. Essa senhora casou com um senhor chamado Troika dando origem à família Peres-Troika que, entretanto, foi para o estrangeiro onde viveram séculos; até que um dia houve como que um chamamento e decidiram vir a Portugal. Como achassem que o nome era grande passaram a chamar-se, apenas, Troika. Pensam passar largos anos por cá.
 
Variações
Distinto----Quem diz tinto, diz branco.
Dispara---- Quem diz pára diz anda.
Discorre----Quem diz corre, diz anda.
Dispersa----Quem diz persa, diz iraniano.
Disfruta----Quem diz fruta, diz vegetal.
Disputa----Quem diz...Dêem-me só um minutinho não vá o guisado ter pegado; volto já.

SdB (I)

08 julho 2011

i'll explain everything to the geeks

era tão estupidamente fácil
escrever hoje um poema
que fizesse rimar os teus olhos,
plenipotenciária faísca que aqui recupero,
com o alinhamento completo
de um concerto bem concreto.

a verdade é que ontem
mergulhei de memória na memória de ti,
trajando um fato bem preto
- uma espécie de dark undercoat
ligeiramente desvairado,
e mais do que virado do avesso.

gi.

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