08 agosto 2011

Fórmula para o caos

Os tempos que se vivem são, em termos mediáticos, dominados pela actualidade económica. Não só na Europa, mas também nos EUA. Foram várias as semanas de incerteza relativamente ao acordo entre Democratas e Republicanos com vista ao aumento do tecto de endividamento público. O mundo mudou. Contudo, os lideres mundiais parecem não querer aceitar essa realidade irreversível. Desde que a globalização se tornou um fenómeno de difícil controlo por parte dos Estados que o sistema Keynesiano da contracção de divida para financiar os défices orçamentais se tornou inviável. O gráfico abaixo, surripiado a um blog económico da autoria de Luís Salgado de Matos, demonstra a correlação entre o défice e o crescimento do PIB. É simples observar que o aumento da despesa nos EUA já não reflecte efeitos positivos na produção de riqueza.



Pedro Castelo Branco



07 agosto 2011

19º Domingo do Tempo Comum

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.

A omnipotência de Deus é, para um crente, um dado adquirido. Não duvidamos, não questionamos - é assim que as coisas são...  Nesse sentido, o facto de Cristo caminhar sobre as águas não nos surpreende nem entendemos ser uma fantasia do evangelista, se bem que, no limite, pudesse ser uma forma de revelar que a Jesus tudo é possível. 

Outra questão, talvez mais desafiante, é a forma como, nos mais diversos momentos, nos comparamos com a atitude de S. Pedro face ao pé que perdemos quando somos desafiados a caminhar sobre o mar. O que é, para nós, gente de fé, este exercício do aparentemente impossível? Como confiamos em Deus e como entendemos esta ideia da mão que Deus nos estende?  

Há algumas semanas, a minha querida amiga MAF escreveu um belíssimo comentário ao evangelho do dia. Nesse texto manifestava o que era, no seu entendimento, a fé - não é pedir a Deus que lhe dê saúde, mas que a ajude a suportar a doença, entre outros raciocínios semelhantes. Em tom mais figurado, não pedir a Deus que nos dê o jackpot de milhões, mas que nos ilumine para os aplicarmos bem. Nos meus momentos mais difíceis pedi a Deus, obviamente, que curasse quem me era querido. Mas, a seguir ao que era humano pedia o que era desafiante: o dom da aceitação, da não revolta com o mundo, do encontro com o sentido da vida perante o desgosto maior. 

Cada um de nós tem, à sua maneira e na circunstância própria, um mar sobre o qual caminhar: o desemprego, a doença, o desgosto, as relações cortadas, as raivas, os orgulhos, a solidão. Todos nós nos podemos afundar, vítimas da pouca fé, mas todos nós nos podemos transcender, ver a mão que nos é  estendida e agarrá-la. 

Deus pode tudo, mas Deus não é senão Amor. A mão que Ele nos estende é, também, esse Amor.

Bom Domingo para todos.

JdB


EVANGELHO – Mt 14,22-33

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Depois de ter saciado a fome à multidão,
Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco
e a esperá-l’O na outra margem,
enquanto Ele despedia a multidão.
Logo que a despediu,
subiu a um monte, para orar a sós.
Ao cair da tarde, estava ali sozinho.
O barco ia já no meio do mar,
açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
Na quarta vigília da noite,
Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.
Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar,
assustaram-se, pensando que fosse um fantasma.
E gritaram cheios de medo.
Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo:
«Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor,
manda-me ir ter contigo sobre as águas».
«Vem!» – disse Jesus.
Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas,
para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se,
gritou: «Salva-me, Senhor!»
Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o.
Depois disse-lhe:
«Homem de pouca fé, porque duvidaste?»
Logo que saíram para o barco, o ventou amainou.
Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus,
e disseram-Lhe:
«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».

06 agosto 2011

Pensamentos impensados

À atenção da nossa astróloga
Precisei de ver se tinha febre e agarrei num termómetro dos antigos. Sacudi até que o mercúrio veio para baixo. Pode ser considerado Mercúrio retrógrado?

Piada ouvida por aí
Diz um alentejano para o outro: vai chover. Diz o outro: vai tu.

Esta, é tal a trapalhada de línguas, que só pode ter acontecido na Torre de Babel.
O Rei diz o meu reino por um cavalo. Um cortesão, que dominava mal a língua inglesa, percebe o meu ranho por um cavalo. Vai daí, diz ao Rei: vas t'asseoir. O Rei ficou sem perceber, pois estava sentado.

Penso que os frequentadores deste estabelecimento acharão, por vezes, uma certa piada ao que eu escrevo; sugiro, por isso que vejam o video abaixo. Isto é que são piadas; ao pé dele, não passo dum escriba que talvez arranque uns sorrisos amarelos.




SdB (I)

05 agosto 2011

black lips

há uma banda de rock chamada black lips.
 
(enquanto procurava a tradução mais certeira,
ia escrevendo mentalmente este pequeno poema.)
 
black lips pode querer dizer tanta coisa, tanta..
como tudo afinal - assim nos ensina a vida, pelo menos.
 
por exemplo: lábios pisados.
 
ah, espelho meu, 
sempre eloquente máquina de tradução.
ou de disfórica revelação.

gi.

03 agosto 2011

Diário de uma astróloga - 3 Agosto de 2011

Post 5 - Mercúrio e a comunicação

Hoje, Mercúrio entra numa das suas fases retrógradas. Juntamente com os eclipses, é o fenómeno astronómico / astrológico que tem pior reputação no público não astrológico.  Tanto assim, que há coisa de um ano uma jovem telefonou-me quase a chorar. Uma “amiga” ter-lhe-ia dito que a data do seu casamento caía num período em que Mercúrio estava retrógrado. Segunda a “amiga”, isso teria consequências desastrosas, não só para a cerimónia, como também para a sua vida de casada. Acalmei-a, dei-lhe algumas explicações desmistificadora e o casamento realizou-se na data marcada.

O que representa Mercúrio, e porque assusta as pessoas quando está retrógrado?

Os planetas receberam os nomes que têm actualmente dos deuses do Olimpo na sua versão romanizada. O deus grego Hermes foi rebaptizado Mercúrio, mantendo as mesmas características. Eram os deuses mensageiros representados por pés e capacete alados, sempre em movimento. Esta estátua de Hermes encontra-se no Louvre, e é a minha favorita. 




Porém, no dia-a-dia, astrólogos e astrónomos utilizam há mais de 2000 anos este símbolo para assinalar de Mercúrio numa carta astral.  




O significado astrológico de Mercúrio deriva das suas características mitológicas e é, assim, o planeta que rege todas as formas de comunicação falada e escrita, a nossa actividade mental mas, também, o comércio, as deslocações, as viagens.

Mas o que significa retrógrado? Anda mesmo para trás? Claro que não. Mercúrio gira em volta do Sol e anda sempre na mesma direcção, como fazem todos os outros planetas. Mas, como orbitam a velocidades diferentes, incluindo a Terra, vistos a partir daqui parecem que ocasionalmente andam para trás - movimento retrógrado.  Quem anda regularmente de comboio sabe do que estou a falar. A física do sistema solar faz com que Mercúrio esteja retrógrado três vezes por ano durante um período de 23 dias.

Ao longo dos séculos tem-se verificado empiricamente que, enquanto Mercúrio está retrógrado, surgem mais problemas, obstáculos, estorvos nas áreas regidas por Mercúrio. Antigamente manifestavam-se sobretudo através de mal-entendidos pessoais. Na actualidade, com a quantidade de meios de comunicação de que dispomos, temos uma panóplia mais ampla. Aqui ficam exemplos de contrariedades mercurianas (sendo alguns de experiência pessoal):

  • Informática – ficheiros perdidos, disco rígidos que falham;
  • Telefone – não se encontram as pessoas com quem precisamos de falar, sem querer apagamos da memória o número de que precisamos;
  • Correio – cartas mal endereçadas não chegam, pacotes rompem-se;
  • Mail – um mail privado mandado para “todos”….
  • Viagens – atrasos de aviões, problemas com o carro.

Todos nós sentimos os efeitos de Mercúrio retrógrado de forma diferente. De vez em quando o mundo inteiro repara que o deus Mensageiro está a gozar connosco. Em Abril 2010 quando as cinzas do vulcão islandês criaram a maior confusão de tráfego aéreo que o mundo jamais viu … Mercúrio estava retrógrado.

Como é que se pode gerir positivamente a energia de Mercúrio retrógrado?

  • Rever, rever, rever, arquivar, arquivar, arquivar.
  • Estar atento a problemas de comunicação, repetir, não assumir que o outro entendeu. Não é altura para meias palavras.
  • Por outro lado é uma excelente altura para limpar a caixa de entrada dos emails já lidos, para fazer cópias dos ficheiros, para acabar projectos que deixamos ficar para trás.
  • Levar um bom livro e paciência se for andar de avião.
  • Se possível, adiar iniciativas novas pois podem precisar de revisão mental.

Sobre a minha jovem lacrimejante. Os convites foram mandados antes de Mercúrio estar retrógrado, e por isso chegaram bem. Todos os pormenores logísticos foram também tratados antecipadamente, assim o casamento correu sem nenhum percalço. A comunicação durante o cerimónia não tem muitas nuances… um SIM na altura certa bastou. A relação entre esposos também parece que não sofreu com o Mercúrio retrógrado… há poucos dias acolheram neste mundo uma filha.

Mercúrio estará retrógrado de 3 a 26 de Agosto e depois novamente de 24 de Novembro a 14 de Dezembro. Nestas alturas as palavras do filosofo grego Epictetus são apropriadas “Temos 2 orelhas e 1 boca para ouvir duas vez mais do que falar”.

Luiza Azancot

02 agosto 2011

Duas últimas

Regressamos à música étnica - aquela sobre a qual eu disse que ouvia pouco. Hoje atiramo-nos com uma garra sul-americana à valsa venezuelana, na esperança, quiçá, que o camarada Chavez nos oiça e pague os barquitos que encomendou com a seriedade de um pinóquio de nariz ferido.

Infelizmente, os vídeos disponíveis na internet são escassos. Melhor – vídeos há muitos, mas a qualidade sonora dos ditos cujos não é brilhante. Não havendo o desejável, recorre-se ao possível.

Apresento, por isso, dois youtubes: um com músicas de António Lauro, tocadas por uma bonita croata; o outro, de uma obra muito conhecida – El Diablo Suelto – tocada à guitarra portuguesa, por mais estranho que pareça.

Fechem os olhos e dancem mentalmente, se é para isso que o corpo vos puxa. 

JdB 




31 julho 2011

Domingo se Fores à Missa!

Bom dia leitores.   Porque andei aluada esta semana … nem sei bem porquê … (talvez a nossa astróloga residente saiba dar uma explicação) esqueci-me de preparar o Post para hoje.  Mas encontrei um comentário feito pelo Papa Bento XVI, que aqui deixo, na certeza de que irão muito melhor servidos do que se tivesse sido eu a fazê-lo.  Bom domingo para todos.

Comentário ao Evangelho do dia feito por : Papa Bento XVI

«O pão que Eu hei-de dar é a Minha carne que Eu darei pela vida do mundo» . Com estas palavras, o Senhor revela o verdadeiro significado do dom da Sua vida por todos os homens; as mesmas mostram-nos também a compaixão íntima que Ele sente por cada pessoa. Na realidade, os Evangelhos transmitem-nos muitas vezes os sentimentos de Jesus para com as pessoas, especialmente doentes e pecadores. Ele exprime, através dum sentimento profundamente humano, a intenção salvífica de Deus, que deseja que todo o homem alcance a verdadeira vida. 


Cada celebração eucarística actualiza sacramentalmente a doação que Jesus fez da Sua própria vida na cruz, por nós e pelo mundo inteiro. Ao mesmo tempo, na Eucaristia, Jesus faz de nós testemunhas da compaixão de Deus por cada irmão e irmã; nasce assim, à volta do mistério eucarístico, o serviço da caridade para com o próximo, que «consiste precisamente no facto de eu amar, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem conheço sequer. Isto só é possível realizar-se a partir do encontro íntimo com Deus, um encontro que se tornou comunhão de vontade, chegando mesmo a tocar o sentimento. Então aprendo a ver aquela pessoa já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo» Desta forma, nas pessoas que contacto, reconheço irmãs e irmãos, pelos quais o Senhor deu a Sua vida amando-os «até ao fim» . Por conseguinte, as nossas comunidades, quando celebram a Eucaristia, devem consciencializar-se cada vez mais de que o sacrifício de Jesus é por todos; e, assim, a Eucaristia impele todo o que acredita n'Ele a fazer-se «pão repartido» para os outros e, consequentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno. Como sucedeu na multiplicação dos pães e dos peixes, temos de reconhecer que Cristo continua, ainda hoje, exortando os Seus discípulos a empenharem-se pessoalmente: «Dai-lhes vós de comer». Na verdade, a vocação de cada um de nós consiste em ser, unido a Jesus, pão repartido para a vida do mundo.

Domingo, Se Fores à Missa …..  Empenha-te num Mundo mais Justo!

Maf

Evangelho segundo S. Mateus 14,13-21. 

Naquele tempo, quando Jesus ouviu que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se dali sozinho num barco, para um lugar deserto; mas o povo, quando soube, seguiu-O a pé, desde as cidades. 
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de misericórdia para com ela, curou os seus enfermos.  Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Este sítio é deserto e a hora já vai avançada. Manda embora a multidão, para que possa ir às aldeias comprar alimento.»  Mas Jesus disse-lhes: «Não é preciso que eles vão; dai-lhes vós mesmos de comer.»  Responderam: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.»  «Trazei-mos cá» disse Ele.  E, depois de ordenar à multidão que se sentasse na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção; partiu, depois, os pães e deu os aos discípulos, e estes distribuíram-nos pela multidão.  Todos comeram e ficaram saciados; e, com o que sobejou, encheram doze cestos.  Ora, os que comeram eram uns cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

30 julho 2011

Pensamentos impensados

Em tempos de crise há que unir esforços, praticando o 2 em 1; assim sendo, podiam fundir-se dois programas de televisão que são semelhantes: o "preço certo" e o "peso pesado"; ao fim e ao cabo ambos são um desfile de obesos.
 
Quando há incêndios e os jornalistas querem saber quantos homens o combatem, perguntam quantos meios estão no terreno. Será que 40 homens equivalem a 80 "meios"?
 
Nos tempos de Estaline, Descartes teria formulado a célebre frase desta maneira: eu penso, logo exílio.
 
Hoje em dia é fácil acabar com as elites: vai-se ao computador e carrega-se em delete.
 
Mais traduções à letra ou ao que se quiser.
By the yes by the no ou hair yes hair no. - pêlo sim, pêlo não.
Hair less - pêlo menos.
 
Quadra ouvida por aí:
Estavas tão tétrica
Tão meditabunda
que eu medi-te a bunda
Com uma fita métrica

SdB (I)

29 julho 2011

Imagens dos dias que correm...

Funchal, Julho de 2011

lovebird

o rapaz da guitarra negra
esperava por aviões de papel
impossivelmente polinizados
por esse estranho amor por ela

enquanto

a negra guitarra do rapaz
esperava no espaço que era (d)ela
por mil aeroplanos em flor
e pelo amor dele nela.


gi

28 julho 2011

Deixa-me rir...

Caros audiophiles, it seems these days that every week I am commemorating the life and death of another musical artist.
This week, of course, we have been shocked by the terrible events in Norway, tragic because of the pointless inhumanity of the killer and the innocence of his victims.
Less innocent, less unexpected, but still tragically sad, was the death of Amy Winehouse. My first thought was "surely somebody could have done more to help her?", a mixture of anger and sadness that she was not able to avoid what many people had observed was inevitable.
But I do not want to judge something I do not know enough about. I prefer to reflect on her talent for singing, her amazing voice steeped in blues and soul, and her lyrics so witty and honest and unsentimental which seemed to document her life..
The first two videos I have chosen show her performing live, in happier health and mood, even if the lyrics concern the breakdown of her marriage.

"Back to Black":

"Love is a Losing Game":


This next song, "To Know Him is to Love Him", appeared on the special edition of her Back To Black album, one of a selection of acoustic songs with just Amy and her guitar. The lyrics just make you wonder how different her life perhaps could have been.


The final video is one of Amy's favourite songs, "So Far Away", played at her funeral, composed and performed by the brilliant Carole KIng:



A proxima.
 
PO

Ponto de Vírgula

(...) À mesa (onde os pudins, as travessas de doces de ovos, os antigos vinhos de Madeira e Porto, nas suas peadas garrafas de cristal, fundiam com felicidade os seus tons ricos e quentes), Jacinto ficou entre a Tia Vicência e uma das Rojões, a Luisinha (,,,) - e a sopa, que era de galinha com macarrão e arroz, foi comida num tão largo, pesado silêncio, que eu, na ânsia de o quebrar, exclamei, ao acaso, sem pensar que me achava em Guiães (...):

- Está deliciosa a sopa!

in A Cidade e as Serras, Eça de Queirós


Fotografia - Entrada da fundação Eça de Queirós

Pudim de Maracujá - Madeira

Ingredientes:

3 pacotes de natas
1 lata de leite condensado
polpa de 12/15 maracujás
2 pacotes de gelatina de ananás (Podem ser substituídos por 5 folhas de gelatina branca em folha)

Preparação:

Desfazer as gelatinas, apenas com meio litro de água (se não tiver em casa, utilize 5 folhas de gelatina branca em folha - que terá deixar derreter num pouco de água) À parte bater as natas e só depois de estarem duras, juntar a lata de leite condensado.

Juntar os demais ingredientes e mexer. Levar ao frigorífico

Nota: Receita tirada da internet

MFM


27 julho 2011

Frases dos dias que correm...

Quando erro - e tenho errado muito - pergunto sempre: Poderia eu ter errado melhor? 

José Rodrigues Miguéis

Videos dos dias que correm...

Anda por aí um video de resposta ao rating da Moody's. Não somos lixo, no fundo...

Moleskine

Colecções. Nunca fui dado a essas coisas. Mas um dia vi em casa de um amigo, voltei a encontrar no Zimbabwe e agora comecei uma colecção. Há quem lhes chame - por ignorância - chaves, mas são cruzes ortodoxas etípoes. A colecção é reforçada bianualmente com exemplares vindas do país de Mugabe e nunca encontrei duas iguais, provavelmente porque são artesanato, que não se compadece com esses conceitos de produção em série. Felizmente.


Livros. Leio La Coca, de J. Rentes de Carvalho (Quetzal). Da contracapa: mais do que uma viagem nostálgica e autobiográfica, La Coca é uma investigação literária e um pequeno tratado sobre os mecanismos da memória. Um romance breve, profundamente irónico e terno. Particularmente interessante para quem quer conhecer os meandros do  contrabando no Minho, Galiza, e redondezas - ou para quem viveu ou veraneou por essas zonas.

Noruega. Pouco há a acrescentar ao que já se disse, redisse e voltou a dizer nos blogues ou comunicação social. O mundo - ou a Europa? - está a caminhar para onde? Relembro um escritor brasileiro, Guimarães Rosa, que pôs um personagem a repetir: viver é perigosíssimo... Vi a entrevista com o pai do assassino (poupo no presumível, porque o canalha confessou) e encho-me de pena. Como é que se olha para um filho destes? Na passada semana, a nossa astróloga, Luiza Azancot, falava do amor incondicional de mãe. E com um filho destes, que nos faz revolver as entranhas, como gerimos a incondicionalidade?

Citações. Do livro Manual do Dândi (tradução, para brasileiro..., de textos de Baudelaire, Balzac, d'Aurevilly):
O efeito mais essencial da elegância consiste em ocultar os meios.
Tudo o que revela uma economia é deselegante.

Links. Para quem quiser ler o que o autor do blogue considerou, e cito, as 100 best first lines from novels, favor dirigir-se aqui.  

Música. Já aqui foi postei esta música, mas o editor e dono do estabelecimento tem prerrogativas.


JdB

   

26 julho 2011

Duas últimas


António Variações, nome artístico de António J. Rodrigues Ribeiro, minhoto de Amares que veio para Lisboa com somente 12 anos, é alguém que continuo a ouvir com vontade e prazer, passados mais de 25 anos sobre a sua morte. Era ainda pouco ou nada conhecido, em meados da década de 80, e já eu e um dos meus irmãos o procurávamos com avidez e persistência na telefonia e nos singles. A brincar, talvez porque, antes de ser barbeiro (cabeleireiro, como agora se diz) foi sacristão na Charneca da Caparica, uma terra situada perto daquela onde vivíamos!

Tendo estado presente hoje numa auditoria da Qualidade – área, entre outras, em que o dono deste estabelecimento é um barra – não posso deixar de fazer o paralelo com a qualidade de Variações como compositor e autor. Tendo morrido muito cedo, com 39 anos, deixou uma obra curta e diversificada, que influenciou de forma marcante a música portuguesa. Canções suas nunca editadas vieram largos anos depois da sua morte a ser interpretadas por nomes importantes da nossa música, como Manuela Azevedo ou Camané.

A arrepiante letra do tema que escolhi fala por si. A liberdade, a excentricidade, a solidão, a dificuldade em se perceber a si próprio, são traços de uma personalidade marcante, diferente e, atrevo-me a dizer, com laivos de genialidade. Como li a alguém já não sei onde, esta música e esta letra são um autêntico “hino a todos os desalinhados deste mundo”. Não me considerando um “desalinhado” e não subscrevendo algumas das opções de vida de A. Variações, não posso concordar mais. 


Espero que gostem!

fq


25 julho 2011

Fórmula para o caos

A tão pedida "Cimeira Histórica da Zona Euro" aconteceu na passada Quinta-feira, e deliberou um novo modelo de ajuda à economia grega e, como pretendida consequência, uma blindagem da moeda única. Durante vários dias, antes e depois do conclave dos lideres europeus, a comunicação social foi invadida pelos habituais opinion makers especializados em questões que tenham que ver com União Europeia. As opiniões foram abundantes, e obviamente que não houve tempo nem capacidade para absorver todas as entrevistas na televisão, comentários na rádio, artigos nos jornais e os posts nos blogs. Contudo, vou destacar os mais relevantes.

Em entrevista ao Jornal de Negócios no dia 19 de Julho, o eurodeputado eleito pelo PSD, Paulo Rangel, adepto do federalismo europeu desde há vários anos, prevê uma catástrofe se a desintegração europeia alguma vez for realidade. Rangel afirma que a Europa sempre foi palco de terríveis e sangrentas guerras entre os diversos impérios e Estados que a compõem. O eurodeputado não vê razão para considerar que a população actual seja diferente das anteriores, e avisa que o belicismo será uma consequência no caso de a UE acabar.

O director da representação permanente do Parlamento Europeu em Lisboa, Paulo Sande, num artigo publicado no jornal Público no dia 20 de Julho, faz menção aos antepassados europeus (Dante, George Podiebrad e Pio II) para justificar uma acção pró-integração no presente. Sande considera que o problema é muito mais político do que técnico. Faz referência à inabilidade dos lideres dos Estados-membros em convencerem os eleitorados que o Modelo Social Europeu tem que ser, forçosamente, revisto. Vivemos o apogeu do fenómeno da globalização e a Europa já não dispõe da capacidade de dominar e controlar, a par dos EUA, os destinos do mundo. 

O Economista e professor do ISEG João Ferreira do Amaral prossegue a sua cruzada pela saída de Portugal do Euro. Parece que com isso o país passaria a dispor dos instrumentos necessários para dinamizar a economia. Refere-se à possibilidade de desvalorização da moeda como facilitador das exportações. No entanto, esquece-se de um pormenor relevante: cerca de 2/3 das nossas exportações são para países do eurogrupo, sendo com isso perfeitamente indiferente a cotação de mercado do Euro. Parece que Ferreira do Amaral é o novo catastrofista do regime. Mas, como aparece em conferências promovidas pelo recém eleito Secretário-geral do Partido Socialista, isso não tem mal algum. Ai se fosse Medina Carreira! Caía o Carmo e a Trindade! Como se dizia em França no Maio de 68, mais vale estar errado com Sarte do que ter razão com Arons.

Pedro Castelo Branco

24 julho 2011

17º Domingo do Tempo Comum

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico. Cito um texto do Padre Vítor Gonçalves, tirado daqui.

Se Deus nos aparecesse em sonhos e dissesse: “Pede o que quiseres”, que quereríamos? A saúde para nós ou para quem amamos, o euromilhões para ter uma vida descansada, um emprego, uma casa digna, fama e poder? Necessidades ou excessos, que bem justificaríamos. O rei Salomão, muito novo e inexperiente, pediu “um coração inteligente, para saber distinguir o bem do mal”. Ainda que jovem, já descobrira que o projecto de Deus não é escolher em vez de nós, nem dar-nos aquilo que podemos alcançar, mas erguer-nos à grandeza de escolhas livres e responsáveis. O coração, no contexto bíblico, não é apenas o lugar da afectividade e dos sentimentos. É o centro da identidade pessoal, onde se unem a capacidade de amar, o conhecimento e a inteligência. O que Salomão pede é uma inteligência fundada no amor, capaz de ver para além do imediato e da aparência, e assim melhor servir o seu povo.

Conseguiremos nós ser o homem que acha o tesouro, o negociante que encontra a pérola ou os que, na praia, separam o que é bom e o que é mau? Conseguiremos nós abandonar tudo aquilo que nos afasta do amor de Deus que, de facto, é a melhor riqueza que podemos encontrar? Não falo deste amor como sendo algo inatingível, esotérico, exclusivo dos santos ou de uma minoria estranha, mas do amor do dia-a-dia que nos leva mais longe, nos desafia a sermos gente inteira, mais do que gente grande.  

Que Deus, na sua infinita sabedoria, nos dê um coração inteligente, para saber distinguir o bem do mal.

Bom Domingo para todos.

JdB

***

EVANGELHO – Mt 13,44-52

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus às multidões:
"O reino dos Céus é semelhante
a um tesouro escondido num campo.
O homem que o encontrou tornou a escondê-lo
e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía
e comprou aquele campo.
O reino dos Céus é semelhante
a um negociante que procura pérolas preciosas.
Ao encontrar uma de grande valor,
foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola.
O reino dos Céus é semelhante
a uma rede que, lançada ao mar,
apanha toda a espécie de peixes.
Logo que se enche, puxam-na para a praia
e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos
e o que não presta deitam-no fora.
Assim será no fim do mundo:
os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos
e a lançá-los na fornalha ardente.
Aí haverá choro e ranger de dentes.
Entendestes tudo isto?"
Eles responderam-Lhe: "Entendemos".
Disse-lhes então Jesus:
"Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus
é semelhante a um pai de família
que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas".

23 julho 2011

Pensamentos impensados

Charlot, quando era miúdo, era um tipo insuportável; era malcriado, tinha birras e, por mais que lhe dissessem deixa-te de fitas, nunca foi capaz.

Tradu...sons e à letra: 
To arrive the mustard to the knows - Chegar a mostarda ao nariz.

Singularidades da língua portuguesa:
Nos anos em que andei no liceu ouvi sempre um exemplo singular: pois não, quer dizer sim e pois sim, quer dizer não. Há outra: pelo mês dentro quer dizer o mesmo que pelo mês fora.

Há anos, era "chefe" do PCP um Dr. Carvalhas, que tinha uma pronúncia bizarra: dizia que se chamava Carvalhassss. Penso que seria a única pessoa a arranjar uma rima para ápice. Diria lápissss.

Há tempos cozinhei risotto para os meus amigos; foi motivo de risota.

A espada de Dâmocles pode ser considerada uma pena suspensa? 
Angela Merkel reuniu-se à porta fechada com Sarkozy; parece que os resultados não foram maus, atendendo a que o presidente francês deve ter pouco mais de metro e meio de altura. Qual seria o resultado se a chanceler se tivesse reunido à porta fechada com Strauss Kahn?

SdB (I)

22 julho 2011

la nostra feroce volontà d'amore

há poemas assim,
tanto maiores quanto mais fiéis depositários
desse recorrente estado de necessidade
que incendeia todas as palavras.

como se a poesia fosse
um modo de dizer
o que não pode ser dito
e que, contudo, tem que ser absolutamente dito.

21 julho 2011

Imagens dos dias que correm


Florença, Junho de 2011

Textos de outros tempos

A Filha do Tenente Francês

Era atleta especializada nos 20km marcha, fascinada pelo gingar do corpo, pela regra obrigatória de um pé sempre assente no chão, pelo olhar - que alguns diriam quase esgazeado - com que se vislumbrava a meta. Herdara do pai, militar na Legião Francesa, o gosto pela disciplina, pelo espírito de sacrifício, por aquelas três palavras - Legio Patria Nostra - que o comoviam como mais nada.
Um dia, ao 18º quilómetro, num ritmo seguro e de campeã, assentou mal o pé e deu um grito de dor, provocado por um ligamento que se estirava numa rotura sem retorno e por uma alma premonitória que lhe anunciava o fim da carreira. Tudo se consumou ao quarto dia, quando lhe disseram que podia guardar o equipamento, se isso não a corroesse de saudades. Falaram-lhe também de um possível coxear em permanência, resultado da gravidade da situação e da ausência de tratamentos modernos.
Foi então que conheceu um português, fisioterapeuta, com um coração de ouro e umas mãos de escolhido e que, numa persistência que envergonharia qualquer atleta de alta competição, lhe recuperou o pé, eliminou o coxear, ensinou a virtude do toque em zonas para lá do tornozelo.
Cruzei-me com ela hoje no paredão, como já me tinha cruzado ontem, há dois dias, na semana passada, no mês de Junho. Posso garantir que o ritmo está cada vez melhor, o terço que percorre com as mãos agita-se mais, o mexer dos lábios vai num frenesim crescente. Apostaria que as suas orações acabam ao quilómetro treze, quando na 2ª feira acabariam ao oito - sinal de que a velocidade se aproxima do que é possível, considerando a entorse de há 35 anos.
Quando chega a casa encontra o fisioterapeuta a esfregar as mãos - não só de contentamento, mas para as aquecer, porque ela se queixa que um percorrer frio lhe arruina o erotismo.
É a filha do tenente francês, porque aposto que a vida dela é esta. Se eu me cruzo com ela todos os dias, não havia eu de saber?

JdB

Nota: texto publicado neste espaço há três anos mas ainda válido, porque continuo a cruzar-me com ela...

Músicas dos dias que correm

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