20 julho 2013

Pensamentos impensados


Apneia
Quis ver se era capaz de estar uma hora sem respirar; conseguiu, embora os primeiros 5 minutos fossem os mais difíceis.
 
Piruetas
Paulo Portas tem queda para se levantar.
 
Periódicos
Os jornalistas pertencem à classe mídia.
 
Tendências
Sei de um homem que é bi-sexual e tem 2 filhos.
Se tiver um terceiro filho será tri-sexual?
 
Centrismo periférico
Portugal, Espanha e Itália são considerados países periféricos.
Holanda, Bélgica e Dinamarca serão países internos?
 
Nervoseiras
Romeu e Julieta só podia ter sido escrito por um espírito agitado: Shake Spirit.

SdB (I)
 

19 julho 2013

Um blogue? Tu?

Fotografia de JMAC

Todos os anos é isto, com excepção do primeiro, claro: ponho-me a divagar, entregue a ninharias que finjo serem coisas importantes, e esqueço-me do dia 16 de Julho de 2008, data em que este modesto estabelecimento viu a luz do dia, qual nascituro de indiferença dada e recebida. O Adeus até ao meu regresso cumpre cinco anos de existência, tendo aberto ao público com um frontispício que não é este, porque há as tendências, os desejos dóceis (ou doces?) de terceiros, e trailailai por aí a fora. 

O que escrever do que foi este tempo, para além do agradecimento a todos os que por aqui passaram e passam, na condição de leitores ou colaboradores? Pois não sei... Vou ouvindo coisas díspares que me apoquentam o sossego mental de que me sinto merecedor. Dizem-me para fechar o estabelecimento; pedem-me que não o faça; sugerem-me que o substitua por outro, menos datado e com outro título; por fim, há quem ria e indague porque não deixo ficar tudo como estou, se a clientela que por aqui pára se conta em pouco mais de centena e meia de pessoas entre o sol nascer e o sol se pôr? Até há, para que a cereja enfeite bem o bolo, os que me intimam para programas em dias certos e impactantes de meses que vêm longínquos, com hora e local onde se lavre a sentença de encerramento deste estabelecimento, que é tempo do proprietário mudar de ramo.

Fecho ou não fecho? Decido com base no coração, na mente, no andolitácaradamendoá? Há cinco anos, quando surgiu, o blogue cumpria uma missão principal - a de relatar a minha estadia no Zimbabwe, para onde partira para um degredo de dois meses. Haveria seguramente outros motivos que se esbatem hoje contra uma parede cujos graffitti tiveram o seu tempo. O que é o blogue hoje? Será tudo isto: um prazer, uma teimosia, um banco de experiências, uma vaidade, um espaço onde alguns, por gosto e vontade próprias, encontram uma mesa e uma folha de papel... 

Tenho pouco mais de três meses para decidir o que faço do estabelecimento. Há um jantar aprazado, em local de excelência e companhia que não dispenso, e até lá tenho de organizar as ideias. Talvez feche os olhos e cante, fingindo que há a opção de tudo passar e alguém decidir por mim.

JdB


18 julho 2013

Deixa-me rir...


Caros Audiophiles, I had the privilege recently of catching singer-guitarist Bonnie Raitt for the first time in concert. Her career spans more than 40 years, incorporating mainly blues, rock and folk, and her acclaimed slide guitar playing makes her something of a musician's musician. She has collaborated with many artists, and together with her political activism, charity work and constant touring, she has become a much-revered Lady of the Road. But it is her soulful bluesy voice that I admire most.
Although I had a passing familiarity with her name for some years before, I first noted her in 1989 with her song and album Nick Of Time, and then her follow-up album Luck Of The Draw.

From this period here she is performing "I Can't Make You Love Me" at the 1992 Grammy Awards, accompanied by Bruce Hornsby's distinctive piano [check his "The Way It Is"]. You probably will recognise the song from versions by Adele and George Michael, among many others, but Bonnie sang it first.




I could have posted many songs, in particular I've always loved Nick Of Time and You, but here is an example of her early bluesy guitar style and ballsy attitude:



And finally, from 2013, the lady keeps rolling on...




A proxima.
 
PO

17 julho 2013

Diário de uma astróloga – [56] – 17 de Julho de 2013

Estrela de David

Este período de Mercúrio retrógrado está prestes a terminar em 21 de julho. Foi horrível e fui bastante  afectada.  Não tive escolha, e assinámos o contrato de promessa da venda da nossa casa, iniciámos uma mudança  intercontinental, e tanto eu como a minha família andámos muito de avião. Problemas de comunicação em abundância como era de esperar e até alguns inesperados.  Foi um Mercúrio retrogrado clássico com stress e aborrecimentos.

Está quase no fim e eu estou ansiosa que chegue o dia 29 de julho de 2013, quando há algo de especial no céu. Não é uma super-lua, nem chuva de meteoros, nada visível a olho nu, mas é um momento importante no calendário cósmico de 2013 porque oferece uma pausa e um alívio das últimas energias difíceis.



A partir do topo da carta no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio ligados num hexágono, temos Plutão em Capricórnio, Neptuno em Peixes, a Lua em Touro, Júpiter e Marte (e um pouco mais afastado Mercúrio) em Caranguejo, Vénus em Virgem e Saturno em Escorpião. Cada planeta está a 60 graus dos adjacentes alternando entre signos de Terra e Água. Os planetas em Capricórnio, Touro e Virgem, formam um triângulo em signos de Terra (trígono)  e os planetas em signos de Água formam outro trígono. Isto significa que cada planeta está afastado 120 graus dos outros do mesmo elemento.

Em resumo: 8 dos 10 planetas estão em elementos yin,  energia predominantemente  feminina, receptiva,  capaz de melhorar a nossa percepção do mundo físico e de aumentar a nossa sensibilidade e sintonia com o mundo emocional. Apenas Sol e Urano estão em signos de fogo. NÃO há planetas em signos de ar.

O ângulo de 120 graus (trígono) proporciona facilidade e satisfação, porque cada planeta está no mesmo elemento isto é com energias compatíveis. No ângulo de 60 graus (sextil) as energias ainda são compatíveis, mas em diferentes elementos que lhe dá um pouco de estímulo. Chamamos ao sextil o aspecto da oportunidade, mas lembrem-se que oportunidade significa trabalho no sentido de que nós temos que ligar o motor, uma vez carregando na ignição o carro andará sem problemas.

O conflito entre Plutão e Urano, que tem dominado os últimos anos ainda está em curso (ver http://www.luizaazancot.com/pt/a-astrologia-da-crise/) mas o Universo dá-nos durante este período, que dura alguns dias para além do momento exacto do mapa, uma pausa e um pouco de alívio. Vamos descansar a mente (possível devido à ausência de ar) e centrarmo-nos (terra) e sentir (água). Vamos aproveitar ao máximo esta oportunidade cósmica que alguns chamam hexágono místico, outros grande sextil e outros a estrela de David. Independentemente do nome,  é um dos aspectos mais positivos que os céus podem proporcionar.

É uma formação rara. Pensa-se que a última vez que isto aconteceu foi no início do fim da Segunda Guerra Mundial, em 7 de Fevereiro de 1945. Exactamente durante a Conferência de Yalta que preparou o palco para o mundo do pós-guerra. Esse grande sextil era diferente porque os signos envolvidos eram fogo e ar, energias yang.

Não sei como este grande sextil se vai manifestar em 2013, mas todo mundo vai ser afectado de alguma forma a um nível pessoal ou colectivo.

Falando por mim, após o deplorável período de Mercúrio retrógrado, vou aproveitar alguns dias para recarregar energias, para me restablecer, para estar em paz, para respirar e sobretudo expirar. Mas  não vou estar totalmente passiva ... se uma oportunidade passar a jeito … agarro-a.

E os bebés nascidos sob este céu ... vão ser estrelas ou reis?

Luiza Azancot

16 julho 2013

Pensamentos impensados


Semelhanças
As praias têm micro algas.
As bulímicas têm micro nalgas.
 
Parole, parole, parole
Três partidos.
Um diálogo.
Talvez um monólogo.

SdB (I)

Duas Últimas


Pernambuco é um estado do nordeste brasileiro que tem conhecido grande desenvolvimento nos últimos anos, com enormes investimentos há pouco terminados e sobretudo em curso, públicos e privados, que têm puxado sobremaneira pelo crescimento do estado, diminuindo a endémica pobreza e encurtando distâncias para os estados do Sul. Em Recife, a capital, dizem com orgulho que dantes eram os locais que migravam para S. Paulo ou Rio em busca de melhores vidas (caso de Lula da Silva), mas que agora se assiste ao movimento contrário, com cariocas e paulistas a demandar esta região.

A presença de portugueses de 1ª e 2ª gerações é ali bem visível, o que tem pelo menos a vantagem de permitir ao patrício visitante uma integração rápida e fácil, em termos pessoais e profissionais. Outra vantagem é a distância, longínqua pois o Atlântico lá está de permeio, mas ainda assim aceitável em termos de horas transoceânicas de avião.

Por essas razões principais, é um estado que vale a pena conhecer melhor sob vários prismas, e esse é um propósito que espero não falhar!

Um pouco mais a Norte, distando uns 200 kms do Recife, o que no Brasil é ali ao lado, fica João Pessoa, capital do estado de Paraíba, onde um amigo meu tem uma casa de férias. Nunca lá estive, mas ele sempre me fala de um músico – o Jurandir do Sax – que todos os dias ao por do sol toca o seu saxofone na praia do Jacaré, em pé dentro de um pequeno bote, perto do local onde o rio Paraíba encontra o mar num cenário de grande beleza. A sua música de eleição e altamente predominante é o Bolero de Ravel.

O meu amigo assegura-me que o espectáculo é sempre presenciado por muita gente, enquanto se petisca e bebe nos bares e esplanadas à beira do rio, e que é magnifico. Os diversos vídeos que ouvi sobre o tema não são grande coisa, mas não tenho dúvidas que ao vivo “ a música será outra”, quanto mais não seja pelo pitoresco da coisa. Se andarem por essas paragens, talvez o possam confirmar.

Espero que gostem (inclusive o dono do estabelecimento, apesar de pouco dado a saxofones!).

fq

15 julho 2013

Vai um gin do Peter’s?


Dos terríveis conflitos em que, ironicamente, o século XX foi pródigo, chegando a somar duas guerras mundiais, nem tudo foi negativo, apesar da devastação em massa de populações e geografias, numa escala inédita.


Japão em 1945, numa imagem eloquente do filme «Imperador».

De facto, houve contributos positivos das guerras do século passado (em especial, na de 1939-1945) para a evolução das mentalidades, como a mudança de paradigma no estatuto dos vencedores, onde os Estados Unidos se destacaram, secundados pela Grã-Bretanha. De certo modo, os EUA aproximaram-se da máxima espectacular proferida por Churchill, mas de difícil cumprimento e nenhuma tradição na longa história da humanidade, à parte de gestos avulsos que não fizeram doutrina: ser magnânimo na vitória. A citação completa é: «In war, resolution; in defeat, defiance; in victory, magnanimity.» É significativo que a II Guerra tenha ficado conhecida, no mundo anglo-saxónica, como the last good war.

Ao centrar-se na entrada dos EUA no Japão recém-derrotado (1945), o ponto forte do filme «IMPERADOR»(1) incide, precisamente, nesse esforço de reabilitação do vencido e inimigo agora neutralizado, que urgia ajudar a reintegrar no grande mosaico das nações do mundo, onde todos, sem excepção, deviam ter voz. A delicadeza com que o povo japonês é retratado explica o sucesso da película no Japão e o facto de Webber ter sido o primeiro realizador estrangeiro a ser autorizado a filmar o Palácio Imperial.

Para se perceber a novidade desta atitude revolucionária dos vencedores (ainda que nem sempre ditada pelas melhores razões), vale a pena enquadrar o ambiente especialíssimo do final da Segunda Guerra, sobretudo no Império do Sol Nascente.

Por contraste, no Ocidente, a partir do desembarque no Dia D (Junho de 1944), multiplicaram-se os momentos em que as tropas aliadas convidaram os regimentos nazis a depor as armas e a juntar-se à sua causa, de forma respeitosa para os derrotados. Não por acaso, os prisioneiros do Reich procuravam sistematicamente entregar-se aos americanos e esquivar-se ao Exército Vermelho, que ia avançando pelo lado oriental, num efeito de tenaz sobre a Alemanha.

No Pacífico, os grandes heróis foram os norte-americanos face a uma milícia nipónica cruel, que não hesitou em recorrer aos piores métodos belicistas para tentar afirmar o seu domínio no Extremo Oriente. Não por acaso, ainda hoje são recordados pelas piores atrocidades infligidas em todos os países ocupados, das Filipinas à Coreia.   

Enquanto a 8 de Maio de 1945, a frente ocidental pôde assinar a paz, dando por finda a Guerra, na Ásia os japoneses teimavam em resistir, apesar de estarem a perder terreno desde há dois anos e sem a menor capacidade de conter o avanço do adversário. Nem o número exorbitante de mortos causados pelos raides americanos (Tóquio ficou arrasada nos bombardeios de Março de 45) e pelas operações kamikases parecia demovê-los a assumir uma derrota iminente. Preparavam-se, antes, para replicar nos mares o modelo horrendo dos kamikases, com nadadores-suicidas destinados a impedir o desembarque americano. Mesmo em zonas já desocupadas pelo exército japonês.

A 26 de Julho, na Declaração de Postdam, os Aliados intimaram formalmente as autoridades japonesas a aceitar uma derrota óbvia. Folhetos traduzidos para japonês foram largados em todo o território, a sensibilizar a população para a teimosia suicidária dos seus governantes. Sem resposta positiva, Truman mandou recorrer à temível arma nuclear. Hiroshima foi o alvo e sabemos os efeitos avassaladores daquela explosão, deflagrada pelas 8h00 da manhã, da Segunda-feira de 6 de Agosto.

A 7 de Agosto, nova saraivada de panfletos traduzidos foi lançada pelos caças americanos, incitando o povo japonês a pugnar pelo fim da guerra. Estranhamente, os líderes japoneses continuaram sem emitir qualquer sinal público de cedência, embora haja quem hoje defenda que estaria em marcha o processo de rendição, só que no segredo dos deuses, sendo apenas visível a beligerância.

A 9 de Agosto, um segundo cogumelo termonuclear arrasou Nagasaki. Os alvos tinham sido escolhidos por serem zonas de maior pujança económica e industrial, das poucas que ainda restavam.

Mais panfletos e mais raides aéreos, até à rendição incondicional a 15 de Agosto, sendo assinado o armistício a 2 de Setembro de 1945. E aqui começa o «IMPERADOR», com as cúpulas militares dos EUA ainda a bordo do voo com destino à capital derrotada.


McArthur, sempre a posar para a posteridade…

McArthur aproveitava os últimos minutos da viagem para acertar com o especialista nos assuntos japoneses, o então Coronel Bonner Fellers, os cuidados a ter com aquela gente tão exótica, delegando nele a tarefa hercúlea de avaliar, em apenas 10 dias, a responsabilidade de Hirohito no conflito. Era um dado crucial para decidir se deveria ser condenado como criminoso de guerra ou amnistiado. Sentia-se bem o peso da repercussão gigantesca de tal decisão, fosse a favor de Hirohito e contra uma maioria justiceira na opinião pública americana, fosse contra Hirohito e abrindo uma brecha talvez irreversível no apaziguamento do Império do Sol, para quem o Imperador era sagrado!

Um dilema tremendo, que Fellers solucionou com uma perícia e humanidade dignas de nota. Como é digna de nota a tolerância geral dos oficiais americanos, a par de uma vaidade egocêntrica e individualista, mas conciliadora e bem versátil, ainda que recorrendo, aqui e ali, a expedientes menos rigoroso e manipulativos. Naturalmente que também havia vozes dissonantes e mesquinhas na equipa do General. Mas estavam longe de ofuscar o carácter aberto, generoso e vanguardista dos EUA, na posição de vencedores.

Sem quebrar o suspense, são bem interessantes os flash-backs do filme para captar os alvores da Guerra, recuando aos primórdios da ligação de Fellers à civilização nipónica. Tudo começou pela sua paixão soft (nem tinha espaço para ser de outra forma), mas muito arreigada e fiel, por uma universitária japonesa, cúmulo da doçura, da sobriedade e do pudor, na acepção mais profunda. Características que perpassam na generalidade dos orientais que contracenam no filme. 

Muitos dos factos ali apresentados são verídicos e todos impressionantes. As duas filas de soldados japoneses de arma em riste, perfilados nas bermas do caminho que McArthur teria de percorrer, mal saísse do aeroporto, levantavam as piores suspeitas, embora o oficial americano especialista naquele país não vislumbrasse grande perigo. O facto é que o General resolveu arriscar, escondendo o medo numa pose sobranceira e artificialmente descontraída. Assim percorreu a célebre alameda, algo alarmado com o insólito comportamento da guarda asiática, que ia virando as costas ao seu carro, à medida que avançava o cortejo dos vitoriosos. Explicação de Fellers: não, não era uma desfeita aos novos ocupantes; antes dispensavam aos americanos a veneração mais respeitosa do seu intrincado código de honra e apenas merecida pelo Imperador, a quem nunca deviam olhar nos olhos!


A enigmática guarda de honra aos representantes dos EUA,
temendo-se uma chacina. 

Grande parte das imagens são a preto-e-branco, transmitindo melhor os tons pardos das cinzas que invadiam a paisagem calcinada de um território massacrado ad nauseam. 

O comportamento suave, informal e até humilde de Hirohito com o exército norte-americano (que não apenas com McArthur) foi outra das grandes surpresas, até mesmo (ou mais ainda) para os japoneses, em concreto para o séquito que o acompanhava naqueles encontros emblemáticos entre um semi-deus e as milícias dos EUA.

Há decisões com um eco imenso nas gerações futuras, capazes de mudar a forma de se exercer o poder e gerir a vitória. Muitas nem são conscientes. Mas nesta aterragem em Tóquio havia a plena noção do alcance do que ali fosse deliberado, transformando o rumo dos acontecimentos. E procurou-se estar à altura do desafio histórico, sendo forçoso gizá-lo num presente de lusco-fusco… como é frequente na condição humana. Só que fez toda a diferença a solução ter sido encomendada a um oficial com especial afeição por aquele país distante e bizarro, aos olhos de um ocidental. Provou ser um óptimo ponto de partida, porque decide-se melhor quando se respeita e gosta das pessoas. É tão mais construtivo o olhar de quem ama! Ideal para descobrir uma rota de Esperança.


No país do oncle Sam, nos bons tempos da faculdade.
Trailer do filme disponível no site oficial: www.emperor-themovie.com

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1) FICHA TÉCNICA

Título original:
Emperor
Título traduzido em Portugal:
Imperador
Realização:
Peter Webber
Argumento:
Vera Blasi e David Klass
Produzido por:
Nick Meyer e Marc Schaberg
Duração:
105 min.
Ano:      
2012
País:
Japão/EUA
        Elenco:

Tommy Lee Jones (McArthur)
Matthew Fox (Fellers, o oficial perito no Japão)
Erico Hatsume (Aya, a paixão de Fellers), etc.
com percentagem elevada de  japoneses.
Local das filmagens:

Japão (incluindo o Palácio Imperial!) e  Nova Zelândia

Site oficial:

www.emperor-themovie.com



14 julho 2013

15º Domingo do Tempo Comum

Hoje é domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.

Quem me lê ao Domingo por amizade, ou uma certa ocupação de tempos livres, pode recuar dois dias e ater-se, com atenção e solicitude, na homilia do Papa Francisco na ilha de Lampedusa. Com excepção de um parágrafo dedicado a agradecimentos, copiei e colei tudo o resto.

O Bom Samaritano volta a incomodar-nos a consciência. Foi na ilha, já ali ao dobrar da esquina de cada um, onde se materializa a globalização da indiferença; será hoje, para quem lê ou ouve o evangelho dominical e sobre ele tece considerações várias, públicas ou reservadas.

Talvez devêssemos ter estes versículos de S. Lucas em permanência à nossa vista: na mesa de cabeceira ao lado do livro do momento, nos escritórios onde exercemos misteres profissionais, nos carros onde vamos daqui para ali. A parábola do homem que ia de viagem e que parou para socorrer o desgraçado que foi roubado, sovado e deixado quase morto na beira da estrada, fica a ressoar-nos na cabeça. O texto é excelente e cumpre as regras que aprendemos nos cursos, porque tem um final forte que encarcera a memória. Mas o começo não é de somenos impacto - amar a Deus e ao próximo como a ti mesmo...  Caramba!, que o desafio é de monta.

Uma parte substantiva de todos nós, estou certo, prefere ser inopinadamente burro na leitura deste trecho do Bom Samaritano. Afinal, quantos de nós foram postos à prova tendo de socorrer gente espancada e quase morta na beira da estrada? Provavelmente ninguém... Ora, quando nos armamos da inteligência que todos temos, o caso fia mais fino. O que é isso de ser-se roubado, espancado, deixado quase morto? É só o lado físico? E as humilhações, as solidões, os abandonos, as perdas, as desesperanças, os desesperos? É uma categoria à parte que classificamos no "não aplicável"? Não deve ser, pois não?

Nas nossas viagens e no encontro com os desesperados podemos ser o sacerdote, o levita ou o samaritano. Que papel nos assenta mais?

Bom Domingo para todos.

JdB

***

EVANGELHO – Lc 10,25-37

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
levantou-se um doutor da lei
e perguntou a Jesus para O experimentar:
«Mestre,
que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?»
Jesus disse-lhe:
«Que está escrito na lei? Como lês tu?»
Ele respondeu:
«Amarás o Senhor teu Deus
com todo o teu coração e com toda a tua alma,
com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento;
e ao próximo como a ti mesmo».
Disse-lhe Jesus:
«Respondeste bem. Faz isso e viverás».
Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus:
«E quem é o meu próximo?»
Jesus, tomando a palavra, disse:
«Um homem descia de Jerusalém para Jericó
e caiu nas mãos dos salteadores.
Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no
e foram-se embora, deixando-o meio morto.
Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote;
viu-o e passou adiante.
Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar,
viu-o e passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem,
passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho,
colocou-o sobre a sua própria montada,
levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirou duas moedas,
deu-as ao estalajadeiro e disse:
‘Trata bem dele; e o que gastares a mais
eu to pagarei quando voltar’.
Qual destes três te parece ter sido o próximo
daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
O doutor da lei respondeu:
«O que teve compaixão dele».
Disse-lhe Jesus:
«Então vai e faz o mesmo».

13 julho 2013

Pensamentos impensados


Chinesisses
Saraiva em chinês diz-se cuspo (salaiva).
 
Legalidade
Se eu for a um leilão e não licitar, cometo algum ilícito?
 
Faixas etárias
Costuma dizer-se que a meia idade é por volta dos 40 anos.
Quem morrer com 43 anos diz-se que morreu na flor da meia idade.
 
Mais Lavoisier
Lavoisier quando disse que nada se perde não sabia o que estava a dizer.
Como perdas definitivo temos a vida, o último comboio e a virgindade.
Como perdas temporárias temos a cabeça, a carteira e o Norte.
 
Desporto
As mulheres que praticam boxe são ultra violentas.
 
Feitios
Os comunistas têm sempre um ar chateado; não admira, acordam
sempre para o lado esquerdo.

SdB (I)

12 julho 2013

A homilia do Papa em Lampedusa


Emigrantes mortos no mar; barcos que em vez de ser uma rota de esperança, foram uma rota de morte. Assim recitava o título dos jornais. Desde há algumas semanas, quando tive conhecimento desta notícia (que infelizmente se vai repetindo tantas vezes), o caso volta-me continuamente ao pensamento como um espinho no coração que faz doer. E então senti o dever de vir aqui hoje para rezar, para cumprir um gesto de solidariedade, mas também para despertar as nossas consciências a fim de que não se repita o que aconteceu. Que não se repita, por favor. 

(...) 

Nesta manhã quero, à luz da Palavra de Deus que escutamos, propor algumas palavras que sejam sobretudo uma provocação à consciência de todos, que a todos incitem a reflectir e mudar concretamente certas atitudes. 

«Adão, onde estás?»: é a primeira pergunta que Deus faz ao homem depois do pecado. «Onde estás, Adão?». E Adão é um homem desorientado, que perdeu o seu lugar na criação, porque presume que vai tornar-se poderoso, poder dominar tudo, ser Deus. E quebra-se a harmonia, o homem erra; e o mesmo se passa na relação com o outro, que já não é o irmão a amar, mas simplesmente o outro que perturba a minha vida, o meu bem-estar. E Deus coloca a segunda pergunta: «Caim, onde está o teu irmão?» O sonho de ser poderoso, ser grande como Deus ou, melhor, ser Deus, leva a uma cadeia de erros que é cadeia de morte: leva a derramar o sangue do irmão! 

Estas duas perguntas de Deus ressoam, também hoje, com toda a sua força! Muitos de nós – e neste número me incluo também eu – estamos desorientados, já não estamos atentos ao mundo em que vivemos, não cuidamos nem guardamos aquilo que Deus criou para todos, e já não somos capazes sequer de nos guardar uns com os outros. E, quando esta desorientação atinge as dimensões do mundo, chega-se a tragédias como aquela a que assistimos. 

«Onde está o teu irmão? A voz do seu sangue clama até Mim», diz o Senhor Deus. Esta não é uma pergunta posta a outrem; é uma pergunta posta a mim, a ti, a cada um de nós. Estes nossos irmãos e irmãs procuravam sair de situações difíceis, para encontrarem um pouco de serenidade e de paz; procuravam um lugar melhor para si e suas famílias, mas encontraram a morte. Quantas vezes outros que procuram o mesmo não encontram compreensão, não encontram acolhimento, não encontram solidariedade! E as suas vozes sobem até Deus! Uma vez mais vos agradeço, habitantes de Lampedusa, pela solidariedade. Recentemente falei com um destes irmãos. Antes de chegar aqui, passaram pelas mãos dos traficantes, daqueles que exploram a pobreza dos outros, daquelas pessoas para quem a pobreza dos outros é uma fonte de lucro. Quanto sofreram! E alguns não conseguiram chegar. 

«Onde está o teu irmão?» Quem é o responsável por este sangue? Na literatura espanhola, há uma comédia de Félix Lope de Vega, que conta como os habitantes da cidade de Fuente Ovejuna matam o Governador, porque é um tirano, mas fazem-no de modo que não se saiba quem realizou a execução. E, quando o juiz do rei pergunta «quem matou o Governador», todos respondem: «Fuente Ovejuna, senhor». Todos e ninguém! Também hoje assoma intensamente esta pergunta: Quem é o responsável pelo sangue destes irmãos e irmãs? Ninguém! Todos nós respondemos assim: não sou eu, não tenho nada a ver com isso; serão outros, eu não certamente. Mas Deus pergunta a cada um de nós: «Onde está o sangue do teu irmão que clama até Mim?» Hoje ninguém no mundo se sente responsável por isso; perdemos o sentido da responsabilidade fraterna; caímos na atitude hipócrita do sacerdote e do levita de que falava Jesus na parábola do Bom Samaritano: ao vermos o irmão quase morto na beira da estrada, talvez pensemos «coitado» e prosseguimos o nosso caminho, não é dever nosso; e isto basta para nos tranquilizarmos, para sentirmos a consciência em ordem. A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa! 

Reaparece a figura do «Inominado» de Alexandre Manzoni. A globalização da indiferença torna-nos a todos «inominados», responsáveis sem nome nem rosto. 

«Adão, onde estás?» e «onde está o teu irmão?» são as duas perguntas que Deus coloca no início da história da humanidade e dirige também a todos os homens do nosso tempo, incluindo nós próprios. Mas eu queria que nos puséssemos uma terceira pergunta: «Quem de nós chorou por este facto e por factos como este?» Quem chorou pela morte destes irmãos e irmãs? Quem chorou por estas pessoas que vinham no barco? Pelas mães jovens que traziam os seus filhos? Por estes homens cujo desejo era conseguir qualquer coisa para sustentar as próprias famílias? Somos uma sociedade que esqueceu a experiência de chorar, de «padecer com»: a globalização da indiferença tirou-nos a capacidade de chorar! No Evangelho, ouvimos o brado, o choro, o grande lamento: «Raquel chora os seus filhos (...), porque já não existem». Herodes semeou morte para defender o seu bem-estar, a sua própria bola de sabão. E isto continua a repetir-se... Peçamos ao Senhor que apague também o que resta de Herodes no nosso coração; peçamos ao Senhor a graça de chorar pela nossa indiferença, de chorar pela crueldade que há no mundo, em nós, incluindo aqueles que, no anonimato, tomam decisões socioeconómicas que abrem a estrada aos dramas como este. «Quem chorou?» Quem chorou hoje no mundo? 

Senhor, nesta Liturgia, que é uma liturgia de penitência, pedimos perdão pela indiferença por tantos irmãos e irmãs; pedimo-Vos perdão, Pai, por quem se acomodou,  e se fechou no seu próprio bem-estar que leva à anestesia do coração; pedimo-Vos perdão por aqueles que, com as suas decisões a nível mundial, criaram situações que conduzem a estes dramas. Perdão, Senhor! 

Senhor, fazei que hoje ouçamos também as tuas perguntas: «Adão, onde estás?» «Onde está o sangue do teu irmão?».

11 julho 2013

Da(s) felicidade(s)

Fotografia de JMAC

Através de um blogue que frequento chego a um artigo da revista The Atlantic, que publica o resultado de um estudo feito pela Universidade de Chicago segundo o qual o autodomínio nos torna mais felizes a longo prazo. O artigo é interessante, fluido, e lê-se com a leveza dos textos não científicos. O título e o subtítulo (que traduzo livremente) são elucidativos: As pessoas com muito autodomínio são mais felizes. Estranhamente, as pessoas que melhor sabem resistir aos impulsos referem estar mais satisfeitas com as suas vidas. 

Uma pesquisa medianamente aturada pela internet dirá tudo isto e o seu contrário: que os livres são mais felizes, que viver-se o dia a dia é um factor determinante para a alegria terrena, que os histrionicamente francos e transparentes passam ao lado das doenças do século, que as tentações só existem para que lhes cedamos com alegria e despudor. Há uma profusão de teorias sobre a felicidade. Não precisamos vasculhar o que em cada universidade se perorou sobre o assunto, basta-nos ouvir quem faz parte do nosso círculo de amizades. Todos queremos ser felizes e parece haver sempre correntes dominantes. Numa certa altura da minha vida temi mesmo que houvesse um modelo de seguimento obrigatório. Seria bastante mais do que a tendência da moda, algo mais ou menos orientativo. Neste caso da felicidade, era uma espécie de ditame que, a não respeitar-se, nos condenaria a uma peregrinação acabrunhada. Os tempos livres, as férias, os fins de semana tinham de ser vividos nessa conformidade.

O estudo valerá tanto como outro que se publique em sentido contrário. O mais desafiante da nossa caminhada de felicidade não estará no modo como conduzimos a nossa vida, mas na forma como afectamos a vida do próximo. Dentro de certos limites, o autodomínio é tão bom como a sua inversa, desde que não suscite desequilíbrios nefastos. Vi o suficiente para sustentar esta evidência. Assumindo que não vivemos sozinhos e que fazemos parte de uma aldeia mais global - mesmo que a globalidade se limite ao nosso lar e adjacências - tudo é aceitável desde que não esmaguemos o próximo e a nós mesmos. Talvez por isso o desafio do homem bom seja este: somos felizes quando fazemos os outros felizes. E isso consegue-se resistindo às tentações, como se consegue vivendo hoje na miragem de que não há amanhã.

JdB       


10 julho 2013

Da paz e da paisagem

Fotografia do homem de Azeitão, JMAC


A história foi-me contada na primeira pessoa. No fim de uma aula de ginástica, naquele momento zen em que se apela ao relaxamento do corpo e da mente, o professor terá exortado os alunos a pensarem num local onde tenham sentido paz. A pessoa que me contou teve um assomo de angústia, pois não se lembrava de nenhum sítio onde a tivesse encontrado alguma vez.

Quando me contaram a história elegi, interiormente e de imediato, o local onde tinha encontrado um sossego que não mais esqueceria. A minha disposição pessoal estava minada, por aqueles dias, de algumas preocupações. Mas o local por onde deambulei sozinho - vasto, silencioso, sempre com vista de mar - foi um poderoso auxiliar na descoberta, ainda que efémera, de alguma tranquilidade. Olho para trás, para um passado ainda recente, e seria este o sítio eleito caso estivesse naquela aula de ginástica.

Como associamos a paz à geografia? Este sossego de alma depende da beleza do local (ou de qualquer outro factor de encanto) ou é-lhe totalmente extrínseco? Em que medida a paz assenta essencialmente em nós, no nosso trabalho interior, sendo a paisagem um mero factor de facilitação? Pensemos no sítio mais feio que já tivemos oportunidade de conhecer. Poderemos sentir uma espécie de exaltação interior se as condições da alma o possibilitassem? Argumentemos de forma inversa, e recordemos o local mais bonito do mundo. Poderíamos ser sustentadamente infelizes confrontados com uma beleza sem par? Que importância tem, de facto, a paisagem na nosso procura de paz?

Olho para trás, para a minha vida de turista tout court, mas também para a minha vida de viajante que atenta nas coisas, medita sobre elas, vê além do desfocado que o imediatismo impõe. Onde encontrei eu paz? E neste sítio por onde deambulei sozinho com uma alma preocupada, terei encontrado paz? Ou encontrei apenas uma ilusão de paz que me foi dada pela amplitude e pelo silêncio? Onde mora a paz dentro de nós? No coração, ou nos ouvidos e nos olhos?

JdB

09 julho 2013

Duas últimas

No final da pós-graduação, numa das últimas aulas dadas pelo Gonçalo M Tavares, foi-nos sugerido que trouxéssemos um objecto. Poderia ser algo de que quiséssemos falar, que nos  dissesse alguma coisa, etc.

Curiosamente, ou talvez não, a generalidade dos alunos trouxe um objecto qualquer ao qual associou uma pessoa, um tempo da vida, uma emoção. Poucos - muito poucos - trouxeram o objecto em si. E desses, se não estou em erro, a esmagadora parte era gente já com alguma idade, isto é, com mais de 50 anos. Uma pessoa trouxe um livro específico, outra um porta-chaves igualmente específico, outra alguma coisa de que não me lembro.

Será que isto nos diz alguma coisa? As gerações mais novas têm menos apego/ligação aos objectos? Privilegiam as sensações que os objectos lhes trazem, mais do que uma qualquer atracção pelo artigo em si? Não faço ideia. A dimensão da amostra não é muito representativa, e talvez os alunos se tivessem esquecido e aproveitassem um estratagema para não ficarem mal. 

Numa visão muito radical - e de improvável sagacidade - seria um pouco como se duas pessoas de gerações diferentes proferissem estas palavras na aula, empunhando um mesmo objecto:

- trouxe este relógio, que me foi dado por...
- trouxe este relógio, que me lembra... 

Deixo-vos com Chet Baker, numa toada convidativa à pergunta interior: o que levaria eu para a aula do Gonçalo M Tavares?

JdB
  


08 julho 2013

Fórmula para o caos

Confesso que não consigo comentar por palavras tudo o que se passou esta semana neste cantinho à beira-mar plantado que alguns classificam como país, e outros, que sempre condenei pelo termo jocoso utilizado, mas que agora, num acto de contrição, lhes concedo razão, denominam "esta espécie de país." A falta de comentário não é originada pela pobre substância do que se passou, mas resulta da minha limitada capacidade literária para a descrição correcta do sucedido. Talvez seja da tenra idade que o Cartão do Cidadão apresenta, talvez seja a falta de vocação ou mesmo pouco mundo. Como disse Ludwig Wittgenstein: " os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo." 

Como tal, não havendo vocábulos, deixo-vos um vídeo que ilustra, mais coisa menos coisa, a semana política.


Pedro Castelo Branco

07 julho 2013

14º Domingo do Tempo Comum


ATÉ SEMPRE …..

Caros leitores,

Hoje não vou comentar o Evangelho de Domingo.  Deixo essa árdua tarefa para o ilustre Dono deste Estabelecimento; aliás, tarefa essa que ele leva a cabo todos os “outros” Domingos, eximiamente. Hoje, despeço-me de todos aqueles que, ao longo destes (quantos ?) anos, tiveram pachorra para ler os meus Posts quinzenais. A todos vós, agradeço os bons e maus momentos que aqui passámos. As gargalhadas que demos, as lágrimas que chorámos, as caretas que fizemos (alguns posts bem mereciam certa caretas!). Acima de tudo, agradeço ao João pelo desafio que, um dia, numa esquina qualquer, me lançou e me levou a passar para o papel, sentimentos, ideias e emoções que, de outra forma, não teriam visto a luz do dia.

A vida é mesmo assim, tem altos e baixos, o entusiasmo inicial, a fase ongoing e o cansaço final. Tratando-se de uma actividade de lazer, a escrita, só faz sentido se vier de dentro, se fluir sem esforço, se der verdadeiro gozo a quem a pratica.

Não vos escondo que, ultimamente, estava a ser cada vez mais difícil encontrar entusiasmo para ler, interiorizar e partilhar os evangelhos dominicais, tendo chegado ao ponto de me esquecer de “postar” 2 Domingos seguidos.  Perante isso, o meu bom amigo João, na sua enorme bondade e com aquela sensibilidade que lhe é característica, colocou-me totalmente à vontade para poder desistir …. sim, a palavra certa é essa, embora ele não a tenha usado ( … a tal sensibilidade que referi atrás !).

Por isso, aqui estou, para lhes dizer até sempre, que eu não gosto da expressão ‘adeus’. Foi um privilégio poder ter participado neste Blogue específico. Já tenho espreitado outros, mas nunca encontrei nenhum onde a espiritualidade, a amizade e a sabedoria andassem, assim, de mãos dadas. 

Espero que se mantenha on-line por muito mais tempo e que muitos outros bloguistas tenham a sorte de passar por aqui.

Obrigada João. Quem sabe, talvez “até ao meu regresso"!

Bem-hajam.

MAF


***

EVANGELHO Lc 10, 1-12.17-20

Naquele tempo,
designou o Senhor setenta e dois discípulos
e enviou-os dois a dois à sua frente,
a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.
E dizia-lhes:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao dono da seara
que mande trabalhadores para a sua seara.
Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.
Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias,
nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho.
Quando entrardes nalguma casa,
dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’.
E se lá houver gente de paz,
a vossa paz repousará sobre eles;
senão, ficará convosco.
Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem,
que o trabalhador merece o seu salário.
Não andeis de casa em casa.
Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem,
comei do que vos servirem,
curai os enfermos que nela houver
e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’.
Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem,
saí à praça pública e dizei:
‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés
sacudimos para vós.
No entanto, ficai sabendo:
Está perto o reino de Deus’.
Eu vos digo:
Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma
do que para essa cidade».
Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo:
«Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome».
Jesus respondeu-lhes:
«Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago.
Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões
e dominar toda a força do inimigo;
nada poderá causar-vos dano.
Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem;
alegrai-vos antes
porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».

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