quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Crónicas de um mestrando tardio


O enunciado do último ensaio entregue era este. Aqui está a minha contribuição.

JdB

***


Fixemo-nos na primeira pergunta: a frase “I’ll tell you straight” é uma frase verdadeira?
Retomemos o pensamento de Frege, para quem:
  •                Conhecimento são juízos onde se junta um pensamento com um referente.
  •                Frases com referência transmitem conhecimento e
  •                frases sem referência não transmitem conhecimento.

Ainda segundo Frege, todas as frases que contêm uma palavra sem referente não têm referente e, nesse sentido, não podem veicular conhecimento. Frases que caiem neste tipo não podem ser consideradas verdadeiras nem falsas.
A frase citada – “Mine eyes are not o’ the best: I’ll tell you straight” é atribuída a Shakespeare, na sua obra King Lear, sendo proferida na terceira cena do quinto acto, quando o Rei Lear fala com Kent.
Imaginemos que o actor tem, de facto, uma excelente visão. A frase “I’ll tell you straight” (vou ser directo), depois da referência a uma falta de visão, é verdadeira?
Acontece que o Rei Lear é uma personagem saída da imaginação do dramaturgo inglês, assim como Kent. Nenhum dos dois existiu na realidade. O facto de o actor que incarna o personagem ter, na realidade, excelentes olhos (também poderia ser quase cego) é irrelevante para o caso, se seguirmos a teoria de Frege: frases ditas por entidades ficcionais não podem ser consideradas verdadeiras ou falsas.

***

Abordando o tema por outra vertente, poderíamos ir mais além e classificar um actor, pela natureza do seu trabalho, como simples repetidor (papagueador, passe o neologismo) de frases escritas por outros. Entenderíamos inclusivamente, como Frege, que um actor está mais próximo de um papagaio do que uma pessoa. Só assim se compreende que, reproduzindo com fidelidade o guião que lhes é entregue, um cego possa falar nos pássaros que vê e um anão se autodefina como tendo dois metros de altura (ambos os exemplos em sentido literal, e não metafórico).
Para Anscombe, “A resposta às questões aqui levantadas é a de que não podemos atribuir um verdadeiro fingimento a nada a menos que possamos atribuir-lhe (a) um objectivo e (b) a ideia de ‘pode obter-se parecendo que...’”.
Diz ainda Anscombe: “Independentemente destas simpáticas projecções, temos de afirmar: só podemos atribuir fingimento a seres aos quais possamos atribuir cálculo proposital (purposive calculation)”. Ora, na abordagem que classifica o actor como um papagaio, podemos questionar-nos se é possível atribuir-se ao pássaro um cálculo proposital. E se não há cálculo proposital, como pode haver fingimento? A resposta à segunda pergunta, que inquiria se o actor está a fingir, seria, por esta abordagem mais zoológica, não.

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Para Anscombe, é necessário tempo para que possamos perceber a natureza de uma paixão. Entendam-se, como exemplos de paixão, a fúria ou a tristeza, por oposição aos exemplos de emoção (sensação), como a pele-de-galinha ou a transpiração.
Aludindo ao caso do presumível fingimento de uma dor, diz Anscombe: “no entanto, isto não significa que haja normalmente dificuldade em saber se alguém sente dor ou não. A dificuldade ocorre nalguns casos; e por vezes não consegue resolver-se. Podemos também pensar na fúria; mas haveria muito mais a considerar no caso da fúria: toda a história da ocasião (the whole story of the occasion)”.
Para Anscombe, portanto, precisamos de conhecer toda a história – razões, motivos, causas, etc. – para distinguir uma fúria genuína de uma não genuína. Precisamos de tempo para saber se há ou não fingimento.
Regressemos então ao diálogo do Rei Lear. Já concluímos que a frase não é, na visão fregeana, verdadeira nem falsa, porque é proferida por um personagem de ficção, um personagem que nunca existiu. Concluímos ainda que o actor, numa abordagem que junta Frege e Anscombe, não finge, porque não há cálculo proposital. O actor papagueia uma frase, não tem um objectivo que possa ser-lhe atribuído.
Quando o actor proclama a frase “[Mine eyes are not o’ the best]: I’ll tell you straight” está ele a fingir? A segunda parte da frase do Rei Lear remete-nos para uma espécie de franqueza, um desejo de ser-se directo. Ora, a franqueza será, na acepção de Anscombe, uma paixão. Nesse sentido, seríamos  forçados a conhecer a whole story of the occasion antes de nos pronunciarmos: quais são as verdadeiras razões/motivações/causas para o Rei Lear dizer aquela frase ao seu interlocutor? E que forma temos de detectar se alguém é/está a ser directo/sincero?
Entrando no drama de Shakespeare, isto é, assumindo o Rei Lear e o Conde de Kent como pessoas de carne e osso, a whole story seria, de facto, uma condição necessária para averiguarmos da sinceridade – por oposição a fingimento -  da frase referida. Mas falamos de actores. Sabemos, ainda segundo Anscombe, que “o fingimento é um conceito dependente de uma intenção”. Ora, onde está a intenção do actor, a não ser entreter uma audiência sendo o mais fiel possível ao texto e encenação? Como pode ele então fingir o que quer que seja, excepto fingir ser alguém, que na realidade não é nem nunca será, por via da sua própria profissão?
Por outro lado, sendo que uma acção fingida não pode ser interpretada porque não é bem uma acção, e considerando que o actor é um fingidor, como poderemos, em bom rigor, interpretar a sua motivação? O actor finge sempre. O Rei Lear finge? Teríamos de saber a história completa.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Do dia de hoje


Estou em crer que não serei original: todos os que têm uma idade idade semelhante à minha se recordam de terem dito um dia que já não fariam mais amigos, que os existentes bastavam para constituir uma reserva até que a morte nos tocasse à porta, de gadanha e caveira. A vantagem de não ter amnésia não é só lembrar datas, relações de parentesco, frases curiosas, ementas de tempos idos. Há uma dimensão libertadora no riso de disparates próprios.

Nos últimos anos travei conhecimentos, constituí recordações para memória futura, fiz amizades - embora achasse que já não era tempo para tal. Não tenho Facebook, pelo que não colecciono likes nem coisas quejandas. Aos amigos dou e solicito intimidade por igual, mesmo sabendo que todos somos uma diferença que se revela, muitas vezes, na extensão da dádiva. Ainda bem, porque estas relações também são uma espécie de vasos comunicantes.

Esta semana, por um daqueles acasos que nos batem à porta - é importante que o acaso perceba que a nossa porta se deixa visitar - encontrei uma outra virtude nestas coisas. E percebi que alguns destes amigos me ofereceram algo que aprendi numa enervada manhã de 2ªfeira, filosofando sobre ironia: a hipótese de um outro vocabulário. A nossa vida - o que somos e onde somos - encarrega-se de nos formar um conjunto de ideias, pensamentos, conceitos, valores. Formamos um vocabulário interno, que entendemos ser final, até que um encontro fortuito (e são sempre fortuitos, mesmo se encomendados pelo destino) elimine em nós este vocabulário final, para dar lugar a outro. Sãos os livros, as experiências, os filmes, os pequenos nadas, as viagens mentais ou físicas. E são os amigos. Mais este do que aquele, sobretudo muito este e menos aquele, talvez. A eles agradeço esta possibilidade de me ajudarem a substituir um vocabulário final por outro vocabulário final, forçosamente mais próximo de algo maior. Parece curto e enigmático mas para mim, dono e editor deste estabelecimento, com o dia de hoje bem presente, não é. 

Para já é isto, que não tarda haverá mais…

JdB

PS: Imaginemos que tudo poderia ser visto do céu: as casas, as cidades do nosso encanto, as pessoas, as relações, as amizades, os vocabulários. Imaginemos que por um instante, toda a nossa visão subiria e a perspectiva se alterava. O que veríamos nós? Como veríamos nós? Tudo visto do céu...

  

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Crónicas de um mestrando tardio

Das perguntas abaixo sairão 3 para o teste de 4ªfeira. Conto com a possibilidade de consulta e com uma caligrafia que é indecifrável para me safar com uma honra que respeite os mínimos…

JdB


Chaos and Order                         Midterm Exam Questions                      Fall 2013

1.     It is often said that during the medieval period, natural philosophy was a synthesis of Aristotelian philosophy and Christian theology. Is this a reasonable assessment in your opinion? Give an example of how Aquinas adapts Aristotle’s physics to the Christian view? How is this synthesis reflected in Dante’s Divine Comedy?

2.     The logical positivist Rudolf Carnap and his contemporary, Karl Popper, were two of the great philosophers of science in the 20th century. Briefly discuss to what extent their ideas agreed and disagreed in terms of scientific methodology, relation between appearance and reality, and the roles of logic and empirical observation in science.

3.     In The Structure of Scientific Revolutions, Kuhn discusses how changes in world-views and methods (“paradigm shifts”) typically play out (described nicely in the Godfrey-Smith reading). Briefly analyze the transition from the medieval world-view to the modern (i.e. heliocentric) view in light of Kuhn’s ideas. In what ways do you think the geocentric to heliocentric transition that takes place in the 16th and  17th centuries agrees/disagrees with Kuhn’s ideas about how science progresses?

4.     What is meant by the term “Clockwork Universe”? In what ways is this world-view reflected in the ideas of Newton, Descartes, and Boyle regarding space, time, and motion? Are there points on which these three writers differ?

5.     Briefly contrast the Aristotelian, Galilean, and Newtonian views of motion. What roles do concepts such as impetus, force, essence, and mass play in the evolution from the ancient to modern view?  What are some of the metaphysical changes in world-view brought about by this transition?

6.     Briefly describe at least two epistemological changes during the period spanning the mid-16th to late-17th centuries. How did the methods of science change during this period?  How did this transition from the late medieval period to the dawn of the modern era change Humanity’s conception of God?

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Fórmula para o caos

O Guião em 10 Etapas

1. O Governo entra em funções e crê ser fundamental reformar o Estado.

2. Sem tempo para reformar o Estado entre a tomada de posse e a apresentação do orçamento para 2012, o Governo faz cortes indiscriminados na despesa pública.

3. O primeiro-ministro delega na pessoa do ministro dos Negócios Estrangeiros a formulação e apresentação de um Guião sobre a Reforma do Estado.

4. O ministro dos Negócios Estrangeiros aponta a apresentação do Guião para 15 de Fevereiro de 2013.

5. O mesmo ministro adia a apresentação para Junho de 2013.

6. Em Julho de 2013, sem ter apresentado qualquer Guião, o ministro dos Negócios Estrangeiros demite-se do executivo e afirma tratar-se de uma decisão irrevogável.

7. O ministro demissionário, após negociação com o primeiro-ministro, passa a ocupar o cargo de vice-primeiro-ministro e fica com a pasta da Reforma do Estado.

8. O primeiro.ministro garante que o Guião vai ser discutido e aprovado em Conselho de Ministros no dia 24 de Outubro.

9. O primeiro-ministro assegura que o Guião vai ser discutido e aprovado em Conselho de Ministros no dia 31 de Outubro. 

10. Faltam quatro dia para o esperado dia 31 de Outubro…

Pedro Castelo Branco

domingo, 27 de outubro de 2013

30º Domingo do Tempo Comum

EVANGELHO – Lc 18,9-14
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
Jesus disse a seguinte parábola
para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros:
«Dois homens subiram ao templo para orar;
um era fariseu e o outro publicano.
O fariseu, de pé, orava assim:
‘Meu Deus, dou-Vos graças
por não ser como os outros homens,
que são ladrões, injustos e adúlteros,
nem como este publicano.
Jejuo duas vezes por semana
e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’.
O publicano ficou a distância
e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu;
Mas batia no peito e dizia:
‘Meu Deus, tende compaixão de mim,
que sou pecador’.
Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa
e o outro não.
Porque todo aquele que se exalta será humilhado
e quem se humilha será exaltado».

sábado, 26 de outubro de 2013

Pensamentos impensados


Yeti
Mário Soares, com o seu cabelo cor da neve, e a sua grande barriga, faz lembrar o "abdominável" homem das neves.
 
Quem te t'avisa teu t'amigo é
Em Liège atiraram ovos a Durão Barroso; assim como há o Aviso Laranja, também devia haver o Aviso Ovos.
 
Aula de inglês
Mar, em inglês, pode escrever-se com uma única letra: C
 
Hierarquias
Sempre pensei que a 1ª dama era a Presidente da Assembleia Nacional.
 
Traduções?
Tentei traduzir para inglês batem leve, levemente.
Desisti quando só me saiu HIT TAKE AWAY
 
Hora legal
Este Sábado, no Polo Norte, também se muda para a hora de Inverno?
 
Estéticas
Cavaco exortou os portugueses a não baixar os braços; Lembram-se da Rosa Mota de braços levantados? Bom espectáculo!

SdB (I)
 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

2/7*

Os oboés dão o tom. Lá maior. O maestro volta-se para a direita e, lentamente, com um golpe de pulso, acena aos violoncelos. Estes expõem o tema. Apenas as linhas gerais, o fio condutor.

O resto da orquestra está suspensa, muda. Os violinos, impacientes, preparam o arco. Encostam-no às cordas. Com o apontar da batuta, estas vibram em coro.

O céu começa a fechar-se. As nuvens juntam-se em cores de tempestade.

A primeira secção de violinos recomeça o tema inicial sobre os graves dos violoncelos. O tempo é mais rápido e o instrumento apresenta os capriccios próprios.

Entra agora a segunda secção. Complementa a primeira. Enche, a contraponto, os espaços que esta vai deixando vazios. Sobem os arcos de uma, descem os da outra.

O ar começa a escurecer, o vento sente-se. As nuvens, cada vez mais escuras, enrolam-se sobre elas próprias.

O primeiro violino toma o seu lugar. Eleva-se, sozinho, acima do resto. O vibrato agudo, cristalino, sobrepõe-se a qualquer outro som da orquestra. O maestro, com movimentos curtos e precisos, dirige os instrumentos. Com a batuta ordena que os violoncelos subam de intensidade.

Os graves são o suporte para todos os outros sons, são o chão onde caem.

A segunda secção de violinos, regida pelo maestro com gestos secos da mão esquerda, acompanha os violoncelos nesta escalada, num diálogo que, pouco a pouco, vai subindo de volume.

Um a um, os violinos que seguiam o tema acompanham o primeiro na escalada sobre o resto da orquestra. Camada sobre camada, agudo sobre grave, o quadro acabou de ser pintado.

A tempestade desdobra-se impaciente para trás e para a frente.

O céu abre-se em dois com o estrondo dos tímbales. O chão estremece a cada vibração da corda dos contra-baixos. Foge debaixo dos pés.

Um, um dois três, um.

As madeiras rangem, os metais brilham, os arcos retesam-se.

Os violinos, em voo rasante, numa ventania fria, puxam os cabelos de trás do pescoço. Elevam-se no ar, em rodopio, e caem no chão, em estilhaços.

A chuva dos violoncelos cai, numa dança furiosa com o vento. É atirada contra as paredes, contra o tecto, contra o chão.

Os metais polvilham o quadro com reflexos de ouro. Relâmpagos rasgam o ar, iluminando à sua passagem.

Os contra-baixos trovejam, graves, assustadores, a fazer tremer por dentro. As cordas grossas soltam, em estrondos, trovões curtos. Em simultâneo com os relâmpagos. A tempestade atinge o seu pico.

Dois minutos e cinquenta e dois segundos depois já se pode respirar outra vez.

(SdB (III)



(publicado originalmente em 9 de Julho de 2009)


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Duas últimas


Há muito que deveria ter trazido a esta rubrica os UHF, grupo da outra banda nado e criado em Almada, que posso considerar como o meu “concelho adoptivo”, pois nele vivi e cresci desde tenra idade.

Fui pois vizinho deles durante largo tempo. Lembro-me vagamente de ver no liceu de Almada o vocalista e guitarrista, António Manuel Ribeiro, mais velho do que eu uns dois ou três anos, numa época anterior a 1974 em que as escolas dos subúrbios eram terreno propício à instigação do protesto e da subversão. Se calhar sem grandes diferenças para o que se passa hoje em dia, afinal….

Lembrei-me da minha falha quando me apareceram na net, ao fazer umas pesquisas sobre o Pedro Barroso, apresentado neste blogue há dias. Músico que também me atrasei a postar, e uma (a menor!) das razões para isso é certamente porque é o autor do hino do meu clube, e seu adepto incondicional. Mas o PO antecipou-se e fê-lo, e muito bem!

Os UHF são um dos grupos de topo do rock português, há mesmo quem lhes atribua a paternidade do mesmo, mas não vou por aí, que há vários a reclamarem-se dessa qualidade. Limito-me a constatar que são “antigos” (1978), resistentes (ainda este ano editaram um álbum comemorativo dos 35 anos de carreira) e genuinamente portugueses.
Músicas como “Cavalos de Corrida” e “Rua do Carmo”, ambas com mais de 30 anos, continuam a ser referências do rock nacional.

António Manuel Ribeiro é a alma do grupo. Não o acompanhando de todo nas suas preferências políticas e futebolísticas, ambas demasiado avermelhadas para meu gosto, acompanho-o todavia enquanto músico e compositor.

Espero que também gostem!

fq

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Diário de uma astróloga – [63] –23 de Outubro de 2013



Eclipse Solar de 3 de Novembro de 2013 – 11° 15’ de Escorpião
Alguns factos:
·       Todos os seis meses há um conjunto de eclipses: um lunar e outro solar com 14 dias de intervalo.  
·       Os eclipses lunares ocorrem durante a Lua Cheia quando a Terra está entre o Sol e a Lua. O último eclipse lunar foi na noite de 18 para 19 de Outubro. Os eclipses lunares são vistos por todos os habitantes do mundo desde que a Lua esteja visível durante o eclipse, isto é,  acima do horizonte, durante a noite e com um céu sem nuvens.
·       Os eclipses solares ocorrem durante a Lua Nova quando a Lua está entre o Sol e a Terra. Só são vistos pelos pessoas que se encontram no local certo que lhes permita alinhar a sua visão com o ângulo de ensombramento do Sol.



·  Os eclipses solares não são acontecimentos isolados. Pertencem a uma série a que chamaram Ciclo Saros (saros em grego quer dizer repetição) e ocorrem de 18 em 18 anos. 
·       Cada Ciclo Saros tem 71 – 73 eclipses, portanto duram muitos séculos.
·       O eclipse de 3 de Novembro de 2013 pertence ao Ciclo Saros 16 Norte.
·       A brilhante astróloga Bernardette Brady fez um estudo sobre as qualidades de cada Ciclo Saros baseado na carta do eclipse inicial, que neste caso ocorreu há mais de 500 anos, e descreve-o:

Uma família de eclipses muito simpática que traz inspiração e ideias luminosas. A presença da combinação Úrano / Neptuno favorece a libertação de material inconsciente muito profundo. Estas ideias são boas e os indivíduos afectados devem agir com sabedoria de dar-lhes continuidade”.

E quem vai ser mais afectado?

·       Os nascidos entre 31 de Outubro e 6 de Novembro, pois o Sol e Lua envolvidos no eclipse vão fazer uma conjunção ao seu Sol Natal.
·       Todos os que tiverem o Ascendente ou a Lua entre 8° e 14° de Escorpião.
·       Mediamente afectados serão que tiverem o Sol, Lua ou Ascendente natais entre 10° e 12° de Touro.
·       Como todos temos o grau 11° de Escorpião nalgum sitio da carta, os assuntos da casa onde este grau cai, podem ter uma “sacudidela”. Identifique a casa, a área de vida correspondente e esteja atento.  Se precisar de ajuda sobre o significado da casa consulte http://www.astro.com/astrologia/in_house2_p.htm

A péssima reputação dos eclipses confirma-se?
·      Os eclipses são o contrário do status quo, e muita gente não gosta de ser abanada.
·  A nível pessoal os acontecimentos podem ser momentaneamente difíceis mas depois trazem grande luz.
·      A nível mundano a má reputação tem alguma razão de ser. Os eclipses começam a fazer-se sentir aproximadamente 3 meses antes da data em que ocorrem e mantêm-se activos por vários meses, sobretudo na região do globo onde o eclipse é mais forte. No Quénia, o eclipse será quase total, e lembro que nos dias 21 a 24 de Setembro passado houve um ataque terrorista a um centro comercial onde morreram dezenas de pessoas. Este ataque foi da responsabilidade de al-Shabaab por retaliação a acontecimentos na Somália, país também dentro da área mais vermelha do mapa seguinte.


Em que países se vê?
Mapa de ensombramento do próximo eclipse do dia 3 de Novembro de 2013. Na zona a vermelho escuro o Sol terá um ocultamento entre 100% e 75%. Em Portugal e no Brasil só se verá uma dentadinha escura no Sol entre as 11:30 e as 13:10 em Portugal e de manhã muito cedinho no norte do Brasil.
Pode obter mais informações sobre o horário preciso deste acontecimento nas várias cidades de Portugal em http://www.vercalendario.info/pt/lua/portugal-3-novembro-2013.html
Pode confirmar o horário para algumas cidades do Brasil em http://www.vercalendario.info/pt/lua/brasil-3-novembro-2013.html


Palavras finais
·       No domingo, dia 3 de Novembro, não se assuste, se o céu estiver limpo observe a pequena ocultação com protecção ocular apropriada.
·       Durante um eclipse a luz do Sol desaparece da Terra, mas depois volta, tornando a iluminar. As palavras-chaves são ênfase, crise e oportunidade de ver, de encarar os outros, nós próprios, os problemas, a vida sob outra luz.
·       Reflictam nas boas ideias que tiveram em Outubro e Novembro de 1995 pois foi a última vez que tivemos um eclipse desta serie.
·        Aproveitando o carácter simpático do Ciclo Saros 16 Norte, permitam que a inspiração e as ideias luminosas surjam e ganhem coragem para as por em prática.

Luiza Azancot



terça-feira, 22 de outubro de 2013

Anúncios dos dias que correm

Cartas

Retomo um tema que me é querido desde há muito: as cartas. 

Num blogue, há uns meses, alguém afirmava estar a destruir as suas cartas pessoais. Porque eram isso - pessoais - para além de intransmissíveis. E porque não queria que ninguém, após a sua morte, soubesse, lesse, tomasse conhecimento de uma parte da sua intimidade. Dos comentários ao post eu fui a ovelha ronhosa, defendendo a manutenção, em formato legível, da correspondência de cada um. E aduzi argumentos, para que não se pensasse que era do contra por desejos de saliência. Mesmo assim fiquei a sambar sozinho no meio da rua, citando uma colega brasileira. 

Grande parte das cartas revelam o que somos - ou o que fomos, num dada circunstância. São em muitos casos uma grande forma, se não a única, de nos darmos a conhecer a quem vem a seguir, e constituem, por isso, um manancial de informação não forçosamente indiscreta. São um bocado da história de cada um e, nesse sentido, um bocado da história do nosso mundo, mesmo que este seja apenas o fundo da rua que calcorreamos.

Um dias destes, alguém que me é próximo comentou estar na posse de rascunhos de cartas escritas por um familiar que já cá não está. Eram cartas pessoais que revelavam muito da pessoa que as redigira, nomeadamente preocupações relacionadas com o seu enquadramento social. Revelavam ainda alguns remorsos por opções tomadas que, em referencial nenhum do mundo civilizado, digo eu, seriam de criticar. Mas eram motivo de incómodo para quem delas falava. Eram, no fundo, cartas sensíveis, que revelavam fragilidades.

Se estes rascunhos tivessem sido destruídos (e tê-lo-iam sido, seguramente, se os acontecimentos tivessem seguido outro ritmo) não teria sido possível completar a imagem de quem partiu. Só alguém muito forte consegue reconhecer uma fraqueza. Só alguém muito grande consegue revelar o que aquela pessoa revelou. Ler os rascunhos que só por acaso não foram queimados numa lareira é completar a imagem amorosa de alguém que deixou saudades, apesar de ter morrido estatisticamente no seu tempo. Quem me falou nisso não sentiu ter invadido uma intimidade, apesar do teor das cartas. Antes pelo contrário, albergou um Homem ainda melhor no seu coração.

JdB

PS: E se as cartas fossem de um teor desagradável? Também é verdade, mas agora não me dá jeito falar nesse tema.

Fotografia de JMAC, o homem  de Azeitão


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Vai um gin do Peter’s?


O filme da ortodoxa judia Rama Burshtein, «NOIVA PROMETIDA»(1),  foca a relação homem-mulher numa perspectiva invulgarmente afectiva e íntima, onde se revela muito da riqueza da psicologia feminina, aumentada pelo idealismo e pela generosidade incrível dos 18 anos (do lado da noiva). Tudo decorre num espaço fechado, tanto sociológica como geograficamente, distante do nosso, mas de uma densidade humana cativante.

O mundo interior predomina e inunda todo o ambiente. Aqui, o silêncio é a via de comunicação preferida. Diz-se apenas o que se acredita valer mesmo a pena verbalizar. Assim acontece no momento difícil do funeral da jovem Esther, ao dar à luz um bebé, em que os amigos e familiares se dirigem à família enlutada com uma invocação do Antigo Testamento. Sempre a mesma, muito positiva, a implorar luz para aquela hora escura. E a resposta é invariavelmente ámen, confirmando que se tenta seguir naquele trilho, tão desafiante, de continuar a confiar. 

O impacto das poucas palavras trocadas é marcante, até porque são mínimas as ocasiões de o fazer. Compreensivelmente, privilegia-se uma comunicação subtil, frequentemente apoiada em metáforas, breves desabafos ou orações que todos sabem citar e decifrar. Uma linguagem fortemente encriptada, que convoca as raízes mais ancestrais de um povo onde a identidade nacional e religiosa se entrelaçam. Claro que todo o filme acaba por ficar encriptado, num estilo bem interpelativo.

Percebe-se que o ponto de observação é feminino, de uma realizadora pertencente à comunidade ultra-ortodoxa de Tel Aviv, nascida em Nova Iorque, convertida aos 25 anos e bem ciente de tudo o que diferencia aquele modus vivendi codificado, do Ocidente secularizado. Aliás, tem-no ao pé da porta, na maioria da sociedade israelita.

 O título original inglês lança-nos logo no âmago da história de amor especialíssima, envolta em múltiplos véus psicológicos – «Fill the Void» (preencha a vaga). No fundo, ecoa neste relacionamento a frase do realizador de Amélie Poulain – Jean-Pierre Jeunet: «Être cinéaste, c’est comme être navigateur, il faut aimer la souffrance, les difficultés.»(2). Entenda-se Jeunet sem sado-masoquismo, mas no sentido aplicável a qualquer atleta, alpinista, artista ou activista de causas maiores, que são chamados a encarar as dificuldades como alavanca para se superarem. Ai deles se se deixarem esmorecer. Jeunet até vai mais longe quando fala em amar as dificuldades, bem à maneira dos que acreditam na vitória. Embora possa soar paradoxal, resulta na perspectiva mais positiva e talvez também a mais realista para quem queira levar até ao fim um projecto arrojado. Gandhi frisava aos seus inúmeros seguidores o lado doloroso dos grandes combates, não para os afugentar nem por curtir a dor, per se, mas por a saber incontornável num percurso de vida intenso e profundo.

A beleza suave das personagens, sobretudo das mulheres, com um guarda-roupa irrepreensível, a qualidade da banda sonora com um coro masculino a rezar em off, as vozes calmas, bem educadas mas firmes em todas as conversas, o acordeão de sons antigos que a protagonista toca maravilhosamente (nem precisa de dizer que herdou tudo aquilo da avó) transmitindo imensa paz, os poucos gestos de afecto com abraços muito sentidos entre amigos do mesmo sexo, os olhares comovidos que dizem tudo, as mensagens de vida trancadas em papelinhos bem dobrados que se entregam aos amigos em momentos sensíveis, tingem toda a trama de uma atmosfera intimista, onde se comunica através do testemunho de vida. Nos momentos falados, há cenas especialmente eloquentes, como o diálogo entre Shira (a protagonista) e os pais, com a câmara fixada no rosto da filha, e as vozes graves dos adultos em off, quando lhe apresentam uma proposta de casamento menos convencional. Em Shira tudo fala, apesar dos seus modos suaves, de olhar acutilante e respostas telegráficas, fogosas mas pensadas.

A conversa entre ela e o cunhado, agora candidato a noivo, são lapidares. Aliás, todas as suas saídas são antológicas. A réplica espantosa dada a um outro possível noivo, bastante imaturo e empenhado em esclarecer o tipo de mulher e de casa que pretendia, condensou o essencial numa única frase: Quero uma casa e uma família verdadeiras. Tudo simples mas exigente. Era tão sintética e certeira, até mesmo a assumir as hesitações, que costumava deixar os seus interlocutores atordoados. Como se tivessem apanhado com a onda em cima, atingidos por um excesso de significado.


Tudo nela era cristalino e autêntico, merecendo um elogio rasgado do rabino, num encontro de desfecho algo imprevisto.

Uma raridade conseguir-se tal nível de intimidade num filme repleto dos episódios contrastantes da vida da comunidade: nascimento, noivados, casamentos, morte, cerimónias religiosas. Nisto, assemelha-se ao grande realizador alemão do primeiro quartel do séc.XX – Murnau e, mais tarde, a Dreyer ou Bresson, que ousaram filmar a alma humana. Como explica Rama B., ela abre-nos uma janela para nos deixar ver o dia-a-dia das pessoas, sem explicações pedagógicas. Considera, aliás, que a matriz do judaísmo está na procura constante do justo equilíbrio entre satisfazer os anseios humanos e saber esperar, ser contido no timing de realização. Um desafio à subtileza. E concretiza na descrição do relacionamento homem-mulher, seu tema predilecto: «The thing that really interests me, in life and with this film, is the male-female relationship. The enigma of intimacy. And that was an issue for us in terms of how to deal with it in the film. How far do you go with it? (…)»(3)   

Quando lhe perguntam: «It's hard to even remember that we never see Shira and Yochay touching each other because the scenes they perform together seem so intimate.», responde: «That’s true. That’s how we see the enigma—the power of wanting and then restraining. The restraining is the power. The passion cannot exist if you have it all the time—the passion is only for something that you don’t have. You have to work to keep the passion. Judaism is all about that. »(3) 

Genericamente, a segurança do grupo feminino é a pedra de toque do argumento. Segundo Rama B., cabe a elas a escolha do noivo, apesar das relações serem organizadas pelos pais. O caso de uma tia é paradigmático desta semi-liberdade, pelo seu estilo divertido, desenvolto e descomplexado, sempre bem arranjada e com saídas incisivas. Só a custo percebemos não ter braços nem marido, porque não gostou do candidato, apesar de pertencer a uma comunidade onde casar era a opção mais honrosa e recomendada.  

O filme dá amplo espaço de interpretação ao espectador, abrindo para múltiplas pistas de leitura, sem respostas categóricas e definitivas. Por exemplo, no final, fica ao entendimento de cada um interpretar a aproximação difícil entre a miúda de 18 anos e o futuro noivo viúvo, a rasar os 30. A este respeito, a realizadora observa com graça que: «I think when you watch films it becomes a mirror of who you are. If you’re mad at the world, you’re going to see this film as a victim story. But if you’re living in love and romance and passion, you’re going to see it as a love story.»(3)

Antes de ouvirmos Rama B. em entrevistas, intuímos que NOIVA PROMETIDA é fruto de uma longa gestação (15 anos no total; 1 ano só para a selecção do casting), tendo, ao mesmo tempo, fluído harmoniosamente, com tranquilidade. Estreando-se aos 46 e filmando apenas como hobby, tudo resultou hiper profissional. Basta dizer que só 2 dos actores são amadores da comunidade ortodoxa (90% são seculares e de carreira), além de que foi rodado com câmara digital de alta definição – uma Alexa, o que favorece muito os múltiplos zooms às expressões das personagens. Quando Rama pensou na história, não imaginava que chegaria a escrevê-la. Quando a escreveu, não imaginava filmá-la. Quando desencantou financiamento e começou a filmar, não imaginava que chegasse às salas de cinema. Quando lançou a película no mercado internacional, não imaginava qualquer efeito. Quando embateu com o sucesso além-fronteiras, limitou-se a viver o novo momento com o empenho e a novidade com que as coisas lhe costumam acontecer. Desde sempre, diz. Percebe-se que vive num diálogo de fé constante, e que é esse o fio condutor que teceu toda a trama narrativa e desenhou a individualidade de cada personagem.

Antes de nos surpreender a nós, Rama B. foi surpreendida pela vida. Talvez isso explique a vitalidade incrível de NOIVA PROMETIDA – um filme q.b. difícil mas que merece o desafio.

Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

__________________________
  (1)   FICHA TÉCNICA
      
Título original:
FILL THE  VOID
Título traduzido em Portugal:
NOIVA PROMETIDA
Realização:
Rama Burshtein
Argumento:
Rama Burshtein
Produtor
Assaf Amir
Banda Sonora:
Yitzhak Azulay
Duração:
90 min.
Ano:      
2013
País:
Israel
        Elenco:

Hadas Yaron – Shira, noiva de 18 anos
Irit Sheleg      – mãe de Shira,
Yiftach Klein  – o cunhado
Renana Raz    -  Esther, a irmã que morre
Razia Israeli   - a tia.

Local das filmagens:

Tel Aviv

Site oficial:

 

Prémios

7 galardões da Academia de Israel, 

Prémio da Melhor Actriz para “Shira” no Festival de Veneza.


(2) Entrevista publicada no Paris Match a 10 de Outubro de 2013.
(3) Entrevista concedida a Danny Miller, em Los Angeles, a 18 de Maio de 2013).   





domingo, 20 de outubro de 2013

29º Domingo do Tempo Comum

EVANGELHO – Lc 18,1-8

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
Jesus disse aos seus discípulos uma parábola
sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar:
«Em certa cidade vivia um juiz
que não temia a Deus nem respeitava os homens.
Havia naquela cidade uma viúva
que vinha ter com ele e lhe dizia:
‘Faz-me justiça contra o meu adversário’.
Durante muito tempo ele não quis atendê-la.
Mas depois disse consigo:
‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens;
mas, porque esta viúva me importuna,
vou fazer-lhe justiça,
para que não venha incomodar-me indefinidamente’».
E o Senhor acrescentou:
«Escutai o que diz o juiz iníquo!...
E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos,
que por Ele clamam dia e noite,
e iria fazê-los esperar muito tempo?
Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa.
Mas quando voltar o Filho do homem,
encontrará fé sobre esta terra?»

sábado, 19 de outubro de 2013

Pensamentos impensados


Happy hour
O melhor sítio para se beber caipirinhas é a bordo dum navio quebra-gelos.
 
Tudo o que  vai à rede é golo
De uma maneira geral, na marcação de penaltis, os guarda redes atiram-se para o lado contrário; então por que não se atiram para o lado contrário?
 
Hiper-actividade
... enquanto não estiveres estafado, não estás descansado!
 
Frases célebres
Ouvi Cavaco Silva dizer ninguém está acima da lei.
Perante tanta criatividade, caí de rabo em cima da Constituição; fiquei acima da lei.
 
Controis
As rotundas "controlam-se"; as barrigas rotundas é falta de controle.
 
Ouvido por aí
Era um dicionário tão bom que tinha um índice com todas as palavras.
 
Modas
Os vestidos das fadas têm uma cauda, a que se dá o nome de fairy tail.

Reciprocidades
Dos jornais: Passos e Cavaco visitam Canal do Panamá. Os dois políticos bem poderiam convidar os seus homólogos a visitar Canal Caveira e oferecer-lhes um belo cozido.

SdB (I)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Deixa-me rir...


Caros Audiophiles, I have just returned from a wonderful sunny ten days in Portugal - first playing some golf and eating great seafood in Algarve, and then visiting many friends in Lisbon.

Usually I rent a car, but this time I spent some days walking around Lisbon, exploring the cobblestone streets of Estrela, Lapa, Bairro Alto, Chiado, Baixa and Alfama.

I discovered for the first time (incredibly after so many visits) the lovely old Jardim da Estrela, and the new extraordinary architectural shapes of Fundacao Champalimaud, which by night is beautifully lit, and the interesting regeneration of LX Factory area.

One rather surreal evening was spent with Portuguese friends watching a Noel Coward play performed in English by the mixed amateur/professional Lisbon Players in the charming intimate Estrela Theatre, followed by drinks in the bar Procopio where we met and sat until 3am with the long-time owner Alice and her fascinating friend Tete the renowned 'Clown Woman' who founded Chapito.

One afternoon alone, I found myself at the mirodouro of Sao Pedro da Alcantara, close to where my grandparents' house used to stand and where I remember being taken for fresh air as a very young child. Here, under shady trees and with wonderful views of Lisbon and Castelo Sao Jorge, I came across a street musician playing guitar and singing Portuguese and French chansons. The first song as I arrived seemed to capture the mood of the afternoon. When I asked the musician he told me the song was called "Menina dos Olhos d'Agua" by Pedro Barroso.

I have not before heard of his name. And in fact, when later I asked my friends about him, only one friend claimed to know his name.

I am stunned. I imagine that Pedro Barroso should be very well known in Portugal, almost an institution. Since returning to London I have been discovering his songs on YouTube and honestly, although I don't understand all the lyrics, I am a little obsessed with him right now.

His sonorous voice, and the way he phrases his words, is reminiscent of Charles Aznavour. And when he expressively recites his poetry, he reminds me of Leonard Cohen. And the acoompaniment of guitar, guitarra, flute, violin or accordion sounds traditional and timeless.

Hard to choose from so many lovely songs. I love "Agora Nao E Tarde", "Poema do Lavrador de Palavras aos Politicos", "Longe d'Aqui", among others.

But here I begin of course with "Menina" from the miradouro, in a recent version 'ao vivo', followed by "Setembro" also 'ao vivo' but by a much younger and impassioned PB :






Next I present one of his 'poem' songs "Eterno" which reminds me of Cohen :



Finally, "Esperanca" with its dramatic Latin finale reminiscent of Carmina Burana or Enya :




I will be interested to hear from you if Pedro Barroso is indeed well regarded and widely known. I hope so!
 
A proxima.
 
PO

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