quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Fotografias dos dias que correm


Crónicas de um universitário tardio

Ad honorem Sanctae et Individuae Trinitatis, ad exaltationem fidei catholicae et vitae christianae incrementum, auctoritate Domini nostri Iesu Christi, beatorum Apostolorum Petri et Pauli ac Nostra, matura deliberatione praehabita et divina ope saepius implorata, ac de plurimorum Fratrum Nostrorum consilio, Beatum N. Sanctum esse decernimos et definimos, et Sanctorum Catalogo adscribimus, statuentes eum in universa Ecclesia inter Sanctos pia devotione recoli debere.

Foi com esta fórmula, proferida pelo Papa aquando da proclamação de um novo santo, que dei início ao meu ensaio intitulado: A Santidade, ou a perfeição dos dias quotidianos. Está entregue, e será o último que partilho (partes, apenas) com os meus queridos e inesperados fiéis leitores, que as crónicas de um universitário tardio já deram, por agora, o que tinham a dar. A citação de Sophia de Mello Breyner encerra o ensaio.

(...) 
Até há bem pouco tempo vivíamos num mundo de apelo ao consumo, à imagem, ao ter mais do que ao ser, ao sucesso, aos sinais exteriores, ao prazer, ao calcorrear sem fim das ruas dos centros comerciais para comprar mais um artigo. A crise mundial, com reflexos penosos em Portugal, alterou esta realidade – se não por via da vontade de rever modos de vida, talvez pela via da necessidade de alterar modos de vida. Hoje há mais desemprego, mais fome, há famílias abaixo do limiar da decência humana, há horizontes sombrios, amanhãs que já não cantam, um imenso mês que sobra quando o salário – ou a generosidade alheia – chega ao fim. Hoje há ruínas, falências, humilhações, dívidas,  impostos,  abandonos. Hoje há um muro que tapa a palavra esperança, e todas as forças individuais se concentram na defesa do presente porque o futuro, até prova em contrário, existe cada vez menos.

Vivemos um tempo em que não há tempo, um momento dolorosamente duradouro das nossas vidas em que o arsenal que nos resta de energia e resistência interior está voltado para a subsistência, para a sobrevivência, para a dignidade da vida própria, para a manutenção dos limites que cada um define como sendo os mínimos que não o aviltem. Em cada casa de família há desemprego, verba escassa para a faculdade, emigração, crises afectivas que a luta diária potenciou. Em muitos recantos escondidos e envergonhados há choros, olhos cavados por noites insones, mãos inquietas devido à inexistência de soluções.

Neste cenário de desesperança, o que significa ser-se santo? O que significa, na verdade, a perfeição das vidas quotidianas, quando a nossa procura é, cada vez mais, a da satisfação das necessidades mais básicas onde o transcendente tem pouco lugar?

(...)
Enquanto houver alguém que se disponha a lutar pela reposição da justiça, que perdoe ofensas, que rasgue um pouco do seu manto para cobrir a nudez do outro, que se sinta desafiado à entrega gratuita e voluntária aos outros, que não desvie o olhar perante a miséria que confrange ou que chore com a morte injusta, então o milagre e o heroísmo conviverão connosco de mãos dadas. Enquanto houver alguém ao nosso lado que teime em levantar o céu, no significado feliz que lhe dá o Prof. José Mattoso, que encontre no seu sofrimento um sentido para a vida, que saiba oferecer uma palavra a um velho abandonado ou uma mão a uma criança doente ou que arrisque a sua vida pela vida dos outros, então a esperança de um mundo melhor mantém-se viva. Enquanto houver alguém assim, por menor que seja o número desses alguéns na multidão anónima de egoísmos, prepotências, comodismos, indiferenças, não perderemos a esperança, e assumiremos a santidade - ou a perfeição dos dias quotidianos - como uma possibilidade ao virar de uma esquina, numa fábrica, numa vizinhança, num escritório, num hospital, numa escola, numa família.

Negar este caminho é abdicar de uma vida grande, de uma vida maior do que nós, para abraçar um mundo pequeno onde só cabe o eu que nos afasta do próximo, que nos cega de orgulho, que nos ilumina a vaidade com uma luz efémera, que nos faz negar esta ideia salvadora que nenhum dos nossos talentos é verdadeiramente nosso, apenas nos foi disponibilizado para o  serviço de um bem comum. Negar o caminho da perfeição ou, melhor, o caminho da procura da perfeição, é viver num mundo estreito, triste e sombrio, porque só se ilumina de uma vida própria e egocêntrica. Um mundo que será sempre pequeno de mais.  

***
[A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias.][1]

JdB


[1] Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Retrato de Mónica (Contos Exemplares) 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Diário de uma astróloga – [44] – 30 de Janeiro de 2013


O trio Aquário, Urano e Prometeu 

Quando perguntam à astróloga “o meu signo é bom ou mau?”, respondo que todos os signos podem ser expressos de forma positiva ou negativa, e não há um melhor do que outro. Mas eu, Luiza, tenho preferências: gosto imenso do Aquário. Ainda bem, porque o Sol está nesse signo desde 19 de Janeiro e até 18 de Fevereiro.

A necessidade arquetípica do Aquário é de liberdade e de obter novas perspectivas com mudanças e progresso. Está ligado às invenções e à tecnologia. As personagens aquarianas são de uma certa forma rebeldes, revolucionários, têm espírito aberto e poucos preconceitos. Tanto podem ser altruístas e humanitários como originais e excêntricos ou acumulando ambas facetas.

O símbolo de Aquário parece uma corrente eléctrica e a imagem clássica ligada à constelação representa uma figura humana canalizando a sabedoria do céu para a Terra



O planeta Urano regente de Aquário foi descoberto em 1781 por Sir William Herschel. Foi o primeiro planeta descoberto através da tecnologia de ponta da altura – o telescópio. Há milénios que não se baptizava um planeta e dar-lhe nome foi um processo complicado. Herschel quis baptizá-lo com o nome do rei George III, Georgium Sidus, ou com o seu próprio nome. Os outros astrónomos não acharam bem. O astrónomo alemão que estudou a órbita deste novo planeta, Johann Bode (um Aquário nascido a 19 de Janeiro) sensatamente sugeriu Urano, nome do deus que na mitologia reinava sobre o céu e era pai do deus Saturno. Em 1789 foi descoberto um novo elemento baptizado “urânio” e a partir daí, Urano foi a denominação mais usada por astrónomos e astrólogos e, desde 1850, a única. 



Em termos físicos, o planeta Urano revela excentricidade (característica de aquário) porque a sua inclinação é superior a 90°. Isto é, gira sobre si mesmo na horizontal e não na vertical, como todos os outros. Em termos astrológicos começou a verificar-se também uma anomalia: ao contrário dos outros planetas, cuja energia se assemelha à mitologia do deus respectivo, a energia do planeta Urano, sincrónica com o comportamento humano e assuntos mundanos, nada tem a ver com a mitologia de deus do mesmo nome. 


Em 1978, Richard Tarnas, psicólogo, historiador, astrólogo e filósofo americano, tem uma inspiração e propõe a mitologia de Prometeu para a compreensão do Urano astrológico. Mais tarde escreve uma monografia “Prometheus, the Awakener”, que aconselho a todos os estudantes de astrologia.

O titã Prometeu era um herói que se rebelou contra os deuses e lhes roubou o segredo fogo para o dar à raça humana, permitindo assim o seu progresso e civilização. Foi o primeiro humanitário! Zeus, furioso, castigou Prometeu, aprisionando-o contra um rochedo onde todos os dias uma águia gigante lhe ia comer um bocadinho de fígado. Este martírio durou até que Hércules o libertou e matou a águia.

Tarnas não liga muito à parte sangrenta do mito, mas sim ao lado rebelde e humanitário e aponta, cheio de razão, que a energia de Urano também coincide com a do período em que foi descoberto: a primeira revolução industrial, a revolução francesa e a declaração da independência dos Estados Unidos.

Olhando para fenómeno cultural dessa época, o Romantismo (1770 – 1840), constato que o mito de Prometeu aparece na obra literária de expoentes do espírito romântico,  tendo alguns deles fortes qualidades aquarianas e/ou uranianas.

  •       Goethe com Urano em Aquário oposto a Mercúrio escreve o poema “Prometheus” em 1774 mas só publicado em 1789.
  •    Lord Byron nascido em 1788 com Sol, Vénus, Saturno e Plutão em Aquário escreve “Prometheus” em 1816.
  •     Mary Shelley nascida em 1797 com o Sol conjunto a Urano publica Frankenstein em 1818 com o subtítulo “The Modern Prometheus”.
  •    O seu marido, Percy Shelley, nascido em 1792 e também com Sol conjunto a Urano escreve “Prometheus Unbound” em 1820. Os seus escritos foram tão revolucionários que Gandhi afirmou ter sido influenciado por ele.

Estes sincronismos levam-me a acreditar que Richard Tarnas tem toda a razão, e que a mitologia de Prometeu é essencial na compreensão de Aquário e Urano.  



O mito e a sua ligação à energia aquariana estava bem vivo quando, um século mais tarde, John D. Rockefeller Jr., nascido a 29 de Janeiro de 1874 com Sol, Vénus, Mercúrio e Saturno em Aquário em oposição a Urano, escolheu, como símbolo de progresso para o seu moderníssimo Rockfeller Center em Nova Iorque, a escultura de Prometeu, que muitos dos meus leitores já admiraram.  Agora olharam com novos olhos!




No próximo post falarei dos meus Aquários favoritos.

Luiza Azancot
www.astrocape.com

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Fotografias dos dias que correm

Enviada por mão amiga

Crónicas de um universitário tardio

6ª feira passada entreguei o meu trabalho de Poéticas Contemporâneas, cuja nota ainda não sei. Partilho uma parte com os resistentes que quiserem chegar ao fim...

***


o panoptismo e a fábrica do futuro
ou
como reduzir os níveis de entropia nos sistemas produtivos


1. Introdução
Uma fábrica rege-se por princípios económicos fundamentais e comuns a todas as organizações com fins lucrativos.  Não obstante as preocupações de ordem social, de valorização da pessoa, do respeito pelo seu crescimento como ser humano e como trabalhador, o seu objectivo poderia resumir-se, numa versão forçosamente redutora, a algumas ideias chave: redução de custos, aumento de competitividade, maximização dos recursos, rentabilização do equipamento, flexibilização.  Se o apego ao sintético nos obrigasse a usar uma palavra só, escolheríamos esta: eficácia. Paralelamente a estes factores há, obviamente, a qualidade do produto fabricado, o cumprimento das normas do ambiente, da segurança e da saúde no trabalho, o estabelecimento de parcerias com fornecedores e clientes, a formação dos colaboradores, a actualização tecnológica, o respeito pelas partes interessadas
Tudo isto concorre, no fundo, para que a fábrica, no seu sentido lato de organização com fins lucrativos, seja competitiva, ganhe quotas de mercado, ambicione a exportação, a internacionalização, crie um nome que seja respeitado num mundo global onde as fronteiras se esbateram, numa Europa que vê o seu parque industrial reduzir-se lentamente, como uma folha de papel que se esboroa exposta aos ventos de mudança.
Uma fábrica é apenas, na maioria das vezes, uma espécie de braço armado de uma empresa mais vasta onde convivem o Marketing, a Contabilidade, os Recursos Humanos, as Vendas, etc. Para efeitos deste trabalho não nos interessa se a fábrica é um centro de custo, se gera lucro, qual as regras financeiras ou contabilísticas que se lhe aplicam. O que nos interessa é uma visão simples desta realidade: uma fábrica é uma unidade, composta por pessoas e máquinas, que tem de produzir com a máxima qualidade e segurança, no menor tempo possível, com uma flexibilidade total.

2. Conceitos
2.1. Fábrica e linhas de montagem
Diz-nos uma definição que uma fábrica é uma empresa destinada à transformação ou conservação de matérias-primas ou à transformação de produtos semifinais em produtos finais.
Por outro lado, uma linha de montagem é um espaço onde se executa um conjunto de operações elementares distintas, tendo em vista a montagem de um ou vários produtos. Estas linhas são compostas por um conjunto de postos de trabalho ligados entre si.
A produção em fluxo contínuo é a chave de todos os sistemas de organização do trabalho numa instalação fabril.  A cadência, a entrada e a saída são os pilares da linha de montagem, cujas vantagens são:
  •  resultados muito eficientes;
  •  menores custos de manipulação do material;
  •  operações muito simplificadas, que permitem a utilização de mão-de-obra pouco qualificada (barata);
  •  pequenos stocks intermédios;
  •  simplificação do controlo da produção (o sequenciamento baseia-se quase só́ na definição de uma taxa de produção).

2.2. A entropia e as equipas
Na termodinâmica, a entropia está vulgarmente associada à quantidade de ordem, desordem e/ou caos num sistema.  Por outro lado, a entropia, que pode reduzir-se por acção externa, é (também) uma medida da desordem no sistema; quanto maior a entropia, maior a desordem. De acordo com a 2ª lei da termodinâmica, a entropia do Universo tende para um máximo.
Paralelamente, em termos de gestão de recursos humanos (e lembramos que o âmbito deste trabalho é uma fábrica, uma unidade fabril, um microcosmos no mundo laboral actual) tem sido de alguma forma evidente que alguns sistemas humanos, deixados em roda livre, isto é, sem controlo ou disciplina, tendem para o caos, para a desordem. No fundo, como se uma linha de montagem fosse a replicação, a uma escala miniatural, do Universo.
Obviamente que esta ideia-chave não se aplica a toda a realidade humana de uma unidade fabril onde coexistem técnicos ligados ao desenvolvimento de novos produtos, ao controlo da qualidade, à reparação dos equipamentos indispensáveis à boa fabricação dos produtos acabados, à monitorização da saúde dos colaboradores. Para estes, ainda que enquadrados por regras e princípios, a liberdade existe, isto é, há alguma amplitude na forma como entendem gerir o seu tempo, organizar o ritmo/posto de trabalho.
Ora, muitas destas áreas são serviços de suporte, existem com o objectivo de apoiar o coração deste corpo produtivo. Poderíamos chamar a este órgão fulcral e determinante o departamento de produção – não mais do que o conjunto de pessoas a quem é atribuída a responsabilidade de fabricar, de acordo com instruções claras e inequívocas em termos de especificação do produto, prazos de execução e quantidades planeadas, o que é necessário para abastecer o mercado, seja o mercado do consumidor final, seja o mercado da organização que se situa a jusante.     
Apesar da sofisticação mecânica de muitos sistemas produtivos fabris, o facto é que a mão-de-obra humana ainda desempenha um papel importante. A automação das várias tarefas é, para uma enorme quantidade de unidades fabris, uma relativa miragem. Com as actuais exigências de redução de custos, aumento de competitividade, maior flexibilidade, etc., a autonomia das equipas/grupos de trabalho, tão em voga nos últimos anos com os conceitos de lean manufacturing, TPM (Total Productive Maintenance), toyotismo, é menor.  Por outro lado, a equipa ou grupo de trabalho (pessoas que realizam em conjunto tarefas ou  missões concretas) não são, ao contrário da família, da pequena comunidade aldeã, ou do grupo étnico, equipas naturais, mas artificiais. Como conseguir, então, um nível de produtividade e de eficácia nestas equipas multidisciplinares, artificiais?
Citemos uma frase, de cujo autor falaremos mais adiante: as disciplinas são técnicas para assegurar a ordenação das multiplicidades humanas.

3. O mundo de hoje
Em meados do séc. XX, George Orwell publicaria Mil Novecentos e Oitenta e Quatro. Em Airstrip One, uma província de Oceânia, e local principal onde se desenrola a história, uma profusão de posters invade a cidade. Neles, o retrato do líder vem acompanhado da frase Big Brother is watching you.
O mundo de hoje é orwelliano, ainda que nem sempre saibamos quem é o Big Brother, ou o conceito se divida por uma quantidade imensa de pessoas ou organizações que nos vigiam. Entre a saída de casa e o regresso, doze horas depois, somos observados em permanência: numa bomba de gasolina, numa rua, num banco, num parque de estacionamento. Em qualquer estabelecimento podemos ser confrontados com a frase que nos sugere que sorriamos, porque estamos a ser filmados, frase que denota um olhar invisível pousado em cada um de nós. Mesmo que não saibamos quem nos observa, temos a consciência dessa possibilidade, e o nosso comportamento molda-se a essa hipotética certeza. Esta possibilidade impressiona mais a imaginação do que os sentidos.   
O conceito de privacidade desfaz-se nos dias de hoje  A nossa intimidade é revelada nas redes sociais – em particular no facebook. Esta exposição é irreversível e as nossas actividades profissionais ou de lazer, os amores e desamores, os gostos e as preferências, os conhecimentos e fotografias ficarão para sempre num mundo etéreo, acessível a pessoas cujos rostos não conhecemos mas que nos conhecem, porque tiveram acesso aos nossos passos, à nossa intimidade revelada. Apesar desta exposição, que atingiu já o ponto de retorno, o facebook tem um tremendo sucesso, remetendo os não aderentes para uma espécie de infoexclusão.
Noutra dimensão, centenas de candidatos perfilaram-se num balcão, ao longo dos últimos anos, para se inscreverem num programa onde são filmados 24 horas por dia, expostos aos olhos de uma multidão anónima que liga as televisões num voyeurismo obsessivo.  Hoje, ao contrário do 1984 de George Orwell, os vigilantes somos todos nós, que espionamos os passos dos participantes anónimos. O que antes era temido – o controlo e a vigilância – e também o que era protegido – a privacidade e a intimidade – tornam-se objectos de fascínio. Trocou-se a privacidade pela fama. A sociedade de hoje, subordinada ao conceito do sou visto, logo existo, é dominada por um olhar omnividente, que vai da proliferação dos programas televisivos de voyeurismo explícito à epidemia da vigilância que multiplica as câmaras encontradas a cada passo que damos. Vive-se hoje numa sociedade escópica que tem como espectáculo a disciplina e o controlo. O olho que vigia e pune é o mesmo que possibilita a fama.
É com esta realidade que olhamos para os sistemas produtivos, em particular para as fábricas, onde uma miríade de pessoas, artificialmente agrupadas, transformam matérias-primas em produtos acabados. É preciso disciplinar esta heterogeneidade humana, criar condições para que a sua eficácia se eleve a níveis de excelência. É preciso organizar esta multiplicidade de gente que já vive e convive com uma sociedade distópica e controlada, gente que é observada sem o querer, mas que também se expõe voluntariamente à observação. É preciso organizar esta diversidade de gente que se perfila numa linha de montagem para fabricar ou transformar produtos, que se organiza para satisfazer critérios de produtividade, de rentabilidade, de eficácia, de serviço ao cliente.
Que ferramenta temos ao nosso alcance para organizar esta força de trabalho que, deixada em roda livre, tenderá para a desordem, para o caos? Qual o modelo que leva um operário de uma linha a sair de sua casa e a entrar na sua fábrica e a perceber que esta não é mais do que a extensão daquela, que não há ruptura, não há diferença substantiva na forma de viver, de pensar e de agir, que a única evidência visível de mudança está na eventual existência de um uniforme...
Este modelo, que é a chave para o imbróglio humano, chama-se panóptico

...

8. Conclusão
Poder ver tudo, ter a sensação de se ser visto em permanência. Paredes transparentes, em vidro, que nada escondem, tudo revelam. Por trás, câmaras ou pessoas, pouco importa. A sensação da observação num hipotético sentido biunívoco, porque não sabemos nunca se observamos mais do que somos observados, ou, se ao observarmos os outros, nos observamos a nós próprios. Uma vida feita de dias iguais, sem ruptura de ambientes, a conviver com um dispositivo incorpóreo, virtual, insinuante, que torna o exercício do poder mais rápido, mais leve, mais eficaz. A disciplina, essa técnica para assegurar a ordenação das multiplicidades humanas, a vencer o caos, a desordem, a artificialidade das equipas. A disciplina ao serviço da eficácia da unidade, de um todo que é maior do que a soma das partes.  A disciplina que faz crescer as aptidões de cada um, que as coordena, que multiplica a capacidade produtiva, que alarga - sem enfraquecer - as frentes de ataque. A disciplina como tecnologia.
O panóptico...

JdB

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Vai um gin do Peter’s?

É tão bom saber que vários recantos lindos do nosso país estão a ser descobertos e recomendados em sites de turismo, dos aventureiros aos clássicos.

O badalado TRIPADVISOR elege como dos Melhores Hotéis do Mundo o ONYRIA MARINHA EDITION HOTEL & THALASSO(1), na Quinta da Marinha, com golfe, spa e uma localização privilegiada. O termo grego «onyria» significa sonho e corresponde, na perfeição, às imagens do boutique hotel. Aliás, a descrição feita pelo famoso site parece referir-se ao próprio paraíso: «If you cannot find happiness during your stay here, stop looking. There isn't a better place you'll find. The staff will go above and beyond to meet any expectations you may have. The accommodations are second to none.». E conclui com uma visita ao campo de golfe, para melhorar o handicap:  

  

O site Globe Spots(2)  coloca Portugal no TOP 10 dos destinos imperdíveis para 2013, por muitas e boas razões: «Portugal oozes 'old European charm'. Medieval towns and historical quarters are full of squares, churches and monasteries. Narrow lanes are flanked by old skew houses with crooked balconies draped in drying laundry. Here, neighbours still share the latest gossip or discuss politics from their windows. Pastry shops and taverns are found in such abundance it makes you wonder whether the Portuguese eat at home at all. The pace is soothingly slow and any day seems to be a good day for a drink. Chances are that after a few days in Portugal, you’ll find yourself sitting in a small square with a glass of tawny port in your hand, no matter whether you previously liked the stuff or not. It's just one of those things Portugal does to you.»

O portal de turismo britânico GlobalGrassHopper tem 2 cafés portugueses no TOP 15 da Europa, onde apenas Itália merece mais do que uma referência. E falamos de países como França, Áustria, Holanda, Espanha, República Checa, Hungria, Alemanha, Polónia, Alemanha e Suíça, com uma única referência…

Os dois eleitos nacionais são o Majestic no Porto e a Brasileira em Lisboa. Claro que teríamos mais (talvez até outras) alternativas para propor, sobretudo em Lisboa, onde a Versailles, a esplanada do miradouro de S.Pedro de Alcântara, as duas esplanadas na Rua D.Pedro V (no Lost In e na boutique ao lado), para além das casas de chá estrategicamente situadas na Graça ou junto ao Castelo ou nas bordas do Tejo, tornariam quase impossível ficarmo-nos só por uma… Mas esta foi a selecção de cafés históricos preferidos da escritora e música Holly J.Holly, viajante compulsiva. 

Vale a pena citar o artigo, até pelas excelentes dicas para um chá ou café quente, capaz de nos ajudar a descongelar do frio e abrigar da chuva e ventania louca deste tempo (no site encontra-se uma imagem alusiva a cada café: 

http://www.globalgrasshopper.com/destinations/europe/15-historic-cafes-europe/)

15 of the best historic cafes in Europe

Written by guest writer Holly J. Holly is a travel writer and musician based in the UK. When she’s not scouring Europe for her favourite historic cafes she also enjoys travelling further afield. Her favourite travel destination is Japan, and her favourite cities include Paris, Barcelona and Tokyo. 

The Best Historic Cafés in Europe – Once favourite haunts of aristocrats, writers, poets and louche libertines, many of Europe’s coffee houses have a colourful history. Where better to sample of a slice of Europe’s bygone past than one of the beautifully preserved historic cafes? From fancy Art Deco to one of Amsterdam’s oldest brown cafes here are 15 of the best historic cafes in Europe:

La Closerie des Lilas, Paris – best for literary history

La Closerie des Lilas is the perfect place to visit on Paris weekend breaks. A former philosopher’s favourite, the cafe is known for its rich history of hosting such heroes of literature and art as Ernest Hemingway, Henry Miller, Apollinaire, Cézanne and Picasso. Every Tuesday night great thinkers, artists and poets would pile into La Closerie and mull over the latest theories, sharing their work and their ideas. Fans of Hemingway will most certainly want to visit the lush secluded terrace where the great author spent endless hours scribbling out his work. Hemingway lived a mere stone’s throw from the café and his favourite place at the glistening mahogany bar is marked with a well-polished brass plaque bearing his name.
  • 171 Boulevard du Montparnasse  75006 Paris, France

Café New York, Budapest – best for most beautiful


Café New York, Budapest is often mentioned as one of the most beautiful cafes in Europe – if not the world – and if you happen to vist you’ll probably agree. Renowned for being the place to meet for early 20th century artists, today it’s also a restaurant offering both traditional and Italian dishes to locals and tourists alike. The décor is suitably lavish with elaborate and decorative traditional pieces combined with more contemporary elements. Grab yourself a seat at one of the mirrored tables you may be lucky enough to experience a short performance from the local actors who frequently tread the boards at this popular café.
  • 1073 Budapest, Erzsebet korut 9-11, Hungary

Café Central, Vienna – best for classical music

With its marble pillars, glistening array of chandeliers and sweeping ceilings Café Central in Vienna is a fabulous example of early 19th century architecture. Nestled within a grand expanse of a historic palace it has long been associated with intellectuals since its opening in 1876. Most European cafés have used the idea of a Viennese café as a template, and the Café Central is probably the most superb example of them all. If refined elegance stirs you then you must visit this beautiful place, afternoons are particularly pleasant as they offer live classical music recitals. As you can imagine the acoustics are incredible.
  • Herrengasse / Strauchgasse, 1010 Vienna, Austria

Majestic Café, Porto – best for Art Noveau


Fans of Art Nouveau will adore the glorious Majestic Café, Porto which exhibit’s a stunning façade, exquisite interiors and a delightful winter garden. Famed for its Belle Epoque atmosphere it is perhaps one of the most photographed and aesthetically pleasing cafés in the world, let alone in Europe. The architecture was executed by the exceptional Joao Queiroz.  As well as the beautiful surroundings the café boasts a rich calendar of cultural activities throughout the year.
  • Rua Santa Catarina 112, 4000-442 Oporto, Portugal

Cafe Chris, Amsterdam – best for interesting locals

Amsterdam is famous for its ‘Brown cafes’ so called for their dark but cosy wooden interiors and the nicotine-stained walls and ceilings. Cafe Chris – established in 1624 – is said to be the oldest “Brown Cafe” in the city. A truly historical landmark located in the attractive Jordaan area, people come for the genuinely old interiors and probably also to meet a handful of colourful local personalities.
  •  Bloemstraat 42, 1016 LC Amsterdam, Netherlands

 

Caffe Torino, Turin – best for glamorous past

Turin is actually the first place in Europe where coffee fever first took hold and the Italian city is still home to a thriving cafe culture. Another café that can claim a Belle Epoque atmosphere is the attractive Caffe Torino, Turin first opened in 1903. Clustured amongst the other coffee houses on Piazza San Carlo, Caffe Torino certainly stands out with its rich velvet furnishings, expanses of wood and homely fireplaces. The café has welcomed a whole host of famous names including Ava Gardner, Alcide De Gaspari and pianist Ludovico Einaudi. Boasting a heated terrace since the 1950s, it also has a refined restaurant which adds to its charm.
  •  Piazza San Carlo, 204, 10121 Turin, Italy

 

The Antico Caffe Greco, Rome – oldest cafe in Rome



Anyone who has visited Rome knows it’s filled with many excellent cafes, but the one that really stands out is The Antico Caffe Greco. It is the second oldest café in Italy, and the oldest bar and café in the whole of Rome. Since opening its doors on Via dei Condotti in 1760 it has hosted such historical figures as Stendhal, Goethe, Byron, Franz Liszt, Henrik Ibsen, Hans Christian Andersen, Keats, Wagner, David Reynolds, Felix Mendelssohn, Maria Zambrano, Levi and Casanova. More contemporary visitors include artists, politicians and writers.
  • Via Condotti 86 | Piazza di Spagna, Rome, Italy

 

Ultieme Hallucinatie, Brussels – best for stained glass decor

Formerly a popular historic cafe, then closed and fully restored ‘The Ultimate Hallucination” is housed in a mansion built in the second quarter of the 19th century. With an elegant neo classical style filled with beautiful stained glass the restaurant consists of three parts. The front has Art Nouveau Empire style, the middle section refers to the Art Nouveau style of Charles Rennie Mackintosh and the dining room of yesteryear has a distinctive French Art Nouveau flavour. A truly unique place to dine or grab a coffe.
  • Koninsstraat 316, Brussels, Belgium

 

Café Slavia, Prague – best for understated

Café Slavia, Prague is handily situated near to such beloved landmarks as Charles Bridge, Castle Hill and the National Theatre. Since its opening towards the end of the 19th Century it has hosted a number of dissidents, artists and writers. Even Vaclav Havel enjoyed a coffee here prior to his engagement as president of the Czech Republic and supposedly, this is where Apollinaire used to sup absinthe. Today it’s a more sedate example of Art Deco nostalgia, although it still maintains a nationalist aura.
  • Smetanovo nábřeží 1, 110 00 Prague, Czech Republic

 

Jama Michalika, Krakow – best for quirky decor

One of the quirkiest cafés in Europe has to be Jama Michalika, Krakow. The walls are adorned with caricatures of the great cabaret artists, actors and writers who have visited this favourite bohemian haunt. With its secret back room hide out, delicious bigos stew and the tradition of enjoying lashings of absinthe, European historic cafes don’t come any more interesting.
  •  Floriańska 45, Kraków, Poland

 

Caffe Florian, Venice – oldest cafe in Italy


Caffe Florian in Venice - first opened in  1720 – is considered to be the oldest café in Italy, if not the world. Famous patrons of the two room café include Goethe and the legendary  lothario Casanova. Today Caffe Florian has huge displays of diverse artwork that grace the walls, ranging from comic strips to classical oil paintings. Hosting the world-renowned La Bienniale de Venezia art festival, this café is the perfect place to indulge in some Italian culture as well as enjoying some of the finest coffee in Europe.
  • Piazza San Marco, 56, 30124 Venice, Italy

 

Café de l’Opera, Barcelona – best for Opera fans

Fans of Art Nouveau will probably enjoy this cafe the most. Idyllically located just across from the opera house amidst the bustling hub of Las Ramblas, it is the perfect place to absorb the buzz of the city as well as look out for familiar faces and meet new friends. It has welcomed opera goers and performers for over a century.
  • La Rambla, 74, 08001 Barcelona, Spain

 

A Brasileira, Lisbon – best for old school elegance



Lisbon is also known for its fine collection of historic cafes. One of many people’s favourites is the ‘The Brazilian Cafe’ – one of the oldest and most famous cafes in the city’s old quarter. Tourists flock to the place drawn by its early original early 20th-century facade, old carved wood and burnished metal decor and glinting bottles behind the bar. Service may not be the quickest but at least it’ll give you  a chance to people watch in gorgeous surroundings.
  • Rua Garrett 120, 1200 Lisbon, Portugal

 

Cafe Buchwald, Berlin – best for sweet tooth’s

Many traditional cafes in Berlin specialise in baking but this cafe has to be one of the oldest. The house specialty is the cake, a tradition first started by confectioner to the Royals, Gustav Buchenwaldmade. Opened in 1900, decor still lingers in a bygone era with kitschy wallpaper, floral curtains and simple furniture will give you an authentic feeling of sitting in old-fashioned parlour.
  •  Bartningallee 29, 10557 Berlin, Germany

 

Cafe Odeon, Zurich – best for famous past

One of Zurich’s most famous cafe, this fancy Art Deco establishment -opened in 1910 – was a favourite haunt of  a number of writers, painters and musicians. Albert Einstein, James Joyce, Lenin and  Picasso are just a handful of its former famous visitors – giving it a reputation as a meeting point for intellectuals and high society. Today it draws a crowd aching for a bit of Europe’s old school elegance with high ceilings, brasserie fittings and formally dressed waitresses.
  •  Limmatquai 2, 8001 Zurich, Switzerland

Opções não faltam, no Velho Continente, para passar uma boa tarde de Inverno entre quatro paredes ou em plena natureza, por exemplo, num enclave delicioso de pinhal e mar (o tal, de sonho), a pouco mais de 15 minutos de Lisboa. Demasiado bom para ser verdade? Sem dúvida.

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
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(1) http://www.onyriamarinha.com/pt/Onyria-Marinha-Edition-Hotel-Thalasso.aspx
   

(2) www.globespots.com/besttravel.php?year=2013#.ULjC5cchEeA.facebook

domingo, 27 de janeiro de 2013

3º Domingo do Tempo Comum

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de Católico.

No filme Casino Royale, M e James Bond encontram-se em circunstâncias algo tensas. Ela diz-lhe (e cito bastante de cor): a arrogância e o auto-conhecimento nunca se deram bem... O resto do diálogo não interessa. O espião faz aquele ar de trabalhador das docas e sai para matar os maus e para beijar as donzelas.

Não me enganei no dia deste post. Sei que é domingo, embora pareça estranho estar a falar do 007. Apanhei esta frase há uma semana, quando via apenas os minutos iniciais do filme, e achei curioso, porque estava a meio de conversas sobre introspecção, vantagem e necessidade de escutar, seja os outros, seja o nosso próprio eu. Pareceu-me ser mais uma coincidência significativa.

Pode continuar a parecer estranho esta conversa sobre introspecção ao Domingo. Mas eu explico: no meu caso - e é desse que falo - a introspecção que fui fazendo (de uma forma totalmente desorganizada) ao longo dos últimos anos, teve uma componente espiritual importante, isto é, na minha cabeça, seguramente confusa e anárquica, a procura de quem eu sou como homem não é independente da procura de quem eu sou como católico. Por isso, como dizia esta semana num jantar, encontrei sempre vantagem em ter um padre como interlocutor, desde que o padre cumprisse minimamente as funções de um psicólogo. E o padre que me acompanha há alguns anos cumpre essa função...

O que encontrei eu na introspecção que fui fazendo? Um auto-conhecimento seguramente mais sólido. Conheço-me mais profundamente, sei melhor onde estão as minhas inseguranças e fragilidades, quais são os meus defeitos e qualidades, quais são as características com que embirram os que vivem mais junto de mim. Sabendo isso posso tentar mudá-las ou, em não conseguindo, posso revelar a minha incapacidade. Mas a introspecção permitiu-me viver melhor com todas essas características e saber expô-las a quem me está próximo. Revelar um defeito ao próximo é, na expressão feliz da minha querida amiga LA, astróloga de plantão ao estabelecimento, alumiar esse defeito. E ao alumiá-lo ele perde a carga sombria, obscura e escondida, e passa a ser algo partilhável. Se me pedissem para dizer, numa frase, o que tinha encontrado nesta caminhada de introspecção, eu diria: permitiu que eu vá vivendo (e o tempo verbal é importante) em paz comigo próprio

A arrogância não se dá bem, de facto, com o auto-conhecimento. Numa visão simplista - e repetindo um argumento que já usei numa história de sensualidade e engano - para o auto-conhecimento são precisas duas pessoas dentro de um espaço exíguo: o eu que observa e o eu que é observado. Ora, se o eu que é observado é demasiado grande, muito auto-convencido (ou apenas cego...) como deixará espaço para o eu que observa? Como deixará que a sua consciência se descentre de si próprio para se analisar? 

Alonguei-me - e o tema daria para muito mais. Bom Domingo para todos, em particular para aqueles que me ouvem falar mais sobre este tema, que me ajudam neste processo e a quem dedico o escrito.

JdB

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 Evangelho segundo S. Lucas ‪1,1-4.4,14-21


Visto que muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram, 
como no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram Servidores da Palavra, 
resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo, 
a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído. 

Impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia e a sua fama propagou-se por toda a região. 
Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam. 
Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler. 

Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: 

«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, 
a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.» 

Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 
Começou, então, a dizer-lhes: 
«Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.»

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