quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ponto de Vírgula

   Uma formidável moça, de enormes peitos que lhe tremiam dentro das ramagens do lenço cruzado, ainda suada e esbraseada do calor da lareira, entrou esmagando o soalho, com uma terrina a fumegar. E o Melchior, que seguia erguendo a infusa do vinho, esperava que suas Incelências lhe perdoassem porque faltara tempo para o caldinho apurar… Jacinto ocupou a sede ancestral – e durante momentos (de esgazeada ansiedade para o caseiro excelente) esfregou energicamente, com a ponta da toalha, o garfo negro e a fusca colher de estanho. Depois, desconfiado, provou o caldo, que era de galinha e recendia. Provou – e levantou para mim, seu camarada de misérias, uns olhos que brilharam, surpreendidos. Tornou a sorver uma colherada mais cheia, mais considerada. E sorriu, com espanto: – “Está bom!”
   Estava precioso: tinha fígado e tinha moela; o seu perfume enternecia; três vezes, fervorosamente, ataquei aquele caldo.
   – Também lá volto! – exclamava Jacinto com uma convicção imensa. – É que estou com uma fome… Santo Deus! Há anos que não sinto esta fome.
   Foi ele que rapou avaramente a sopeira. E já espreitava a porta, esperando a portadora dos pitéus, a rija moça de peitos trementes, que enfim surgiu, mais esbraseada, abalando o sobrado – e pousou sobre a mesa uma travessa a transbordar de arroz com favas. Que desconsolo! Jacinto, em Paris, sempre abominava favas!… Tentou todavia uma garfada tímida – e de novo aqueles seus olhos, que o pessimismo enevoara, luziram, procurando os meus. Outra larga garfada, concentrada, com uma lentidão de frade que se regala.    Depois um brado:
   – Óptimo!… Ah, destas favas, sim! Ó que fava! Que delícia!


in A Cidade e as Serras, Eça de Queirós



Creme de Favas

Ingredientes:

1 kg de favas
1 cebola picada
500g de batatas
2 dentes de alho picados
125 ml de azeite
1 molhinho de coentros picados
1 chouriço
Sal q.b.

Preparação:

Numa panela, leve ao lume o azeite, a cebola e os alhos. Mexa e deixe refogar tudo.
Junte os coentros e deixe fritar ligeiramente. Junte as favas, mexa bem e tempere com sal. Junte as batatas, o chouriço e aproximadamente 3 litros de água. Deixe cozer cerca de 40 minutos até tudo estar cozido.
Depois de tudo cozido, retire o chouriço e passe a sopa com a varinha mágica.
De seguida, passe num passador de rede para tirar as casquinhas.
Deixe ferver e apague o lume.
Sirva a sopa com as rodelas de chouriço por cima.


Nota: receita tirada daqui

MFM

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Duas Últimas

Na semana passada assisti no Tivoli a um concerto de Jorge Palma com casa cheia, o que nos tempos actuais sempre pode ser visto como uma bofetadinha na crise. Embora fosse uma enchente previsível, atendendo à exiguidade da velha sala, aos preços módicos e à qualidade e empatia de JP com o publico lisboeta. Muito mais difícil será por certo encher, ou perto disso, o Estádio do Restelo, o maior estádio do país por isso mesmo! Foi a segunda vez que o ouvi ao vivo – a primeira foi no Coliseu, se não me engano em 2007 – e gostei francamente mais desta última.  

Tratou-se de um espectáculo mais intimista, em que Jorge Palma esteve muito tempo e muitas músicas entregue apenas ao seu magnífico piano ou à viola. No resto simplesmente acompanhado, e bem, por um acordeão, um saxofone e uma segunda viola. Um espectáculo longo, com músicas do seu álbum mais recente e outras (muito) mais antigas, em que agarrou bem o publico. Que gosta dele, dos seus ritmos, arranjos e letras, da sua voz rouca e propensa a uma ou outra fífia, do piano, da sua presença próxima e calorosa em palco.

Jorge Palma tem uma carreira comprida e singular, talvez de acordo com a sua personalidade algo estrambólica. O sucesso alcançou-o já sobre o tarde, mas pressinto que não devia estar muito preocupado com isso. Também eu o descobri tarde e aos poucos, mas ainda a boas horas, e hoje em dia posso dizer que sou apreciador deste lisboeta nascido no início dos anos cinquenta, ao ponto o ir ver em noite chuvosa que mais convidava ao remanso do lar. 

Dele escolhi três músicas que não serão das mais conhecidas ou óbvias, mas que estão entre as minhas preferidas.

 Espero que também gostem.

fq



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Fotografias dos dias que correm

(sim, sim, o costume...)

Fórmula para o caos


EUA 2012

Quem lê as secções internacionais da imprensa nacional corre o risco de não ler a realidade. Lê uma espécie de wishfull thinking promovido pelo radicalismo pró-Obama. Obviamente, e independentemente das correntes ideológicas, Barack Obama é o mais " europeu " dos ocupantes da Casa Branca. Mas esse facto não justifica a cegueira com que é descrito o actual presidente americano nas redacções europeias. Vejamos alguns factos incontornáveis:

. Guantanamo ainda está aberta e a funcionar

. O desemprego ascende aos 8 %

. O défice federal está nos 10 %

. A divida pública, pela primeira vez na história, passou a barreira de 100 % do PIB

 Para quem tenha interesse em seguir, com um substancial nível de imparcialidade a campanha eleitoral nos EUA, recomendo o blog eraumaveznaamaerica.blogs.sapo.pt.

Pedro Castelo Branco

domingo, 28 de outubro de 2012

30° Domingo do Tempo Comum

Hoje é domingo e eu não me esqueço da minha condição de católico.

Socorro-me da sabedoria popular para dar início ao meu post: não há mais cego do que aquele que não quer ver. Mas também me socorro (de novo) de Proust para servir de muleta ao mau raciocínio: A verdadeira viagem da descoberta consiste, não em procurar novos lugares, mas em adquirir um novo olhar. Cada um à sua/nossa maneira, todos somos cegos - ou não queremos ver, ou insistimos em novos lugares.

Sabemos lá em que categoria se enquadra o cego de que fala o evangelho. O que sabemos é que ele pediu para ver. Também sabemos que ele atirou fora a capa, como quem rejeita, no pano onde recolhia as esmolas, uma vida que já não lhe servia, porque precisava de mais. Bartimeu quis ver, e sabia a quem se devia dirigir. Quando recuperou a vista (e recuperar é reaver algo perdido) não voltou a pegar no pano, porque o pano era a evidência de um tempo passado. Quando recuperou a vista, seguiu Jesus, porque para ele (e para todos os cristãos) Cristo era a Verdade. E é a verdade que devemos seguir. 

Ainda 6ªfeira, por motivos de uma conversa sobre os dias de hoje, citei a frase de Proust, embora o contexto não fosse religioso. Acredito que o nosso desafio é o de adquirir um novo olhar. Acredito que foi isso que Cristo deu a Bartimeu, como nos dá a todos nós, nos nossos momentos de cegueira. Pedir para ver é pedir para olhar para o mundo que nos rodeia com um olhar diferente, mais atento, mais solidário, menos orgulhoso, menos rancoroso, com mais espírito de serviço e maior disponibilidade. 

Roubo a frase à minha amiga MAF: se formos à missa hoje, peçamos para ver. Peçamos para ter um novo olhar. 

Bom domingo para todos.

JdB     

***

EVANGELHO - Me 10,46-52

Naquele tempo,
quando Jesus ia a sair de Jericó
com os discípulos e uma grande multidão,
estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho.
Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar:
«Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais:
«Filho de David, tem piedade de mim».
Jesus parou e disse: «Chamai-O».
Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te».
O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus perguntou-lhe:
«Que queres que Eu te faça?» O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja».
Jesus disse-lhe:
«Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista
e seguiu Jesus pelo caminho.

sábado, 27 de outubro de 2012

Pensamentos impensados


Passo de caracol
A justiça, em Portugal, está lentíssima, sendo uma das causas os recursos até chegar ao Supremo.
Para obviar, sugere-se que os julgamentos comecem no Supremo.

Publicidade
No fim de alguns programas da televisão informa-se que o programa foi patrocinado por...
Eu digo: o povo português é latrocinado por...

Publicidade enganosa
Fui a uma pastelaria e tive que pedir o Livro de Reclamações.
Pedi um mil folhas e não tinha mais que cinquenta.

Protocolo
Angela Merkel em breve visitará Portugal.
Seria de bom tom que o jantar oficial incluisse Brandenburge Tor e Salzen Obst.
Eu traduzo e explico: a Porta de Brandenburgo seria a entrada, e os sais de fruto o digestivo.

Frase feita
Sem sombra de dúvidas é frase que só pode proferir-se no deserto; não há sombras.

SdB (I)

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Moleskine

Dos vários modelos de coabitação do Homem não podemos descurar o que se refere ao dele consigo próprio. Não me atenho na capacidade que cada um de nós tem para viver sozinho, mas na aptidão que revelamos para nos desdobrarmos num ‘eu’ que se observa e num ‘eu’ que se deixa observar. No fundo, como se a individualidade fossem dois – personagem e crítico – de um mesmo solilóquio. Acredito que temos um espaço confinado por onde deambular interiormente, uma espécie de terreno virtual limitado onde podemos exercer este mister. Ora, assim sendo, a dimensão dos ‘eus’ – observado e observador – é fundamental. Se o primeiro ‘eu’ – que será sempre o dominante – se estender nesta virtualidade do espaço, pouco lugar há para o segundo ‘eu’. É o Princípio de Exclusão de Pauli aplicado à não-matéria. É este exercício desejável - ou mesmo possível?

[Gregory Tapescu, in Há espaço para dois 'eus'? (Edição do Autor, Bucareste, 2010, traduzido por A. L. Andrade)]

Alberto lia, com vagar e cansaço, este artigo que lhe tinham mandado. Meditava sobre a verdadeira dimensão deste texto, como se adequaria às meditações que vinha fazendo e onde as expressões pequeno e pequenez assumiam foros de protagonismo. Leu e releu, e reforçou as suas convicções.

Sempre tivera a desadaptada e inútil mania de se fixar nas inutilidades da vida, pelo que não estranhou ter olhado mecanicamente para o relógio quando tocaram à campainha. Eram 15.51h, e percebeu que tão cedo não haveria outra capicua horária. Não que isso fizesse diferença para a rotina das marés ou para a constância das luas, mas mesmo assim era uma coincidência. Talvez não significativa, como referia Jung, mas seguramente curiosa. Um minuto de diferença e o relógio revelaria umas desinteressantes 15.50h ou 15.52h sobre as quais não poderia discorrer-se, muito menos filosofar.

Sou a nova vizinha do rés do chão. Arranja-me um pé de salsa?

Alberto já a conhecia – mas do capacho. Nesta tendência permanente, quiçá de uma limitação patológica, de pregar a sua atenção nas menoridades do quotidiano, deu em tecer considerações íntimas sobre tapetes de esparto e tipos de pessoas. O que motiva o simples mortal a comprar este ou aquele modelo? Há algum sinal exterior de onde possa inferir-se uma formação académica, um nível social ou financeiro, uma opção de vida? De facto, percebera que a vizinha usava um modelo que fazia publicidade a uma bebida energética, algo que ele nunca experimentara por temor dos efeitos. O que revelava aquele capacho por comparação com o seu, trivial e esfiampado nas orlas? 

A frase

Sou a nova vizinha do rés do chão. Arranja-me um pé de salsa?

fora proferida por uma mulher bonita, elegante, com umas calças justas, botas até ao joelho e decote sensual.  Imaginou-a, face a uma camisa caprichosa, a hesitar entre apertar o botão, e revelar pudor, ou não apertar, e mostrar volúpia. A vizinha estava de frente para ele, o que era vagamente perturbador, porque Alberto gostava agora de apreciar as mulheres ligeiramente por trás, para lhes descortinar os contornos - a ondulação elegante de umas costas, o desenho de um pescoço ou de um pedaço da maçã do rosto, um braço em ângulo que esconde o perfil de uns seios discretos. Apesar disso fixou a frase que lhe abriu uma possibilidade com tendências para certeza. Ele, Alberto, tinha sido observado nas suas entradas e saídas de casa e o pedido da vizinha, mais do que a necessidade de um raminho de Petroselinum crispum (outra inutilidade cultural) era uma porta que se abria, um convite, um desafio, uma hipótese, uma sugestão.

Imaginou-se a dizer-lhe que sim, a convidá-la a entrar, a levá-la à cozinha, a abrir a porta do frigorífico e ela a dizer deixe, beije-me, abrace-me e a querer fazer amor em cima da ilha de fórmica revestida a silestone, a desejar viver a loucura dos amores proibidos, dos corpos enroscados, das mãos peregrinas e exploradoras, das bocas ávidas, dos peitos desnudos e ofegantes, dos lábios frementes, da vizinhança solidária levada ao esplendor do desejo e da oferta, e ele a dizer sim, sim, era por si que eu esperava,  e a cobri-la de beijos e de luxúria, de frases tórridas, de mãos que se abrem além da possibilidade humana, de cinco dedos que são escassos para a voragem erótica que altera o eixo da terra num meio de tarde outonal.

Se calhar não tem... Deixe. Olhe, não leve a mal, mas tem um fio de caldo verde na barba...

Alberto olhou para o relógio. Eram 15.52 e tão cedo não haveria outra capicua.

JdB     

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Diário de uma astróloga – [37] – 24 de Outubro de 2012


Ensinamentos das cartas de Portugal

A astrologia assume que há uma relação significativa entre a posição das estrelas e dos planetas e os assuntos do Homem, quer sejam pessoais ou sociais. Na minha visão cosmológica, as estrelas e os planetas não fazem nada de físico, não mandam “vibes” cá para baixo, mas são símbolos de energias que sincronicamente funcionam “as above, so below” ou “assim na terra como no céu”. A raiz da palavra astrologia é grega:  astro = estrela, logos = palavra. As “estrelas” falam e eu oiço e traduzo.

É partindo desta definição e desta premissa que vou analisar algumas relações angulares entre a Lua e Ascendente dos mapas de Portugal e os planetas em órbita que agora lhes estão a incidir directamente. Nós chamamos a esta análise “trânsitos”.

Olhando para a carta de Portugal da Implantação da República (ver post anterior) temos o Ascendente e a Lua no 3º e 4º grau de Escorpião. O planeta que actualmente se dirige para esta zona do zodíaco é Saturno, que representa responsabilidade, a disciplina, mas também dificuldades e restrições, tanto ao povo português como na imagem que projectamos no mundo. Saturno ocupa esta posição no céu cada 29 anos, eis o que se passou anteriormente.[i]

Em 1924 – Greves, bombas, governo instável e é passada lei do agravamento fiscal. O Governo negoceia um empréstimo em Londres mas as soluções financeiras escasseiam.   
Em 1953/4 – O governo lançou uma campanha de produtividade que foi alvo de grandes protestos, pois explorava os trabalhadores de forma vergonhosa. Numa manifestação é assassinada Catarina Eufémia.
Em 1983 – “Aumento do preço dos combustíveis”… “Acordo com o FMI” …” Soares declara que está afastado o espectro da fome e do racionamento”… “Pacote fiscal proposto pelo governo é aprovado. CIP fala em rapina fiscal”“ Lucas Pires fala em estado de sítio fiscal” . No princípio de 1984 é criado o IVA, aumentam as taxas de juro como resposta a uma inflação que chega a atingir 29%. Há 100.000 trabalhadores com salários em atraso.

Agora, em 2012, foram lançados novos impostos, aperta-se o cinto, o povo sofre. Estamos às voltas com o FMI mas os instrumentos para sairmos dela são outros, porque não há possibilidade de desvalorizar a moeda, que foi o que nos safou em 1983. Relativamente aos ciclos anteriores parece que progredimos, não se fala de racionamento e nem há mortos e feridos.

Seguidamente Saturno passa no Nó Lunar Sul (ligado ao destino da Nação) mais ou menos dois anos depois. Assim:

Em 1926 Salazar assume a primeira pasta governativa para resolver os problemas financeiros dos governos anteriores.
Em 1955 é fundada a Resistência Republicana e Socialista, futuro PS, liderada por Mário Soares.
Em 1985 Portugal assina o tratado de adesão à então CEE.

E agora que vamos fazer? 

Quis olhar com mais recuo, agora para o mapa de Portugal de 1 de Dezembro de 1640 (ver post anterior) onde temos o ascendente a 8 de Capricórnio, e a Lua em oposição a 11⁰ de Caranguejo. São os mesmos pontos considerados no mapa de 1910 relacionados com a nossa população e imagem do país. Estão a ser atingidos por Plutão por trânsito. A analise fica mais fácil porque Plutão tem uma órbita de 246 anos, por isso só aqui passou uma vez deste a Restauração, entre 1766 e 1768. Foi uma época marcada por uma grande crise económica que leva o Marques de Pombal a uma política de fomento industrial e ultramarino. A preocupação do rei e do seu ministro, para além da reconstrução de Lisboa no pós terramoto, foi a de criar instituições no campo económico e educativo adaptadas ao séc. XVIII. 

Há poucas pessoas a usarem a astrologia para a compreensão histórica, mas as pistas que toda esta informação nos dão são uteis para nos guiarmos nestes anos de 2012 a 2015.

Primeiro – da crise não nos safamos facilmente, mas já passamos por pior e a roda gira. Vai ser necessário um pouco de optimismo para contrariar o pessimismo saturnino .
Segundo – com esse optimismo devemos manifestarmos-nos mas também criar novas forcas políticas e económicas que nos encham de dinamismo e esperança, impulsionando novo ciclo de desenvolvimento.
Terceiro – como os tempos são outros, não vamos fazer isso através de ditadores, de novos partidos políticos, de soluções externas, mas sim através de uma verdadeira reconstrução da identidade nacional – investir no que temos, nas nossas potencialidades e talentos, na educação como fez o Marquês de Pombal na procura do caminho da modernidade.

Felizmente para nós já não há a monarquia, porque a rainha D. Maria, a Pia, fez regredir Portugal e parte das políticas do Marquês foram suprimidas.

Luiza Azancot



[i] Informações históricas  e citações foram obtidas no site no Centro de Estudos do Pensamento Politico do ISCSP-UTL  http://www.iscsp.utl.pt

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Crónicas de um universitário tardio

Hoje era dia de Duas Últimas - e o meu querido amigo fq irá perdoar-me a falha. Um pico de trabalho matou-me a inspiração, pelo que tive de improvisar.
Na semana passada, talvez, falei na dificuldade em fazer um trabalho para a cadeira de Poéticas Contemporâneas. Entre outras coisas, a recensão de caso poderia versar um objecto comunicacional forte. Temas vagos, para um engenheiro... 
Decidi publicá-lo aqui, num assomo de valentia. Talvez só hoje tenha feedback do professor, pelo que não sei a qualidade nem a valia do escrito. Seria mais fácil escondê-lo, se tivesse má nota, ou só o revelar se fosse louvado pelos corredores da universidade. Mas eu sou assim...

JdB

***

 (...)

O lema: Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!
O objectivo: usando os jornais e as redes sociais convocar o maior número possível de pessoas para, no dia 15 de Setembro, o país se encher de cartazes de protesto contra as medidas de austeridade decididas pelo governo de Passos Coelho.
Inicialmente prevista para Lisboa, as manifestações alastraram rapidamente a várias cidades do País, como sejam Viseu ou Loulé, Funchal ou Covilhã, Ponta Delgada ou Marinha Grande.
Para calcular a multidão envolvida em Lisboa foi usado um método comum: a área ocupada pelos manifestantes e a densidade de pessoas nessa área. Os números divergem. Os mais optimistas falam de seis pessoas por m2, os mais realistas  apontam para apenas duas pessoas.  Números redondos, a prudência aponta para as 300 a 400  mil pessoas.
(...)
Alguns exemplos dos imensos cartazes que circularam pela capital:
  •                       Os próximos cortes são os vossos (com dois tomates desenhados):
  •                       Coelho na brasa
  •                       Contra os ladrões marchar marchar
  •                       Só os beijos nos taparão a boca
  •                       Tirem a farda, juntem-se ao povo
  •                       O melhor do mundo são as crianças, e esta vai emigrar

Escondido na multidão, poucos deram por um cartaz, transportado por um grupo heterogéneo de pessoas (homens, mulheres, crianças, jovens, adultos) que não continha qualquer frase ou imagem. De facto, era apenas uma enorme folha de papel em branco.
  
                                                (Jorge Antunes, jornal Clarim das Beiras, 22.09.12)        

Tal como a rapariga fotografada a abraçar um polícia de intervenção, poderia este cartaz despido ser um símbolo?

Os dicionários definem manifestação como sendo expressão pública e colectiva de um sentimento ou de uma opinião. Uma manifestação pretende comunicar algo. Esta comunicação específica é materializada em dois factores principais: 1) um grupo de pessoas empunhando cartazes, sendo este conjunto em número suficiente para provocar impacto visual; 2) palavras de ordem proferidas num volume suficiente para provocar impacto sonoro. 

Podemos recuar a 1974 para nos confrontarmos com a expressão maioria silenciosa associada a uma eventual manifestação. No entanto, mesmo essa teve som e imagem. A expressão silenciosa foi, por isso, uma metáfora.

O que significa, então, numa manifestação onde se empunham cartazes com frases de incitamento à revolta, frases jocosas ou frases de desespero, uma cartaz todo em branco, empunhado por um conjunto de pessoas que não evidenciavam diferença substantiva relativamente aos seus semelhantes?

Não sabemos se o grupo de pessoas que empunhava o cartaz, vazio e ausente de qualquer mensagem escrita, gritava palavras de ordem. O jornalista não considerou importante referi-lo, pelo que podemos depreender que a ausência de palavras escritas foi mais importante na sua observação. Quer dizer, o impacto visual (de uma inexistência) venceu o impacto sonoro (de outra eventual inexistência) – e chamou à atenção. No colorido dos diversos cartazes ressaltou a brancura de um único. Uma espécie de less is more arquitectónico aplicado ao campo da manifestação.

Diz-nos a ciência que o branco é luz e a soma de todas as cores.  Diz-nos a tradição que o branco está associado à pureza. Talvez haja mesmo quem associe o branco absoluto (uma expressão não científica) ao silêncio.

No âmbito desta manifestação, branco seria, então, metaforicamente o nada, ou a soma de todos os sons? Um cartaz em branco seria a inexistência de queixa, de raiva, de desespero, ou seria o somatório de todos os protestos, de todos os lamentos, de todas as indignações? Uma tela em branco seria a indiferença, ou o lugar geométrico da pureza (nas várias acepções da palavra) de todos os manifestantes, de todas as motivações?

O jornalista relatou que não viu ou que viu algo que não existia. Não mencionou que não ouviu, porque o ruído ambiente esmagou o hipotético silêncio. A (ausência de) imagem venceu (a ausência) o som.

Quanto ao que o grupo quis comunicar, só perguntando-lhes...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Vai um gin do Peter’s?

MUSICAL INTERPELATIVO, até ao próximo Domingo

No auditório do Colégio de S.João de Brito está em cena um musical bem executado, com imenso ritmo, a contar uma história simples e cheia de suspense, a partir de uma exposição de pintura num povoado remoto do país. Ali se expõe a fantástica colecção de arte saída das caves de um palacete inacessível. Mas há um quadro especialmente valioso, do século XV, que não deixa os visitantes indiferentes, até os seguranças e as câmaras de vigilância serem misteriosamente ultrapassados pelos acontecimentos. O que aconteceu, afinal?...
Sob a direcção musical do director da «Operação Triunfo», Ruben Alves, a peça esvai-se em 60 minutos, a saberem a pouco. Até ao próximo Domingo, «O QUADRO»(1) continuará a dar que falar

II PARTE - PRESENÇA DE PAZ NO MÉDIO ORIENTE

A continuação da síntese da mensagem deixada pelo Papa académico, no Líbano(2), inclui as seguintes temáticas:
- PRIMAVERA ÁRABE E ENCRUZILHADAS DO MÉDIO ORIENTE
- O AMOR É A REVOLUÇÃO TRAZIDA POR CRISTO
- DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO E COM TODA A SOCIEDADE É URGENTE
- COMO SUPERAR OS RISCOS DA ACTUALIDADE


Com a frontalidade que lhe conhecemos, Bento XVI procura sempre responder e até antecipar as dúvidas e objecções do homem contemporâneo, começando pela mais elementar: há ou não Deus?  Recentemente, num encontro no Vaticano (8 de Outubro), formulou-a em termos directos: «Muitas pessoas perguntam-se se Deus é ou não uma ‘hipótese'. (…) Por detrás do silêncio do universo, por detrás das nuvens da história, há ou não um Deus? E se há esse Deus, que nos conhece, o que tem a ver connosco?» 
Continuando na mesma linha, sublinhou dois sinais distintivos da fé: dar testemunho através da caridade, considerando-a a grande «força do presente e do futuro» e através do Evangelho -- «Evangelho quer dizer (que) Deus rompeu o seu silêncio, Deus falou, Deus fala. É o Deus connosco. É esta a salvação.», entusiasmando os crentes a difundirem esta boa nova de um Deus próximo, que é Amor.
Mestre em metáforas e no recurso a paradoxos, o Papa explorou uma das imagens mais comuns do Amor – o fogo – revelando as diferentes facetas de uma realidade rica e, simultaneamente, delicada, frágil, à mercê da liberdade humana: «O fogo é luz, é calor, força de transformação; a cultura humana começou quando o homem descobriu que podia criar o fogo que destrói, mas, sobretudo, transforma, renova e cria uma novidade: a do homem que se torna luz em Deus 
Procurando transmitir luz e paz ao Médio Oriente, o Papa começou por abordar o enorme desafio que constitui a revolução social e política em curso no mundo árabe: 
PRIMAVERA ÁRABE E ENCRUZILHADAS DO MÉDIO ORIENTE
- «Diria que a primavera árabe, em si, é uma coisa positiva: é um desejo de maior democracia, maior liberdade, maior cooperação, duma identidade árabe renovada. E este grito da liberdade, que vem duma juventude mais formada cultural e profissionalmente, que deseja maior participação na vida política, na vida social, é um progresso, uma coisa muito positiva e por isso mesmo louvada também por nós, cristãos. Naturalmente, da história das revoluções, sabemos que o grito da liberdade, tão importante e positivo, corre sempre o perigo de esquecer um aspecto, uma dimensão fundamental da liberdade, ou seja, a tolerância do outro: o facto de que a liberdade humana é sempre uma liberdade compartilhada, que pode crescer apenas na partilha, na solidariedade, no viver juntos, com determinadas regras. Este é o perigo de sempre (…). Assim também a identidade árabe renovada implica – penso eu – a renovação do conjunto secular e milenar de cristãos e árabes, que precisamente juntos, na tolerância de maioria e minoria, construíram estas terras e que não podem deixar de viver juntos. Por isso, penso que é importante ver o elemento positivo nestes movimentos e fazer a nossa parte para que a liberdade seja concebida de modo justo e corresponda a um maior diálogo e não ao domínio de um contra os outros.» (Respostas aos Jornalistas – 14.Set.)
- «Foi neste contexto constrangedor, instável e actualmente propenso à violência, que Deus permitiu o florescimento da sua Igreja. Esta vive numa notável variedade de formas.» (Exortação – ponto 11)
- «O Médio Oriente é uma realidade rica pela sua diversidade, mas demasiadas vezes constrangedora e mesmo violenta; isto toca o conjunto dos habitantes da região e os vários aspectos da sua vida. (...) Muitas vezes (os cristãos) sentem-se humilhados; quando há desordens, sabem, por experiência, que são vítimas proscritas. (…) Na verdade, um Médio Oriente sem ou com poucos cristãos já não é o Médio Oriente, visto que os cristãos fazem parte com os outros crentes da identidade muito particular da região; uns são responsáveis pelos outros diante de Deus. Por isso, é importante que os líderes políticos e os responsáveis religiosos entendam esta realidade e evitem uma política ou uma estratégia que privilegie apenas uma das comunidades criando um Médio Oriente monocromático, que deixaria absolutamente de reflectir a sua rica realidade humana e histórica.» (Exortação – ponto 31)
- «A Igreja latina presente no Médio Oriente, embora sofrendo a hemorragia de muitos dos seus fiéis, encontra-se hoje a braços com outra situação que a interpela pedindo resposta para novos e variados desafios pastorais (…) a chegada massiva e a presença, nos países de economia forte na região, de trabalhadores de todo o tipo vindos da África, do Extremo Oriente e da Índia. Estes grupos, (…) enfrentam uma dupla precariedade: são estrangeiros no país onde trabalham, e vivem muitas vezes situações de discriminação e injustiça (Exortação – ponto 33)

O AMOR É A REVOLUÇÃO TRAZIDA POR CRISTO
- «(É) necessário celebrar a vitória do amor sobre o ódio, do perdão sobre a vingança, do serviço sobre a prepotência, da humildade sobre o orgulho, da unidade sobre a divisão. (…) (C)onvido todos a que não tenham medo, permaneçam na verdade e cultivem a pureza da fé.» (na Basílica de S.Paulo – 14.Junho)
- «Abrindo-se à acção do Espírito de Deus, o crente faz penetrar no mundo, por meio da sua oração (…), a riqueza do amor e a luz da esperança que habitam nele.» (Exortação -  ponto 82)
- «(A) caridade cristã (deve dar) resposta às necessidades imediatas de todos, sem olhar à sua religião e independentemente dos partidos e ideologias, com o único objectivo de viver na terra o amor de Deus pelos homens.» (Exortação -  ponto 89)
- «(A) busca da verdade que não se impõe pela violência, mas pela ‘sua própria força’ (…) (A) fé viva conduz invariavelmente ao amor. A fé autêntica não pode levar à morte. (…) A inércia dos homens de bem não deve permitir que o mal triunfe. O pior de tudo é não fazer nada!» » (Encontro com Governo -  15.Set.)
 - «Procurai o que é belo, e comprazei-vos na prática do bem. (…) O encontro com Ele dá à vida um novo horizonte (…). N’Ele, encontrareis a fonte da alegria. Cristo diz-vos: سَلامي أُعطيكُم (‘dou-vos a minha paz’). Esta é a verdadeira revolução trazida por Cristo: a do amor» (Encontro com os Jovens – 15.Set.)
- «É evidente que sois uma carta de Cristo, (…) escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne que são os vossos corações. (…) Esta carta (…) será o testemunho da vossa vida e da vossa fé. Assim, com coragem e entusiasmo, fareis compreender ao vosso redor que Deus quer a felicidade de todos sem distinção.» (Encontro com os Jovens – 15.Set.)
- «(O) caminho por onde Jesus nos conduzir é um caminho de esperança para todos. A glória de Jesus releva-se no momento em que, na sua humanidade, Ele Se mostra mais frágil, especialmente na encarnação e na cruz. É assim que Deus manifesta o seu amor, (…) dando-Se a nós.» (Encontro com os Jovens – 15.Set.)

Banhos de multidão nos dois dias de Visita, com um programa de contactos muito intenso

DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO E COM TODA A SOCIEDADE É URGENTE
- «A unidade ecuménica não é a uniformidade de tradições e celebrações» (Exortação – ponto 17)
- «A natureza e a vocação universal da Igreja exigem que ela se abra ao diálogo com os membros das outras religiões. No Médio Oriente, este diálogo funda-se nos laços espirituais e históricos que unem os cristãos, os judeus e os muçulmanos. Este diálogo não se move tanto por considerações pragmáticas de ordem política ou social, como sobretudo pelas bases teológicas que interpelam a fé. (…) Judeus, cristãos e muçulmanos crêem num Deus Uno, criador de todos os homens. Possam os judeus, os cristãos e os muçulmanos descobrir um dos desejos divinos que é a unidade e a harmonia da família humana. Possam os judeus, os cristãos e os muçulmanos entrever no outro crente um irmão a respeitar e a amar, para darem – em primeiro lugar nas suas terras – um bom testemunho de serena convivência entre filhos de Abraão.»  (Exortação -  ponto 19)
- «Dado que a realidade temporal é o vosso campo próprio, encorajo-vos, queridos fiéis-leigos, a reforçar os vínculos de fraternidade e colaboração com as pessoas de boa vontade tendo em vista a busca do bem comum, a correcta gestão dos bens públicos, a liberdade religiosa e o respeito pela dignidade de cada pessoa. Mesmo quando a missão da Igreja se torna difícil nos ambientes onde o anúncio explícito do Evangelho encontra obstáculos ou não é possível, «tende entre os gentios um comportamento exemplar (...)»... Para que o vosso testemunho produza realmente fruto (cf. Mt 7, 16.20), exorto-vos a superar as divisões e qualquer interpretação subjectivista da vida cristã (…), porque os vários âmbitos da vida do fiel-leigo entram todos no desígnio de Deus.» (Exortação -  ponto  56)
 - «A Igreja Católica no Médio Oriente alegra-se com o testemunho de fé e comunhão fraterna destas comunidades, nas quais se reúnem cristãos de várias Igrejas, sem confusão nem proselitismo. Encorajo os membros destes movimentos e comunidades a serem artífices de comunhão e testemunhas da paz que vem de Deus… (expressando) a comunhão na diversidade...» (Exortação -  ponto  87)
- «(N)ão são os «obreiros da paz» aqueles que mais admiramos? E não é a paz o bem precioso que toda a humanidade procura? Porventura não é um mundo de paz aquilo que mais profundamente desejamos para nós e para os outros? سَلامي أُعطيكُم (dou-vos a minha paz): disse Jesus. Ele venceu o mal não com outro mal, mas tomando-o sobre Si e aniquilando-o na cruz com o amor vivido até ao fim. (…) O perdão e a reconciliação são caminhos de paz, e abrem um futuro. (Encontro com os Jovens – 15.Set.)
-  «O centro e o fruto do verdadeiro ecumenismo é a fé.»  (Exortação – ponto 11)
- «(O)s fiéis católicos podem promover o ecumenismo espiritual (em toda a sociedade, para) … serem testemunhas da comunhão em todos os âmbitos da sua vida. Esta comunhão, porém, não significa sincretismo. O testemunho autêntico requer o reconhecimento e o respeito pelo outro, a disponibilidade ao diálogo na verdade, a paciência como uma dimensão do amor, a simplicidade e a humildade de quem se reconhece pecador diante de Deus e do próximo, a capacidade de perdão, reconciliação e purificação da memória, a nível pessoal e comunitário.» (Exortação – ponto 12)
- «Não tenhais medo nem vergonha de testemunhar a amizade com Jesus no âmbito familiar e público. Fazei-o, porém, no respeito pelos outros crentes, judeus e muçulmanos, com quem partilhais a crença em Deus Criador do céu e da terra, e no respeito também pelos grandes ideais humanos e espirituais. (…) O relacionamento com Jesus tornar-vos-á disponíveis para colaborar sem reservas com os vossos compatriotas, independentemente do seu credo religioso.. (Exortação – ponto 63)

COMO SUPERAR OS RISCOS DA ACTUALIDADE
- «(P)odereis discernir com sabedoria, na modernidade, os valores úteis à vossa plena realização e os males que lentamente intoxicam a vossa vida. Não vos deixeis seduzir pelo materialismo nem por um uso indiscriminado da rede informática que poderia mutilar a verdadeira natureza das relações humanas.» (Exortação – ponto 63)
- «As frustrações presentes não devem levar-vos a buscar refúgio em mundos paralelos, como por exemplo o mundo das drogas de todo o tipo ou o mundo triste da pornografia. Quanto às redes sociais, são interessantes mas podem, com facilidade, levar-vos à dependência e à confusão entre o real e o virtual. Procurai e vivei relações ricas de amizade verdadeira e nobre. Cultivai iniciativas que dêem sentido e raízes à vossa existência, lutando contra a superficialidade e o consumismo fácil. Estais de igual modo sujeitos a outra tentação: a do dinheiro – este ídolo tirânico que cega até ao ponto de sufocar a pessoa e o seu coração. Infelizmente os exemplos que vedes em redor não são sempre dos melhores. (…) (Ponde) de lado o que é ilusório, aparência e mentira.» (Encontro  com os Jovens – 15.Set.)
- «As situações humanas dolorosas geradas pelo egoísmo, a iniquidade ou a vontade de domínio podem suscitar cansaço e desânimo. Por isso, Jesus recomenda a oração contínua. Nela, temos (…) o lugar privilegiado da comunhão com Deus e com os homens.» (Exortação – ponto 82)
- «Algumas ideologias, pondo em questão de maneira directa ou indirecta, e mesmo legalmente, o valor inalienável de cada pessoa e o fundamento natural da família, minam os alicerces da sociedade. Devemos estar conscientes destes atentados contra a construção e a harmonia da convivência social. O único antídoto para tudo isto é uma solidariedade efectiva (…) para apoiar as políticas e iniciativas que visam unir os povos de forma honesta e justa.»  (Encontro com Governo – 15.Set.)
- «(A) fim de patentear às novas gerações um futuro de paz, a primeira tarefa é educar para a paz, construindo uma cultura de paz. (…) O espírito humano possui o gosto inato do belo, do bom e do verdadeiro; é o selo do divino, a marca de Deus nele! (…) Mas é só na liberdade que o homem se pode voltar para o bem. (…) A tarefa da educação é acompanhar a maturação da capacidade de fazer escolhas livres e justas, que possam ir contra-corrente relativamente às opiniões generalizadas, às modas, às ideologias políticas e religiosas. A consolidação duma cultura de paz tem este preço. Obviamente é necessário banir a violência verbal ou física; é sempre um ultraje à dignidade humana (…). Assim a educação para a paz formará homens e mulheres generosos e rectos, solícitos para com todos mas particularmente com as pessoas mais débeis.» (Encontro com Governo – 15.Set.)
- «Que podemos fazer contra a guerra? Naturalmente – digamos – difundir continuamente a mensagem da paz, esclarecer que a violência não resolve jamais um problema sequer e revigorar as forças da paz. Nisto é importante o trabalho dos jornalistas, que muito podem ajudar para mostrar como a violência destrói: não constrói, nem é útil para ninguém. (…) Diria também que deve, finalmente, cessar a importação de armas (…) importar ideias de paz, criatividade, encontrar soluções para aceitar cada um na sua alteridade.» (Respostas aos Jornalistas – 14.Set.)



Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
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(1) Próximos espectáculos: 25, 26, 27, 28 de Outubro às 21h00; 
                                                14, 21 e 28 de Outubro às 16h00.
        http://www.facebook.com/musical.o.quadro;  musical.o.quadro@gmail.comThis email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it. , Tlm: 960248946 | 93 848 67 53; bilhetes à venda na FNAC, Ticketline ou no auditório do Colégio de S.João de Brito (ao Lumiar).

domingo, 21 de outubro de 2012

Domingo ……. Se Fores à Missa !

À hora a que escrevo estas palavras chove copiosamente lá fora e o dia está escuro. Não tenho propriamente um tema que me guie; ao invés, deixo correr a pena, digo, as teclas. Penso no Evangelho de hoje, que é afinal a razão do meu Post, e vem-me ao pensamento um encontro fugaz que tive hoje de manhã e ao qual não dei grande importância. Eram 08h30 da manhã, 5ª feira, em plena Av. Fontes Pereira de Melo, grande azáfama para lá e para cá, carros a subir e descer a avenida, uma ambulância apitando a sirene, pessoas apressadas para os seus trabalhos, uma autêntica dança de gabardines e chapéus de chuva. 

De repente, uma imagem destoa totalmente do cenário. Cruzo-me com um sem-abrigo que por ali deambula, coberto por um cobertor (será pleonasmo ??), o cabelo parece um ninho de ratos; a barba por fazer há 3 ou 4 meses;  o olhar?  triste, azul, transparente;  o andar, cabisbaixo. Num impulso, volto atrás e ofereço-lhe a sandwich que trazia de casa, embrulhada em papel de prata, que tiro da minha mala. O homem arregala os olhos, rasga um sorriso e pergunta “para mim?”, numa pronúncia estrangeira.  Aquele sorriso era contagiante. Acenei com a cabeça e, sem articular uma única palavra, simplesmente, sorri de volta.

Tudo isto não durou mais de 20 ou 30 segundos; segui o meu caminho e não mais pensei no assunto, mas o sorriso aberto daquele homem deu um significado diferente ao meu dia.

Domingo, Se Fores à Missa ………….. Sorri !

Maf


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos



Naquele tempo, Jesus chamou os Doze e disse-lhes:
Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder?
Não deve ser assim entre vós:
quem de entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo,
e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos;
porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos».


Palavra da salvação.

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