quinta-feira, 30 de junho de 2011

Deixa-me rir...

Na ausência do nosso saudoso Philip – que a está hora já terá sido operado de urgência ao apêndice! - ficam uns excertos dum livro de caricaturas muito bem apanhado. Não sei se conhecem o Frederico Lourenço. Eu não o conhecia até o ter lido – por sugestão dum amigo – e nunca o tinha visto até ter sido entrevistado, há dois Domingos atrás, no programa Câmara Clara da Paula Moura Pinheiro. É um homem muito agradável, de voz serena e doce, dos seus 40 e tais, professor universitário em Coimbra e especialista na Grécia Antiga. Entre os vários livros que já publicou, aqui ficam alguns excertos de um intitulado “Caracteres” (Livros Cotovia).

Socorro-me do início do prefácio do livro para explicar a razão de ser deste nome: “Não seria exagero afirmar que, a seguir aos diálogos mais literariamente perfeitos de Platão (Protágoras e Banquete), a grande obra-prima da prosa grega é essa jóia que dá pelo nome de Caracteres. Foi composta no séc IV a.C. por Teofrasto, escritor natural da ilha de Lesbos, que se estabeleceria em Atenas para estudar com Platão e Aristóteles; consiste numa sequência de trinta caricaturas miniaturais em prosa, que delineiam, em poucas palavras, toda uma personalidade com traço certeiro, sarcástico e genialmente lacónico”.

Posto isto passo, passo à transcrição de algumas figuras escolhidas aleatoriamente duma obra com retratos “à portuguesa”, ou seja, retratos de figuras que se podem encontrar um pouco por todo o nosso Portugal. Espero que as reconheçam, não se incomodem com a mordacidade aguda e se riam!

O MONÁRQUICO DE ESQUERDA

O monárquico de esquerda não gosta de touradas e tem logo aí um doloroso problema de identidade. É pouco católico e pertence à Liga Anticinegética. É vegetariano e muito ligado ao mundo do teatro alternativo. Ainda não casou mas já tem dois filhos (Sancho e Duarte) de duas mulheres diferentes; uma, aliás, é uma brasa cabo-verdiana. É opositor de poses instituídas e, talvez por isso, nas últimas presidenciais votou em Manuel Alegre. Aos amigos que lhe perguntavam “então tu, um monárquico, vais votar nas presidenciais?”, respondia “é pá, é o dever cívico, estás a ver?”. À namorada que quis saber como é que ele se tornara monárquico, disse (um tanto acanhado) “é pá, era puto, era Natal; havia bolo rei, estás a ver?”

O PADRE SOCIAL

O padre social não se veste “à padre” e granjeia admiração entre a crítica feminina pelo acentuado bom gosto das suas gravatas (coisa típica, ao que se diz, de jesuíta). Sabe a que senhoras deve dar só um beijinho e sabe falar com grupos de jovens nas paróquias chiques com tal adequação à clientela que muitos dos jovens dão por si a tratá-lo por “tio” (e não por “senhor padre”). É esplêndido no aconselhamento a senhoras de uma certa idade e a fidalguinhas (…). Todos se deslumbram quando ele junta na mesma frase Mozart e Rui Veloso ou quando ostenta infindáveis conhecimentos futebolísticos. Defende as touradas dizendo que “é a única maneira digna de matar o animal” e franze o sobrolho se ouve comentários adversos sobre o General Pinochet. Não vê mal nenhum na associação entre dinheiro e religião, embora se mostre crítico relativamente ao BCP, já que, como jesuíta, não simpatiza com a O.D. Como qualquer pessoa tem os seus segredos. Desde que, bruscamente no Verão passado, teve um sonho em que era capelão militar( ….), fica toda a noite deitado na cama, de olhos abertos, com medo de adormecer.

O LATIFUNDIÁRIO ALENTEJANO

O latifundiário alentejano é simplesmente um português heterossexual que no seu íntimo não vê grande diferença entre uma mulher e uma galinha.

A PINTORA CHIQUE

A pintora chique tem sempre uma alcunha como Cucha, Lucha ou Gucha e vende todos os quadros, logo de uma assentada, na abertura das suas exposições. Nunca andou em Belas Artes, nem teve sequer uma aula de pintura. Um dia, depois de se maçar com o negócio de fazer tartes óptimas (sablées, apetitosíssimas), para vários restaurantes do Estoril, comprou telas, tintas, terebentina, óleo de linhaça … ah pois, também comprou, ao que parece, um jogo de pincéis. Tem um estilo francamente inapto, a que as pessoas finas do meio dela chamam naif. Há umas manchas coloridas nos seus quadros que representam flores; umas coisas rugosas que são conchas; muito, muito azul. “O mar”, exclamam todos. Houve até quem lhe chamasse a “pintora do azul”. Receosa de ficar conotada com temas azuláceos, pinta agora telas com enormes amontoados de coisas castanhas. “É a minha nova fase delabrée”.

Até à vista.

pcp

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A estrada da confiança

Faz-nos trilhar, Senhor, a estrada da Confiança. Dá-nos um coração capaz de amar serenamente aquilo que somos ou que não somos, aquilo com que sonhámos ou as coisas que não escolhemos e que, contudo, fazem parte da nossa vida.

Ensina-nos a devolver a todos os Teus filhos e a todas as criaturas a extraordinária Bondade com que nos amas. Não permitas que o nosso espírito se feche no medo ou no ressentimento: ensina-nos que é possível olhar a noite não para dizer que pesa em todo o lugar o escuro, mas que a qualquer momento uma Luz se levantará.

Dá-nos ousadia de criar e recriar continuamente mesmo partindo daquilo que não é ideal, nem perfeito. E quando nos sentirmos mais frágeis ou sobrecarregados recebamos, com igual confiança, a nossa vida como um Dom e cada dia como um dia de Deus.

José Tolentino Mendonça
In Um Deus que dança - Itinerários para a oração, ed. Secretariado Nacional do Apostolado da Oração

Think Pink



Ladies and gentleman, for one night, and one night only, let's


Think Pink










Mr Big: We're getting married, should we get you a diamond?

Carrie Bradshaw: No, no. Just get me a really big closet.


terça-feira, 28 de junho de 2011

Imagens dos dias que correm

Fontana di Trevi, Roma, numa manhã de Maio

Duas últimas

Volto a um tema querido: o revivalismo saudoso (será um pleonasmo?), característica que me habita em permanência, pois que quando eu nasci já era velho.

A juventude de hoje tem iphone, ipad, ipod. Olha para o CD - uma revolução tecnológica para quem, como eu, cresceu com o vinil - e encontra-lhe uma obsolescência óbvia. Faz downloads de filmes, de músicas, de aulas de metafísica, de jogos galácticos ou de testes de código da estrada com a mesma facilidade e desenvoltura com que eu, na idade deles, fotografava paisagens com uma Kodak de plástico.

A juventude de hoje circula de carro para todo o lado, olhando para os transportes públicos como uma fatalidade a evitar, e também porque fazer três quilómetros a pé é uma peregrinação reservada para a altura certa e a devoção possível. As casas têm aquecimento generalizado, as mesadas são boas, as férias passam-se em países estrangeiros que a rapaziada do meu tempo conhecia dos filmes ou da cultura geral (quem é que em 1980 tinha ido ao Quénia ou à República Dominicana?).

A juventude de hoje pode estar à rasca, mas tem fortes comodidades. Pode ter um futuro mais interrogado, mas tem um presente mais exclamativo. Porém, tal como Filipe II, que tinha tudo o que queria exceptuando um fecho éclair (poema completo aqui), a juventude de hoje pode deter todas as mordomias mas, no fundo no fundo, não sabe o que é dançar um slow.

Há muito tempo, ainda o verão português não era quente, entusiasmei-me por uma rapariga. Era um julho algarvio, talvez. No dia em que me iria declarar, revelando um arrojo que me é errático, dois amigos - um dos quais habitué deste espaço - deixaram-me dormir, e a jovem zarpou para Lisboa. Nunca mais a vi, mas ficou a lembrança de uma música com uma toada repetida, quiçá monótona, que eu dançava com ela amiúde.

Vem-me desse tempo, provavelmente, a convicção de que dançar não é a agitação frenética de um corpo que anseia por soltar os seus demónios. Dançar é um acto afectivo que se faz a dois - de preferência agarrado - porque um corpo que se estreita nos nossos braços, um cabelo cheiroso que nos roça a cara, um ritmo que o par domina, nem sempre com desenvoltura, mas seguramente com gosto, é algo demasiadamente prazeroso para ser feito na base de um parceria amigável ou, pior ainda, integrado numa multidão anárquica - ainda que perfumada.

Ultima nota, que o post vai comprido e há quem não tenha paciência: gosto sempre de relembrar que a nossa vida se pode decidir numa fracção de instante, por motivos fortuitos e prosaicos. Se não me têm deixado dormir, talvez eu viesse a ter namoro (e casar, who knows?) com aquela rapariga e, fruto das suas influências precoces, cursasse outras matérias e fosse, agora, o CEO de uma multinacional. Supor que posso ser hoje tradutor em regime liberal porque há mais de trinta e cinco anos dois amigos fizeram o que fizeram é algo de aterrador. Um jovem adormece no sono dos justos e pode acabar nos recibos verdes...

JdB


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Fórmula para o caos

No meu último comentário enunciei algumas das boas mudanças que Portugal abraçou nas 3 semanas que passaram após as legislativas de 5 de Junho. Uma das quais e, de certo modo a mais importante, foi a celeridade com que decorreram os diversos processos legislativos e executivos. No dia de hoje, já José Sócrates passou à História (em termos políticos), a Assembleia da República vai para o terceiro plenário com os novos deputados, Fernando Nobre foi duplamente derrotado na sua corrida para segunda figura do Estado (uma derrota para Passos, uma vitória para o país), tendo sido Assunção Esteves a eleita para o cargo que era pretendido pelo presidente da AMI e, como facto relevante, Cavaco deu posse ao XIX governo da era constitucional. Se no que toca a Fernando Nobre observou-se um processo desastrosamente conduzido pelo recém empossado Primeiro-ministro, já a escolha do novo executivo parece sobejamente acertada na esmagadora maioria das pastas. Contudo, os super-ministérios da Economia e da Agricultura suscitam algumas dúvidas.

Álvaro Santos Pereira estará como responsável máximo dos destinos da Economia, Trabalho, Telecomunicaçõs, Transportes e Obras Públicas. Parece um fardo demasiado pesado para um Homem só. Excluindo as Obras Públicas que, dado a quantidade do betão Keynesiano jogado ao solo nos passados anos, não há muito mais por onde gastar e construir e, por esse facto, não deverá constituir grande embaraço (exeptuando a renegociação das PPP). As restantes pastas aparentam ser matérias muito complexas e de difícil articulação política. Em termos técnicos, todos os elogios são poucos para o Professor da Universidade de Vancouver, porém, no que diz respeito à experiência governativa, ela é inexistente. É um dossier que vai estar, com toda a certeza, sob o foco da opinião pública.

Assunção Cristas é uma estrela cintilante do CDS-PP. A missão de chefiar o mega ministério da Agricultura não se adivinha fácil. Juntando Ambiente, Pescas, Assuntos do Mar e Ordenamento do Território, a tarefa parece de execução quase impossível. Especialistas na matéria asseguram que a coordenação e convergência de vontades entre Ambiente e Agricultura é sempre foco de tensão entre os governantes das respectivas pastas.

Pedro Castelo Branco

domingo, 26 de junho de 2011

13º Domingo do Tempo Comum

EVANGELHO – Mt 10,37-42

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos:
 “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim,
 não é digno de Mim; 
e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim,
 não é digno de Mim.
 Quem não toma a sua cruz para Me seguir, 
não é digno de Mim.
 Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la;
 e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la.
 Quem vos recebe, a Mim recebe; 
e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou.
 Quem recebe um profeta por ele ser profeta,
 receberá a recompensa de profeta; 
e quem recebe um justo por ele ser justo,
 receberá a recompensa de justo. 
E se alguém der de beber,
 nem que seja um copo de água fresca,
 a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo,
 em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”.

O evangelho do dia fala de escolhas e de recompensas. Fala de radicalidade. Ao contrário do que se possa pensar numa primeira leitura mais apressada, não nos diz para abandonarmos a família para seguir Cristo, mas incita-nos: que os nossos vários confortos nos não impeçam de O seguir e de servir em Seu nome.

O filme abaixo fala de campos de férias. Muitos dos jovens monitores têm vidas relativamente folgadas, com poucas ou nenhumas dificuldades. Todos - ou a grande maioria - poderiam passar as férias de Verão na praia, no campo, a viajar, entretendo-se com aquilo que é normal na sua faixa etária, descansando de um ano de estudos ou de trabalho. No fundo, ser igual a tantos, quase todos, outros.

No entanto - e apesar do apelo da espreguiçadeira estival - optaram por investir algum do seu tempo num campo de férias com gente desfavorecida do concelho de Cascais. Qual o objectivo? Ajudar, com todas as limitações, ao crescimento saudável destes miúdos, proporcionando-lhes um tempo de lazer pedagógico que constitua um desafio. Mas, também, mostrar-lhes Cristo - não o Cristo vago, esotérico, distante e incompreensível para quem é educado numa subsistência que proporciona pouca espiritualidade, mas o Cristo próximo, presente, desinstalador, que faz de cada um de nós pessoas melhores e inteiras - santos do quotidiano.

À sua maneira, estes jovens monitores (como muitos outros, por esse país, motivados por um espírito cristão) seguiram o desafio de Jesus: amaram-nO mais do que ao conforto do Verão; preferiram este serviço à cerveja na esplanada; escolheram os que mais precisam em detrimento de noitadas alegres.

Há quem diga que o voluntariado tem uma dimensão egoísta, porque o que se recebe é superior ao que se dá. E, de facto, estes voluntários recebem muito, porque encher a alma pode ser quase tudo. Até a recompensa de que fala o evangelho.

Bom Domingo para todos.

JdB



sábado, 25 de junho de 2011

Pensamentos impensados

Vozes de cães
Conheço 6 "vozes" de cães: ladrar, ganir, uivar, latir, rosnar e maticar. Quem não souber o que é maticar vá ao dicionário.

Parece que o cão procede do lobo. Também se aplica ao chihuahua? Este cão parece descender dos lémures ou dos saguins.

A propósito de dívidas, dinheiros, ajudas, etc., usa-se a palavra "tranche"; prefiro a tranche de salmão.

Oh David, tu não engolias o que o gigante dizia e acabaste por ganhar.

Há tempos apareceu uma palavra que não sei quem a inventou: socialite. Socialite é uma actividade? Uma maneira de viver? Uma maneira de chular? Um dia ouvi alguém, na televisão, dizer "socialaite". Será que apendicite também se deve dizer "apendiçaite"?

SdB (I)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

da assertividade poética como bela(?)-arte

queria escrever um poema que metesse
carson mccullers e flannery o'connor
nestas minhas-tuas esventradas veias
e palmas para todos os tristes do mundo.

e escrevi.

gi.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

Evangelho segundo S. João 6,51-58.

Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.»
Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!»
Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.
Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia,
porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida.
Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele.
Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim.
Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.»

Ponto de Vírgula

– Sardinhas de escabeche? Se gosto!... Vamos a elas, que estão a dizer: comei-me.

E atirou-se às sardinhas com uma sofreguidão pelintra. Depois, serviu-lhe rodelas de salpicão com ovos. Sua Majestade gostava muito destas comezanas nacionais. Já tinha comido tripas, e dizia que no exílio se lembrara muitas vezes desta saborosa iguaria com feijão branco e chispe, que tinha comido em Braga. O abade de Calvos sensibilizava-se até às lágrimas quando via el-rei a esbrugar uma unha de porco e a limpar as régias barbas oleosas das gorduras suínas. O terceiro prato era vitela assada. A Senhorinha trazia-lha no espeto, porque Sua Majestade gostava de ir trinchando finas talhadas, enquanto a cozinheira, de cócoras ao pé do fogareiro, conservava o espeto sobre o brasido, a rechinar, a lourejar. Bebeu harmonicamente o real hóspede um vinho branco antigo, da lavra de um fidalgo de Braga, proprietário do Douro, que estava no segredo do ditoso abade de Calvos – capelão-mor de el-rei e dom prior eleito de Guimarães.

A criada assistia muito jovial àquela deglutição formidável, e dizia particularmente ao abade: – Este senhor, pelo que come, parece que tem passado muitas fominhas! Ninguém há-de crer o que Sua Majestade atafulha naquele bandulho!

Camilo Castelo Branco, in A Brasileira de Prazins



Sardinhas de Escabeche

Ingredientes:

1 kg de sardinhas
sal
1 limão
2 cebolas
6 dentes de alho
2 dl de óleo
1 colher de sopa de margarina
1 dl de vinho branco
1 folha de louro
piripiri
farinha
salsa picada

Preparação:

Lave as sardinhas à torneira para lhes retirar as escamas. Amanhe as sardinhas, corte-lhes a cabeça, abra-as ao meio e retire-lhes cuidadosamente a espinha. Coloque-as abertas num recipiente, tempere com sal e o sumo do limão e deixe assim enquanto prepara a cebolada.

Descasque e corte as cebolas e os alhos em rodelas finas. Leve ao lume uma frigideira com 3 colheres de sopa de óleo e a margarina. Deixe cozinhar sobre lume brando até a cebola estar macia e translúcida. Regue com o vinho branco, junte a folha de louro, tempere com sal e piripiri e deixe ferver durante cerca de 15 minutos.

Escorra as sardinhas, enxugue-as cuidadosamente em papel absorvente e passe por farinha. Frite as sardinhas no restante óleo bem quente e escorra sobre papel absorvente.

Coloque as sardinhas numa travessa, cubra com a cebolada e polvilhe com salsa picada. Acompanhe com batatas cozidas e azeitonas.

Nota: Receita tirada da internet

MFM

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Diário de uma astróloga - 22 de Junho de 2011

No passado dia 15 de Junho fiz anos, 61 precisamente. O Universo deu-me um presente extraordinário pois presenciei o eclipse total da Lua.

A compreensão física dum eclipse é fácil, sobretudo para quem é capaz de ver no espaço. Não é o meu caso. Precisei de uma laranja, uma tangerina, um alperche, arames, vários gráficos para passar o exame de astronomia necessário à minha certificação de astróloga nos Estados Unidos. Mas basta saber que duas vezes por ano, por simples condicionalismos de mecânica celeste, o Sol, a Lua e a Terra encontram-se alinhados. Só durantes estes períodos de 37 dias cada é que os eclipses são possíveis. O eclipse da Lua só pode acontecer na Lua Cheia, quando a Terra está entre o Sol e a Lua, e a sombra da Terra fica projectada sobre a Lua, impedindo que esta seja iluminada pelo Sol.

Não olho para o céu vezes suficientes porque a vida me distrai com outras coisas, mas durante a noite do dia 15 fiquei maravilhada. Por um lado, sinto a minha insignificância perante a vastidão cósmica, mas, por outro, atraída pelos mistérios do céu e a ordenação divina, sinto-me acompanhada, parte do Universo, nunca só, nunca ansiosa porque faço parte de uma realidade que me ultrapassa mas que me inclui.

Exactamente ao contrário do Calvin

Na antiguidade, e sobretudo antes de serem percebidos os movimentos orbitais da Terra e da Lua, atribuía-se aos eclipses noções maléficas. Compreendo perfeitamente… porque a Lua foi o primeiro calendário da humanidade, supostamente previsível e, de repente, desaparece. O espetáculo da ocultação da Lua tem algo de mágico, é uma manifestação óbvia de um poder superior, a escuridão assusta, podem imaginar-se papões.

Este eclipse do dia 15 de Junho aconteceu no grau 24 do eixo Gémeos / Sagitário. Quem tem um dos três pontos mais sensíveis do seu horóscopo – Sol, Lua e Ascendente – nestes, ou perto destes graus, tem mais probabilidades de sentir a sua influência. E que género de influência?

A Lua, na carta do céu, representa o nosso mundo emocional, aquilo de que precisamos para nos sentirmos bem, o nosso intimo, o nosso subconsciente, composto de memórias pessoais, de reacções instintivas. A sua ocultação, mesmo momentânea, dá-nos a oportunidade de reconfigurar essa parte de nós que ninguém vê. Quem tiver pontos sensíveis da sua carta a 24 graus de Gémeos ou Sagitário, a energia desta época (mais longa do que o próprio dia do eclipse) permite, através de um trabalho de introspecção, alterar o percurso emocional, deixar para trás hábitos prejudiciais, passar para outro plano. Comparo com o meu computador: quando funciona mal desligo-o (eclipse), faço uma limpeza à sua memória (trabalho pessoal) e torno a acendê-lo (reaparição da Lua). Nada maléfico mas um pouco trabalhoso.. trazendo a esperança de um futuro melhor.

Os eclipses funcionam em ciclos de 19 anos, por isso é bom reflectir no que se passou em meados de Junho de 1992. Que mudanças fiz na minha vida nessa época? E que mudanças estou pronta para fazer agora? Vou usar a luz reacendida desta Lua Cheia potentíssima para “ver” que medos me impedem de prosseguir o meu caminho, quais são os meu hábitos negativos que estão prontos para serem deitados fora. Um deles tem a ver com o medo de escrever em português… parece-me que esse já o deitei fora, o que demonstra a teoria de que os eclipses podem manifestar-se mesmo um mês antes da data do acontecimento.

…………………………………………………………………………………………

Ontem à tarde o Sol entrou no signo de Caranguejo, isto é, o momento a que chamamos Solstício de Verão, quando o Sol, no seu movimento aparente, atinge a maior altura no hemisfério Norte e a menor no hemisfério Sul, e assim tivemos o dia maior do ano e o menor dia do ano, respectivamente.

A data tem bastante significado astrológico mas hoje, ainda mal recomposta da dupla emoção do meus anos e do eclipse total na Lua, não consigo escrever mais nada. Fica para a próxima.

Luiza Azancot

terça-feira, 21 de junho de 2011

Pensamentos impensados

Este pensamento foi pensado:

Quando morre um grande actor, músico, cantor, etc., na altura do seu funeral é aplaudido. Ontem assistiu-se à morte política do Dr. Fernando Nobre e foi aplaudido não percebo porquê; quando muito umas palmadas nas costas de condolências. O que é que o Dr.Fernando Nobre fez pela política para ser aplaudido? A atitude dos deputados foi simplesmente ridícula. Será que eles se tomam a si próprios a sério?

SdB(I)

Duas últimas

O post de hoje tem três coisas de que eu gosto particularmente: a voz rouca e avinhada do Joe Cocker; uma batida fantástica que me impele invariavelmente a marcar o ritmo com os dedos; e o acompanhamento fabuloso de uma secção de metais, sem o qual a música não seria o que é.

Fui-me lembrando desta música de cada vez que o nosso defunto Governo aprovava um novo PEC. Ouvia o ex-PM e parecia estar a ouvir o Joe Cocker a mandar a Kim Bassinger despir-se no filme "Nove Semanas e Meia". Até na conclusão final e que dá título à cantiga "You can leave your hat on", eu encontrava semelhanças com o discurso do nosso recém-derrotado Sócrates. O PM ia-nos ao bolso, exigia sacrifícios mas, num gesto magnânimo que nos sentíamos obrigados a agradecer, preocupava-se em deixar-nos ficar com qualquer coisa. Como o chapéu, na música do Cocker.

Devo dizer que esta é uma das poucas músicas de que eu continuo a gostar tanto como da primeira vez que a ouvi. Os anos foram passando, a memória do filme e da actriz que a celebrizou foi ficando menos clara, mas a cantiga, essa, continua a empolgar-me. Espero que se empolguem também. E já agora que o novo Governo seja tão generoso como o anterior e nos deixe ao menos ficar com um chapéu.
JdC

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Vai um gin do Peter’s ?


Dois artistas alemães ímpares, juntaram-se para registar em 3D o génio de uma companhia de dança célebre – Tanztheater Wuppertal. Há décadas que Pina insistia com o seu amigo realizador (que até fora o da ideia), Wim Wenders, para mostrar no écran o trabalho criativo do corpo de bailado internacional, que tem sede na Alemanha. Mas durante décadas, o cineasta resistiu por não se sentir à altura do desafio. Até que cedeu e se lançou no registo da história riquíssima de Wuppertal, à volta da figura mítica da sua fundadora, Pina Bausch (1940-2009), que já não viu o resultado final. Wenders preferiu adoptar o nome de quem pôs o sonho em movimento, na mais plena acepção: «PINA»(1).

Os dois amigos artistas

O efeito em 3D decorre com enorme naturalidade, transportando-nos para o auditório de Wuppertal, no ponto de observação de Pina. O realizador explica como a terceira dimensão foi decisiva: «Pina e eu tínhamos esta vontade há mais de 20 anos. Em meados dos anos 80, sugeri-lhe que fizéssemos algo juntos e isso uniu-nos, desde então. Mas o ballet de Pina tinha toda esta alegria e liberdade, era tudo tão vivo, que eu não sabia como transportar isso adequadamente para o cinema. Foi quando eu assisti pela primeira vez a um filme em 3D que tive a ideia. Ainda estava no cinema, quando lhe liguei a dizer: ‘Pina, já sei como vai ser!’» De facto, percebe-se a importância da volumetria logo na cena inaugural, em que os bailarinos formam uma linha a ziguezaguear por entre cortinas de organza suspensas do tecto, em paralelo. À medida que a onda dos bailarinos as vai tocando, uma a uma, ganham uma ondulação esvoaçante, acertada com a passada da dança. Seguem-se momentos dramáticos da Sagração da Primavera, com o chão coberto de terra escura, a enquadrar esta dança das forças da natureza.


«Sagração da Primavera»

Desde criança que a timidez e a maravilhosa interioridade de Pina lhe dificultaram encontrar palavras para transmitir tudo o que lhe ia na alma. Assim, a sua figura esguia, ágil e suave adoptou a dança para se expressar, encantando os clientes que frequentavam o hotel-restaurante dos pais. A dança – para lá do virtuosismo estético – abriu-lhe uma via de comunicação subtil e de infinitas aplicações, que nunca mais parou de explorar. Trabalhava incansavelmente, com o zelo e o rigor da primeira estreia em palco. Nos testemunhos dos bailarinos, cabe a uma americana espantar-se com o tempo que Pina dedica ao trabalho. Diariamente – relatam os seus companheiros de tablado – dava-se por inteiro a cada instante dançado, a cada espaço de reflexão e de criatividade conjunta e, acima de tudo, a cada bailarino! É tocante ver o trabalho de interacção entre o indivíduo e o grupo (mais ainda quando a mestra intervém), sob a voz doce e confiante de Pina, a oscilar entre a musa inspiradora, a companheira no aperfeiçoamento dos passos e a educadora que congrega talento, liberdade e afectividade.


Liberdade conquistada em todos os ambientes, mesmo por entre obstáculos

As coreografias bem interpelativas, que se desenrolam em cenários inusitados e sob sonoridades muito musicais, misturam os solos com as danças colectivas, incrivelmente bem sincronizadas, mas sem nunca abafar a vitalidade individual naquele corpo plural de muitos eus, que se movem espantosamente unidos. O respeito com que Pina olha cada um perpassa nas danças, executadas com a entrega, o entusiasmo de quem concebe a arte como linguagem suprema de beleza e de Bem, aberta a todos. Expressivamente, um dos bailarinos assume que: a Pina faz-nos sentir fantásticos, capazes de tudo. Vê-se que adoram dar o máximo. De facto, Pina contagiou-os de um dom incrível: um trabalho vivido com paixão!



Em Wuppertal respira-se liberdade. Não por palavras. Mas por actos, que partem do enorme respeito pela individualidade dos bailarinos. O mistério insubstituível da pessoa é um princípio ali reconhecido como sagrado. Pina interpela-os com perguntas lapidares, a pedir contributos, a contar com a riqueza única de cada um.

Ao saleroso dançarino da América Latina, Pina desafia-o a expressar a alegria. E assim nasce uma coreografia festiva, cheia de garra, com gestos amplos e felizes. Uma explosão de movimento em ritmos harmoniosos e velozes.

Ao dançarino que se entretém em graças e dá alguns passos em falso, Pina sugere-lhe uma nova perspectiva, mais atenta, mais consciente: «Assusta-me.» A rir-se, ele conta que resultou… A dada altura, ele diverte-nos com uma coreografia burlesca, num parque público, onde um cão excitadíssimo com as suas passadas bruscas alinha naquela dança anedótica.

À mais medrosa, que se esconde nas franjas do grupo, Pina ajuda-a a superar o pânico, nas palavras da curada: Passados bons anos de cá estar, um dia Pina pergunta-me, com uma voz muito triste, por que tinha tanto medo dela... A partir daí passei a dançar como os outros.

À dançarina contida e algo tensa, Pina deixou um desafio: ganhavas em ser mais maluca.

À brasileira divertida, Pina proporcionou um meio de realização pessoal tão vasto, que a bailarina lhe dedicou uma dança com passos suspensos no ar, para traduzir as asas de que Wuppertal a dotara, permitindo-lhe saborear um céu imenso que agora lhe ficara ao alcance.

No filme, a intercalar os quadros cénicos do bailado vanguardista desfilam, à vez, os bailarinos, partilhando no seu idioma (em inglês quando citam Pina) a sua experiência em Wuppertal, especificamente com a mestra coreógrafa e dançarina. Aqui, a sensibilidade muito humana de Wenders concentra-se em rosto que nos olha de frente, quase sempre em silêncio, num zoom sobre o olhar, como espelho da alma. É em voz-off que se ouve o testemunho pessoal. Desta forma, colocamo-nos na posição de Pina, que investe a maior parte do tempo a observá-los, a envolvê-los pelo olhar, numa atenção cuidada, quase maternal, capaz de perscrutar as figuras, as vidas.



São telegráficas as mensagens verbalizadas por Pina, a dar-lhes ânimo para dançarem sempre, para reinventarem novas expressões, ensaiarem novas mensagens tridimensionais, tornando imparável o sonho de Wuppertal. De todas as perguntas, uma impõe-se pela intensidade e impacto (é, aliás, recorrente): descubram o vosso anseio mais profundo, o que vos move, o sentido da vossa vida! É com pena que deixamos os bailarinos, a música, os passos de dança que lhes vêm da alma e falam muito para lá da materialidade dos corpos. Apetece-nos voar, como a brasileira…

PINA - Dance, dance, otherwise we are lost - International Trailer from neueroadmovies on Vimeo.

Maria Zarco

(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

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(1) FICHA TÉCNICA

Título original (e tradução em Portugal): PINA

Realização: Wim Wenders

Coreógrafa: Pina Bausch

Argumento: Wolfang Bergmann, Dieter Schneider, Gabriela Heuser

Produção: Gian-Piero Ringel

Produção em 3D: Erwin M. Schmidt

Elenco
Pina Bausch

Companhia de Dança de Wuppertal

Duração: 100 min.

Ano: 2010
País: Alemanha /França

Site official - http://www.pina-film.de

Festival Internacional de Berlim, Prémio do Melhor Documentário de 2011 na Alemanha.


«Dancem, dancem sempre, senão estão perdidos.»

domingo, 19 de junho de 2011

Domingo ….. Se Fores à Missa !

Neste Domingo celebra-se o mistério da Santíssima Trindade; para mim, a Santíssima Trindade é exactamente isso: um mistério que não se consegue explicar, algo que não tem base científica que o suporte, algo que aceito, tomo como bom mas que, confesso, me suscita dúvidas de vez em quando. Como é que Pai, Filho e Espírito Santo são um e um só? Quem aparece primeiro ? Quem engloba quem ? São três que acabam por se unir num só ou são um que se divide em três ? Faz lembrar um detergente Três em Um! Que obscenidade, diria o padre da minha paróquia, rsrsrs.

Concedo a mim própria o direito de entender e interiorizar o mistério da Santíssima Trindade, como uma trilogia das virtudes ou características mais importantes de Deus. Poder, Amor, Sabedoria.

Poder - atribuo-o ao Pai omnipresente e omnipotente, a quem nada é impossível, a quem nada passa despercebido.

Amor - o que vem do Filho, aquele amor incondicional, verdadeiro, desinteressado, único e ímpar por cada um de nós.

Sabedoria - a do Espírito Santo, aquela que é derramada sobre os apóstolos e que chega, através dos tempos, ao nosso coração. Trata-se de sabedoria emocional, obviamente, não de sabedoria intelectual.

Quando não entendo alguma coisa, gosto de simplificar; será um gesto infantil, dirão alguns, será preguiça intelectual, dirão outros. Não sei. Só sei que as coisas, para mim, têm de fazer sentido. Acho que sofro de Perfeccionismo Agudo; tudo o que não encaixa ou não faz sentido, entra na esfera do caos. Li algures que isto é característico das pessoas muito organizadas, que sou. Daí a necessidade premente e urgente em simplificar tudo o que posso, incluindo o mistério da Santíssima Trindade. Reduzindo-o a uma forma mais simplista – Poder, Amor, Sabedoria – faz-me querer fazer parte dessa Trindade, de facto faz-me sentir parte dessa Trindade.

Domingo, Se Fores à Missa …. Acolhe a Santíssima Trindade

Maf

EVANGELHO Jo 3, 16-18 « O mistério da Santíssima Trindade »

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita n'Ele já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus».


Palavra da salvação.

sábado, 18 de junho de 2011

Maravilhas dos dias que correm

Enviado por mão amiga com um comentário que subscrevo totalmente: São 3 minutos e 33 segundos de puro prazer para olhos e ouvidos...


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