quarta-feira, 30 de abril de 2014

Dos acasos

Fotografia de JMAC, o homem de Azeitão

Não há, portanto, razão nenhuma para censurar aos romances o seu fascínio pelos misteriosos cruzamentos do acaso... mas há boas razões para censurar o homem por ser cego a esses acasos na sua vida quotidiana e assim privar a vida da sua dimensão de beleza”.
(Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser)
***
Em 1754, o inglês Horace Walpole escrevia The Three Princes of Serendip, uma história baseada num conto infantil persa. Três príncipes do Ceilão fazem constantemente descobertas inesperadas cujos resultados, na realidade, não procuravam. Com isso encontravam acidentalmente a solução para dilemas impensados. Nasceu aqui a palavra serendipidade (do inglês serendipity) que o dicionário define como característica de quem faz boas descobertas por acaso ou atrai o acontecimento de coisas favoráveis

Pego nas Confissões. Em VIII, XII, 28, Santo Agostinho fala da sua conversão. Cito: Dizia isto e chorava com a contrição amaríssima do meu coração. E eis que ouço uma voz vinda da casa ao lado, como o canto de alguém, não sei se menino ou menina, que dizia e repetia muitas vezes: “Toma, lê, toma, lê.” Agostinho pega no códice do Apóstolo e lê o que os seus olhos viram em primeiro lugar: Nem em comezainas e bebedeiras, nem em libertinagem e dissoluções... (Romanos, 13:13-14). A vida do bispo de Hipona e doutor da Igreja estava traçada. 

Que relação temos nós com os acasos da vida? Que encantos lhes descortinamos ou, mais arrojadamente, como os enquadramos nós na nossa forma de viver? Tudo o que nos acontece afortunadamente é sorte e cálculo de probabilidades? Ou há momentos na nossa vida em que nos apercebemos de uma profusão maior de acasos favoráveis - a que Jung chamava sincronicidades? 

A minha resposta é a minha convicção. Atribui-se a Einstein a frase: a coincidência é a forma que Deus tem de permanecer anónimo. Olho para trás, para a publicação do meu único livro (em co-autoria com a Rita Jonet). Tudo – mas rigorosamente tudo – envolvido na publicação do Deus pregou-me uma partida é uma sucessão tremenda de acasos que se conjugaram para que o livro visse a luz do dia e tocasse alguma pessoas. Sorte? Cito ainda Einstein: Deus não joga aos dados. 

Gosto de encontrar acasos na minha vida: saber que foi determinante para a minha caminhada ter estado em tal sítio a tal hora; perceber que de um encontro fortuito se fazem amizades estruturantes; encontrar um livro que se leu dez anos antes e cuja importância decisiva para vencer um desgosto profundo só agora se descortina; cruzar-me com uma frase e perceber que ela limpa a minha mente de dúvidas ou erros; encontrar relações acidentais entre datas, locais, pessoas; ouvir uma música inesperada num momento de turbulência e realizar que ela me leva para uma memória que é um refúgio. 

Sou um homem feliz porque tenho muitos acasos, ou a felicidade advém de os conseguir encontrar na minha vida? 

Os que faziam do latim a sua língua chamavam-lhe apertio libri – abertura do livro.  Os antigos faziam-no com os textos de Homero ou de Virgílio – textos pagãos: abriam ao acaso e liam uma frase para discorrerem qualquer coisa. A expressão sortilégio – escolha de sortes – vem daí. Santo Agostinho fez a sortes sanctorum, porque procurou o seu caminho num texto bíblico. A nós, que não somos santos nem muito antigos nem escrevemos em latim, resta-nos olhar para a vida e para a beleza dos acasos favoráveis. Talvez, porque não, pensar no riso de Deus por trás do seu aparente anonimato... 

JdB

terça-feira, 29 de abril de 2014

Pensamentos impensados

A melhor homenagem que se pode prestar a Vasco Graça Moura é acabar com o novo acordo ortográfico.

SdB (I)

Duas Últimas

A influência cultural celta na Europa vem de tempos anteriores à cristandade e, apesar de diminuída ou esbatida por civilizações posteriores (algumas para quem a palavra civilização nem sequer existia!), continua presente em vários domínios, entre eles a música. Como sabemos, também em Portugal ela se faz sentir, sobretudo no Norte do País.

Os Waterboys são um grupo formado à volta de Mike Scott, um escocês, composto maioritariamente por conterrâneos seus e irlandeses, em que a influência da música folk celta é notória. Para ouvir alto e bom som.

Tiveram um período áureo relativamente curto (1983 a 1993), de que retirei estas três músicas de que gosto sobremaneira.

Espero que também apreciem.


fq





segunda-feira, 28 de abril de 2014

Vai um gin do Peter’s?

O documentário sobre o domínio dos Khmer Rouge era um dos favoritos ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano. A realização ousada e interpelativa, assinada por um documentarista cambojano – Rithy Panh – insinua no próprio título o traço mais diferenciador de Pol Pot relativamente aos muitos tiranetes de que há memória: «A IMAGEM QUE FALTA»(1). De facto, é gritante a ausência de registos do grande líder, pouco dado ao tipo de egocentrismo exibicionista que sobressai no comportamento dos ditadores. Possivelmente, por ter a noção do mal infligido, soube apagar os vestígios da responsabilidade que teve no genocídio monstruoso cometido sob a sua batuta. Em múltiplos aspectos, Pol Pot é único, resultando mais desumano por ser incompreensível para os padrões humanos, inclusive os malignos.


Pol Pot numa das poucas fotografias

Gozando da autoridade de provir de uma vítima directa dos Khmer Rouge, a película procura conferir imagem ao texto incisivo que corre em off, onde assenta o húmus do filme. Digladia-se aqui palavra contra palavra, numa guerra aberta entre pontos de vista do passado. De um lado, um porta-voz da população aterrorizada, do outro, a máquina de propaganda do Partido, que produziu as pouquíssimas peças documentais alusivas ao período em que dominaram o Camboja, de 17 de Abril de 1975 a Janeiro de 1979.

O simples facto de adoptar um formato documental, sem a presença de actores, confirma a intenção explícita de se aproximar do registo histórico possível, defrontando-se com o vazio de informação de época, à parte do testemunho de um sobrevivente. Um desafio homérico, onde se procura fazer luz sobre aquele período, praticamente indocumentado, após a hábil erradicação da sua memória. Porque os algozes tiveram a noção de que era imperioso não deixar rasto, somando mais um crime.   

Os breves momentos de presenças humanas cingem-se a excertos de filmes de propaganda explícita – com cenas bucólicas de multidões na azáfama da lavoura, escoltadas por crianças com os célebres lenços aos quadrados brancos e encarnados, que destoam das estatísticas da mortandade de um povo, em tempo recorde: 2 milhões de mortos em 4 anos.   

O documentário dentro do documentário

Para colmatar a falta de rostos, Panh avança com uma multidão de bonecos de barro, moldados na massa dos seres humanos, segundo o Génesis, que ilustram as situações descritas – daquelas incómodas para (seriam sempre censuradas por) um regime que se auto-proclamou expressão acabada da felicidade universal. Muito ilustrativo enquanto reconstituição daqueles anos, a partir de um olhar pessoal, de modo ostensivamente simbólico e simplificado. Conforme observou o crítico de cinema João Lopes, no Festival de Cannes: «raras vezes se terá visto um filme que, através de matérias tão candidamente artificiosas, consiga gerar um tão intenso e perturbante efeito de verdade

Segundo o realizador: «(Foi) um homicídio em massa que não deixou imagens. Eu estava à procura da ‘imagem que falta’. No entanto, ela existe sobretudo na minha cabeça. Pedi a um escultor para me fazer um pequeno homem utilizando a terra como material. Quando vi nascer aquela personagem a partir do barro soube que essa ‘imagem que falta’ estava ali. Foi surgindo o universo terrível desses anos. Fiquei perturbado ao ver a vida brotar da mesma terra onde repousam os mortos


O barro modelado é o que resta a Panh para desmontar a máquina propagandística de Pol Pot, numa contra-ofensiva para a batalha conceptual onde se esgrimem os conceitos através dos quais captamos e atribuímos significado ao que nos rodeia, uma vez que são cruciais para a nossa relação com a verdade, conforme alertava Gandhi, George Orwell e tantos outros. A guerra de mentalidades é, afinal, a prioridade das militâncias ideológicas de qualquer totalitarismo, pois a percepção da realidade não pode continuar a ser um acto espontâneo e individual, devendo antes conformar-se ao modelo pré-definido pelas autoridades. Prescrevem-se novos critérios de leitura dos factos, acreditando-se ser possível forjar a verdade pela força das armas. A fronteira entre noções antónimas – como facto versus fantasia, verdade versus mentira – esbatem-se, até porque se esvaziam de sentido. Tudo fica raso, como se a humanidade tivesse acabado de despontar no planeta. Para o cumprimento de tal sonho e segundo o relato de um sobrevivente, assiste-se à reeducação do povo, recuando-se a um estádio civilizacional considerado mais puro, exclusivamente rural. Traduzido para o concreto: significou que uma população de 6 milhões se viu reduzida a uma inteligência, uma vontade, uma memória e um discurso autorizado – o do líder. Aliás, o ano de tomada do poder, em 1975, é rebaptizado Ano Zero, supondo-se que o chefe podia pontificar sobre o tempo e reinventar a história.


Por arrasto, entra-se numa cruzada de despersonalização do indivíduo, a fim de domar e uniformizar a colectividade. Urge reduzir todos a peças da mega-engrenagem do poder. O efeito colateral é a robotização do ser humano, instrumentalizado pelo poder. Exige-se obediência cega. Pensar torna-se um luxo perigoso, pois qualquer desvio ao ideário do chefe equivale a sabotagem. Naturalmente que a diversidade individual se torna um escolho quando se visa funcionar em uníssono, resvalando-se para áreas que violentam a identidade humana, no espaço único da sua especificidade, de que as impressões digitais são a expressão mais ínfima.

No estilo híbrido do filme, a palavra ocupa o primeiro-plano, ora fluindo em mensagens semelhantes a trechos de um diário sobre o dia-a-dia de um povo escravizado, ora dissertando poeticamente sobre a ideologia fundacional do regime, em denúncia frontal do que afirma terem sido anos de inferno para a esmagadora maioria. Cabe à imagem complementar o conteúdo verbal. Uma originalidade também explicável pela subtileza deste povo e pela educação francófona dos cambojanos, ex-parcela da Indochina.

Revela-se uma obra algo bizarra «A IMAGEM QUE FALTA», no seu afã de dar substância a uma perspectiva individual, que contraria a versão dos Khmer Rouge. Mas quando as provas escasseiam e as poucas que restam desmentem afrontosamente os dados estatísticos, mais tarde reconhecidos internacionalmente, o que sobra para mostrar? Como ser credível? Como superar o buraco negro nos arquivos de época?
Como ir além do depoimento singular para se ser legítimo porta-voz dos milhões de sacrificados?
Como evitar a tentação de facciosismo (agora, de sinal contrário), de visão unilateral da história, nesta frágil guerra entre pontos de vista?
Talvez os poucos dados conhecidos daquele período reforcem as críticas das vítimas:
- O facto de a guarda de elite ter sido confiada a crianças e adolescentes, joguetes fáceis de autoridades sanguinárias, revelou-se uma opção especialmente perversa, pois a imaturidade dos soldados menores favoreceu os níveis de sadismo indizíveis usados contra a população indiscriminadamente, familiares incluídos.
   Note-se que a generalidade dos regimes comunistas incentivou os filhos a serem os delatores dos pais e irmãos, visando aniquilar a célula afectiva mais estruturante do ser humano na sociedade – a família.


Por ordem do líder, as crianças eram treinadas em jogos macabros
para se habituarem a torturar e a matar com a máxima barbárie.
Nas valas comuns, muitos foram enterrados vivos, depois de espancados com objectos rudimentares: foices, martelos, garfos, facas grossas, alicates, serrotes toscos, tacos de ferro, etc. Ainda hoje, as paredes da célebre prisão de Phnom Penh «S-21», montada no edifício de uma escola, continua com manchas de sangue, do chão ao tecto.   

- O massacre da população atingiu cifras obscenas. A vaga de fome evitável tornou o regime difícil de tolerável no seio da comunidade internacional.
- O êxodo forçado das cidades para o campo, deixando um rasto de morte e devastação nos pólos urbanos, geraram indignação mesmo noutros países de matriz maoísta e soviética, q.b. indignados com o calibre da desumanização gratuita perpetrada por Pol Pot, que nutria um ódio de estimação pelos vietnamitas.
   Cansado das escaramuças nas fronteiras, no final de 1978, o Vietname de Ho Chi Minh iniciou a invasão do seu vizinho comunista, aliviando o terror instaurado pelos Khmer Rouge. A ponto de o invasor estrangeiro ter sido aclamado publicamente pelo povo cambojano, como libertador.  
- A desindustrialização acelerada da sociedade, destruição da moeda e das escolas, expropriações e eliminação da propriedade privada para forçar o retorno a um estádio alegadamente puro, tomou proporções dantescas. Assassínios em massa dos instruídos (reconheciam-nos pelo bom estado das mãos, poupadas aos calos do trabalho manual), para além de todos os que são sempre diabolizados pelas ditaduras –opositores políticos, marginais, improdutivos como os idosos, doentes e outras minorias mais alternativas juncaram os campos de sangue inocente. A partir de 1978, a perseguição virou-se também contra os sequazes do regime, viciados em purgas homicidas.
   Nunca uma prisão tinha assumido as dimensões de um país inteiro, embora a vastidão territorial de uma Rússia ou de uma China não permitam um sequestro totalitarista tão bem orquestrado como o que vitimou o Camboja. 
- O encerramento do país a todos os observadores e organizações externas isolou-o em excesso, suscitando suspeitas de tiques sadomasoquistas e demenciais no regime. Temendo o pior pela população indefesa, o mundo aplaudiu a ingerência directa do Vietname, destituindo Pol Pot.

Dados adicionais sobre este ditador: a acrescentar às inúmeras facetas estranhas da voz de comando dos Khmer Rouge, sobreviveu mais 2 décadas depois de ter sido deposto, refugiando-se no Norte, onde se entreteve em agitações guerrilheiras, secundado pelo grupúsculo revolucionário que formou. Chegou a ser levado a julgamento pelos ex-seguidores, mas consideraram haver falta de provas irrefutáveis para o culparem pela chacina de um terço da população, nos anos 70. Acabou por ser condenado como Inimigo Público, morrendo de morte natural a 15 de Abril de 1998. Nos antípodas dos tiranos comuns, geriu com mestria uma forma encapotada de culto de personalidade, não permitindo que a sua assinatura figurasse em quase nada (não por falta de estudos ou algum assomo de humildade; recorde-se que era filho de um grande agricultor e frequentara a universidade, em Paris!), além de escassearem as imagens. A obsessão em dissimular a sua participação activa nos 4 anos de totalitarismo extremo, deixam-nos o desconforto de que nunca terá estado iludido sobre a bondade da sua doutrina, apesar de a ter mandado aplicar à risca. Desengane-se quem o achasse motivado por um idealismo irrealista. Enigmático, ter querido mudar ferozmente o curso dos acontecimentos, revolucionar todo o tecido social, sem deixar o nome gravado nas incontáveis iniciativas do novo regime, que é justamente o troféu preferido dos déspotas! Um distanciamento duplamente pérfido, parecendo confirmar a tese de que apenas o ódio puro o animava! Dizem que padecia ainda de um grau de racismo psicótico, mitificando a etnia Khmer, cuja capital imperial foi edificada na cidadela dos magníficos templos de Angkor, durante a Idade Média. Mesmo no mal, afastou-se imenso do comum dos mortais.     

No documentário, pressentimos que Panh se sente desconfortável, não apenas por reacordar um passado doloroso ou rever a sombra espessa do mal que assolou o seu país, mas pela cedência de tantos e a passividade de quase todos! É sempre o silêncio da maioria que dói e nos faz desconfiar do ser humano. Interroga-se, no final, sobre a inexistência de oposição, apesar de perceber que o povo estivera assoberbado no mero desafio da sobrevivência. Como ele próprio. Será que lhe faltou coragem para fazer contra-vapor, na altura? Falhou nalguma atitude? Continuar vivo valeu o preço do silêncio?

Ensaiando uma resposta simbólica à típica colecção de dúvidas que assaltam os sobreviventes de situações limite (os dos Campos de Concentração da II Guerra foram pródigos a testemunhar este mal-estar), a voz off diz-nos que um sorriso, um certo olhar foram os gestos possíveis e corajosos das vítimas de tanta crueldade. Defende que muitos emitiram estes sinais positivos, de valor incalculável, precisamente pelas circunstâncias desesperantes em que ocorreram, reanimando uns e outros. Ainda que minúsculas, são sempre preciosas as pequenas luzes que se atrevem a acender na escuridão. Sim, faltam provas materiais. Mas não faltou lealdade, nalguns, com risco de vida.  

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_________________
(1) FICHA TÉCNICA do filme documental:


Título original:
L’IMAGE MANQUANT
Título traduzido em Portugal:
A IMAGEM QUE FALTA
Realização:
Rithy Panh
Argumento:
Christophe Bataille e Rithy Panh
Produzido por:
Catherine Dussart
Banda Sonora:
Marc Marder
Duração:
92 min.
Ano:      
2013
País:
Cambodja e França
Escultor das figuras de barro:
Sarith Mang
        Elenco:

Randal Douc (narrador )
Local das filmagens:

Em estúdio, a maioria.

No Cambodja, de filmes de propaganda

Prémio em Cannes na categoria Un Certain Regard;
Candidato ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro na edição de 2014.


domingo, 27 de abril de 2014

2º Domingo da Páscoa

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 20, 19-31)

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse-lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,
não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram-lhe os outros discípulos:
«Vimos o Senhor».
Mas ele respondeu-lhes:
«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,
não acreditarei».
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa
e Tomé com eles.
Veio Jesus, estando as portas fechadas,
apresentou-Se no meio deles e disse:
«A paz esteja convosco».
Depois disse a Tomé:
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».
Tomé respondeu-Lhe:
«Meu Senhor e meu Deus!»
Disse-lhe Jesus:
«Porque Me viste acreditaste:
felizes os que acreditam sem terem visto».
Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos,
que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos
para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus,
e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

***

Felizes os que acreditam...
Nós, se calhar gostávamos de ser felizes vendo. Mas é necessário perceber porque é que Jesus diz “felizes os que acreditam sem terem visto”.
(...)
Mas o que diz Jesus depois da confissão de Tomé? “Porque me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto”. Será que é o nosso caso? Somos felizes porque acreditamos sem termos visto? Somos felizes porque vemos para além dos indícios que se oferecem aos nossos olhos? É porque ver, só em sentido físico, não chega. Recordemo-nos de João, quando correu ao sepulcro com Pedro, na manhã da Ressurreição: ele viu o que os outros viram, os panos que tinham envolvido o corpo de Jesus espalmados no chão. Mas não viu só isso: viu para lá disso e acreditou na Ressurreição do Senhor! Felizes nós que, na participação dominical, quando nos reunimos com os nossos irmãos, em assembleia convocada por Deus, em Igreja, para celebrar a Paixão, Morte e Ressurreição do seu Filho, ouvimos a palavra de Deus, vemos repetir o gesto eucarístico de Jesus na Última Ceia, o gesto com que continua a entregar o seu Corpo e o seu Sangue por nós, e acreditamos. Vamos além daquilo que é possível apreender de forma imediata, além do que vemos, além dos indícios e dos sinais, que é como S. João gosta de se referir aos milagres de Jesus, e acreditamos na presença ressuscitada do Senhor!


D. Manuel Clemente, in O Evangelho e a Vida (Ed. Lucerna, pág. 110-112)

sábado, 26 de abril de 2014

Pensamentos impensados

Aconchegos
Há políticos que não se "abotoam"; usam fecho "eclair".
 
Pior a emenda
Disseram-lhe que não dizia coisa com coisa.
Passou a dizer coisa sem coisa.
 
Poesia
É da autoria do célebre amante D. Juan o conhecido soneto que começa assim:
Eros meu, boa fortuna, amor ardente.
 
Coevos
Os contemporâneos são pessoas que viveram na mesma altura.
São exemplos disso António Vitorino e Marques Mendes.
 
Fundamental
À atenção dos deputados: os cirurgiões plásticos fazem alterações à constituição.
 
Cautela e caldos de galinha
Nas passagens de nível, pare a scooter e olhe.

SdB (I)

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Pensamentos Impensados

Faz hoje 40 anos que uns fulanos começaram a tentar convencer-nos das maravilhas do fim da grande noite fascista; penso que o saldo é francamente negativo e o preço que se está a pagar é elevadíssimo.

Podem ouvir-se pedros barrosos e sérgios godinhos a debitar umas patacoadas, e ver-se o Hiroshima Meu Amor que não vale dois caracóis. (Conheço pessoas que foram a Paris de propósito para ver este filme). Ferreira Fernandes, jornalista do DN, também ficou muito contente por se poder ver a Garganta Funda; que lhe faça bom proveito.

Em contrapartida, temos o desemprego, as falências, a corrupção, a falta de respeito pelos professores, criminosos à solta, políticos a fazer falcatruas, processos que prescrevem escandalosamente; um sem-número de factos sobejamente conhecidos. 

40 anos e ainda só se chegou a isto! Jesus Cristo não precisou mais de três anos para pôr o Mundo de pernas para o ar.

SdB (I)

Duas Últimas

Comemoram-se hoje quarenta anos da revolução dos cravos. Durante os últimos dias foi tempo de cantar elogios a abril. Não ouvi nada, porque me fixei obsessivamente na figura e nas palavras do capitão Vasco Lourenço, uma estética e interessante figura.

Hoje tudo se dirá do melhor, embora aqui e ali se façam análises mais equilibradas e, aqui e ali, se desanque a revolução como a mãe de todos os males. Não direi aqui o que me vai na alma, porque não acrescenta valor e seria um repositório de lugares comuns. 

Há quinze ou dezasseis anos, talvez, recebi umas estagiárias recém-formadas, com vinte e poucos anos. Dei por mim a falar na revolução - não numa atitude ideológica, mas a contar o que foram esses tempos ao nível da idade que eu tinha. Quando dei por mim falava-lhes numa língua estranha, que a data não lhes dizia nada...

Onde estava eu no vinte e cinco de abril? A comprar cigarros às escondidas na mercearia da zona, que estávamos proibidos de sair de casa... 

Deixo-vos com José Campos e Sousa, um cantor que nunca por aqui passou. Se atentarem na letra perceberão porque me lembrei dele neste dia. Podia postar a Grândola? Poder podia, mas não seria a mesma coisa...

JdB 






quinta-feira, 24 de abril de 2014

Colar de Pérolas (19)



O psicadelismo aterrou, anteontem, em plena Goiânia, neste nosso ano do senhor de 2013. Chamam-se "Boogarins", estes putos de guitarras cósmicas e de flores na lapela. O LP podia chamar-se muita coisa. E podia, definitivamente, chamar-se como se chama: "Plantas que Curam". Como se amanhã fosse, outra vez, a viragem dos sessenta para os setenta. O que faz de hoje uma espécie de.. isto. Isso.

gi. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Diário de uma astróloga – [76] – 23 de Abril de 2014


Gabriel Garcia Marquez


Hoje escolho recordar Gabriel Garcia Marquez, escritor que me proporcionou horas de prazer literário. Segui a saga da família Buendia em “Cem Anos de Solidão”, a vida amorosa de Fermina em “Amor em Tempo de Cólera”, Santiago Nasar a adiar o encontro com o destino em “Crónica de uma Morte Anunciada”, e também “O General no seu Labirinto” (Simon Bolivar), “O Outono do Patriarca” (retrato do ditador estereotipo da América do Sul), chorei no triste, poético e emocionante conto “Ninguém Escreve ao Coronel”, e li talvez outros dos quais não me recordo.

Gabriel Garcia Marquez morreu em 17 de Abril de 2014 na cidade do México com 87 anos, depois de uma vida cheia de dificuldades, oportunidades e sucessos. O mais velho de 11 irmãos foi deixado pelos pais aos cuidados dos avós que o iniciaram no mundo mágico que veio a ser o pano de fundo da sua obra. Conheceu a pobreza e a opressão dos regimes ditatoriais que aparecem nos seus livros. Estudou jornalismo em Cartagena e como jornalista viajou para a Europa e sul dos Estados Unidos acabando por se instalar na Cidade do México, a sua segunda “casa”. Foi escrevendo ficção enquanto trabalhava, até que aos 40 anos resolveu vender o carro e com esse dinheiro dedicar-se a escrever a obra que veio a chamar-se “Cem anos de Solidão”. Demorou mais tempo do que pensava e esgotou os seus recursos de forma que a mulher teve que empenhar as suas últimas posses para pagar os selos necessários para mandar o manuscrito para os editores. O seu sucesso foi imediato e em 1982 ganhou o prémio Nobel de Literatura.

Mestre do estilo realismo mágico onde o sobrenatural e o extraordinário fazem parte da “normalidade”. Os acontecimentos são reais, muitos têm uma conotação fantástica e inexplicável mas que dentro da fábula e do mito não parecem ao leitor de todo improváveis. Gabriel Garcia Marquez não inventa novos mundos, como o género de ficção científica, mas revela a magia do mundo em que habitamos.


A carta do céu de Gabriel Garcia Marquez mostra como estava bem equipado para trazer aos seus leitores o realismo mágico e como os acontecimentos da sua vida estavam em sintonia com o Universo.


  • Com 4 planetas em Peixes, nasce com uma predisposição para o intuitivo, para dissolver as fronteiras entre o real e o imaginário, para compreender os pobres e os sacrificados e para escapar para o mundo da fantasia.  
  • Entre esses planetas, assinalado a violeta, temos Mercúrio (o comunicador do zodíaco) conjunto a Úrano, na casa 12, casa regida naturalmente por Peixes. Gabo, como era conhecido entre amigos, dizia-se contador de histórias. As suas histórias têm a originalidade de Úrano, a fantasia de Peixes. Os planetas da casa 12 operam escondidos, como se estivessem nos bastidores e é necessário um trânsito forte para os trazer para o palco. Foi precisamente quando Úrano e Plutão em conjunção fizeram uma oposição ao seu Sol e Júpiter natais que Gabo começou a escrever os “Cem anos de Solidão”. Recebeu o prémio Nobel em Dezembro de 1982 quando Plutão passava no descendente e iniciava o novo ciclo da Lua progredida.
  • Assinalado a azul temos Neptuno, o regente de Peixes, na casa 5 (criatividade e filhos). Antes de contar histórias, Gabo imaginou-as (Neptuno) e teve necessidade de lhes dar vida para encanto dos seus leitores.
  • O tema é dominado pela energia e o arquétipo Peixes/Neptuno, casa 12, mas é ligado por Saturno, assinalado a castanho. O astrólogo Mar Edmund Jones atribuiu nomes e características a determinadas formações. A esta, assinalada a verde, onde todos os planetas estão contidos em 180°, excepto um que forma uma oposição central, Marc Edmund Jones chamou “balde”. É a pega, nesta caso Saturno na casa 8, que torna a o contentor cheio da energia Peixes em manifestações concretas. É também o responsável pela palavra “realismo”. Saturno na casa 8, regida por Plutão, deu a Gabo a capacidade de se aproximar de temas trágicos, de crises, de morte, de transformações que povoam esta casa.
  • Quando Júpiter por trânsito está conjunto ao Plutão natal, Gabriel Garcia Marquez deixa a Terra, com a indicação de que a sua viagem continuará noutro plano. Ele, o mestre da navegação entre planos diferentes da “realidade”, achou que era o momento certo.
  • Muitos sabem que estamos a atravessar dias muito tensos simbolizados pela grande cruz nos céus que inclui a 5ª quadratura de Úrano e Plutão. Esta formação atingiu o Plutão natal de Gabriel Garcia Marquez no dia da sua morte.

Este último facto astrológico traz-me ao mundo actual e às tensões e oportunidades do momento que vivemos. O tema dominante de “Cem Anos de Solidão” é a inevitável repetição da história trágica de Macondo. Mas não tem sempre que ser assim. É em épocas como a que atravessamos, aliadas ao simbolismo de ressurreição da Páscoa, que as palavras de Gabo em “Amor em Tempo de Cólera” devem ser lembradas: Os seres humanos não nascem de uma vez por todas no dia em que as mães dão à luz, mas... a vida obriga-os repetidamente a dar à luz a si mesmos."

Luiza Azancot

terça-feira, 22 de abril de 2014

Do auto-conhecimento

Fotografia de JMAC, o homem de Azeitão

Não faço receitas de cozinha para as tascas do futuro (frase que me acompanha há décadas e cujo autor desconheço).

***

Pouco há nos EUA que me entusiasme. Eu sei que a generalização é ridícula e não me fica bem. A América é suficientemente grande e díspar para ter tudo e o seu contrário. E no entanto não está no meu top ten de destinos turísticos, nem sequer o povo americano, em toda a sua diversidade, me entusiasma por aí além. Tanto assim é que, nas minhas relativamente vastas viagens, só me abalancei a Nova Iorque (o que fiz por duas vezes) cidade que em bom rigor não é americana, mas de todo o mundo. Num rigor ainda melhor, conheço apenas Manhattan... 

Ora, é esse pequeno bairro urbano e tão caro de uma certa filmografia que me suscita uma inveja: a psicanálise (ou outra ferramenta quejanda, que não sou especialista na matéria). Gostava de ser nova iorquino para ter um psiquiatra, pese embora considerar-me uma pessoa bastante normal e minimamente equilibrada. Mas entusiasma-me a ideia de me estender semanalmente num sofá e contar coisas, enquanto ao lado, sentado numa cadeira de espaldar direito para não ser invadido pelo torpor, um especialista me explica quem eu sou - e quem era o Édipo. 

Ultimamente, por motivos que me são formalmente extrínsecos, tenho vindo a conversar sobre auto-conhecimento. Quem me conhece sabe que o tema me é caro mas, no caso em apreço, eu não era o protagonista. Ao longo de vários dias, a momentos esparsos, o tema foi aflorado: vantagens, desvantagens, incapacidades, necessidades, urgências. Ao longo dos últimos mais de dez anos tenho vindo a falar sobre o tema. Melhor, tenho vindo a praticar o tema. Fruto do que sou e de quem me vai rodeando nesta última década e qualquer coisa não precisei de recorrer a especialistas, não contratei ninguém que me dissesse que portas se fecharam ou abriram a desoras na minha infância. Outros mo foram dizendo para igual satisfação minha.

Perceber porque motivo nos atrai mais isto do que aquilo, porque descrevemos oralmente e por escrito de forma radicalmente diferente, o que significam algumas procuras que nos pareciam ser coisas fortuitas, o que traduzem comportamentos actuais à luz de uma determinada juventude e adolescência é um exercício não só bom, como divertido. Todos nós deveríamos ter, em algum momento, alguém que nos explicasse alguns aspectos da vida: a forma como olhamos para os outros, o modo como nos relacionamos, os motivos por trás das nossas fragilidades ou das nossas forças. Esta auto-análise faz de nós pessoas melhores? Não sei. Talvez nos pacifique com a realidade e, quem sabe, nos torne mais tolerantes. Cito o escritor: tout comprendre c'est tout pardonner

Alguém me dizia que um dos factores que pode inibir a introspecção é o encontro com aquilo que mais valia estar fechado no escuro... E não obstante deveríamos persistir, não temer, enfrentar a nossa negritude interior, se ela existir. Ou explorar a nossa luminosidade, se for esse o caso. Sobretudo perceber o motivo por trás de alguns dos nossos excessos, das nossas peculiaridades, dos nossos desdobramentos interiores; descortinar porque fazemos o que fazemos, e como fazemos; entender porque uma parte do que somos se deve à forma como crescemos e, com isso, melhorar o nosso mundo - que por vezes não é mais do que o fundo da nossa rua.

Monólogos, que eu não faço receitas de cozinha para as tascas do futuro. Nem para as de ninguém... 


JdB   


  

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Textos dos dias que correm

Agradecer o que não nos dão
O mais comum é agradecer o que nos foi dado. E não nos faltam motivos de gratidão. Há, é claro, imensas coisas que dependem do nosso esforço e engenho, coisas que fomos capazes de conquistar ao longo do tempo, contrariando mesmo o que seria previsível, ou que nos surgiram ao fim de um laborioso e solitário processo. Mas isso em nada apaga o essencial: as nossas vidas são um recetáculo do dom.
Por pura dádiva recebemos o bem mais precioso, a própria existência, e do mesmo modo gratuito fizemos e fazemos a experiência de que somos protegidos, cuidados, acolhidos e amados. Se tivéssemos de fazer a listagem daquilo que recebemos dos outros (e é pena que esse exercício não nos seja mais habitual), perceberíamos o que a poetisa Adília Lopes repete como sendo a sua verdade: «sou uma obra dos outros». Todos somos.
A nossa história começou antes de nós e persistirá depois. Somos o resultado de uma cadeia inumerável de encontros, de gestos, boas vontades, sementeiras, afagos, afetos. Colhemos inspiração e sentido de vidas que não são nossas, mas que se inclinam pacientemente para nós, iluminando-nos, fundando-nos na confiança. Esse movimento, sabemo-lo bem, não tem preço, nem se compra em parte alguma: só se efetiva através do dom.
Por isso é que quando ele falta a sua ausência indelével faz-se sentir a vida inteira. O seu lugar não consegue ser preenchido, mesmo se abunda uma poderosa indústria de ficções de todo o tipo com a inútil pretensão de ser oblívio e substituição para essa espécie de fala geológica que nos morde.
Hoje, porém, dei comigo a pensar também na importância do que não nos foi dado. E a provocação chegou-me por uma amiga que confidenciou: «Gosto de agradecer a Deus tudo o que Ele me dá, e é sempre tanto que nem tenho palavras para descrever. Sinto, contudo, que lhe tenho de agradecer igualmente o que Ele não me dá, as coisas que seriam boas e que eu não tive, o que até pedi e desejei muito, mas não encontrei. O facto de não me ter sido dado obrigou-me a descobrir forças que não sabia que tinha e, de certa maneira, permitiu-se ser eu».
Isto é tão verdadeiro. Mas exige uma transformação radical da nossa atitude interior. Tornar-se adulto por dentro não é propriamente um parto imediato ou indolor. No entanto, enquanto não agradecermos a Deus, à vida ou aos outros o que não nos deram, parece que a nossa prece permanece incompleta. Podemos facilmente continuar pela vida dentro a nutrir o ressentimento pelo que não nos foi dado, a compararmo-nos e a considerarmo-nos injustiçados, a prantear a dureza daquilo que em cada estação não corresponde ao que idealizamos.
Ou podemos olhar o que não nos foi dado como a oportunidade, ainda que misteriosa, ainda que ao inverso, para entabular um caminho de aprofundamento... e de ressurreição. Foi assim que numa das horas mais sombrias do século XX; desde o interior de um campo de concentração, a escritora Etty Hillesum conseguiu, por exemplo, protagonizar uma das mais admiráveis aventuras espirituais da contemporaneidade. No seu diário deixou escrito:
«A grandeza do ser humano, a sua verdadeira riqueza, não está naquilo que se vê, mas naquilo que traz no coração. A grandeza do homem não lhe advém do lugar que ocupa na sociedade, nem no papel que nela desempenha, nem do seu êxito social. Tudo isso pode ser-lhe tirado de um dia para o outro. Tudo isso pode desaparecer num nada de tempo. A grandeza do homem está naquilo que lhe resta precisamente quando tudo o que lhe dava algum brilho exterior, se apaga. E que lhe resta? Os seus recursos interiores e nada mais.»


José Tolentino Mendonça 
In Expresso, 18.4.2014

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