terça-feira, 31 de maio de 2011

Duas últimas (ou crónica de um peregrino urbano, parte III)

À hora a que me lerem - queridos Amigos, companheiros deste modesto mas tocante espaço - estarei em Itália. Gostava de dizer que estou a banhos, porque a expressão encanta-me, mas sou demasiado cívico para me jogar na Fontana di Trevi com umas bermudas elegantes, um polo da margem sul, uns óculos de ver ao perto e um corpo que já conheceu melhores dias. Há a prudência e o pudor - e eu tenho ambos.

Hoje - estimados Visitantes, erráticos ou não, deste albergue que também é vosso - ofereço-vos duas-pérolas-duas, como se fosse um cartaz tauromáquico a anunciar hastados e matadores. Pareceu-me boa ideia brindar-vos, não com uma faena audaz, mas com uma singeleza popular: Pavarotti, o tenor que maravilhou o mundo - e não só - entoa duas músicas italianas que podereis (apeteceu-me esta segunda pessoa do plural, tradição de um clericalismo démodé) escutar com os ouvidos e com os olhos, mas também vice-versa, se assim me faço entender. Isto, a bem dizer, sou eu a dizer onde estou e a levantar um peti rien d'envie (este francesismo é oferecido ao saudoso ATM) nos meus poucos leitores.

No dia em que esta crónica sai talvez esteja em Roma, escorropichando uma imperial na Piazza Navona, imaginando histórias sobre as belezas autóctones, dizendo grazie com a presunção de quem quer ser um deles, e não um qualquer turista que come esparguete mau com os olhos revolvidos de gastronomia ignorante; talvez esteja em Florença, debruçado sobre o Arno, afagando as pedras da Ponte Vecchio e imaginando-me um nobre renascentista, debruçando um olhar de patrono generoso sobre um pintor em início de carreira.

A conversa convosco é muito agradável, mas, se não se importam, vou debicar um spaghetti alla putanesca e volto já. No fundo é isto.

JdB


http://www.youtube.com/watch?v=AVpl983ytNg&feature=player_embedded


http://www.youtube.com/watch?v=fVhKPHFzPMQ&feature=player_embedded

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Crónicas de um peregrino urbano (II)

No espaço de duas semanas andei de avião - viagens europeias, com uma duração aproximada de duas horas e meia. A experiência - mais a segunda do que a primeira - é um verdadeiro suplício. Aviões cheios, gente aos encontrões, os joelhos a serem esmagados pelas costas do banco da frente, a zona interior das coxas sujeitas a cãibras permanentes. Já não falo da gastronomia a bordo: uma sandes seca, triste, a pedir deglutição rápida para não deixar traumas futuros.

Com paciência, jeito e saber, voa-se para quase qualquer sítio da Europa por meia dúzia de patacos. Há 30 anos, como referi ontem, voava-se por dez ou quinze vezes mais - para além dos rendimentos de hoje serem substancialmente superiores. Há meia-dúzia de anos fui fazer um cruzeiro a várias ilhas gregas. O barco (cujo grau de luxo desconheço) era um albergue ambulante: famílias completas aos gritos, crianças a correr pelo convés, fotografias tiradas na zona das piscinas com um legenda subjacente: onde está wally? Penso até ter visto uma rapariga a dar de mamar ao lado de um slot machine, não sei se por respeito pelas horas de comer do menino, se por superstição do tilintar da máquina.

Não há capital da Europa que não se invada de turistas, numa miríade de excursões e agregados familiares que devassam locais de culto, tornam os museus intransitáveis, circulam pelas ruas estreitas como uma mole de gente imparável em perpétuo movimento. Em Cracóvia, há meia dúzia de anos, só se ouvia falar espanhol; em Amesterdão, pouco tempo depois, a zona de actividade nocturna era a última conquista dos Estados Unidos.

Viajar é hoje em dia barato. Quando eu tinha 15 anos, grande parte da minha geração só conhecia Londres - para além de Badajoz para caramelos e borrachas com cheiro. Agora, a juventude da mesma idade já conhece várias capitais europeias, já veranearam na República Dominicana, no México, em Marrocos. A juventude de hoje é muito mais viajada, o que é importante e salutar. Mas serão mais cultos - ou apenas mais informados?

JdB

Fórmula para o caos

O momento que vivemos em Portugal é doloroso. Todos os dias surge uma nova crise. A juntar à económica veio a financeira, a juntar à de valores veio a política. Cada dia que passa, cada vez me torno mais adepto da sanidade das contas públicas. Não só pela razão, óbvia, em si, mas também por todos os males que se seguem ao descalabro das finanças públicas. Desde logo, toda a facilidade com que os populistas, tanto de esquerda como de direita, aparecem a apregoar as suas ideias demagogas que, quando o povo se encontra mais vulnerável, poderão colher de forma positiva junto das massas.

Num dos dias da semana que passou, celebrou-se, na Bolsa de Nova Iorque, o Portuguese day. O programa Negócios da Semana, que passa à Quarta-feira na Sic Notícias, elaborou uma reportagem no local do evento. Cerca de 2/3 do programa foi ocupado por 2 a entrevistas a 2 corretores americanos. Foi confrangedor. Os jornalistas lusos, parece-me que mais uns a juntar ao estado de negação em que se encontra 33% do país, faziam perguntas aos ditos corretores sobre Portugal, às quais as respostas demonstravam a total ignorância que aqueles tinham sobre o assunto. Atenção, não critico os brokers, mas sim os jornalistas. Até uma criança de 12 anos teria percebido, à segunda resposta vaga, que os entrevistados nada sabiam sobre o pais mais ocidental da Europa continental. No fundo, se bem que em moldes diferentes, foi parecido com o triste espétaculo da mão estendida à Presidente do Brasil há 2 meses. Fizeram-se muitos noticiários e capas de jornais com a possibilidade do Brasil comprar dívida pública portuguesa. No entanto, e já a caminho do aeroporto de Lisboa, Dilma Rouseff, em apenas meia dúzia de palavras informou que o Estado brasileiro apenas está autorizado, segundo os critérios do Banco Central, a investir em titulos de notação AAA que, como todos sabem, há muito que não correspondem à notação da nossa dívida.

Pedro Castelo Branco

domingo, 29 de maio de 2011

Crónicas de um peregrino urbano (I)

Devo a minha relativa boa saúde pulmonar ao desejo pelas viagens, não à prática do desporto. De facto, numa altura pré-socrática em que a generalidade do País (estávamos no final dos anos 70 / início dos 80) vivia dentro das suas possibilidades, restava-me, para satisfazer o desejo de conhecer outras partes, uma alternativa contabilística simples: ou reduzia as despesas, ou aumentava as receitas.

Corre nas veias da família um sangue determinista: a incapacidade para o negócio e para o enriquecimento. Há gente intolerante à lactose, há gente que borbulha na face por petiscar beringelas; há, ainda, aqueles que só não desenham um cavalo com quatro patas paralelas porque a cultura geral lhes diz que a anatomia do equídeo é diversa. Nós, membros de uma família mais alargada que comunga das mesmas características, somos tudo isso - a intolerância, a alergia, a impossibilidade. Não me orgulho, confesso, mas cheguei a esta idade e o pagamento trimestral do IVA dá-me mais que pensar.

Retomo o fio à meada. Para poder viajar deixei de fumar porque, no ou contabilístico acima, a primeira opção vingava sem apelo nem agravo. Como aumentar as receitas, com um ADN a remar teimosamente em sentido contrário? Muitos da minha família - ou talvez de uma classe social mais alargada - ficaram-se pela pátria lusa, classificando a prática, in loco, de uma língua estrangeira como algo de vagamente esotérico, ou demasiado arrojado para um sangue que pedia servos da gleba, criadagem, marialvices e castiçagem - além de vinho tinto.

Em 1979 - nos caixotes de lixo ainda se vim os despojos de um Natal colorido, celofánico e sem FMI - embarquei para Macau, onde me aboletaria em casa de amigos. A viagem Lisboa Honk-Kong custava (eu só pagaria 10%) 600€ em moeda actual. Uma fortuna, considerando que já lá vão 32 anos. Viajar era uma actividade (quase) de elite, os aviões um desfile de gente decentemente vestida, servida por tripulações simpáticas e profissionais que nos serviam refeições quentes com um vagar de slow-food.

Alonguei-me, como sempre. Voltarei talvez amanhã, porque os dias também se ocupam assim.

JdB

VI Domingo da Páscoa

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.

Talvez me sinta desinspirado... Na minha mente organizada, o comentário ao evangelho de hoje era da maf, pelo que estava descansado. Mesmo dos textos menos óbvios ela consegue extrair pensamentos simples que são, por vezes, os mais difíceis de redigir. Esta semana decidiu baralhar-me as voltas, pedindo a fineza de uma troca. Ainda estive para lhe dizer um não gratuito, mas lembrei-me que o exercício da irritação não era boa prática dominical... Enfim, sigamos para bingo - sem desprimor pela palavra sagrada.

Imaginemos que teríamos de explicar, a um qualquer alien destas coisinhas da religião, o que é isso do amor que temos pelo Pai (Deus) e vice-versa. Ou imaginemos, tão só, uma argumentação com um ateu irritante, daqueles que não só nega a existência do Altíssimo, como nos chaga a cabeça até à medula (anatomicamente improvável, digamos). Como explicaríamos ao extra-terrestre, como responderíamos ao provocador?

O amor que temos ao Ancião da Eternidade (na expressão queirosianamente feliz) tem uma explicação fácil, parece-me. Afinal, ele é o Pai que todos gostaríamos de ter: justo, equilibrado, desafiante, ouvinte, bom conselheiro. Nada mais natural do que querermos agradar-lhe; no fundo, no fundo, fazer-lhe as vontades todas, porque sabemos que é isso que Ele quer e porque, se o conseguirmos, não satisfazemos um capricho paternal - tornamo-nos santos. E, sendo santos, beneficiamos todos os que giram à nossa volta.

Mais difícil de explicar seria o Amor que o Pai nos tem. Como se reflecte ele no nosso dia-a-dia? Como nos sentimos beneficiários dessa Ternura imensa e inesgotável? Como nos sentimos recompensados? O que é, na manifestação desse Amor divino, o equivalente a um aumento de mesada, à oferta de um Cauny à prova de água ou, last but not the least, um abraço forte e amoroso com um beijo de orgulho na nossa testa?

O que é, na verdade e no concreto das nossas rotinas, ser amado pelo Pai?

Bom Domingo para os que me lêem.

JdB

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

«Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos,
e Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco,
o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; vós é que o conheceis, porque permanece junto de vós, e está em vós.»
«Não vos deixarei órfãos; Eu voltarei a vós!
Ainda um pouco e o mundo já não me verá; vós é que me vereis, pois Eu vivo e vós também haveis de viver.
Nesse dia, compreendereis que Eu estou no meu Pai, e vós em mim, e Eu em vós.
Quem recebe os meus mandamentos e os observa esse é que me tem amor; e quem me tiver amor será amado por meu Pai, e Eu o amarei e hei-de manifestar-me a ele.»


sábado, 28 de maio de 2011

Pensamentos impensados

O Estado está preocupado com a evasão fiscal.
O contribuinte está preocupado com a invasão fiscal.

A ajuda a Portugal, por parte do FMI, está a chegar aos "bochechos".
Se já tivéssemos o TGV se calhar chegaria mais depressa.

Duas quadras antigas lembrando orfandades

O meu pai suicidou-se
Engolindo um "forfe amorfe"
Matou-se e não se lembrou-se
Que deixava um filho "orfe".

Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe minha amada
Quem tem um mãe tem tudo
Quem não tem mãe é "orfe".

SdB(I)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

das invisíveis constelações

(a todas aquelas e a todos aqueles que esperam)


quando cai a noite e é sexta-feira, os lobos, em alcateia,
sobem aos bairros - no singular -, à procura de um alvo
abstracto, de uma ideia de caça, da função instintiva que
sabem correr-lhes no sangue, desde que abriram os olhos.

como em tudo na natureza, há lobos solitários, afastados
pelos seus pares (ou que simplesmente se afastaram) desse
modo de vida ancestral, competitivo, talvez até banal,
no seu cortejo de tiques e rituais de quem treina o dente.

lembrei-me de ti, que provavelmente nem existes, quando
escrevia aquelas palavras ali de cima. lobos e homens são,
se pensarmos bem, uma e a mesma coisa - seres solitários
deitados à vida, sem clemência, orientação, guias práticos.

isto aplica-se, claro, também às raparigas. por isso, dizia,
me lembrei de ti. enfrascada em enciclopédias, enfiada decerto
em cinematecas reais ou inventadas, protegendo-te das coisas
do mundo, lutando impiedosamente contra o comando do destino.

há na resistência uma ética muito própria. um grito que perturba
os lobos, os homens, as mulheres, todos aqueles que preferiram(?)
deixar de lutar contra o sangue. estão no seu direito e talvez
venham a ser declarados vencedores, aos pontos, no ringue-mor.

admito que sim. contudo, concede-me a dúvida. deixa-me dizer-te
que prefiro, desde tenra idade, a solidão habitada por pontos
luminosos que é a tua. essa constelação de animais e de homens
e de raparigas solitárias que acendem cigarros frios contra os

céus nocturnos. estão em toda a parte: nas ruas por onde passo,
ao volante do carro; nas mesas das casas de pasto que subsistem;
nas últimas filas das salas de cinema; nalguns jardins matinais;
até sentados à mesma mesa que nós, escondidos do mundo e, creio,

de si próprios. nunca li "a balada do café triste",
mas uma coisa eu sei: há constelações invisíveis que nos fulminam,

tão extrema é a sua - a tua - a nossa

imperial beleza.

gi.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Deixa-me rir...

"Caros audiophiles, this week is the 70th birthday of Bob Dylan. So much has been written and spoken about him and his music and his cultural significance that I cannot add any fresh insight. Either you appreciate him or you don't. For many people it is his nasal singing voice which prevents liking his music. Perhaps I will offer a few brilliant versions by other artists in the future (pcp last year presented Barb Jungr singing Dylan). There are very few videos available of Bob Dylan, but here are three songs from different periods of his career.
The socio-political Blowing In The Wind is from his folk beginning in 1962, one of the first songs I ever remember hearing. The anthemic Forever Young comes from 1973, and Not Dark Yet from 1997, a self-reflection of getting older and nearer the end of life but not ready to hang up his guitar.







A proxima.

PO

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Amar a imperfeição

Ouvi aí umas duzentas vezes o poeta Tonino Guerra citar o verso de um monge medieval: «É preciso ir além da banal perfeição». É isso mesmo: a perfeição pode ainda ser um caminho que trilhamos pela superfície ou constituir uma ilusão que nos impede de aceder ao verdadeiro e paradoxal estado da vida. Levamos tanto tempo até perder a mania das coisas perfeitas, até nos curarmos do impulso que nos exila no aparente conforto das idealizações, ou finalmente vencermos o vício de sobrepor à realidade um cortejo de falsas imagens! «É preciso ir além da banal perfeição».

Lembro-me de um filme de Nanni Moretti, acho que é “O quarto do filho”, em que uma personagem, estando a viver um duro luto, se coloca a arrumar no armário as chávenas de chá. Percebe então que uma tem um lado partido. Tenta disfarçar o facto, colocando visível apenas o lado intacto. Mas ela sabe que àquela chávena falta alguma coisa. Aquela chávena é o símbolo da sua vida, da nossa vida, que ela e nós temos de aceitar e redescobrir continuamente. Acolher isso é uma condição necessária no amor e na amizade, no viver comum e na maturação pessoal que nos cabe fazer.

Há aquele mote de Samuel Beckett que, se o soubermos ouvir, derrama sobre os nossos embaraços grande luz. Diz assim: «Errar, errar de novo, errar melhor». O que é errar melhor? É saber que, no fundo, erramos sempre. Isto é: a perfeição encontrámo-la nos catálogos, mas não nos nossos gestos ou em nós próprios. O mais sensato é mesmo adotar a humilde sabedoria de quem procura conscientemente o melhor, mas sabe que o seu melhor ficará ainda aquém. O que podemos aprender é, pois, a semear, num trabalho de confiança, de desprendimento e simplicidade cada vez maiores. Jung escrevia: «o importante não é ser perfeito, mas sim inteiro». E para nós, o que é realmente importante?

Durante anos tive em casa um cartaz de uma peça de teatro infantil, de um grande autor italiano. Para saber falar às crianças como ele o faz, a gente percebe que se tem de apetrechar não apenas uma enorme habilidade, mas uma afetuosa esperança. Os miúdos sabem distinguir bem quem lhes fala para entreter ou quem realmente lhes quer comunicar uma verdade de coração. Este autor, chamado Gianni Rodari, é assim. Durante anos tive um cartaz seu com esta frase: «errando também se inventa». Olhar para aquela frase transmitia-me o ânimo e a leveza de que precisava.

A perfeição coloca-nos perante a realidade como se de um facto consumado se tratasse: se formos mexer, intervir, retocar ou alterar, sentimos isso como uma perturbação. Essa perfeição é estática. Existe só para ser admirada… à distância. A imperfeição, porém (e penso também naquelas que identificamos na nossa vida interior), é uma história ainda em aberto, que conta ativamente connosco. Na imperfeição é sempre possível começar e recomeçar. A imperfeição permite-nos compreender a singularidade, a diversidade, o real impacto da passagem do tempo, o traço dos seus vestígios. A imperfeição humaniza-nos.


José Tolentino Mendonça

In Diário de Notícias (Madeira)
21.05.11

terça-feira, 24 de maio de 2011

Duas últimas

O “Grupo de Baile”, composto por rapazes amigos da outra banda (Seixal) teve, no início dos anos 80, um êxito retumbante com esta música, com vendas superiores a 100 mil cópias. Que eu saiba, foi um assinalável mas efémero sucesso, já que nada mais fez de relevante, tendo desaparecido como apareceu, tipo cometa. Reapareceu apenas muito episodicamente, em ocasiões especiais, em festivais ou na televisão. Os músicos que o compunham têm profissões tão parecidas como membro das orquestras do Exército, da Marinha ou da GNR, funcionário camarário, entertainer de cruzeiros turísticos ou engenheiro da Lisnave!

Sempre gostei desta música, sobretudo da parte instrumental, faz-me lembrar os bailaricos das várias terrinhas a que o “pessoal” ia no Verão, nas noites quentes, nos largos térreos engalanados, nas barraquinhas de fritos, bifanas e bebidas, nos pares dançantes homem/mulher e, as mais das vezes, mulher/mulher, face à crónica indecisão masculina ou, pior, à escassez do género. Lá estavam também, como diria o Sérgio Godinho, as “moças mais lindas do bairro operário”, sob os olhares atentos das mãezinhas e das vizinhas, que com gosto e ingenuidade observávamos e os mais ousados convidavam para um pé de dança no terreiro.

A letra é qualquer coisa! Só poderia vir da mente iluminada de um nativo de uma destas áreas periféricas. Atendendo a que há uma palavra dispensável, procurei uma versão censurada (que a havia, lembro-me bem), mas não a encontrei. Assim, peço ao dono deste estabelecimento e às senhoras que me lêem (poucas, por certo!), que relevem esta falta. De qualquer forma, não resisto à graça fácil de realçar a curiosidade de esta mesma palavra ter levado a que uma eminência graúda deste País tenha, por causa dela, sido recentemente remetida com urgência para o Brasil, a benefício dos votos por que o seu próprio partido espera e desespera.

Espero que gostem, apesar de tudo!

fq


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Vai um gin do Peter’s ?

O óscar do Melhor Filme Estrangeiro premiou a película de uma dinamarquesa, que se lança num tema ambicioso em volta de um conceito tão inacessível como o paraíso, aqui e agora – «Haevnen» (com o mesmo radical do termo inglês heaven). A tradução adoptada em Portugal tenta corresponder ao desafio: «NUM MUNDO MELHOR»(1).

A explosão de perguntas suscitadas pelo filme – muitas, implicitamente – parece emergir da mente efervescente e reivindicativa dos adolescentes em acção. A sua atitude desafiante, provocatória, põe os adultos violentamente em causa. Corresponde ao grito desajeitado que nasce do legítimo pedido de verdade, de coerência, em que o mundo dos crescidos será tão falho… Arrastando-se pela vida num frenesim anestesiante, estes parecem ter adiado as grandes questões sobre o sentido da existência para uma fase longínqua, associada à desaceleração que o envelhecimento comporta.

Através da personagem do pai-médico interrogamo-nos se o mérito do trabalho realizado nos confins de África será, algum dia, reconhecido na Dinamarca ou trará algum benefício à família, que mal o vê? Se a pequena decisão tomada ontem, levianamente, terá consequências nas 24 horas seguintes? Curiosamente, tudo indica que sim… ao menos no próprio, porque é de pequenos gestos diários que somos feitos. Nesse sentido, nada se perderá da assistência dada na savana tropical, ainda que a Europa rica e auto-suficiente não tenha olhos para a apreciar. Mas transportamo-la no coração. Ela penetra-nos até ao âmago e ganha corpo em nós – tornamo-nos nela, pelo que essa bondade concreta passará a estar onde estivermos.

É notório que entre o mundo subdesenvolvido e o hemisfério Norte se ergue um fosso difícil de transpor. Mas em África, a pobreza de meios coabita com a riqueza afectiva, solidária. Em contrapartida, na Europa, a superabundância técnico-científica, a invejável qualidade de vida coabita com a escassez afectiva. O individualismo militante condena o indivíduo a uma aberrante solidão, encarcerado na sua própria ilha. Mergulha-se numa solidão que se auto-ilude através dos paliativos atordoantes da sociedade de consumo, como o barulho oco da companhia virtual que a televisão oferece.

O expoente da fase de construção do ser humano ocorre na adolescência, onde o voluntarismo da idade, neste caso potenciado pelas condições privilegiadas de um país desenvolvido, esconde a enorme fragilidade desses pequenos homens em devir, em fase experimental de afirmação pessoal. Sob o ponto de vista interior é uma aventura maior para a humanidade, em nada menor do que as expedições humanitárias em favor das tribos subsaharianas.

Nos teenagers impõe-se a ousadia meia frenética e imponderada da pouca idade, ampliada pela fraca noção dos limites. Das consequências. Vivem excessivamente o presente, arriscando-se a ficar prisioneiros do instante. A ponto de, facilmente, espatifarem a vida.

No extremo oposto, os adultos correm o risco de se perder em deambulações estéreis, entre o ressentimento (por vezes, má consciência) do vivido e o medo do que virá, arriscando-se a ficar prisioneiros de um passado mitificado ou de um futuro irreal. Basicamente acantonados numa atitude escapista, que se esquiva a encarar os factos.

Nos mais novos, uma exigência insaciável (até feroz) de verdade, que confundem com sinceridade associal e cruel. Nos mais velhos, o comodismo flácido da meia-verdade, onde a mentirinha confortável é socialmente bem tolerada.

Nos mais novos, os grandes gestos, os desafios arrojados e, muitas vezes, irresponsáveis. Nos mais velhos, as escolhas hábeis, medidas ao milímetro, com pouca alma e nenhuma graça.

Torna-se um diálogo praticamente impossível entre gerações.

É neste universo de incomunicação e de enorme crispação social (na escola grassa o célebre bullying) que os dois adolescentes cimentam uma amizade aventureira, mas muito cúmplice. Transgressora mas compincha. Com falta de apoio dos adultos mas a transbordar de sintonia entre ambos.

Só não esperávamos a manifesta falta de civismo nas sociedades nórdicas. Nem a xenofobia exacerbada entre dinamarqueses e suecos. Nem o laxismo e ineficiência das autoridades. Contávamos apenas com o isolamento pesado entre pessoas de todas as idades e classes, abandonadas à sua sorte, seja na casa de férias junto ao lago silencioso, seja no quarto do hospital, seja nas boas-vindas gélidas à chegada ao aeroporto após uma longa ausência.

Paradoxalmente, é no pior momento que desponta o melhor nos corações dos teenagers. Converte-se, assim, num anti-climax positivo. No furor justiceiro, para o qual o miúdo empreendedor arrasta o miúdo bondoso e influenciável, ressurgem os ingredientes mais benignos da amizade: a verdade e a reciprocidade na relação, a coragem em favor do outro, a dedicação mútua. Salvou-os essa lealdade, posta à prova na circunstância mais dolorosa. Por fim, também a presença paterna, que tardara em aparecer, resgatou-os de um desfecho brutal. Porque só em face do risco de uma perda irremediável, os pais descobriram novas formas de relançar o diálogo com os filhos. Quando acreditaram que estava ao seu alcance melhorar o mundo, tudo começou a mudar. Salvou-os, essa fé na própria vida. Sabiamente, Gandhi aconselhava: «Seja a mudança que quer ver no mundo». Tão simples mas tão exigente.



Trailer de EM UM MUNDO MELHOR - Legendado por claquete_com no Videolog.tv.

Maria Zarco

(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

_____________

(1) FICHA TÉCNICA

Título original: HAEVNEN

Título traduzido em Portugal: NUM MUNDO MELHOR

Realização: Susanne Bier

Argumento: Susanne Bier, Anders Thomas Jensen

Produção: Sisse Graum Jørgensen

Fotografia: Morten Søborg

Banda sonora: Johan Söderqvist

Duração: 118 min.

Ano: 2010
País: Suécia /Dinamarca

Elenco

Mikael Persbrandt (Anton, o pai-médico),

William Jøhnk Nielsen (adolescente rebelde e reivindicativo),

Markus Rygaard (adolescente patinho feio)

Trine Dyrholm, (a mãe)

Wil Johnson,

Eddie Kihani,

Emily Mglaya,

Gabriel Muli,

Ulrich Thomsen

Site oficial:

Prémios: Óscar do Melhor Filme Estrangeiro,

Globo de Outro do Melhor Filme de Língua Estrangeira.



domingo, 22 de maio de 2011

V Domingo da Páscoa

Hoje é Domingo e eu não esqueço a minha condição de Católico.

À hora a que escrevo falta pouco tempo para voar para Bona, na Alemanha. À hora a que me lerem estarei de regresso de um fim de semana em Bona, a representar a Acreditar. Durante quase três dias falaremos (falámos, porque o texto será lido no Domingo) de cancro infantil, de protocolos de tratamento, de investigação, de ética dos ensaios, de sobrevivência, de planos para o futuro.

Perguntarão, os mais distraídos ou mais incisivos, o que tem isto a ver com o V Domingo da Páscoa. A resposta é simples: nada e tudo. O que sou, a minha relação com a Acreditar e com as crianças que sofrem de cancro, o que penso sobre o drama dos pais, as minhas falhas no que devia fazer e não faço, nada disto é extrínseco à fé que tenho e que tento reforçar todos os dias, todos os domingos. Ir a Fátima, relembrando um episódio mais doloroso, não é uma romagem de martírio. Comover-me com a procissão das velas não é uma manifestação de masoquismo. Há quem vá ao ginásio exercitar o corpo; eu frequento locais de culto para aprimorar a alma.

Não digo nada de novo, não escrevo mais do que escrevi ao longo destes anos: a fé foi, seguramente, uma âncora à qual me agarrei em tempos de tormenta comigo próprio, com os outros mais próximos, com o destino que me foi oferecido pelas circunstâncias da vida. Tive a sorte, também, de todos os que privaram mais comigo terem percebido e incentivado essa caminhada. Cometi exageros? Seguramente, mas quando se abre o buraco maior na nossa vida, a expressão equilíbrio constante está no domínio do desumano.

Nestes últimos dias falou-se do drama que atinge, anualmente, algumas centenas de crianças em Portugal. Umas ficam, outras partem, vítimas de uma injustiça que nada tem a ver com Deus, que não é senão Amor. Comigo em Bona estiveram Pais, sobreviventes, médicos. Cada um tem a sua motivação para continuar a conviver com isto. A mim motiva-me a fé em dias melhores, uma disponibilidade mínima e desajeitada para deixar o mundo ligeiramente melhor. Talvez o meu lado mais obscuro precise desesperadamente de se manter à tona, no lado luminoso da vida e eu seja, por isso, um egoísta que tenta salvar a pele.

Bom Domingo para os que me lêem.

JdB

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Não se perturbe o vosso coração.
Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim.
Em casa de meu Pai há muitas moradas;
se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito.
Vou preparar-vos um lugar
e virei novamente para vos levar comigo,
para que, onde Eu estou, estejais vós também.
Para onde Eu vou, conheceis o caminho».
Disse-Lhe Tomé:
«Senhor, não sabemos para onde vais:
como podemos conhecer o caminho?»
Respondeu-lhe Jesus:
«Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ninguém vai ao Pai senão por Mim.
Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.
Mas desde agora já O conheceis e já O vistes».
Disse-Lhe Filipe:
«Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta».
Respondeu-lhe Jesus:
«Há tanto tempo que estou convosco
e não Me conheces, Filipe?
Quem Me vê, vê o Pai.
Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?
Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?
As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio;
mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras.
Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim;
acreditai ao menos pelas minhas obras.
Em verdade, em verdade vos digo:
quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço
e fará ainda maiores que estas,
porque Eu vou para o Pai».
Palavra da salvação.

sábado, 21 de maio de 2011

Pensamentos impensados

O Dr. Alberto João Jardim, quando se refere ao Continente pronuncia
"contenente". Como será que pronuncia Mississipi? Messessepe?

A lingua portuguesa é traiçoeira
Como será que se ensina a um estrangeiro que quer aprender português,
,a diferença entre duas frases a que basta trocar a ordem das palavras
e a acentuação para ficar tudo do avêsso?
êles lá sabem.......êles sabem lá.
eu sei o que tu queres......o que tu queres sei eu.

Os médicos de família devem ter conhecimentos de genealogia?

Os porcos alimentados a bolota ficam com as patas negras.

Leadership é uma peça de metal que se põe por baixo da pele
dos cães guia.

SdB(I)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

homem ao mar, portanto

no ar, um cheiro persistente a enxofre,
no céu, um falso azul da cor do chumbo.
se japonês, dir-se-ia "tsunami approaching";
em português, é um país inteiro ao fundo.

gi.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

Duas últimas

No meu último post anunciei que ia começar o Festival Internacional de Artes de Harare (HIFA). Pois bem, o Festival foi um sucesso e um dos pontos altos, se não mesmo o ponto mais alto, foi reconhecidamente a actuação do Jorge Fernando (voz e viola), Fábia Rebordão (voz) e Guilherme Banza (guitarra portuguesa). Foram dois espectáculos fantásticos que encheram de orgulho quem anda lá por fora a representar Portugal e que provocaram na audiência um entusiasmo que superou todas as minhas expectativas. É certo que o sucesso decorreu de um equilíbrio muito bem arquitectado entre os três artistas, mas é justo destacar a voz impressionante de Fábia Rebordão, que arrepiou e conquistou a assistência. Houve quem dissesse que tinha sido a voz mais bonita que alguma vez ouvira.

Deixo-vos pois um vídeo de Fábia Rebordão, em condições acústicas que estão longe de ser as ideais, mas que dá um cheirinho das potencialidades da jovem fadista.



JdC

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Moleskine

Blogue. Com excepção dos invisuais - ou dos muito distraídos - todos terão percebido que o Adeus, até ao meu regresso mudou de cara. É uma experiência que perseguia há algum tempo. Agora, com uma fundamental ajuda estética, decidi-me. Está diferente, mais largo - como eu queria - mas não sei se melhor, sobretudo do ponto da leitura. Quem quiser / puder que se pronuncie, mesmo que seja para dizer é das coisas mais feias que tenho visto desde a descoberta do fogo... Queria ainda fazer a experiência de postar fotografias e vídeos a toda a largura do ecrã, mas não sei se consigo. Agradece-se ajuda.

CU. A vida e as opções atiraram-me para o campo dos infortúnios e insucessos. Sou monárquico (ainda que vagamente, dirão alguns....) num tempo em que as casas reais - reinantes ou pretendentes - nem sempre dão boa conta do recado; sou católico, uma religião tantas vezes criticada, por motivos tanto acertados como disparatados; sou sportinguista, numa época em que um 3º lugar é um suspiro de alívio; por fim, mas não menos despiciendo, sentia-me relativamente baixote no meu 1,86m - afinal, era o mais baixo de três irmãos. Mantenho-me fiel no que diz respeito a política, igreja e futebol - porque é com cruzes destas que se ganha o Céu. Não me conformava com o nanismo fraternal até que fui fazer o CU. Percebi, nesse instante de rara felicidade feita de simplex socialista, que me tinham acrescentado três centímetros à altura. Num momento em que nos tiram tudo, apraz-me registar esta oferta. Sinto-me maior porque o sistema (essa tentacularidade anónima) me diz que o estou - alguém sabe a quem devo agradecer?

Futebol. Sigo pouco, interesso-me pouco, sei pouquíssmo. Não tendo um ódio visceral aos nossos amigos espanhóis, facilmente defenderia o Real Madrid numa contenda contra outro clube. Agora, desde que lá está o Mourinho, já não sei - de facto, já não sei. Confesso que nunca lhe vi um sorriso, oiço-o sempre aos gritos numa maledicência ou crítica, acusando velada ou ostensivamente, exibindo uma vaidade e um mau perder pouco estéticos. Dizem-me que é marketing, pois ele não é tão mau. Há quem opine ser ele um sociopata. Eu, assim como assim, penso no Vargas Llosa, no texto que citei a semana passada, e tudo me diz que ele precisará de um regulador intestinal. A bem dizer, quero lá saber se o homem é o melhor ou não. O Mourinho é verdadeiramente execrável - será que tem uma tripa preguiçosa?

JdB

domingo, 15 de maio de 2011

Domingo ....... Se Fores à Missa !

Confesso que não gosto muito desta imagem do “rebanho”, de andarmos todos “em bando”, de seguirmos “cegamente” um pastor que lidera o caminho. Sou uma pessoa independente, com opinião própria, com capacidade de tomar a minhas próprias decisões e, por isso, esta coisa de andar em bando não tem muito a ver comigo. No entanto, no texto do Evangelho, há uma frase crucial sobre a qual vale a pena debruçarmo-nos “Ele chama cada uma delas pelo seu nome ....”. De facto, de entre o rebanho imenso que constitui a humanidade, Deus conhece cada um de nós individualmente, conhece-nos as fraquezas, as alegrias, as inquietações, chama cada um de nós pelo seu nome e não impõe a liderança; pelo contrário, chama-nos e nós ao ouvirmos a sua voz, seguimo-lo de livre vontade. Esta perspectiva vem, também, dizer-nos que todos nós, sem excepção, sejamos bons ou maus, católicos ou muçulmanos, santos ou pecadores, temos a oportunidade de seguir a Cristo, de nos entregarmos a Ele, seguindo o seu caminho e os seus ensinamentos. Nada nos é imposto; basta que estejamos atentos e queiramos ouvir a Sua voz e, ouvindo-a, nos dispomos a segui-la. Existe alguma coisa mais bonita que isto? Somos livres de seguir a Cristo, ou não! Seguimo-lo por O amamos e somos amados por Ele. Somos livres de nos afastarmos d’Ele e somos livres para nos re-aproximarmos d’Ele. Podemos estar uma vida inteira afastados, mas basta que, no último instante, nos dispomos a segui-Lo e Ele aí estará, pronto para nos acolher, pronto para nos chamar pelo nome próprio. Existe alguma coisa mais bonita que isto? É o Amor em Liberdade. É a Liberdade do Amor. É um Amor que só pode vir do Céu.

Domingo, Se Fores à Missa ...... Decide em liberdade !

Maf

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».

Palavra da salvação.

sábado, 14 de maio de 2011

Pensamentos impensados

Desperdício
A palavra águas, em francês "eaux" escreve-se com 4 letras e tem apenas um som. A palavra ovos, em francês "oeufs", escreve-se com 5 letras e tem apenas um som. Por que não inventam uma letra para cada um desses sons? O que se poupava.

Para quebrar o gelo entre pessoas que não se conhecem `será adequado um picador de gelo?

Há mulheres que têm chapado na cara aquilo que são: mulheres de vida "facies".

Histórias impensáveis
Aconteceu talvez há 70 anos, durante uma missa em Arruda dos Vinhos, na qual eu participava. Na altura da comunhão começa uma conversa, em voz baixa, entre o padre e o sacristão; após a conversa a Missa prosseguiu sem que tenha sido dada a Comunhão. Mais tarde vim a saber o que se tinha passado: a irmã do padre tinha levado a chave do sacrário para pôr na boca duma pessoa que tinha a "espinhela caída".

SdB (I)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

12 de Maio


(fotografia tirada da net)


Foi hoje, mas há dez anos, que assisti pela primeira vez, ao vivo, à procissão das velas em Fátima. O meu tempo era particularmente difícil e, como o escrevi várias vezes, pouco me motivava a ir. A vida, no entanto, está cheia de armadilhas - ou talvez a excursão fosse mais uma das partidas que Deus me pregou. Aos meus ombros - e pela primeira vez, tal como eu - ia uma criança. Desde esse distante doze de maio de dois mil e um que essa criança não perde uma única procissão. Só que agora vive num bem de dimensão superior e, na fé que Deus me deu a Graça de ter, sei que assiste de mão dada com Nossa Senhora. Talvez mesmo ao colo, sei lá eu...

Cada um dos peregrinos que vai a Fátima procura alguma coisa: a curiosidade sociológica, o recolhimento da alma, o agradecimento de uma dádiva ou o pedido de um favor, o aconchego de uma multidão que olha para o mesmo ponto no horizonte. Muitos haverá que, sem o saberem, talvez procurem um milagre para as suas vidas. Todos os dias, a todo o momento, podemos sentir esse milagre. Basta estar atento aos sinais.

Até já, para os que irão a Fátima - em espírito ou em corpo.

JdB


Os milagres existem, Inês? E como os caracterizamos? Um dicionário diria que milagre é um acontecimento contrário às leis estabelecidas da natureza e atribuído a uma causa sobrenatural. Mas diz também que é um acontecimento que espanta (e a origem latina da palavra vem desta expressão) ou maravilha. A vitória do Homem sobre uma doença que parece incurável é um milagre? A capacidade que nós temos de mudar a nossa vida e de a encaramos de outra forma também é? A predisposição que passamos a ter para ajudar os outros ou a consciência que adquirimos de que a nossa felicidade tem de ser em função do próximo é um acontecimento que maravilha? Fui beneficiária de um milagre? As perguntas ficam no ar mas as respostas, essas, estão todas no meu coração. E, ao não sentir dúvidas de quais são, sinto que Deus, à Sua maneira, me pregou outra partida.

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