sábado, 31 de dezembro de 2011

Nota do editor e dono do estabelecimento

Não me atirarei à resenha o ano, que há quem faça esse trabalho de forma eficiente e criativa. 

Todos nós olharemos para 2011 vislumbrando (quase) tudo - momentos de alegria e tristeza, vitórias e desaires. As proporções serão diferentes para os que me lêem, porque há anos mais aziagos, mais fagueiros, mais empolgantes, mais tristes. Olho para o microcosmos representado pelos que frequentam este estabelecimento e descubro tudo isso: gente que acaba o ano com mais tristeza ou mais preocupação, com esperança em fases novas da sua vida profissional, com uma saúde que vai dando mais trabalho, com o mundo quase todo pela frente.

Hoje tinha na minha caixa de correio uma frase no mínimo curiosa, tirada de um diálogo d' A Irmandade do Anel (J.K.R Tolkien):

- A nós não nos cabe decidir o que acontece! Tudo o que nos cabe decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado.

Para todos os que me lêem, ou que participam mais assiduamente no Adeus, até ao meu regresso...  desejo um Bom Ano de 2012. Todos sabemos que será um ano difícil, pelo que as nossas características humanas serão mais postas à prova.

Obrigado a todos pela colaboração que permite manter o espaço aberto.

JdB


Pensamentos impensados


Metamorfoses
Vi, na TV, um programa sobre a Grande Barreira da Austrália, onde era mostrado um peixe que mudava de sexo; não me lembro do nome do animal mas era qualquer coisa Castelo Branco. Não percebi porque mudava de sexo; talvez por estar farto de ser o que era, ou talvez por ir a alguma festa onde havia muitos peixes do seu sexo.
 
Tonturas
Sempre me fez confusão ver pombos no alto dos prédios, a olhar cá para baixo, e não terem vertigens.
 
Sopros
O Euro é um vento que sopra na Grécia. Dado o descalabro em que a Grécia se encontra, vai ser produzido o filme E tudo o euro levou.
 
Tédio
Há tempos tive de ir a um hospital para fazer vários exames; a páginas tantas diz-me uma enfermeira: tem aqui esta aguinha para bocejar.
 
Serei eu?
Quando estou deitado sou comprido, quando estou em pé sou alto.

SdB (I)
 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Um Rapaz no Inverno a Sonhar o Sol


para quem nunca havia escrito poesia
o desafio parecia próprio para gigantes
arriscar desfilar o íntimo fio dos dias
era uma mão de poker e das grandes.

mais de cem poemas cem aqui publicados
decerto noventa deles sem qualquer valor
para os cânones ou para gostos delicados
(mas olhem que falhar pode ser ainda amor).

dos dez restantes em números redondos
cinco entrariam em livrinho bem modesto
outros quatro fariam o papel de bombos
quando misturados com poesia de préstimo.

resta um apenas que talvez o panteão mereça
das coisas que comovem almas e coração
erguendo do árido solo a golpes de beleza
uma alquímica fusão de inteligência e emoção.

se algum dia publicar um livro de poesia
numa editora de vão de escada em saigão
saibam que me lembrarei com alegria
de vós, meus primeiros leitores de ocasião.

à maneira renascentista, tendo estoutro joão
como anfitrião nesta arcádia viva e actualizada,
combatendo ferozmente o império da razão
que nos conduz velozmente ao inferno do nada,

que nos subtrai sentido, desígnio e ventura.
antes morrer de pé a combater com a caneta
do que ajoelhar perante esta nova ditadura
do sacrossanto mercado e da sua tinta preta.

a poesia é afinal o quê? coragem de matar
a morte em vida e de louvar pela linguagem
o termos tido a ousadia de usar e de abusar
viver com garbo e brilho nesta eterna viagem.


136 poemas depois, quase 3 anos depois, é altura de parar. Sem outra razão que não a de que porque sim. Sem outra obrigação que não a que decorre de um pequeno imperativo interior, que a isso aconselha.

Comecei a ler poesia depois dos 30 anos. Comecei a escrever poesia depois dos 35 anos. Insondáveis são os desígnios. Mas, em tempo de vertigem e de velocidade, é capaz de ser boa ideia aceitar que não há um tempo, muito menos o tempo - antes uma complexa constelação de tempos subjectivos. Temos que o domar, ou pelo menos temos que o tentar domar, de quando em vez. Mas, na maior parte das vezes, há, simplesmente, que deixá-lo fazer o seu caminho, bem no centro de nós, bem dentro daquilo que somos. 136 poemas (ou arremedos de poemas, ou esboços poéticos, ou esquissos de poemas, ou fragmentos poéticos, como preferirem) depois, é altura de descansar um bocadinho.

Muito obrigado a todas e a todos vós, leitores regulares ou leitores de passagem, que se dignaram passar os olhos e os sentidos, pelas palavras que fui escrevendo, semeando nesta terra, deitando ao vento que nos é comum. Se é inegável que toda esta poesia teve muito de pessoal - no sentido de que evocou e esconjurou questões íntimas daquele que as escreveu -, também foi verdade que tentei dar-lhes um sopro mais abrangente. Porque a verdadeira poesia fala de todos e para todos, não se limitando a um mero solilóquio, mais ou menos catártico, mais ou menos confessionalista. A magia, em toda a literatura que se cumpre, acontece quando os dois planos se intersectam – quando eu que escrevo sou já tu que me lês.

Talvez estes poemas, um dia, assumam a forma de um livro. Se assim for, o seu título será “Um Rapaz no Inverno”.  Depois de um blogue chamado “Flores de Inverno” e de um programa de rádio chamado “Estação de Inverno”, será a forma de, naturalmente, encerrarmos um ciclo, mantendo o seu sentido original, a sua razão de ser última (e que, com vossa permissão, ficará comigo).

Um obrigado muito especial ao desafiante dono, disciplinado editor e sempre gentil anfitrião deste espaço. Se mais houvessem, e não falo apenas do mundo virtual, mas sim também da dimensão física, lá/cá fora, decerto que teríamos um mundo mais rico, mais respeitador da diversidade, mais humano, mais decente. Bem-haja, mestre e amigo JdB.

Disse uma senhora, em tempos: “atentai, esfomeados do mundo: olhem que a poesia também alimenta!”. Chamava-se Natália Correia. Disse, mais recentemente, um poeta cujo nome me escapa: “a poesia é uma doença que não se deseja a ninguém”. Como todos os seres complexos, oscilo entre uma e outra, na eterna dúvida. Mas, cá entre nós, suspeito que a verdade verdadeira estará na conjugação de ambas..

Foi, acreditem, um enorme prazer e uma honra estar aqui, deste lado, e ter-vos aí, desse lado.

Que 2012 seja, para todos vós, para todos nós, um ano de alegria. E  de coragem. E de discernimento. E de compaixão. E de Amor.

Como dizia outro alguém: amigas e amigos, generosos leitoras e leitores, “adeus e (talvez, um dia) até ao meu regresso..”.

Aceitem as flores gratas e gentis, do


Gi.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Deixa-me rir...

Caros audiophiles, I hope everyone enjoyed um Feliz Natal. After the festivities I was driving back to my home in London the other night and heard this song on the radio. I have never heard of these artists, Submotion Orchestra, and can find very little about them on the internet. But I like the feel of the song, so here it is:



I wish you um prospero Ano Novo 2012.


 PO

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ponto de Vírgula


   Variado sortimento de bebidas, sorvete para as famílias na hora dos passeios à tarde pela nova avenida da praia e na saída dos cinemas, e, mais que tudo, os salgadinhos e os doces para as horas do aperitivo. Um detalhe aparentemente sem importância: os acarajés, os abarás, os bolinhos de mandioca e puba, as frigideiras de siri mole, de camarão e bacalhau, os doces de aipim, de milho. Tinha sido idéia de João Fulgêncio:
     - Por que você não faz para vender no bar? - perguntara um dia, mastigando um acarajé da velha Filomena, preparado para o prazer exclusivo do árabe amante da boa mesa.
     No começo, apenas os amigos se afreguesaram: a turma da Papelaria Modelo, vindo discutir ali após o fechamento do comércio, os amantes do gamão e das damas, e certos homens mais respeitáveis, como o juiz de direito e o dr. Mauricio, pouco dados a se mostrarem nos bares do porto de freqüência misturada, onde, não raro, explodiam rixas violentas com pancadaria e tiros de revólver. 
in Gabriela, Cravo e Canela, Jorge Amado


Spaghetti com Camarão e Amêndoas

 

Ingredientes:

400g de massa (spaghetti, fettuccine, ...)
300g de camarão limpo 
2 tomates
150g de mussarela de búfala
100 gramas de amêndoas (cortadas em lâminas)
Manjericão
Manteiga
Azeite
Sal e pimenta a gosto

Preparação:

Prepare a massa normalmente, de preferência ‘al dente’. Enquanto prepara a massa: tempere o camarão com sal e pimenta a gosto, e reserve; fatie e reserve a mussarela de búfala; limpe, fatie (finamente) e reserve os tomates.
Torre as amêndoas laminadas com sal em lume médio e reserve, use uma frigideira. Despeje o camarão em 1l de água fervente, deixe-os a cozinhar por 3min.
Passe a massa na manteiga ou no azeite. Sele os tomates no azeite, e misture-os à massa. 
Sele os camarões no azeite, e também misture-os à massa. Misture os restantes ingredientes uniformemente, acrescentando o manjericão. 

Nota: receita tirada da internet  

MFM

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Duas últimas

Surpreendentes leitores,

Durante muito tempo, o Max era, para mim, o homem que cantava A mula da cooperativa ou o Casei com uma velha / da ponta do suoli / o raio da velha rasgou-me o lençuoli... Tinha, portanto, uma valência cómica. 

Mais tarde vim a descobrir um Max fadista - e também autor - que muito aprecio, nesta minha apetência musical, quiçá bizarra, de escutar as melodias de sempre. Perdi a paciência para a comicidade madeirense, privilegiando outras facetas de mais bom gosto.

À hora a que me escutarem hoje (os sobreviventes que ainda visitam este estabelecimento) estarei a voar - ou já terei aterrado - na ilha que viu nascer Maximiano de Sousa. Conto assistir ao celebérrimo fogo de artifício (para o ano a população contentar-se-á em levantar e agitar isqueiros bic numa ilusão de insularidade rica) e gozar uns dias de merecidas (desculpem-me a presunção) férias.

Deixo-vos com Max em dois fados, o último dos quais tem letra dele. Atentem no carácter nacionalista e bélico do Fado do Zé Ninguém, perante o olhar atento e vigilante de um dos ícones do 25 de Abril.

Relaxem e pensem em mim no Funchal. Se vos assaltar um pouco de inveja não se importem. No fundo é natural...

Façam o favor de ser felizes.

JdB     




Soldado que foste às sortes

Vai p’ro quartel, não te importes / Que lá, ninguém te faz mal
Não temas, que não te comem
Vais aprender a ser homem / P’ra defender Portugal

Se Deus quiser ainda hás-de voltar à terra
Mas se tiveres que ir p’ra guerra / Não temas, que és português
É teu dever saber viver como um forte
Não tenhas medo da morte / Que só se morre uma vez
Ó Zé ninguém que és militar
Se a pátria-mãe tu queres honrar
Segue o exemplo dum soldado com ralé
Que morreu e está num templo, mas ninguém sabe quem é

Soldado, lá na trincheira
Se vires o porta-bandeira / Tombar com ela no chão
Levanta-a logo, soldado
Num trapo verde-encarnado / Tu tens a pátria na mão

Que a pátria vem nessa bandeira imponente
Da côr do sol, do poente / Da côr do mar e da esperança
Defende-a bem, p’ra isso tens a espingarda
E vestes aquela farda / Com que vencemos em França


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal do Senhor - Missa do Dia

EVANGELHO – Jo 1,1-18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

No princípio era o Verbo
e o Verbo estava com Deus
e o Verbo era Deus.
No princípio, Ele estava com Deus.
Tudo se fez por meio d’Ele
e sem Ele nada foi feito.
N’Ele estava a vida
e a vida era a luz dos homens.
A luz brilha nas trevas
e as trevas não a receberam.
Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João.
Veio como testemunha,
para dar testemunho da luz,
a fim de que todos acreditassem por meio dele.
Ele não era a luz,
mas veio para dar testemunho da luz.
O Verbo era a luz verdadeira,
que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem.
Estava no mundo
e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu.
Veio para o que era seu
e os seus não O receberam.
Mas, àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome,
deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.
Estes não nasceram do sangue,
nem da vontade da carne, nem da vontade do homem,
mas de Deus.
E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós.
Nós vimos a sua glória,
glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito,
cheio de graça e de verdade.
João dá testemunho d’Ele, exclamando:
«Era deste que eu dizia:
‘O que vem depois de mim passou à minha frente,
porque existia antes de mim’».
Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos
graça sobre graça.
Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés,
a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.
A Deus, nunca ninguém O viu.
O Filho Unigénito, que está no seio do Pai,
é que O deu a conhecer.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Pensamentos (im)pensados


Daqui, deste cantinho, desejo a todos os meus leitores um Santo Natal, centrado no nascimento do Menino Jesus e no presépio, e pondo de lado os "Pais Natais", renas e outros folclores. Portugal e o Mundo estão em crise que ninguém parece saber resolver. Mas há também uma profunda crise em Portugal a que nós podemos dar uma volta: é a crise de valores. Os valores éticos, morais, financeiros, etc. parece terem sido atirados às malvas; a nossa identidade cada vez se esfuma mais. 
Façamos algo por Portugal.

SdB (I)

Natal do Senhor - Missa da Meia-noite

EVANGELHO – Lc 2,1-14

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto,
para ser recenseada toda a terra.
Este primeiro recenseamento efectuou-se
quando Quirino era governador da Síria.
Todos se foram recensear, cada um à sua cidade.
José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré,
à Judeia, à cidade de David, chamada Belém,
por ser da casa e da descendência de David,
a fim de se recensear com Maria, sua esposa,
que estava para ser mãe.
Enquanto ali se encontravam,
chegou o dia de ela dar à luz
e teve o seu Filho primogénito.
Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura,
porque não havia lugar para eles na hospedaria.
Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos
e guardavam de noite os rebanhos.
O Anjo do Senhor aproximou-se deles
e a glória do Senhor cercou-os de luz;
e eles tiveram grande medo.
Disse-lhes o Anjo: «Não temais,
porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo:
nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador,
que é Cristo Senhor.
Isto vos servirá de sinal:
encontrareis um Menino recém-nascido,
envolto em panos e deitado numa manjedoura».
Imediatamente juntou-se ao Anjo
uma multidão do exército celeste,
que louvava a Deus, dizendo:
«Glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens por Ele amados».

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

breve blague melancólica, com espelhos algures


(na rádio, os strange mirrors, cantam ‘somewhere’)

e é como se a melhor canção dos nossos anos oitenta
tivesse sido gravada hoje - exactamente hoje.

espanto, caríssimo leitor? nenhum de nenhum.

afinal, também ficou gravado lá atrás - nesses ínclitos anos oitenta -
o melhor do melhor do nosso século vinte e um.

gi.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Moleskine

Urgências. Por motivos irrelevantes para o presente escrito, há duas semanas estive nas urgências do hospital de Santa Maria. Fui como acompanhante e quedei-me por lá entre as 15.30h e as 20.30h. A visita às urgências de um hospital civil pode ter vários olhares: a escassez dos meios, a demora para consultas e exames complementares, a exiguidade do espaço que transforma a arrumação das macas num tetris humano, o mais que certo descontentamento do pessoal médico e seus derivados. Mas há uma dimensão que não se deve perder - a do relativo abandono a que são votados os que lá entram: gente normalmente com poucas posses, pouca instrução, pouca rede social, apoiados no seu desconforto por quem está ao lado a viver outro desconforto, porque pouca gente aparece para ter uma palavra de carinho. Num balcão, onde as informações convivem com os curativos, alguém dava indicações a uma idosa: vira aqui à esquerda, depois na segunda à direita, entra por um corredor e segue em frente, quando já não conseguir andar mais é aí... Temi o pior, porque já não conseguir andar mais é um conceito subjectivo para um ancião. É uma parede ou uma exaustão?

Acreditar. Realizou-se no passado sábado a festa de Natal da Acreditar. O recinto era bom e confortável, a casa estava cheia, o ritmo foi bom e os artistas mantiveram uma boa animação. Havia muitas crianças, algumas das quais evidenciavam os sinais da doença que as afecta. Vi muitas com energia, a quererem participar na festa, inchadas, sem cabelo, com menor mobilidade. Cruzei-me com dois ou três Pais que já passaram por isto e que se mantêm na Associação (seja em que condição for) porque dos grandes dramas também se faz o sentido para a vida. Que eu tenha sempre o discernimento de olhar para estes Pais e não me escassear a admiração, de olhar para estas crianças e não me faltar a disponibilidade. 

Discos de amigos. Reproduzo parte do que vem no site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura: O cancioneiro popular português é a matriz da colectânea de canções de Natal reunidas no mais recente CD do Coro Gulbenkian, dirigido pelo maestro Jorge Matta. As harmonizações foram compostas por Lopes Graça, Croner de Vasconcellos, Sampayo Ribeiro e Eurico Carrapatoso, entre outros. Sou amigo do Jorge, mas não precisava de o ser para garantir a qualidade do disco.


Votos. Já o escrevi noutro local: todo este tempo nos convida – talvez mesmo nos incite - à Alegria. Não a um contentamento saltitante, feito de coisas onde o Amor não tem lugar porque o olhar autocentrado ocupou tudo, mas à Alegria, expressão que se confunde, etimologicamente, com dar vida a. É esta Alegria, que se traduz num sorriso, num abraço, numas pazes que se fazem, num orgulho que se engole, numa tolerância que se evidencia, que desejo a todos os meus fiéis e surpreendentes leitores mas, sobretudo, aos meus colegas bloguistas que ajudam a manter este espaço vivo, com qualidade e diversidade. Um Santo Natal para todos!
        


JdB

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Diário de uma astróloga – [15] – 21 de Dezembro de 2011


Capricórnio

Amanhã começa oficialmente o Inverno e o Sol, no seu movimento aparente, entra no signo de Capricórnio.
 
Os nossos antepassados passavam muito tempo a olhar para o céu e desenhavam as constelações unindo as estrelas, tal como as crianças fazem naqueles desenhos com números, com resultados mais ou menos claros para os meus olhos.

Há vários símbolos de Capricórnio, mas penso que é a cabra montês no cimo da montanha o que melhor reflecte as qualidades deste signo. Quando encontrei esta fotografia e olhei para a constelação,  pensei…. “foi isto que eles viram!”



A necessidade arquetipal de Capricórnio é a de atingir a meta, de chegar ao cimo com sucesso, aliada a uma procura de perfeição, de excelência. A cabra para vencer a montanha tem que ultrapassar toda a espécie de dificuldades, endurece no percurso, aprende paciência e a viver com pouco. 

As pessoas com muito energia capricorniana são diligentes, aplicadas na procura da qualidade e exigentes consigo próprios e, muitas vezes, com ou outros. Se por acaso gostam de cozinhar são excelentes chefes, porque esperam pacientemente que tudo apure até à perfeição e não se contentam com o “assim-assim”.

O Capricórnio é o gestor do zodíaco: ordem, autoridade, capacidade de planeamento, cumprimento de prazos, são características muito próprias. Têm que ter algum cuidado para não se tornarem obsessivos, demasiado rígidos, intolerantes e severos. 

Levam-se muito a sério e, por isso, podem parecer pesados e formais. Nascem adultos e, com o passar dos anos, tornam-se mais leves, menos controlados, porque à medida que vão atingindo os seus objectivos perdem o medo de não serem capazes de chegar à meta.

Por ser o signo de terra tem grande afinidade com as limitações materiais. Quando vê só limitações e obstáculos pode-se tornar pessimista e depressivo. Por ser um signo cardinal tem grande capacidade de liderança e iniciativa (ponderada) mas cuidado para não se tornar também o chefe, o líder, o superior em situações que requerem proximidade emocional. Por ser um signo universal sente o peso do mundo e tem consciência da sua posição na sociedade.

Responsabilidade, disciplina, meritocracia, “faz a cama a deita-te nela”, prestar contas, são características da energia capricorniana. A expressão americana “the buck stops here” é ilustrativa do Capricórnio. Estão muito à vontade com regras, procedimentos e limites. Gostam pouco do cinzento, preferem ou branco ou preto.

Nada disto parece divertido, e muitos Capricórnios têm dificuldade em ser brincalhões mas, por outro lado, têm uma boa possibilidade de atingir sabedoria, como definida pela Sociedade Budista: a transformação do saber intelectual em experiência real e pessoal. Não é “ver” a verdade mas sim “ver” as coisas como elas são realmente e isto só acontece com experiência directa. Por isso é muito útil escalar a montanha como uma cabra solitária, com a experiência de pedras escorregadias, inclinadas… difíceis.  

Há uns anos, estava eu a ler no terraço de um bloco de apartamentos em Washington quando uma jovem apareceu com um ar profundamente chateado. Ela tinha-me dito que nesse dia ia fazer o exame prático de carta de moto. Perguntei-lhe como tinha corrido. “Mal” - respondeu, “não me deixaram fazer o exame porque o examinador me viu chegar de moto. Deu-me logo a carta. Eu que tinha treinado todas manobras durante horas!” – lamentou-se a jovem capricórnio, frustrada com a solução de facilidade.

Lembro que todos nós temos um pouco de capricórnio, mas as pessoas com o Sol, a Lua ou o Ascendente nesse signo exprimem-no mais intensamente. Pessoas como meu filho, que tem a lua em capricórnio. Lua na carta do céu é o símbolo da mãe, consequentemente de mim. Já adulto, perguntei-lhe o que mais tinha apreciado em mim e na educação que lhe dei. A resposta foi puro capricórnio:  A Mãe gere recursos muito bem, consegue maximizá-los, com pouca coisa faz muito”. Uma resposta que só uma mãe com ascendente em capricórnio aprecia.

Termino celebrando alguns Capricórnios (refiro-me aqui aos que têm Sol em Capricórnio): parabéns ao JdB, homem à procura de sabedoria, organizador por excelência que, quando falha um prazo de um post, escreve : “O editor e dono do estabelecimento, sempre obsessivo com a pontualidade, coloca uma mão faltosa num peito contristado”. Parabéns  à minha amiga joalheira, que trabalha no dia-a-dia com as limitações da matéria, moldando materiais valiosos com persistência e esforço na procura da perfeição. Parabéns à minha amiga italiana, cujo espírito não pára de subir às montanhas apesar do corpo a ter atraiçoado imobilizando-a numa cadeira de rodas.

Retomo a Astrologia da Crise – O que fazer? no próximo post e até lá um Bom Natal para todos com Paz, Alegria e Amor.

Luiza Azancot

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Duas últimas


Morreu no sábado passado Cesária Évora, verdadeira alma musical de Cabo Verde e principal responsável pela grande divulgação e projecção alcançadas pela morna, o mais importante género musical e de dança desse arquipélago.

Em sua homenagem, escolhi este dueto com Mayra Andrade, uma cabo-verdiana da nova geração quase com idade para ser neta de Cesária, num espectáculo realizado há pouco mais de um ano em Pequim. 

Gosto da música e dos ritmos e cadências africanos, e da morna em particular, do seu vagar e romantismo, e Cesária Évora é uma excelente representante e interprete de tudo isso.

Espero que gostem!

fq


Acerca de mim

Arquivo do blogue