domingo, 30 de novembro de 2014

I Domingo do Advento

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 13, 33-37)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!».

*** 

Acautelai-vos e vigiai!”

“Acautelai-vos e vigiai”. O que é que isto pode significar? O Advento caracteriza-se pela vigilância, por esta atitude espiritual de atenção.
Porque é que os cristãos, por volta do século IV, estabeleceram a comemoração do nascimento de Jesus Cristo no dia 25 de Dezembro? Porque quiseram dar um sentido novo à festa que os pagãos celebravam por esta altura em honra do Sol vitorioso: eles tinham percebido que, a partir do solstício de Inverno, os dias que tinham diminuído continuamente recomeçavam a crescer, o que era sinal da vitória do Sol, da vitória da luz! Ora, para nós, cristãos, Jesus Cristo é o nosso Sol, a nossa Luz! Porque é através d’ Ele que a justiça e a misericórdia de Deus se cumprem no mundo. Mas é por isso também que somos chamados a viver em Advento, numa atitude de vigilância e expectativa constantes – e não só interiormente, mas também pela forma como estamos e agimos no mundo, promovendo dia a dia, em tudo e no encontro com todos, essa madrugada eterna que nos cabe anunciar!


D. Manuel Clemente (2014), O Evangelho e a Vida. Conversas na rádio no Dia do Senhor. Ano B. Lucerna: Cascais, 9-10

sábado, 29 de novembro de 2014

Pensamentos Impensados

Borla vs. balúrdio
Sócrates diz-se alvo de humilhação gratuita; sorte a dele.
Graças principalmente a Sócrates, Portugal viu-se envolvido numa humilhação bem onerosa, ao ter que Estender a mão para que o salvassem de uma bancarrota vergonhosa.

Quem com ferro mata
Os atacadores, durante muitos anos atacaram, até que foram atacados pelos mocassinos.
 
Tripas à moda do Porto
Fazer das tripas colação.
 
Poderes
Os recursos, aos tribunais, são recursos de quem tem muitos recursos.
 
Futebois
Os testas de ferro serão bons a marcar golos de cabeça?
 
Bom português
Luso-portuguesa será pleonasmo? A água do Luso é luso-portuguesa.
 
Litracias
O Rei Salomão teve uma vida amorosa assinalável. A esse propósito, Eça de Queirós escreveu As Meninas de Salomão.
 
Bifinhos
Os talhos, na Estremadura, venderão carne tenrinha?

SdB (I)

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Duas Últimas

Até há alguns dias nada sabia de música guineense. Em bom rigor, nada me motivava a saber alguma coisa sobre música guineense. Até que, num acto de zapping que nunca deslustra e sempre cultiva, nos confrontamos com a RTP África, a passar um programa sobre música guineense - aquela que não conhecia nem me interessava.

Gostei, confesso. A cantora não tem uma voz fabulosa mas é interessante e canta bem. Não faço ideia se é música moderna, se nada tem a ver com a tradicional, se é experimental, livre ou de fusão.

Oiçam e apreciem. Karyna Gomes, uma mulher da Guiné. For your delight.

E como o Cante Alentejano é, desde ontem, Património Imaterial da Humanidade, aqui vai uma amostra - com António Zambujo, artista deste estabelecimento.

JdB



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Pensamentos Impensados (Especial Sócrates)


Bom filho à casa torna
José Sócrates inaugurou o Campus de Justiça e a prisão de Évora.
Será uma romagem de saudade? Não deixa de ser irónico.

Antídotos
Não há vacina para o Ébola. Também não há para Évora.

Alfaiatice 
A prisão à chegada a Lisboa, no Aeroporto, tem pano para "manga".

Canções
Luis Piçarra já não poderia cantar Eu Não Sei Que Tenho em Évora.

Coacções
Um amigo, que já cá não está, a propósito de determinadas prisões dizia arrecadado por desconfiança certa.

Patrocinadores
No final dos noticiários das televisões costuma aparecer este programa teve ajuda à produção de...
Os noticiários dos últimos dias poderiam dizer este programa teve ajuda à produção de José Sócrates.

Zé pagante
Segundo tudo leva a crer, Sócrates tem milhões obtidos ilegalmente.
Por isso não percebo por que é que eu tenho de pagar a sua cama, mesa e roupa lavada.

Aumentativos
Ouvi Mário Soares dizer que Sócrates é uma grande figura; se um grande homem é um homenzarrão, uma grande figura é um figurão.

SdB (I)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

há homens que sabem de cor


trazia bordado ao peito, espécie de costura invisível, 
uma espécie de subterrâneo rosário feito de contas 
feitas de memórias feitas de todos os seus mortos. 

quando olhava as rugas a aflorarem o corpo outrora 
perfeito, nada nessa topografia de pele e de osso 
dava testemunho da cicatriz que nunca o abandonava.

há homens que são catedrais andantes, carregando consigo 
a luz das estrelas reflectida na íris dos seus olhos fundos
e as pedras tumulares de todos aqueles que um dia amaram.

há homens que sabem de cor todas as nervuras de todos os corações.


gi.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Da arquitectura do coração

Toronto, Outubro de 2014


Recupero parte de um raciocínio que não é inteiramente meu, mas sobre o qual me apetece discorrer.

Imaginemo-nos, ao nível da nossa vida mais intangível - sensações, sentimentos, afeições, humores - como uma cidade. Façamo-lo sob o ponto de vista da arquitectura e da construção civil, sendo que poderemos não excluir outros. Como se desenvolve uma cidade nos dias de hoje? Destruindo e reconstruindo, edificando ao lado do existente, aproveitando o que existe, para aumentar. Podemos construir um condomínio de luxo nos escombros do que foi um cemitério? Sim, podemos, mas temos custos de emoção. Podemos deitar abaixo um prédio fora de moda, apesar do seu valor histórico, para mostrar à polis uma arquitectura nova? Sim, podemos. Podemos aumentar andares numa edificação existente? Sim, podemos. Podemos construir ao lado do que existe? Sim, podemos.

A nossa vida sentimental, no seu sentido mais amplo, é uma cidade moderna. Nem tudo se substitui, nem tudo se acrescenta. O equilíbrio do coração reside no equilíbrio da construção da cidade, em saber o que deve demolir-se, o que pode conviver, sobre que escombros podemos fazer renascer um palacete ou uma habitação social, porque falamos de riqueza ou de sobrevivência. Por vezes acumulamos, isto é, acrescentamos um andar ao que já existe, e que tem a sua importância relativa. Por vezes é necessário uma visão de retoque, outras vezes de melhoria disruptiva.

Perceber tudo isto é viver melhor, porque o coração também vive de arquitectura paisagística.

***     

O raciocínio acima é fortemente original? Talvez não, porque é um raciocínio intuído. Sabemos que o segredo da nossa vida intangível passa pela acumulação e substituição em doses equilibradas de sentimentos, relações, memórias. Perceber esta realidade, traduzi-la por palavras escritas ou faladas, ajuda em quê? Para que serve, em última análise, ter uma explicação para o que somos ou fazemos? Somos mais felizes se soubermos as motivações por trás disto ou daquilo, se soubermos a importância da sobreposição de camadas afectivas, se soubermos que os nossos equilíbrios se constituem, tantas e tantas vezes, por aquilo que aparenta antagonismo? Dar um nome às coisas faz de nós pessoas melhores / mais felizes / mais equilibradas? Ou como se costuma dizer, a ignorância pode ser uma benção? Se sim, então a terapia deveria ser subsidiada pelo que resta do serviço nacional de saúde.

JdB

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Dos diversos

Istambul, Junho 2014

No romance homónimo de Jane Austen, Emma falha os vários prognósticos amorosos de gente que anda de volta dela. John Cage compôs uma obra experimental, a que chamou 4'33", que se resumia a ausência de som. Todo o teatro tem os seus momentos de pausa.

Emma só fala verdade quando está calada, porque ao falar desacerta nas suas certezas sobre quem ama quem. John Cage não mostra o silêncio, mas o ruído ambiente. As pausas no teatro não se destinam a não ser nada, mas a ser outra coisa.

Talvez vivamos demasiado das coisas óbvias - arriscar-me-ia a dizer positivas - porque são essas que nos prendem mais os sentidos. E no entanto talvez a solução de muitos mistérios esteja na observação intensa e cuidada do que é o inverso da palavra, da música, da fala do actor. Talvez o segredo para muitos enigmas esteja no silêncio da emma que somos todos nós, na escuta do ruído ambiente, nas pausas com que contemplamos o nosso íntimo.

***

Há algumas semanas fui ver com amigos Os gatos não têm vertigens. No fim, naqueles cinco minutos de comentários finais (neste caso elogiosos) todos falaram da cena final, em que a protagonista (cujo nome não me lembro) morre e vai ao encontro do seu marido. A mim, que me falta talvez o silêncio, só me ocorreu que aquilo não representava a morte. Perante uma espécie de espanto e horror dos meus companheiros, não consegui verbalizar a minha teoria. A última cena não é a morte. É apenas a paz. É isso que eu vejo naquele final, e não serei preso por isso...

JdB


domingo, 23 de novembro de 2014

XXXIV Domingo do Tempo Comum

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (25, 31-36)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão na sua presença e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes; não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’. Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos? Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’. E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’. Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos. Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’. Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’. E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’. Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna». Palavra da Salvação

***

“Eu peso aquilo que amo”

Eu valho aquilo que amo. No fim, só conta o amor. O que há de pesar é o que eu fui para os outros em termos de acolhimento, em termos de ajuda, em termos de colaboração…o que eu sou para os outros, concretamente.
A simplicidade, a pureza, a purificação (a que está ligada também a ideia do purgatório) e que o Evangelho nos exige é uma coisa só e essa é o amor. E começa aqui, nesta vida…É preciso irmo-nos purificando, para nos tornarmos simples. É preciso crescer no amor. O amor é a caridade, é a minha relação com Deus e com os outros, que Jesus, neste Evangelho, apresenta quase como uma coisa só.
O julgamento do mundo com que somos confrontados agora, no fim do ano litúrgico, este aceno ao fim da nossa própria vida diante de Cristo, é para realizar já, neste sentido: a nossa vida vai-se salvando agora, na medida em que se transforma em amor. Da parte de Deus não há nenhum obstáculo à nossa salvação: Deus dá-nos Jesus Cristo, seu Filho, que é fonte de luz e de graça para nós. Mas, porque Jesus Cristo nos foi dado, é maior a nossa responsabilidade…depende de cada um de nós corresponder cada vez mais e melhor àquilo que Deus é: amor, entrega, doação.


D. Manuel Clemente (2013), O Evangelho e a vida. Conversas na rádio no Dia do Senhor. Cascais: Lucerna, 304-305.

sábado, 22 de novembro de 2014

Pensamentos Impensados

Alfa e Omega
Mal concebido e mal parido, embora sejam o oposto, querem dizer a mesma coisa.
 
Futebois
Para se perceber o fora de jogo é preciso estar dentro do assunto.
 
Mais aborto
Segundo julgo perceber, uma das preocupações do aborto ortográfico, é suprimir letras.
Aqui vão algumas achegas: Face-faç - alface- alfaç - tique-tic - basbaque- basbac - batoque-batoc.
 
Genealogias
Ricardo Salgado terá antepassados Saxe? Pelo menos a sua divisa é saque-se.
 
Fases
Quem me dera que o meu quarto fosse crescente; é tão pequeno!
 
Sinaléticas
Uma vírgula mal posta pode ser um apóstrofe.
 
Tradu...sons
Um jornal inglês publicou a seguinte notícia sobre Portugal: 
High frames went inside o que quere dizer altos quadros foram dentro.

SdB (I)

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Duas Últimas

Sou um amante tardio de ópera - e mesmo assim com reservas. Não tenho ideia de se ouvir em minha casa e nunca criei oportunidades para ir ver um espectáculo. Talvez me lembre da primeira ópera a que assisti: Madame Butterfly, no Coliseu de Lisboa, há dez anos, talvez. Atrás de mim estava um amigo  - com quem me cruzei por acaso - que passou o tempo todo a contar a história a uma sobrinha... Penso que é uma ópera "fácil". Há dois ou três anos fui assistir a duas óperas ao S. Carlos. Mais do que ter gostado, gostei de ter gostado.

Um destes dias lanchava com um amigo que me falou neste tenor. O nome, curiosamente, assemelha-se a um que me é bastante familiar. Os elogios foram mais do que muitos. Para que eu não me esquecesse de ver, mandou-me o link abaixo. Partilho, num dia de pouca inspiração e algum cansaço. Mas agradecido pela apresentação deste maltês. Desfrutem, em querendo. Mas com som alto, em podendo. E digam o que acharam, que a minha sabedoria é pouca.

E vai ainda, à laia de oferta generosa, duas outra músicas de que gosto muito.

JdB





quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Do tempo real

- Compadre! Sabe como se chamam os habitantes de Évora?
- Todos todos na sê!

***

Antes de se ter inventado, nas suas múltiplas vertentes, o conceito de tempo real, já existia o conceito de tempo real - eram os maçadores. Esta ideia de tempo real está mais divulgada como operações que são executadas e mostradas no exacto instante em que ocorrem. Podemos falar de uma videoconferência, mas podemos falar de um programa de televisão em directo.

A anedota acima talvez seja, de entre as divertidas que vou ouvindo, a mais curta. Nunca uma anedota - género humorístico que deveria ser usado parcimoniosamente, como o tamarindo - atingiu um patamar tão elevado na relação custo benefício: é curta e faz rir. Mais do que isto maça e prejudica a saudável relação entre as pessoas que se querem bem.

Ora, se imaginarmos este diálogo em tempo real, e não como anedota contada ao café, ele demora mais tempo. Dois velhos reformados à sombra do toldo no café central local, uma mão lenta a enxotar as moscas na fase poisante, o cumprimento à vizinha, o cigarro que se acende, a pergunta que se faz e a resposta por que se espera. Ia dizer anseia, mas talvez seja demais. Há, no diálogo, um vagar que o Saint-Exupery apreciaria. 

Um homem saudável, no domínio das suas funções cerebrais - pelo menos essas - conta a anedota em 10 ou 15 segundos. O maçador socorre-se do conceito de tempo real e torna-se num manoel de oliveira da tradição oral. Enquadra, agita os braços, corrige a anedota a meio (o que será o meio de uma piada com duas frases) indaga se os presentes imaginariam a temperatura, faz alusões jocosas aos possíveis nomes dos intervenientes. Quando chega ao fim, há cortes de veias e esgares de ódio. Mas ele - o maçador - usou em pleno o conceito de tempo real, porque a anedota, na sua mente, demorou o mesmo tempo que o diálogo entre os velhos, com o toldo, a sombra, a mosca e o vagar de tudo...

Escusado será dizer que o raciocínio se aplica igualmente ao contar de histórias. Enquadrar uma história sobre o avô que bebeu, a tia que caiu ou o primo que era herói é enquadrar uma história brevemente. Não precisamos do tempo real, da lentidão com que o vizinho empurrava o barco, do cão que ladrava, do gelado que derretia nas mãos de uma criança feliz ao longe. Enquadrar é enquadrar, porque uma história não tem - nem deve ser - uma ópera de Wagner.

Quando perceberem que eu agarrei o conceito de tempo real dêem-me uma palmada nas costas. Se eu não reagir, batam-me com uma pá de ferro. Obrigado.

JdB  

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Diário de uma astróloga – [91] – 19 de Novembro de 2014

As agências de espionagem não sabem astrologia

No fim-de-semana passado assisti a um simpósio intitulado “Ficção e Realidade: para além do Big Brother”, que teve lugar no CCB e no Centro de Congressos do Estoril. Tinha suspeitas de que o cenário pintado por George Orwell em 1949 no livro “1984” era a realidade actual, mas saí de lá convicta de que vivemos numa sociedade em que os poderes institucionais, sob a capa da protecção, espiam todas as nossas comunicações telefónicas e internéticas .


Os grandes protagonistas deste tema, Julian Assange e Edward Snowden não podiam estar presentes, porque os seus movimentos estão muito limitados pela “justiça” internacional. Julian Assange, australiano, fundador e principal divulgador da WikiLeaks, está refugiado há dois anos na Embaixada do Equador em Londres, onde polícias, que custam 10.000 libras por dia aos cidadãos britânicos, patrulham a entrada para o deterem, caso saia à rua, e filmam quem entra. Mesmo assim, esteve no simpósio via vídeo conferência.  


A Edward Snowden, americano de nascimento, foi-lhe retirado o passaporte depois das revelações que fez sobre vigilância global, em que prova que qualquer pessoa que use a internet, que tenha um telefone portátil, que pague com cartão de crédito está sujeita a ser espiada, quer seja criminosa quer não. Se têm dúvidas, perguntem a Angela Merkel!  Como consequência, Snowden não pode sair da Rússia.

As agências de “vigilância” têm com certeza triliões de yobibytes de informação, sabem imensas coisas, presumivelmente sendo a maior parte irrelevante, mas de certeza que não sabem nada de astrologia.

Edward Snowden vem de uma família que sempre trabalhou para o governo dos EUA e seguiu os seus passos. Sendo um informático extraordinário, trabalhou na área das comunicações internéticas durante alguns anos inclusivamente para a CIA. Começou a não acreditar no sistema que julgava defender no seu trabalho diário, porém o clique final deu-se em Março de 2013, quando ouviu o Director of National Intelligence, James Clapper, mentir ao congresso sob juramento. Três meses depois todo o mundo sabia quem era Snowden e a extensão da “vigilância” norte americana.

Edward Snowden tem na sua carta natal dois planetas, Júpiter e Úrano, numa conjunção muito próxima. Este aspecto é resumido assim por Sue Tompkins no seu livro “Aspects in Astrology”:
Grandes ideias radicais - Integração da fé com a verdade - Mudança de convicções - Acreditar na liberdade - Viagens repentinas

As energias da carta do céu de qualquer pessoa têm expressões mais ou menos fortes consoante o lugar no mundo onde estamos.  A zona do mundo onde Edward Snowden tinha maior hipótese de exprimir a sua conjunção Júpiter Úrano em Sagitário, é ao longo do meridiano onde Júpiter e Úrano estão no meio do céu (MC).  Esse meridiano vem dos confins do Alasca e atravessa todo o Oceano Pacífico. Todo o Oceano Pacífico?



Não….  passa por uns pontinhos assinalados  por mim a vermelho e que são as Ilhas do Havai. E foi no Havai que Edward Snowden, teve uma grande mudança de convicções e sentiu a necessidade de mostrar ao mundo a verdade sobre as acções de espionagem que os EUA levam a cabo. As revelações aos meios de comunicação internacionais foram verdadeiros actos de rebelião pública contra o sistema e também foi forçado repentinamente a abandonar o Havai. Quem o mandou para lá sabe provavelmente quantas vezes vou ao cabeleireiro por ano, (são 6), mas não sabe nada da astrocartografia dos seus funcionários, senão não o teria mandado para lá.

Durante os três meses que mediaram o tempo em que se deu o click até à publicação das revelações feitas ao Guardian, Der Spiegel, etc… , Júpiter (por trânsito) fazia conjunções a Mercúrio, Ascendente, Marte, Cabeça do Dragão e ao Sol, retirando a Snowden qualquer hesitação no caminho que tinha escolhido.

Julian Assange tem o planeta Júpiter que representa fé, no sentido das coisas em que acreditamos, conjunto a Neptuno, por sua vez conjunto ao Ascendente. É uma combinação de um altruísta, de uma pessoa capaz de  ter grandes sonhos mas também capaz de se sacrificar pelo bem comum. Neptuno é o planeta que associamos aos oceanos e à água em geral. É a energia planetária que dissolve estruturas e, por isso, está simbolicamente relacionado com rupturas de canos.  Em português dizemos que o “cano pinga”. Em inglês, a expressão é “the pipe leaks”.  E foi em 4 de Outubro de 2006 que Julian Assange funda o website Wiki Leaks, justamente quando Júpiter por trânsito está sobre o seu Júpiter natal a abrir um ciclo de expansão de 12 anos das suas actividades de “hacker”. Quando a Wiki Leaks  publica o primeiro documento secreto,  Júpiter por trânsito faz uma conjunção ao Neptuno natal, e aí o cano do segredo rompe-se definitivamente. 

A astrologia tradicional designa Júpiter como o “grande benéfico”. Snowden e Assange, não foram beneficiados directamente, mas quem beneficiou sem dúvida foram os cidadãos do mundo livre.



Luiza Azancot

terça-feira, 18 de novembro de 2014

esta vida

the hidden, fotografia de JMAC, o homem de Azeitão

de maneira que é assim
e assim também está bem,
não podendo estar melhor
que é e não é
um degrau acima,
antes uma forma de dizer
o que se quer
mas que não se consegue
dizer.

a poesia 
é essa linguagem
de geometria variável
ao estar aí e aqui e ali
entre nós e dentro de nós
sem respeito por pontos cardeais
geometrias civis, coisas assim.

a poesia 
está além e para além,
dentro e fora, 
do avesso e no seu reverso,
antes de muito depois,
por cima e por debaixo,
na minha pele
e no céu da tua boca.

a poesia 
são pássaros vindos de ontem
são pássaros vindos de amanhã 
pássaros a falar 
que ninguém ouve
mas que alguns de nós
escutamos,
e éramos capazes de jurar
sobre a memória mais sagrada
que essa língua íntima e crepuscular
existe
existe
existe.

pelo menos, 
tanto quanto tu e eu
existimos, aqui e agora.

ou seja: para sempre.


gi.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Vai um gin do Peter’s?

Este é o último gin da série de exemplares interessantes do património português mais desconhecido e meio abandonado, espalhado pelo país nos lugares mais remotos e românticos:

PALÁCIO DE MIDÕES – Tábua


Este edifício brasonado domina a zona central da freguesia de Midões, no concelho da Tábua. As suas linhas clássicas e equilibradas incluem estatuetas na bordadura de pedra do remate superior da casa. A frontaria é especialmente bonita, na sua simplicidade, bem ao jeito do tipo de construção portuguesa, que um alemão estudioso da nossa arquitectura apelidava de «chã», pela enorme sobriedade e subtileza.  


A data de construção é desconhecida, sendo mais um dos exemplares em decomposição, com zonas do chão já a ceder.

CASTELO DA DONA CHICA – Braga


Começou a ser construído há 100 anos, por ordem de Francisca Peixoto de Sousa. As obras arrastaram-se por décadas. Depois de terminado, o pequeno castelo conheceu inúmeros proprietários, até ficar abandonado.
 
PALACETE VILLA SOUSA – Lisboa


Situada no Lumiar, tem assinatura do arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior Mandado. Em 1912 foi distinguido com o Prémio Valmor. Pertencente a José Carreira de Sousa, actualmente apenas mantém a fachada principal e algumas paredes laterais.

Forte de Nossa Senhora da Graça – Alcáçova


Imagens do site: ruinarte.blogspot.pt/

O Forte de Nossa Senhora da Graça é oficialmente designado por Forte Conde de Lippe (Alcáçova). Localizado na cidade fronteiriça de Elvas, complementava a defesa daquela Praça-forte.
Sobreviveu a várias guerras e chegou a ser utilizado como prisão militar. Em Junho de 2013, foi cedido à Câmara de Elvas para ser restaurado.

BAIRRO SOCIAL – Vila Nova de Gaia

Imagem publicada no site: www.geopt.org

Na freguesia de Crestuma, em Vila Nova de Gaia, existiram, nos séc. XIX e XX, numerosas fábricas de tecidos e de papel. Este bairro operário corresponde à unidade fabril da Companhia de Fiação de Crestuma, hoje desactivada. O enquadramento paisagístico é soberbo, situado junto a um arvoredo frondoso. 

QUINTA DO PARREIRA – Santiago de Riba-Ul, Oliveira de Azeméis

Imagens do site: ruinarte.blogspot.pt/


A «Casa do Professor», ou a «Quinta do Parreira», foi buscar os vários nomes aos antigos proprietários. Com uma fachada revestida a azulejos e interiores profusamente trabalhados, a casa está organizada em volta da escadaria central, encimada por uma pequena abóboda e fazendo um efeito de mezzanine para o andar onde ficam os quartos. Lembra as mansões dos Estados do Sul dos E.U.A., que geriam plantações gigantescas de algodão, em pleno século XIX (até à Guerra da Secessão). 
Ostensiva na acumulação de efeitos arquitectónicos, os estuques rendilhados do tecto, as pinturas murais ao longo dos salões e toda a panóplia de ornamentos peca pelo excesso, amaneirado e teatral. Os estuques em estilo arte-nova, com figuras mitológicas, são o elemento de maior valor artístico da casa.


O primeiro proprietário terá sido um médico da região – um Dr.Aguiar, conhecido por ajudar os mais carenciados, oferecendo-lhes emprego nas suas propriedades da região do Porto e na quinta de Riba Ul.
No primeiro quartel do século XX, foi vendida ao empresário Domingos Parreira, que também conquistou simpatias por ter arranjado trabalho aos locais, na extracção de volfrâmio. Quando morreu, a quinta entrou num processo conturbado de partilhas, degradando-se rapidamente.

PALACETE ROSA PENA – Espinho

Imagem do site: www.cacadevolutos.pt/    

A dimensão deste edifício não deixa ninguém indiferente. Ocupa um quarteirão inteiro da cidade de Espinho, salientando-se pelo trabalho de cantaria nas janelas e a azulejaria nos frisos e em múltiplos painéis.
Datado de 1930, terá sido projectado pelo Eng. José Alves Pereira da Silva, casado com Rosa Pena da Silva. Apesar destes não serem os verdadeiros donos do palacete, acabou por ficar conhecido por «Rosa Pena», quando o nome oficial é apenas «Palacete dos Pena».

Maria Zarco

(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

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