segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Fórmula para o caos


Algumas notas sobre as autárquicas 2013 (ainda sem resultados finais):

. a elite comentadeira continua a não distinguir eleições locais de eleições nacionais.

. é bom que os partidos tomem atenção aos movimentos independentes. A vitória de Rui Moreira no Porto pode marcar, como ponto de partida, uma nova forma de fazer política não-partidária.

. as escolhas das candidaturas do PSD para as grandes cidades foi desastrosa. Fernando Seara e Menezes já começaram fragilizados devido à polémica lei de limitação de mandatos. Em Gaia e Sintra, em lugar de apoiarem as candidaturas nos candidatos oriundos dessas cidades, optaram por colocar Carlos Abreu Amorim e Pedro Pinto que não têm qualquer tipo de identificação com a população local.

. Bernardino Soares ganhou em Loures. Poderá testar o modelo norte-coreano de desenvolvimento.

. em termos globais, foi uma tremenda derrota para Passos Coelho, mas também não houve qualquer vitória para Seguro. Aliás, o excelente resultado de António Costa em Lisboa deverá provocar uma espécie de mixed-feelings no secretário-geral socialista.

Pedro Castelo Branco

domingo, 29 de setembro de 2013

26º Domingo do Tempo Comum


Este trecho de Lucas pode levar-nos a presumir, numa primeira leitura seguramente precipitada e ligeira, que os ricos vão para o Inferno e os pobres para o Céu. Do modo de viver do abastado, sabemos apenas que “se vestia de púrpura e linho fino e fazia todos os dias esplêndidos banquetes”. No extremo oposto da qualidade, Lázaro, um pobre, que “jazia ao seu portão, coberto de chagas”. Muitos, interpretando os ensinamentos de Cristo à sua maneira, entendem que condenação daqueles que têm riqueza é um dado adquirido, socorrendo-se (também) da parábola do camelo e do buraco da agulha para suportar a argumentação.

Uma segunda leitura pode guiar-nos à identificação do trecho como sendo uma descrição do homem na morte. O rico, “na morada dos mortos”, mergulhado no sofrimento e no tormento, flagelado pelo fogo do inferno, ergue os olhos e vê Lázaro no seio de Abraão, inundado de uma paz celeste e recompensadora, sarado finalmente das feridas e da miséria, libertado dos “cães que vinham lamber-lhe as chagas”.

A perspectiva de que após a morte os condenados poderiam ver os que se salvaram, não seria totalmente descabida. Afinal, na Sua infinita bondade, Deus só não acolhe os que não querem, os que recusam o arrependimento – nem que seja no último instante. Um inferno com vista para o Céu seria uma provação mais. O nosso imaginário poderá até sugerir-nos que não há excesso de castigo para quem se condenou, levando uma vida de opções erradas, mantendo a obstinação de não arrepiar caminho, ainda que com a morte à vista. A “curva da estrada”, na expressão de Pessoa.

‘Rodemos’, então, o nosso olhar e o nosso raciocínio. Assumindo que quem se perdeu vê os que se encontraram – e sofre mais essa punição -, podemos conceber que o inverso é verdadeiro? Quem sobe para o Pai vê os que descem às trevas? É concebível que uma eternidade de felicidade passe pela visão da mesma eternidade de sofrimento?  Seguramente que não. O nosso bem-estar, sobretudo quando elevado à dimensão e à intemporalidade divinas, não se compraz com, nem suporta a infelicidade alheia.

Esgotadas, então, duas leituras possíveis (não se afiançando que sejam  correctas, nem mesmo as únicas), sobra-nos o desafio de adaptar a parábola do rico e de Lázaro aos dias de hoje, assentando-lhe um olhar forçosamente pessoal. “Eu tenho uns olhos / e é com esses olhos uns...”, diria o poeta.

O que se oferece dizer em primeiro lugar parece ser de uma simplicidade cristalina. Na sociedade de hoje, o poder, a fortuna, o estatuto social, o sinal exterior de riqueza, têm uma enorme importância. Abrem portas, estendem passadeiras, colocam-nos no destaque das secções sociais, económicas ou políticas das publicações que se vendem, trazem-nos conforto, proporcionam qualidade de vida. A nossa competência profissional enche-nos de uma satisfação saudável ou de um orgulho vazio, garantindo promoções e aumentos que presumimos sempre justos e merecidos. O sistema internacional – que antes definia o metro padrão – adoptou, no Portugal contemporâneo, uma medida para avaliar a qualidade das nossas vidas – a percepção do sucesso. Não a realização pessoal, a satisfação ou o gozo, na sua expressão mais pura – apenas a percepção do sucesso. Os aspectos aqui referidos são factores que, cumulativamente, dão a dimensão desta medida.

(A generalização desenvolvida no parágrafo anterior é perigosa e porventura injusta, e este discurso deve ser ouvido com parcimónia, concorde-se ou não com a argumentação). 

S. Lucas alerta-nos bem: as grandezas social, profissional ou financeira de que dispomos na Terra não nos garantem um lugar cativo no Céu; não são, por si só, palavra chave para a vida eterna; não descodificam, automaticamente, o segredo que nos dá acesso à morada celeste. Os “critérios” de Nosso Senhor não assentam numa lógica de poder ou influência, riqueza ou poder de compra, notoriedade pública ou mediatismo.

Não sejamos tentados, no entanto, pela simplificação em excesso - a direita do Pai não nos é devida porque somos importantes ou temos dinheiro. Mas também não nos é vedada pelos mesmos motivos. O Paraíso não está povoado, apenas, por uma imensidão de ‘Lázaros’, atirando os ricos para uma condenação eterna indiscriminada.

O apóstolo vai mais longe no transmissão dos ensinamentos: o Céu ganha-se na Terra. É aqui, no nosso dia-a-dia, nas pequenas rotinas, na interacção com os outros, no modo como vivemos, como olhamos o nosso próximo, que ganhamos a justa aspiração à Salvação. Há 2000 anos que temos um referencial – Jesus Cristo –, e um manual de boa conduta – os Evangelhos. Usemo-los como exemplo. Abraçar o projecto do Filho de Deus é fazê-lo na totalidade, e não nas partes que mais nos convêm ou menos incómodo nos provocam; a nossa disponibilidade só pode ser vencida pela fraqueza humana inerente a cada um.

Ser-se rico pode ser resultado de sorte, mérito ou ambos. Herda-se um património, cria-se um negócio do nada, desenvolve-se o legado dos antepassados. Ascender a cargos relevantes pode ser sinónimo de competência profissional, ambição ou alinhamento favorável de condições aleatórias.  Parte do que temos ou somos é consequência de factores que nem sempre dominamos, para os quais não contribuímos de forma decisiva ou não emprestámos o nosso esforço, como sejam a aptidão natural ou a sorte. É, de alguma forma, uma dívida que temos  - com a vida, com os outros. Com Deus, quiçá. Dívida essa que não tem prazo de vencimento – é para ser saldada hoje, amanhã, sempre.


(parte de um comentário a este mesmo evangelho, escrito há sete anos).

***


EVANGELHO – Lc 16,19-31

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
disse Jesus aos fariseus:
«Havia um homem rico,
que se vestia de púrpura e linho fino
e se banqueteava esplendidamente todos os dias.
Um pobre, chamado Lázaro,
jazia junto do seu portão, coberto de chagas.
Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico,
mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas.
Ora sucedeu que o pobre morreu
e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão.
Morreu também o rico e foi sepultado.
Na mansão dos mortos, estando em tormentos,
levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado.
Então ergueu a voz e disse:
‘Pai Abraão, tem compaixão de mim.
Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo
e me refresque a língua,
porque estou atormentado nestas chamas’.
Abraão respondeu-lhe:
‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida
e Lázaro apenas os males.
Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado,
enquanto tu és atormentado.
Além disso, há entre nós e vós um grande abismo,
de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós,
ou daí para junto de nós,
não poderia fazê-lo’.
O rico insistiu:
‘Então peço-te, ó pai,
que mandes Lázaro à minha casa paterna
– pois tenho cinco irmãos –
para que os previna,
a fim de que não venham também para este lugar de tormento’.
Disse-lhe Abraão:
‘Eles têm Moisés e os Profetas.
Que os oiçam’.
Mas ele insistiu:
‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles,
arrepender-se-ão’.
Abraão respondeu-lhe:
‘Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas,
mesmo que alguém ressuscite dos mortos,
não se convencerão’.


sábado, 28 de setembro de 2013

Pensamentos impensados


Eleições
Ouvi dizer que campanha cara a cara é mais barata a barata.
 
Físicos
A principal condição para se ser político é ser capaz de subir escadas a correr (veja-se Obama a subir para os aviões).
Já não tenho condições.
 
Saneamentos
Hitler não conseguiu levar a bom termo a exterminação dos judeus;
o lobby judeu não deixou.
 
Estragos
O terramoto de 1755 foi previsto pelo "vidente" Nostragamos.
 
Trabalha que se desunha
Merkel não ganhou a maioria absoluta por uma unha negra.
Para a próxima dê uma martelada num dedo e vai ver.
 
Distâncias
Estava a fazer turismo em Itália e perguntei onde ficava a Cloaca de Satan.
Disseram-me: isso fica no cu de Judas!

SdB (I)

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Friday is a great day to fall in love


Tom Hussey é um premiado fotógrafo publicitário nascido em Dallas, Texas. Numa série intitulada Reflections, Hussey mostra uma série de idosos olhando no espelho e refletindo o seu eu mais jovem.
A série de fotos  foi postada por Hussey na sua página no Behance em 2009. Desde então, ela tem sido o terceiro projeto mais visto em todo o site, com cerca de 71 mil ‘likes’ e 1.535.000 views.







quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Crónicas de um mestrando tardio

Hoje, pelas 17.30h, na aula de Famílias Artificiais, que também já se chamou Disjecta Membra, falaremos deste texto, entre outros. Felizmente encontrei a versão em Português, traduzida, pelo que percebi, para uma edição da INCM, que o original é difícil. Ainda tentei ler ao fim a tarde de 2ªfeira numa esplanada, mas fui interrompido para conversas mais amigaveis. Vou gostar da aula, parece-me...

JdB



O Leviatã, de Thomas Hobbes 
Introdução
Do mesmo modo que tantas outras coisas, a natureza (a arte mediante a qual Deus fez e governa o mundo) é imitada pela arte dos homens também nisto: que lhe é possível fazer um animal artificial. Pois vendo que a vida não é mais do que um movimento dos membros, cujo início ocorre em alguma parte principal interna, porque não poderíamos dizer que todos os autómatos (máquinas que se movem a si mesmas por meio de molas, tal como um relógio) possuem uma vida artificial? Pois o que é o coração, senão uma mola; e os nervos, senão outras tantas cordas; e as juntas, senão outras tantas rodas, imprimindo movimento ao corpo inteiro, tal como foi projectado pelo Artífice? E a arte vai mais longe ainda, imitando aquela criatura racional, a mais excelente obra de natureza, o Homem. Porque pela arte é criado aquele grande Leviatã a que se chama Estado, ou Cidade * (em latim Civitas), que não é senão um homem artificial, embora de maior estatura e força do que o homem natural, para cuja protecção e defesa foi projectado. E no qual a soberania é uma alma artificial, pois dá vida e movimento ao corpo inteiro; os magistrados e outros funcionários judiciais ou executivos, juntas artificiais; a recompensa e o castigo (pelos quais, ligados ao trono da soberania, todas as juntas e membros são levados a cumprir o seu dever) são os nervos, que fazem o mesmo no corpo natural; a riqueza e prosperidade de todos os membros individuais são a força; Salus Populi (a segurança do povo) é o seu objectivo; os conselheiros, através dos quais todas as coisas que necessita saber lhe são sugeridas, são a memória; a justiça e as leis, uma razão e uma vontade artificiais; a concórdia é a saúde; a sedição é a doença; e a guerra civil é a morte. Por último, os pactos e convenções mediante os quais as partes deste Corpo Político foram criadas, reunidas e unificadas assemelham-se àquele Fiat, ao Façamos o homem proferido por Deus na Criação.
Para descrever a natureza deste homem artificial, examinarei:
Primeiro a sua matéria, e o seu artífice; ambos os quais são o homem.
Segundo, como, e através de que convenções é feito; quais são os direitos e o justo poder ou autoridade de um soberano; e o que o preserva e o desagrega.
Terceiro, o que é um Estado Cristão.
Quarto, o que é o Reino das Trevas.
Relativamente ao primeiro aspecto, há um ditado do qual ultimamente muito se tem abusado: que a sabedoria não se adquire pela leitura dos livros, mas do homem. Em consequência do que aquelas pessoas que, regra geral, são incapazes de apresentar outras provas da sua sabedoria, se comprazem em mostrar o que pensam ter lido nos homens, através de impiedosas censuras que fazem umas às outras, por detrás das costas. Mas há um outro ditado que ultimamente não tem sido compreendido, graças ao qual os homens poderiam realmente aprender a ler-se uns aos outros, se se dessem ao trabalho de o fazer: isto é, Nosce te ipsum, Lê-te a ti mesmo. O que não pretendia ter o sentido, actualmente habitual, de pôr cobro à bárbara conduta dos detentores do poder para com os seus inferiores, ou de levar homens de baixa estirpe a um comportamento insolente para com os seus superiores. Pretendia ensinar-nos que, a partir da semelhança entre os pensamentos e paixões dos diferentes homens, quem quer que olhe para dentro de si mesmo, e examine o que faz quando pensa, opina, raciocina, espera, receita, etc., e por quais motivos o faz, poderá por esse meio ler e conhecer quais são os pensamentos e paixões de todos os outros homens, em circunstâncias idênticas. Refiro-me à semelhança das paixões, que são as mesmas em todos os homens, desejo, medo, esperança, etc., e não à semelhança dos objectos das paixões, que são as coisas desejadas, temidas, esperadas, etc. Quanto a estas últimas, a constituição individual e a educação de cada um são tão variáveis, e são tão fáceis de ocultar ao nosso conhecimento, que os caracteres do coração humano, emaranhados e confusos como são, devido à dissimulação, à mentira, ao fingimento e às doutrinas erróneas, só se tornam legíveis para quem investiga os corações. E, embora por vezes descubramos os desígnios dos homens através das suas acções, tentar fazê-lo sem comparar com as nossas, distinguindo todas as circunstâncias capazes de alterar o caso, é o mesmo que decifrar sem ter uma chave, e deixar-se as mais das vezes enganar, quer por excesso de confiança ou por excesso de desconfiança, conforme aquele que lê seja um bom ou mau homem.
Mas mesmo que um homem seja capaz de ler perfeitamente um outro através das suas acções, isso servir-lhe-á apenas com os seus conhecidos, que são muito poucos. Aquele que vai governar uma nação inteira deve ler, em si mesmo, não este ou aquele indivíduo em particular, mas o género humano. O que é coisa difícil, mais ainda do que aprender qualquer língua ou qualquer ciência, mas ainda assim, depois de eu ter exposto claramente e de maneira ordenada a minha própria leitura, o cuidado deixado a outros será apenas decidir se não encontram o mesmo em si próprios. Pois esta espécie de doutrina não admite outra demonstração.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Diário de uma astróloga – [61] – 25 de Setembro de 2013


Por que decidiu ser astróloga?

Esta é uma pergunta que fazem clientes, amigos e conhecidos. A minha resposta depende do seu nível de compreensão da astrologia, quanto tempo eu tenho e, obviamente da minha disposição. Varia entre repostas com elementos de esoterismo, espiritualidade, aspectos técnicos da minha própria carta, etc.

No entanto, a versão curta é .... por causa do meu filho.

Aqui está a história completa: o meu filho era uma criança difícil. Não se conseguia estabelecer um horário. Comia e dormia quando lhe apetecia. Aos 4/5 anos comecei a preocupar-me com o seu comportamento. As brigas com as outras crianças eram excessivamente violentas. Os seus jogos eram perigosos: quantas crianças depois de verem um filme do Tarzan amarraram uma corda ao corrimão e deslizam 10 metros? Cada pedido que eu fazia, cada ordem que eu dava, tal como "toca a vestir para ir para a escola” tinha o potencial de se transformar num confronto, numa verdadeira batalha. Ele tinha que ter sempre a última palavra. Quando não estava a batalhar era um miúdo doce. E, como objecto de segurança, em vez de um cobertor ou de um boneco de peluche, ele andava com um lenço de renda mais tarde substituído por um bocado de corda.

Na minha cabeça via imagens do adolescente delinquente e pervertido.

Entra a astrologia. Mandei fazer a carta dele. Tem cinco planetas em Balança, mas a característica mais marcante é uma conjunção Sol, Marte e Plutão.



O planeta de identidade, o planeta da afirmação e o planeta do poder todos juntos. A conjunção amplifica as energias tornando-as mais agressivas. De facto ele lutava (Marte) até a morte (Plutão) ou como se sua vida dependesse disso, era ousado (Sol + Marte), dava importância à coragem (Sol + Marte), e estava ciente da importância de poder (Sol + Plutão).

O signo destes planetas – Balança - harmonia, a paz, a estética - explica o lencinho de renda e a sua doçura, mas é um signo difícil para Marte e também para Plutão. Marte rege Carneiro, que é o signo oposto a Balança. Marte é o veículo da individualidade, da autonomia, tendo que expressar essa energia de forma cooperativa, com doçura, intelectualmente .... Tudo isso na casa 11 dos grupos, associações, causas humanitárias, acrescentava dificuldade de expressão a uma criança de 5 anos.

Perguntei a mim própria: como poderia ajudar o meu filho a encontrar uma forma positiva para ser quem é? Como ajudá-lo a entrar no seu caminho de desenvolvimento? Como não quebrar o seu espírito corajoso? Como poderia minimizar o risco de se magoar ou de magoar outras crianças fisicamente e psicologicamente?

Sol, Marte, Plutão conjuntos em Balança é uma combinação rara e, num período de 500 anos, só aconteceu durante 20 dias em 1972 e 1974 e, antes, apenas durante mesma quantidade de tempo em 1485 e 1487. Não há muito onde ir buscar antecedentes!

Pensando nos arquétipos zodiacais encontrei a solução inscrevendo-o numa aula de artes marciais. Reúnem em grupos (casa 11), embora as lutas sejam individuais (Sol / Marte). Ele era muito pequeno, por isso era necessário coragem (Marte) enfrentar miúdos mais velhos e maiores. Aquele que vence prova ao mundo que é o mais poderoso (Sol / Plutão). Todas as lutas são finais (Marte / Plutão), há um vencedor e um vencido.  Ao mesmo tempo, são ARTES marciais porque não é apenas a força bruta, exige inteligência para entender como aplicar o corpo e a sua força. Balança é um signo de ar onde a estratégia e o lado mental contam.

A prática de artes marciais permitiu-lhe usufruir do seu caráter e não reprimi-lo. Lentamente começou a dirigir sua agressividade para lutas de judo, e as batalhas familiares diminuíram. A sua adolescência correu bem. Hoje comemora seu 39º aniversário e é um homem bem-sucedido na sua carreira e na sua vida familiar, mas consciente do poder da sua personalidade.


Gosto de acreditar que a astrologia teve um impacto positivo, se não determinante, na sua vida. Eu decidi ser astróloga porque acredito que possa ter um impacto positivo na vida dos outros, ajudando-os a tornarem-se quem verdadeiramente são.

Luiza Azancot

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Pensamentos impensados


Não sei se já alguma vez aqui escrevi sobre o sufrágio universal, é uma actividade pela qual não tenho a menor consideração, achando-a uma burla; o primeiro sufrágio de que me lembro foi pedido por Pôncio Pilatos perguntando à multidão quem queria que fosse solto, se Jesus Cristo ou Barrabás; o resultado foi o que se sabe.

Vi Merkel a votar e pensei para quem iria o voto: para Hitler, para o Kaiser ou para mim (cruzes canhoto). É ridículo. Uma vez vi um jornalista a fazer uma pergunta estúpida a Cavaco Silva. O presidente, com aquele sorriso de Mona Lisa, provinciano de Boliqueime, respondeu: o voto é secreto. Mantém-se o ridículo.

Quem é candidato a qualquer lugar sujeito a sufrágio não devia votar; os pequenos partidos, sem a menor hipótese de ganhar seja o que for, deviam praticar voto útil para não ser uma autofagia. Votar em si próprio é ridículo. Já todos vimos pessoas a serem entrevistadas na rua mostrando uma ignorância e uma estupidez de bradar aos céus; repugna-me que o meu voto tenha o mesmo valor que o deles, assim como acho que o meu voto não pode ser igual ao de um intelectual de craveira e honesto.

Os Reis não votam.

Como não sou democrático, respeito quem vota.

Votem, e como diz o dono deste estabelecimento, façam o favor de ser felizes.

SdB (I)

Duas Últimas


Quem tem facebook talvez já tenha visto este anúncio, que parece correr nas redes sociais - ou pelo menos nalgumas. Na realidade, se a galinha não voa e é ave, porque motivo não o há-de ser também o coelho? 

No preciso instante em que escrevo perpassa-me a ideia de um piada contra o nosso primeiro ministro, também ele coelho de seu nome, também ele uma ave rara para alguns portugueses. Não consegui descortinar a ideia de o nosso primeiro não estar sujeito a desconto, mas isso talvez se deva a uma fadiga de fim de dia e a um anseio pelo Outono que parece não chegar, não obstante o vendaval que se faz sentir frio e cortante.

***

Deixo-vos com um cantor que oiço sempre com o maior gosto e prazer - António Zambujo - uma feliz sensação de déjá entendu neste estabelecimento.

Quero a vida pacata que acata o destino sem desatino...

 JdB


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Vai um gin do Peter’s?


Nietzsche(1)  que, entre genial e louco, deixou reflexões interpelativas, muitas de carga bem negativa, mas outras lapidares e algumas até positivas, das que associamos ao melhor da vida, exaltou a música. Referindo-se à vida, o filósofo alemão fez uma observação na senda de Dostoievski, quando este sublinhou a importância da beleza para a salvação do mundo. Na expressão do filósofo, privilegia-se antes uma das expressões artísticas, talvez a mais subtil, afirmando: «Sem a música, a vida seria um erro.». Na mesma linha, afirma ainda: «E aqueles que foram vistos a dançar foram julgados loucos por aqueles que não podiam escutar a música.» Note-se que Nietzsche morreu louco…


Com a quantidade incrível de óptimos compositores de língua alemã, percebe-se, sem dificuldade, a convicção do filósofo. Aliás, bastava Bach ou Mozart para fazer jus ao papel maior da música no crescimento do ser humano e no progresso da humanidade.

Dois casos paradigmáticos, ocorridos há uns anos, nos E.U.A., dão uma ideia inequívoca do impacto fortíssimo da obra de Mozart no comportamento humano e até nas aptidões mentais.

Primeiro caso: um estudo de uma das reputadas universidades americanas fez uma experiência com estudantes de matemática, sujeitando metade do grupo a ouvir Mozart antes do exame, enquanto a outra era privada da audição. O desfecho foi notável – as melhores provas pertenciam à metade que ouvira a música. Mais alunos foram submetidos à mesmo experiência, com resultados idênticos. Assim, a conclusão da investigação considerava que a música luminosa do austríaco favoreceria o pensamento matemático. Aliás, é comum afirmar outro tanto de Bach, embora não conheça experiências académicas que comprovem esta tese.

Segundo caso: um centro comercial da Califórnia debatia-se com problemas financeiros provocados pelas constantes vagas de assaltos e má frequência do espaço. Pensaram em aumentar a segurança, mas a solução não lhes agradava inteiramente, pois a presença de agentes armados também afectava o ambiente alegre e descontraído que se pretende nestes locais. A dada altura, resolveram ensaiar uma solução mais ousada de um dos gestores e incluir no repertório da música de fundo do espaço comercial, Mozart. Em especial, durante o horário de maior ocorrência de roubos. Nem queriam acreditar no efeito fulgurante da nova opção musical: não só as hordas de meliantes e marginais se mudaram para outras paragens, por sua livre iniciativa, como os clientes com maior poder de compra aumentaram em número e em consumo. Quem diria que o austríaco favorecia tanto o negócio!


 George Steiner – pensador judeu de referência, na actualidade, sempre audacioso e vanguardista nas suas análises interessantíssimas da história – chega a responsabilizar os artistas e os filósofos pela influência póstuma da sua obra sobre as gerações que lhes sucedem. E concretiza, achando explicável (e culpabilizante) que a música de Wagner ou a filosofia elitista de Nietzsche tenham sido tão apreciadas pela elite nazi… e por isso tão perversas para o povo judeu, entre muitas outras vítimas do nazismo. Uma reflexão que faz pensar…

Apetece citar o alerta do próprio Nietzsche, que provavelmente se lhe aplica em primeira instância, apesar da sua preocupação em desmascarar tudo o que entendia ser preconceito: «Acautela-te quando lutares com monstros, para que não te tornes um!» Uma observação polémica, mas aplicável a alguns, parecendo ter contornos auto-biográficos. Felizmente, está longe de corresponder a muitos (talvez à maioria) das grandes figuras do passado. Quanta gente generosa e extraordinária ficou para a posteridade, por ter sabido viver em contra-corrente, enfrentando monstros que em nada afectaram o seu carácter magnânimo. Ao invés, a luta por causas impopulares elevou-os e ajudou a elevar o mundo, como provaram Gandhi ou Tagore ou Mandela, para apenas citar três. 

Felizmente que, no longo prazo (e sobretudo no longo prazo), o mal acaba por ter menos alcance que o bem, embora os alerta de Nietzsche – tão consciente do peso do mal – também sejam bem oportunos, nalgumas circunstâncias.


Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

_____________
 (1) Friederich Nietzsche (1844-1900), morreu isolado, tendo vivido os últimos tempos entre a casa da mãe e clínicas de doentes mentais. É dele a frase algo auto-explicativa: «Se as minhas loucuras tivessem explicações, não seriam loucuras.». Há quem advogue (sem se conhecer qualquer evidência sobre a veracidade desta tese) que a sua loucura foi despoletada pelo espancamento de um cavalo, numa praça de Turim, onde o único registo oficial que ficou para a história, reza que teve de ser controlado pelas autoridades, por distúrbios na via pública. Há também quem atribua (nomeadamente, outros filósofos e psicanalistas) à sua filosofia niilista a causa primeira das suas perturbações psíquicas, que culminaram na rápida deterioração mental e morte aos 44 anos de idade. 

Nietzsche ao lado de sua mãe

domingo, 22 de setembro de 2013

25º Domingo do Tempo Comum


EVANGELHO – Lc 16,1-13

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Um homem rico tinha um administrador
que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens.
Mandou chamá-lo e disse-lhe:
‘Que é isto que ouço dizer de ti?
Presta contas da tua administração,
porque já não podes continuar a administrar’.
O administrador disse consigo:
‘Que hei-de fazer,
agora que o meu senhor me vai tirar a administração?
Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha.
Já sei o que hei-de fazer,
para que, ao ser despedido da administração,
alguém me receba em sua casa’.
Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor
e disse ao primeiro:
‘Quanto deves ao meu senhor?’.
Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’.
O administrador disse-lhe:
‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’.
A seguir disse a outro:
‘E tu quanto deves?’
Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’.
Disse-lhe o administrador:
‘Toma a tua conta e escreve oitenta’.
E o senhor elogiou o administrador desonesto,
por ter procedido com esperteza.
De facto, os filhos deste mundo
são mais espertos do que os filhos da luz,
no trato com os seus semelhantes.
Ora Eu digo-vos:
Arranjai amigos com o vil dinheiro,
para que, quando este vier a faltar,
eles vos recebam nas moradas eternas.
Quem é fiel nas coisas pequenas,
também é injusto nas grandes.
Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro,
quem vos confiará o verdadeiro bem?
E se não fostes fiéis no bem alheio,
quem vos entregará o que é vosso?
Nenhum servo pode servir a dois senhores,
porque, ou não gosta de um deles e estima o outro,
ou se dedicará a um e desprezará o outro.
Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».

sábado, 21 de setembro de 2013

Pensamentos impensados


Patriotismo
Vou tentar ser melhor português, começando por dois pontos:
1º- Não voto para não contribuir para pôr no poleiro gente que nada vale.
2º- Se não me passarem recibo com o número de contribuinte não dou esmola na rua.
 
Passamento
... quando eu morrer ...
Mas como é que sabes que morres?
Sei lá, é um costume de família.
 
Justiceiros
... a população, em fúria, fazia justiça pelas própria mãos, dando-lhe pontapés.
 
Abafos
Na Rua do Carmo, em Lisboa, há uma loja de luvas. Percebe-se que ainda exista.
 
Acordo ortográfico
Vi escrito Golfo de Aden. Pensei que se dizia hão-de.
 
Vícios
 Tenho um problema de alcoolismo: não bebo tudo o que me apetece.

SdB (I)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Crónicas de um mestrando tardio

Passei os últimos anos da minha vida profissional por conta de outrém a integrar grupos de trabalho relacionados com processos: definição, agilização, redução de burocracia, eficácia, comunicação, circuitos mais certos, etc. Quando, numa fase mais recente da minha actividade, dei formação, também falei sobre isso, quase sempre na administração pública para quem um papel, uma assinatura, um circuitozinho mais complexo são uma delícia irrecusável.

Desde 2ªfeira que sou aluno do mestrado em Teoria da Literatura na Faculdade de Letras de Lisboa. Ontem passei pela penosa tarefa de tentar inscrever-me, pois aos alunos do primeiro ano está reservada a via sacra da inscrição presencial. À entrada da faculdade está um jovem estudante que orienta os alunos. Recebi uma senha para ir à sala 1.1. Antes teria de deslocar-me à Tesouraria, onde deveria tirar outra senha. Quando indaguei quanto tempo poderia demorar todo o processo responderam-me: se não estiver ninguém 20 minutos; se estiver gente várias horas. O coração disparou de nervos, agravado por alguém que dizia, alarmado, que o sistema estava em baixo (o sistema é uma palavra terrível, que quer dizer tudo e não dizer nada...). Na véspera tinham sido duas horas, impossibilitando tudo o que fosse trabalho burocrático de inscrição de alunos.

Na Tesouraria, tirada a fatídica senha, esperei 1,5 horas para ser atendido. Umas vezes está uma funcionária, outras vezes estão duas, por vezes não há ninguém. O processo é lento e a impressora debita recibos em A4 que a funcionária, diligente e saudosa, corta com uma tesoura em duas folhas A5. Naquele tempo de espera alguém interpelou uma senhora que me pareceu ter ar de dirigente. Nestas situações alega-se sempre o mais fácil: é preciso mais gente. A senhora, com um sorriso matreiro, argumentava: peçam ao passos coelho, peçam ao passos coelho. A ninguém ocorre - e talvez não me ocorresse a mim, se me sentisse devorado por uma máquina pública ineficiente e que não premeia a competência - que menos gente pode ser um desafio para a criatividade e para a simplificação.

A mudança de um histórico de multinacional para os bancos da universidade pública pode ser um exercício doloroso. 20 anos de simplificação de processos e formações organizadas com um conforto mínimo criam vícios, e a não satisfação da adição provoca ressacas... O rol de queixas vai longo, pelo que me fico por aqui. Oportunamente escreverei sobre os seminários a que já assisti, que são o contraponto luminoso desta ineficiência burocrática.

JdB

Fotografia do homem de Azeitão (não sei se já foi publicada...)

     

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Colónia do Sacramento (Portugal no Mundo)


A Colónia do Santíssimo Sacramento,  na margem esquerda do Rio da Prata em frente a Buenos Aires (Património da Humanidade)  é uma relíquia portuguesa no Uruguay.
No século XVI, Martim Afonso de Sousa ao tentar "marcar" para Portugal a margem esquerda no estuário do Rio da Prata, não o faz, devido a ter sofrido um trágico naufrágio.


A Coroa Portuguesa e os comerciantes do Brasil sempre tiveram  o maior interesse   em possuir um entreposto comercial no estuário do Rio da Prata.
Região estratégica, que além de controlar a navegação do Rio da Prata dá acesso aos Rios Paraná e Paraguai, vias de transporte da prata vinda dos Andes Peruanos.
A troca de açúcar, algodão e café brasileiros por prata peruana  seria  facilitada.
Em 1680 o Capitão-mor D. Manuel Lobo, Governador da Capitania do Rio de Janeiro, funda a Colónia do Santíssimo Sacramento na Banda Oriental, território situado a Oriente do Rio Uruguay e a Norte do Rio  da Prata, onde constrói uma fortaleza  em frente a Buenos Aires.
A partir desta data até 1822, a guerra entre Espanha e Portugal pela posse  da Colónia do Santíssimo  Sacramento vai ser uma constante na História dos dois Países.                                                    

   Azulejos com a Bandeira Portuguesa (Museu em Sacramento)

Fotografias da Colónia do Sacramento

                                  Quadro onde se vê a alternância de soberania entre 1680 e 1828            
Em 1808, após a abdicação forçada de Carlos IV de Espanha,  Fernando VII cai na cilada  e vai a Bayonne, onde preso pelos franceses é obrigado a renunciar a favor de José Bonaparte (1808-1813) irmão mais velho de Napoleão. A Princesa do Brasil  D. Carlota Joaquina, filha primogénita de Carlos IV, casada com o Príncipe do Brasil D. João, manifesta então os seus direitos sucessórios relativos ás Províncias Espanholas da América do Sul. O projecto Carlotista, tinha como primeiro objectivo pôr D. Carlota Joaquina no trono da América Espanhola, para  evitar a fragmentação  do Reino Espanhol na América do Sul, como veio a  acontecer!    

A partir de 1811, os portuguesas fazem várias  incursões na Banda Oriental, que em 1813 ao integrar as Províncias Unidas do Rio da Prata, passa a chamar-se Província Oriental.  Em 1816,  D. Carlota Joaquina já como  Rainha de Portugal  (D. Maria I morre no Rio de Janeiro em 1816) manda o General  Carlos Frederico Lecor, Comandante da Divisão de Voluntários Reais do Príncipe,  conquistar  a Província  Oriental.  Em 1817, Lecor toma Montevideu.

Com o nome de Província Cisplatina, a Província Oriental fica incorporada no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.


Bandeira da Província da Cisplatina

Em 1822 com a Independência do Brasil, a Província da Cisplatina (onde se situa a Colónia do Sacramento) fica a pertencer ao Brasil.

Entre 1825 e 1828, dá-se entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata (Províncias do antigo Vice-Reinado do Rio da Prata, com a Capital em Buenos Aires) a Guerra da Cisplatina.  Em 1828 com a Paz, a Província da Cisplatina (Província Oriental) com o nome  de Republica Oriental do Uruguay  torna-se Independente.       
                                                                 
Esquecida pelos portugueses, a velha Colónia do Santíssimo Sacramento no  actual Uruguay  mantem nomes portugueses e continua a ensinar o português!!

FMCN, Setembro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Duas Últimas

Sábado fui ao casamento de alguém que me é particularmente querido. Conhecemo-nos muito de volta dos tachos, prova evidente de que a gastronomia pode ser um forte gerador de empatia entre as pessoas. No caso concreto, estou certo, ajudou, não foi de todo determinante, porque até o crochet ou o modelismo bastariam. 

A comparação dos casamentos de hoje em dia com os do meu tempo, celebrados na sua grande maioria no início/meados da década de 80, é um exercício déjá vu, sem grande originalidade. Hoje, os convidados dos copos-de-água são maioritariamente os amigos dos noivos, o que me parece algo da mais elementar justiça. Recuo 30 anos e os casamentos eram ao fim da manhã/princípio da tarde, o que propiciava o uso do protocolar fraque. Hoje essa fatiota está reservada para os noivos, pais e padrinhos, estes últimos numa profusão generosa Os casamentos de hoje sugerem fato escuro, saias por vezes curtas - e dança. Porque há música, retomou-se (embora não saiba, de facto, se algum dia foi hábito e quando terminou...) o costume da abertura do baile. A generalidade dos noivos cede à tentação, ao gosto, ou ao facilitismo do Danúbio Azul. Em boa verdade, sou muito pouco apreciador de valsa e, gostando de dançar  - pese embora uma qualidade duvidosa - detesto dançar a valsa, mais ainda aquela específica.

Os noivos de sábado, mesmo havendo quem quisesse cortar as veias de neurose, arrojaram-se numa criatividade de se lhes tirar o chapéu. Apreciei a audácia - e aplaudi. Poucos foram os minutos que dancei, porque os costumes e a educação mandam que se guarde o início para a família mais próxima: este com aquela, depois aquela com o outro, e ainda aqueles dois. Mesmo assim arrastei comigo uma jovem que teimava em afirmar que não sabia dançar, o que era obviamente mentira, porque houve ligeireza suficiente e ninguém se queixou de pisões.

Deixo-vos, por isso, com a abertura do baile de sábado. Leonard Cohen, em Dance Me To The End of Love. Dança-se bem melhor do que o Danúbio Azul, digo-vos. E direi aos noivos, quando regressarem do sol nascente.

JdB

     

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