domingo, 30 de setembro de 2012

26º Domingo do Tempo Comum


Uma coisa tenho verificado: Deus normalmente torna as pessoas mais doces e suaves.

Li e retive esta frase, escrita já no fim de uma carta que recebi de um bom Amigo. Por motivos que não vêm ao caso, na véspera e nos dias seguintes conversara com várias pessoas sobre santidade, fé, Igreja, a diferença entre fazermo-nos pequeninos ou remetermo-nos à insignificância, o valor do serviço ao próximo quando não temos vontade, etc. Este estabelecimento foi espaço, também, de publicação de textos alusivos, com especial relevância para o do Pe. Tolentino Mendonça.

Acredito genuinamente na frase que encima este post, mesmo que outros encontrem a doçura e a suavidade não tendo qualquer espécie de fé, nem uma prática religiosa. Acredito, também, que Deus nos quer pequeninos, mas não insignificantes. Numa homilia particularmente inspirada no domingo passado, o prior de Santo António do Estoril contou uma história. Aos pés do altar, vários miúdos ocupavam o espaço ao lado dele. A Matilde, muito pequena e que tinha sido chamada para ilustrar uma passagem do evangelho, ainda arranjou um espaço - exactamente por ser pequena. A conclusão era esta: quando nos fazemos pequenos cabemos entre os outros; quando nos fazemos pequenos abrimos espaço para os outros.

O orgulho, a vaidade, a conflitualidade, o rancor, a intolerância, a mesquinhez ou a prepotência são características volumosas. Não nos fazem grandes, tornam-nos apenas inchados. É esse inchaço que não abre espaço para o outro, é esse inchaço que nos impede de caber no outro. Cristo desafia-nos a ser pequenos, não nos condena a ser menores. Cristo exorta-nos a amar e a servir o próximo, a utilizar os nossos talentos para um bem comum. É isso, também, que significa sermos pequenos. Quando percebemos isso e o pomos em prática estamos, de facto, a ficar mais suaves e mais doces. Deus entrou na nossa vida - e fez a diferença.

Um bom dia para todos, porque hoje é domingo e eu não esqueço a minha condição de católico.

JdB


***   


EVANGELHO – Mc 9,38-43.45-47-48

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
João disse a Jesus:
«Mestre,
nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome
e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco».
Jesus respondeu:
«Não o proibais;
porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome
e depois dizer mal de Mim.
Quem não é contra nós é por nós.
Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo,
em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.
Se alguém escandalizar algum destes pequeninos
que crêem em Mim,
melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço
uma dessas mós movidas pró um jumento
e o lançassem ao mar.
Se a tua mão é para ti ocasião de escândalo, corta-a;
porque é melhor entrar mutilado na vida
do que ter as duas mãos e ir para a Geena,
para esse fogo que não se apaga.
E se o teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o;
porque é melhor entrar coxo na vida
do que ter os dois pés e ser lançado na Geena.
E se um dos teus olhos é para ti ocasião de escândalo,
deita-o fora;
porque é melhor entrar no reino de Deus só com um dos olhos
do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena,
onde o verme não morre e o fogo não se apaga».

sábado, 29 de setembro de 2012

Pensamentos impensados


Piscicultura
Há peixes que fazem limpeza dos aquários; são os peixe-makers.
 
Oceanologia
OH MAR SALGADO! - em egípcio diz-se Omar Sharif, em francês é homard e no Largo do Rato é oh mar...ocas.
 
Insectos
As farmácias estão "às moscas"; será que a crise é boa para a saúde?
 
Libações
Estava Descartes num jantar quando decidiu fazer um brinde; disse: cogito ergo sumus, e ergueu um copo com sumo de uva
 
Iliteracia
Na passada 4ª feira, na TVI24, às 17h40, vi/ouvi no noticiário um deputado (julgo que do PS) dizer: ...o Governo CONGRATÓLA-SE... Será que os portugueses têm de pagar ordenado a analfabetos?
 
Resposta a ALA
Obrigado por me "visitar".
Camões e Bocage conviviam com musas aos pacotes; eu, por junto, sou visitado às vezes por um animador cultural
Vou ver o que se arranja com o aborto ortográfico.

SdB (I)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Crónica de um universitário tardio

Comecei 3ª feira a minha pós-graduação em Artes da Escrita (Universidade Nova). Um frémito de emoção percorreu-me o corpo quando me sentei numa sala da faculdade, 28 anos depois de me ter levantado de outra. Gente vária solidarizou-se comigo nos dias precedentes. Recebi votos de bom regresso às aulas, percebi a paciência infinita com que me aturaram os nervos, recebi conselhos sábios  sobre a grafite e os vários tipos de lápis, na penumbra de uma capela houve quem rezasse: que chegue depressa e bem..., manifestou-se por aí uma preocupação estética quanto ao aprumo do meu cabelo, a brancura dos meus dentes, a qualidade da minha água de colónia, o brilho dos meus sapatos, a dimensão da minha impressividade. O ministro Relvas indagou se queria réguas e esquadros (aventais presumia que não...) assegurando-me que, por ele, a qualidade da minha escrita já valia um doutoramento. 

O primeiro dia foi interessante. O local indicado para a primeira aula estava desactualizado dois minutos antes, as portas estavam identificadas como gabinete (que na minha gíria é diferente de sala), mandaram-nos para um anfiteatro (identificado como auditório) de onde saía um magote de estudantes que respiraram largos minutos, com cadência e vagar, num ambiente fechado. Imagine-se a qualidade do ar legado. Dez minutos depois da hora formava-se uma turma composta por 20 pessoas, talvez, e um professor parecido com o sportinguista Pedro Barbosa, de quem diziam ser um falso lento. A esmagadora maioria dos meus jovens colegas vem de áreas ligadas à literatura. Mas havia dois professores, uma psicóloga, uma secretária, uma arquitecta, talvez, dois brasileiros, e este vosso criado. Muitos se apresentaram evidenciando o gosto pela leitura e pela escrita, deveras curioso numa pós-graduação deste tipo. Eu disse que vinha para aprender, o que me pareceu ser uma banalidade equivalente. Mencionei o livro que tinha escrito, designando-o como vagamente auto-biográfico. Expliquei, a pedido, que estava classificado na FNAC como espiritualidade ou auto-ajuda, já não me lembrava. Referi que talvez não ladeasse os da Alexandra Solnado. Houve risos, não sei se relativamente a mim, se à autora que diz falar amiúde com Jesus. Telefone que Ele atende.

A primeira aula intitulava-se Poética Contemporânea. Um dos colegas mencionou o seu gosto pela poesia contemporânea, o que provocou um esgar quase imperceptível de desconforto no professor. Afinal, não é de poesia, no sentido mais corrente, que iremos falar, mas de um certo modo de fazer as coisas. Investigue-se a origem etimológica da palavra poesia e perceber-se-á o engano. Perguntar-me-ão de que falámos. Falou-se pouco (sempre era a primeira aula), mas mencionou-se o modernismo, Rimbaud, Jorge Luis Borges, a ideia de autor e de destruição do dito, a noção de contemporâneo, alguns textos que irão ser discutidos, trabalhos futuros, etc. 

Com um curso de engenharia, uma certa mente técnica, e 20 anos de fábrica, ainda pairo um pouco. O meu processo mental está perro, e tenho de me desabituar de conceitos que me são familiares, como processo produtivo, outputs e eficiências, prazos e redução de custos. Tenho de me desabituar, no fundo das coisas palpáveis. O abstracto (ainda) mexe comigo. A ver vamos, como diria o ceguinho... Para já parto, não de flor ao peito, como diria o poeta, mas com entusiasmo, que não é mais do que a ingenuidade dos limitados.    

JdB  

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Filmes dos dias que correm



Medalha de ouro no SilaFest 2012, o Festival Internacional de Filmes de Turismo e Ecologia da Sérvia, na categoria de "Melhor Filme de Turismo"

Diário de uma astróloga – [35] – 26 de Setembro de 2012

China e a astróloga detective

Uma comentadora deste blog sugeriu-me que partilhasse a minha visão astrológica sobre a China.

O primeiro passo é encontrar uma carta da China que reflicta o momento do seu nascimento. Não é fácil. As origens do estado chinês remontam ao segundo milénio AC. Já mais perto temos a carta da queda da dinastia imperial Manchu e a tomada de possa do republicano Sun Yat-sen a 1 de Janeiro de 1912. Mas ao general Yuan ShiKai tinha sido prometida a presidência se o Imperador abdicasse. Puyi, com 6 anos, abdicou e, para quem viu o filme de Bertolucci “O ultimo Imperador” sabe que se seguiram anos de confusão, invasões japonesas, retorno ao trono de Puyi, exílios de Sun Yat-sen, tomadas de poder dos nacionalistas de Chian Kai-shek. Toda esta instabilidade só acabou com Mao Tsé-Tung. No 21 de Setembro de 1949, na sessão de abertura da primeira Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, no fim do discurso de abertura, Mao declarou “Viva a República Popular da China”. Isto foi a primeira vez que foi anunciada a existência da China como a conhecemos hoje.

Durante essa conferência, que durou até 30 de Setembro, Mao foi eleito Presidente e, no dia 1 de Outubro, perante o povo reunido na praça Tiananmen, anunciou a constituição do governo da nova república que já tinha tomado posse em privado na véspera.

Há muitos astrólogos que consideram a manifestação de 1 de Outubro como carta da China actual. Tem a vantagem de se saber a que horas foi, 3:15 da tarde. Mas, olhando para esta carta como astróloga, tenho que dizer não. Lua no signo de Aquário está conjunta ao Ascendente, o que quereria dizer que o povo chinês é progressista e o elemento principal da nova China. Mas há pouco tempo li a biografia do Mao da autoria de Jung Chang, conhecida por ter escrito “Cisnes Selvagens”. O co-autor desta biografia é o Jon Halliday, um Visiting Research Fellow do King’s College em Londres, o que tira qualquer laivo de romance a este livro.  Foi um abrir de olhos, pois o sofrimento dos chineses durante a guerra contra os japoneses e nacionalistas, as torturas e atrocidades cometidas pelo Mao contra o seu próprio povo, antes e depois de 1949, são inimagináveis. O povo chinês não pode ser apresentado pela Lua em Aquário com o solarengo trígono ao Sol Balança.

Na carta de 21 de Setembro, a Lua está em Virgem: povo cumpridor, trabalhador, humilde e obediente, numa conjunção a Saturno o que demostra obstáculos, dificuldades, carências, restrições impostas pelo líder supremo. Já me sinto mais perto do quadro descrito por Jung Chang.

Não encontrei em parte nenhuma a confirmação histórica da hora do discurso do Mao.  Quando não sabemos a que horas um acontecimento se realizou usamos o meio-dia. O que me dá um ascendente em Sagitário. O resto do mundo não vê a China moderna com características de optimismo, de abertura…  não me parece correcto.

A última CCPPC começou a 3 de Março de 2012 às 15:00. Os chineses são muito agarrados à tradição e, por isso, não me admira que a escolha das 3 da tarde seja determinada pela hora a que se realizou a primeira em 1949. Também sei que o Mao detestava levantar-se cedo. Nesta carta, a conjunção Lua/ Saturno fica na casa 8, casa do sofrimento. Aí também está o Sol, que representa Mao, uma vez que foi ele o primeiro presidente. Na casa 8 estão ambos o torturador e torturados, o opressor e os oprimidos.  


O Mc representa o poder do governo ou do comité central e está em Escorpião – poder escondido, muita manipulação secreta, falta de transparência. A ascendente, como os outros vêem a China, está em Capricórnio, conjunto a Júpiter, literalmente a imagem da grande engrenagem. 

Marte  representa a parte mais agressiva de uma nação e Plutão o desejo de controlar, de dominar, estão juntos na casa 7,  das relações com outras sociedades. Por esta carta não me parece que a China respeite aliados e tratados de paz e aproveita o comércio (representado por Mercúrio) para exercer as suas tendências imperialistas, uma vez que Plutão e Mercúrio estão num ângulo de 60⁰, que significa oportunidade.

O que me faz pensar que as minhas deduções estejam correctas são os trânsitos a esta carta durante a maior contestação ao regime em Junho de 1989 em Tiananmen Square. Nessa altura Plutão por trânsito estava no MC da carta da China, significando literalmente o desafio ao poder.

Pelos meus cálculos, a grande transformação da face da China ocorrerá quando Plutão passar no Ascendente entre 2018 e 2020. Entretanto, entre Dezembro próximo e Setembro de 2013, quando Saturno cruzar Vénus (moeda de um País) verificaremos a validade desta carta se se der uma considerável desvalorização do yuan.


Luiza Azancot

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Lista curta de observatórios existentes

Observatório do medicamentos e dos produtos da saúde
Observatório nacional de saúde
Observatório português dos sistemas de saúde
Observatório da doença e morbilidade
 
Observatório vida
Observatório do ordenamento do território
Observatório do comércio
Observatório da imigração
Observatório para os assuntos da família
Observatório permanente da juventude
Observatório nacional da droga e toxicodependência
Observatório europeu da droga e toxicodependência
Observatório geopolítico das drogas

Observatório do ambiente
Observatório das ciências e tecnologias
Observatório do turismo
Observatório para a igualdade de oportunidades
Observatório da imprensa
Observatório das ciências e do ensino superior
Observatório dos estudantes do ensino superior
Observatório da comunicação
Observatório das actividades culturais
Observatório local da Guarda
Observatório de inserção profissional
Observatório do emprego e formação profissional
 
Observatório nacional dos recursos humanos
Observatório regional de Leiria

Observatório sub-regional da Batalha 
Observatório permanente do ensino secundário
Observatório permanente da justiça
Observatório estatístico de Oeiras
 
Observatório da criação de empresas
Observatório do emprego em Portugal
 
Observatório português para o desemprego 
Observatório Mcom
Observatório têxtil
Observatório da neologia do português

Observatório de segurança
Observatório do desenvolvimento do Alentejo

Observatório de cheias 
Observatório das secas 
Observatório da sociedade de informação
Observatório da inovação e conhecimento
Observatório da qualidade dos serviços de informação e conhecimento

Observatório das regiões em reestruturação
Observatório das artes e tradições
Observatório de festas e património
Observatório dos apoios educativos
Observatório da globalização
Observatório do endividamento dos consumidores
 
Observatório do sul Europeu
Observatório europeu das relações profissionais
Observatório transfronteiriço Espanha-Portugal
 
Observatório europeu do racismo e xenofobia
Observatório para as crenças religiosas

Observatório dos territórios rurais
Observatório dos mercados agrícolas
Observatório dos mercados rurais
 
Observatório virtual da astrofísica
Observatório nacional dos sistemas multimunicipais e municipais
 
Observatório da segurança rodoviária
Observatório das prisões portuguesas
Observatório nacional dos diabetes
Observatório de políticas de educação e de contextos educativos
Observatório ibérico do acompanhamento do problema da degradação dos povoamentos de sobreiro e azinheira

Observatório estatístico
Observatório dos tarifários e das telecomunicações

Observatório da natureza
Observatório qualidade
 
Observatório quantidade
Observatório da literatura e da literacia
Observatório nacional para o analfabetismo e iliteracia
Observatório da inteligência económica

Observatório para a integração de pessoas com deficiência
Observatório da competitividade e qualidade de vida
Observatório nacional das profissões de desporto
Observatório das ciências do 1º ciclo
Observatório das ciências do 2º ciclo

Observatório nacional da dança
Observatório da língua portuguesa
Observatório de entradas na vida activa
Observatório europeu do sul
Observatório de biologia e sociedade
Observatório sobre o racismo e intolerância
Observatório permanente das organizações escolares
Observatório médico
Observatório solar e heliosférico
Observatório do sistema de aviação civil
 
Observatório da cidadania
Observatório da segurança nas profissões
Observatório da comunicação local

Observatório jornalismo electrónico e multimédia
Observatório urbano do eixo atlântico

Observatório robótico
Observatório permanente da segurança do Porto

Observatório do fogo 
Observatório da comunicação (Obercom)
Observatório da qualidade do ar

Observatório do centro de pensamento de política internacional
Observatório ambiental de teledetecção atmosférica e comunicações aeroespaciais

Observatório europeu das PME
Observatório da restauração
Observatório de Timor Leste
Observatório de reumatologia
Observatório da censura
Observatório do design
Observatório da economia mundial
Observatório do mercado de arroz
Observatório da DGV
Observatório de neologismos do português europeu
Observatório para a educação sexual
Observatório para a reabilitação urbana
Observatório para a gestão de áreas protegidas
Observatório europeu da sismologia

Observatório nacional das doenças reumáticas
Observatório da caça
Observatório da habitação
Observatório Alzheimer
Observatório magnético de Coimbra


Retirado daqui

Duas últimas (ou moleskine espanhol)

Aquando da minha última estadia em Espanha, há duas semanas, fomos ao Vale dos Caídos, um monumento imponente, esmagador, todo em pedra, onde se sente o peso da guerra civil espanhola. Construído com o trabalho de 20.000 prisioneiros vencidos, ali estão sepultados Francisco Franco e José António Primo de Rivera, fundador da falange espanhola, condenado e fuzilado em 1936, aos 33 anos de idade. Duas portas laterais, já dentro da igreja, dão acesso a duas capelas onde estão enterrados alguns dos que morreram por Deus e pela Pátria.  Todos terão  morrido pela Espanha (ou Espanhas, na expressão de um catalão, feirante de jóias, com quem travei conhecimento), muitos morreram em nome do Criador.

Houve quem quisesse deitar o monumento abaixo, dessacralizá-lo, proibir missas, retirar o corpo de Franco, sei lá mais o quê. Como diria um padre que me dá o gosto da amizade, ali têm de rezar-se muitas missas para limpar um pouco daquele espírito. Numa visão mais ecuménica, a nossa amiga Luiza Azancot (com quem falei ontem sobre o tema) acrescentava que talvez uns indianos, budistas e outras religiões ajudassem a alguma espiritualidade.

Confesso que não tinha expectativas sobre o Vale dos Caídos - apenas curiosidade. Mas, reconheço, fiquei abismado. Uma estatuária forte e simbólica, tapeçarias pesadas e graves, um certo despojamento decorativo que impressiona. Percebe-se que o monumento provoque sentimentos antagónicos, conflituantes, difíceis de aceitar por quem está (estava) do lado que perdeu a guerra.

(Ainda na conversa com a LA abordámos o tema da impressão que nos provocam os sítios. Ela mencionou, entre outros, as pirâmides, que a mim, talvez por estar à espera de muito, impressionaram pouco. Mas fiquei boquiaberto com a beleza do Cabo Girão (Madeira) que nos mostra uma vastidão de espaço que sufoca. Enfim, deambulações para explorar noutra altura.)


   
(As fotografias, tiradas com um iphone, não dão a verdadeira imagem da imponência do monumento).

Deixo-vos com música clássica espanhola. 






JdB

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Vai um gin do Peter’s?

Perante um conflito tão feroz, como o que opõe Israel à Palestina, é difícil de conceber que a arte possa ter um papel conciliador. Fará sentido acreditar que o som de uma peça musical pode abafar o estrondo destrutivo das bombas? Haverá linguagens, vias de comunicação capazes de se sobrepor à força das armas? Mais concretamente, será possível substituir G3 por violinos? 

Um maestro-pianista judeu, de origem argentina, e um académico palestiniano acreditaram que sim e fundaram, em 1999, uma orquestra israelo-palestiniana, para proporcionar às novas gerações um elo de ligação poderoso, favorecendo a cooperação e até a amizade entre os dois lados da trincheira de guerra. A West-Eastern Divan Orchestra(1) nasceu assim do sonho louco de Daniel Barenboim (1942) e de Edward Said (1935-2003, nado e criado em Jerusalém, 17 anos antes da criação do Estado de Israel), com o apoio do alemão Bernd Kauffmann, responsável pelo Festival das Artes de Weimar, em 1999.

O nome da Orquestra replica o título da antologia poética de Goethe, que reúne a tradição literária árabe e a europeia. Note-se que o poeta alemão começou a estudar a língua árabe, aos 60 anos, para poder explorar a grandeza daquele património cultural.

«(A música) não pode resolver problemas, mas pode ensinar-nos a pensar de um modo que é uma escola para a vida.» – declarou o maestro, a exaltar o alcance inimaginável da expressão de arte onde é mestre. Na sua carreira fulgurante, Barenboim conta com muita solidariedade em favor da Palestina e de Israel, em parceria com o grande pensador palestiniano Said, onde se destaca a edificação de um jardim-escola em Ramallah. 

É também significativo que o ponto alto da carreira de Barenboim se situe, precisamente, no coração da Alemanha (local de residência, desde 1992), onde é o Maestro Principal e vitalício na Staatskapelle Berlin. A sua vida, tão generosa, é a prova viva da sua capacidade de semear a paz entre antigos (e actuais) inimigos, fazendo jus ao dito: «Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro» (de Elisabeth Leseur(2) – intelectual francesa do séc. XIX, da alta sociedade parisiense). 


O pouco tempo de vida da W-E. Divan Orchestra já soma ao êxito musical, com actuações nos palcos melómanos da Europa, entre a Alemanha, a Áustria e Londres, o mérito de aproximar um pouco povos desavindos, conforme desejaram os fundadores: «Gostaria de os ver (os jovens músicos) como pioneiros de uma nova forma de pensar no Médio Oriente.» (Barenboim).

Em 2005, foi o tema de um documentário – «Knowledge is the Beginning» – realizado por Paul Smaczny e premiado com um Emmy do Melhor Documentário sobre Arte (2006). Este ano, a Orquestra recebeu mais um prémio internacional, desta vez atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian, com uma verba avultada para ajudar a manter um sonho aparentemente utópico. Felizmente que, às vezes, a realidade insiste em superar a ficção.

Também, em sentido inverso, há momentos negros na história da arte, obscurecidos por colagens ideológicas impróprias, que estigmatizaram os artistas, quase nunca isentos de responsabilidade... Assim aconteceu com vários germânicos ligados ao regime nazi, sendo os mais lendários Leni Riefenstahl (1902-2003) e Herbert von Karajan (1908-1989, austríaco como Hitler). Do maestro ficaram inúmeros episódios contraditórios, como o que deu pretexto ao episódio aludido (sem nomes) no filme francês de 1981 – «Les Uns et les Autres» – onde um jovem músico é convidado a actuar num concerto memorável do pós-guerra, creio que no Met de Nova Iorque, completamente esgotado. Qual não foi a sua consternação, quando subiu ao palco e se viu sem público. Perante uma orquestra hesitante e desmotivada, Karajan levantou a batuta e executou o programa que estava anunciado. Soube depois que os judeus da Big Apple tinham comprado os bilhetes para lhe infligir aquela humilhação, a que o maestro replicou com o brio e a combatividade possíveis. Depois deste incidente, a sua carreira continuou sem mais percalços, à parte de lhe atribuírem um estilo férreo, autoritário e machista. No seu corpo de músicos, só se lhe conhece uma excepção feminina (e já no final de vida) – a talentosa violinista alemã, Anne-Sophie Mutter. É dele a citação irónica: «Those who have achieved all their aims probably set them too low

Baseada no impacto positivo que a arte pode ter na sociedade (na política e até no poder) e, sobretudo, no coração das pessoas operando verdadeiras revoluções, a iniciativa visionária de Barenboim e Said é das réplicas mais benignas da criatividade humana em favor da paz: 



Esperando que um som alcançado na reconciliação de pólos opostos contagie e reverbere nos ouvintes, inspirando-lhes a mesma atitude de abertura aos mais distantes, vale a pena assistirmos aos concertos da W.-E Divan Orchestra, em especial à Nona de Beethoven, consagrada à Alegria e excelentemente executada na Staatsoper de Berlim:



Maria Zarco

(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
____________


(2)  O seu pensamento só foi conhecido e publicado após a sua morte, pelo marido, que ficou tão impressionado perante a riqueza espiritual da mulher, que se transformou de ateu militante em frade dominicano. É de Elisabeth Leseur a frase: «Meditar é bom; rezar é melhor; amar é tudo».

domingo, 23 de setembro de 2012

Domingo, Se Fores à Missa...

A criança, na sua essência, não sente rancor nem inveja; não conhece o mal nem a mentira.  Não se preocupa se é o maior ou se chega em primeiro lugar. Estas características são fruto de uma sociedade que se impõe, uma sociedade que nos impõe metas e ambições, que nos transforma e nos deforma, nos agride e nos regride. A criança, em si, não tem maldade e é por isso que Jesus escolhe, precisamente, uma criança para explicar aos discípulos a forma de chegar ao Pai.  
À medida que vamos crescendo, vai crescendo em nós a importância de sermos os melhores, os mais rápidos, os mais ricos, os mais inteligentes... Não há nada de errado em sermos bons, rápidos, ricos ou inteligentes! O problema é quando isso se torna o centro da nossa vida e da nossa vivência e, às tantas, ficamos cegos para o que está à nossa volta. Queremos ser os primeiros e não olhamos a meios para o atingir, porque nascemos inteligentes, desprezamos os que o não são, fizemos fortuna e não sabemos partilhar. A mensagem que tiro desta leitura é simples: não esqueçamos a criança que há em nós, deixemos que ela continue a pautar as nossas decisões e as nossas acções, em toda a sua pureza e simplicidade. A competitividade e a concorrência são coisas dos homens e não de Deus. Deus ama-nos a todos igualmente, cada um com o seu ritmo, cada um com as suas virtudes e defeitos. Não precisamos competir uns com os outros; antes, deixemo-nos amar por Ele.

Domingo Se Fores à Missa, sê Criança !

Maf

Evangelho segundo S. Marcos 9,30-37.

Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos atravessaram a Galileia, mas Ele não queria que ninguém o soubesse,
porque ia instruindo os seus discípulos e dizia-lhes: «O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens que o hão-de matar; mas, três dias depois de ser morto, ressuscitará.»
Mas eles não entendiam esta linguagem e tinham receio de o interrogar.
Chegaram a Cafarnaúm e, quando estavam em casa, Jesus perguntou: «Que discutíeis pelo caminho?»
Ficaram em silêncio porque, no caminho, tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior.
Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos.»
E, tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse-lhes:
«Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber, não me recebe a mim mas àquele que me enviou.»

sábado, 22 de setembro de 2012

Pensamentos impensados


Dependências
Durante um tempo não tive acesso à Internet; em compensação tive um acesso de fúria.

Toca e foge
Diz-se que o homem é o único animal que ri; o mosquito que nos pica e desaparece, fica a rir-se de nós.

Mais vale prevenir
Irei ao médico para que me dê qualquer coisa antes que me dê qualquer coisa.

Injustiças
Se os gatos têm dentes caninos, por que é que os cães não têm dentes felinos?

Novo acordo, esse aborto
Dantes escrevia-se de facto e de direito e eu sabia o que queria dizer; agora escreve-se de fato e de direito e a única coisa que me ocorre é que o fato não está do avesso.

SdB (I)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Textos dos dias que correm


De que falamos quando falamos de santidade
Sophia de Mello Breyner naquele conto tão conhecido, “O retrato de Mónica”, explica que a poesia é-nos dada uma vez e quando dizemos que não ela afasta-se. O amor é-nos dado algumas vezes, e também se o recusamos ele distancia-se de nós. Mas a santidade é-nos dada todos os dias como possibilidade. E se a recusamos teremos de a recusar todos os dias da nossa vida, porque quotidianamente a santidade se avizinha de nós.
Contudo, fizemos da santidade uma coisa tão extraordinária, abstrata e inalcançável, que quase não ousamos falar dela. Muito menos no espaço público. De certa forma, habituamo-nos a olhar para a experiência cristã como que acontecendo a duas velocidades: o caminho heróico dos santos e a frágil estrada que é aquela de todos os outros, e por maior razão a nossa. Ora esta conceção de santidade não pode estar mais longe daquilo que a tradição cristã propõe, pela qual pugnou e pugna. O Concílio Vaticano II, por exemplo, deixa bem claro: a santidade é vocação mais inclusiva e comum. Mas é preciso entender de que falamos quando falamos de santidade.
Bastar-nos-ia certamente ler as bem-aventuranças. Jesus não diz que os bens aventurados são os outros, os que não estão ali. Jesus olha para a multidão e começa a dizer: “bem-aventurados vós os pobres”, “bem-aventurados vós os aflitos”, “bem-aventurados vós os misericordiosos”. O que é que isto quer dizer? Que são, no fundo, as nossas pobrezas, fragilidades, aflições, mansidões, procuras de justiça, sedes de verdade, a nossas buscas por um coração puro, que dão a substância da bem-aventurança, a matéria da santidade.
É naquilo que somos e fazemos, no mapa vulgaríssimo de quanto buscamos, na humilde e mesmo monótona geografia que nos situa, na pequena história que dia-a-dia protagonizamos que podemos ligar a terra e o céu. Falar de santidade em chave cristã passou a ser isso: acreditar que a humanidade do homem se tornou morada do divino de Deus.

José Tolentino Mendonça
. Tirado daqui

reflexão sobre as nocturnas marés vivas


como a poesia que ocorre
sem que licença te seja pedida

assim a tua vida decorre
ao sabor da maresias

enxuta água sublimada
com o sal das tuas lágrimas

e da vida derramada
em cada noite dos teus dias.


gi.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Deixa-me rir...

Caros Audiophiles, BBC Radio this year celebrates the 70th anniversary of one of the world's longest-running radio shows Desert Island Discs. Created in 1942, each week a guest - who has reached a significant level of success in their chosen profession and who has led a rich and interesting life - is invited to imagine that he or she is abandoned alone on a desert island. The guest is asked to choose eight pieces of music, a book and a luxury item for their imaginary stay on the island, while discussing a review of their personal and professional lives and the reasons for their choices.
At the end of the programme they must choose the one musical piece they regard most highly. They are then asked which book they would take with them, in addition to the Complete Works of Shakespeareand the Bible (or another religious or philosophical work) which are provided automatically.
Guests also choose one luxury item, which must be inanimate and of no use in escaping the island or allowing communication from outside. Examples of luxuries have included champagne, a comfortable bed, daily newspapers, an endless supply of tea, the British Museum, and a piano. 
The show has become a much-loved national institution. It allows us to uncover those extraordinary moments which define who we are and perfectly illustrates music's ability to evoke pivotal moments in our lives.
Nearly 3000 guests have appeared until now. To celebrate this anniversary, the archives were researched to discover the most chosen pieces of music and the most popular composers:

Composers: 1 Mozart (805 times), 2 Beethoven (724), 3 Bach (687), 4 Schubert (362), 5 Verdi (333), 6 Elgar (329), 7 Tchaikovsky (318), 8 Puccini (298)...and not far behind Lennon/McCartney (255).

Music: 1 Beethoven's 'Choral' 9th symphony, 2 Rachmaninov 2nd piano concerto, 3 Schubert string quintet, 4 Beethoven 'Pastoral' 6th symphony, 5 Elgar 'Land of Hope and Glory', 6 Beethoven 'Emperor' 5th piano concerto, 7 Elgar Enigma variations, 8 Beethoven 7th symphony.
Research also determined the most requested 'pop' songs: these include Judy Garland's Over The Rainbow, Louis Armstrong's What A Wonderful World, Frank Sinatra's My Way and John Lennon's Imagine.

But the two most requested songs are surprisingly both by Edith Piaf - Non Je Ne Regrette Rien and La Vie en Rose, chosen 42 and 32 times respectively:



I would like to add my personal Edith Piaf favourite, Hymne a l'Amour, which always sends a tingle down my spine. I have included below a Portuguese translation of its lyrics:



O céu azul sobre nós pode desabar
E a terra bem pode desmoronar
Pouco me importa, se tu me amas
Pouco se me dá o mundo inteiro

Desde que o amor inunde minhas manhãs
Desde que meu corpo esteja fremindo sob tuas mãos
Pouco me importam os problemas
Meu amor, já que tu me amas.

Eu irei até o fim do mundo
Mandarei pintar meu cabelo de louro
(ou: Me transformarei em loura)
Se tu me pedires
Irei despendurar a lua
Irei roubar a fortuna
Se tu me pedires

Eu renegarei minha pátria
Renegarei meus amigos
Se tu me pedires
Bem podem rir de mim
Farei o que quer que seja
Se tu me pedires

Se um dia a vida te arrancar de mim
Se tu morreres, se estiveres longe de mim
Pouco me importa, se tu me amas,
Porque eu morrerei também

Teremos para nós a eternidade,
No azul de toda a imensidão
No céu não haverá mais problemas
Meu amor, acredite que nos amamos.
Deus reúne os que se amam.

A proxima.
PO

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ponto de Vírgula

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)



in "Tabacaria", Álvaro de Campos



Petit-Gateau (bimby)

Ingredientes:
1 barra chocolate (200gr)
160 gr margarina
160 gr açúcar
80gr farinha
3 ovos

Modo de Preparação:

Derrete-se o chocolate com a manteiga durante 5 min/50º/vel4.
Junta-se os 3 ovos, o açúcar, a farinha e mistura-se 2min/vel6. Untam-se as forminhas com margarina (se for de silicone, como foi no meu caso, não é preciso). Aquece-se o forno a 250º e depois de quente põem-se as forminhas durante 6 minutos.

(Receita tirada daqui)



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