segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Vai um gin do Peter’s ?

Mantém-se em cartaz um thriller inteligente e com um olhar europeu bastante cirúrgico: «O TURISTA»1. Elenco de luxo, entre Angelina Jolie e Johnny Depp. Cenários de luxo, entre os melhores recantos de Paris e de Veneza. Realizador incontornável – Florian Henckel von Donnersmarck – o alemão de nome comprido (e aqui abreviado; só nomes próprios tem quatro), que mereceu o Óscar do Melhor Filme Estrangeiro em 2007: «A VIDA DOS OUTROS» (a ver se tem um gin, um dia destes).


A premissa é semelhante à d’«A Vida dos Outros» (mas sem tanta profundidade) ao discorrer sobre a substância de fundo das pessoas e os limites do conhecimento humano, que se distrai infantilmente com as aparências, perdendo de vista o essencial. E paga caro essa incapacidade de se concentrar na realidade para tentar perscrutá-la até ao âmago. Genericamente, fica-se obnubilado pelo impacto imediatista do visível. Ou seja: até no processo cognoscitivo o facilitismo predomina.

«To be or not to be» é a dúvida que atravessa toda a trama. Quase nada do que parece, é. E logo nos escapa a dimensão mais rica e densa de uma personalidade. Um azar enorme, porque seria a faceta mais imperdível. Infelizmente, tende-se a tomar a pessoa pelo exterior e pelos pormenores básicos. Um handicap tão humilhante quanto prejudicial. Para máxima ironia, cada um de nós, no papel de observadores, está longe de poder considerar-se isento de culpas…

Resumindo: a imagem projectada tende a abafar a individualidade de cada um. Antes cair em graça do que ser engraçado é a perigosa bússola por que se guia uma certa superficialidade social, demasiado disseminada. Estamos ou continuamos em plena sociedade mediática, fixada em ícones vazios.

No epicentro de «O Turista» há uma perfect trip, perfect trap, que se pode transpor, parcialmente, para o nosso dia-a-dia. Experimentem adaptar os cenários…



A sobreposição de máscaras, típica da espionagem, é o leit motiv. A questão ontológica ali explorada (e q.b. invulgar) incide sobre a interferência da máscara na essência do mascarado, um dos temas fortes do realizador que, ao invés do politicamente correcto, não considera nada inócuo o exercício de representação. Claro que representação entendida em sentido profundo, pela maior ou menor verdade com que cada um escolhe (ou consegue) viver. À boleia, também parodia os métiers de actor e de espião (sob este prisma, equivalentes), a desdobrarem-se em múltiplas alteridades, i.e., em infindas identidades. Lança-nos na reflexão sobre: quem é quem ou quem se torna em quem?

No universo do filme, destaca-se uma personalidade maior, que preside a todo o enredo. Significativamente, será a pura máscara, embora funcione como presença desmaterializada, que se faz substituir por uma marca. No seu caso, por iniciais de peso: «A.P.» Sem me querer alargar em considerações sobre o poder da Palavra – desde Alpha e Ómega («No princípio era o Verbo…») até expoente do ser– vemos aqui retomada a tradição da melhor simbologia romanesca, associada a grandes figuras. Figuras que pairam como uma sombra sobre o real, dispensando a carnalidade a que a maioria está confinada. Figuras com direito a um símbolo (dígito ou simples monograma), que comporta mais presença que a dos seres de carne-e-osso. Ressurge a antiga dicotomia entre a fragilidade do visível e a omnipresença/omnipotência do invisível. E, como sempre, assistimos à subalternização da matéria, sujeita à falácia da aparência, altamente penalizada pela falta de fiabilidade na sua percepção. A literatura de todas as épocas dá voz à ameaça que impende, dramaticamente, sobre a condição humana desde que começou a povoar o planeta: «vêem, sem ver, e ouvem, sem ouvir nem compreender…», equivalentes a cegos com olhos.

Outro dos pontos fortes de von Donnersmarck é a exaltação da liberdade, entendida como um exercício de responsabilidade pessoal, com óbvias consequências. Muito alemão, diria. Valoriza inclusive o efeito dos pequenos gestos, das escolhas mais ínfimas. Porque na vida nada é virtual, ainda que imperceptível. Tudo se repercute, ainda que através de ecos microscópicos. Tudo tem um preço, ainda que o mercado não o saiba reconhecer logo. Note-se que isto em nada coarta a liberdade individual, antes responsabiliza o indivíduo. Como o realizador não concebe determinismos, também não há desculpas para a passividade, enquanto cedência ao irrealismo inconsequente, misto de cobardia e mimalhice. Por isso, exploram-se as brechas para alterações de rumo, num jogo insaciável de mascarar (representar) para desmarcar. Naturalmente que a instrumentalização do próximo está na ordem do dia: «You're a part of a plan» (desabafo de Elise com Frank) podia ser o estribilho das falas de quase todas as personagens. Nova reflexão: será que alguém consegue valer por si?

O olhar europeu de von Donnersmarck impregna o sentido de humor do filme. Os holofotes sobre pormenores de nacionalidade lembram as típicas anedotas que parodiam as diversidades do velho Continente: cruzaram-se um italiano, um francês, um inglês… É nesta componente de comédia lúcida que se perfilam as personagens-protótipos, a contracenar com as mais densas (refiro-me às que nunca são totalmente conhecidas, sempre resguardando um certo mistério… o da sua individualidade intocável). Os momentos anedóticos sucedem-se:

A reacção explosiva e subjectivista de um guarda veneziano, provocada por um incidente menor que o tirou do seu conforto, é um exagero só concebível num italiano. Permitia-se exigir nada menos que a prisão perpétua para um… azelha.

A atitude muito apreciadora delle donne claro que atravessa transversalmente (também descarada e comicamente) toda a sociedade italiana, do staff do hotel de luxo à super-esquadra, passando pelos gondeleiros ou os VIP dos bailes mais selectos de Veneza. Escusado será dizer que Elise (Angeline) não tinha forma de passar despercebida em nenhuma das inúmeras capas que foi acumulando. Só talvez se se tivesse escondido numa burka 100% opaca.

O robotismo artificial dos agentes à paisana, alinhados na estação de comboios, é expressiva da organização esforçada do Sul da Europa, onde subsiste uma certa anarquia. Mas vale também a humanidade muito latina das mesmas autoridades, que agasalham o transgressor com o fato disponível – a própria farda, bastante stylish, da polícia veneziana – não fosse o subversivo constipar-se no seu pijama de Verão.

O charme criativo, esfusiante e cheio de humor do staff do Danieli dá razão a Asterix: «Estes romanos (italianos) são loucos.», na sua imperturbável atitude dolce vita. Sendo que tudo ali é sofisticado e milenar. Não há uma chave, por exemplo, que não seja artística, festiva. Assim era a da suite onde ficaram hospedados, de borla bojuda em tom cardinalício, a condizer com a antiguidade do palacete marcado pela patine (e algum desconforto) dos séculos de civilização que a Europa pode e adora exibir.

O esteticismo francês, a que nem as unidades de elite, em missão especial, são alheias, revela a Gália no seu melhor.

O zelo hiper pragmático e sóbrio da Scotland Yard (à parte do agente emocionalmente envolvido no processo, ou do mafioso brutalizado pela má vida a que se entregou) confirma a fleuma britânica, inquebrantável.

A ferocidade dos bodyguards russos evoca a grandeza fulgurante e algo cruel da história de um povo muito dado a excessos, mas com forte sentido hierárquico – atributos ideais para os exércitos da mafia.

A descontracção informal, até ao desleixo, do turista é também uma imagem de marca dos americanos. Pelo menos, observados do lado de cá do Atlântico. Igual ao seu típico voluntarismo. Ou a sua enorme auto-estima, demasiado espontânea e desalinhada com a conduta bastante codificada da velha Europa.

Passando a outros turistas: pela mira do fotógrafo português, Eduardo Gageiro, desfilam figuras conhecidas dos anos 50 e 60. A colecção de imagens a preto-e-branco, artisticamente captadas, inclui: Amália, Sophia, Orson Welles, Nureyev, Grace Kelly, Vieira da Silva e Arpad Szenes, etc. É uma boa oportunidade para revisitar a história:




Maria Zarco

(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

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(1) Remake do filme de 2005, com Sophie Marceau, «ANTHONY ZIMMER», sobre a manipulação de um turista pela Interpol, onde domina a imprevisibilidade.

FICHA TÉCNICA
Título original: The Tourist Título traduzido em Portugal: O Turista
Realizador
: Florian Henckel von Donnersmarck
Argumento: Florian Henckel von Donnersmarck Christopher McQuarrie, Julian Fellowes
Elenco: Angelina Jolie, Johnny Depp, Paul Bettany, Timothy Dalton, Steven Berkoff, Christian de Sica
Género: Comédia, Policial, Romance, Thriller
Estúdios: Columbia Pictures, Spyglass Entretainment, Studio Canal
EUA/FRA, 2010, Cores, 100 min.
Línguas faladas: inglês, francês, italiano e russo.
Locais filmados: Paris: Place du Palais Royal, Veneza: canais, Hotel Danieli

domingo, 30 de janeiro de 2011

Murro no estômago

No dia 22 de Dezembro mencionei um jantar em casa de pessoas que não conhecia mas que, estou certo, teve o propósito cósmico de me por a conversar com o anfitrião, pai de uma criança de cinco ou seis anos com leucemia. Ontem telefonou-me, na sequência de um projecto de angariação de fundos para estas crianças. A meio da conversa disse-me: não sei se sabe, mas o meu filho está em cuidados paliativos, já não fará o transplante. O murro atingiu-me o estômago, provocando uma dor que achava já não ser possível, passados tantos anos do que levei pela primeira vez. Confesso que me custou muito - muito mesmo - a passar. Como partilhava à noite com alguém que conhece a situação, uma coisa é sabermos que estas crianças desaparecem - e tudo isso já nos angustia. Outra é o próprio pai dizer-nos isso. A nós, que sabemos o que é, e que sabemos o que sente e vai passar quem nos contou.

Terei de ler e reler o texto que publico abaixo do Pe. Tolentino Mendonça e puxar de toda a minha memória para ter a certeza de que, apesar de todo o mal, Deus prega-nos partidas, permitindo que encontremos um sentido para tudo isto. Agora é reler o Evangelho, rezar para que quem parte o faça sem sofrimento, quem fica o faça com força e fixar a frase: bem aventurados os que choram...

JdB

O mal: uma difícil questão

A Cabala judaica ensina que o mal surgiu no mundo quando um escriba preguiçoso se equivocou na escuta e transcreveu erradamente uma letra da Escritura Sagrada. Um rabino comentador da Cabala, Soloviel, afirma: «As duas vozes, aquela de Deus que não devemos nomear e a voz do mal, do mal inominável, são terrivelmente semelhantes. A diferença entre uma e outra é apenas o som de uma gota de chuva a cair no mar». Ambas são formas poéticas de interpretar a questão. Mas refletir sobre o mal, qualquer que seja a forma adotada, é já uma vitória, pois não raro ele nos aparece como austeríssimo lugar onde o pensamento entra em colapso.

O mal toca universalmente as existências e constitui a todos os níveis um desafio. O importante, porém, como explica o filósofo Paul Ricoeur, não é tanto insistir em encontrar uma solução. Mais relevante que pensar donde vem o Mal é sim descobrir o que podemos fazer contra ele. A experiência do mal desafia à luta prática contra o próprio mal. Reorienta-se, assim, o olhar para um novo futuro.

Como é que o mal deixa de ser o irreparável? Quando aproveitamos o contexto de mal para um acontecimento doutra ordem. Quando deixamos apenas de perguntar: «Porque é que isto me aconteceu?». E investimos antes as nossas forças criadoras a decidir: «Como é que devo reagir vitalmente a isto que aconteceu?». Apetece citar aqui uma página do impressionante Diário de Etty Hillesum, um dos grandes testamentos espirituais do nosso tempo. Está lá tudo. «Foi lá [e a autora está a falar da sua experiência no campo de concentração], entre as barracas, repletas de gente agitada e perseguida, que achei a confirmação para o meu amor por esta vida. Não tive um único corte com a vida. Havia como que uma grande continuidade, plena de sentido. Como é que alguma vez vou conseguir descrever isto tudo? Descrever de modo que outros também consigam sentir como na realidade a vida é bela!».

É preciso contrapor à experiência do mal uma sabedoria, enriquecida pela meditação interior, que dialogue com as transformações pelas quais passamos. O modelo talvez seja realmente o dos trabalhos do luto. O luto é a aprendizagem gradual da perda até senti-la dentro de nós como possibilidade misteriosa de reencontro. Chegarmos a sentir, por exemplo, que a morte dos que amamos ainda pode gerar vida, no sentido de que não nos perdemos deles, mas continuamos a crescer e a maturar conjuntamente, só que de forma diferente. O luto, quando bem vivido, é um trabalho espiritual, uma mudança qualitativa que nos entreabre a um outro entendimento da vida. Em relação ao mal precisamos disso: aprender que a experiência do mal não é uma faca que nos decepa a vida.

Progressivamente, e sublinhe-se aqui a importância da progressividade, podemos ir percecionando que a experiência do mal não acarreta necessariamente a destruição de nós próprios. Tornamo-nos então capazes de semear de novo, apesar de tudo e contra tudo o que aconteceu. A ampliação da vida e o seu florescimento estão prontos para acontecer.

Texto do Pe. José Tolentino Mendonça tirado daqui.

4º Domingo do Tempo Comum

Se o editor e dono deste estabelecimento fosse um homem com juízo publicava o evangelho de hoje e escrevia simplesmente: lede e deliciai-vos. Depois retirava-se de mansinho para desfrutar de um dos texto mais bonitos do Novo Testamento, uma verdadeira mensagem de esperança e alento. Mas o corpo pede chatice...

As bem-aventuranças são um desafio ao nosso tempo. Os dias de hoje apelam ao dinheiro, ao poder, às vidas sempre em festa, à ilusão de felicidade, à competitividade cega, à ânsia de ganhar a todo o custo. Mas Deus estende os braços aos despojados, aos que sofrem vítima das injustiças, aos que se recusam a responder na mesma moeda, aos tolerantes.

Os dias de hoje são um convite ao egoísmo, à duplicidade e ao engano, à aplicação da lei do mais forte, aos poderosos. Mas Deus estende os braços aos que amam sem limites, que têm corações honestos e leais, que recusam todas as tiranias, aos marginalizados e humilhados.

Os dias de hoje são o que são: crise, dificuldades, sobrevivência, menos ética, prepotência, esquecimento dos valores cristão como sendo caducos, despropositados, castradores da miragem de felicidade que todos queremos atingir na Terra. A contrapor este estado de coisas, leiamos incessantemente as Bem-aventuranças, acreditando naquilo que verdadeiramente nos salva - e que a maf referiu na semana passada - a civilização do Amor.

Bom Domingo para quem me lê.

JdB


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se.
Rodearam-n’O os discípulos
e Ele começou a ensiná-los, dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados os que choram,
porque serão consolados.
Bem-aventurados os humildes,
porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa,
vos insultarem, vos perseguirem
e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai,
porque é grande nos Céus a vossa recompensa».


sábado, 29 de janeiro de 2011

Ecologia solidária

Ajudar o Banco Alimentar Contra a Fome com cápsulas de café Nespresso

Como sabem, a Nespresso está a desenvolver com os Bancos Alimentares uma iniciativa de responsabilidade ambiental e social que pretende reutilizar a maior quantidade possivel de borra de café resultante da reciclagem e produzir a maior quantidade possível de arroz para o Banco Alimentar. Esta iniciativa não está limitada no tempo. Para 2011 foi estabelecido o objectivo de produzir 50 toneladas de arroz: quanto mais os utilizadores de Nespresso reciclarem mais arroz é produzido para os BAs, uma vez que por cada 100 cápsulas recicladas a Nespresso doa 1,5 kg de arroz à Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares.

Foi instalado no BA de Lisboa um contentor onde podem ser depositadas as cápsulas usadas. Existem ainda mais de 200 pontos de recolha em Portugal Continental e Ilhas. A listagem actualizada pode ser consultada em www.ecolaboration.com

Isabel Jonet (retirado daqui, enviado por mão amiga)

Pensamentos impensados

Política
Sou monárquico e, como tal, tudo o que for ridículo na República me dá gozo.
Acho ridículo os candidatos à presidência da República votarem: Estão a votar em quem? no Rato Mickey? No Pai Natal?
Ainda gostava que um jornalista perguntasse ao Dr. Cavaco Silva em quem tinha votado para o ouvir responder "o voto é secreto".
Assisti pela primeira vez a uma arruada; completamente ridículo. Era 6ª feira antes das eleições e pelo Chiado abaixo vinham umas 200 pessoas precedidas por uns tipos a tocar pandeiretas e tambores; uma especie de mini-escola de samba; logo atrás, o Presidente da República (ele mesmo afirmou depois da reeleição que nunca tinha
deixado de ser presidente). Atrás do Dr. Cavaco umas pessoas gritavam pelo nome dele e as pessoas mais atrás iam em amena cavaqueira, o que não quer dizer que fossem a falar do Cavaco. Ao que um presidente se sujeita!
Os Reis não votam nem vão em palhaçadas.
PS- Espero que nêste blog não se volte a falar nestes assuntos pois penso que não foi para isto que foi criado

Afinal sempre vai mais uma de política.
Manuel Alegre levou uma grande cacetada o que é justo; não se pode enganar toda a gente todo o tempo.
Aqui lhe deixo um pensamento:
Pergunta ao vento que passa
Ó Alegre, Manuel
Em vistas desta desgraça
Achas que volte p´ra Argel?

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Traduções MY WAY
For that wall up, goes a curl down - Por aquela parede acima vai um caracol abaixo
Curl, curl, put the little sticks at the sun - Caracol, caracol põe os pauzinhos ao Sol.
Também sei francês
Ô mon âme gentie qui t'est cassée - Alma minha gentil que te partiste.

SdB (I)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

um jardim às (amor)eiras

abrir o e.mail pela manhã
e sentir a brisa inundar o rosto
mistura de romã e de hortelã
com a luz em zénite de agosto.

rimas forçadas porventura
recomendando mais juízo,
mas a poesia é aventura
e tudo o mais que é preciso.

falo, claro, metaforicamente,
querendo antes dizer Poesia.
repara: uma só letrinha diferente
e tudo é já plena magia.

vistas abertas para o mar
janela-vida rasgada que sorri
afinal, diz a Agustina, terminar
pode ser via-sacra de alegria.

como se abríssemos de par em par
esta estranha coisa - a alma -
e ousássemos outra vez navegar
com toda a garra e toda a calma.

mais não sei dizer, queridas meninas,
que não tenha dito mil vezes no retrovisor:
frémitos, balas, palmas e salvas
,
tudo apenas declinações óbvias deste

infinito e delicado, terno e eterno,
Amor de Inverno -
mas sempre em flor.

gi

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Deixa-me rir...

A crise está aí. Em Portugal, na Europa, no Mundo (aparentemente não tanto no Médio Oriente, por razões mais ou menos óbvias). É um facto, é uma realidade que toda a gente comenta ad nauseum. Por isso, quando se bate no fundo dos fundos e não há forma de saltarmos para o País das Maravilhas, qual Alice aos trambolhões pelo poço escuro do desânimo, do desalento, da demagogia e do baixar dos braços, há que nos levantarmos por nós próprios, não esperando que ninguém nos venha salvar (nem o Estado, nem a conjuntura, nem Deus, nem o Pai, a Mãe ou o namorado…). Isto tudo a propósito de várias conversas que tenha tido com um amigo meu. Apaixonado por Portugal, pela nossa História, pelos nossos feitos e pela nossa Língua, revolta-se, diariamente, contra a nossa passividade, a nossa ignorância, a nossa falta de auto-estima. É estimulante, muito estimulante, debater ideias com ele. Dentre a catadupa de ideias que jorram, cada 5 segundos, de uma cabeça muito inteligente e altamente criativa, destaco uma que não é demasiado complicada e que pode funcionar como alavanca de vida para jovens à procura de emprego, quarentões desempregados ou, simplesmente, pessoas que procuram ganhar mais algum dinheiro e que se preocupam com o futuro do nosso país. Porque, a componente social, ou melhor, a criação de emprego, e consequentemente de riqueza, está na génese desta ideia…


Portugal não precisa de importar nada. Já temos tudo. Prada’s, Donna Karen’s, Corte Inglés, produtos de todo o género e para todo o tipo de bolsas e gostos. Não precisamos, nem devemos, continuar a trazer para Portugal marcas e produtos que são o último grito, a última moda do que existe lá fora, e que, quer queiramos quer não, acabam sempre por relegar para segundo plano a produção nacional (por causa desta mentalidade bem nossa, bem portuguesa, que o que vem do exterior é que é bom). Neste momento, na minha opinião, e não é só na minha (basta ler alguns jornais estrangeiros), ser austero, viver com pouco, regradamente, é que é cool, é que está a dar. Acabou-se (será?) a era do esbanjamento, do consumismo frenético, do novo-riquismo irracional. Por mim, acho lindamente. A minha experiência prolongada na Índia fez-me entender, e de que maneira, como podemos ser felizes com muito pouco. Lembro-me até de ficar meio zonza quando, pouco depois de regressar, entrava nos nossos supermercados e via marcas e marcas de iogurtes, de bolachas, corredores e corredores de prateleiras cheias de artigos para consumir…. Não sou anti-consumo, atenção. Gosto de comprar roupa, livros e discos, de ir ao teatro, ao cinema e de viajar. Mas tudo tem de ter a sua justa medida. E chegámos a um ponto que deu no que deu. A economia “partiu”, a corda foi esticada demais.


Mas estou a afastar-me do meu pensamento inicial. Criar riqueza tem de ser o nosso futuro. De nós Portugueses, entenda-se, os outros países saberão de si. Temos de pegar em ideias portuguesas, em produtos portugueses e, com a maior confiança em nós próprios e no que criamos, pormos estes produtos no estrangeiro. Dou exemplos. Alguém já pensou em exportar as ameixas de Elvas? Ou as queijadinhas de Sintra? Ou os nossos deliciosos doces regionais? Nunca vi palmiers do género do Careca em nenhum supermercado de Londres, por exemplo.... E o nosso fabuloso azeite? E os bordados nacionais? E as jóias, os móveis ou as roupas que pessoas que conhecemos, particularmente dotadas, fazem? Porque não? Certa vez tentei vender as jóias duma amiga minha ao José António Tenente. E ele ficou interessado em vê-las… e não me conhecia, nem à minha amiga… ou seja, basicamente, the sky is the limit. Cada vez mais acho que as barreiras que nos rodeiam, somos nós que as criamos. E isto aplica-se aos negócios, aos estudos e ao nosso desenvolvimento pessoal. Já pensaram que se podem reunir com presidentes de câmaras municipais e propor-lhes a revitalização de indústrias locais? Já pensaram em pegar nas tapeçarias de Portalegre, uma arte que está, ao que sei, cheia de problemas, e levá-las aos melhores decoradores de Londres ou Nova Iorque? Porque não?


Esta ideia tem uma enorme vantagem: os custos do negócio são mínimos, porque se baseiam na intermediação. Basta ter um bom produto, internet, email e um telefone. Saber inglês, ter boa apresentação e desenvoltura ajudam, evidentemente. Assim como algum dinheiro para se viajar na Easyjet (de 3ª a 4ª feira, de preferência) e visitar as feiras que se realizam em Londres, Paris, Amsterdão ou Florença para vermos o que de melhor se faz no mundo ou, preferencialmente, apresentarmos os nossos produtos, tentando preencher nichos de mercado vazios.


Nada é impossível! E tudo isto se pode fazer devagarinho, claro. Até pode ser conciliável com outros trabalhos. Basta acreditar num produto com o qual nos identifiquemos e conseguir colocá-lo no mercado certo. Como é que isto se faz?? Bom, quem é de marketing e da área comercial, saberá muito melhor do que eu…. mas o bom senso, dois dedos de testa, persistência e o estar preparado para ouvir uma série de nãos ajudam…


E porque de Portugal falamos, aqui deixo dois exemplos da melhor tradição coimbrã, cidade onde nasci e de que guardo maravilhosas recordações.







PCP

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vamos lá ajudar o país??!!

Divulgação a pedido de várias famílias...

Está provado que se cada português consumir 100 EUR de produtos nacionais por mês a economia cresce acima de todas as estimativas e ainda cria 1 posto de trabalho!

Ponham a mensagem a circular, nem que seja a uma só pessoa, desde que circule. Por favor, quando for ao supermercado, dê preferência aos produtos de fabrico Português. Se não sabe quais são, verifique sempre o
CÓDIGO DE BARRAS:

TODOS OS PRODUTOS PORTUGUESES COMEÇAM POR "560" NO CÓDIGO DE BARRAS!

Talento português em acção

Moleskine

Eleições. Terceiro dia em que neste blogue se escreve sobre política - eleições presidenciais. Temo que o espaço se desvirtue... Confesso que segui atentamente o processo eleitoral, numa semana (ou seriam duas?) em que tudo me entusiasmou por igual: a tomada de posse do presidente da Bielorússia (estou certo?); os protestos na freguesia de Muro (mantenho a correcção?); o referendo no Sudão (acertei?). Gostei particularmente do discurso de vitória de Cavaco: o olhar sereno do Prof. Lobo Antunes - como quem disseca um cérebro frágil - contrastando com o da Dra. Maria, num vaivém visual entre o rosto bonito do homem que escolheu para seu marido, os papelitos que ele guardava junto ao baixo ventre e que eram, presumo, uma cábula para ele não esquecer ninguém no seu rancor, e a populaça que ovacionava o homem de Boliqueime. Os netos, ao lado, talvez pedissem dons rodrigos. Eu rogava para o sono vir, que os doces me dão azia.

Livro. Leio a Luz do Mundo, uma conversa entre Bento XVI e Peter Seewald (Ed. Lucerna, Novembro de 2010). Ofereceria de bom grado esta obra a um conjunto variado de pessoas. Aos católicos (como eu) para perceberem (ainda) melhor o pensamento do Papa; aos outros... exactamente pelos mesmos motivos. Hoje, dia em que o meu computador sofre uma transformação profunda - uma espécie de enxerto, implante e lifting em versão informática - falece-me o tempo necessário para reproduzir um ou outro pensamento. Voltarei, seguramente.

Obesidade. Faço zapping. Pelo menos uma série e um concurso com gordos - e sobre gordos. No concurso há gente que chora porque não emagreceu o suficiente para se poder manter no clube dos vitoriosos; gente para quem as calorias ingeridas são uma espécie de enxovalho público; na série - de que só vi a apresentação - há gente que grita com os gordos, há gordos que comem às escondidas, gordos que beijam gordos como se estivessem a pecar. Há uma que se lamenta estou farta de ouvir falar de pesos, ou coisa semelhante. Diz que vai haver um concurso semelhante em Portugal. Assim como assim já fui comer uma encharcada, que o meu fetiche sempre foi fazer um casting.

Música. Na senda das coisas bonitas, talvez tristes...



JdB

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Reflexões Presidenciais

É sabido que para se ser um bloguista respeitado e merecedor de crédito é preciso escrever, pelo menos, um post sobre um tema relevante, importante e actual. Não basta só elaborar histórias mais ou menos interessantes sobre personagens inventados. E o tema que escolhi para aumentar a minha cotação na blogosfera foi o das eleições de Domingo passado.

Não vou comentar a taxa de abstenção, porque é sabido que entre uma sande mista aparada e cortada em triângulos e o voto, 53,37% dos portugueses escolhem a primeira opção. Vou apenas tentar avançar quatro hipóteses para 4,5% da população terem decidido votar nesse vulto que é José Manuel Coelho:

1. Diz-se que o Rui Veloso é o Eric Clapton português e que Aveiro é a Veneza da Península Ibérica. Gostamos muito de ter um equivalente nacional aos ex-libris de fora. Nas últimas eleições brasileiras o candidato que fez mais furor apresentava-se com o nome de Palhaço Tiririca. Portugal não quis ficar atrás, e imediatamente deram a JMC a alcunha de 'o Tiririca da Madeira'.

2. O tempo de antena do candidato era feito em Windows Movie Maker, mostrando desse modo a grande preocupação do candidato pela a educação. Porque esse software é ensinado nas disciplinas de ITI e, assim, deu uma oportunidade aos alunos do 10º de mostrarem em horário nobre o que aprendem na escola.

3. Nesse tempo de antena, JMC dizia que ia dedicar o seu mandato a combater os tiranites. Os portugueses ficaram curiosos. O que serão estes tiranites? Uma ave selvagem? Uma planta? Uma espécie de borbulha que cresce nas costas? Com esta pergunta deixada no ar, JMC garantiu o voto dos mais curiosos!

4. Fala-se muito no voto útil. Mesmo que não seja a nossa primeira escolha, temos de votar em pessoa tal para não ganhar fulano tal. JMC, com a sua candidatura, criou um novo movimento: o voto divertido. Pode não ser a primeira escolha, mas pelo menos é o candidato mais engraçado.

Espero que estes comentários acutilantes e perspicazes me dêem, finalmente, a credibilidade que teimava em fugir.

SdB (III)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Fórmula para o caos

Este é um fim-de-semana de reflexão, não é aconselhável divulgar informação de carácter político e/ou conteúdo de campanha presidencial. Mesmo que esse desígnio não seja aplicado à blogosfera, vou cumpri-lo. Creio que fará de mim melhor cidadão. Trata-se de uma lei que imponho a mim próprio.

À hora a que escrevo estas linhas ignoro o resultado das eleições. Todavia, espero que a abstenção não saia vencedora. Criou-se o mito da suposta menor importância do cargo de PR. A história de dissoluções de AR por iniciativa presidencial(a última bastante arbitrária) indica-nos o contrário. Fica o apelo, todos às urnas!

Pedro Castelo Branco

domingo, 23 de janeiro de 2011

Domingo …… Se Fores à Missa !

Toda a nossa existência, como Cristãos, assenta no princípio universal e supremo que é o Amor. Aqui no Adeus, o amor, tem sido tema, palavra, expressão, adjectivo, substantivo usado e abusado por todos os bloguistas. Seja o amor a Deus, seja o amor fraternal, o amor à pátria, o amor aos filhos, o amor romântico, o amor-amizade, o narcisista, o desinteressado, o amor próprio, o firme ….. Mas existe uma palavra que precede o amor e sem a qual o amor não entra em nós: e essa palavra é SIM. Se não dermos o nosso sim ao amor, a Cristo, à família, à sociedade, aos amigos, ao trabalho, aos estudos, nada acontecerá nas nossas vidas.

A vida de Cristo está recheada de SIMs . A sua Mãe deu o sim a Deus, ao conceber Cristo através do Espírito Santo; Cristo deu o sim a Deus, Seu Pai, ao tornar-se homem, ao morrer na cruz, ao aceitar tudo quanto lhe estava reservado; os apóstolos deram o seu sim a Cristo, conforme relata o Evangelho de hoje, largaram tudo e seguiram-no.

Também, a nós, ao longo das nossas vidas, nos são pedidos muitos sins. Quantos damos ? Estamos, realmente, preparados para dar o sim ? E dando-o, estamos realmente preparados para mantê-lo? O casamento, para resultar, requer um sim constante ao outro. A vida em Cristo, para ser verdadeira, requer um sim constante ao Pai. A vida profissional, a vida de estudante, a vida em família. Em todas as nossas vertentes, a espinha dorsal é sempre a mesma : darmos o nosso SIM . E, no entanto, quão difícil é dar esse sim. Muitas vezes dou comigo a dizer NIM , nem sim nem não, a não querer me comprometer, a olhar para o lado e assobiar, a lavar as mãos como Pilatos. Somos humanos, é natural ! Mas não devemos desistir. Cristo pede o meu sim constantemente …. será que lho dou na mesma medida ?

Domingo, Se Fores à Missa ……. Dá o teu Sim !

Maf


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso, retirou-Se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: «Terra de Zabulão e terra de Neftali, estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou». Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus». Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O. Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.

Palavra da salvação.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Pensamentos impensados

Ameaças antigas
Levas com uma alcaparra num olho que ficas quatro dias a arrotar a azedo.
Levas uma pantufada na tabuleta que até ficas com folga na espinha.

Liga henseática
Era uma amálgama de metais para curar a ciática.

Justiça
Há regiões nos países muçulmanos onde não se pode aplicar a pena
de morte por lapidação; o deserto do Saara, por exemplo.

Tratamento
Parece que beber água é bom para quem tem pedras nos rins; daí...água mole em pedra dura...

Botânica
A couve-flor pode ser considerada verdura?

Polícia
Hoje, ao ver a Polícia a pôr bloqueadores nos automóveis, veio-me à ideia Gil Vicente, na peça Quem Tem Farelos, quando um personagem diz: fi de p... roim sapatos tens amarelos.

SdB (I)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

sem título?

os teus votos de Ano Novo
deixaram-me em lágrimas.
tolice talvez não escrever armas
ao invés de lágrimas,
mas essa tua cintilante
gramática - ou semântica? -
é toda uma outra escola,
e uma outra escala,
dir-se-ia para além da Trapobana.

como se Camões e Pessoa
sentados à mesma mesa
te dessem a certeza
de que pelos séculos dos séculos
brilha intensa brilha imensa
a exacta e humana
eterna mesma chama.
de 2010 guardamos
uma singela aguarela em flor
melancólica natureza viva
que insiste e resiste no Amor

modinha à maneira de Lisboa
sim, sim, sim - gritam os mapas -
e o poeta agora sente e fala
em língua franca de criança:
brilha alto a palavra mágica
- luzes, amigos e amigas,
que o título do poema é afinal..
ESPERANÇA!

gi.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Deixa-me rir...

"Caros audiophiles, during this past week I have been observing and experiencing a common theme of communication, and lack of communication, and miscommunication.
Firstly, I have watched 3 films each one in some way revolving around communication - 127 Hours, a true story about a young free-spirited adventure climber who becomes trapped by a falling rock and is forced to cut off his own arm to escape, because he finds himself alone far away from civilisation and realises he has not told anyone where he was going; Blue Valentine about the ups and downs of a dysfunctional married couple who increasingly find it impossible to communicate on the same wavelength; Love & Other Drugs about a couple who begin a casual relationship but gradually realise that they love and need each other more than they imagined.
And I look forward to watching The King's Speech, with actor Colin Firth winning awards around the world this week, about our Queen's father King George VI's relationship with a speech therapist who helps him overcome his terrible inability to speak in public.
And then there was the comical (and politically engineered?) situation when the Chinese President Hu (or should that be Who?) did not reply to Barack Obama's questions about Chinese investment in America, in front of the world's media, because simultaneous Englsh-Chinese interpretation mysteriously broke down at that moment.
And finally, I have just started reading a biography of a song-writing musician who suffered two devastating brain haemorrhages which result in aphasia, an inability to use or to understand language, to express thoughts or to understand the thoughts of others; happily, he begins unexpectedly to recover and is eventually able to record an album of songs about his experiences.
Music and song are of course great communicators. And so it was pleasing that also during this past week Pink Floyd have at last agreed to permit their music to be reproduced and accessed through digital online media such as Apple i-Tunes.
Here are some extracts from their most famous and enduring masterpiece Dark Side Of The Moon, a commentary about trying to live your life in spite of the social pressures of time, of money and greed and poverty, of human division and conflict, alienation and insanity, and death, but ultimately climaxing with Eclipse, evolving a kind of hopeful unity through this shared humanity.



Us, and them,
And after all we're only ordinary men.
Me, and you.
God only knows it's not what we would choose to do.
'Forward' he cried from the rear
And the front rank died
And the General sat, and the lines on the map
Moved from side to side
Black and blue,
And who knows which is which and who is who.
Up and down.
But in the end it's only round and round.
Haven't you heard it's a battle of words
The poster bearer cried.
'Listen son', said the man with the gun
'There's room for you inside'.

Down and out
It can't be helped but there's a lot of it about.
With, without.
And who will deny it's what the fighting's all about?
'Out of the way', it's a busy day
I've got things on my mind.
For the want of the price of a tea and a slice
The old man died.




Eclipse:
All that you touch, all that you see
All that you taste, all you feel
All that you love, all that you hate
All you distrust, all you save
All that you give, all that you deal
All that you buy, beg borrow or steal
All you create, all you destroy
All that you do, all that you say
All that you eat, everyone you meet
All that you slight, everyone you fight
All that is now, all that is gone
All that's to come
and everything under the sun is in tune
But the sun is eclipsed by the moon.


A proxima,
PO

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Textos dos dias que correm...

Um dia recebi um mail com o título Que orgulho !!! É o meu trisavô. Não posso deixar de mandar. Apesar de eu ser monárquico (não parece, pois não?) é com muito gosto que publico o texto aqui. Trata-se do trisavô da MAF, distinta bloguista dominical neste espaço e que me dá a fineza da sua amizade.

JdB

OUTRA GENTE...

Era oriundo de famílias aristocráticas e descendente de flamengos.
O pai deixou de lhe pagar os estudos e deserdou-o.
Trabalhou, dando lições de inglês para poder continuar o curso.
Formou-se em Direito.
Foi advogado, professor, escritor, político e deputado.
Foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Foi reitor da Universidade de Coimbra.
Foi Procurador-Geral da República.
Passou cinquenta anos da sua vida a defender uma sociedade mais justa.
Com 71 anos foi eleito Presidente da República.
Disse na tomada de posse: "Estou aqui para servir o país. Seria incapaz de alguma vez me servir dele..."
Recusou viver no Palácio de Belém, tendo escolhido uma modesta casa anexa a este.
Pagou a renda da residência oficial e todo mobiliário do seu bolso.
Recusou ajudas de custo, prescindiu do dinheiro para transportes, não quis secretário, nem protocolo e nem sequer Conselho de Estado.
Foi aconselhado a comprar um automóvel para as deslocações, mas fez questão de o pagar também do seu bolso.
Este SENHOR era Manuel de Arriaga e foi o primeiro Presidente da
República Portuguesa.

INDUBITAVELMENTE, OUTRA GENTE .....

Imagens dos dias que correm...

(Com os meus agradecimentos a quem vive ou passa por Londres...)

Moleskine

Numerologia. Fiz anos no dia 11. Sendo que é no mês de Janeiro, 11.1; sendo ainda que também foi este ano, 11.1.11. Tal como disse no outro dia, uma capicua (não tão significativa como o próximo dia de S. Martinho mas mesmo assim...). Mão amiga emprestou-me a revista do Expresso onde se fala neste número. Respingo algumas ideias: o 11 é um número mestre - significa reequilíbrio das forças sociais, com vista a uma maior justiça. A nível emocional, implica aprender a lidar com a dualidade feminino / masculino. O 11 é reequilíbrio - integra dois números iguais, que acentuam as qualidades, positivas ou negativas, do mesmo. São duas forças que se enfrentam e que tanto podem colaborar como agredir-se. Já vou menos burro para a tumba.

Blogue. Na minha lista de visitas regulares a blogues está O Jansenista. Vale a pena visitá-lo e ler, entre outras coisas, o post de Domingo, intitulado Represálias contra Cantanhede. Achei o raciocínio curioso e imaginei este furor de solidariedade humana aplicado a todos os arguidos deste país. Nunca tive qualquer simpatia pelo Carlos Castro que achava, acima de tudo, um homem alimentado a fofocas, com um visual gestual e oratório de estética mais do que discutível. Mas daí a concordar com uma manifestação de desagravo ao presumível assassino vai uma distância considerável. Deus há-de perdoar o rapaz de Cantanhede. Neste momento, confesso, imagino a angústia de uns Pais que ontem viam um filho manequim e hoje vêem um filho monstro sem que, presumivelmente, tenham feito nada para isso. E que o perderão de vista durante muito tempo, porque Nova Iorque não fica em caminho.

Citação (já publicada neste blogue). Está-se só quando no espaço que se costuma percorrer não se corre o risco de encontrar ninguém. É a “fuga dos homens” no sentido material. Está-se só, também quando durante muito tempo não se entra em conversação verbal com ninguém. É a solidão do silêncio. Está-se só, enfim, tanto quanto o espírito no seu fundo mais íntimo não tem nenhum interlocutor, nenhuma companhia. É a solidão do coração. (...) A solidão como um sair de um lado para outro a fim de não encontrar ninguém; a solidão como um silêncio, um calar da dispersão para ouvir o essencial; e, finalmente, a solidão íntima ou profunda, na qual o espírito não possui qualquer interlocutor, que podemos chamar de solidão do coração, e corresponde ao acolhimento da experiência de Deus. [Emanuel Matos Silva, Solidão e Silêncio – Ritmos do encontro com Deus na espiritualidade cartusiana. Portefólio (Revista da Fundação Eugénio de Almeida), nº5].

Trabalho. Parte da minha actividade profissional passa por ditar traduções para um gravador o que faço, em média, durante 1,5 horas. Hoje, num impulso auditivamente narcísico, debitei informações desinteressantes durante seis - horas - seis. Terminei o trabalho e só me ocorreu dizer à pessoa que habita o meu corpo em permanência: não te importas calas-te um bocadinho... Por menos do que isto há gente que mata.

Músicas (por causa do post acima e em lembrança de um concerto que perdi - com dois amigos próximos - por alguns dias...)



JdB

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Livro dos despautérios i)

Sombreio com precisão tudo o que fica entre mim e o chão. A minha extensa verticalidade é suficiente para anoitecer uma considerável porção de terreno num magnífico eclipse profético, aos olhos dos bichos, pelo menos. A haver sol, é o que faço melhor, não havendo, faço pouco mais que providenciar um distinto abrigo para o vento e, no caso de uma franciscana falta de melhor, para a chuva que possa vir de empurrão com ele. Tudo isto sem recorrer à notável faculdade do movimento e, melhor ainda, sem qualquer esforço intelectual. Quieto, mudo e estúpido.

Tenho tido saudades das alturas do ano em que, luxo raro, me é permitido ficar quieto, mudo e estúpido.

Zdt

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