sábado, 31 de agosto de 2013

Pensamentos impensados


Os brilhantes são internos
O Sul da Europa está como está; será que se não houvesse tantos brilhantes economistas (classificação dos comentadores), a Europa seria uma colónia de Burkina Fasso?
 
Dependências
Os devotos de S. Joana d'Arc serão drogados? Pelo menos gostam da heroína.
 
Dinheiros
O Governo não consegue acabar com o enriquecimento ilícito e ajuda o empobrecimento lícito.
 
Restauros
Em 1 de Dezembro de 1640 houve 40 empresários restauradores que levaram a bom termo uma empresa, sem se preocuparem com o IVA da restauração.
 
Proibições
Se as armas químicas são proibidas, como é que mato as moscas e os mosquitos?
 
Metamorfoses
Fazer das strippers furacão, é objectivo dos treinadores das meninas.

SdB (I) 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Efemérides dos dias que correm

Hoje, mas há cinco anos, eu estava no Zimbabwe. Hoje, mas há exactamente cinco anos, eu entrava no Pointe para uma experiência inolvidável, não só para mim como para todos os presentes. Eu explico: pela primeira vez desde que tenho lucidez cantei em público, numa sessão de karaoke que poderão ler aqui, caso tenham tempo ou o corpo vos peça chatice.

Nunca é demais relembrar o que foram aqueles dois meses de "exílio". como nunca é demais relembrar o que foi ir ao Pointe naquela 6ªfeira, com gente que provavelmente (com excepção do JdC) não voltarei a ver: o divertimento, os descomplexos, as pessoas, a batida musical, uma nativa superiormente elegante com quem dancei muito junto, numa sensualidade - e cito o Eça - que esbrasa os mais frios e deprava os mais puros.  

Fica a mulher que, no dia 30 de Agosto de 2008, habitava dentro de mim. Não, não é quem pensam. É apenas Doris Day, a mulher que cantou o Che Sera Sera e que eu imitei, como se fosse uma little girl....

Divirtam-se, enquanto eu me atiro às saudades de um tempo forte.

JdB

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Das fotografias e dos filmes

Um dia, há muito tempo, encontrei uma fotografia do irmão mais novo de Napoleão, Jerôme (1852). Disse então para comigo, com um espanto que, desde então, nunca consegui reduzir: "vejo os olhos que viram o Imperador". Por vezes falava desse espanto, mas, como ninguém parecia partilhá-lo nem sequer compreendê-lo (a vida é feita de pequenas solidões), esqueci-o (Roland Barthes, in A câmara clara).  

Há no olhar para o passado uma dimensão pedagógica que o pensamento incauto nem sempre descortina. Discernir o que já foi e, nesse discernimento, sentir apreço pela modernidade ou ser vencido pela nostalgia, nem sempre é um sorriso que se abre ou um cilício que se aperta. Por vezes é apenas o desejo, talvez mesmo a necessidade, de percebermos quem somos, o que procuramos, do que fugimos. Será, porventura, um desejo pueril de fechar casinhas do entendimento próprio, de dar explicações às coisas, sentir que temos menos áreas desconhecidas e, mesmo assim, ter a certeza de que não se perdeu o encanto de um terreno por desbravar. 

Nem sempre a abundância e a diversidade são factores de sossego. Nesse sentido, cito amiúde a frase francesa l'embarras du choix, apesar da sua origem. Há muitos anos fiz uma viagem com dois equipamentos a tiracolo - uma máquina fotográfica e uma máquina de filmar. A posse dos dois aparelhos era recente e em mim tudo se baralhava: filmo ou fotografo? Ao longo de vários dias turísticos fiz tudo. Parei para fotografar, filmando depois o que tinha fotografado; cheguei mesmo a fotografar o que já estava registado em filme. Em tempo de abastança confundi-me, sem saber o que agarrar. 

Nos anos que se seguiram fotografei muito - sempre com um jeito moderado - não filmei quase nada. Ouso ainda dizer que nesse período de tempo vi muitas fotografias, poucos filmes me interessaram, mesmo os que haviam sido feitos por mim e/ou que se reportavam a pessoas que me são próximas, vivas e de saúde. Na observação da minha contemporaneidade a imagem em movimento pouco me interessa. Interessa-me a fotografia e, sobretudo, o retrato. Se o meu mundo fosse perfeito eu fotografaria pessoas (com chapéus, que cada um tem os seus fetiches) desde que elas me deixassem aproximar o bastante para encher o fotograma sem recurso a lentes potentes.

Auto-retrato do homem de Azeitão

Esta opção decorre de uma dimensão apenas estética? Não me parece. Consigo dar-lhe uma explicação mais psicológica? Tenho dúvidas. E no entanto estou certo do que digo: em mim a fotografia vence o filme, o retrato derrota a paisagem. Num filme - seguramente por limitação minha - vejo apenas a reprodução de um acto, ou de uma sequência de actos: é uma criança que sopra velas, um ciclista que vence um declive, um fogo de artifício que deslumbra uma cidade. Há ali uma espécie de constatação de um facto, sem abertura para decifração de estados de alma, porque a dinâmica inerente elimina a visão além do imediato. Pelo contrário, num retrato tudo está em aberto, o campo da imaginação é quase infinito: quem é o retratado? O que pensa? O que o faz rir ou chorar? Quais são as rotinas que tem em casa, como beija afectivamente, como acaricia um corpo? Como estuda, como faz os trabalhos de casa, com que rigor arruma uns sapatos de ir para a escola? O que escondem aqueles olhos verdes ou um cabelo revolto? Para onde irá, o que será ou já foi?  

Olho para trás, para uma máquina de filmar arrumada com um rigor de arquivo morto, e penso que só hoje, passados tantos anos, me debruço sobre este tema, fingindo ser interessante. O livro do Barthes despoletou o pensamento, obviamente... Mas, insisto, tem de haver uma ideia por trás desta opção pela fotografia. Só me falta decifrá-la, porque o ser só estética é-me insuficiente...

JdB

     

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Diário de uma astróloga – [59] – 28 de Agosto de 2013


Paraíso pessoal

O sol estava a nascer sobre o lago Washington, Seattle, quando o meu filho bateu à porta do meu quarto. "Mãe, está acordada?... está o dia perfeito para ir “paddle board”, quer vir? "Sim, estava acordada, sim, quero ir e, sim, estava um dia perfeito.

Temperatura suficientemente amena para ir de t-shirt e shorts, os tons rosados ​​do sol nascente em contraste com o azul do céu e da água, não havia vento, mas sim uma quietude sem carros e sem barcos a acelerar os motores. Não havia ninguém por perto (a pessoazinha no stand up paddle board sou eu) apesar de estar na cidade que estava prestes a acordar onde se encontram a Microsoft, a Amazon, a Google e a Boeing.

Pensei: "estou no paraíso!" Outras pessoas discordariam, sobretudo aquelas que não gostam de se levantar às 6 da manhã ou de se equilibrar numa prancha podendo cair ao lago, ou para quem um ambiente urbano é angustiante. Para mim, estes momentos passados num estado de beatitude constituíram a minha versão de paraíso. Enquanto pagaiava de volta à realidade, resolvi comentar a noção de paraíso pessoal numa perspectiva astrológica.


Para os que tiveram uma educação cristã, a imagem de paraíso está gravada para sempre como a do Jardim do Éden, onde Adão e Eva viviam em perfeita felicidade antes do pecado original. A semelhança com o meu paraíso pessoal é só a temperatura... Adão e Eva andavam nus, portanto, deve ter sido ideal. À medida que crescemos, a imagem bíblica do paraíso é substituída por uma definição mais ampla: um lugar ou estado de beatitude, de felicidade ou alegria. Para mim, andar de “paddle board” naquela manhã foi o gozo de um lugar paradisíaco e um estado de espírito de felicidade.

Nesse dia ao jantar, pedi a várias pessoas para descreverem a sua versão de paraíso sem misturar relacionamentos. Todos eles mencionaram proximidade com a água em diversas formas (praia, rio, piscina e mar). Não é à toa que Neptuno é o planeta associado com paraíso.

Neptuno era o deus romano equivalente ao grego Poseidon. A mitologia conta que três irmãos, Zeus / Júpiter, Hades / Plutão e Poseidon / Neptuno depois de terem deposto o seu pai Cronos / Saturno dividiram o Universo entre si. Júpiter ficou com o céu, Plutão com o mundo subterrâneo e Neptuno com os mares. O símbolo astrológico de Neptuno é o tridente de Poseidon.


Saturno é o planeta mais ligado à realidade e sabemos que o paraíso representa uma fuga às realidades desagradáveis ​​da vida. No paraíso não existe pobreza, fome, guerra, nem injustiças. Faz sentido que Poseidon tenha deposto seu pai Cronos!

A energia neptuniana é caracterizada por uma erosão dos limites do espaço e do tempo. Nos reinos de Neptuno não há prazos saturninos ou cronómetros. Na sua expressão mais positiva, há sim uma unidade com Deus, com a natureza, uma experiência mística de sentimentos e sensações felizes. Numa expressão negativa, Neptuno representa o escape à realidade, por vezes com a ajuda de drogas e álcool.

O planeta Neptuno passa 14 anos em cada signo zodiacal, por isso gerações inteiras têm-no no mesmo signo. Assim, o signo é menos relevante para a interpretação astrológica do que aspectos a outros planetas pessoais e localização na casa.

Porém, enquanto deslizava no lago Washington, o meu olho astrológico não pode deixar de observar que o meu Neptuno natal é em Balança, signo da paz, da beleza e do equilíbrio. O seu único aspecto é a Vénus, regente de Balança reforçando o arquétipo. Andar de paddle board requer equilíbrio e a paisagem era de grande calma e beleza. Para completar o quadro astrológico, o meu Neptuno está na casa 9 da aventura, da liberdade, do estrangeiro. Uma sexagenária a andar sobre a água longe de casa encaixa perfeitamente. A astrologia é assim: os símbolos retratam a vida.

Olhe para o Neptuno no seu mapa astral, observe a casa, os aspectos que faz e reflicta sobre o que constitui o seu próprio paraíso, procure-o, goze-o, porque todos nós precisamos de um escape temporário à realidade. Mas não se perca lá, volte recarregado!

Luiza Azancot


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Duas Últimas

Dois inputs aparentemente desconexos contribuem para o meu post de hoje:

1) um livro que mão especialmente amiga me incentivou a ler;
2) uma frase que apanhei por aí, na minha ronda de blogues.

O livro chama-se O que o dia deve à noite (Yasmina Kahdra, editado pela Bizâncio em 2009) e conta a vida de um argelino, desde antes da 2ª Guerra Mundial, passando pela guerra da Argelia e terminando nos dias de hoje. Durante uma vida longa, Younes - ou Jonas, como também o tratam, como se fosse sinal de uma inexistência de identidade definida - deixa que tudo lhe passe ao lado: não se afeiçoa ao tio a quem é entregue, não estabelece relações sentimentais com raparigas ou mulheres, não toma posição no conflito que opõe a França à Argélia, recusa uma relação afectiva com a que seria o amor da sua vida.   

A frase, que traduzo livremente do italiano, diz que brevíssima é a vida dos que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. E afiança Séneca, o autor do pensamento, que os desgraçados que assim pensam só no fim percebem que estiveram ocupados a fazer nada. 

O nosso espírito tem destas artimanhas: apanha informações soltas no ar e junta-as, criando dentro de si próprio a ilusão de que o casamento é perfeito, que há nexos causais lógicos e que as relações que se estabelecem definem o princípio incipiente de um raciocínio. E eu, que tenho uma visão muito singular destas coisas, descortinei uma ligação muito clara entre o argelino e o Séneca: o tempo cronológico e o que fazemos com ele. 

Misturar o passado, o presente e o futuro num caldeiro e daí retirar uma vida plena tem uma dificuldade que está muito além da (in)capacidade humana. Resta-nos, por isso, a tentativa e o erro. Por vezes olhamos demasiado para trás; por vezes o presente assume foros de importância determinante; por vezes é apenas o futuro que interessa acima de tudo o resto. Por vezes é o inverso de tudo isto, transformado num resultado caótico porque se esqueceu, negligenciou ou temeu. Been there, done that... 

Younes - ou Jonas, como também o tratam - é um rapaz argelino, um adolescente argelino, um adulto argelino, por quem a vida passa sem que ele apanhe o comboio que o levará a um destino risonho. Não se afeiçoa, não se compromete, não luta. Ocupou a vida a fazer nada, gerindo mal o que tinha sido, o que era no momento e o que poderia vir a ser.

***

Deixo-vos com um perfume de música (também) do Mali, oferta do homem de Azeitão.

JdB


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Vai um gin do Peter’s?


Hoje, em pleno mês de férias para tanta gente, vem a propósito a reflexão do P.Tolentino Mendonça sobre o tempo de descanso e de desintoxicação do dia-a-dia comum:
  
«Férias: A possibilidade de reencontrar a vida

Este vaivém que Julho e Agosto introduzem (com viagens mais próximas ou longas, tráfegos de vária ordem, alterações ao quadro de vida corrente…) constitui, para lá de tudo o mais, uma espécie de coreografia interior. Dir-se-ia que a própria vida solicita que a escutemos de outra forma. De facto é disso que se trata, mesmo que se não diga. É com esse imperativo que cada um de nós, mais explícita ou implicitamente, luta: a necessidade irresistível de reencontrar a vida na sua forma pura.

Se a linha azul do mar tanto nos seduz é também porque essa imensidão nos lembra o nosso verdadeiro horizonte. Se subimos aos altos montes é porque na visão clara que aí se alcança do real, nessa visão resplandecente e sem cesuras, reconhecemos parte importante de um apelo mais íntimo. Se buscamos outras cidades (e nessas cidades uma catedral, um museu, um testemunho de beleza, um não sei quê…) é também perseguindo uma geografia interior. Se simplesmente investimos numa dilatada experiência do tempo (refeições demoradas, conversas que se alongam, visitas e encontros) é porque a gratuidade, e só ela, nos dá o sabor adiado da própria existência.

Renoir, Piquenique

Entendemos bem aquele verso de Ruy Belo que diz: «Espero pelo verão como quem espera por uma outra vida». Na verdade, não é por uma vida estranha e fantasiosa que esperamos, mas por uma vida que realmente nos pertença. Por isso é tão decisivo que as férias, tempo aberto às múltiplas errâncias, não se torne um período errático e vago; tempo plástico e criativo e não se enrede nas derivas consumistas; tempo propício à humanização não se perca na fuga a si mesmo e no ruído do mundo. Em toda a tradição bíblica o repouso é uma oportunidade privilegiada para mergulhar mais fundo, mais dentro, mais alto. É aceitar o risco de sentir a vida integralmente e de maravilhar-se com ela: na escassez e na plenitude, na imprevisibilidade dolorosa e na sabedoria confiante.»

Edward Potthast, Na praia

José Tolentino Mendonça
In O hipopótamo de Deus e outros textos, ed. Assírio
 e
 Alvim
  
ÓPTIMO VERÃO para todos!

Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)

domingo, 25 de agosto de 2013

21º Domingo do Tempo Comum


@ Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
Jesus dirigia-Se para Jerusalém
e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava.
Alguém Lhe perguntou:
«Senhor, são poucos os que se salvam?»
Ele respondeu:
«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita,
porque Eu vos digo
que muitos tentarão entrar sem o conseguir.
Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta,
vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo:
‘Abre-nos, senhor’;
mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’.
Então começareis a dizer:
‘Comemos e bebemos contigo
e tu ensinaste nas nossas praças’.
Mas ele responderá:
‘Repito que não sei donde sois.
Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’.
Aí haverá choro e ranger de dentes,
quando virdes no reino de Deus
Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas,
e vós a serdes postos fora.
Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul,
e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus.
Há últimos que serão dos primeiros
e primeiros que serão dos últimos».

sábado, 24 de agosto de 2013

Pensamentos impensados


Universidades novas
A Lusófona tem um curso que ensina a adubar, regar e cortar relvas de plástico.
 
Take away
Nas lojas onde se vende comida a peso (pesada) também se vende comida leve?
 
O que é demais cheira mal
O Estado tem funcionários excedentários. Os antigos deputados são ex sedentários e os actuais são sedentários.
 
Desporto
Pode jogar-se futebol de praia no Nepal.
Por que é que não se faz alpinismo na lezíria de Vila Franca?
 
Inimizades
O vácuo não gosta de ar; se lho derem, é um ar que lhe dá.
 
O valor da letra I
Não confundir mega concentração (muita gente) com meiga concentração (orgia).

SdB (I) 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O que não é o amor? *


O amor não é aquilo que ilumina o seu caminho.
O nome disso é candeeiro.


O amor não é aquilo que supera barreiras.
O nome disso é "golo" na marcação de um livre.

O amor não é aquilo que faz coisas que até Deus duvida.
O nome disso é Lady Gaga.

O amor não é aquilo que traça o seu destino.
O nome disso é GPS.

O amor não é aquilo que te dá forças para superar os obstáculos.
O nome disso é tração às quatro rodas.

O amor não é aquilo que mostra o que realmente existe dentro de você.
O nome disso é endoscopia.

O amor não é aquilo que atrai os opostos.
O nome disse é iman.

O amor não é aquilo que dura para sempre. 
O nome disso é Manuel de Oliveira.

O amor não é aquilo que surge do nada e em pouco tempo está mandando em você.
O nome disso é Miguel Relvas.

O amor não é aquilo que te deixa sem fôlego.
O nome disso é asma.

O amor não é aquilo que não te deixa ver as coisas como elas são.
O nome disso é miopia.

O amor não é aquilo que faz os feios ficarem pessoas maravilhosas.
O nome disso é dinheiro.

O amor não é aquilo que o homem faz na cama e deixa a mulher louca.
O nome disso é esquecer a toalha molhada.

O amor não é aquilo que toca as pessoas lá no fundo.
O nome disso é exame de próstata.

O amor não é aquilo que faz a gente dizer coisas de que depois se arrepende.
O nome disso é vodka.

O amor não é aquilo que faz você passar horas ao telefone.
O nome disso é promoção da ZON ou da MEO...

O amor não é aquilo que te deixa com água na boca.
O nome disso é copo de água.

Amor não é aquilo por que você reza para que não acabe.
O nome disso é férias.

O amor não é aquilo que entra na sua vida e muda tudo de lugar.
O nome disso é empregada nova.


O amor não é aquilo que te deixa meio pateta, rindo à toa.
O nome disso é excesso de álcool.

O amor não é aquilo que se cola em você mas quando vai embora arranca lágrimas.
O nome disso é cera quente.

Aprendeu ?

(* enviado por mão amiga)


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Fórmula para o caos

Foi muito badalada e por muitos criticada a entrevista feita por Judite de Sousa ao jovem abonado luso-brasileiro Lorenzo Carvalho. A jornalista da TVI, como quase todos os profissionais da sua área em Portugal, tem o sinal ideológico a resvalar para a esquerda. Nada contra o facto de ser de esquerda, mas não deixa de ser um ponto importante quando se trata de entrevistar um " rico ". Segundo Judite de Sousa, o milionário deveria, por obrigação moral, optar por gastar a fortuna em causas sociais e de apoio aos desempregados. A esquerda portuguesa é extremamente moralista! Referências ao facto de Lorenzo Carvalho ter escolhido uma país falido e em recessão há mais de três penosos anos para esbanjar o seu capital acumulado em nada beneficiará a economia local, segundo Judite de Sousa. Não que o tenha dito, mas a ausência de menção foi esclarecedora. Parece que o único gasto moralmente aceitável para um rico fazer é à Direcção Geral dos Impostos. Aí já não problema nenhum. Reduzir em 70% as receitas de uma cidadão é justiça social!

Pedro Castelo Branco 

domingo, 18 de agosto de 2013

20º Domingo do Tempo Comum

Hoje é Domingo, e eu não esqueço a minha condição de católico.

Repito-me num raciocínio que já aqui explanei, porque o apanhei algures. Desta vez aplico-o ao mundo da religião, o que não faz mal porque a réplica não é desprovida de sentido: refiro-me, para encurtar deveneios de um agosto ventoso, à distância a que nos colocamos quando queremos observar a Igreja. No fundo, a distância que definimos como a correcta para observar o que quer que seja.

Se nos afastarmos muito de um objecto de interesse, o que vemos? Um metafórico vulto pequeno esbatido contra uma enormidade de objectos à volta. Temos, por isso, uma visão de conjunto, um pouco como se víssemos um serra deslumbrante a dezenas de quilómetros de distância, ou uma mosca a poucos metros. Falta-nos no entanto o pormenor, porque o nosso olhar não é tão aguçado assim. No sentido inverso, se nos aproximarmos demasiado de algo, o que vemos? Um detalhe apenas: uma ponta de rocha aguçada, uma flor de cor improvável, um lagarto a escapulir-se para debaixo de uma pedra, um lenço de papel usado que foi atirado para um silvado. O pormenor capta o completo da nossa visão.

A que distância nos devemos colocar, por isso, da Igreja? Para já, devemos colocar-nos dentro da igreja, para que sejamos com ela um só, irmanados ambos no mesmo destino. Porém, se não o conseguirmos, devemos encontrar um ponto - difícil, porque subjectivo - que nos permita ver o conjunto e o pormenor. Que seja suficientemente afastado para descortinar o lugar importante da igreja no mundo; que não seja demasiado próximo para que nos confrontemos com a fealdade possível que advém da observação demasiado perto. Que seja suficientemente próxima para que possamos detectar rostos que sorriem, observar olhos que se compadecem, vislumbrar mãos que se oferecem; que não seja demasiado longínqua para que se perca tudo, e se retenha apenas um sino que talvez toque contra uma céu que não se esgota. 

Estar perto e estar longe, para que se veja o bom e o bonito: o serviço, o caminho de santidade, as mentiras arrependidas, as falhas lamentadas, as quedas que precedem o continuar do caminho. Não é fácil, é uma tarefa para uma vida.

Bom Domingo para todos.

JdB

*** 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Eu vim trazer o fogo à terra
e que quero Eu senão que ele se acenda?
Tenho de receber um baptismo
e estou ansioso até que ele se realize.
Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra?
Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão.
A partir de agora,
estarão cinco divididos numa casa:
três contra dois e dois contra três.
Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai,
a mãe contra a filha e a filha contra a mãe,
a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».

sábado, 17 de agosto de 2013

Pensamentos impensados


Diligentes
Antigamente as diligências eram conduzidas por cocheiros; agora são conduzidas por oficiais.
 
Falências
Nunca pensei que a banca tivesse prejuízos; está pior que a D. Branca.
 
Construções
O Mundo está mal; Deus quando o fez, parece que não quis ouvir ninguém.
 
Volta, Portugal
A Volta a Portugal disputa-se, sempre, no mês mais quente.
Quem corre por Agosto não cansa.
 
Companhias
A companhia de Jesus não eram os Jesuítas, eram os Apóstolos.
 
Cantos
Os Papas, quando sobem ao Sólio Pontifício, deveriam cantar ó sólio é mio.

SdB (I) 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Deixa-me rir...


"Caros Audiophiles, JJ Cale, who died last month, was a quietly influential guitarist and singer-songwriter who had his greatest commercial successes during the 1970s and 80s but whose songs are probably best-known in versions by other artists, in particular Eric Clapton.

In 1970 he heard Clapton's recording of After Midnight, an experience he compared to "discovering oil in your own backyard". This provided the catalyst to JJ Cale's own success in the music industry. As he later said, "I'd probably be selling shoes today if it wasn't for Eric."

Cale's sound was uniquely personal to him. It would typically include a sinuous, chugging rhythm and simple melody, minimalist embellishments on guitar, pedal steel or keyboards, and lyrics delivered by Cale as though he was having a late-night chat with a friendly bartender.

As Clapton put it, Cale's music was "a strange hybrid. It's not really blues, it's not really folk or country or rock'n'roll. It's somewhere in the middle."

On his albums he would often play most of the instruments himself, experimenting with different tones and techniques. Having started as a recording and sound engineer, he was fascinated with new technology, whether it was new types of electric guitar pickups or drum machines or digital recording,. By experimenting he discovered his own unique sound. "As the years went by and technology came in, I used a lot of technology," he said. "I try and manufacture recordings to sound spontaneous. Then, some things are spontaneous."

Cale was more than happy to see what other artists could make of his music. "I kind of write songs hoping that musicians will take them and make them better and more accessible," he said. He could hardly believe his luck in being able to make a comfortable living writing and recording songs in his own way at his own pace. "When my songs started making money I thought, 'What's the use of working all the time?' I believe in no work at all if you can get away with it. I'd recommend writing songs. You get all of the money and none of the bother."

Neil Young said of him: "What is it about JJ Cale’s playing? I mean, you could say Eric Clapton’s the guitar god, but... he can't play like JJ, JJ’s the one who played all that s--- first... And he doesn’t play very loud, either — I really like that about him. He’s so sensitive. Of all the players I ever heard, it’s gotta be Hendrix and JJ Cale who are the best electric guitar players. His song Crazy Mama - it's true, simple, and direct, and the delivery is very natural. JJ's guitar playing is a huge influence on me. His touch is unspeakable. I am stunned by it. JJ’s my peer, but he doesn’t have the business acumen — he doesn’t have the idea of how to deal with the rest of the world that I do. But musically, he’s actually more than my peer, because he’s got that thing. I don’t know what it is."

Cale undertook a slower pace in recent years. Embarking on his final tour in 2009, he said, "When I sit down and play the guitar, I'm 20 years old again. I have as much enthusiasm as I always did. Making the music picks up your day, but doing the business does not, and the trouble with gigs is there's a lot of business with a gig. And now aged 70 is really — you know, my hearing, eyesight, can't hit pitch, arthritis playing the guitar. All the things that whether you're healthy or not come at you as you grow older. Eventually something's gonna get you." The final song of his last album Roll On sounded like the farewell it proved to be: "Enough is enough, can't do it no more / Bring down the curtain, close the door."

Here are a couple of his most famous songs:





A proxima. 

PO

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Assunção da Virgem Santa Maria

A Assunção da Virgem, Peter Paul Rubens (1625)

EVANGELHO Lc 1, 39-56

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naqueles dias, 
Maria pôs-se a caminho
e dirigiu-se apressadamente para a montanha,
em direcção a uma cidade de Judá.
Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
o menino exultou-lhe no seio.
Isabel ficou cheia do Espírito Santo
e exclamou em alta voz:
«Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre.
Donde me é dado 
que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?
Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos
a voz da tua saudação,
o menino exultou de alegria no meu seio.
Bem-aventurada aquela que acreditou
no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito
da parte do Senhor».
Maria disse então:
«A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada 
todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre».
Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses
e depois regressou a sua casa.



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Diário de uma astróloga – [58] – 14 de Agosto de 2013


Diz-me como jogas e dir-te-ei quem és

O dono deste estabelecimento publicou, em Fevereiro passado, um comentário que é agora o título deste post. Foi a propósito de amigos que se juntavam na sua juventude para jogar cartas, e com a sabedoria do olhar retrospectivo sobre o desenrolar das suas vidas, JdB chegou a esta conclusão. Nessa altura pensei abordar o assunto sob o prisma astrológico mas a época não era propícia. Agora é.

O historiador holandês Johan Huizinga escreveu um livro de referência sobre o jogo “Homo Ludens” (O Homem Jogador) onde ele define jogar como… “uma actividade livre conscientemente fora do ambiente habitual, considerada “não séria” mas ao mesmo tempo absorvendo o jogador intensa e completamente. É uma actividade sem interesse material e nenhum lucro daí advém. Prossegue dentro dos seus limites de espaço e tempo de acordo com regras fixas e de uma forma ordenada”.

O grande astrólogo Robert Hand, também num livro de referência, “Horoscope Symbols”, diz que dentro das áreas de vida simbolizadas pela casa 5 estão incluídas as coisas que fazemos por si mesmas – não pelo dinheiro, nem para impressionar os outros, nem por amor ou obrigação. Por isso, as actividades a que chamamos JOGO são do domínio da casa 5.

Em astrologia arquetipal consideramos que os assuntos de cada casa estão ligados às características do signo correspondente, e ao planeta regente desse signo. A casa 5 está relacionada com as características de Leão e com o Sol. Como durante parte do mês de Agosto o Sol está em Leão e muitos europeus tiram férias (actividade também do domínio da casa 5) chegou a altura certa para o meu comentário astrológico. Além disso, durante as férias com os netos americanos estive a jogar Monopólio com eles.


Quando nos referimos ao nosso signo, referimo-nos ao signo solar objecto de interpretação astrológica “light” em milhares de jornais e revistas. Mas na astrologia mais séria o assunto é complicado. O Sol simbolicamente representa o ponto central do carácter, o nosso diálogo com o ego, a forma e o percurso como nos tornamos um ente único. É através do Sol que criamos uma identidade pelas escolhas que fazemos, pela manifestação do quereremos e pela expressão criativa.

Outros pontos do tema mostram diversas facetas da personalidade, especialmente a Lua e o Ascendente. A Lua representa aquilo que precisamos para nos sentirmos emocionalmente seguros. A não ser que tenhamos nascido de madrugada quando o Sol está no mesmo signo do Ascendente, “what you see is not what you get”. Usamos as características do ascendente como uma máscara, às vezes como um mecanismo de defesa, e não mostramos aos outros a essência de quem somos, isto é o Sol.

Assim como o Sol físico é o centro do sistema solar em torno do qual giram os planetas, asteróides, satélites, o Sol astrológico tem uma função integradora da personalidade parecida com a do chefe de uma banda de vários instrumentos.

Quando jogamos estamos em pleno mundo solar/casa 5: suspendemos ansiedades e medos, não precisamos de nada em termos emocionais porque estamos dentro do mundo artificial com regras e limites e, por isso, perfeitamente seguro. Não há necessidade de mecanismos de defesa, não queremos impressionar ninguém, podemos ser nós próprios, podemos exprimir a nossa essência, quem somos realmente, a música que a banda toca. Podemos exprimir o núcleo, o pontinho do glifo astrológico do Sol.

Mães, Pais, Avós e Avôs: observem os vossos filhos e netos a jogar para terem um vislumbre de quem serão!
Namoradas e namorados: não se deixem levar pelo que os vossos queridos vos dizem, é através do jogo que eles e elas vos dirão quem são!

Luiza Azancot

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Duas últimas

Diz-nos o bom senso, a sabedoria popular - ou uma compreensível prudência humana - que não devemos voltar aos sítios onde fomos felizes. A minha forte veia nostálgica impele-me no exacto sentido contrário: gosto de regressar aos locais onde a felicidade foi companhia duradoura, ainda que semelhante a uma folha caduca. Todo o nostálgico é um masoquista?

Sábado passado atravessei um Alentejo claro, abafado, quente, a bater, aqui e ali, nos 40ºC, para retornar ao local onde durante muitos anos passei o mês de Setembro. Resumo o raciocínio em poucas palavras: voltei a um dos sítios onde fui feliz. Revisitei a entrada enganchada para os carros que sobem a ladeira; ao percorrer a estrada de terra batida voltei a ouvir as vozes de comando e proibição; calcorreei a mata onde fumei cigarros clandestinos sem filtro, onde participei em corridas de barcos que mais não eram do que bocadinhos de cana, onde joguei um mau ténis; entrou-me de novo pelos ouvidos o poema que dizia que saía Santo António do convento... que tanto se recitou no adro; recordei histórias em que infligi um terror em muito pouco superior ao que sentia; rezei na capela e sentei-me nos claustros onde no jogo das raquetes pequeninas perdi quase sempre. 

Não voltei a um local propriamente dito. Com a alma cheia de uma lembrança longínqua, voltei ao lugar geométrico da felicidade veraneante de um miúdo que, só muito mais tarde, perceberia a importância daqueles verdes anos. Foi preciso crescer os mais de quarenta anos que me separam da primeira chegada para discernir o que era o setembro do meu contentamento. Olhar para trás nem sempre é um exercício doloroso de constatação das inevitáveis perdas; por vezes é encontrar a explicação para as coisas, dar uma resposta a uma pergunta inconsciente de décadas. Por vezes é apenas reconhecer que a vida é uma eterna procura, mesmo que no momento desconheçamos do quê.

Às pessoas que me começaram a receber no longínquo ano de 1971 - e que me receberam agora - sou devedor do que sei exprimir, mas também do que não conseguiria por em palavras. Há sensações indizíveis, e mesmo aquelas que se exprimem num sintaxe correcta têm uma amplitude que é maior ao sair de nós, porque ao destinatário chegam amortecidas por sensibilidades próprias. Poderia agradecer uma inesgotável simplicidade de que só algumas pessoas são capazes; poderia agradecer a compota de amoras, os jogos de gamão; poderia agradecer as idas à vila, a ausência feliz mas efémera de televisão ou de electricidade; poderia agradecer a água da fonte, as bolas batidas contra uma parede massacrada, o cheiro dos corredores iluminados a petróleo, as sombras terríveis projectadas por uma chama dançarina; poderia agradecer o carteiro que trazia emoções, mais do que cartas, e as aventuras radicais que nos levavam a uma badajoz que já se adivinhava feia. Poderia agradecer, por fim, as pessoas que entravam e saíam, as pessoas que partiram e que deixaram saudades, as pessoas que ficaram e que me dão o gosto de uma amizade que se rememora nas palavras comuns. Agradeceria tudo - que muito ficaria por agradecer.

***

Deixo-vos com um hit de 1971, ano em que entrei pela primeira vez num local onde fui imensamente feliz, com uma felicidade que só soube entender quando a contabilidade da vida já transbordava de ganhos e perdas, tantas vezes em proporções injustas. 

JdB

   

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