domingo, 31 de agosto de 2014

22º Domingo do Tempo Comum

EVANGELHO – Mt 16,21-27

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
Jesus começou a explicar aos seus discípulos
que tinha de ir a Jerusalém
e sofrer da parte dos anciãos,
dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas;
que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
Pedro, tomando-O à parte,
começou a contestá-l’O, dizendo:
«Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!»
Jesus voltou-Se para Pedro e disse-he:
«Vai-te daqui, Satanás.
Tu és para mim uma ocasião de escândalo,
pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens».
Jesus disse então aos seus discípulos:
«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-Me.
Porque, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la;
mas quem perder a sua vida por minha causa,
há-de encontrá-la.
Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro,
se perder a sua vida?
O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai,
com os seus Anjos,
e então dará a cada um segundo as suas obras».

sábado, 30 de agosto de 2014

Pensamentos Impensados

Sotaques
Mário Soares, seja sobre que assunto for, deve abster-se de se pronunciar, principalmente se for em francês.
 
Falta de ar
Estavam a praticar mergulho em apneia, até que o instrutor decretou o cessar fôlego.
 
Peúgas
Não esteve com meias medidas; resultado, comprou umas meias que não lhe serviam.
 
Nova moda
Bidé - utensílio para banhos púb(l)icos.
 
Lázaro, sempre
Se Lázaro, o da Bíblia, praticasse desporto, seria especialista em duplo mortal.
 
Polvo não unido.
O polvo, durante uma briga, perdeu uma perna; fugiu a 7 pés.
 
És um vulcão!
Berlusconi é mais forte que o vulcão Bardarbunga; Berlusconi é bunga-bunga.

SdB (I)

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Nduna Safari Lodge (hoje mas há seis anos, para matar saudades...)

Tal como disse ontem, é em cima da hora de almoço que nos aproximamos do Nduna Safari Lodge. À entrada da reserva, logo à boca da saída da estrada, Fortune, que será o nosso guia nos próximos dois dias e meio, espera por nós, simpático, informal, prestável, num jeep aberto com 8 lugares. Iremos segui-lo durante um trilho de 15km, onde a vegetação é predominantemente mato, mais cerrado nuns pontos do que noutros, e onde imaginamos animais escondidos.

JdC, que teve um problema da última vez que cá esteve, pergunta-lhe, prudente, se não passaremos por uma zona de areia onde o carro, sem tracção às quatro rodas, ficou atolado. A resposta veio pronta, com um fraseado curioso:
- There’s a place where we will have to negotiate a first gear.

E seguiu, deixando um rasto de poeira, até ao lodge onde nos instalaremos. Dez minutos depois chegamos. No sítio onde paramos o carro, o responsável de serviço, um zimbabueano branco com a minha altura mas o dobro do meu peso, aguarda-nos para as formalidades de boas vindas, tratando-nos imediatamente pelo nome próprio - o que é uma variante ao português moderno que prefere o senhor João. Ao seu lado, dois locais que nos levarão as malas, e um terceiro, pronto a servir chá frio e menta – com ou sem açúcar...


O Nduna Safari Lodge é um dos dois resorts a funcionar neste momento, e que pertencem ao Malilangwe Trust, uma organização particular totalmente zimbabueana e sem fins lucrativos, que se dedica a iniciativas de conservação da natureza, actividades comerciais e programas comunitários. O Trust emprega actualmente quase 300 pessoas, exclusivamente cidadãos nacionais. Para além disso, ao abrigo do programa benefits beyond boundaries, alimenta diariamente 25.000 crianças em idade pré-escolar em cerca de 500 pontos do Distrito.

As terras do Malilangwe Trust estendem-se por cerca de 70.000 hectares, onde habitam 25 espécies selvagens, destacando-se os elefantes (160), rinocerontes (130), leões (30), búfalos (1.500), leopardos (40), hipopótamos (60), impalas (3.300) e muitos outros, entre mamíferos, aves, insectos.

O Nduna Safari Lodge é composto por seis cabanas, cada uma com capacidade para duas pessoas, em cima de um lago onde vivem meia dúzia de hipopótamos e, ao que parece, um crocodilo com cerca de três metros, pelo que a aproximação demasiada da água é fortemente desaconselhada.

No ponto mais elevado do lodge, com uma vista deslumbrante e extensa, ficam o bar, a sala, a zonas das refeições ao ar livre. Do lado oposto, escarpas elevadas que absorvem o calor do sol que ali bate durante todo o dia, e onde nasce alguma vegetação teimosa e resistente.

As habitações, rodeados por acácias, figueiras, palmeiras e outras árvores locais e exóticas, garantem total privacidade, e estão elevadas cerca de três metros relativamente ao lago, pelo que oferecem uma proximidade e uma vista ao nível verdadeiramente surpreendentes. Totalmente equipadas – inclusivamente mosquiteiros –, são um convite ao repouso absoluto.

Sento-me a escrever ou a ler na varanda. No lago, a poucas dezenas de metros, veja a cabeça de quatro hipopótamos, que dão sinal sonoro da sua presença por meio de ruídos potentes, estranhos, que me acordam durante a noite; um pássaro pousa no varandim a pouco mais de um metro, como se eu não constituísse ameaça; ao longe, muitos outros cantam ou comunicam no seu piar próprio; algumas moscas zunem infatigáveis ao sol de Agosto; uma ave bate as asas num descolar de anfíbio; um rapaz lança o anzol numa barcaça junto à margem; na outra ponta do lago, mas com visibilidade suficiente para gerar encanto, uma manada de elefantes, com machos, fêmeas, crias, cruza o mato lento na procura de outras paragens; ao longe, escondidos, babuínos velando, esperando pela manhã para invadirem, às dezenas, as zonas habitadas.


Conheci o silêncio quase absoluto no campo inglês onde não se ouvia um ladrar, uma motoreta, um comboio que apita à vista de uma passagem de nível, um carro que circula numa violência de escape furado. Um tal silêncio, embora agradável, pode oprimir, fazer-nos sentir num vazio de tudo o que vive, se agita, tem movimento. Aqui, o silêncio tem um som que nos repousa, nos sossega, nos leva mentalmente aonde quisermos - às memórias mais felizes da nossa vida, aos momentos mais tristes do nosso caminho. Mas, e falo por experiência própria, esta tranquilidade convida à renovação, como se tudo nos incitasse a ser terra que se oferece à queimada, para renascer mais fértil, mais forte. Há um convite ao recolhimento, à contemplação desta natureza que se disponibiliza colorida, com um tom de fim de dia impossível de descrever. Aqui, estou convencido, até a música suave seria uma violência sonora.

Voltarei amanhã, para que me acompanhem na observação da hiena que não vi rir, do elefante na sua voragem destruidora, do rinoceronte na sua figura pré-histórica, das aves cujo nome não consegui fixar e da paisagem cuja beleza serei incapaz de transmitir.

JdB

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Duas Últimas

Ao contrário do meu querido amigo fq, que tem, do ponto de vista das preferências musicais, uma dimensão de ontem e de hoje - porque o amanhã é uma realidade por comprovar - eu sou quase exclusivamente um cavalheiro antiquado. Isto é, para além do fado, de que vou acompanhando as tendências do momento, tenho uma ideia quase nula do que se faz - aqui ou no mundo - em termos de música. Não sei, não sigo, não tenho conhecimento, tenho pouco interesse. E por isso perco muita coisa boa, mas a vida é o que é- e já sou velho para pedir desculpa.

Em 1978, Carlos Mendes lançou um disco chamado "Canções de Ex-Cravo e Malviver". Talvez por ser um altura em que ouvia muita telefonia, segui o disco - todo ele bonito, parece-me - com letras de Joaquim Pessoa. Várias faixas me ficaram na memória, de que partilho três. Não as recordando com precisão, admito que duas das letras possam ter alguma conotação política de esquerda. Paciência. Também tenho em casa a poesia de Ary dos Santos publicada pela editora Avante...

Carlos Mendes, então.

JdB







quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Diário de uma astróloga – [85] – 27 de Agosto de 2014


Jardim astrológico

Uma futura grande astróloga, C.G., comentou comigo que é uma pena o meu jardim astrológico  já não estar no site. O site mudou, porque a minha vida mudou e, na realidade, o jardim astrológico que criei à volta da na nossa casa em Cape Cod, Massachusetts, possivelmente já não existe. Em Agosto de 2013 vendemos essa casa.

C.G. sugeriu que fizesse um post com as fotografias do jardim astrológico.  Achei boa ideia, e, por isso aqui ficam a ilustrar o trabalho de criatividade que desenvolvi durante um ano e a importância que os símbolos têm para mim.


No jardim estavam presentes os doze glifos do zodíaco, com algum elemento que os tornasse simbolicamente correctos, quer pela sua cor, funcionalidade ou  material utilizado.


Carneiro – Vermelho, cor do sangue e do planeta Marte, o regente do signo.



Touro – Feito de material sólido e prático, rodeando a magnólia que produz flores muitos sensuais .


Gémeos – A cancela de acesso ao deck, zona de grandes conversas.


Caranguejo – Protege, neste caso fornecendo aos passáros um bebedouro. 


Leão – O mais imponente e caro, mas também o local de divertimento das crianças. 



Virgem - De material utilitário com a função utilitária de segurar a terra do declive.


Balança – O canteiro das ervas para dar beleza e bons cheiros à sala.


Escorpião – O compostador escondido atrás de uma árvore que transforma os restos em rica terra fértil.
Sagitário - A flecha apontada ao céu: uma celebração do optimismo americano (acredito na carta dos USA com ascendente Sagitário).
Capricórnio - Uma estrutura realizada com um pinheiro velho que marca o limite do jardim.


Aquário – No duche, porque quando a água escorre de cima as ideias surgem.


Peixes – O banco de meditação de verão e de inverno.


Os símbolos são instrumentos poderosos, funcionam como chaves que abrem as portas do nosso universo mental e emocional. Cada vez que empurrei os meus netos no baloiço Leão sentia alegria pura e simples, cada vez que deitava as folhas de alface queimadas no compostador sentia o poder transformador  de Escorpião, cada vez que enchia a água do bebebouro Caranguejo sentia-me protectora, mãe da natureza. 

Agradeço ao Universo este jardim e a capacidade que tive de o criar.

Luiza Azancot

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Dos ofícios

Rose 5, fotografia de JMAC, o homem de Azeitão


Se voltasses atrás muitos anos, que ofício gostarias de ter?

A pergunta é-me feita de chofre, se bem que o tema viesse a decorrer há largos minutos. Somos quatro de volta de um carro, naquele momento que antecede as despedidas mas onde ainda reverbera uma conversa de fim de jornada. Estou mais próximo dos 57 anos do que dos 56, pelo que já ninguém quer saber o que gostaria de ser quando fosse grande. Na melhor das hipóteses indagam, face à minha certeza de uma engenharia tirada por motivações ínvias, que curso frequentaria se recuasse quase quatro décadas.

Se voltasses atrás muitos anos, que ofício gostarias de ter?

Ninguém quer saber se teria escolhido história, literatura, a academia militar. Querem saber do ofício, do mister: motorista de camiões tir, maquinista de comboio, amanuense, sapateiro, relojoeiro, fiel de armazém. A visão mais comezinha da pirâmide profissional, uma vida desprovida de títulos, de sim senhor doutor, de diplomas, de cartas de curso, de dá-me um prazo, senhor engenheiro?, de reuniões ao mais alto nível. Em última análise, a vocação mais funda, não afectada pelo desejo de poder ou de influência, pelo gosto de um carro que passa nas portagens sem angústias de despesa própria. 

O desafio é interessante: o que teríamos sido se a vida fosse mais despojada, menos sujeita aos focos de terceiros - ou ao nosso próprio foco? Quereríamos ter curados os enfermos, construído pontes ou comandado exércitos? Ou o nosso anseio era o de olhar silenciosamente o mecanismo de um relógio, guiar um camião que cruza fronteiras e montanhas, ordenar com zelo matérias primas num armazém crivado de prateleiras arrumadas? 

Não sei o que significa pensar nisto. Será um fait divers,  um entretém para mentes desocupadas ou, pelo contrário, uma viagem ao nosso íntimo mais simples e, por isso, mais difícil de alcançar? Face à pergunta duplicada em itálico no texto, o que respondemos? Motorista de camião tir, fiel de armazém... E o que fazemos com a resposta?

JdB

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Do reiki

Em 2001, ano de todos os anos, eu desconhecia em absoluto a palavra reiki. Hoje conheço a palavra, desconheço quase tudo o resto. Foi nesse ano, num mês que me escapa da memória, que entro em contacto com uma francesa, Odile Beauvilan, que opera maravilhas numa criança doente que me é mais próxima do que tudo, impondo-lhe as mãos. Talvez transmitindo energia, talvez remendando uma rede interna e invisível destroçada por um inimigo que o devia ser de adultos, porque os inimigos das crianças são os índios ou os cóbois, tudo dependendo de que lado estão na brincadeira. Retomo o fio à meada, para que me não perca - durante treze anos nada soube da Dra. Odile, como a conhecíamos.

Há uns meses desafiam-me para conversar com voluntários da associação de que sou presidente. (Quase) tudo corre mal - o tempo está invernoso, o trânsito a ambicionar o caos, porque aquilo que são as ruas de lisboa já não tem nome. Chego atrasado, falo perante um trintena, talvez, de pessoas que investem o seu tempo livre a fazer companhia a crianças doentes e pais angustiados. No fim, à saída para a confusão urbana, sou abordado por uma senhora: não sabe quem eu sou, chamo-me Teresa.  Venho a saber que está à frente de uma associação que faz voluntariamente reiki às crianças a quem o cancro atacou traiçoeiramente. E também aos pais e agora, ao que parece, a alguns profissionais de saúde envolvidos nestes horrores recheados de esperança. Recuei treze anos no tempo, e acedi a um testemunho semi-público.

Há algumas semanas estou num casamento. Pegam-me pelo braço, que me querem apresentar alguém. A senhora que está à minha frente sorri e diz-me mais ou menos isto: não se lembra de mim. Sou a Teresa, da associação do reiki. O Jung chamava-lhes coincidências significativas. Conversamos longamente, e uma semana depois recebo o livro da Dra. Odile Beauvilain, chamado O Último Suspiro. Quando dei por mim estava em 2001, ano de todos os anos - uma marquesa, uma rapariguinha deitada com uma rede interna destruída, uma francesa a impor as mãos e a chamar-lhes paz (digo eu...), porque a cura já estava no domínio do milagre. Como é que a Dra. Odile começou? Com uma criança francesa que morre de cancro, aos seis ou sete anos. Há uma espécie de círculo que se fecha.

Nada sei de reiki - e esse nada que sei vi-o com os meus olhos, senti-o com o meu coração, palpei numa mão que me apertava com mais força. Relacionar o reiki  - como já vi e li - com práticas demoníacas ou satânicas parece-me de uma infelicidade que roça o chocante. Nada sei de reiki, mas esse nada que sei dá-me suficiente certeza para defender esta arte, poder, jeito, capacidade, predestinação, o que quiserem. A imposição das mãos é muito antiga, e aquilo que há alguns séculos poderia ser considerado milagre já não é - ou o milagre é outro mistério, cuja decifração está dentro de cada um de nós.

O livro da Dra. Odile tem 120 páginas de histórias contadas sobre gente que, na sua esmagadora maioria, morre. Não há charlatanice, crendices, curas espantosas, publicidade enganosa. Há uma francesa e umas mãos que remendam a rede que é possível remendar. E há paz, muita paz, nas pessoas que acabam por partir. Nada sei de reiki - mas até esse nada eu sei. Porque vi.

JdB

domingo, 24 de agosto de 2014

21º Domingo do Tempo Comum

Evangelho: Mt 16,13-20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe
e perguntou aos seus discípulos:
«Quem dizem os homens que é o Filho do homem?»
Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista,
outros que é Elias,
outros que é Jeremias ou algum dos profetas».
Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse:
«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».
Jesus respondeu-lhe:
«Feliz de ti, Simão, filho de Jonas,
porque não foram a carne e o sangue que to revelaram,
mas sim meu Pai que está nos Céus.
Também Eu te digo: Tu és Pedro;
sobre esta pedra edificarei a minha Igreja
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus:
tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus,
e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
Então, Jesus ordenou aos discípulos
que não dissessem a ninguém
que Ele era o Messias.

sábado, 23 de agosto de 2014

Pensamentos impensados

Meninas vamos ao vírus
De há cerca de um mês para cá, os "media" foram atacados por vírus que vai atacar durante 10/11 meses - É...BOLA
 
Nouvelle cuisine
Almas panadas.
 
Aborto ortográfico
Se me disserem  qual a cor do ortográfico, talvez adira.
 
Publicidade enganosa
Leio nos jornais: truque assustador que diminui as rugas rapidamente; experimente e fique 10 anos mais jovem.
Se experimentar numa criança acabada de nascer, que vem cheia de rugas, vejo os pais a namorar?
 
Mais aborto
Mais uma reunião do Conselho de Administração com assunto que não ata nem desata. No fim, teve direito a ata.
 
Vedantes
 A lei da rolha está obsoleta; implemente-se a lei da carica.
 
Julgamento expedito
Alguns banqueiros, políticos, autarcas e quejandos, são considerados culpados até que se prove a sua inocência.

SdB (I)

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Poemas dos dias que correm

Desiderata

Go placidly amid the noise and haste,

and remember what peace there may be in silence.

As far as possible without surrender

be on good terms with all persons.

Speak your truth quietly and clearly;

and listen to others,

even the dull and the ignorant;

they too have their story.

Avoid loud and aggressive persons,

they are vexations to the spirit.

If you compare yourself with others,

you may become vain and bitter;

for always there will be greater and lesser persons than yourself.

Enjoy your achievements as well as your plans.

Keep interested in your own career, however humble;

it is a real possession in the changing fortunes of time.

Exercise caution in your business affairs;

for the world is full of trickery.

But let this not blind you to what virtue there is;

many persons strive for high ideals;

and everywhere life is full of heroism.

Be yourself.

Especially, do not feign affection.

Neither be cynical about love;

for in the face of all aridity and disenchantment

it is as perennial as the grass.

Take kindly the counsel of the years,

gracefully surrendering the things of youth.

Nurture strength of spirit to shield you in sudden misfortune.

But do not distress yourself with dark imaginings.

Many fears are born of fatigue and loneliness.

Beyond a wholesome discipline,

be gentle with yourself.

You are a child of the universe,

no less than the trees and the stars;

you have a right to be here.

And whether or not it is clear to you,

no doubt the universe is unfolding as it should.

Therefore be at peace with God,

whatever you conceive Him to be,

and whatever your labors and aspirations,

in the noisy confusion of life keep peace with your soul.

With all its sham, drudgery, and broken dreams,

it is still a beautiful world.

Be cheerful.

Strive to be happy.
Max Ehrmann


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Da importância das palavras

"O", fotografia de JMAC, o homem de Azeitão


Um dia destes, na minha ronda de blogues, encontrei um pensamento. Alguém se questionava sobre o que o salvava do caos, sendo que a resposta reiterada era: a palavra. O sentido era este, se bem que o reproduza de forma obscenamente simplista. Não sei se poderei dizer o mesmo sem que se adivinhe uma presunção a que não quero atirar-me. Não obstante, estou em crer que a palavra escrita desempenhou uma grande importância nos momentos - e foram alguns - em que o caos se instalou dentro de mim com ideias de ficar. 

Porque escrevo - seja no blogue, nos textos académicos que se prendem com temas que me tocam, nas cartas que envio aos que me estão mais próximos, nas frases com que invado de forma maçadora a caixa de correio alheia? Porquê? Para ordenar a desordem, para organizar o caos, para alumiar um  buraco, para iluminar um caminho, para encontrar sentido para as coisas. Escrevo para mim próprio, sobretudo, mesmo que disfarce a tontaria - ou uma aparente vaidade - dirigindo-me aos outros. Estou tão certo disso como do meu número de contribuinte que fixei há anos.

(Também o faço por divertimento, mas porque não poderá ser isso considerado uma terapia, passe o exagero?) 

Tem isto alguma relevância? Não, a não ser para mim. Para os outros são violações do sossego próprio, frases cujo sentido nascem e morrem dentro de mim, apesar dos que me conhecem o suficiente para entender os subterfúgios ou as bizarrias. É por isso que envio mais do que recebo, lutando interiormente contra a ideia da desilusão que advém de uma contabilidade desencontrada. Afinal, o combate ao caos é essencialmente solitário, e cada um sabe como fazer o seu. Perceber isto é perceber muito, porque o deve e o haver da vida estão longe de serem iguais. Felizmente, direi eu, apesar de tudo...

JdB 


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Das poesias antigas

Joseph Rudyard Kipling nasceu m Bombaim em 1865 e morreu em Londres em 1936. 

Numa dada altura da minha juventude, não me lembre quando, o poema If (publicado abaixo, numa tradução de Guilherme de Almeida, tirada da net) fez um certo furor. A minha memória é difusa no que a isso diz respeito, mas tenho ideia de que se copiava, se falava, se partilhava. Era como se fosse um flavour of the month que durava mais tempo. Hoje, passadas quatro década, talvez, questiono-me porquê, se o poeta não era português, não fazia parte (ao que sei) do plano nacional de leitura da época, não era contra o regime. 

Um dia destes dei por mim a pensar no poema - que partilho -, nesta época em que a criatividade anda mais por baixo, subjugada por uma ideia de semi-férias com outras apetites. Talvez um dos meus fiéis leitores me saiba explicar o mistério que me aflige de momento - porque se falava tanto neste poema?

JdB

***

Se 


Se és capaz de manter a calma quando

Toda a gente ao teu redor já a perdeu e te culpa;

De acreditares em ti quando todos duvidam

E para esses no entanto encontrares uma desculpa;



Se és capaz de esperares sem desesperares,

Ou enganado, não mentires ao mentiroso,

Ou sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,

E não pareceres bom demais ou pretensioso;



Se és capaz de pensares, sem que a isso só te atires;
 
De sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires

Tratares da mesma forma esses dois impostores;


Se és capaz de sofre a dor de veres mudadas

Em armadilhas as verdades que disseste,

E as coisas por que deste a vida estraçalhadas,

E refazê-las com o bem ainda pouco que te reste;



Se és capaz de arriscar numa única jogada,

Tudo quanto ganhaste na tua vida,

E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,

Resignado, voltares ao ponto de partida;


De forçares o coração, nervos, músculo, tudo

A dar seja o que for que neles ainda existe,

E a persistir assim quando, exaustos, contudo

Resta a vontade em ti que ainda ordena: ”Persiste”,



Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes

E, entre reis, não perderes a naturalidade,

E, de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes

Se a todos podes ser de alguma utilidade,


E se és capaz de dar, segundo por segundo,

Ao mínimo fatal todo o valor e brilho,

Tua é a terra com tudo que existe no mundo

E o que é mais – tu serás um homem, ó meu filho!



terça-feira, 19 de agosto de 2014

Duas Últimas

A memória é uma coisa curiosa. Basta que cada um olhe para dentro de si próprio para perceber essa curiosidade. Sempre me lembrei de inúmeras frases de livros do Eça de Queiroz, nunca consegui fixar o volume de facturação da empresa onde trabalhe vinte anos. Fixo pormenores que mais ninguém fixa, não me entram na mente - muito menos por lá ficam - informações relevantes, nomeadamente aspectos importantes da minha vida financeira.

Sou do tempo em que o festival da canção parava um país - havia jantares, noites em casa de um ou outro, apostas. O evento repetia-se quando passávamos de um âmbito nacional para um âmbito europeu. Hoje, passados mais de 40 anos de algumas músicas que não passavam nas festas ou nas boîtes onde a minha geração se encontrava, ainda sei muitas letras de cor. 

O post de hoje é revivalista. Deixo-vos com duas canções que sempre achei francamente bonitas, mesmo que possam ser consideradas demasiado datadas. For your delight, se aplicável. 

JdB



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Vai um gin do Peter’s?

Em tempo, para muitos, de descanso e de deixar fluir o pensamento com liberdade e horizonte, sobretudo para quem goze as férias junto ao mar, vem a propósito o escrito de Miguel Esteves Cardoso (MEC), a eleger como o verbo mais valioso na vida – salvaguardar. Salvaguardar para fazer crescer e aprofundar. Ninguém como o MEC para dissertar com humor sobre o movimento mais ousado e, simultaneamente, subtil da alma humana, quando se empenha em manter um rumo para poder chegar a um destino, sem deambular em volta de si própria, confundindo agitação com caminho realmente percorrido. 

Numa imagem muito expressiva, um jesuíta lembrava a uns amigos em começo de vida que, por mais potente que fosse um veleiro, só conseguiria aproveitar bem o vento se o skipper soubesse onde queria chegar.  

Voltando à reflexão do MEC: desafia-nos pelo confronto simbólico entre o agitador rebelde que hoje faz tanto furor e o continuador. Ou o criador-compulsivo versus o guardião que procura valorizar a opção onde mais e melhor se avança para um presente aprofundado e que pede – como todo o coração humano – para superar a precariedade do aqui e agora, a fim de alcançar uma certeza a que poderíamos chamar de futuro ou, melhor ainda, de eternidade. Essa sim, uma reivindicação que revoluciona a existência humana, como nenhuma outra. Só que por dentro, apenas afinando o olhar. Parece tão pouco, tal a falta de algazarra e pompa, mas é tanto... A ponto de o MEC ter arriscado um título insólito para uma sociedade viciada em somar o maior número possível de novidades fogazes, a todos os níveis, viciada no imediatismo e na adrenalina fácil, sem a menor motivação para apostar no crescimento gradual, alimentado a paciência e constância. Nas palavras do cronista: «Qualquer palerma se apaixona, mas é preciso paciência para fazer perdurar uma paixão. O esforço de fazer continuar no tempo coisas que se julgam boas — sejam amores ou tradições, monumentos ou amizades — é o que distingue os seres humanos. (…) As obras de arte criam-se como as galinhas. O difícil é continuar.»

O que superabunda é o arranque espalhafatoso dos arrivistas e a pose importante dos eternos críticos, que se consomem na voragem da fama por um instante, para depois tudo se esfumar em nada, como um fósforo.

É claro que a imagem de marca das celebridades também ajuda a induzir-nos nestes erros de percepção infantis, sendo os Stones dos casos mais flagrantes. Em boa verdade, o segredo que sustenta o grupo é o oposto da imagem que cultivam em palco, entre a irreverência e a alegada liberdade total – que são talvez os adereços mais chiques e sedutores da nossa época! Só que, mal chegam aos bastidores, ondem passam 99% da sua vida, e descontando o folclore do rol de amigas do Mick Jagger(1) e mesmo assim…, entram numa disciplina férrea, levando um dia-a-dia de enormes cedências, logo a começar pela forma dolorosa e hábil com que aceitam trabalhar em equipa, apesar de se detestarem q.b. Sim, especializaram-se em engolir sapos e elefantes com o maior dos fair play, como se fosse coisa boa e facilzinha… A ponto de nenhuma tia-avó já ter nada a ensinar-lhes, neste combate silencioso e duro, que nunca atrai aplausos! Perseverança e combatividade, rigor e profissionalismo são, afinal, os talentos bem escondidos e nada in, que lhes tem permitido superar a natural tendência para a desagregação e o desaparecimento, ou melhor dito: a morte. Não por acaso, já são campeões de longevidade no universo híper volúvel do rock!  

A palavra ao MEC:         

Alimentar o Amor

Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Chega-se sempre à primeira frase, ao primeiro número da revista, ao primeiro mês de amor. Cada começo é uma mudança e o coração humano vicia-se em mudar. Vicia-se na novidade do arranque, do início, da inauguração, da primeira linha na página branca, da luz e do barulho das portas a abrir.
Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Por isso respeito cada vez menos estas actividades. Aprendi que o mais natural é criar e o mais difícil de tudo é continuar. A actividade que eu mais amo e respeito é a actividade de manter.

Em Portugal quase tudo se resume a começos e a encerramentos. Arranca-se com qualquer coisa, de qualquer maneira, com todo o aparato. À mínima comichão aparece uma «iniciativa», que depois não tem prosseguimento ou perseverança e cai no esquecimento. Nem damos pela morte.

É por isso que eu hoje respeito mais os continuadores que os criadores. Criadores não nos faltam. Chefes não nos faltam. Faltam-nos continuadores. Faltam-nos tenentes. Heróis não nos faltam. Faltam-nos guardiões.

É como no amor. A manutenção do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas é preciso paciência para fazer perdurar uma paixão. O esforço de fazer continuar no tempo coisas que se julgam boas — sejam amores ou tradições, monumentos ou amizades — é o que distingue os seres humanos. O nascimento e a morte não têm valor — são os fados da animalidade. Procriar é bestial. O que é lindo é educar.
Estou um pouco farto de revolucionários. Sei do que falo porque eu próprio sou revolucionário. Como toda a gente. Mudo quando posso e, apesar dos meus princípios, não suporto a autoridade.

É tão fácil ser rebelde. Fica tão bem ser irreverente. Criar é tão giro. As pessoas adoram um gozão, um malcriado, um aventureiro. É o que eu sou. Estas crónicas provam-no. Mas queria que mostrassem também que não é isso que eu prezo e que não é só isso que eu sou.
Se eu fosse forte, seria um verdadeiro conservador. Mudar é um instinto animal. Conservar, porque vai contra a natureza, é que é humano. Gosto mais de quem desenterra do que de quem planta. Gosto mais do arqueólogo do que do arquitecto. Gosto de académicos, de coleccionadores, de bibliotecários, de antologistas, de jardineiros.

Percebo hoje a razão por que Auden disse que qualquer casamento duradoiro é mais apaixonante do que a mais acesa das paixões. Guardar é um trabalho custoso. As coisas têm uma tendência horrível para morrer. Salvá-las desse destino é a coisa mais bonita que se pode fazer. Haverá verbo mais bonito do que «salvaguardar»? É fácil uma pessoa bater com a porta, zangar-se e ir embora. O que é difícil é ficar. Isto ensinou-me o amor da minha vida, rapariga de esquerda, a mim, rapaz conservador. É por esta e por outras que eu lhe dedico este livro, que escrevi à sombra dela.

Preservar é defender a alma do ataque da matéria e da animalidade. Deixadas sozinhas, as coisas amarelecem, apodrecem e morrem. Não há nada mais fácil do que esquecer o que já não existe. Começar do zero, ao contrário do que sempre pretenderam todos os revolucionários do mundo, é gratuito. Faz com que não seja preciso estudar, aprender, respeitar, absorver, continuar. Criar é fácil. As obras de arte criam-se como as galinhas. O difícil é continuar.

Miguel Esteves Cardoso, in «As Minhas Aventuras na República Portuguesa»
 (2) 


Bom Verão a todos, com óptimas leituras!


Maria Zarco
(a  preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas)
_____________
(1) Até o vocalista foi descrito pela última namorada norte-americana (que precipitou o fim da sua vida), como um homem híper disciplinado.  Lá está: conheceu em primeira-mão a faceta mais real do Mick, que só passa nos bastidores.

(2) Uma edição da Assírio & Alvim, com uma capa muito frondosa e verde, mesmo a saber a férias.


Acerca de mim

Arquivo do blogue