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07 abril 2014

Fórmula para o caos

Avaliando os recentes discursos dos responsáveis governativos, bem como as declarações dos parceiros europeus, parece cada vez mais provável que Portugal irá optar, à semelhança do que fez a Irlanda, pela saída limpa – financiar-se nos mercado sem qualquer seguro – do programa da Troika. A acontecer, trata-se de um ganho, em termos políticos, por parte do executivo, ficando o benefício financeiro extremamente difícil de antecipar. Apenas após a primeira emissão de dívida a 10 anos se poderá julgar o mérito da decisão.
No entanto, secundarizando as variáveis política e financeira em não accionar o programa cautelar, torna-se deveras preocupante a retórica que se escuta a propósito da recuperação da soberania orçamental. Antes de mais, total soberania não irá ser uma realidade nos próximos anos. Não antes do reembolso de 75% da dívida aos credores institucionais. Mas, sobretudo, causa perplexidade observar que quem defende a saída limpa fá-lo com o propósito de aliviar a austeridade. Será que, mesmo depois de todas as evidências empíricas, ainda não há a percepção colectiva que o modelo de desenvolvimento praticado nos últimos 15 anos, assente no crédito e na desorçamentação, foi a principal causa da crise que nos assola? Esses tempos, de riqueza artificial e sucessiva perda de competitividade, não mais poderão voltar, sob pena de Portugal se tornar num caso esquizofrénico de recessões permanentes e constantes falências do Estado. No futuro, a eliminação do défice deverá merecer o rótulo de prioritário, sendo esta uma obrigação a que os partidos responsáveis deveriam estar vinculados.
Obviamente que seria positivo um consenso entre os partidos com aspirações ao poder acerca das linhas mestras a serem seguidas pelo Estado no período que se seguirá ao fim do programa. Porém, para nosso infortúnio, o calendário eleitoral reduz essa possibilidade a uma mera miragem.
No fundo, PS e PSD, apenas se entendem quando está em causa alguma medida popular, que traga, no curto prazo, subidas nas sondagens para ambos, como foi o caso da recente polémica sobre a prescrição de processos de fraude bancária. Apesar de ser um caso dotado de extraordinária complexidade, que carece de rigorosos estudos a serem elaborados por técnicos especializados, os dois partidos não perderam tempo a proclamar banalidades e, como sempre acontece, a clamar por nova legislação. Se ao invés de estarem, de forma sistemática, a cavalgar a onda do imediatismo, talvez devessem dedicar-se a encontrar formas de consenso sobre o funcionamento da Justiça e a promover a estabilidade do sistema fiscal. Visto não estar em causa qualquer matéria que mereça “insanáveis” divergências ideológicas, não existe qualquer razão plausível para que não o façam.

Pedro Castelo Branco

25 março 2014

Fórmula para o caos

A maioria das vozes que, nos dias que se seguiram à divulgação do manifesto que apela a uma restruturação da dívida pública, tem alegado – e muito bem – que uma possível restruturação da dívida acarretaria, de forma irreversível, graves consequências económicas para Portugal. O Estado enfrentaria, durante décadas, um problema de financiamento nos mercados, como, de resto, se tem passado na Argentina desde que cessou os pagamentos ao exterior em 2002. No entanto, muito mais grave do que o inferno financeiro que daí adviria, prende-se com a questão moral. Por mais eloquentes que sejam as palavras esplanadas no documento, o Manifesto em questão, declaradamente, emerge a vontade dos subscritores em darem o calote. Lendo o texto, não deixa de chamar a atenção que, por mais que uma vez, é empregue o termo dignidade. Pois bem. Que dignidade tem um Estado, e, por arrasto, o povo por aquele representado, que não honra as suas dívidas? Será que os autores do Manifesto se apercebem que o dinheiro que nos foi emprestado é originado pelas poupanças de outros, sejam eles alemães ou portugueses? Ao contrário do que é muitas vezes apregoado, o mercado não é mais do que uma consequência das acções livres dos indivíduos. Neste caso, tratam-se  de sujeitos que, inversamente ao Estado que nos (des)governa, são capazes de gerar saldos positivos e, com isso, financiam quem apenas cria défices e dívidas em catadupa.
Segundo consta, o principal mentor e autor do conteúdo do Manifesto dá pelo nome de João Cravinho. Não obstante qualquer personalidade estar no legítimo direito de lançar as ideias que achar apropriadas, quando e como entender, convém recordar que João Cravinho, antes da autoria do Manifesto, já tinha sido autor de dois dos maiores males que a economia portuguesa já sofreu. Em 1975, durante a malfadada experiência marxista que Portugal vivenciou, Cravinho desempenhou o cargo de ministro nos governos gonçalvistas, sendo o ideólogo das nacionalizações selvagens que arruinaram e descapitalizaram o que restava do sector produtivo português. Mais tarde, um pouco mais moderado mas não menos irresponsável e incompetente, enquanto ministro do Equipamento de António Guterres, resolveu construir dezenas de auto-estradas sem custo para o utilizador (SCUT) que, pelo suposto impacto económico, se pagariam a elas mesmas. Sem surpresa, a economia não cresceu e o país não se desenvolveu. E, claro está, que o que se seguiu a esta invenção corresponde ao período em que o Estado acumulou maior stock de divida. A tal que agora é para ser estruturada.

Pedro Castelo Branco

24 fevereiro 2014

Fórmula para o caos

Destaques do congresso do PSD:

Pedro Passos Coelho. Discursos proferidos no estilo habitual, racional e pouco emotivo, muito mais voltado para o país e menos para o partido. O facto de não ter sentido necessidade de falar directamente aos militantes (e barões) é um sinal inequívoco de que a unidade dentro do PSD é uma realidade.

Marcelo Rebelo de Sousa. Desempenhou o papel de entertainer da noite de Sábado. Como de costume, utilizou uma forma cativante, por vezes divertida, que prendeu os congressistas e motivou a maior ovação da noite. Fica, claramente, a ideia de que a questão presidencial está longe da resolução.

Nuno Morais Sarmento. Quanto mais os anos passam, mais consolidada fica ideia de que este é um dos melhores políticos do seu tempo. O discurso bem estruturado, abundante em substância programática e assertivo relativamente aos críticos internos que nunca expõem as discordâncias nos locais indicados.

Luís Filipe Menezes. Foi, a todos os níveis, lamentável. No fundo, apenas se deslocou ao Coliseu para explanar todo oressabiamento e vitimização que já se lhe conhecia.

Pedro Castelo Branco

13 janeiro 2014

Fórmula para o caos

“ Os mitos não deveriam partir...”. Esta foi, em público, a primeira reacção de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, quando confrontado com a morte de Eusébio. No fundo, este é um mito que nunca partirá, pelo menos enquanto houver, no mundo, uma única alma que goste de futebol. É verdade. Em termos físicos, Eusébio já não está entre nós. Mas, e desde ainda muitos antes do fatídico dia 5 de Janeiro de 2014, que o Pantera Negra era muito mais que um mero ex-jogador de futebol. Eusébio, que abandonou os relvados há quase 40 anos, é como um Estado de Espírito que atravessou, e continuará a atravessar, gerações de amantes do Desporto Rei. Muitas palavras já foram ditas, diversas imagens foram passadas nas televisões e inúmeras linhas foram escritas. Porém, nunca será demais recordar que dos milhares de pessoas que passaram no Estádio da Luz nos dias 5 e 6 de Janeiro, a grande maioria nunca viu Eusébio jogar. É neste ponto que reside o segredo do mito. Por norma, uma figura mitológica pousa numa linha intemporal, sendo irrelevante o tempo e o espaço em que pontificou.

Pela minha parte, que ainda nem era nascido quando Eusébio pendurou as botas, vem-me há memória o dia 1 de Dezembro de 1992. Como forma de celebrar os 50 anos do seu maior representante, o Sport Lisboa e Benfica organizou, no antigo Estádio da Luz, aquele que ficou, apesar de não se tratar de nenhum jogo oficial, um dos dias mais marcantes da história do clube. Eu, criança de 7 anos, acompanhado pelo meu pai (máximo responsável pelo meu amor à causa), tive a oportunidade de assistir, in loco, a dois magníficos jogos de futebol. Em primeiro lugar subiu ao relvado uma equipa de velhas glórias do Benfica, capitaneada por Eusébio, para defrontar uma selecção do resto do mundo integrada por estrelas como Camacho, Bobby Charlton, Milla e Kempes. Para o fim de festaestava guardado um empolgante desafio entre o Benfica e o Manchester United.


Não deixa de ser irónico que, no decorrer das festividadesEusébio da Silva Ferreira tenha sido condecorado pelo então Presidente da RepúblicaMário Soares, que agora resolveu reduzi-lo à figura de “pouco instruído“.  21 anos classificou-o como o maior embaixador de Portugal no mundo”.

Pedro Castelo Branco 

30 dezembro 2013

Fórmula para o caos

Chega o fim do ano. 2013 fica marcado pelo desaparecimento de algumas importantes figuras políticas. Destaque para três personalidades distintas.
 
Em Março foi o mês em que morreu o revolucionário bolivariano Hugo Chavez. O líder venezuelano sucumbiu a um cancro e deixou, por sua própria indicação, o vice-presidente Nicolas Maduro com a missão de prosseguir a revolução que conduz, dia após dia, a Venezuela para o desastre.

Em Abril morreu Margaret Thatcher. A ex-primeira-ministra do Reino Unido fica na história como uma lutadora incansável pela liberdade, tanto política como económica, que com Ronald Reagan e João Paulo II formou uma aliança vincada para colocar fim ao comunismo e ao totalitarismo soviético. 

Em Dezembro partiu Nelson Mandela. O incansável combatente do odioso regime do Apartheid deixa uma legado de respeito pelas liberdades cívicas e políticas e, principalmente, de capacidade de perdoar quem o maltratou.

Pedro Castelo Branco

02 dezembro 2013

Fórmula para o caos

A Europa e a Realidade*
Em meados de 2005, que para o assunto em questão, foi há muito tempo atrás, Mark Leonard, especialista inglês em política internacional, publicou um livro chamado Século XXI – A Europa em Mudança. Livro esse que, ironicamente, previa a liderança do mundo por parte da Europa nos tempos vindouros. Leonard, imprimindo um evidente idealismo, considerava que o Modus Vivendi do velho continente, com destaque para o seu património cultural e intelectual, bem como pela relativa coesão social, seria adoptado, num futuro não muito longínquo, pela maioria dos países do mundo.
Contudo, apesar das benignas previsões do jovem inglês, nada se concretizou. Com o despertar da crise financeira de 2008, fortemente induzidos pelas diretrizes de Bruxelas, os governos europeus incorreram em doses maciças de despesa pública para fazer face ao ciclo económico recessivo. Porém, os gastos governamentais em muito superaram a receita fiscal, tendo como consequência a criação de elevados défices e inevitável incremento da dívida pública. No caso português, de 2005 a 2011, a dívida duplicou. Refira-se que, já muito antes do apogeu da crise, a despesa estatal era considerada elevada relativamente ao produzido pela economia.
No começo do ano de 2010, os investidores entraram numa espiral de desconfiança quanto às reais capacidades de estados como Grécia, Irlanda e Portugal em pagarem a dívida acumulada. A partir desse período, sempre que os tesouros nacionais emitam dívida no mercado, apenas em troca de incomportáveis taxas de juro a mesma era colocada. A situação tornou-se insustentável e os demais países que integram a união monetária, fazendo as vezes dos mercados, contribuíram para um plano de resgate aos estados em apuros. Em troca do auxilio, os governos de Grécia, Portugal e Irlanda comprometeram-se a aplicar exigentes programas de equilíbrio das contas públicas. Como seria expectável, dado a suspensão do sonho europeu em matéria de criação de emprego e estímulos ao investimento e consumo, o palco para o surgimento de partidos populistas, de esquerda e de direita, estava montado. Por um lado, nos países onde foi aplicado a inevitável austeridade, os movimentos políticos de esquerda reclamam medidas que favoreçam o crescimento e combate ao desemprego. Já nos países a cujos cofres públicos foram retiradas consideráveis somas para ajudar os estados endividados, pularam para a ribalta partidos euro-cépticos que, num tenebroso desvario demagógico, aliciam as populações com discursos nacionalistas.
Por tudo o que a realidade demonstra, o auspicioso futuro da humanidade, com centro na Europa, previsto por Mark Leonard, não passa de uma valente utopia.
Pedro Castelo Branco

* artigo inicialmente publicado no site portugueseindependetnews.com

18 novembro 2013

Fórmula para o caos

Na semana em que se assinalam os 50 anos do assassinato de John Kennedy, deixo-vos um dos seus discursos mais emblemáticos. Não tendo sido as suas medidas domésticas consensuais entre os americanos, nada poderá ser apontado à política externa. JFK foi um audaz combatente de todo o tipo de totalitarismo.

Pedro Castelo Branco


28 outubro 2013

Fórmula para o caos

O Guião em 10 Etapas

1. O Governo entra em funções e crê ser fundamental reformar o Estado.

2. Sem tempo para reformar o Estado entre a tomada de posse e a apresentação do orçamento para 2012, o Governo faz cortes indiscriminados na despesa pública.

3. O primeiro-ministro delega na pessoa do ministro dos Negócios Estrangeiros a formulação e apresentação de um Guião sobre a Reforma do Estado.

4. O ministro dos Negócios Estrangeiros aponta a apresentação do Guião para 15 de Fevereiro de 2013.

5. O mesmo ministro adia a apresentação para Junho de 2013.

6. Em Julho de 2013, sem ter apresentado qualquer Guião, o ministro dos Negócios Estrangeiros demite-se do executivo e afirma tratar-se de uma decisão irrevogável.

7. O ministro demissionário, após negociação com o primeiro-ministro, passa a ocupar o cargo de vice-primeiro-ministro e fica com a pasta da Reforma do Estado.

8. O primeiro.ministro garante que o Guião vai ser discutido e aprovado em Conselho de Ministros no dia 24 de Outubro.

9. O primeiro-ministro assegura que o Guião vai ser discutido e aprovado em Conselho de Ministros no dia 31 de Outubro. 

10. Faltam quatro dia para o esperado dia 31 de Outubro…

Pedro Castelo Branco

14 outubro 2013

Fórmula para o caos*


Ajustamento e Investimento
Durante a primeira década do século XXI, o país viveu, na sua globalidade, 10% acima daquilo que produzia. Por outras palavras, as nossas necessidades de consumo superaram em 10 pontos percentuais as nossas capacidades de produção. Esse era o chamado défice externo. Para financiar esse desequilíbrio, tivemos que importar capitais. Contrair empréstimos. Pagar o nosso consumo com o excedente de outros países. Em meados de 2011, face à gigante dívida acumulada como resultado dos consecutivos défices, os nossos credores, com uma desconfiança crescente quanto às nossas reais possibilidades de pagarmos a divida, fecharam-nos a torneira do crédito. Foram os parceiros europeus, com o apoio do FMI, que vieram em nosso socorro. Contudo, em troca do empréstimo, apresentaram-nos um plano de ajustamento da economia que teríamos que seguir à risca. No fundo, ou produzíamos mais para compensar o gasto, ou teríamos que reduzir o gasto até ao nível da produção. Aliás, a médio prazo, um excedente externo seria o necessário por forma a honrarmos os compromissos com os credores. Por muito custoso que seja, o ajustamento é fundamental para que possamos voltar ao crescimento económico. Fundamental, mas insuficiente.
Como complemento à austeridade, os responsáveis políticos terão que implementar medidas estruturais que promovam e atraiam investimento. Em especial, Investimento Directo Estrangeiro, que tem vindo a cair a um ritmo vertiginoso. Em 2012, segundo um ranking elaborado pela revista The Economist, Portugal ocupava um desanimador 41º lugar em termos de atractividade de negócios. São várias as componentes estudadas pelos investidores antes tomar a decisão de aloucar capitais num país estrangeiro. Claro que Portugal fez alguns progressos, com destaque para as baixas taxas de inflação dos últimos 20 anos, muito embora esse tenha sido um avanço alcançado por imposição da União Europeia. No entanto, ainda são bastantes, e decisivos, os aspectos que carecem de uma clara melhoria. No que toca ao sistema de Justiça, apesar de anualmente despendermos 0,3% do PIB do dinheiro dos contribuintes para financiá-lo (média OCDE de 0,2%), os processos nos tribunais arrastam-se por anos a fio. Também o regime laboral é um dos mais rígidos dos países desenvolvidos. Quanto à estabilidade política, dispensa comentários de maior: 14 primeiros-ministro desde a democratização, enquanto em Espanha houve 6.
Apesar de toda atenção que merecem os factores enunciados no parágrafo anterior, de acordo com os mais bem sucedidos empresários, é a estabilidade fiscal o ponto que mais pesa quando se decide investir. Nesse campo o nosso percurso não pode ser mais desastroso. Todos os anos surgem novas leis fiscais, sobem e descem impostos, criam-se taxas especiais sobre tudo e sobre nada. Sempre que muda o governo, um novo regime fiscal é adoptado. Ainda há poucos dias, a empresa chinesa China Three Gorges, que nem há 2 anos adquiriu o que restava de capital publico na EDP, mostrou-se extremamente decepcionada pela criação de uma taxa sobre os produtores de electricidade. Mais: os investidores chineses afirmam que o acordo de privatização previa que não se introduzisse qualquer taxa nos próximos anos. No passado dia 8 de Outubro, foi noticiado que o fundo imobiliário alemão Dekka Immobiliene comprou, por 43 milhões de euros, o edifício Báltico no Parque das Nações em Lisboa. Imagine-se que, daqui por uns tempos, o governo decide alterar o valor do Imposto imobiliário? Qual seria a reacção de quem já investiu, e, pior, de quem pensava investir?
Veja-se o exemplo da Jerónimo Martins que, à semelhança da maioria das sociedades cotadas no PSI20, transferiu a sua sede para Holanda por aí obter um quadro fiscal muito mais favorável. No inicio deste ano, a mesma JM atacou em força o mercado colombiano, com a abertura de várias lojas no país sul-americano. O CEO, Pedro Soares dos Santos, afirmou taxativamente que o poder politico da Colômbia garantiu 20 anos de estabilidade fiscal, independetemente do governo que esteja em funções. Porque não fazer o mesmo em Portugal? Se PSD, PS e CDS-PP convergem na ideia de que é crucial atrair investimento estrangeiro, qual a razão de não assinar um pacto de regime para 10 anos, em que se garantisse a manutenção da fiscalidade e a protecção ao investidor?

Pedro Castelo Branco

Artigo originalmente publicado no site portugueseindependentnews.com

30 setembro 2013

Fórmula para o caos


Algumas notas sobre as autárquicas 2013 (ainda sem resultados finais):

. a elite comentadeira continua a não distinguir eleições locais de eleições nacionais.

. é bom que os partidos tomem atenção aos movimentos independentes. A vitória de Rui Moreira no Porto pode marcar, como ponto de partida, uma nova forma de fazer política não-partidária.

. as escolhas das candidaturas do PSD para as grandes cidades foi desastrosa. Fernando Seara e Menezes já começaram fragilizados devido à polémica lei de limitação de mandatos. Em Gaia e Sintra, em lugar de apoiarem as candidaturas nos candidatos oriundos dessas cidades, optaram por colocar Carlos Abreu Amorim e Pedro Pinto que não têm qualquer tipo de identificação com a população local.

. Bernardino Soares ganhou em Loures. Poderá testar o modelo norte-coreano de desenvolvimento.

. em termos globais, foi uma tremenda derrota para Passos Coelho, mas também não houve qualquer vitória para Seguro. Aliás, o excelente resultado de António Costa em Lisboa deverá provocar uma espécie de mixed-feelings no secretário-geral socialista.

Pedro Castelo Branco

16 setembro 2013

Fórmula para o caos

Para todos os anti-americanos que ficaram satisfeitos com emancipação de Putin no processo das armas químicas na Síria, aqui fica a ilustração do que acontece desde os tempos da Guerra Fria.


Pedro Castelo Branco

02 setembro 2013

Fórmula para o caos


Em Janeiro último, um golo de Matic frente ao FC Porto foi tema de um post neste blog. Escrevi algo como " (...) fiquei maravilhado com a, até então desconhecida, poesia sérvia..."

No derradeiro dia de Agosto de 2013, o mundo observou mais um pedaço de poesia vinda daquele país balcânico. Estilos diferentes, poetas diferentes, mas a mesma classe. Parece que a poesia argentina vai enfrentar uma forte concorrência nos tempos que se avizinham.

 Deixo-vos 3 vídeos. De 3 poetas diferentes. Em todos, o nome começa com M.

Pedro Castelo Branco





19 agosto 2013

Fórmula para o caos

Foi muito badalada e por muitos criticada a entrevista feita por Judite de Sousa ao jovem abonado luso-brasileiro Lorenzo Carvalho. A jornalista da TVI, como quase todos os profissionais da sua área em Portugal, tem o sinal ideológico a resvalar para a esquerda. Nada contra o facto de ser de esquerda, mas não deixa de ser um ponto importante quando se trata de entrevistar um " rico ". Segundo Judite de Sousa, o milionário deveria, por obrigação moral, optar por gastar a fortuna em causas sociais e de apoio aos desempregados. A esquerda portuguesa é extremamente moralista! Referências ao facto de Lorenzo Carvalho ter escolhido uma país falido e em recessão há mais de três penosos anos para esbanjar o seu capital acumulado em nada beneficiará a economia local, segundo Judite de Sousa. Não que o tenha dito, mas a ausência de menção foi esclarecedora. Parece que o único gasto moralmente aceitável para um rico fazer é à Direcção Geral dos Impostos. Aí já não problema nenhum. Reduzir em 70% as receitas de uma cidadão é justiça social!

Pedro Castelo Branco 

08 julho 2013

Fórmula para o caos

Confesso que não consigo comentar por palavras tudo o que se passou esta semana neste cantinho à beira-mar plantado que alguns classificam como país, e outros, que sempre condenei pelo termo jocoso utilizado, mas que agora, num acto de contrição, lhes concedo razão, denominam "esta espécie de país." A falta de comentário não é originada pela pobre substância do que se passou, mas resulta da minha limitada capacidade literária para a descrição correcta do sucedido. Talvez seja da tenra idade que o Cartão do Cidadão apresenta, talvez seja a falta de vocação ou mesmo pouco mundo. Como disse Ludwig Wittgenstein: " os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo." 

Como tal, não havendo vocábulos, deixo-vos um vídeo que ilustra, mais coisa menos coisa, a semana política.


Pedro Castelo Branco

10 junho 2013

Fórmula para o caos

Na edição da semana passada da revista Economist, o destaque principal focava um artigo sobre a redução da extrema pobreza no mundo nos últimos 20 anos. Segundo números oficiais, em 1990 existiam 2 mil milhões de pessoas a viverem com menos de 1,25 USD por dia. Em 2013 esse número foi reduzido para metade. Apesar de continuar a ser um número alarmante a quantidade de seres humanos pobres que há no planeta, não deixa der ser notável a recuperação feita nas duas últimas décadas. Esse feito foi alcançado não por decreto, não por normas constitucionais, não por proteccionismo ou qualquer outro tipo de proibição. Foram a abertura e integração económica as responsáveis pela redução da pobreza. China e Índia são os países que mais têm contribuído para o efeito. Pelo lado chinês, pode destacar-se Deng Xiaoping com todas a reformas económicas que efectuou desde que assumiu a chefia da República Popular da China em 1978. Já no sub-continente indiano, foi Manmohan Singh, actual primeiro-ministro, que como ministro das finanças em 1991 deu inicio a um vasto conjunto de reformas que abriram a economia indiana ao mundo. Como a história sempre provou, não há nada como o livre comércio para alcançar a prosperidade económica.

Pedro Castelo Branco

27 maio 2013

Fórmula para o caos


A Revolução sem culpa

Sempre que alguma maleita assola o " paraíso socialista venezuelano " logo os seus dirigentes apontam o dedo a factores, no mínimo, estranhos.

Em 2010 o país sofreu fortes cheias que provocaram a morte a dezenas de pessoas e deixaram milhares sem casa. Tratou-se de um fenómeno natural sem controlo possível. Mas, para o desaparecido Hugo Chávez, houve um culpado: o capitalismo. Segundo o, à época, líder venezuelano o modelo de desenvolvimentos das maiores economias do mundo provocava a destruição do planeta.

Em 2013 a Venezuela vive com escassez de vários produtos de primeira necessidade. Isto não é novidade nos países socialistas. Durante a década de 80 todo o Bloco de Leste enfrentou o mesmo problema, com as famosas "prateleiras vazias". Desta vez é papel higiénico que falta na Venezuela. Culpa do modelo socialista? Nem pensar. A culpa é do povo que anda a comer muito, Nicolás Maduro dixit.

Pedro Castelo Branco

13 maio 2013

Fórmula para o caos


O futebol não é um caso de vida ou de morte...é muito mais importante do que isso!

O inicio de noite de Sábado, por volta das 22:15, foi um dos piores da história recente do Benfica. Talvez tenha sido mesmo o pior da sua história desportiva. Obviamente que não foi a primeira vez que perdeu o campeonato a pouco tempo do fim da competição. Porém, infelizmente, para os lados da Luz já não se ganham títulos com a frequência a que o clube se habituou nos anos 60, 70 e 80. Nos tempos que correm, a vitória ou perda de um campeonato nacional é um acontecimento marcante e não um evento pontual.

 Não vale a pena fugir da realidade. Vai ser muito difícil recuperar animicamente a equipa para o jogo de Quarta-feira com o Chelsea. Mesmo tratando-se de uma final europeia, sempre esteve presente que o campeonato era a prioridade.

Visto que este blog é propriedade de um sportinguista moderado, daqueles que não acorda nem adormece a pensar no Benfica, deixo aqui um texto que encontrei via Facebook.


Pedro Castelo Branco


Hoje atingimos a pior classificação de sempre na nossa história. Para além de termos ficado fora das competições europeias, conseguimos a proeza de não figurar, sequer, entre os sete primeiros lugares da tabela classificativa a uma escassa jornada do final deste campeonato.

No entanto, mais do que carpir as mágoas e pensar no futuro, os sportinguistas parecem preocupar-se essencialmente com o facto do Benfica aparentar ter perdido tudo na recta final do campeonato. E a situação torna-se mais caricaturesca quando temos a percepção que o percurso do Benfica, por terras lusas e estrangeiras, foi marcado por inúmeras vitórias e presenças em finais. Ou seja, o Benfica não tem razões para ser enxovalhado: fez uma época absolutamente excepcional.

Pelo contrário, nós fizemos a pior época de sempre. Se o Benfica tem razões para se sentir envergonhado, então no nosso caso não há outra solução senão efectuarmos um lento hara-kiri com uma espada de madeira. Não temos absolutamente nenhuma moral para apontar o dedo e gozar como um menino traquinas da primária.

É verdade que o Benfica é o clube mais arrogante de Portugal. É verdade que, na zona de Lisboa, o ar torna-se mais irrespirável a cada vitória benfiquista. O asfalto cede e cada passo representa um esforço hercúleo directamente proporcional à quantidade de benfiquistas que nos rodeiam dada a quantidade de soberba presente na verborreia que proferem.

Porém, os sportinguistas do Porto sentem exactamente o mesmo. E mais: têm razões para este sentimento que vão muito para além de uma rivalidade histórica. Têm razões actuais, justificadas pela razão e pela realidade. O Porto, nas últimas décadas, foi o verdadeiro rival do Sporting, roubando-nos inúmeros jogadores e títulos. O Porto, no pior período da nossa história - o actual - agiu como um abutre, vindo comer a carcaça gasta do leão para encontrar no interior do nosso estômago jogadores como Moutinho e Izmailov. O Porto contratou um avançado sem joelhos apenas para nos atingir onde mais dói: no orgulho e história.

Para além disso, o Porto tem sido um exemplo de incorrecção futebolística. Os casos são vários e documentados no maior arquivo de vídeos da humanidade. Qualquer pessoa pode aceder e ver por si a narrativa abjecta dos últimos 20 anos,  que muito nos prejudicou e contribuiu para o actual estado de coisas.

Nesta senda do anti-benfiquismo acéfalo, quero também relembrar uma coisa: o único clube que ficaria verdadeiramente a ganhar com o desaparecimento do Sporting é o Porto. O futebol tornar-se-ia bipolarizado e seria uma guerra entre Norte e Sul, como Pinto da Costa tentou sempre que fosse. E mais: os adeptos do Sporting, rejeitando o vermelho, iriam sempre torcer pelo Porto. Talvez até os filhos fossem portistas e, com isto, aumentassem o número de adeptos.

Posto isto, hoje senti vergonha de vários adeptos serem do mesmo clube que eu. Senti vergonha de festejarem a vitória do clube que, nos últimos trinta anos, mais mal nos fez. Senti vergonha de não sentirem vergonha pelo afastamento da Europa, que levou a terem a capacidade de enxovalhar o Benfica numa época como esta, dando-lhe uma importância que não tem (ou que não deveria ter).

Se queremos ser grandes, temos que pensar como grandes. E hoje pensámos como adeptos de um clube pequeno, satélite do Norte, festejando o campeonato de um rival em detrimento de outro.

O anti-benfiquismo, hoje, tornou-se mais importante que o Sporting. Um dia que nunca mais irei esquecer e dos mais negros da nossa história recente. "


Fonte: http://www.forumscp.com/index.php?topic=53080.0

29 abril 2013

Fórmula para o caos


Haverá alguém habilitado para ser ministro em Portugal?

Se é oriundo das estruturas partidárias desde muito jovem: nunca trabalhou na vida.

Se não tem qualquer passado político ou militância partidária: não possui habilidade política.

Se não tem licenciatura: não é qualificado o suficiente para integrar o governo.

Se é doutorado: é um mero académico, sem experiência no país real.

Se nunca saiu de Portugal: não tem mundo, é um provinciano.

Se vive fora de Portugal: é um estrangeirado, não conhece o país.

Se vai tutelar uma pasta com a qual nunca trabalhou: não conhece os dossiers.

Se vai tutelar uma pasta com a qual trabalhou: existe um claro conflito de interesses.

Se integra o executivo após uma remodelação sem nunca ter tecido criticas ao governo: é um yes man.

Se integra o executivo após uma remodelação e já, no passado, criticou o governo: é um dissidente.


Pedro Castelo Branco

15 abril 2013

Fórmula para o caos

The Iron Lady
Creio que foi ainda em 2010 que tomei conhecimento que estava a ser produzido um filme sobre Margaret Thatcher. Sendo eu apreciador da Sétima Arte, de biografias (escritas ou em vídeo) e ideologicamente convergente com as políticas de Thatcher, desde esse momento que ansiei pela estreia do filme em Portugal.

Pela primeira vez, desde que me lembro, li, vi e ouvi todas as criticas e análises sobre o filme, mesmo antes de o visionar. Foram artigos no jornal, crónicas na rádio e até um documentário/debate na SIC Notícias com a presença de Martim Cabral (ex-jornalista da BBC) e Francisco Sarsfield Cabral (representante permanente da Comissão Europeia nos anos 80). Por mais que as opiniões sobre o filme fossem diversas, houve dois pontos em que todos concordaram: o magnânimo desempenho de Meryl Streep e o facto de o filme ser sobre a pessoa Margaret Thatcher e não sobre a primeira-ministra, ou tão pouco sobre o Thatcherismo. 

No que concerne ao primeiro tópico, não posso estar mais de acordo. O desempenho de Meryl Streep é a todos os títulos perfeito. Seguramente uma das melhores performances feitas por uma actriz. Já o filme não ser sobre a Thatcher política, mas sim sobre Maggie, concordo parcialmente. Nos primeiros 30/35 minutos do filme é verdade. A parte pessoal e a crescente demência da senhora é profundamente explorada. Porém, daí para a frente, há numerosos factos relativos ao Thatcherismo que são trazidos à ribalta. Desde os primeiros dois anos de mandato em Downing Street, em que os níveis de popularidade estavam pela hora da morte, à constante guerra aberta com os sindicatos (ódio de estimação de Thatcher), ao corte na despesa pública, passando pela política de privatizações de empresas e indústrias que os anteriores governos Trabalhistas tinham consagrado, graças à Quarta Cláusula do seu programa, pertencer à esfera pública e o total apoio à política de livre mercado. 

Os primeiros tempos no Cabinet não foram tarefa fácil. Toda a essa situação foi revertida em 1982. O governo fascista da Argentina, numa clara tentativa de demonstração de poder, invade e ataca as ilhas Falkland, pertencentes à Coroa Britânica. Ao confrontar-se com esse facto, a primeira-ministra, contra tudo e contra todos, inclusive contra os EUA, toma a decisão de fazer frente às forças militares argentinas. Envia uma esquadra britânica com o propósito de recuperar as ilhas do sul do Atlântico. A vitória foi fácil, dado a diferença de poderio militar entre as partes. A nação e a população rejubilaram. Nas ruas de Londres cantava-se I'm in love with Margaret Thatcher. A popularidade subiu em flecha. A decrépita economia, herdada do anterior governo Labour, registou uma clara prosperidade. Graças à desregulamentação dos mercados financeiros (devidamente coadjuvada pelo aliado Ronald Reagan) a City londrina incrementava o volume de negócios.

Mas já nos últimos anos da década de oitenta tudo foi posto em causa. Mesmo com a saudada queda do Muro de Berlim, para o qual Thatcher tanto contribuiu com a estreita relação que manteve com Mikhail Gorbachev, o anúncio de uma Poll Tax, de efeito regressivo, foi o Canto do Cisne para a carreira política de Maggie. Tendo grande parte do seu próprio partido contra si, nada mais lhe restou se não o pedido de demissão do cargo de primeira-ministra.

Talvez os líderes políticos actuais devessem ver Iron Lady e daí retirar algumas ilações. Tal como a extrema importância que Thatcher dava à ideias, e não tanto ao autor das ideias, e menos ainda à forma com eram propagandeadas. Num célebre debate na Casa dos Comuns, um deputado Trabalhista critica severamente o estilo de Thatcher. Esta responde dizendo-lhe para dar mais atenção ao que ela diz, e não à forma como o diz.

Uma crítica que se pode fazer ao filme é a total inexistência de passagens que ilustrassem a visão atlantista de Lady Thatcher. É inconcebível avaliar o Thatcherismo sem ter em conta a aliança com Reagan e toda a paixão que a Dama de Ferro nutria pelos EUA.

Pedro Castelo Branco

18 março 2013

Fórmula para o caos


A esquerda ateia e o Papa nos últimos 30 anos:

João Paulo II. Um terrível anti-comunista que serviu como pilar para derrubar o Bloco de Leste.

Bento XVI. Um alemão que pertenceu à Juventude Hitleriana.

Francisco I. Um Cardeal que demonstrou ter fortes relações com a ditadura militar argentina.

Conclusão. O Chefe da Igreja Católica deverá ser ateu, marxista e anti-Vaticano.


Pedro Castelo Branco

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