Adeus, até ao meu regresso
As melhores viagens são, por vezes, aquelas em que partimos ontem e regressamos muitos anos antes
05 janeiro 2026
04 janeiro 2026
Solenidade da Epifania do Senhor
EVANGELHO – Mateus 2,1-12
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia,
nos dias do rei Herodes,
quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente.
«Onde está – perguntaram eles –
o rei dos judeus que acaba de nascer?
Nós vimos a sua estrela no Oriente
e viemos adorá-l’O».
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado,
e, com ele, toda a cidade de Jerusalém.
Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo
e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.
Eles responderam:
«Em Belém da Judeia,
porque assim está escrito pelo profeta:
‘Tu, Belém, terra de Judá,
não és de modo nenhum a menor
entre as principais cidades de Judá,
pois de ti sairá um chefe,
que será o Pastor de Israel, meu povo’».
Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos
e pediu-lhes informações precisas
sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.
Depois enviou-os a Belém e disse-lhes:
«Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino;
e, quando O encontrardes, avisai-me,
para que também eu vá adorá-l’O».
Ouvido o rei, puseram-se a caminho.
E eis que a estrela que tinham visto no Oriente
seguia à sua frente
e parou sobre o lugar onde estava o Menino.
Ao ver a estrela, sentiram grande alegria.
Entraram na casa,
viram o Menino com Maria, sua Mãe,
e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O.
Depois, abrindo os seus tesouros,
ofereceram-Lhe presentes:
ouro, incenso e mirra.
E, avisados em sonhos
para não voltarem à presença de Herodes,
regressaram à sua terra por outro caminho.
03 janeiro 2026
Pensamentos Impensados
Antigamente dizia-se que mãe há só uma. Hoje em dia já existe a mãe biológica, a mãe afectiva, a mãe de acolhimento; isto sem contar com a Mãe Rússia, mãe natureza, a mãe de água e Mem Martins.
A igreja estava muito longe; podia dizer-se que ficava em casa do Diabo.
Se se destilar o carapuço de um frade capuchinho sai um líquido que se chama cappuccino.
Os fabricantes de automóveis só querem o nosso bem; até aconselham jante comida leve.
SdB (I)
02 janeiro 2026
Um Bom Ano de 2026
Ainda que com um ou dois dias de atraso, aqui ficam os desejos de um Bom Ano de 2026, com tudo o que desejarem. Se ouvirmos as reportagens, o que se quer é saúde e paz. Que assim seja!
JdB
01 janeiro 2026
Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus
EVANGELHO – Lucas 2,16-21
Naquele tempo,
os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém
e encontraram Maria, José
e o Menino deitado na manjedoura.
Quando O viram, começaram a contar
o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino.
E todos os que ouviam
admiravam-se do que os pastores diziam.
Maria conservava todas estas palavras,
meditando-as em seu coração.
Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus
por tudo o que tinham ouvido e visto,
como lhes tinha sido anunciado.
Quando se completaram os oito dias
para o Menino ser circuncidado,
deram-Lhe o nome de Jesus,
indicado pelo Anjo,
antes de ter sido concebido no seio materno.
31 dezembro 2025
Vai um gin do Peter’s ?
O NATAL COMEÇA NA GRUTA
Há vinte anos, amigos de diferentes movimentos resolveram dar continuidade aos preparativos organizados em conjunto para as vindas dos Papas a Portugal, desde a visita de S.João Paulo II, em 1991. A ideia de prepararem o Natal fez surgir um coro com todos a bordo. Nesse Natal, ouviu-se o primeiro concerto do “Coro dos Movimentos”, onde tantos já tiveram (e ainda têm, como eu) sobrinhos a actuar. Os maestros ou maestrinas têm dado provas de imenso profissionalismo e autoridade natural, apesar de serem da idade dos coralistas. O repertório variado e muito original tem sido outra das boas apostas.
Aos poucos, juntaram às músicas, textos compostos por alguém do coro, com especial sentido poético e uma sabedoria que talvez não se esperasse em estudantes universitários e recém-licenciados. Acrescentaram o bom hábito de distribuir pelos bancos os livrinhos do concerto, para os espectadores acompanharem tudo, de fio a pavio. E juntam-se às centenas, apesar das noites geladas de Dezembro.
Este ano, além dos textos compostos pelo Francisco Mendes, foi estreada uma música composta por este jovem talentosíssimo. A obra chama-se «Sonhos de José» e transcrevo a letra, com pena de não ter conseguido apanhar uma gravação na net:
Sou eu
Sei que é difícil de acreditar
No que aconteceu
O filho de Maria é vontade de Deus
Pelo Espírito Santo a Virgem concebeu
Fez-se em sonhos teus
Desperta do sono
Recebe Maria
Entrega o que és a Jesus
Terás Sagrada Família
Jesus, Maria, José
Família de Nazaré
És tu
Que tomas por esposa
Aquela que um Filho vai dar à luz
E tu pôr-lhe-ás o nome de Jesus
Pois tu carpinteiro
És homem bom
És homem justo.»
Partilho excertos dos escritos do Francisco, tão novo e inspirado, que adoptou para leit motiv da sua mensagem de Natal a Gruta:
«NOSSA SENHORA COMO GRUTA
Mais um concerto, mais um Advento, mais um tempo para o qual não tenho tempo.
Mas entro. (…)
Em 1962, Michel Siffre, um espeleologista francês partiu numa expedição para uma gruta nos Alpes.
Levou todo o material necessário, mas decidiu que não levaria relógio e que só queria ser contactado pelo exterior dois meses depois do início da expedição.
Quando o chamaram, no final de dois meses, a sua perceção dizia-lhe que só tinha passado um.
A gruta fria, escura e silenciosa tinha-lhe mudado a perceção do tempo. Trabalhou nesses dois meses como nunca tinha trabalhado. (…) O tempo da gruta é um tempo diferente, mais largo.
Na gruta há tempo para que eu me aproxime do tempo de Deus.
Há tempo para que uma Virgem prepare no silêncio, no íntimo, no escuro, o tempo largo de Deus.
Porque, sem saber, Nossa Senhora foi a gruta antes da gruta.
O abrigo seguro e silencioso onde se prepara o sonho de Deus.
É Maria que nos mostra a primeira gruta, a que nos abre a preparação. O “sim” de Maria muda tudo, com ela há todo um Advento. Um corpo que se prepara para ser mãe de um menino. Um coração que se prepara para ser Mãe de Deus.
Maria, a entranha que deixou Deus entrar.
Mesmo que não se entre na gruta para ficar lá para sempre, é preciso entrar.
Sê bem-vindo!
PRESÉPIO COMO GRUTA
Uma hospedaria não era de certeza… S.Lucas conta-nos que já não havia lugar e que o Menino ficou reclinado “numa manjedoura”.
A partir daí entra a tradição: (…) Belém tinha um sistema de grutas, e muitas funcionavam como armazéns agrícolas, por isso é possível que numa gruta houvesse uma manjedoura.
É possível… É possível…
Enquanto me embrenho em questões históricas (…) esqueço-me da mais espectacular possibilidade.
É só olhar para o presépio.
A questão espacial fica especial se eu me lembrar de que Deus cabe numa gruta! (…) (No) tal lugar escuro, frio e inóspito.
Mas um lugar cuja Natureza muda pela presença de Deus.
Uma gruta é escura, mas aquela gruta é o lugar mais iluminado da terra.
Uma gruta é inóspita, mas quela gruta é fonte de Vida.
Uma gruta é fria, mas aquela faz arder corações.
[No presépio quem é que aquece quem? São os pais, os reis, os animais que aquecem o Menino? Ou é o Menino que os aquece a todos?]
(…) Se é assim no presépio, como não será comigo?
Deus cabe-me no coração, pelo que é e pelo que Deus faz dele.
IGREJA COMO GRUTA
Uma gruta sem luz é assustadora.
Um Igreja sem Jesus é inimaginável.
A Igreja também é uma gruta, edificada sobre a Pedra. Mas a Igreja é amada por Cristo e esse Amor faz dela uma gruta diferente.
Quando estás na Igreja, por mais parada que ela te pareça, a Igreja move-se. Se fechares os olhos e ouvires bem, ouves para lá do silêncio… os ecos de todos os que aqui chegam, os ecos de todos os que por aqui passaram.
Quando abres os olhos, percebes que há movimento na gruta.
Para a Igreja ser abrigo, para a Igreja proteger, para ser o crescimento constante de cada pedra, precisa de desenhar movimento. Um movimento que aponta para a profundidade e reencaminha para a saída.
Mas se Deus sonhou a Igreja, se Deus a amou, por que é que nos quer em constante saída?
Porque não se entra numa gruta para ficar lá para sempre.
A Alegria não se esconde.
Se Ele já nasceu, o que ainda estás a fazer aí parado?»
Uma das peças mais salerosas do Coro dos Movimentos é a ária do espanhol Jorge Álvarez, intitulada «Ven y reina» (aqui numa gravação de 2024, que se repetiu também este ano):
| Adoração dos Magos. Rembrandt, 1632. Tela de 54cm x 44cm. Original em colecção privada de Roma, com réplicas no Hermitage e no museu sueco de Gothenburg. |
30 dezembro 2025
Da refeição como espaço *
Ernest Shackleton partiu de Plymouth para o Polo Sul a 8 de Agosto de 1914. A viagem a que ele se propunha foi um rotundo fracasso - não chegou ao destino. No entanto, toda a viagem do explorador inglês é um acto de enorme heroísmo: nas piores condições atmosféricas possíveis, sem comunicações, sem barco, com pouca comida, com uma equipa debilitada, com um frio antártico e sem cães que foram sendo abatidos por questões de necessidade, conseguiu empreender o resgate de todos. Não ficou ninguém para trás.
No seu livro South, Shackleton descreve com pormenor técnico toda a viagem - temperaturas, coordenadas, tipo de gelo, fauna existente, meteorologia, invenções a bordo. E descreve - e é aqui que quero ater-me - as refeições. Fá-lo de uma forma detalhada: os horários, a composição, as conversas à volta do tema ou de um fogão alimentado a gordura de foca. Não fala de informação nutricional, mas de hábitos; não fala de escorbuto, mas de espaços de convívio; não fala de sobrevivência de organismos, mas da vida de uma equipa em perigo de vida; não fala de necessidades imediatas, mas de momentos tribais. A refeição é um espaço de coesão quando tudo ao redor parece desagregar-se.
***
Em A Festa de Babette, de Karen Blixen, Babette é uma cozinheira que, vítima de um infortúnio qualquer, aporta a Berlevaag, uma cidadezinha no sopé das montanhas de um fiorde norueguês. Aquela comunidade - um seita religiosa conhecida e respeitada por toda a Noruega - havia sido fundada por um deão, um profeta. E cito: os seus membros renunciavam aos prazeres deste mundo, pois a Terra, e tudo o que sobre ela existe, era quase uma ilusão e a realidade verdadeira era a Nova Jerusalém por que ansiavam. Na comunidade há duas velhas que não se falam há 40 anos, pois entre uma e outra houve destruição de herança e de noivado; dois irmãos não se falam há 45 anos; dois outros velhos suportam nos ombros o peso da culpa de um amor antigo, falso e leviano. São caras macilentas, sombrias, escuras de alma e de roupa, onde se percebe que o prazer mais não é do que pecado.
Babette é francesa e vive na casa das filhas puritanas do deão. Ao fim de doze anos recebe uma carta de França onde é informada que recebera dez mil francos por ter acertado na lotaria. E cito de novo: qual não foi o seu espanto [das filhas do deão] quando Babette, numa noite de Setembro, veio à sala, mais humilde, ou mais contida, do que nunca, para lhes pedir que a deixassem fazer um jantar em honra do centenário do Deão. Neste banquete, onde estão todos os velhos desavindos, Babette serve um amontillado que acompanha um sopa de tartaruga; prossegue com blinis Demidoff regados com um Veuve Cliquot, que ainda persiste nas cailles en sarcophage; depois vêm as uvas, os pêssegos e os figos frescos. No fim do banquete há palavras brandas, sorrisos genuínos, olhares pacificadores.
***
Num livro há biscoitos e chá que pouco mais é do que água; há fome. Noutro livro há codornizes e vinhos raros; há abundância. E no entanto, entre South, de Ernest Shackleton. e A Festa de Babette, de Karen Blixen, não há diferença nenhuma. Ambos são a face de uma mesma moeda: a refeição como espaço tribal.
JdB
* publicado originalmente a 2 de Dezembro de 2016
29 dezembro 2025
28 dezembro 2025
Festa da Sagrada Família
EVANGELHO – Mateus 2,13-15.19-23
Depois de os Magos partirem,
o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe:
«Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto
e fica lá até que eu te diga,
pois Herodes vai procurar o Menino para O matar».
José levantou-se de noite,
tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egipto
e ficou lá até à morte de Herodes,
para se cumprir o que o Senhor anunciara pelo profeta:
«Do Egipto chamei o meu filho».
Quando Herodes morreu,
o Anjo apareceu em sonhos a José no Egipto e disse-lhe:
«Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe
e vai para a terra de Israel,
pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino
já morreram».
José levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe,
e voltou para a terra de Israel.
Mas, quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia,
em lugar de seu pai, Herodes,
teve receio de ir para lá.
E, avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia
e foi morar numa cidade chamada Nazaré,
para se cumprir o que fora anunciado pelos Profetas:
«Há de chamar-Se Nazareno».
27 dezembro 2025
Pensamentos Impensados
Não sei se Soror Mariana Alcoforado jogava à bisca; pelo menos era viciada em cartas.
Mancebo é o que põe cebo com as mãos.
Se um comerciante aumentar um produto 200%, será que pode fazer um desconto de 100%?
Um sem-abrigo foi preso e julgado por não ter bilhete de identidade. Como o crime não era grave foi-lhe dada a pena mínima: termo de identidade e residência.
SdB (I)
26 dezembro 2025
Poemas dos dias que correm
SHEMÀ
25 dezembro 2025
Missa do Dia de Natal
EVANGELHO – João 1,1-18
No princípio era o Verbo
e o Verbo estava com Deus
e o Verbo era Deus.
No princípio, Ele estava com Deus.
Tudo se fez por meio d’Ele
e sem Ele nada foi feito.
N’Ele estava a vida
e a vida era a luz dos homens.
A luz brilha nas trevas,
e as trevas não a receberam.
Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João.
Veio como testemunha,
para dar testemunho da luz,
a fim de que todos acreditassem por meio dele.
Ele não era a luz,
mas veio para dar testemunho da luz.
O Verbo era a luz verdadeira,
que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem.
Estava no mundo,
e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu.
Veio para o que era seu,
e os seus não O receberam.
Mas, àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome,
deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.
Estes não nasceram do sangue,
nem da vontade da carne, nem da vontade do homem,
mas de Deus.
E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós.
Nós vimos a sua glória,
glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito,
cheio de graça e de verdade.
João dá testemunho d’Ele, exclamando:
«Era deste que eu dizia:
‘O que vem depois de mim passou à minha frente,
porque existia antes de mim’».
Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos
graça sobre graça.
Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés,
a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.
A Deus, nunca ninguém O viu.
O Filho Unigénito, que está no seio do Pai,
é que O deu a conhecer.
24 dezembro 2025
Natal
23 dezembro 2025
Poemas dos dias que correm
Nascença Eterna
Nascença Eterna,
Nasce mais uma vez!
Refaz a humílima Caverna
Que nunca se desfez.
.
Distância Transcendente,
Chega-te, uma vez mais,
Tão perto que te aqueças, como a gente,
No bafo dos obscuros animais.
.
Os que te dizem não,
Os épicos do absurdo,
Que afirmarão, na sua negação,
Senão seu olho cego, ouvido surdo?
.
Infelizes supremos,
Com seu fracasso alcançam nomeada,
E contentes se atiram aos extremos
Do seu nada.
.
Na nossa ambiguidade,
Somos piores, nós, talvez,
E uns e outros só vemos a verdade
Que, Verdade de Sempre!, tu nos dês.
.
Se nada tem sentido sem a fé
No seu sentido, Sol que não te apagas,
Rompe mais uma vez na noite, que não é
Senão o dia de outras plagas.
.
Perpétua Luz, Contínua Oferta
A nossa escuridade interna,
Abre-te, Porta sempre aberta,
Mais uma vez, na humílima Caverna.
– José Régio, em ‘Obra Completa’.
22 dezembro 2025
Acerca de mim
- JdB
- Estoril, Portugal