quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Vai um gin do Peter’s? 

O MILAGRE DO SOL CELEBRADO PELA GULBENKIAN, COM MÚSICA

No centenário das Aparições, o Santuário de Fátima encomendou a dois compositores – Carrapatoso e McMillan – obras de inspiração mariana, que terão estreia absoluta, no dia 13 de Outubro, em Fátima (18h30 na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima) e no dia 15, Domingo, na Gulbenkian (17h00, na zona dos Congressos da sede da Fundação, com entrada livre). 

Nos dois eventos, a orquestra e o coro Gulbenkian actuarão sob a batuta da maestrina Joana Carneiro, coadjuvados pela soprano portuguesa consagrada nos principais palcos do mundo – Elisabete Matos. 

O programa abrange as seguintes peças musicais: «Salve Regina» de Eurico Carrapatoso; «The Sun Danced» da autoria do escocês James MacMillan a evocar o milagre testemunhado por crentes e não-crentes, a 13 de Outubro de 1917; e a Sinfonia n.º 3, op.36, do polaco Henryk Górecki também designada de «Sinfonia das lamentações». Esta obra é a única audível via youtube, porque data de 1976. Com três andamentos, começa pelo canto da solista, a dar voz a um lamento atribuído a Nossa Senhora e escrito no séc.XV. O segundo andamento respeita à mensagem grafitada por uma rapariga de 18 anos na parede de uma prisão da Gestapo, durante a Segunda Guerra Mundial. Compreensivelmente, a primeira palavra é «Mãe», replicando o clamor mais profundo do ser humano, que pede para ser amado! É a essa necessidade prioritária da Humanidade que a Senhora de Fátima se propõe atender, maternalmente, incansavelmente. Por isso, multidões sem fim continuam a acorrer ao Santuário do pequeno povoado português. O terceiro andamento inspira-se na tradição folclórica e narra a busca incessante de uma mãe pelo filho que fora assassinado, numa denúncia directa ao genocídio perpetrada em 1919, durante a insurreição na Silésia. Uma sinfonia de homenagem aos milhões de filhos mortos e de pietás, que resultaram das inúmeras matanças do século mais sangrento da História: 



Na temporada da Gulbenkian, este concerto insere-se numa série que a Fundação intitulou «Entre o Céu e a Terra», visando «criar pontes entre várias obras que exploram a qualidade transcendente daquilo que se encontra para além da razão e da palavra».  A série estende-se a oito concertos, que incidem sobre «crenças e valores presentes na cultura de distintas geografias, das Suites para Violoncelo de Bach à música síria ou ao canto sacro argelino».

Cem anos depois da Mensagem do Céu transmitida a Três Pastorinhos de Aljustrel, é extraordinário a música também querer contribuir para recordar e celebrar uma história feita de imprevistos e improbabilidades, que suplantou as fronteiras de Portugal, chegando aos recantos mais recônditos o planeta. Tudo ao contrário do marketing e da lógica do deve&haver. Um mistério que só no silêncio daquele recinto tocado pelo sagrado, se pode intuir.  


Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas, numa Quarta-feira)

1 comentário:

Anónimo disse...



Extraordinário post Maria Zarco.

Muito bem articulado, informa da boa relação entre o Santuário e a Fundação Gulbenkian, para benefício de todos nós.

Lembra,aos mais distraídos nos quais me incluo, a proposta temática da FG - Entre o Céu e a Terra. Aqui propõe a FG passar aos espectadores mensagens não verbais que só podem ‘ser enunciadas pela música’, ou, como disse «criar pontes entre várias obras que exploram a qualidade transcendente daquilo que se encontra para além da razão e da palavra».

O resultado é um comovente post que vale a pena saborear. Obrigada!






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