quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Das fábricas

Por mais estranho que pareça, no mais íntimo do meu discernimento há uma grande semelhança entre um filme de guerra e o Prós e Contras (programa da RTP 1) desta 2ªfeira. O programa de debate tem de ser aquele. O filme pode ser de guerra, mas também pode ser sobre um assalto, um assassínio político, uma expedição ao Pólo Sul.  

Relativamente ao Prós e Contras desta 2ªfeira, que versou o conflito na Autoeuropa: como minimamente informado que pretendo estar, acompanho o problema laboral. Sei o que está em causa, não só ao nível das contas públicas, mas ao nível do desemprego, seja directo seja indirecto. O fim da empresa arrasta consigo muitas existências profissionais e, por isso, também sociais. O assunto é importante.

Ora, independentemente da minha posição pessoal, que é afectada por alguma informação de que não disponho, o que mais me interessa - e por isso, essencialmente, assisti ao programa - é a dinâmica fabril: a capacidade instalada, os turnos, o cálculo de uma nova linha de montagem, as eficiências, o trabalho aos sábados. Neste caso muito concreto, ver a Fátima Campos Ferreira e o responsável pela comissão de trabalhadores é ver a fábrica onde trabalhei 20 anos, é ver as discussões sobre necessidades do mercado vs disponibilidades de horas de trabalho, é ver a discussão sobre os investimentos, é relembrar a discussão sobre os processos, sobre simplificação, redução de pessoal, automatização. 

Neste caso concreto, não há diferença entre este programa e um filme sobre guerra. Tanto num caso como noutro, uma parte de mim não quer saber se o bandido é preso ou se os maus são castigados. O que me interessa é a organização, o planeamento, a definição de planos B ou o controlo dos riscos. Nesse sentido, e penso que j´sa o escrevi aqui, o filme sobre a captura e morte de Bin Laden foi uma total desilusão: por um motivo que me transcende (confidencialidade? Pouco interesse comercial?) a programação da operação foi totalmente irrelevante para o filme, tendo-se dado prioridade à fase de pesquisa.

Uma parte de mim, no âmbito deste raciocínio, é indiferente a quem tem razão no conflito da Autoeuropa; é indiferente, também, à fuga do assaltante, porque, de facto, o que me interessa é o planeamento. Dentro de mim há um gestor fabril frustrado. As minhas saudades da actividade fabril assentam, quase exclusivamente, na parte operacional. e talvez me lembre de muitas coisas, inclusivamente daquele ano, perdido no início deste século, em que fui protagonista da decisão de trabalharmos na véspera de Natal para abastecer o mercado.  Não me orgulho.

JdB  

1 comentário:

Anónimo disse...

Num país de matriz comunista como Portugal — basta a inveja 'universalizada' — o povo, a malta, não percebe que quem tem 'mãozinhas' para trabalhar, nada fará se não houver 'ditnheirito' d'alguém.
E que o 'ditnheirito' nada fará sem as 'mãozinhas' a trabalhar.
O dinheiro e o trabalho têm que ser aliados, têm que se conluiar, que se entre-ajudar.
Os sucessos económicos acontecem quando há 'paridade' entre empregado e patrão. Como diz o adágio chinês: «para ser bom negócio, tem de ser bom para oa dois».
Não esqueça o que fez. Se, moralmente, acha que foi bem feito, foi bem feito.

cumprimenta eo

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